SOBRE O AMBIENTE RODOVIÁRIO

Estamos perante uma crise de combustível ou crise geral do custo de vida?

Na minha modesta opinião, o aumento do preço de combustível está sendo encarado, desde o princípio, numa perspectiva destorcida. Deu-se a entender que o assunto ficaria resolvido subsidiando o transporte colectivo urbano de passageiros, como se o problema desta crise provocada pelo aumento do preço da gasolina e do gasóleo se circunscrevesse apenas no transporte das pessoas a nível das cidades. A sobrevivência da maioria das pessoas não depende apenas do seu transporte, depende de muitos outros factores que também ficam inflacionados com o aumento do preço dos combustíveis. Esta crise afecta também, por exemplo, o valor do frete do transporte de mercadorias que por sua vez vai fazer aumentar o preço do cabaz alimentar.

O preço dos produtos provenientes da agricultura, da pesca e da indústria é também afectado pela crise gerada pelos combustíveis, uma vez que são usados nestas actividades tractores, máquinas e geradores e tudo isto vai infernizar a vida dos cidadãos. Antes de um cidadão se preocupar em se deslocar de um lado para outro usando os transportes, tem de ter capacidade de comprar os produtos básicos para se alimentar. Com fome, ninguém consegue trabalhar, muito menos preocupar-se com o preço do transporte. Não restam dúvidas de que este aumento do preço dos combustíveis afecta directamente o transporte das pessoas e, se estas não conseguem ir trabalhar, tratar dos negócios ou da saúde, a vida dos cidadãos bem como a economia do país entram em rota de colisão.

Já não havia capacidade suficiente de pagar um transporte, cujo custo vinha sendo insuportável para a maioria das pessoas, uma vez que, para se chegar ao destino, paga-se 2 ou 3 bilhetes, fazendo ligações de transporte. Na situação actual de rotura do combustível e aumento do respectivo custo, fica ainda mais penoso para o cidadão sobreviver. Parecia que o Estado se tinha mostrado sensível ao problema, porém, pecou por apenas procurar subsidiar os transportadores urbanos de passageiros licenciados. Desta forma, pretendeu ignorar a realidade dos factos, uma vez que todos sabemos que grande parte dos transportes urbanos de passageiros é exercida pelos não licenciados, e por moto-táxis, situação que vem sendo tacitamente admitida dado ao facto de este mesmo Estado reconhecer a sua incapacidade de oferecer transporte suficiente ou de criar uma política nacional que permita que entidades particulares possam ocupar uma boa parte das responsabilidades do Governo de oferecer transporte. Este problema do agravamento dos preços das viagens nos transportes irá ciclicamente aparecendo na vida dos cidadãos enquanto o Estado continuar a interferir no custo do preço dos bilhetes dos passageiros praticado pelos privados. O Estado pode e deve continuar a oferecer preços sociais nos transportes públicos que disponibiliza aos seus cidadãos, mas deve deixar de interferir no custo das viagens cobradas pelos operadores de transporte particular, uma vez que o particular quer ver o seu negócio a ser rentável. A economia do mercado ou a livre concorrência entre os privados irá, certamente, estabelecer preços competitivos entre estes transpo rtadores e proporcionar assim custos das viagens cada vez mais baixos.

Cada Governo do nosso país que vai sendo nomeado não obedece a uma política nacional para os transportes, provavelmente por ainda não ter sido institucionalizada, razão pela qual cada um vai inventando tipos de transporte, por exemplo, por teleférico, por transporte eléctrico em carris, por barco ou por tractores agrícolas, provavelmente com base no que os nossos dirigentes observaram quando viajaram noutros países. O tipo de transporte para Moçambique tem de se coadunar com as nossas realidades e especificidades, tendo em conta a capacidade de gerir e de tornar sustentável qualquer que seja o projecto que se queira escolher. Na verdade, este é um dos problemas do nosso país que não é de fácil resolução para os nossos governantes que, ao longo dos anos, não encontram o rumo certo. Por esta razão, a solução pela qual optam, é sempre a mesma, a de adquirir novos autocarros para repor a frota danificada. Esta solução já se mostrou ineficaz porque 70 a 80% dos autocarros ficam rapidamente imobilizados nos parques ou nas oficinas. De nada serve ir fazendo aquisição de novos autocarros se não houver garantia de organizar o seguinte: Haver um fornecimento de stok de peças. Proporcionar um sistema eficaz de manutenção das viaturas. Oferecer uma formação avançada aos motoristas.

