FMI regressa a Maputo no próximo mês

Depois de um ano de confronto silencioso com o Fundo Monetário Internacional, o Governo moçambicano prepara-se agora para um dos momentos económicos mais delicados desde a crise das “dívidas ocultas”: negociar um novo empréstimo com o FMI, aceitar a desvalorização do Metical e iniciar um processo de ajustamento económico que poderá redefinir o equilíbrio político e financeiro do país.

A mudança representa uma reviravolta dramática na posição que Maputo manteve até recentemente. Em Abril de 2025, Moçambique e o FMI suspenderam — embora sem cancelar formalmente — o programa de cooperação financeira, depois de o Governo resistir às principais exigências impostas pela instituição de Bretton Woods, sobretudo a desvalorização da moeda nacional e os cortes na massa salarial do Estado.

Durante meses, o impasse permaneceu total. Nas reuniões de Primavera do FMI, realizadas em Washington entre 13 e 18 de Abril deste ano, representantes da instituição deixaram claro que não haveria novas negociações enquanto Moçambique não demonstrasse disposição para cumprir as condições consideradas essenciais para restaurar o equilíbrio macroeconómico.

Mas em poucas semanas tudo mudou.

Primeiro, o Governo moçambicano surpreendeu os mercados ao liquidar integralmente uma dívida de cerca de 630 milhões de dólares junto do FMI, eliminando atrasos e regularizando a sua posição perante a instituição financeira internacional.

Depois, a 2 de Abril, Maputo contratou a consultora internacional de dívida soberana Alvarez & Marsal, numa decisão vista como um forte sinal político e financeiro. A escolha não passou despercebida: o director-geral da empresa, Reza Baqir, trabalhou durante duas décadas no FMI e chegou a liderar a divisão de política de dívida da organização.

Finalmente, Moçambique sinalizou ao FMI aquilo que durante anos evitou admitir publicamente: a aceitação de uma futura desvalorização do Metical.

As três decisões abriram caminho para um encontro considerado decisivo entre a delegação moçambicana e dirigentes do FMI em Washington. O resultado foi imediato: uma missão técnica da instituição financeira visitará Moçambique em Junho para iniciar negociações sobre um novo programa de financiamento.

Nos bastidores do poder, porém, a decisão está longe de ser consensual. A eventual desvalorização do Metical tornou-se um dos temas mais explosivos dentro da Frelimo.

Há cinco anos que a taxa de câmbio se mantém praticamente estável em cerca de 63,9 meticais por dólar, sustentada artificialmente pelo Banco Central através de intervenções no mercado cambial e uso de reservas internacionais.

Grande parte dos economistas considera, contudo, que a moeda nacional está profundamente sobrevalorizada. Em círculos financeiros, muitos defendem que a taxa real deveria situar-se entre 90 e 100 meticais por dólar.

Uma desvalorização desta magnitude teria efeitos imediatos e contraditórios. Por um lado, tornaria as importações drasticamente mais caras. Combustíveis, alimentos importados, medicamentos, equipamentos industriais e produtos de consumo sofreriam aumentos significativos de preços, agravando o custo de vida e pressionando ainda mais famílias urbanas já afectadas pela inflação e desemprego.

Por outro lado, sectores produtivos nacionais poderiam ganhar competitividade. Actualmente, devido ao Metical artificialmente forte, importar arroz asiático chega a ser mais barato do que produzir arroz em Gaza, Sofala ou Zambézia. Uma moeda mais fraca tornaria os produtos nacionais relativamente mais baratos, incentivando a agricultura, exportações e substituição de importações.

É precisamente aqui que o debate económico se transforma numa disputa política interna.

Importantes sectores ligados à elite económica da Frelimo controlam redes de importação altamente lucrativas, beneficiando directamente da manutenção de um Metical valorizado. Uma desvalorização reduziria margens de lucro desses grupos e alteraria profundamente o actual modelo económico baseado em importações.

Nos corredores do poder em Maputo, o receio é que o ajustamento económico abra fissuras políticas dentro do próprio partido governamental.

A discussão deixou de ser apenas “se” haverá desvalorização. A questão agora é “como” ela será feita: de uma só vez, num choque cambial abrupto, ou gradualmente, ao longo de vários anos.

Enquanto o debate prossegue, a economia real já sente os sinais da crise.

