Daniel Chapo avalia infra-estruturas sociais afectadas pelo ciclone Gezani em Inhambane

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O Presidente da República, Daniel Chapo, efectuou uma visita de trabalho à província de Inhambane com o objectivo de avaliar, no terreno, os danos provocados pelo ciclone Gezani, que afectou cerca de nove mil pessoas. Na ocasião, o Chefe do Estado sublinhou que a província enfrenta ciclicamente este tipo de fenómenos, defendendo que o processo de recuperação deve ser inclusivo, gradual e orientado para soluções sustentáveis.
Durante um encontro realizado no Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), o estadista destacou a necessidade de acelerar a reposição das infra-estruturas sociais danificadas, com prioridade para escolas e outros edifícios públicos. Defendeu, igualmente, que a reconstrução deve incorporar padrões construtivos mais resilientes, capazes de mitigar o impacto de eventos climáticos extremos.
No sector da educação, o Presidente visitou a Escola Primária Josina Machel e a Escola Secundária de Conguiana, onde constatou danos nas coberturas de várias salas de aula. Apesar dos estragos registados, as estruturas principais dos edifícios mantiveram-se firmes, evidenciando avanços na adopção de soluções construtivas mais robustas.
Perante a proximidade do arranque do ano lectivo, o Chefe do Estado orientou para a reposição urgente das coberturas, sublinhando a importância de assegurar condições adequadas para o regresso dos alunos às aulas. Reforçou que as intervenções devem ser concluídas com celeridade, garantindo que as salas afectadas estejam prontas para acolher os estudantes.
A Administração Nacional de Obras Públicas (ANOP), responsável pela coordenação integrada da construção e reabilitação de infra-estruturas públicas, acompanha os levantamentos técnicos em curso e prepara a implementação das intervenções prioritárias nos sectores da educação e da saúde. As acções previstas deverão obedecer a critérios rigorosos de qualidade, segurança estrutural e resiliência climática.
Na conclusão da visita, o Presidente reiterou que a resposta aos impactos do ciclone deve assentar numa forte coordenação institucional, no envolvimento activo das comunidades e na mobilização de parceiros, salientando que, devido à sua exposição recorrente a fenómenos extremos, a província de Inhambane necessita de soluções estruturais duradouras e sustentáveis.




Património Público Sob Ataque: Shafee Sidat Denuncia Vandalismo em Marracuene e Declara “Guerra” aos Malfeitores

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O Presidente do Conselho Municipal de Marracuene, Shafee Sidat, denunciou publicamente o roubo e a destruição da letra “E” numa das infraestruturas emblemáticas do município, classificando o acto como criminoso e lesivo aos interesses colectivos.
O incidente, que à primeira vista pode parecer isolado ou de pequena dimensão, levanta questões mais amplas sobre a segurança, a conservação do património público e o nível de civismo na comunidade. A vandalização de bens municipais representa não apenas prejuízos financeiros para os cofres públicos, mas também um atentado simbólico contra os esforços de urbanização e valorização estética da vila.
“É inaceitável. O roubo e a destruição do património público são actos criminosos que prejudicam todo o Município de Marracuene”, afirmou o edil, assumindo uma posição firme ao declarar “guerra” contra os malfeitores que atentam contra infraestruturas municipais.
Na sua intervenção, Sidat sublinhou que tais actos não atingem apenas a edilidade, mas toda a população. “Quem vandaliza não está a atacar o Conselho Municipal — está a atacar cada munícipe, que quer ver a nossa terra mais bonita, organizada e desenvolvida”, afirmou.
Para além da condenação directa do acto, o presidente lançou um apelo à reflexão social. Segundo ele, o episódio evidencia um problema mais profundo ligado à formação cívica e aos valores colectivos. “Chegamos a um ponto em que precisamos refletir seriamente que tipo de educação e sociedade estamos ou queremos construir. Não podemos permitir que a falta de civismo, a má-fé ou até a inveja travem o progresso coletivo.”
A ocorrência reacende o debate sobre a necessidade de reforço das medidas de vigilância, responsabilização criminal e campanhas de sensibilização comunitária. Especialistas em governação local defendem que a protecção do património público exige não apenas policiamento, mas também envolvimento activo dos cidadãos na fiscalização e preservação dos bens comuns.
O dirigente municipal encerrou o pronunciamento com uma mensagem de responsabilidade partilhada: “Marracuene só será grande se todos assumirmos o dever de proteger o que é de todos. Quem destrói o bem público destrói o futuro comum.”
O caso segue sob acompanhamento das autoridades locais, enquanto a edilidade promete intensificar esforços para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.