 A falta de formação adequada é também a causa principal do desgaste prematuro das peças e da mecânica dos autocarros e é ainda a causa principal dos acidentes rodoviários no nosso País. Quando somos solicitados para ministrar este tipo de formação nas empresas de transportes, quer de passageiros, quer de cargas, constatamos que o nível de conhecimentos e das técnicas de condução dos motoristas está num patamar muito baixo. O pior é que os nossos dirigentes e até os gestores destas empresas particulares de transportes não têm a percepção de quão má é a qualidade de condutores que estão contratando. É necessário apostar numa formação especial/adicional aos motoristas, para que aprendam a saber fiscalizar os seus carros, a detectar antecipadamente eventuais avarias, conhecerem e familiarizarem-se com as características do carro que vão conduzir, saberem adoptar uma condução adequada às estradas degradadas do nosso país, saberem praticar condução económica, não só de combustível mas também dos componentes dos veículos que conduzem e, principalmente, praticar condução defensiva, para não se envolverem em sinistros rodoviários, face aos comportamentos desviantes dos utentes das nossas estradas. Basta só proporcionar uma formação de condução defensiva para se obter todos estes ganhos, mas continuo a não entender porque razão os nossos dirigentes não optam por proporcionar formações de segurança rodoviária. Por outro lado, custa-me também entender, por exemplo, porque motivo não optamos por complementar o transporte rodoviário pelo transporte ferroviário na região metropolitana de Maputo? Pode-se ligar, por exemplo, Maputo a Matola, Machava, Marraquene, etc por carreiras regulares de comboios. Nas situações de crise, referentes ao preço dos transportes, o problema poderia ser amenizado com esta alternativa de mobilidade proporcionada aos cidadãos. O país tem grande experiência no transporte por comboio, e os Caminhos de Ferro de Moçambique vêm gerindo esta actividade ao longo dos anos de forma sustentável e eficiente.

Perante a crise actual que o país está enfrentando nos transportes por causa do agravamento dos preços dos combustíveis, já ficou explícito que a solução de subsidiar somente os transportes colectivos urbanos de passageiros não foi acolhida satisfatoriamente, sendo urgente voltar a equacionar o problema com todos os parceiros. Torna-se imperioso voltar a dialogar novamente com todos os intervenientes no processo, com vista a encontrar uma saída que tenha consenso e seja compartilhado pela grande maioria. Está evidente que este problema não se resolve apenas subsidiando o transporte urbano de passageiros, uma vez  que o mesmo abrange todos os outros sectores do país. O nosso Estado parece estar a perder o controlo desta situação e a prejudicar-se também, porque a economia de um país não se compadece com o estado actual da nação representado por crises como estas que estão sendo mal resolvidas em prejuízo de todos os moçambicanos.

Por: Cassamo Lalá – DIRETOR DA ESCOLA DE CONDUÇÃO INTERNACIONAL




A L M A D I N A

O  Q U R B ÁN

Por: Sheikh Aminuddin Mohamad

         Designa-se “Qurbán” o sacrifício de um animal quadrúpede por ocasião da festa do Eid-Ul-Ad’há. Tal ritual tem lugar nos dias 10, 11 e 12 de Dhul-Hidja, décimo segundo mês do calendário lunar. O início deste ritual tem lugar logo a seguir ao Swalaat (oração) do Eid, estendendo-se até ao pôr-do-sol do dia 12 (este ano será nos dias 27, 28 e 29 de Maio).

         Embora a sua prática seja permitida à noite, tal não é aconselhável. O melhor dia para a prática do Qurbán é o dia de Eid (dia 27), devendo obrigatoriamente ser feito apenas depois da oração, pois se for feito antes perde a sua validade.

         De acordo com a interpretação de um dos quatro mais proeminentes Imam’s, (Abu-Hanifa), o Qurbán só é obrigatório para o muçulmano (homem ou mulher) que possua nos três dias a ele consagrados, riqueza correspondente ao valor de Zakát.

         Os animais que podem ser sacrificados são o camelo, o búfalo e o boi, (que podem ser partilhados por sete pessoas), o cabrito e o carneiro (para uma única pessoa, pois não são partilháveis). O boi deve ter mais de 2 anos de idade, o cabrito e o carneiro devem ter pelo menos 1 ano de idade.

         É recomendável que se procure o animal destinado ao Qurbán alguns dias antes de sacrificá-lo, devendo ser bem tratado, pois destinando-se ao sacrifício para agradar a Deus, o animal deve ser do melhor que encontrarmos, pois não  deve ser defeituoso (cego, zarolho, perneta, doente, com orelhas ou rabo cortados, chifre partido, etc.)

         Ao viajante, o Qurbán  não é obrigatório, mas caso regresse à casa antes do pôr-de-sol do dia 12 de Dhul-Hijja, então deverá  fazê-lo se para tal dispuser de meios materiais.