Empresas enfrentam a escassez crescente de dólares para importações. Bancos comerciais restringem acesso a divisas. Transferências internacionais atrasam-se. Sectores industriais reportam dificuldades na aquisição de matérias-primas e equipamentos.

No final de 2025, Moçambique acumulava cerca de 800 milhões de dólares em atrasos de pagamentos externos, situação que gerou forte pressão sobre o sistema financeiro nacional.

É precisamente neste ponto que surge outra polémica: o controverso pagamento antecipado da dívida ao FMI.

Segundo fontes financeiras, o próprio FMI não exigia o pagamento imediato dos 630 milhões de dólares. O dinheiro saiu directamente das reservas internacionais do Banco de Moçambique, numa decisão que, segundo relatos de bastidores, enfrentou resistência dentro do Banco Central.

Diversos banqueiros defendem que teria sido mais prudente utilizar essas reservas para reduzir os atrasos externos, aliviando a escassez de divisas na economia e permitindo maior circulação de dólares no mercado local.

Mas o Governo optou por outra estratégia: reconstruir credibilidade junto do FMI e garantir elegibilidade para futuras iniciativas internacionais de reestruturação da dívida.

Nos últimos meses, cresce internacionalmente a discussão sobre um novo mecanismo de perdão parcial da dívida para países pobres altamente endividados, semelhante ao programa HIPC implementado no início dos anos 2000.

Moçambique surge frequentemente citado entre os países potencialmente candidatos a um futuro processo global de alívio da dívida. Contudo, existe uma condição fundamental: os países beneficiários precisam manter regularizada a sua relação com o FMI.

Foi precisamente esse cálculo estratégico que levou sectores do Governo a defender o pagamento integral da dívida.

Há ainda outro argumento técnico considerado crucial: como a dívida ao FMI é denominada em dólares, qualquer desvalorização forte do Metical aumentaria automaticamente o peso da dívida em moeda nacional, agravando ainda mais as contas públicas.

O problema é que o espaço de manobra do país tornou-se extremamente reduzido.

A ajuda externa continua em queda. Parceiros internacionais reduziram apoio financeiro. O acesso a novos empréstimos em moeda forte praticamente desapareceu. Agências internacionais de notação financeira mantêm elevada desconfiança em relação à sustentabilidade da dívida moçambicana.

Ao mesmo tempo, o país enfrenta múltiplas crises simultâneas.

No Norte, a insurgência armada em Cabo Delgado continua a provocar deslocamentos massivos, destruição de infra-estruturas e pressão humanitária. Mais de 1,3 milhões de pessoas já foram afectadas desde o início do conflito em 2017.

Em paralelo, ciclones sucessivos destruíram estradas, escolas, hospitais e sistemas agrícolas em várias províncias do Centro e Norte do país.

O Governo vai rever o Orçamento do Estado para incorporar cerca de 3,5 mil milhões de meticais provenientes das receitas do gás natural, destinados à reconstrução pós-cheias e recuperação de infra-estruturas danificadas pelas manifestações pós-eleitorais de 2024 e 2025.

Mas o peso das necessidades continua muito acima da capacidade financeira do Estado.

Paradoxalmente, tudo isto acontece enquanto Moçambique permanece sentado sobre algumas das maiores reservas de gás natural do planeta.

O país aposta fortemente nos megaprojectos liderados pela TotalEnergies, ExxonMobil e Eni como principal esperança para transformar a economia nas próximas décadas. No entanto, a prometida prosperidade do gás ainda não chegou à maioria da população.

Enquanto investidores internacionais aguardam estabilidade política e segurança em Cabo Delgado, o cidadão comum enfrenta aumento do custo de vida, desemprego crescente, salários pressionados e deterioração do poder de compra.

Para muitos economistas, Moçambique entrou agora numa fase decisiva: ou consegue atravessar os próximos anos com reformas económicas controladas até à entrada massiva das receitas do gás, ou poderá enfrentar uma nova crise financeira de grandes proporções.

A chegada da missão do FMI em Junho poderá marcar o início desse novo ciclo.

Mas também poderá abrir um período socialmente difícil, marcado por austeridade, pressão inflacionária, tensão cambial e disputas políticas internas sobre quem suportará os custos reais do ajustamento económico que se aproxima.