FUNDAÇÃO CANTONÁ E PARCEIROS REFORÇAM ASSISTÊNCIA HUMANITÁRIA ÀS VÍTIMAS DAS CHEIAS NA PROVÍNCIA DE GAZA.

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A Fundação Cantoná e Parceiros voltam a demonstrar o seu compromisso social ao reforçar o apoio às populações afetadas pelas recentes cheias na província de Gaza, uma das regiões mais atingidas pelas intempéries que assolam o sul de Moçambique.
No âmbito desta ação solidária, a instituição, em coordenação com os seus parceiros, procederam à entrega de 35 toneladas de produtos de primeira necessidade e artigos de higiene destinados às famílias acolhidas no Centro de Acolhimento de Tavene, no distrito de Xai-Xai.
A ajuda inclui bens alimentares essenciais como arroz, farinha, massa, feijão, açúcar e óleo alimentar, bem como vestuário para idosos e kits de higiene oral, visando responder às necessidades mais urgentes das famílias afetadas, muitas das quais perderam bens e meios de subsistência em consequência das inundações.
De acordo com o director executivo da Fundação Cantoná, Milton Viegas, esta intervenção resulta do cumprimento de um compromisso assumido junto do Governo Provincial de Gaza, após o apelo lançado para reforço da assistência humanitária às comunidades afetadas.
“Esta é uma promessa que fizemos e que hoje estamos a cumprir. A Fundação Cantoná, em conjunto com os seus parceiros, não poderiam ficar indiferente ao sofrimento das famílias afetadas pelas cheias. O nosso compromisso é continuar ao lado da população enquanto persistirem as necessidades mais básicas, sobretudo no que diz respeito à alimentação e condições mínimas de higiene”, afirmou Viegas.
O responsável sublinhou ainda que a organização pretende dar continuidade ao apoio nas zonas mais críticas afetadas pelo ciclone Gezani, que fustigou as províncias de Gaza, Inhambane e Sofala, provocando destruição de infraestruturas, residências e campos agrícolas.
Segundo Viegas, a intervenção da Fundação e Parceiros não se limitará apenas à assistência alimentar.
“Estamos já a trabalhar numa próxima fase de intervenção que poderá incluir o apoio à reconstrução de algumas habitações destruídas pelas cheias. Não iremos descansar enquanto o nosso povo continuar a enfrentar dificuldades extremas”, acrescentou.
Com esta iniciativa, a Fundação Cantoná e Parceiros reafirmam o seu papel como parceira ativa no apoio às comunidades vulneráveis, reforçando a solidariedade e contribuindo para a mitigação dos impactos sociais provocados pelas calamidades naturais.