         É sempre melhor (sunnat) que seja a própria pessoa, i. é., o adquirente do animal, a proceder à sua degola caso tenha robustez física suficiente para o fazer, pois caso contrário, pode delegar a alguém, sendo porém recomendável que assista ao acto.

         Aos menores não é obrigatório, mesmo que possuam riqueza.

         No caso de o animal sacrificado ser de grande porte (camelo, búfalo ou boi) a divisão pelo grupo de sete pessoas deve ser feita  por igual, em função do peso e não por estimativa. A porção de carne que couber a cada integrante do grupo pode ficar na totalidade na sua posse,  pode doá-la na totalidade ou pode dividi-la em três partes iguais, sendo uma para os pobres, outra para os familiares e amigos, retendo a restante para si mesmo. O mesmo critério é aplicável caso o animal sacrificado seja de pequeno porte (cabrito ou carneiro).

Considerando a emergência em que algumas províncias do País se encontram, pois milhares de pessoas perderam quase a totalidade dos já parcos bens que possuíam,  sem dúvidas o melhor acto de momento é mitigar a fome destes sem-nada. Portanto, doar a totalidade da carne aos pobres e necessitados afigura-se sendo a melhor opção.

         Ainda de acordo com a interpretação do Imam Abu Hanifa, é permitido doar a carne de Qurbán aos não-muçulmanos.

A intenção de Qurbán não deve ser apenas o consumo da carne, pois se assim for o acto é inválido. Perde igualmente a sua validade se a carne for vendida ou distribuida aos empregados como forma de compensar o seu labor.

         Se alguém tenciona fazer Qurbán adquirindo um animal, mas por qualquer razão não conseguir fazê-lo nos três dias prescritos, então deve num acto de caridade doar o animal aos pobres.

         Segundo o Imam Shafei, se alguém adquirir um animal para o Qurbán e o mesmo se perder, for roubado ou devorado por algum animal feroz, a aquisição de um outro animal para o substituir não é obrigatória. É sunnat para quem tenciona fazer Qurbán abster-se de cortar as unhas, cabelo ou pelos do seu corpo desde o primeiro dia do mês de Dhul-Hidja até ao dia da degola do animal. Diz ainda o Imam Shafei que não é permitido fazer o Qurbán da parte de uma pessoa viva, sem a sua autorização. E quanto ao defunto, só é permitido se este tiver deixado dinheiro e um testamento para o efeito. Neste caso é obrigatório doar a totalidade da carne aos pobres.

         Este ritual de Qurbán é de tão grande importância, que o Profeta (S.A.W.) diz: ” Esse, que dispondo de meios não fizer o Qurbán, que não se aproxime do local de Swalaat de Eid”.Veja-se a gravidade da negligência na observância do Qurbán, a ponto de o Profeta (S.A.W) querer distanciar-se desse tipo de gente.

         Apelo a todos os muçulmanos com posses, que cumpram com este ritual, e que distribuam aos pobres e necessitados a carne dos animais abatidos. Lembrem-se daqueles que neste momente de crise estão angustiados, sem nada para vestir e sem nada para comer.

         É esta a única forma de perpetuar o espirito de sacrificio demonstrado  por Abraão quando lhe foi ordenado por Deus que sacrificasse o seu unico filho, Ismael.

         Não devemos tomar isto como um ritual pesado, pois muitos muçulmanos, e não só, degolam animais obedecendo à recomendação de curandeiros para pretensamente agradar a santos e a espíritos. Outros ainda degolam generosamente animais de médio ou grande porte para comemorar aniversários, não raras vezes regados com bebidas alcoólicas, com alguma devassidão à mistura.

         O muçulmano deve, muito particularmente neste momento em que o desconforto e a angústia atingiram milhares de lares de irmãos moçambicanos um pouco por todo o País, mostrar-se mais generoso, fazendo Qurbán, pois se de um lado vai agradar a Deus, de outro vai estender o seu braço em solidariedade para com os infortunados.




Chapo chega ao Niassa entre estradas recuperadas, expansão agrícola, pressão por infra-estruturas resilientes e fundos do FDEL em circulação

A deslocação presidencial decorre numa altura em que vários distritos do Niassa começam a retomar a normalidade depois de meses marcados por dificuldades de circulação, degradação de vias secundárias e constrangimentos provocados pelo transbordo de rios durante a época chuvosa.

Daniel Chapo desceu do avião, recebeu flores de uma criança e levantou as duas mãos diante da multidão reunida num dos corredores poeirentos do Niassa. À volta do Presidente havia militares, agentes de segurança, dirigentes locais e bandeiras agitadas pelo vento seco do norte. Mais atrás, porém, estava a província real que a visita presidencial tenta alcançar: mercados abastecidos com feijão e milho trazidos de distritos longínquos, pequenos comerciantes dependentes da transitabilidade das estradas, produtores agrícolas preocupados com o próximo ciclo de chuvas e famílias que continuam a medir o peso do Estado pela possibilidade de circular, vender e sobreviver sem isolamento.