Governo contesta estimativa de prejuízos da TotalEnergies no projecto Mozambique LNG

O Governo de Moçambique discorda da estimativa apresentada pela gigante francesa TotalEnergies segundo a qual os sucessivos atrasos no projecto Mozambique LNG terão provocado custos adicionais avaliados em cerca de dois mil milhões de dólares norte-americanos.

A divergência surge numa altura em que decorrem negociações entre o Executivo moçambicano e os parceiros do empreendimento para a aprovação de um plano de desenvolvimento actualizado do projecto de gás natural liquefeito, considerado um dos maiores investimentos energéticos do continente africano.

De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, uma auditoria recente conduzida pela consultora britânica Bayphase não conseguiu confirmar os custos alegadamente suportados pela TotalEnergies em consequência da paralisação prolongada das obras. Perante este cenário, Maputo mostra-se relutante em aceitar a estimativa de sobrecustos avançada pela petrolífera francesa.

O projecto Mozambique LNG, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, foi interrompido após a deterioração da situação de segurança na província de Cabo Delgado, particularmente nas proximidades da vila de Palma, onde grupos armados associados ao autoproclamado Estado Islâmico intensificaram ataques contra civis e infra-estruturas.

Em 2021, na sequência de violentos ataques registados nas imediações do local de implantação do projecto, a TotalEnergies declarou força maior e suspendeu todas as actividades de construção. Na altura, o empreendimento era apontado como o maior investimento estrangeiro realizado em África.

Após cerca de cinco anos de interrupção, a TotalEnergies anunciou, em Janeiro de 2026, o relançamento formal do projecto, depois de ter levantado, no final de 2025, a declaração de força maior que permanecia em vigor desde o agravamento da insegurança em Cabo Delgado.

Contudo, a retoma plena do projecto continua dependente do entendimento entre o Governo moçambicano e os investidores quanto aos custos acumulados durante o período de paralisação. As duas partes mantêm negociações para alcançar consenso sobre o novo plano de desenvolvimento e os mecanismos de financiamento dos encargos adicionais.

Os sucessivos atrasos já obrigaram à revisão do calendário de produção do projecto. Inicialmente prevista para 2024, a primeira exportação de gás natural liquefeito foi posteriormente adiada para 2027 e, mais tarde, para 2029.

O Mozambique LNG é considerado estratégico para a economia nacional, podendo transformar Moçambique num dos principais exportadores africanos de gás natural liquefeito e reforçar o abastecimento do mercado energético internacional nas próximas décadas.




Banco de Moçambique aumenta coeficientes de reservas obrigatórias

O Banco de Moçambique anunciou a aprovação de novas taxas de incidência de reservas obrigatórias aplicáveis às instituições financeiras, no âmbito da implementação da política monetária e gestão da liquidez no sistema bancário nacional.

De acordo com a circular emitida pela instituição, o coeficiente de reservas obrigatórias aplicável à base de incidência em moeda nacional passa a ser fixado em 39,00%, enquanto o coeficiente referente à base de incidência em moeda estrangeira foi estabelecido em 29,50%.

A medida foi adoptada ao abrigo do artigo 6 do Regulamento sobre Apuramento e Constituição de Reservas Obrigatórias, aprovado pelo Aviso n.º 1/GBM/2023, de 26 de Abril.

Segundo o banco central, a nova circular entra em vigor a partir do período de constituição de reservas obrigatórias com início marcado para o dia 27 de Maio de 2026, revogando oficialmente a Circular n.º 01/EMO/2025, de 28 de Janeiro, bem como todas as disposições que contrariem o novo instrumento normativo.

As reservas obrigatórias correspondem à parcela dos depósitos que os bancos comerciais devem manter junto do banco central, sendo consideradas um dos principais instrumentos de controlo da liquidez e estabilidade financeira.

O Banco de Moçambique informou ainda que eventuais dúvidas relativas à interpretação e aplicação da circular deverão ser encaminhadas ao Departamento de Mercados e Gestão de Reservas da instituição.




Chapo felicita comunidade muçulmana e destaca papel do Islão na promoção da paz e unidade nacional

O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, endereçou uma mensagem de felicitações à comunidade muçulmana, em particular aos moçambicanos, por ocasião da celebração do Eid Al-Ad’há, assinalada esta quarta-feira, 27 de Maio.