ASSOCIAÇÃO ILHAS DA PAZ E WILLOW INTERNATIONAL SCHOOL DISTRIBUEM CERCA DE 6.500 KITS NO ÂMBITO DO RAMADAN

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A Associação Ilhas da Paz, em parceria com a Willow International School, procedeu à distribuição de cerca de 6.500 kits de apoio destinados a igrejas, orfanatos, mesquitas, lares e centros de acolhimento que assistem vítimas das cheias na zona sul do país.
A iniciativa enquadra-se nas acções solidárias promovidas durante o mês sagrado do Ramadan Kareem, período de profundo significado espiritual para a comunidade muçulmana, marcado pelo jejum, pela oração, pela partilha e pela prática da caridade.
Em entrevista ao jornal Visão Moçambique, o director da Associação Ilhas da Paz destacou que a acção visa não apenas prestar assistência material, mas também reforçar os valores humanitários que caracterizam este período.
“O Ramadan Kareem é um momento de reflexão, proximidade com Allah e reforço dos laços de solidariedade. Esta doação simboliza a nossa responsabilidade social e o compromisso de levar esperança às famílias afectadas pelas cheias. Mais do que kits, estamos a partilhar apoio, empatia e dignidade com quem mais precisa”, afirmou o director.
No mesmo âmbito, a Willow International School disponibilizou 10 milhões de meticais para apoiar as vítimas das últimas inundações e do ciclone Ciclone Gezani. O montante foi canalizado através do Instituto Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (INGD), entidade responsável pela coordenação das acções de prevenção e resposta a desastres naturais no país.
Segundo a organização, além desta iniciativa, já foram distribuídos cerca de 1.000 kits de emergência em diferentes pontos do território nacional, numa demonstração contínua de solidariedade e compromisso com as comunidades afectadas por calamidades naturais.
A Associação Ilhas da Paz reafirma, assim, a sua missão de promover acções humanitárias sustentáveis, reforçando parcerias estratégicas que permitam ampliar o alcance do apoio às populações vulneráveis, especialmente em momentos de crise.




Albano Carige determina a interrupção de camiões vinculados a obra inacabada e declara que a Beira não está à venda

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Município da cidade da beira travou na amanhã de hoje camiões em ponte inacabada e enfrenta pressão de empresários locais
“Mobilidade primeiro, lucro depois” — declara Albano Carige após interceção de viaturas pesadas em obra pública no bairro de Ndunda
O Conselho Municipal da Beira bloqueou a circulação de camiões numa ponte ainda em construção no Posto Administrativo de Manga-Loforte, no bairro de Ndunda, numa decisão que coloca a segurança pública acima dos interesses económicos.
A intervenção ocorreu após técnicos municipais intercetarem viaturas ligadas à exploração de solos que tentavam atravessar a infraestrutura antes da sua conclusão oficial.
O presidente do município, Albano Carige, reagiu publicamente:
“A Beira não está à venda. Mobilidade primeiro, lucro depois.”
Ponte ainda sem condições estruturais para tráfego pesado
Empresários tentavam utilizar a travessia antes da entrega formal
Município reforça fiscalização nas zonas de exploração de solos
O inspetor municipal Chico Chimuanza foi direto:
“Sem travessia segura para as pessoas, não há negócio para ninguém.”
A decisão da autarquia marca um posicionamento firme:
Concluir a obra
Garantir segurança da população
Só depois autorizar circulação de camiões
O caso reacende o debate sobre o equilíbrio entre desenvolvimento urbano e cumprimento rigoroso das normas de obras públicas.




Daniel Chapo entrega 3.062 talhões em Matutuíne e “Desencoraja os jovens venda de terrenos atribuídos pelo estado”