Nas imagens que acompanham a chegada de Daniel Chapo à província surgem crianças descalças em estradas de terra vermelha, pequenos mercados improvisados, bancas de feijão expostas ao sol e vendedores que observam a movimentação presidencial entre expectativa e prudência. Em muitas localidades do Niassa, o crescimento agrícola já não é apenas um indicador estatístico apresentado em relatórios governamentais. É o elemento que sustenta o comércio local, movimenta transporte informal, alimenta pequenos mercados distritais e define parte significativa da sobrevivência económica das famílias.

Segundo o comunicado divulgado pela Presidência da República, Daniel Chapo deverá escalar os distritos de Cuamba, Mecanhelas, Mandimba, Mavago e Muembe, além da cidade de Lichinga, no quadro da Presidência Aberta e Inclusiva. A agenda inclui comícios populares, sessões extraordinárias com órgãos provinciais e distritais, encontros com diferentes segmentos sociais e inauguração de sistemas de abastecimento de água e do edifício do Tribunal Judicial de Muembe.

O conteúdo da própria agenda presidencial revela parte das prioridades que hoje dominam o discurso governativo para o Niassa. Em vez de grandes anúncios industriais ou megaprojectos de impacto imediato, a visita concentra-se sobretudo em circulação, abastecimento de água, presença institucional do Estado e acompanhamento directo das dinâmicas locais.

No terreno, porém, a visita presidencial encontra uma província onde o debate dominante ultrapassa os actos protocolares e concentra-se sobretudo nas dificuldades estruturais que continuam a travar parte do potencial económico do Niassa.

Em vários pontos da província, a deslocação de Daniel Chapo é acompanhada menos como um acontecimento político abstracto e mais como um teste à capacidade do Estado responder a problemas que regressam todos os anos com as chuvas. Em distritos onde o transporte de produtos agrícolas pode duplicar de custo após cortes de estrada e onde pequenas interrupções de circulação isolam comunidades inteiras durante dias, parte significativa da população continua a medir a presença do Governo pela condição da via, pela chegada do combustível, pela regularidade do mercado e pela possibilidade de escoar produção sem perdas.

Em Cuamba, considerado um dos principais centros comerciais e logísticos do norte do país, comerciantes e transportadores afirmam que a circulação de mercadorias melhorou nas últimas semanas, depois de vários meses de condicionamentos rodoviários que afectaram o abastecimento e elevaram custos de transporte.

O distrito ocupa uma posição estratégica na economia regional. Além da ligação ferroviária ao Corredor de Nacala, Cuamba funciona como principal eixo de ligação terrestre entre o Niassa, Nampula e Malawi, assumindo papel central no escoamento agrícola da província.

Com uma população estimada em mais de 320 mil habitantes, o distrito consolidou-se como um dos maiores centros de circulação comercial do norte de Moçambique, impulsionado sobretudo pela expansão da produção agrícola.

Dados recentes indicam que Cuamba prevê produzir, durante a campanha agrária 2025/2026, mais de 600 mil toneladas de diferentes culturas, numa subida superior a 50% em relação à campanha anterior, com destaque para milho, feijão e soja.

“Quando Cuamba pára, muitos distritos sentem imediatamente”, afirmou Ernesto Jaime, comerciante grossista no mercado central da cidade. “Há produtos que vêm de Mandimba, Mecanhelas, Marrupa e até de zonas mais distantes. Quando a estrada piora, o preço sobe quase automaticamente.”

Durante a última época chuvosa, vários troços em distritos como Mandimba, Muembe, Marrupa, Mecanhelas e Mauá registaram interrupções temporárias devido à degradação acelerada das vias e ao transbordo de rios, obrigando alguns transportadores a suspender viagens para zonas do interior.

Embora a transitabilidade esteja actualmente restabelecida nos principais corredores, continuam visíveis bermas destruídas, pequenos cortes e desgaste do pavimento em diferentes troços da província, situação que alimenta receios em relação ao próximo ciclo chuvoso.

“Agora já se circula melhor, mas há zonas onde basta voltar a chover forte para os problemas reaparecerem”, disse Fátima Adamo, proprietária de uma pequena loja alimentar em Cuamba.

O Niassa permanece uma das províncias mais paradoxais do país: possui algumas das maiores reservas de terra arável de Moçambique, baixa pressão demográfica e forte potencial agrícola, mas continua condicionado por enormes distâncias internas, custos logísticos elevados e fragilidade de infra-estruturas expostas a fenómenos climáticos extremos. Em muitos distritos, produzir deixou há muito de ser o principal obstáculo. O problema passou a ser circular.

