OPERAÇÃO CONJUNTA DESMANTELA REDE DE VENDA DE DROGAS E “XIVOTXONGO” EM MALHAMPSENE

Uma operação conjunta envolvendo a Polícia Municipal da Matola, a Polícia da República de Moçambique (PRM) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) resultou na apreensão de mais de 600 caixas de bebidas espirituosas de fabrico caseiro, conhecidas localmente como “xivotxongo”, bem como quantidades não especificadas de droga do tipo cannabis, botijas de gás de cozinha e outros bens ilícitos.A ação decorreu no bairro de Malhampsene, uma zona há muito associada à proliferação de actividades ilegais, particularmente no entorno da lixeira local, apontada pelas autoridades como foco de criminalidade organizada.No âmbito da operação, 12 cidadãos foram detidos e encontram-se sob custódia da PRM, suspeitos de envolvimento direto na posse e comercialização dos produtos apreendidos. As autoridades consideram que a intervenção representa um golpe significativo contra redes locais de tráfico e comércio ilegal.Segundo o porta-voz da PRM na Província de Maputo, Cláudio Ngulele, as detenções devem ser encaradas como um aviso claro aos envolvidos em práticas ilícitas.“Esta ação constitui um alerta sério para todos os que insistem em enveredar pelo mundo do crime. As autoridades estão vigilantes e determinadas em responsabilizar todos os infratores”, afirmou.Por sua vez, o porta-voz da Polícia Municipal da Matola, Sérgio Bavo, destacou que a operação se insere numa estratégia mais ampla de combate ao crime urbano e restauração da ordem pública.“O nosso objetivo é desmantelar as chamadas ‘bocas de fumo’ e travar a venda ilegal de bebidas espirituosas. Queremos devolver a dignidade, a segurança e a tranquilidade aos munícipes da Matola, com especial enfoque na zona de Malhampsene”, explicou.As autoridades garantem que operações do género irão continuar a ser realizadas de forma regular, como parte de um esforço contínuo para combater o crime organizado e reforçar a segurança nas comunidades.




“Cheias devastadoras e manifestações violentas paralisam economia na província de Maputo no primeiro ano de governação: ‘Não fazíamos a mínima ideia’, admite Francisco Mucanheia e promete novos mecanismos de resposta”

A província de Maputo enfrentou, ao longo do primeiro ano do atual ciclo de governação, uma combinação de crises sem precedentes, marcada por cheias de grande magnitude e manifestações violentas que, segundo diversas fontes institucionais, acabaram por paralisar completamente a economia local.
O cenário, descrito como inesperado pelas autoridades, expôs fragilidades na capacidade de previsão e resposta governativa, levantando questionamentos sobre os mecanismos de gestão de risco e preparação institucional diante de eventos extremos.
Durante a sessão de abertura do balanço do primeiro ano de implementação do plano quinquenal dos órgãos de governação descentralizada da província de Maputo (2025–2029), o chefe da Brigada Central de Assistência, Francisco Mucanheia, reconheceu publicamente a falta de antecipação face às adversidades registadas.
“O Governo e o partido não faziam a mínima ideia de que esta província enfrentaria cheias desta dimensão e manifestações com tal impacto”, afirmou Mucanheia, sublinhando que o encontro não tinha como objetivo justificar falhas, mas sim identificar soluções.
Segundo Francisco Mucanheia, os eventos extremos comprometeram seriamente o funcionamento normal da economia provincial, afectando cadeias produtivas, circulação de bens e prestação de serviços, além de agravar o nível de vulnerabilidade social das populações.
Apesar do reconhecimento das dificuldades, Mucanheia destacou que o momento deve ser encarado como uma oportunidade para reavaliar estratégias e reforçar a capacidade de resposta institucional.
“Esta reunião deve servir para avaliarmos, planificarmos e medirmos o nível de satisfação do nosso povo, apesar de não termos previsto a ocorrência destas situações”, declarou.
O dirigente foi mais além ao defender a necessidade de maior celeridade na adaptação das políticas públicas às novas dinâmicas impostas pelas crises recentes.
“Precisamos de imprimir uma velocidade muito maior no ajuste dos nossos planos face aos novos desafios, para continuarmos a assumir a liderança na governação da província”, afirmou, numa referência direta ao papel do partido FRELIMO na condução política local.
Num tom de reafirmação política, Mucanheia sustentou ainda que, apesar das adversidades, o governo mantém legitimidade junto da população.
“Temos legitimidade junto da população, porque o povo sente que estamos a responder às suas ansiedades”, concluiu.
Entretanto, analistas apontam que as declarações, embora reconheçam falhas, levantam preocupações sobre a eficácia dos sistemas de prevenção e gestão de crises, sobretudo numa região historicamente vulnerável a fenómenos climáticos extremos.
O primeiro ano de governação na província de Maputo fica, assim, marcado por desafios estruturais significativos, cuja superação dependerá da capacidade das autoridades em transformar discursos de reconhecimento em ações concretas e sustentáveis.




