Editorial: Hum… INSS!

INSS

O Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) parece estar a dar sinais preocupantes de disfuncionamento. E quem mais sofre com esta situação são os aposentados, os pensionistas por invalidez, as viúvas e os demais beneficiários do sistema, muitos dos quais têm famílias para sustentar, incluindo filhos e netos. É difícil compreender que uma instituição desta natureza permita atrasos no pagamento de prestações que representam, para milhares de cidadãos, a principal fonte de subsistência.

As reclamações multiplicam-se e ganharam maior expressão desde o mês passado, quando vários pensionistas se viram confrontados com a falta de dinheiro nas suas contas. Algo parece não estar a funcionar como devia no INSS. E, perante este cenário, as recentes nomeações para cargos de direcção não bastam para tranquilizar os beneficiários. Mais do que mudanças nos nomes e nas funções, exige-se uma mudança efectiva na gestão, na transparência e na responsabilização de quem administra os recursos da instituição.

Afinal, o que se passa no INSS? Estaremos perante dificuldades meramente tecnológicas ou financeiras, ou haverá problemas de gestão que exigem uma investigação mais aprofundada? São perguntas legítimas, sobretudo quando estão em causa os direitos de cidadãos que contribuíram durante anos para garantir uma reforma digna.

A situação também suscita uma questão incontornável: estarão os beneficiários condenados a enfrentar dificuldades cada vez maiores para receber aquilo a que têm direito? E será que as irregularidades e os esquemas que, alegadamente, terão marcado a instituição no passado foram efectivamente ultrapassados? Se houver indícios de práticas ilícitas, cabe às autoridades competentes investigá-los e responsabilizar os seus autores, em vez de permitir que as suspeitas se perpetuem sem esclarecimento.

Senhores e senhoras gestores do INSS, respeitem os reformados, as viúvas e os pensionistas por invalidez. Paguem, dentro dos prazos devidos, as prestações a que estes cidadãos têm direito, conquistadas através de anos de trabalho e de descontos para a segurança social. Não se trata de um favor, muito menos de uma benesse administrativa. Trata-se do cumprimento de uma obrigação para com quem contribuiu para o sistema.

Que mosca mordeu o INSS?

Há, entretanto, um episódio que merece ser recordado. Em tempos recentes, foi aventada a possibilidade de o INSS participar no capital social das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), numa tentativa de ajudar a companhia de bandeira a ultrapassar as dificuldades financeiras que atravessava. A proposta não avançou. Ainda assim, a ideia levantou preocupações legítimas sobre a eventual utilização de recursos da segurança social para financiar uma empresa em dificuldades.

O dinheiro do INSS não é um fundo de socorro para projectos alheios à sua finalidade. É constituído, entre outras fontes, pelas contribuições de trabalhadores e empregadores e destina-se a assegurar a protecção social dos beneficiários, nos termos da lei. Qualquer decisão de investimento deve, por isso, obedecer a critérios rigorosos de legalidade, segurança, rentabilidade e transparência, tendo sempre como prioridade a sustentabilidade do sistema.

Não se pode permitir que os recursos destinados a proteger quem trabalhou honestamente sejam expostos a decisões financeiras sem fundamentação adequada, avaliação de riscos e garantias de retorno. Os beneficiários não podem ser chamados a suportar as consequências de escolhas de gestão que comprometam o património da instituição.

O INSS não pode transformar-se num território opaco, onde se confundem interesses públicos e privados, nem num espaço de actuação de gestores que não prestem contas das suas decisões. A instituição precisa de rigor, fiscalização e mecanismos eficazes de responsabilização.

A Directora-Geral do Instituto Nacional de Segurança Social, Fernanda Camba, conferiu posse, na sexta-feira, 10 de Julho de 2026, a quatro novos dirigentes da instituição. Segundo a informação divulgada sobre o acto, as nomeações visam reforçar a capacidade de gestão, modernizar os serviços, promover a transparência administrativa e assegurar a sustentabilidade do sistema de segurança social.

Uamba, Mate, Nhambizo e Mboene: queremos acreditar que as vossas nomeações resultam do mérito, da competência e do desempenho demonstrado ao longo das respectivas trajectórias profissionais no INSS. Mas há uma questão que não pode ser ignorada: a experiência acumulada dentro da instituição deve traduzir-se em maior responsabilidade e melhores resultados.

Conhecer o passado do INSS é uma vantagem, mas também representa uma responsabilidade acrescida. Quem acompanhou a evolução da instituição conhece os seus problemas, as suas fragilidades e os desafios que precisam de ser enfrentados. Por isso, espera-se dos novos dirigentes mais do que declarações de compromisso. Exige-se capacidade para corrigir falhas, melhorar os procedimentos e garantir que os beneficiários deixem de ser penalizados por problemas administrativos ou tecnológicos.

O INSS enfrenta desafios consideráveis, entre os quais a necessidade de ampliar a cobertura da segurança social obrigatória, sobretudo junto dos trabalhadores do sector informal, assegurar a sustentabilidade financeira do sistema e recuperar a confiança dos cidadãos.

Foi precisamente sobre estas matérias que Fernanda Camba se pronunciou durante a cerimónia de tomada de posse. A Directora-Geral destacou a necessidade de reforçar a imagem institucional do INSS, na sequência de constrangimentos tecnológicos que afectaram os sistemas informáticos e provocaram atrasos no processamento e no pagamento de pensões.