É precisamente neste contexto que cresce a expectativa em torno da visita presidencial. Operadores económicos, agricultores e transportadores defendem que o principal desafio da província já não está apenas no aumento da produção agrícola, mas sobretudo na capacidade de garantir escoamento regular, armazenamento e circulação eficiente ao longo do ano.

A discussão ganhou ainda maior peso com a expansão recente do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), actualmente um dos principais instrumentos de financiamento de pequenas iniciativas produtivas na província.

Dados oficiais actualizados até 08 de Maio de 2026 indicam que o Niassa recebeu 86,3 milhões de meticais no âmbito do FDEL, distribuídos pelos 16 distritos e seis municípios da província. Segundo o relatório do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, foram financiados 1.573 projectos, correspondentes a uma execução financeira de 100%.

A agricultura concentra a maior fatia dos financiamentos, com 713 projectos apoiados, equivalentes a 45,33% do total provincial, seguida do comércio, com 592 projectos, correspondentes a 37,64%.

Mandimba surge como o distrito com maior número de projectos financiados, com 139 iniciativas, seguido do Município de Lichinga, com 136, Cuamba, com 121, e Mecanhelas, com 110.

No próprio distrito de Cuamba, os dados apontam para 121 projectos financiados, enquanto o Município de Cuamba registou outros 84 projectos adicionais ligados sobretudo à agricultura, comércio local, pequenos serviços e transformação alimentar.

Segundo o relatório provincial, os projectos apoiados beneficiam directamente 1.606 pessoas, das quais 990 jovens, correspondentes a 61,64% do total. O documento aponta igualmente para a criação de 3.869 postos de trabalho fixos e sazonais.

Em Muembe, produtores agrícolas afirmam que a principal preocupação passou gradualmente da produção para os custos de escoamento.

“Este ano tivemos chuva suficiente para produzir bem. Agora a preocupação é conseguir vender sem perder quase tudo no transporte”, explicou Mateus Cassimo, produtor local.

Apesar dos indicadores positivos apresentados pelas autoridades, empresários e comerciantes ligados ao sector agrícola insistem que a expansão económica do Niassa continuará limitada enquanto persistirem fragilidades na rede rodoviária e dificuldades logísticas.

“O Niassa produz muito, mas continua longe dos mercados”, afirmou um empresário ligado ao comércio de cereais entre Cuamba e Nampula. “Quando a estrada degrada, os custos sobem imediatamente e alguns circuitos deixam de compensar.”

Com mais de 129 mil quilómetros quadrados, o Niassa continua a enfrentar desafios associados às grandes distâncias entre distritos, baixa densidade populacional e elevados custos de expansão de infra-estruturas públicas.

Ainda assim, em cidades como Cuamba e Lichinga, comerciantes e operadores económicos afirmam existir uma percepção crescente de dinamização gradual da actividade económica, impulsionada pela agricultura, circulação regional e surgimento de pequenos negócios financiados nos últimos ciclos do FDEL.

Enquanto os comícios avançam e as caravanas presidenciais percorrem os corredores do norte, o Niassa continua a mover-se entre duas realidades simultâneas: a província do potencial agrícola repetido nos discursos oficiais e a província concreta onde uma ponte cortada, uma berma destruída ou um troço intransitável continuam capazes de travar mercados inteiros. É nesse intervalo entre promessa produtiva e fragilidade logística que a visita de Daniel Chapo será observada nos próximos dias.




Tzu Chi reforça apoio humanitário em sofala com doação de alimentos ao hospital rural de Nhamatanda

A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique reforçou, esta semana, o seu apoio humanitário ao sector da saúde na província de Sofala, com a entrega de mais de três toneladas de arroz ao Hospital Rural de Nhamatanda, numa iniciativa destinada a assegurar alimentação para pacientes internados durante os próximos três meses.

A doação surge no contexto da campanha de cirurgias de fenda de lábio e palato actualmente em curso naquela unidade sanitária, considerada uma das mais importantes do distrito de Nhamatanda.

Segundo a fundadora da Tzu Chi Moçambique, Denise Foi, o apoio pretende responder aos desafios adicionais enfrentados pelo hospital durante a realização da campanha cirúrgica, reforçando a capacidade alimentar da instituição.

“Tivemos conhecimento da campanha de cirurgias que decorre na província de Sofala e, face aos desafios que esta campanha pode trazer ao Hospital Rural de Nhamatanda, decidimos prestar o nosso apoio. A nossa missão central é levar amor e solidariedade a quem mais precisa”, afirmou durante a cerimónia de entrega dos donativos.