Na mensagem, o Chefe do Estado destacou o profundo significado espiritual da data, considerando-a uma ocasião propícia para o reforço da fraternidade, da convivência pacífica e da união entre os povos, bem como para a promoção de valores universais como a fé, a obediência, o sacrifício, a solidariedade e a entrega ao próximo.

Segundo o estadista, a comunidade muçulmana moçambicana tem desempenhado um papel relevante na consolidação do tecido social do país, através da promoção de princípios éticos e morais inspirados nos verdadeiros ensinamentos do Islão, assentes na paz, tolerância, compaixão, respeito mútuo e solidariedade humana.

Daniel Chapo sublinhou igualmente o contributo das comunidades islâmicas na promoção da harmonia social, no apoio às camadas mais vulneráveis e no fortalecimento da unidade nacional, num contexto em que o país continua a apostar na coesão social e no diálogo inter-religioso.

Na mesma mensagem, o Presidente reiterou o compromisso do Estado moçambicano com a liberdade religiosa e a cooperação entre as diferentes confissões religiosas, reconhecendo o papel destas instituições na educação moral, promoção da paz e formação da cidadania.

O Chefe do Estado concluiu desejando que “as bênçãos do Eid Al-Ad’há inspirem esperança, saúde, prosperidade e paz duradoura para todas as famílias moçambicanas”.




Moçambique apresenta ProÁguaS na conferência internacional em Tajiquistão para reforçar segurança hídrica

Moçambique participa, em Dushanbe, capital do Tajiquistão, na Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Década Internacional de Acção para a Água e Desenvolvimento Sustentável, fórum onde o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, apresentou o Programa Nacional de Segurança Hídrica (ProÁguaS), uma iniciativa estratégica do Governo orientada para o reforço do acesso à água potável, a melhoria do saneamento e o aumento da resiliência do país face aos impactos das secas e cheias.

Na sua intervenção perante líderes governamentais, especialistas e parceiros internacionais, Fernando Rafael destacou que Moçambique está a implementar uma nova agenda de reformas no sector das águas, sustentada pela aprovação da Lei n.º 9/2024, de 7 de Junho, instrumento legal que introduz mudanças estruturais destinadas a tornar o sector mais eficiente, coerente e atractivo ao investimento.

Segundo Fernando Rafael, o ProÁguaS, lançado a 18 de Maio de 2026 por Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da República, constitui um marco estratégico para o sector, ao estabelecer uma visão integrada para a melhoria da eficiência dos serviços, redução das assimetrias territoriais e criação de condições sustentáveis para o investimento privado nas áreas de abastecimento de água e saneamento.

O programa prevê a mobilização de cerca de 4,593 mil milhões de dólares norte-americanos ao longo da próxima década, com o objectivo de elevar a cobertura nacional de abastecimento de água de 62% para 75% e aumentar a cobertura de saneamento de 38% para 60%. O plano contempla igualmente a expansão de infra-estruturas de segurança hídrica e o reforço dos serviços WASH em todo o território nacional.

No domínio dos recursos hídricos, o ProÁguaS estabelece metas ambiciosas, entre as quais o aumento da capacidade de armazenamento de água de 59 mil milhões para 60 mil milhões de metros cúbicos, com vista à mitigação dos efeitos da seca e ao reforço da capacidade de controlo de cheias.

Entre as principais intervenções previstas destacam-se ainda a construção de 330 quilómetros de diques de protecção contra inundações, a modernização e expansão de mais de 300 estações de monitoria hidrológica, bem como a implementação de cinco modelos hidrológicos avançados, destinados a melhorar a previsão, gestão e resposta a eventos climáticos extremos.

O Ministro revelou igualmente que o ProÁguaS já conseguiu mobilizar cerca de 700 milhões de dólares norte-americanos, um indicador que, segundo sublinhou, demonstra o compromisso do Governo de Moçambique e dos parceiros internacionais com a implementação de soluções estruturantes para garantir a segurança hídrica, o acesso universal à água e a melhoria das condições de saneamento no país.




Mambinhas fazem história: Moçambique qualifica-se pela primeira vez para o Mundial Sub-17

A selecção moçambicana de futebol Sub-17 escreveu uma das páginas mais marcantes da história do desporto nacional ao garantir, pela primeira vez, a qualificação para o Campeonato do Mundo da categoria, que terá lugar no Qatar, em 2026.