A responsável apontou a modernização tecnológica e o reforço da segurança dos sistemas como prioridades estratégicas, com vista a garantir uma gestão mais rigorosa, eficiente e responsável dos recursos financeiros e patrimoniais da instituição.

Defendeu igualmente a observância permanente dos princípios da transparência, integridade, imparcialidade e legalidade nos processos de contratação pública, de modo a reforçar a confiança dos parceiros e fornecedores. Entre as prioridades enunciadas figuram ainda a aceleração da transformação digital, o aumento da fiabilidade dos sistemas informáticos, a inovação tecnológica e a melhoria contínua dos serviços prestados aos contribuintes, beneficiários e pensionistas.

Fernanda Camba sublinhou, por outro lado, que o sucesso da instituição depende do empenho colectivo, da ética profissional, da dedicação e do espírito de serviço público dos funcionários, apelando aos novos dirigentes para exercerem as suas funções com responsabilidade, iniciativa e orientação para resultados.

Um discurso bonito. E necessário. Mas ouviram bem, senhores Uamba, Mate, Nhambizo e Mboene?

A transparência não se proclama apenas nas cerimónias de tomada de posse. Demonstra-se na gestão diária dos recursos, no cumprimento dos prazos, na clareza das decisões e na capacidade de prestar contas. A modernização tecnológica não pode servir apenas para justificar atrasos; deve contribuir para os evitar. E a sustentabilidade financeira não pode ser invocada como argumento para desvalorizar as dificuldades de quem depende de uma pensão para sobreviver.

Os novos dirigentes têm, agora, a oportunidade de demonstrar que as nomeações representam mais do que uma reorganização administrativa. Cabe-lhes transformar os compromissos anunciados em resultados concretos, começando pela regularização dos pagamentos em atraso, pelo esclarecimento dos constrangimentos que afectaram os sistemas informáticos e pela adopção de medidas que impeçam a repetição de situações semelhantes.

O seu a seu dono. Os beneficiários descontaram, cumpriram as suas obrigações e esperam receber as prestações a que têm direito, sem humilhações, incertezas ou peregrinações pelos serviços da instituição.

Que o INSS recupere a sua credibilidade, proteja os recursos que lhe foram confiados e coloque os beneficiários no centro das suas prioridades.

Viva o INSS!

Abaixo os esquemas, a opacidade e a irresponsabilidade na gestão dos recursos da segurança social. Basta de atirar areia aos olhos dos beneficiários!




Perante o défice financeiro, Município de Gorongosa demonstra resiliência

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Jordan Nhane

Apesar das dificuldades financeiras que afectam o funcionamento de várias autarquias moçambicanas, o Município de Gorongosa, na província de Sofala, procura manter a dinâmica das suas actividades e dar continuidade às iniciativas de interesse comunitário. Sob a liderança do edil Sabete Morais, a edilidade entregou, a 12 de Outubro, uma praça dedicada aos professores, iniciativa que mereceu o reconhecimento de alunos, docentes, pais e encarregados de educação.

A iniciativa constitui um sinal da capacidade de resposta da gestão municipal num contexto em que diversas autarquias da província de Sofala enfrentam limitações orçamentais. Entre os factores que condicionam a arrecadação de receitas próprias está a redução da capacidade de pagamento de impostos por parte de alguns munícipes, numa conjuntura também marcada pelos efeitos das mudanças climáticas sobre as actividades económicas e os rendimentos familiares.

Apesar deste cenário, fontes próximas da gestão municipal asseguram que as dificuldades não impediram a continuidade das actividades da edilidade. Uma das fontes, que pediu para não ser identificada, afirmou que a situação deverá melhorar nos próximos tempos e destacou a colaboração dos funcionários, mesmo perante os constrangimentos relacionados com o pagamento de salários.

“Estes problemas serão ultrapassados a breve trecho. Os funcionários que ainda não têm os seus ordenados estão cientes dos desafios e estão a colaborar. Em nenhum momento paralisaram as actividades, como certas pessoas escreveram nas redes sociais”, afirmou.

A experiência de Gorongosa evidencia a importância de uma gestão municipal capaz de conciliar as limitações financeiras com a manutenção de iniciativas de interesse público. Contudo, a continuidade das actividades autárquicas depende também da capacidade de assegurar receitas suficientes para responder às obrigações administrativas e às necessidades das comunidades.

Neste sentido, o reforço da arrecadação de receitas próprias, a transparência na gestão dos recursos públicos e a participação dos munícipes no cumprimento das suas obrigações fiscais são factores essenciais para a sustentabilidade financeira das autarquias e para a melhoria dos serviços prestados à população.




Magude recenseia 68.492 pessoas em 15 dias e prepara Moçambique para 2027

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O distrito de Magude, na província de Maputo, recenseou 68.492 pessoas durante o Censo Piloto Digital, realizado de 1 a 15 de Agosto de 2026. O exercício abrangeu 177 áreas de enumeração e permitiu testar a recolha digital de dados através de tablets. Na divulgação dos resultados, a presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), Eliza Mónica Magaua, destacou a importância de corrigir as falhas identificadas, enquanto o porta-voz da instituição, Pedro Duce, apresentou os preparativos técnicos e financeiros para o V Recenseamento Geral da População e Habitação, previsto para 2027. O consultor Cimar, por sua vez, apresentou os resultados demográficos e os ganhos operacionais do projecto-piloto.

A presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), Eliza Mónica Magaua, afirmou que o Censo Piloto Digital constitui uma etapa fundamental na preparação do V Recenseamento Geral da População e Habitação, por permitir testar procedimentos, avaliar soluções tecnológicas e identificar constrangimentos antes da realização da operação nacional.

Falando na terça-feira, 13 de Outubro, durante o seminário de divulgação dos resultados, Magaua destacou a importância da produção de informação estatística fiável e actualizada para a formulação de políticas públicas e a promoção do desenvolvimento socioeconómico do país.

“O Censo Piloto representa, neste processo, mais do que um exercício preparatório. Constitui uma oportunidade para testar procedimentos, avaliar soluções tecnológicas, identificar constrangimentos operacionais e introduzir, atempadamente, as melhorias necessárias antes da realização do recenseamento principal”, afirmou.

A dirigente explicou que a adopção de uma abordagem inteiramente digital poderá modernizar os processos de recolha, melhorar a gestão do trabalho de campo, reforçar os mecanismos de controlo da qualidade e acelerar o processamento dos resultados.

Contudo, alertou que a transformação digital não depende apenas da utilização de equipamentos, exigindo igualmente profissionais capacitados, sistemas funcionais, infra-estruturas adequadas e procedimentos claros.

“O sucesso do Censo 2027 começa com a nossa capacidade de aprender, corrigir e melhorar a partir das evidências recolhidas durante o piloto”, sublinhou.

Magaua apelou ainda à participação activa das instituições públicas, das autoridades locais, dos parceiros de cooperação e dos cidadãos, defendendo que as recomendações resultantes do exercício-piloto sejam efectivamente incorporadas nos planos de preparação do recenseamento nacional.

No final da sua intervenção, agradeceu ao Governo do distrito de Magude, às famílias que receberam as equipas do INE e aos parceiros de cooperação pelo apoio prestado à realização do exercício.

Pedro Duce aponta avanços na cartografia e desafios financeiros

Por sua vez, o porta-voz do INE, Pedro Duce, explicou que a preparação do recenseamento de 2027 compreende várias etapas, desde a actualização cartográfica e a formação dos recenseadores até à recolha, supervisão e processamento digital dos dados.

Segundo Duce, a actualização cartográfica permite delimitar o território, identificar bairros e povoações e estabelecer áreas de enumeração, que servirão de referência para a distribuição dos recenseadores durante os 15 dias previstos para a recolha de dados.

O responsável informou que, à data da apresentação, o processo abrangia cerca de 50% do território nacional, com aproximadamente 38 mil áreas de enumeração concluídas. A previsão era concluir a actualização cartográfica até ao final de Outubro.

“Quando chegar a hora do recenseamento, teremos o mapa com os pontos já identificados para a recolha dos dados”, explicou.

O porta-voz acrescentou que o sistema digital deverá permitir acompanhar o trabalho das equipas no terreno e identificar eventuais problemas durante a recolha, reduzindo o tempo necessário para o processamento da informação.

Como exemplo, referiu que, durante o exercício-piloto, foi possível obter dados preliminares de todos os distritos abrangidos no espaço de uma semana. Segundo Duce, o INE pretende consolidar e melhorar esse desempenho durante a operação nacional.

Em relação aos recursos financeiros, Duce indicou que o projecto de preparação do recenseamento foi apresentado com um orçamento de 710 milhões de meticais. Acrescentou que estavam em curso procedimentos para a aquisição dos tablets necessários à recolha digital dos dados.

O responsável reconheceu, igualmente, a existência de necessidades adicionais de financiamento para assegurar a realização de todas as operações previstas para 2027, incluindo a mobilização de recursos junto do Governo e dos parceiros de cooperação.

A preparação contempla ainda a formação e avaliação dos candidatos, a atribuição das áreas de trabalho e a organização das equipas de campo, de modo a garantir que cada recenseador seja encaminhado para uma área previamente delimitada.

Consultor Cimar apresenta resultados do piloto em Magude

Na apresentação dos resultados do Censo Piloto Digital, o consultor Cimar destacou o desempenho das equipas e a utilização de dispositivos electrónicos na recolha de dados.

Durante os 15 dias do exercício, foram recenseadas 68.492 pessoas, num processo que abrangeu 177 áreas de enumeração e 17.295 pontos de habitação, de acordo com os dados apresentados.

Na componente demográfica e social, os resultados indicam que 38,6% da população recenseada tem menos de 15 anos. Os dados apontam ainda que 98% das crianças com idades compreendidas entre os seis e os 11 anos frequentam a escola.

No domínio laboral, foram identificadas 19.494 pessoas na força de trabalho, incluindo indivíduos que exercem alguma actividade económica ou que se encontram à procura de emprego.

Outro indicador apresentado revela uma predominância feminina na população recenseada, com cerca de 88 homens por cada 100 mulheres.

Cimar considerou que a experiência de Magude representa um passo importante para a modernização do sistema estatístico nacional, destacando os avanços na actualização cartográfica e a possibilidade de acompanhar digitalmente as operações de campo.

O consultor defendeu que os resultados e as lições retiradas do exercício-piloto deverão orientar a expansão do modelo a todo o território nacional em 2027, permitindo aproveitar a experiência adquirida para melhorar a organização e a execução do recenseamento.

A divulgação dos resultados de Magude constitui, assim, uma etapa da preparação do V Recenseamento Geral da População e Habitação, previsto para 2027, que deverá recorrer a ferramentas digitais nas diferentes fases da operação.