De acordo com a fundação, os alimentos deverão beneficiar diariamente cerca de 90 pessoas ao longo de um período estimado de três meses.

Além do arroz, a Tzu Chi entregou igualmente 20 quilogramas de moringa, planta reconhecida pelas suas propriedades nutricionais e terapêuticas, produzida na Machamba de Mecuzi, um espaço agrícola gerido pela organização na província de Sofala.

A produção da machamba é utilizada tanto para acções humanitárias como para programas sociais ligados à alimentação escolar, no âmbito do projecto “Refeições Quentes”, implementado pela fundação em escolas construídas após a passagem do ciclone Idai.

Para o administrador do distrito de Nhamatanda, Manuel Teixeira, o apoio representa um reforço importante na assistência alimentar aos pacientes internados, sobretudo num contexto de elevada procura dos serviços hospitalares.

“Muitos pacientes transferidos das unidades sanitárias periféricas serão beneficiados, sobretudo porque o apoio inclui também a moringa, um elemento importante que fortifica os alimentos e contribui para uma melhor recuperação dos doentes”, afirmou.

Segundo o dirigente, o donativo permitirá melhorar significativamente a capacidade de resposta alimentar da unidade sanitária nos próximos meses.

Com capacidade para 123 camas e uma equipa composta por cerca de 190 profissionais, o Hospital Rural de Nhamatanda presta assistência médica a mais de 144 mil pessoas em diferentes áreas, incluindo clínica geral, pediatria, maternidade, cirurgia e cuidados intensivos.

A instituição beneficia regularmente de apoio da Tzu Chi Moçambique, sobretudo em equipamentos hospitalares, alimentação e programas de nutrição comunitária.

Em Novembro de 2024, a fundação entregou à unidade sanitária 32 camas articuladas, 249 colchões e mais de três mil lençóis, reforçando as condições de internamento e atendimento hospitalar.

A coordenadora dos Projectos de Saúde da Tzu Chi Moçambique, Vannesia Figueiredo, destacou que a cooperação com o Hospital Rural de Nhamatanda faz parte de uma estratégia contínua de apoio às comunidades locais.

“Desde que cá estamos, temos trabalhado em coordenação com esta unidade, incluindo em projectos ligados à nutrição e bem-estar das comunidades”, explicou.

Desde a sua chegada a Moçambique, em 2012, a Fundação Tzu Chi tem vindo a desenvolver vários programas humanitários nas áreas da saúde, educação, habitação e segurança alimentar.

Só no sector da saúde, as iniciativas da organização já beneficiaram mais de 10 mil pessoas nas províncias de Sofala, Maputo, Nampula e Gaza.

A província de Sofala concentra actualmente a maior parte das intervenções da fundação, sobretudo após o ciclone Idai, que devastou grande parte da região centro do país em 2019.

No âmbito de um memorando de entendimento assinado com o Governo moçambicano, a Tzu Chi lançou um vasto programa de reconstrução e assistência às comunidades afectadas pela catástrofe.

Desde então, a organização construiu mais de 3.100 habitações permanentes e 23 escolas, das quais 17 já foram oficialmente entregues às comunidades.

Na área da saúde, a fundação financiou igualmente a construção de um centro de saúde no Posto Administrativo de Metuchira, infra-estrutura avaliada em cerca de 15 milhões de meticais.

O trabalho da Tzu Chi em Moçambique é sustentado por uma rede internacional de cerca de 10 milhões de voluntários espalhados por mais de 60 países, que contribuem financeiramente para os programas sociais e humanitários da organização.




Chapo recebe investidores internacionais e reforça cooperação diplomática com o Quirguistão

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu esta terça-feira, em audiências separadas, representantes de grandes grupos empresariais internacionais e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República do Quirguistão, encontros marcados pelo reforço da cooperação económica, diplomática e pelo interesse crescente no mercado moçambicano.

Entre os encontros realizados no Gabinete de Trabalho do Chefe do Estado, destaque para a audiência concedida ao Director Executivo da Sasol, Simon Baloi, que abordou os investimentos da empresa no sector do gás natural e em programas de desenvolvimento comunitário.

No final da audiência, Simon Baloi reafirmou o compromisso da Sasol com o desenvolvimento económico e social do País, anunciando que a empresa prepara-se para avançar para a segunda fase do programa de desenvolvimento local, denominado LDA2, avaliado em cerca de 43 milhões de dólares norte-americanos.

O responsável destacou igualmente o projecto PSA, estimado em cerca de mil milhões de dólares, destinado ao fornecimento de gás à central térmica da CTT, acrescentando que a empresa aguarda apenas pela conclusão das infra-estruturas energéticas para iniciar o fornecimento.