Mendonça arrasta PODEMOS ao Tribunal e denuncia suspensão “ilegal” da liderança

O ex-Secretário-Geral e membro do Conselho Político e do Conselho Central do partido PODEMOS, Hélder Mendonça, anunciou que irá submeter formalmente um pedido de auditoria às contas da formação política junto do Tribunal Administrativo, ao mesmo tempo que contesta a sua suspensão, que considera ilegal.
De acordo com uma nota de imprensa enviada ao jornal Visão Moçambique, Mendonça pretende igualmente solicitar o levantamento imediato das sanções disciplinares impostas pela actual liderança do partido, alegando irregularidades no processo.
“O pedido de auditoria visa garantir a transparência e a correcta prestação de contas no seio do partido”, refere o documento, acrescentando que existem “preocupações sérias quanto à gestão financeira da actual direcção”.
A nota esclarece ainda que o antigo dirigente foi recentemente alvo de medidas disciplinares que classifica como “infundadas e ilegais”, incluindo a sua suspensão e expulsão durante a 11.ª sessão do Conselho Central.
Segundo Mendonça, tais decisões foram tomadas “sem o devido fundamento legal” e surgem como resposta à sua posição crítica em defesa de maior transparência interna.
“O posicionamento firme em prol da clarificação da gestão financeira não pode ser motivo de perseguição política dentro de uma organização que se pretende democrática”, sustenta.
Fontes próximas ao processo indicam que o caso poderá aprofundar tensões internas no PODEMOS, num momento em que o partido enfrenta crescentes desafios de coesão e credibilidade pública.
Até ao momento, a actual liderança do PODEMOS não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.
A eventual intervenção do Tribunal Administrativo poderá trazer novos desenvolvimentos ao caso, sobretudo no que diz respeito à legalidade das decisões disciplinares e à gestão financeira da organização.




TRIBUNAL ADMINISTRATIVO TEM NOVO PORTA-VOZ

Trata-se do Juiz Conselheiro Arquimedes João Francisco Varimelo, designado por despacho da Presidente do Tribunal Administrativo (TA), Ana Maria Gemo Bié.

A nomeação de Arquimedes Varimelo surge num momento em que o TA procura consolidar a sua presença pública, aproximando-se cada vez mais dos cidadãos e dos diversos stakeholders institucionais, através de uma comunicação mais estruturada, célere e acessível.

O novo Porta-voz substitui o Juiz Conselheiro Cláudio Pene, que, recentemente, assumiu a presidência do Conselho Administrativo do Cofre da Jurisdição Administrativa.

A designação de Arquimedes Varimelo representa mais um passo no fortalecimento da imagem institucional do TA, reafirmando o seu compromisso com a transparência (nas acções desenvolvidas), proximidade (dos utentes numa óptica de pedagogia, perante o âmbito de actuação do TA) e abertura (ao processo de melhoria contínua e consequente melhoria do desempenho institucional), valores que orientam a actuação institucional na prossecução da sua missão.

Trata-se do Juiz Conselheiro Arquimedes João Francisco Varimelo, designado por despacho da Presidente do Tribunal Administrativo (TA), Ana Maria Gemo Bié.

A nomeação de Arquimedes Varimelo surge num momento em que o TA procura consolidar a sua presença pública, aproximando-se cada vez mais dos cidadãos e dos diversos stakeholders institucionais, através de uma comunicação mais estruturada, célere e acessível.

O novo Porta-voz substitui o Juiz Conselheiro Cláudio Pene, que, recentemente, assumiu a presidência do Conselho Administrativo do Cofre da Jurisdição Administrativa.

A designação de Arquimedes Varimelo representa mais um passo no fortalecimento da imagem institucional do TA, reafirmando o seu compromisso com a transparência (nas acções desenvolvidas), proximidade (dos utentes numa óptica de pedagogia, perante o âmbito de actuação do TA) e abertura (ao processo de melhoria contínua e consequente melhoria do desempenho institucional), valores que orientam a actuação institucional na prossecução da sua missão.