O desafio que se coloca ao INE consiste em consolidar os avanços identificados, corrigir os constrangimentos técnicos e assegurar recursos financeiros, equipamentos e pessoal qualificado para realizar um recenseamento credível, inclusivo e de qualidade em todo o território nacional. (Filipe Chirindza)




INCM defende maior cooperação e formalização dos operadores para modernizar o sector postal em Moçambique

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A informalidade na prestação de serviços postais e a necessidade de modernizar o sector estiveram no centro dos debates do primeiro Fórum dos Operadores Postais de Moçambique, promovido pela Autoridade Reguladora das Comunicações (INCM), sexta-feira, 9 de Outubro, na cidade de Maputo, com vista a reforçar a cooperação entre os operadores e o regulador.

Subordinado ao lema “Fortalecimento do Diálogo, Cooperação e Associativismo para o Desenvolvimento do Mercado Postal em Moçambique”, o encontro reuniu representantes do sector para discutir os desafios e as oportunidades decorrentes da transformação digital, do crescimento do comércio electrónico e da crescente procura por serviços de entrega mais rápidos, seguros e eficientes.

Moçambique conta, actualmente, com 38 operadores postais licenciados, num mercado onde persistem actividades informais de transporte e distribuição de encomendas, incluindo serviços prestados por particulares através de plataformas digitais. Esta realidade coloca desafios à fiscalização, à segurança dos serviços e à protecção dos consumidores, exigindo uma maior articulação entre os diferentes intervenientes.

Na abertura do Fórum, o administrador executivo do INCM responsável pelas divisões de Regulamentação, Regulação de Mercados e Estatísticas, Massingue Apala, considerou que a modernização do sector postal exige investimentos em tecnologia, melhoria da cobertura geográfica e maior articulação entre os operadores, de modo a responder às exigências do comércio electrónico e às necessidades dos consumidores.

Segundo o responsável, a evolução do mercado postal representa uma oportunidade para fortalecer as cadeias logísticas, aproximar as empresas dos consumidores e ampliar o acesso aos serviços em diferentes regiões do país. “Hoje, o sector postal desempenha um papel cada vez mais relevante nas cadeias logísticas e no comércio electrónico, mas também na inclusão económica e na aproximação das pessoas e das empresas aos mercados”, afirmou.

Massingue Apala realçou ainda aos esforços do INCM na modernização do quadro regulatório, através da aprovação da Estratégia de Desenvolvimento do Sector Postal, do Regulamento de Segurança Postal e do Regulamento de Prestação e Exploração de Serviços Postais, entre outros instrumentos. Advertiu, contudo, que a transformação do sector depende da aplicação efectiva das normas e do compromisso dos operadores.

“Um bom quadro regulatório, por si só, não transforma um sector. É a sua implementação efectiva, o acompanhamento dos resultados e o compromisso de todos os intervenientes que permitem produzir mudanças concretas”, sublinhou.

Por sua vez, Euclides dos Santos, chefe do Departamento Postal do INCM, apontou a informalidade como um dos principais obstáculos à organização do mercado, esclarecendo que a existência de plataformas digitais licenciadas não dispensa os prestadores individuais da obrigação de obterem licenças para o exercício da actividade postal.

“Temos a grande questão da informalidade do próprio serviço postal. Este é um desafio que tem de ser combatido, no sentido de trazer a legalidade e garantir que os serviços sejam prestados de forma legal, através do licenciamento dos serviços postais”, explicou.

O responsável acrescentou que o Fórum procura sensibilizar os operadores para a importância da formalização e incentivar a criação de uma associação que favoreça a cooperação, a representatividade e a procura de soluções conjuntas. Na sua opinião, a regularização das actividades também permitirá melhorar a rastreabilidade das encomendas e proporcionar maior segurança aos consumidores.

Na componente tecnológica, o director executivo da Rangel Logistics Solutions, Nuno Rangel, centrou a sua intervenção na importância da informação ao longo de toda a cadeia de distribuição. Na sua perspectiva, além da rapidez das entregas, a confiança dos consumidores depende da possibilidade de acompanharem as encomendas e conhecerem antecipadamente os prazos de recepção.

“Temos de criar condições para que as pessoas tenham, a cada momento, a informação que desejam relativamente ao seu produto, pelo qual já pagaram e que querem receber”, afirmou, acrescentando que os sistemas digitais permitem registar os movimentos das mercadorias e disponibilizar informações sobre as diferentes etapas da distribuição.

Ainda sobre a transformação digital, Dário Nuvunga, representante da Portador Diário, identificou a insuficiência de investimento como um dos entraves à inovação e à integração dos serviços logísticos nas plataformas de comércio electrónico. Defendeu, por isso, a criação de mecanismos de financiamento capazes de acelerar a implementação de projectos tecnológicos dos operadores.

“As ideias e os projectos existem, mas a sua implementação vai levando tempo devido às dificuldades relacionadas com o investimento”, observou, acrescentando que a integração dos serviços de transporte nas plataformas digitais poderá facilitar o cálculo dos custos de entrega e a conclusão das compras electrónicas.

Numa outra abordagem, Dário Nuvunga defendeu uma maior integração tecnológica entre os operadores, particularmente na partilha de informações sobre o percurso das encomendas e a cobertura dos serviços nos distritos. Considerou que a criação de uma plataforma comum de rastreio facilitaria as parcerias e contribuiria para melhorar a eficiência da distribuição postal.