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Presidente da República, Daniel Chapo, declarou que “o jovem moçambicano é o ponto de partida e o ponto de chegada da actual governação”, durante a cerimónia oficial de entrega de 3.062 talhões no Posto Administrativo de Chiakanimize, distrito de Matutuíne, província de Maputo. A iniciativa insere-se no quadro das políticas públicas de acesso à habitação e ordenamento territorial, com enfoque na juventude e em famílias residentes em zonas de risco. Segundo explicou o Chefe do Estado, o Governo pretende, com esta acção, responder aos desafios recorrentes de cheias e inundações que afectam áreas baixas dos municípios de Marracuene, Matola e Boane.Durante o acto, o estadista apelou às famílias que ainda vivem em zonas propensas a inundações para que visitem os terrenos agora disponibilizados, sublinhando que o reassentamento constitui uma medida preventiva e estruturante. A transferência para áreas devidamente parceladas e infra-estruturadas visa reduzir a vulnerabilidade das populações e garantir melhores condições de habitabilidade.Fontes governamentais indicam que os talhões foram organizados no âmbito dos programas do Fundo Nacional de Habitação, entidade responsável por operacionalizar políticas de acesso à terra para construção própria.Dirigindo-se directamente aos jovens beneficiários, o Presidente advertiu para a necessidade de preservarem os terrenos atribuídos, desencorajando a sua venda. Segundo afirmou, a finalidade da atribuição é promover estabilidade, autonomia e desenvolvimento socioeconómico da juventude.“O terreno deve servir para construir o futuro do próprio jovem e da sua família”, enfatizou, defendendo que a política de habitação deve gerar impacto intergeracional.Num outro momento da sua intervenção, Daniel Chapo lançou um convite ao sector privado para investir na região de Matutuíne e arredores, argumentando que o crescimento ordenado de novos bairros exige dinamização económica, criação de postos de trabalho e expansão de serviços básicos.O Chefe do Estado sublinhou que o desenvolvimento habitacional deve caminhar em paralelo com oportunidades de emprego, comércio e prestação de serviços, de modo a evitar a formação de zonas exclusivamente residenciais sem sustentabilidade económica.Promessa cumprida 30 anos depoisEntre os 3.062 beneficiários constam igualmente os 30 antigos jogadores que representaram Moçambique no Campeonato Africano das Nações (CAN), realizado na vizinha África do Sul, em 1996.Três décadas após a histórica participação, os atletas recebem finalmente os terrenos que lhes haviam sido prometidos na altura.Em representação do grupo, João Chissano manifestou satisfação pelo cumprimento da promessa, classificando o gesto como um acto de reconhecimento e valorização dos feitos desportivos alcançados ao serviço da nação.“É um momento de honra para todos nós. Esta era uma promessa antiga, feita há cerca de 30 anos, e hoje vemos concretizada essa palavra”, declarou.Juventude como eixo estratégicoA entrega dos talhões em Chiakanimize surge como parte de uma estratégia governamental mais ampla de inclusão social, ordenamento territorial e mitigação de riscos climáticos, reafirmando a juventude como eixo estruturante das políticas públicas.O Executivo sustenta que iniciativas desta natureza pretendem não apenas garantir acesso à terra, mas também consolidar estabilidade social e promover desenvolvimento sustentável a nível local




Vai chover na sua cidade? Veja a previsão do tempo em Moçambique para esta sexta-feira

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O Instituto Nacional de Meteorologia divulgou a previsão para 20 de fevereiro de 2026. O dia será quente na maior parte do país.



Maputo e Tete chegam aos 35°C. Beira e Quelimane marcam 34°C. Nampula pode atingir 33°C.

Há previsão de chuvas e trovoadas no centro e norte. No sul, o calor predomina.

Lichinga apresenta a temperatura mais baixa do dia, com mínima de 16°C.

Especialistas recomendam hidratação constante e atenção às descargas elétricas.

Fase da lua: Crescente Côncava.