A Comissão Consultiva do Trabalho inicia negociações do salário mínimo para 2026

A Comissão Consultiva do Trabalho (CCT) anunciou o arranque do processo de negociação dos salários mínimos para 2026, numa reunião realizada ontem na cidade de Maputo, sob direcção da Ministra do Trabalho, Género e Acção Social e Presidente do órgão, Ivete Alane.
O encontro teve como principal objectivo a avaliação do desempenho económico e social registado ao longo de 2025, considerado um passo determinante para a definição dos novos níveis salariais.
Segundo Ivete Alane, “a análise do contexto económico e social é fundamental para assegurar que as decisões sobre os salários mínimos sejam equilibradas e ajustadas à realidade do país”.
Durante este processo, serão discutidos os valores mínimos de remuneração em cada sector de actividade, com impacto directo na vida dos trabalhadores e na sustentabilidade das empresas.
As negociações são conduzidas pelos representantes dos empregadores e dos sindicatos, cabendo ao Governo o papel de mediador. “O nosso compromisso é garantir um diálogo construtivo e equilibrado entre todas as partes envolvidas”, sublinhou a dirigente.
Nos próximos 30 dias, cada sector deverá apresentar as suas propostas salariais, que serão posteriormente analisadas pela CCT e submetidas ao Governo para aprovação final.
Para a Presidente da CCT, “este é um momento-chave para reforçar a justiça salarial, melhorar as condições de trabalho e impulsionar o crescimento económico do país”.




CNOOC canaliza 50 mil dólares para apoio às vítimas das cheias em Moçambique

A petrolífera estatal chinesa CNOOC entregou ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) uma doação de 50 mil dólares norte-americanos destinada a reforçar a resposta humanitária às cheias que afectaram o país, com maior incidência na província de Sofala.



O apoio surge num momento em que o Governo intensifica esforços de assistência às populações atingidas pelas inundações que, nas últimas semanas, provocaram deslocados, destruição de infra-estruturas e perdas de meios de subsistência nas regiões sul e centro.

Na ocasião, o representante da empresa em Moçambique afirmou que a decisão reflecte o compromisso institucional com a responsabilidade social, sublinhando que “decidiu assumir firmemente a sua responsabilidade social permanecendo ao lado do governo e do povo moçambicano neste momento difícil”. A posição da companhia surge ainda antes do arranque efectivo das suas operações no território nacional.

A CNOOC, apontada como o maior operador offshore da República Popular da China, possui cinco contratos de concessão para pesquisa e produção de hidrocarbonetos em Moçambique, em vigor desde Janeiro de 2026, num contexto em que o sector energético continua a ser visto como estratégico para o crescimento económico.

Por seu turno, a embaixadora chinesa em Maputo destacou o carácter duradouro das relações bilaterais, afirmando que “a amizade entre os nossos dois povos tem uma longa história e continua forte”, ao mesmo tempo que reiterou o posicionamento de Pequim face aos desafios climáticos, referindo que “a China apoia firmemente Moçambique no enfrentamento dos desafios das alterações climáticas e no avanço da reconstrução pós-catástrofe”.

No plano governamental, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREM), através do seu Secretário Permanente, António Manda, considerou o gesto um sinal de confiança no País, sublinhando que a empresa irá operar em cinco áreas concessionadas, nomeadamente “duas áreas na região do Save e três áreas na região de Angoche”, com expectativas de identificação de recursos que possam dinamizar a economia nacional.

Entretanto, o INGD garantiu que os fundos serão aplicados com critérios de transparência e direccionados às comunidades mais vulneráveis. “Estes apoios que estão sendo feitos pela República da China irão se beneficiar às pessoas que de facto sofrem neste momento. Iremos fazer chegar às pessoas que realmente necessitam”, assegurou a instituição.

Num contexto em que a época chuvosa ainda decorre, as autoridades reforçam o apelo à prudência. “Estamos dentro da época chuvosa, vamos continuar atentos aos avisos e às informações que serão dadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia”, alertou o INGD, insistindo na necessidade de observância rigorosa das orientações oficiais para mitigação de riscos.