O feito histórico foi alcançado depois de uma campanha memorável no Campeonato Africano das Nações (CAN) Sub-17, competição disputada em Marrocos, onde os “Mambinhas” demonstraram maturidade competitiva, disciplina táctica e enorme capacidade de superação diante de algumas das principais potências africanas da categoria.

A caminhada rumo ao apuramento ganhou contornos épicos após a vitória de Moçambique sobre Angola por 2-1, resultado que manteve vivo o sonho mundialista e colocou a selecção nacional no “play-off” decisivo de acesso ao Mundial.

A qualificação representa um marco sem precedentes para o futebol juvenil moçambicano, numa geração que já vinha dando sinais de crescimento desde as competições regionais da COSAFA, onde os jovens nacionais conseguiram garantir presença no CAN da categoria.

Além do simbolismo desportivo, o apuramento abre novas perspectivas para o desenvolvimento do futebol jovem em Moçambique, colocando o país no mapa das grandes competições internacionais de formação. A presença no Mundial Sub-17 permitirá aos jovens atletas ganharem maior exposição internacional e poderá atrair atenção de clubes e academias estrangeiras.

Com a expansão do número de vagas africanas para o Mundial Sub-17, o continente passou a contar com dez representantes na fase final da prova, facto que ampliou as possibilidades de participação para selecções emergentes como Moçambique




Linha de transmissão Tete–Maputo de 1.300 km poderá viabilizar evacuação da energia de Mphanda Nkuwa

Foi apresentado esta quarta-feira, em Maputo, o relatório do estudo de viabilidade da futura linha de transporte de energia de alta tensão Tete–Maputo, um projecto estruturante que visa responder ao desafio central de evacuação da energia produzida na região Centro do país para os principais centros de consumo no Sul, garantindo maior estabilidade, eficiência e expansão do sistema eléctrico nacional.

O estudo, conduzido por um consórcio liderado pela Norconsult, analisa soluções técnicas, económicas e ambientais para a implementação de uma infra-estrutura que deverá sustentar a crescente produção energética nacional, com destaque para projectos de grande escala como a hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa.

Com cerca de 1.300 quilómetros de extensão e operando em 400 kV, a linha Tete–Maputo é concebida como a espinha dorsal do sistema de transmissão Centro–Sul, permitindo pela primeira vez uma ligação robusta e directa entre a região de grande produção energética e os principais centros de consumo e industrialização.

Segundo o estudo, a infra-estrutura não se limita ao transporte de energia, mas estabelece um corredor energético estruturante, suportado por subestações ao longo do trajecto, que deverão desempenhar um papel essencial na distribuição eléctrica e no desenvolvimento económico regional.

O ponto central do projecto é a necessidade de garantir a evacuação eficiente da energia gerada em Tete, sobretudo a partir de Mphanda Nkuwa, considerado um dos maiores projectos hidroeléctricos em desenvolvimento no país.

O relatório conclui que, sem uma infra-estrutura desta dimensão, o potencial energético da região não poderá ser plenamente integrado no sistema nacional nem aproveitado para reforçar a capacidade de exportação de energia para a África Austral.

A proposta técnica recomenda a construção de uma rede principal em corrente alternada, composta por pelo menos duas linhas de circuito único de 400 kV, organizada em três fases de implementação.

Estas fases, estruturadas em corredores energéticos (verde um, dois e três), têm como objectivo garantir maior segurança operacional, flexibilidade no transporte de energia e expansão progressiva da capacidade de transmissão.

O custo do projecto está estimado em cerca de 1,4 mil milhões de dólares norte-americanos.

O Governo de Moçambique já assegurou financiamento inicial através do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento para a primeira fase, estando em curso negociações com o Banco Europeu de Investimento, União Europeia e outras instituições financeiras para a mobilização dos recursos necessários às fases subsequentes.

O projecto está alinhado com a estratégia nacional de industrialização e transição energética, sendo considerado um instrumento-chave para transformar o sector eléctrico num motor de crescimento económico.

A criação de subestações ao longo do corredor deverá igualmente estimular novos polos de desenvolvimento industrial, contribuindo para a redução de assimetrias regionais e para o reforço da integração económica nacional.