A construção de um terminal de gás natural liquefeito em Moçambique também esteve em análise, sendo considerada estratégica para fortalecer a integração energética regional e responder à crescente procura de energia na África Austral.

Noutra audiência, o Presidente da República recebeu o Director Executivo da Varun Beverages Zimbabwe & East Africa, Vijay Behel, que manifestou interesse em expandir os investimentos da companhia para Moçambique.

Segundo Vijay Behel, a empresa pretende investir no sector de lacticínios e reforçar operações ligadas à marca PepsiCo, incluindo bebidas gaseificadas, água engarrafada e sumos.

“Estamos muito satisfeitos porque o Presidente da República transmitiu-nos que Moçambique está aberto ao investimento. Ficamos encorajados e esperamos iniciar este negócio em breve”, afirmou o empresário.

O responsável acrescentou que a proposta será submetida aos órgãos de direcção da empresa para mobilização dos recursos necessários à implementação do projecto.

Por sua vez, o Director Global de Operações da Philip Morris International abordou oportunidades de cooperação e investimento no País, reiterando o interesse da multinacional em aprofundar relações económicas com Moçambique.

As audiências reflectem, segundo a Presidência da República, a crescente confiança de investidores estrangeiros no potencial económico de Moçambique e nos esforços do Governo para melhorar o ambiente de negócios, promover a industrialização e criar emprego.

Ainda nesta terça-feira, Daniel Chapo recebeu em audiência o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República do Quirguistão, Zheenbek Kulubaev, no quadro do reforço das relações diplomáticas entre os dois países.

Durante o encontro, o governante quirguiz destacou o papel estratégico da cidade de Maputo como um dos principais centros logísticos e económicos da África Austral, elogiando o processo de modernização urbana e o desenvolvimento das infra-estruturas portuárias.

Kulubaev considerou histórica a realização da primeira visita oficial de alto nível do Quirguistão a Moçambique, referindo que o País foi o primeiro destino africano da sua deslocação oficial ao continente.

O dirigente afirmou ainda que, apesar da distância geográfica entre os dois Estados, existem condições favoráveis para o fortalecimento da cooperação económica, comercial, logística, energética e de transportes.

Por sua vez, o Presidente da República reiterou a abertura de Moçambique ao aprofundamento das relações bilaterais e encorajou o estabelecimento de novas parcerias estratégicas entre os dois países.




Moçambique recebe 17 milhões de dólares para emergências sanitárias

O Governo moçambicano anunciou que o país vai beneficiar de 17 milhões de dólares norte-americanos, equivalentes a cerca de 14,5 milhões de euros, disponibilizados pelo Fundo Pandémico para reforçar a resposta às emergências de saúde pública agravadas pelos eventos climáticos extremos.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, à margem da Assembleia Mundial da Saúde, que decorre em Genebra.

Segundo o governante, Moçambique enfrenta sucessivas emergências sanitárias associadas a ciclones, cheias e secas, fenómenos que continuam a pressionar um sistema nacional de saúde marcado por limitações estruturais, escassez de recursos e forte dependência do financiamento externo.

“Todos estes eventos climáticos que acontecem em Moçambique impactam nas emergências de saúde pública”, declarou Ussene Isse, reconhecendo os efeitos cada vez mais severos das mudanças climáticas sobre a capacidade de resposta do sector.

O financiamento será aplicado na elaboração e implementação de um plano operacional destinado ao fortalecimento da segurança sanitária e da capacidade de resposta a surtos e epidemias.

Apesar do novo apoio financeiro internacional, persistem dúvidas sobre a capacidade do Estado em transformar os fundos recebidos em melhorias concretas para as populações afectadas, sobretudo nas zonas mais vulneráveis e frequentemente atingidas por desastres naturais.

Nos últimos anos, Moçambique tem recebido sucessivos apoios internacionais para responder a crises humanitárias e sanitárias. No entanto, comunidades afectadas por ciclones e cheias continuam a enfrentar dificuldades no acesso a cuidados médicos, medicamentos, água potável e infra-estruturas resilientes.

O ministro da Saúde considera que a selecção de Moçambique pelo Fundo Pandémico representa um reconhecimento dos progressos alcançados pelo país na gestão de emergências de saúde pública e no controlo de surtos epidémicos.

Ainda assim, especialistas têm alertado que os avanços anunciados pelo Governo contrastam com a realidade de várias unidades sanitárias, onde persistem problemas relacionados com falta de pessoal, carência de equipamentos e insuficiência de medicamentos essenciais.

Em Abril deste ano, Ussene Isse já havia defendido, em Maputo, a necessidade de maximizar os recursos disponíveis através de uma planificação conjunta entre o Governo, parceiros internacionais e organizações da sociedade civil.