Júlio Parruque lidera diálogo estratégico com transportadores para enfrentar crise de mobilidade na Matola

O Presidente do Conselho Municipal da Cidade da Matola, Júlio Parruque, dirigiu nesta segunda-feira o II Diálogo com Operadores de Transporte, numa iniciativa que expõe os desafios estruturais da mobilidade urbana e procura respostas coordenadas entre o município e o sector.
O encontro reuniu associações de transportadores, cooperativas e proprietários privados de viaturas, num momento em que a cidade da Matola enfrenta crescente pressão sobre o sistema de transporte, impulsionada pelo aumento populacional actualmente estimado em cerca de 1,6 milhão de habitantes.
Segundo fontes municipais, a iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de auscultação pública e concertação com operadores, considerada essencial para enfrentar problemas como a escassez de meios, sobrelotação, irregularidade de rotas e degradação de infraestruturas viárias.
“Este diálogo não é apenas consultivo; é um passo decisivo para construirmos soluções conjuntas e sustentáveis para a mobilidade urbana na Matola”, afirmou Parruque durante a sessão de abertura.
Participantes ouvidos durante o encontro apontaram preocupações recorrentes, incluindo o custo operacional elevado, dificuldades no acesso a financiamento para renovação de frotas e a necessidade de maior organização do sector informal, que continua a desempenhar um papel dominante no transporte de passageiros.
Especialistas consideram que a ausência de um sistema integrado de transporte urbano agrava os constrangimentos, obrigando milhares de cidadãos a enfrentar longos tempos de espera e deslocações precárias diariamente.
“Sem coordenação entre o município e os operadores, qualquer tentativa de reforma será insuficiente”, referiu um representante de uma das cooperativas presentes, sublinhando a importância de políticas públicas consistentes.
O município pretende, com este ciclo de diálogos, reforçar a cooperação institucional e criar bases para a implementação de medidas concretas, incluindo a reorganização de rotas, melhoria da fiscalização e eventual introdução de soluções tecnológicas para gestão do transporte.
Analistas urbanos destacam que iniciativas como esta podem representar um ponto de viragem, desde que resultem em ações práticas e não se limitem ao plano discursivo.
A cidade da Matola, um dos principais centros urbanos de Moçambique, continua a enfrentar o desafio de equilibrar crescimento acelerado com serviços públicos eficientes sendo a mobilidade urbana um dos sectores mais críticos para o desenvolvimento sustentável.




Milhões para Chiquinho Conde, migalhas para hospitais e escolas: o retrato de um país em desequilíbrio

A possibilidade de Chiquinho Conde, selecionador nacional dos Mambas, vir a auferir um salário mensal na ordem de 1,4 milhões de meticais está a gerar forte contestação pública e a reacender um debate sensível sobre as prioridades do país.
De acordo com informações apuradas, a remuneração será assegurada por um consórcio que integra a Federação Moçambicana de Futebol, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Fundação de Promoção Desportiva. No entanto, permanecem dúvidas quanto aos critérios que sustentam a fixação deste valor e à origem detalhada dos fundos envolvidos.
O caso surge num contexto social marcado por dificuldades estruturais persistentes. Em várias regiões do país, unidades hospitalares enfrentam escassez recorrente de medicamentos essenciais, enquanto milhares de crianças continuam a frequentar aulas em condições precárias, muitas vezes ao ar livre e sem mobiliário adequado.
“Não se trata apenas de futebol, mas de escolhas estratégicas. Quando se alocam milhões ao desporto, enquanto faltam medicamentos básicos e infraestruturas escolares dignas, levanta-se uma questão legítima sobre prioridades”, afirmou um analista ouvido pela nossa redação.
A ausência de esclarecimentos oficiais mais detalhados tem vindo a intensificar preocupações em torno da transparência e da gestão de recursos públicos e institucionais. Para muitos cidadãos, este episódio simboliza um desequilíbrio evidente entre o investimento no desporto e as necessidades urgentes nos sectores da saúde e da educação.
Num país onde grande parte da população continua a enfrentar desafios quotidianos significativos, o debate ultrapassa o futebol e expõe uma discussão mais ampla sobre governação, equidade e responsabilidade na definição de prioridades nacionais.




Governo da Manhiça garante funcionamento pleno em Calanga e esclarece controvérsias na distribuição de apoio às vítimas das cheias