A implementação da linha será acompanhada por uma Avaliação de Impacto Ambiental e Social (AIAS), que inclui mecanismos de participação pública, definição de planos de reassentamento, gestão ambiental e programas de desenvolvimento comunitário.

Estas medidas visam garantir que o projecto seja executado em conformidade com a legislação nacional e com padrões internacionais de sustentabilidade.




Presidente da República apela à vigilância contra boatos e anuncia obras estruturantes em Mecanhelas

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, deu continuidade esta terça-feira à Presidência Aberta e Inclusiva na província do Niassa, com uma visita ao distrito de Mecanhelas, onde apelou à vigilância da população contra boatos, discursos de ódio e actos de violência que, segundo afirmou, ameaçam a paz e o desenvolvimento do país.

A deslocação insere-se no ciclo da Presidência Aberta e Inclusiva de 2026, no quadro da governação de proximidade, após a recente visita à província de Tete, com o objectivo de acompanhar directamente as dinâmicas de desenvolvimento económico e social.

Apelo à paz e combate à desinformação

No comício popular, o Chefe do Estado sublinhou a necessidade de reforçar a unidade nacional e rejeitar a violência, condenando igualmente a destruição de bens públicos registada em contextos pós-eleitorais.

Daniel Chapo alertou ainda para a propagação de boatos em algumas comunidades, sobretudo relacionados com alegados casos de desaparecimento ou atrofia dos órgãos genitais masculinos, apelando à responsabilidade colectiva.

“Não podemos matar o nosso irmão por causa de uma coisa que nunca aconteceu e nunca vai acontecer. É mentira, são boatos”, afirmou o Presidente, reforçando o apelo à vigilância e ao diálogo.

População destaca desafios e pede melhorias

Durante o encontro, a população de Mecanhelas saudou o modelo de governação aberta e inclusiva, reconhecendo os esforços do Executivo na promoção da paz e do diálogo nacional.

Contudo, foram apontadas preocupações persistentes nas áreas da saúde, educação e infra-estruturas, com destaque para a necessidade de reabilitação de estradas e melhoria do hospital distrital, de forma a reduzir a dependência de Cuamba e até do vizinho Malawi.

Os residentes apelaram ainda à melhoria da qualidade do ensino e ao reforço da humanização dos serviços de saúde.

Novas infra-estruturas e reforço de serviços

Em resposta, o Presidente da República anunciou o lançamento de concursos para a construção da estrada Mecanhelas–Cuamba e do Hospital Distrital de Mecanhelas, considerados projectos estruturantes para o desenvolvimento local.

Segundo o Chefe do Estado, o Ministro da Saúde deverá deslocar-se ao distrito ainda este ano para o lançamento da primeira pedra do hospital, enquanto o Ministro da Justiça deverá proceder ao lançamento da futura Conservatória de Registo e Notariado de Mecanhelas, no próximo sábado.

Foram igualmente entregues duas ambulâncias ao distrito, com o objectivo de reforçar o sistema de assistência médica e o transporte de pacientes.

Na vertente económica, Daniel Chapo defendeu o reforço do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) e apelou ao aumento da produção agrícola como resposta ao custo de vida, incentivando a produção de arroz, feijão, soja, gergelim e carne bovina.

O Presidente sublinhou que o desenvolvimento do país depende da capacidade de produção interna e da redução da dependência de importações, num contexto de instabilidade internacional.

Reafirmando o modelo de governação próxima das populações, o Chefe do Estado destacou que a presença do Executivo no terreno é essencial para ouvir directamente as preocupações dos cidadãos e acelerar soluções.

“Uma governação próxima do povo é sair de Maputo e vir ouvir as preocupações das populações”, afirmou.




Zambézia: Linchamentos sobem para 14 mortos devido a boatos sobre desaparecimento de órgãos genitais

Subiu para 14 o número de pessoas mortas por linchamento popular na província da Zambézia, na sequência de rumores relacionados com alegados casos de atrofia ou desaparecimento de órgãos genitais. As mais recentes ocorrências registaram-se nos distritos de Derre e Mopeia, segundo as autoridades.

A informação foi confirmada esta terça-feira, em Quelimane, pelo comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Marinho Muchanga, à margem da cerimónia de abertura da Semana da Polícia.