A possibilidade de criação de uma Associação dos Operadores Postais de Moçambique constituiu igualmente um dos temas do encontro. A iniciativa foi apresentada como um mecanismo capaz de promover o diálogo permanente, facilitar a partilha de experiências e fortalecer a participação dos operadores na procura de soluções para os desafios do sector. A sua eventual constituição dependerá da iniciativa e da decisão dos próprios operadores.

Durante o debate, foram igualmente abordadas as dificuldades de distribuição para zonas recônditas, os custos associados ao transporte de encomendas, os desafios do comércio electrónico internacional e a necessidade de melhorar a articulação entre os serviços postais e as plataformas digitais.

Realizado no Dia Mundial dos Correios, assinalado a 9 de Outubro, o encontro esteve associado ao tema internacional “Uma Rede Postal, Possibilidades Infinitas”, que realça a importância dos serviços postais para a inclusão económica e o comércio electrónico.

Com esta iniciativa, o INCM pretende promover uma cooperação mais estruturada entre os intervenientes, visando um mercado postal mais organizado, competitivo e preparado para os desafios da economia digital.




Okapi e Quive vencem Prémio Literário Mia Couto

Eduardo Quive

 Os escritores Sangare Okapi e Eduardo Quive são os vencedores da 4.ª edição do Prémio Literário Mia Couto (PLMC), promovido pela Cornelder de Moçambique (CdM), gestora do Porto da Beira, em parceria com a Associação Literária Kulemba.

Sangare Okapi e Eduardo Quive concorreram com as obras “Utse” e “Mutiladas”, respectivamente, nas categorias de Poesia e Conto, que mereceram uma apreciação positiva por parte do júri.

O anúncio dos vencedores e a entrega dos cheques gigantes, no valor de 400 mil meticais a cada um dos galardoados, tiveram lugar na quinta-feira, 8 de Outubro, na cidade da Beira.

A cerimónia contou com a presença do escritor moçambicano Mia Couto, patrono do Prémio, e do secretário de Estado na província de Sofala, Manuel Rodrigues, entre outras personalidades.

Na categoria de Poesia, Sangare Okapi, com “Utsi”, venceu a concorrência dos restantes quatro finalistas, nomeadamente Julius Kazembe, com “A Rapsódia das Luzes”, Lino Mukurruza, com “Deus na Ponta dos Dedos”, Angelina Neves, com “Nós Todos em Nós”, e Ben Jone, com “Para Espantar o Horror do Tempo”.

Na categoria de Conto, Eduardo Quive, com “Mutiladas”, superou Luís Nhambungué, com “A Gota que Fez Transbordar o Copo”, Bruno M. Areno, com “Diário de um Inútil”, Victorino Ubisse, com “Mataram o Nosso Chefe”, e Ernestino Maute, com “O Epitáfio do Josemar Araújo e Outros Contos do Criador”.

O júri foi constituído pelos escritores moçambicanos Fátima Mendonça, na qualidade de presidente, Adelino Timóteo, José dos Remédios e Teresa Noronha, incluindo a escritora brasileira e estudiosa da literatura moçambicana Vanessa Riambau Pinheiro.

Nesta edição, foram registadas 63 candidaturas, sendo 34 para a categoria de Poesia e 29 para a de Conto. As obras concorrentes foram publicadas por 22 editoras moçambicanas.

José dos Remédios, que representou o júri na cerimónia, considerou o Prémio Literário Mia Couto “o prémio literário mais importante de Moçambique”, tendo agradecido aos organizadores pela realização da iniciativa, que é promovida desde 2023.

Por sua vez, o director executivo adjunto da Cornelder de Moçambique, António Libombo, referiu que a CdM espera uma maior adesão do público as próximas cerimónias de entrega dos prémios.

Na ocasião, António Libombo agradeceu à Associação Literária Kulemba, parceira do Prémio, e ao patrono, Mia Couto, destacando a importância do seu contributo para a literatura moçambicana e mundial.

“Associar o nome de Mia Couto a este Prémio é também uma forma de reconhecer o seu importante contributo para a literatura mundial. A sua obra leva Moçambique além-fronteiras e inspira-nos a valorizar as nossas histórias e a nossa cultura”, afirmou.

Os vencedores, Sangare Okapi e Eduardo Quive, mostraram-se satisfeitos pelo reconhecimento e louvavam a Cornelder de Moçambique e a Associação Literária Kulemba pela iniciativa.

Instituído em Junho de 2023, na cidade da Beira, na presença de Mia Couto, o Prémio Literário Mia Couto foi criado no âmbito das celebrações dos 25 anos da Cornelder de Moçambique, assinalados em Outubro daquele ano.

O PLMC visa homenagear e promover a literatura moçambicana, estimulando a produção literária de qualidade no País e distinguindo anualmente as melhores obras nas categorias de Poesia e Conto.

Além do Prémio Literário Mia Couto, a Cornelder de Moçambique promove igualmente outras iniciativas de carácter cultural e desportivo, entre as quais a Légua da Beira, uma prova que reúne anualmente milhares de participantes na cidade da Beira.




Renovação do apoio militar europeu a Moçambique expõe disputa de influência em Cabo Delgado

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A renovação do apoio militar da União Europeia (UE) a Moçambique está associada a interesses geopolíticos que ultrapassam o combate ao terrorismo em Cabo Delgado, numa altura em que a província continua a concentrar importantes projectos de exploração de gás natural e a atrair a atenção de potências internacionais.