O Governo do Distrito da Manhiça assegura que os serviços públicos no Posto Administrativo de Calanga continuam a funcionar normalmente, contrariando informações que circulavam sobre eventuais constrangimentos. A garantia consta de uma nota oficial a que o Jornal Visão Moçambique teve acesso, na qual a administração distrital procura esclarecer o ponto de situação no terreno.
Segundo o documento, “os serviços no Posto Administrativo de Calanga mantêm-se plenamente funcionais”, reforçando a ideia de estabilidade administrativa numa altura em que várias comunidades enfrentam os efeitos das cheias.
No mesmo comunicado, as autoridades detalham o processo de distribuição de kits de apoio destinados às famílias afectadas, indicando que a acção decorreu nas localidades de Lagoa-Phate e Chécua. A iniciativa foi realizada no âmbito de uma colaboração entre parceiros do Governo Distrital e as autoridades locais, numa tentativa de mitigar os impactos humanitários provocados pelas intempéries.
Apesar disso, o processo não esteve isento de desafios. A administração revela que, mesmo após um trabalho prévio de levantamento e validação de beneficiários — conduzido com o envolvimento de facilitadores comunitários e líderes locais —, houve interferências externas que geraram tensões.
“Registou-se a intervenção de um grupo de jovens com proposta de alteração das listas e critérios”, refere a nota, acrescentando que a situação exigiu “gestão e clarificação adicional junto das estruturas competentes”.
Fontes locais indicam que estas tentativas de alteração levantaram dúvidas sobre a transparência e os critérios de selecção, obrigando as autoridades a reforçar os mecanismos de comunicação e validação.
De acordo com o Governo Distrital, nesta fase, o apoio está a ser canalizado para grupos considerados prioritários e mais vulneráveis, nomeadamente idosos em situação de fragilidade, pessoas com deficiência com limitações físicas, mulheres grávidas, mães com crianças até um ano de idade em condições precárias, bem como famílias chefiadas por menores.
“As acções seguem critérios previamente definidos e alinhados com os parceiros”, sublinha o documento, numa tentativa de afastar suspeitas de favorecimento indevido.
Face às tensões registadas, o Governo apela à calma nas comunidades e reafirma o seu compromisso com a transparência. “O processo está a ser devidamente acompanhado pelo parceiro e pelas autoridades competentes”, lê-se na nota, que também destaca a importância da colaboração entre as partes envolvidas para garantir que a ajuda chegue a quem realmente precisa.
Entretanto, residentes ouvidos pelo Jornal Visão Moçambique defendem maior clareza na divulgação das listas e critérios, apontando que a comunicação contínua será essencial para evitar novos episódios de contestação.




Vice-presidente da Assembleia Provincial de Gaza acusa executivo de incumprimento e favorecimento em concursos públicos

O vice-presidente da Assembleia Provincial de Gaza, Agnaldo Navalha, denunciou publicamente o alegado incumprimento do executivo provincial no pagamento de dívidas a empresários locais, levantando também suspeitas de favorecimento em concursos públicos.
Numa publicação feita na sua página oficial do Facebook, Navalha afirma que existe um clima de tensão entre a Confederação das Associações Económicas (CTA) e os empresários da província, por um lado, e o executivo provincial, por outro.
“A CTA e os empresários de Gaza encontram-se num braço de ferro com o executivo provincial, sobretudo devido a dívidas avultadas e ao facto de, há vários anos, estes não conseguirem ganhar concursos públicos na província”, escreveu.
O responsável foi mais longe ao alegar que os empresários locais denunciam a existência de um alegado favorecimento sistemático de um único operador económico.
“Os empresários afirmam que apenas um empresário tem vencido concursos públicos e executa obras sem qualidade, sendo apontado como alguém com relações próximas com a liderança provincial”, referiu.
As críticas estendem-se à governadora da província, Margarida Mapandzene, a quem Navalha atribui práticas irregulares na gestão de contratos públicos.
“É do conhecimento público que a governadora regressou recentemente de viagem e deslocou-se imediatamente a locais que poderão constituir futuras fontes de rendimento, avaliando infraestruturas que poderão ser alvo de reabilitação”, afirmou.
Segundo Navalha, há ainda suspeitas de conflitos de interesse envolvendo empresas ligadas a familiares da governadora.
“Há indicações de que concursos públicos envolvendo empresas associadas a familiares próximos são recorrentes, o que levanta sérias preocupações sobre transparência e legalidade nos processos”, declarou.
O vice-presidente da Assembleia Provincial alerta também para possíveis irregularidades na adjudicação de projetos de reconstrução, particularmente de infraestruturas afetadas por calamidades naturais.
“Existe a perceção de que, caso determinadas empresas não vençam concursos, estes podem ser anulados, o que compromete a confiança no sistema”, acrescentou.
Face às acusações, Navalha defende a necessidade de maior fiscalização e responsabilização, sublinhando que a situação atual não deve ser normalizada.
“Não podemos continuar a admitir este tipo de práticas em Gaza. A liderança deve pautar-se pela transparência e pelo interesse público”, concluiu.
Até ao momento, o executivo provincial de Gaza não se pronunciou publicamente sobre estas acusações.