Tmcel reforça solidariedade com vítimas das cheias e do ciclone Gezani

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A Tmcel Moçambique Telecom procedeu à entrega de bens de primeira necessidade e produtos de higiene às vítimas das cheias e do ciclone Gezani, canalizando o apoio através do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). A ação insere-se no conjunto de iniciativas que visam mitigar os impactos das recentes inundações que afetaram várias regiões do país, deixando inúmeras famílias em situação de vulnerabilidade.
A cerimónia de entrega decorreu num ambiente marcado pelo espírito de solidariedade e cooperação institucional, refletindo o empenho conjunto entre o setor privado e as autoridades públicas na resposta às emergências humanitárias. A TMCEL, enquanto operadora de bandeira nacional, reiterou o seu compromisso de continuar a desempenhar um papel ativo não apenas no domínio das telecomunicações, mas também na promoção do bem-estar social.
O Presidente do Conselho de Administração da TMCEL, Mahomed Mussá, destacou que a iniciativa enquadra-se na política de responsabilidade social da empresa, sublinhando que, em momentos de crise, as instituições devem unir esforços para apoiar as comunidades afetadas. Segundo afirmou, a empresa acompanha com preocupação os efeitos das calamidades naturais que ciclicamente atingem o país e entende ser seu dever contribuir de forma concreta para aliviar o sofrimento das populações.
O donativo entregue é constituído por produtos essenciais destinados a responder às necessidades imediatas das famílias afetadas, nomeadamente duas toneladas de arroz, uma tonelada de farinha de milho, 400 litros de óleo alimentar, 35 volumes de produtos de higiene, bem como 30 volumes de vestuário e calçado diverso. Estes bens serão distribuídos às comunidades mais afetadas, de acordo com os critérios de priorização definidos pelas autoridades competentes.
“Esta singela doação possui um significado especial, pois resulta de um gesto espontâneo de solidariedade dos colaboradores da TMCEL. Reflete o compromisso da operadora em estar presente não apenas através da conectividade, mas também no apoio direto ao bem-estar das populações nos momentos mais difíceis”, afirmou Mahomed Mussá, acrescentando que a empresa continuará disponível para colaborar em futuras ações de assistência humanitária.
Por sua vez, a Presidente do INGD, Luísa Meque, enalteceu o gesto solidário da TMCEL e dos seus colaboradores, considerando-o um exemplo de responsabilidade social corporativa. A dirigente sublinhou que a coordenação entre o setor privado e as autoridades nacionais é fundamental para assegurar uma resposta eficaz e célere às situações de calamidade, garantindo que a ajuda chegue, com a maior brevidade possível, às zonas mais afetadas.
As recentes cheias e a passagem do ciclone Gezani provocaram danos significativos em infraestruturas, habitações e meios de subsistência, agravando as condições de vida de milhares de famílias. Neste contexto, iniciativas como a da TMCEL assumem particular relevância, ao reforçarem os esforços do Governo na assistência humanitária e na reposição das condições mínimas de dignidade às populações afetadas.
Com esta ação, a TMCEL reafirma o seu posicionamento como uma empresa socialmente responsável, comprometida com o desenvolvimento sustentável e com o apoio contínuo às comunidades moçambicanas, sobretudo em períodos de adversidade.




EN4: Governo Prepara Novo Concurso Sem Balanço Público dos Lucros da Concessionária