Segundo a publicação especializada Africa Intelligence, numa análise divulgada a 12 de Outubro de 2026, Bruxelas considera a continuidade do apoio às forças moçambicanas essencial para manter a sua influência junto do Governo de Daniel Chapo e evitar o reforço da presença russa no país. Os interesses energéticos europeus constituem igualmente um dos factores que ajudam a explicar a importância estratégica desta cooperação.

A leitura coloca a segurança de Cabo Delgado no cruzamento de três dimensões: o combate à insurgência armada, a disputa de influência entre actores internacionais e a protecção dos investimentos associados aos recursos naturais moçambicanos.

Cabo Delgado representa um dos principais pontos de convergência entre os desafios de segurança de Moçambique e os interesses económicos internacionais. A província alberga grandes reservas de gás natural, cuja exploração envolve empresas estrangeiras e projectos de elevada dimensão financeira.

Neste cenário, a manutenção de condições de segurança tornou-se determinante para a continuidade dos investimentos e para as perspectivas de desenvolvimento da indústria de gás natural liquefeito (GNL).

A cooperação militar internacional assume, por isso, uma importância que não se limita à assistência técnica ou ao reforço das capacidades operacionais das forças nacionais. Está igualmente relacionada com a estabilidade necessária ao desenvolvimento de projectos energéticos considerados estratégicos para Moçambique e para os mercados internacionais.

A análise da Africa Intelligence aponta precisamente para esta ligação entre a continuidade do apoio europeu, a influência diplomática de Bruxelas e os interesses energéticos na região.

A referência à Rússia acrescenta uma dimensão geopolítica à decisão europeia. De acordo com a publicação, Bruxelas pretende evitar que Moscovo amplie a sua influência em Moçambique, procurando manter uma posição relevante nas relações de segurança com as autoridades de Maputo.

A questão evidencia a importância crescente da cooperação militar nas relações entre parceiros internacionais e países africanos que enfrentam conflitos armados ou ameaças à segurança.

Para Moçambique, a existência de diferentes parceiros representa uma oportunidade para diversificar a cooperação externa. Contudo, essa dinâmica também exige uma gestão cuidadosa dos compromissos assumidos, de modo que as prioridades nacionais permaneçam no centro das decisões sobre defesa e segurança.

A disputa entre potências não elimina, por si só, os desafios operacionais no terreno. A eficácia da assistência externa depende da capacidade de traduzir os recursos disponibilizados em melhores condições de segurança, protecção das populações e recuperação das zonas afectadas pela violência.




2.ª Edição das Olimpíadas de Soldadura culmina com cerimónia nacional de premiação a 8 de Outubro

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A 2.ª Edição das Olimpíadas de Soldadura culminou, no dia 08 de Outubro, com uma cerimónia nacional de premiação onde os participantes distinguidos em Maputo e Cabo Delgado foram reconhecidos perante cerca de 150 convidados, entre representantes do Governo, institutos de formação, empresas, parceiros e patrocinadores, para reforçar a ligação entre a formação profissional e as necessidades da indústria moçambicana.

As Olimpíadas de Soldadura constituem uma plataforma de valorização do ensino técnico-profissional e das competências de soldadura, aproximando jovens, formadores e profissionais das empresas que operam em sectores como óleo e gás, construção e metalomecânica.

Nesta 2.ª edição, a iniciativa alargou a sua abrangência territorial com competições em Maputo e Cabo Delgado, envolvendo 29 participantes de 10 instituições públicas e privadas, dos quais quatro mulheres. A realização em Cabo Delgado contou com o reconhecimento do Governo Provincial, reforçando a dimensão nacional do projecto e a aproximação a uma região estratégica para o desenvolvimento energético do país.

Na abertura do evento, o Secretário de Estado do Ensino Técnico-Profissional, Leo Elias Jamal, destacou a necessidade de encarar a competição como uma ponte para o reconhecimento e a ampliação do talento nacional. Frederico P. Silva, CEO da Talento, reforçou o valor estratégico e a dignidade das profissões técnicas ao sublinhar que “a soldadura não é um biscate e não será uma das profissões abaladas pelo avanço da Inteligência Artificial”, apresentando a visão de expansão do evento para a Beira em 2027, a inclusão de novas áreas técnicas e o lançamento de uma plataforma de emprego e intercâmbio. No palco das Olimpíadas de Soldadura 2026, Arne Gibbs, General Manager da ExxonMobil Mozambique, anunciou uma nova fase do projecto Rovuma LNG, com a abertura de formações técnicas para potenciar o talento em operação e manutenção.

Com vista a aprofundar a reflexão sobre o alinhamento entre a formação e o mercado, o evento deu lugar ao painel “Da Qualificação à Mobilidade: o Ensino Técnico como Motor do Desenvolvimento Industrial”. O debate reuniu especialistas e líderes industriais para discutir a resolução do desequilíbrio entre a oferta e a procura no sector, a certificação internacional, a segurança no trabalho e a adequação curricular junto da ANEP. Em destaque, Neila Alafo (ExxonMobil) apresentou a meta de alcançar 85% de nacionalização da mão-de-obra em alguns projectos industriais, a abertura inicial de 50 vagas técnicas e a visão de transformar Moçambique num hub de formação de nível internacional.