Na ocasião, o governante reconheceu que a redução global do financiamento para o sector da saúde obriga o país a adoptar uma abordagem mais integrada e eficiente, evitando a duplicação de intervenções e o desperdício de recursos.

O Executivo pretende implementar um modelo de “plano único” para o sector da saúde, integrando intervenções distritais, provinciais e centrais numa matriz nacional de coordenação.




BNI distinguido como Superbrand Moçambique 2025-2026

O Banco Nacional de Investimento (BNI) foi oficialmente distinguido como Superbrand Moçambique 2025-2026, após uma avaliação independente conduzida pelo Conselho da Superbrands Moçambique. A distinção foi anunciada no âmbito da 6.ª edição da Superbrands Moçambique, realizada no passado dia 13 de Maio de 2026, em Maputo.

Segundo o banco, este reconhecimento reflecte o posicionamento do BNI enquanto instituição financeira de referência no país, destacando o seu papel na mobilização de financiamento, estruturação de projectos estratégicos e apoio ao desenvolvimento económico sustentável de Moçambique.

A Superbrands é uma organização internacional independente presente em cerca de 90 países, dedicada à identificação e valorização de marcas que se destacam pela sua credibilidade, liderança, solidez e capacidade de gerar confiança junto dos seus stakeholders. Em Moçambique, a iniciativa afirma-se como uma plataforma de reconhecimento institucional para entidades com impacto económico, consistência estratégica e visão de longo prazo.

A instituição destacou igualmente o contributo dos seus colaboradores para esta conquista, sublinhando que o reconhecimento resulta do empenho, profissionalismo e dedicação das equipas que diariamente trabalham para o fortalecimento da missão institucional do banco.




CDM lança 7.ª edição do Prémio Jornalístico Ambiente

A Cervejas de Moçambique lançou, a 7.ª edição do Prémio Jornalístico CDM Ambiente, uma iniciativa que visa incentivar a produção de conteúdos sobre preservação ambiental, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável em Moçambique.

A principal novidade desta edição é a introdução da categoria de Trabalhos Académicos, dirigida a estudantes universitários que desenvolvam pesquisas científicas e soluções inovadoras ligadas ao meio ambiente, economia circular e gestão sustentável dos recursos naturais.

O concurso contempla as categorias de Televisão, Rádio, Imprensa Escrita, Fotografia e Trabalhos Académicos, com prémios monetários que ultrapassam um milhão de meticais no total.

Cada vencedor de categoria receberá 120 mil meticais, enquanto os segundos classificados terão direito a 60 mil meticais. O concurso prevê ainda a distinção de Grande Vencedor, que será premiado com um valor adicional de 150 mil meticais.

Durante a conferência de imprensa de lançamento, Bruno Tembe afirmou que o prémio representa o compromisso contínuo da CDM com a promoção da consciência ambiental e do desenvolvimento sustentável no país.

Segundo o responsável, a introdução da categoria de Trabalhos Académicos surge da necessidade de envolver mais a juventude universitária na procura de soluções inovadoras para os desafios ambientais enfrentados por Moçambique.

“Queremos incentivar os jovens a contribuírem activamente com ideias, pesquisas e soluções sustentáveis que possam gerar impacto positivo nas comunidades”, afirmou.

Por sua vez, Carlos Serra, membro do júri do concurso, destacou a qualidade e credibilidade do painel de avaliação desta edição, considerando que o prémio se tem afirmado como uma importante plataforma de valorização do jornalismo ambiental em Moçambique.

Carlos Serra encorajou jornalistas e estudantes universitários a participarem activamente no concurso e apelou aos candidatos para consultarem cuidadosamente o regulamento da iniciativa, de modo a garantir que os trabalhos submetidos respondam plenamente aos critérios estabelecidos pela organização.

Na ocasião, Dércio Viola, coordenador-geral da Associação dos Estudantes Finalistas Universitários de Moçambique, afirmou que a parceria entre a associação e a CDM poderá incentivar um maior envolvimento dos estudantes universitários em iniciativas ligadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento do país.

Segundo Dércio Viola, Moçambique enfrenta desafios constantes relacionados com as mudanças climáticas, pelo que a aproximação entre a academia e o sector privado poderá contribuir significativamente para o surgimento de soluções inovadoras e sustentáveis.

“Acreditamos que esta iniciativa vai estimular os estudantes a desenvolverem pesquisas aplicadas e soluções concretas para os problemas ambientais que o país enfrenta”, referiu.

As candidaturas decorrem de 13 de Maio a 5 de Junho de 2026, período durante o qual jornalistas profissionais, estudantes universitários e criadores de conteúdos poderão submeter trabalhos relacionados com questões ambientais e sustentabilidade.