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O Governo moçambicano iniciou a contagem decrescente para uma decisão estratégica que poderá redefinir o controlo de um dos mais importantes corredores rodoviários da região. A concessão da Estrada Nacional Número 4 (EN4), actualmente explorada pela sul-africana Trans-African Concessions (TRAC), termina em Fevereiro de 2028 — e o Executivo já admite avançar para um novo concurso público.
A medida surge após o Conselho de Ministros ter apreciado o relatório técnico de avaliação do contrato, assinado em Maio de 1997 entre os Governos de Moçambique e da África do Sul. O acordo entrou em vigor em Janeiro de 1998, com duração de 30 anos.
Segundo o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, o contrato foi cumprido regularmente e os objectivos inicialmente definidos foram alcançados. No entanto, a decisão de lançar concurso público indica que o Estado não pretende uma renovação automática.
Três décadas de exploração: que balanço real?
O projecto da EN4 envolveu um investimento inicial estimado em cerca de 6,5 mil milhões de randes, dos quais 40% aplicados em território nacional. A concessão incluiu a construção, financiamento, operação e manutenção de aproximadamente 600 quilómetros da via, que liga o Porto de Maputo ao interior sul-africano, sendo considerada vital para o comércio regional.
Contudo, a avaliação oficial positiva não dissipa um conjunto de questões que permanecem fora do debate público:
Quanto arrecadou efectivamente a concessionária em receitas de portagem ao longo de 30 anos?
Qual foi o nível de retorno financeiro líquido após a recuperação do investimento inicial?
Que percentagem das receitas permaneceu em Moçambique?
Houve transferência efectiva de tecnologia e capacitação técnica nacional?
Fontes do sector dos transportes consultadas pela Visão Moçambique defendem que a discussão deve ir além do cumprimento formal das cláusulas contratuais, exigindo uma auditoria pública detalhada às receitas acumuladas, custos operacionais e lucros distribuídos.
A EN4 como activo estratégico
A EN4 é mais do que uma estrada concessionada. Trata-se de um corredor logístico estratégico que influencia directamente:
O escoamento de exportações;
A competitividade do Porto de Maputo;
O custo do transporte rodoviário;
O preço final de bens essenciais.
Transportadores e operadores logísticos têm manifestado, ao longo dos anos, preocupação com o peso das portagens nos custos operacionais. Pequenos empresários e cidadãos questionam se o modelo actual equilibra adequadamente interesse público e retorno privado.
Com o fim do contrato à vista, analistas consideram que o momento representa uma oportunidade rara para renegociar termos, rever tarifas e reforçar a participação nacional na gestão de infra-estruturas estratégicas.
Concurso público: mudança real ou continuidade disfarçada?
O anúncio de que será lançado um concurso público abre espaço a diferentes cenários. A própria TRAC poderá concorrer novamente, competindo com eventuais consórcios nacionais ou internacionais.
Contudo, experiências semelhantes noutros países mostram que concursos podem, na prática, resultar na recondução do operador anterior, mediante ajustes contratuais mínimos.
A questão central que se coloca é se o Estado moçambicano pretende:
Manter o modelo actual com pequenas revisões;
Reequilibrar profundamente os termos financeiros da concessão;
Introduzir maior participação de capitais nacionais;
Ou considerar modelos alternativos de gestão, incluindo eventual participação estatal directa.
Transparência como teste político
O processo que se desenha até 2028 será também um teste à governação económica do país. A divulgação pública dos termos do novo concurso, critérios de avaliação e eventuais auditorias independentes será determinante para garantir confiança pública.
Especialistas defendem que activos estratégicos como a EN4 não devem ser avaliados apenas sob a óptica da rentabilidade privada, mas também do impacto macroeconómico, da integração regional e do desenvolvimento interno.
O fim da concessão à TRAC coloca o Governo perante uma decisão estrutural: reafirmar o modelo concebido no final dos anos 1990 ou redesenhar a arquitectura de gestão de infra-estruturas estratégicas à luz das actuais prioridades económicas.
Até Fevereiro de 2028, o debate promete intensificar-se. O que está em causa não é apenas a gestão de uma estrada, mas a definição de quem controla e beneficia de um dos principais corredores económicos do país.




Conselho de Ministros cria Gabinete para coordenar implementação da Linha Férrea Norte-Sul

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O Conselho de Ministros aprovou, esta segunda-feira (17 de Fevereiro), a criação do Gabinete de Coordenação do Projecto da Linha Férrea Norte-Sul, uma estrutura técnica que passa a liderar a implementação de uma infra-estrutura considerada estratégica para garantir a interligação territorial do país.
A decisão foi anunciada pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, no final da sessão do órgão. Segundo explicou, a medida insere-se no quadro dos esforços do Executivo para assegurar uma ligação ferroviária contínua entre as diferentes regiões nacionais, reforçando a coesão territorial e promovendo maior integração económica.
De acordo com o porta-voz, a Linha Férrea Norte-Sul constitui um projecto estruturante, destinado a facilitar o transporte de pessoas e mercadorias, reduzir custos logísticos e estimular o comércio interno. A infra-estrutura deverá igualmente potenciar corredores de desenvolvimento, dinamizar sectores produtivos e contribuir para o crescimento sustentável do país.
Com a criação do novo gabinete, o Governo pretende reforçar a coordenação técnica, o planeamento estratégico e o acompanhamento rigoroso das diferentes fases do projecto. A estrutura será responsável por articular as várias entidades envolvidas, assegurar a mobilização de recursos e garantir maior eficiência na execução da iniciativa.
O Executivo considera que a implementação da Linha Férrea Norte-Sul representa um passo decisivo para consolidar a integração logística nacional e fortalecer as bases para o desenvolvimento económico e social do país.