Os primeiros classificados garantiram o acesso a um programa de estágios profissionalizantes e prémios monetários do Banco ABSA (15.000 MT para Formandos e 25.000 MT para Formadores/Profissionais). Na Zona Norte, venceram Tabuche Rocha Saide (Formandos) e Pili Njala Amisse (Formadores/Profissionais), com destaque para esta última por vencer uma categoria técnica profissional. Na Zona Sul, os 1.ºs lugares foram atribuídos a Joyceles Osvaldo Mabasso (Formandos) e Aquimo Nordine Zamane Daudo Ali (Formadores/Profissionais).

O Prémio Mulher Inspiradora, categoria não-técnica promovida em parceria com a IdeiaLab, foi entregue a Luísa Suzete Macandza, reconhecendo o seu percurso e dedicação no sector industrial.

A 2.ª Edição das Olimpíadas de Soldadura foi organizada pela Talento e contou com a parceria institucional da Cooperação Alemã, União Europeia, Governo de Moçambique, GIZ, ANEP; patrocínio da ExxonMobil Mozambique, Eni, Baker Hughes, Oteka, Ascending, Banco Absa Moçambique, Daewoo E&C, TRI-M, Transtrevo, FPB, A.I.S; e parceiros Viewpoint, AIMO, ACLM, WhireLab, ATITTUDE, MOZUP, AMS, CTA – Bureau de Conteúdo Local Moçambique, ideiaLab, MHM, E&M (Economia & Mercado), O Económico, DE Diário Económico, Club of Mozambique, FurtherAfrica e Xonguila.




Desastres causaram mais de 74 mil mortes em África no biénio 2023-2024

Cerimónia de abertura da Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres em África e lançamento do Quarto Relatório Bienal de África3

Os desastres naturais causaram mais de 74 mil mortes em África, afectaram cerca de 64 milhões de pessoas e provocaram perdas económicas superiores a oito mil milhões de dólares norte-americanos durante o biénio 2023-2024. Os dados foram apresentados esta terça-feira, 13 de Outubro, pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, durante a abertura da Conferência Internacional sobre a Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África, realizada em Maputo, ocasião em que foi lançado o Quarto Relatório Bienal de África sobre a Redução do Risco de Desastres.

Segundo Chapo, o número de ocorrências de desastres no continente aumentou de 612 para 738 no período em análise, com as cheias, os ciclones tropicais e as secas a representarem cerca de 90% do total dos danos registados. Os números, apresentados no relatório bienal, evidenciam a dimensão dos riscos que continuam a ameaçar as populações, as infra-estruturas e os esforços de desenvolvimento dos países africanos.

Na sua intervenção, o Chefe do Estado afirmou que Moçambique se encontra entre os dez países do mundo mais afectados por desastres naturais, em consequência da sua localização geográfica e da exposição recorrente a ciclones, cheias, inundações, secas e tempestades.

“Estamos sempre a reconstruir”, declarou Chapo, referindo-se aos danos provocados pelos fenómenos naturais em estradas, pontes, escolas, hospitais, sistemas de abastecimento de água, redes de energia eléctrica e infra-estruturas de comunicação.

Para o Presidente da República, a redução do risco de desastres deve constituir uma prioridade estratégica, uma vez que a ausência de mecanismos eficazes de prevenção e resposta compromete os avanços económicos, sociais e ambientais e dificulta o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Mais de 1.500 comités locais na linha da frente

Ao abordar a experiência moçambicana na gestão de desastres, Daniel Chapo destacou o papel dos mais de 1.500 Comités Locais de Gestão de Risco de Calamidades, que actuam nas comunidades, sobretudo nas zonas ciclicamente afectadas por cheias, inundações e ciclones.

Segundo o estadista, estes comités constituem uma das principais estruturas de prevenção e resposta do país, através da divulgação de alertas em línguas locais, do uso de megafones e da mobilização das rádios comunitárias para informar as populações sobre os riscos e facilitar a retirada atempada das zonas ameaçadas.

“Estes é que são os verdadeiros campeões, estes é que são os heróis no salvamento de vidas do povo moçambicano”, afirmou, ao reconhecer o trabalho dos agentes comunitários que permanecem no terreno durante as emergências.

Chapo explicou que a redução dos impactos dos desastres depende da coordenação entre as instituições públicas e as comunidades, defendendo o reforço dos sistemas de aviso prévio, dos planos de prontidão e dos mecanismos de acção antecipada, resposta e recuperação.

O Presidente comparou a actuação destes comités à de um exército mobilizado em todo o território nacional, considerando que a sua presença permite alertar as populações antes da ocorrência dos fenómenos e reduzir a exposição directa aos perigos.

Cheias de 2026 provocaram menos vítimas do que as de 2000

Na comparação entre os impactos das cheias registadas em diferentes períodos, Daniel Chapo recordou as inundações de 1977 e de 2000, esta última responsável pela morte de mais de 700 pessoas.

O Chefe do Estado afirmou que as cheias registadas em 2026 tiveram uma magnitude superior à das ocorridas em 2000, mas provocaram menos de 200 mortes, resultado que atribuiu, em parte, à melhoria da capacidade de prevenção, alerta e mobilização das comunidades.

Apesar da redução do número de vítimas, Chapo lamentou as perdas humanas e afirmou que o objectivo deve continuar a ser evitar mortes em consequência de fenómenos naturais previsíveis.

O discurso presidencial destacou igualmente as cheias ocorridas entre Janeiro e Março deste ano, que provocaram perdas humanas e materiais, sobretudo nas regiões Sul e Centro do país.