De acordo com o comandante, a situação está a preocupar as autoridades, sobretudo devido à rápida disseminação de boatos que têm levado comunidades a agir de forma violenta contra cidadãos suspeitos.

Em ligação com estes casos, a PRM deteve mais 11 indivíduos suspeitos de envolvimento na propagação de desinformação e incitamento à violência, elevando para 34 o número total de detidos.

Marinho Muchanga afirmou que a corporação continua a desenvolver acções de sensibilização nas comunidades, com o objectivo de desencorajar a circulação de rumores e prevenir novos episódios de violência popular. O responsável advertiu ainda que a polícia será “implacável” contra os autores e disseminadores destes boatos.

Na mesma ocasião, o comandante provincial destacou que a Semana da PRM representa uma oportunidade para reforçar a proximidade entre a polícia e as comunidades, bem como consolidar a confiança pública e intensificar acções de prevenção criminal.

A Semana da Polícia decorre sob o lema: “PRM, 50 anos reafirmando o compromisso com as comunidades, combatendo a criminalidade, terrorismo e sinistralidade rodoviária”, com cerimónias centrais na província de Gaza, dirigidas pelo comandante-geral da PRM, Joaquim Sive.

Durante a programação estão previstas diversas actividades, incluindo encontros polícia-comunidade, torneios desportivos, campanhas de doação de sangue e outras iniciativas de aproximação social.




Chiquinho Conde aponta Senegal como favorito no grupo de Moçambique para o CAN 2027

O Seleccionador Nacional de Futebol de Moçambique, Chiquinho Conde, reagiu ao sorteio da fase de qualificação ao Campeonato Africano das Nações (CAN) PAMOJA 2027, colocando o Senegal como principal favorito à liderança do grupo J, onde os Mambas também terão como adversários o Sudão e a Etiópia.

Moçambique ficou inserido no grupo J da fase de qualificação, numa chave considerada exigente, que conta com o actual campeão africano Senegal, além de selecções em crescimento no panorama continental.

Para Conde, o Senegal parte claramente na dianteira da corrida ao primeiro lugar, sem deixar de reconhecer a evolução dos restantes adversários.

“Senegal é uma selecção toda poderosa, campeã africana. Já estivemos inseridos no mesmo grupo noutras competições e os resultados não foram satisfatórios. É a principal candidata ao primeiro lugar do grupo. Depois temos o Sudão e a Etiópia, que têm vindo a crescer. Não podemos menosprezar nenhum adversário. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”, afirmou o seleccionador.

O técnico sublinhou que a qualificação exigirá máxima concentração e ambição, reforçando o objectivo de garantir a presença de Moçambique na fase final da competição, de forma a dignificar o futebol nacional.

Reconstrução da selecção após saídas de figuras-chave

Chiquinho Conde reconheceu ainda o impacto da retirada de três jogadores considerados pilares da selecção nacional — Dominguez, Mexer e Reinildo — destacando a necessidade de reestruturação do grupo.

“Ficámos tristes com a saída desses três enormes jogadores, mas a vida continua. Temos de trabalhar internamente e no exterior para colmatar o vazio deixado por estes pilares do futebol moçambicano”, disse.

Novos testes e preparação para a qualificação

O seleccionador explicou que os jogos da Data-FIFA de Junho, frente à Indonésia e Omã, serão fundamentais para testar novas soluções e jogadores.

Segundo Conde, o objectivo é encontrar uma nova espinha dorsal da equipa, aproveitando também o arranque do Moçambola para observação de talentos e reforço do processo de recrutamento.

“Os jogos da Data-FIFA servem para testar jogadores e dinâmicas, de modo a encontrarmos a base da equipa. O Moçambola ajuda-nos a observar melhor e a fazer um scouting mais rigoroso”, referiu.

Calendário da qualificação

A fase de apuramento ao CAN 2027 será disputada em três janelas:

  • Jornadas 1 e 2: 21 de Setembro a 6 de Outubro de 2026
  • Jornadas 3 e 4: 9 a 17 de Novembro de 2026
  • Jornadas 5 e 6: 22 a 30 de Março de 2027

Moçambique inicia assim uma campanha exigente, mas com ambição renovada de regressar à maior competição de selecções do continente africano.