O estadista recordou ainda os ciclones Idai, Kenneth, Fred e Chido, cujos efeitos se fizeram sentir em Moçambique e noutros países da região, incluindo Madagáscar, Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e África do Sul.

Durante a cerimónia, o Presidente prestou homenagem às 139 vítimas do recente naufrágio ao largo do Djibuti e do acidente envolvendo a embarcação nacional CHAMBO, no lago Niassa, incluindo 15 crianças, conforme referido no seu discurso.

Financiamento climático e responsabilidade internacional

Daniel Chapo defendeu o reforço da cooperação internacional e do financiamento destinado à prevenção, mitigação e recuperação dos impactos dos desastres naturais, considerando insuficientes e tardios os apoios prometidos pelos parceiros internacionais.

Segundo o Presidente, a demora na disponibilização dos recursos financeiros compromete os esforços de reconstrução e agrava as dificuldades enfrentadas pelos países africanos, muitos dos quais dispõem de recursos limitados para responder a emergências de grande dimensão.

O Chefe do Estado sublinhou que Moçambique contribui de forma reduzida para a poluição global, mas continua a suportar impactos severos das alterações climáticas, devido à sua localização geográfica e à exposição a fenómenos meteorológicos extremos.

O país é atravessado por nove bacias hidrográficas, uma característica que, associada à sua exposição costeira e às condições climáticas, aumenta a vulnerabilidade a cheias e ciclones.

Neste sentido, Chapo considerou a justiça climática uma questão central para o continente africano e para a comunidade internacional, defendendo que os compromissos financeiros devem traduzir-se em medidas concretas de protecção das populações e das infra-estruturas.

O Presidente apelou aos governos, parceiros de desenvolvimento e demais actores para que reforcem o compromisso colectivo com a redução do risco de desastres e a concretização da Agenda 2063 da União Africana.

África chamada a passar do diálogo à acção

A Conferência Internacional sobre a Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África decorre ao longo de três dias, em Maputo, reunindo representantes de governos, da União Africana, da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), das Nações Unidas, do Banco Mundial, da União Europeia e de organizações da sociedade civil, entre outros participantes.

O encontro visa promover a partilha de experiências e a construção de soluções para melhorar a prevenção, a prontidão e a resposta aos desastres no continente.

Na ocasião, foi lançado o Quarto Relatório Bienal de África sobre a Implementação do Programa de Acção do Quadro de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, referente ao período 2023-2024.

Chapo defendeu que os resultados da conferência devem ultrapassar as declarações políticas e traduzir-se em medidas práticas, com destaque para a modernização dos sistemas de aviso prévio, o investimento em infra-estruturas resilientes e a capacitação das comunidades.

O Presidente da República apelou ainda à continuidade do debate sobre o financiamento climático e a justiça climática, insistindo na necessidade de uma resposta internacional proporcional à dimensão dos riscos enfrentados pelos países africanos.

“A resiliência começa nas nossas comunidades”, afirmou, defendendo que as populações locais devem ocupar uma posição central nas estratégias de prevenção e redução dos impactos dos desastres naturais.

A conferência foi aberta no Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, assinalado a 13 de Outubro sob o lema “A Resiliência Começa em Casa”.




Presidente da República manifesta consternação pela morte do esposo da Presidente da Tanzânia

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O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, manifestou consternação pelo falecimento de Hafidh Ameir Hassan, esposo da Presidente da República Unida da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan.

Segundo um comunicado da Presidência da República, Hafidh Ameir Hassan morreu a 7 de Setembro de 2026, vítima de doença.

Numa mensagem de solidariedade dirigida à Chefe do Estado tanzaniana, o Presidente Chapo apresentou, em nome do povo e do Governo de Moçambique, da Primeira-Dama, da sua família e em seu próprio nome, condolências à Presidente Samia Suluhu Hassan e à família enlutada.

Na mensagem, o Chefe do Estado moçambicano destacou o papel do falecido como companheiro de vida e fonte de apoio à Presidente tanzaniana, bem como o seu legado familiar.

O Presidente da República manifestou ainda solidariedade à família enlutada e desejou força e serenidade para enfrentar o momento de dor.




Prémio Literário Mia Couto anuncia dez obras finalistas

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O júri da 4.ª edição do Prémio Literário Mia Couto anunciou as dez obras finalistas nas categorias de Poesia e Conto.

Na categoria de Poesia, foram seleccionadas as obras A rapsódia das luzes, de Julius Kazembe; Deus na ponta dos dedos, de Lino Mukurruza; Nós todos em nós, de Angelina Neves; Para espantar o horror do tempo, de Ben Jone; e Utse, de Sangare Okapi.

Para a categoria de Conto, o júri apurou A gota que fez transbordar o copo, de Luís Nhambungué; Diário de um inútil, de Bruno M. Areno; Mataram o nosso chefe, de Victorino Ubisse; Mutiladas, de Eduardo Quive; e O epitáfio do Josemar Araújo e outros contos do criador, de Ernestino Maute.

A cerimónia de anúncio das obras vencedoras está marcada para 8 de Outubro, na cidade da Beira.

Os vencedores de cada categoria receberão um prémio monetário de 400 mil meticais.

A iniciativa é promovida pela Cornelder de Moçambique, em parceria com a Associação Kulemba, com o objectivo de reconhecer e incentivar a produção literária moçambicana.

A presente edição registou 63 candidaturas, sendo 34 na categoria de Poesia e 29 na de Conto. As obras concorrentes foram publicadas por 22 editoras moçambicanas.