GOVERNO CENTRAL REFORÇA RESPOSTA AO ALERTA VERMELHO EM BOANE E MATOLA RIO

resized-image (5)

A Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, mandatada pelo Governo Central para apoiar a Província de Maputo na actual fase de Alerta Vermelho devido às chuvas intensas, realizou neste sábado (17) uma visita de trabalho aos distritos de Boane e Matola Rio.



No Distrito de Boane, a governante deslocou-se à Estrada Nacional n.º 2 (EN2), Bloco 2, ponto de atracagem das embarcações usadas no resgate de pessoas em zonas inundadas. No local, interagiu com equipas da UNAPROC, PRM, SENSAP e profissionais de saúde mobilizados para assistência às vítimas.

A ministra visitou ainda o Centro de Acomodação da Escola Básica 19 de Outubro e o local de reassentamento no bairro Filipe Samuel Magaia, onde avaliou as condições criadas para o acolhimento das famílias afectadas pelas cheias.

Já no Município da Matola Rio, Ivete Alane visitou o Centro de Acomodação de Chinonanqila e a ponte de Djuba, tendo concluído a jornada no drift de Malhampsene, na localidade de Mulotana, uma das zonas críticas devido ao corte de vias de acesso.

Durante a visita, a mandatária do Governo Central encorajou as autoridades locais e as equipas no terreno, reconhecendo o esforço em curso e reforçando a necessidade de manter elevados níveis de prontidão, coordenação institucional e resposta rápida, com vista à salvaguarda de vidas humanas.




Helicóptero de patrulha salva vidas no Parque Nacional do Limpopo

cheias em Gaza, Parque Nacional do Limpopo, Chicualacuala, resgate aéreo, helicóptero de patrulha, ANAC, Peace Parks Foundation, assistência humanitária

As chuvas intensas que afectam as regiões centro e sul do país continuam a provocar cheias e a dificultar o acesso a zonas remotas da província de Gaza. No Parque Nacional do Limpopo, no distrito de Chicualacuala, a situação obrigou à mobilização de meios aéreos para o salvamento de vidas humanas.



Neste contexto, a Administração do Parque Nacional do Limpopo, em coordenação com o Governo do Distrito de Chicualacuala, prestou assistência de emergência a três mulheres no Posto Administrativo de Pafuri, recorrendo a um helicóptero de patrulha de fiscalização.

Entre as pacientes, uma encontrava-se em estado grave, enquanto as outras duas necessitavam de cuidados urgentes relacionados com o parto. Devido à inacessibilidade da zona, agravada pelas inundações, as autoridades evacuaram as três mulheres por via aérea para o Centro de Saúde de Chicualacuala, onde recebem assistência médica especializada.

Paralelamente, a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), em parceria com a Peace Parks Foundation (PPF), presta apoio às comunidades locais afectadas pelas cheias. As instituições reforçam as acções de resposta humanitária e de mitigação dos impactos causados pelo mau tempo.




Presidente da República cancela presença no Fórum Económico Mundial de Davos

resized-image (1)

O Presidente da República cancelou a sua participação no Fórum Económico Mundial, que decorre em Davos, na Suíça, alegando a situação difícil que Moçambique enfrenta neste momento.



Em comunicado oficial, o Chefe do Estado explica que a decisão visa permitir o acompanhamento directo da realidade vivida pela população. “Moçambique vive um momento difícil. Como Presidente da República, o nosso lugar é junto do nosso povo”, refere a nota.

Apesar do cancelamento da deslocação, o Governo assegura que mantém o seu compromisso com o investimento estrangeiro e com os parceiros internacionais. Contudo, sublinha que, nas circunstâncias actuais, a prioridade passa pela salvaguarda da vida humana.

O Fórum Económico Mundial reúne anualmente líderes políticos, económicos e institucionais de vários países para debater os principais desafios globais.

Visão Moçambique




FRELIMO MOBILIZA APOIO DE EMERGÊNCIA PARA FAMÍLIAS AFECTADAS NA PROVÍNCIA DE MAPUTO

1768503528034

O Primeiro Secretário do Comité Provincial da Frelimo, Carlos Zavala, orientou uma acção de mapeamento rápido das famílias afectadas pelas recentes intempéries e dos centros de acolhimento, com o objectivo de garantir uma mobilização eficaz dos kits de emergência.
A medida visa assegurar que a assistência humanitária chegue de forma célere às comunidades vulneráveis, garantindo condições mínimas de dignidade às famílias desalojadas.
Os kits de emergência incluem material de construção, colchões, cobertores e utensílios domésticos essenciais, como panelas, destinados a apoiar a reconstrução das residências e a reposição da normalidade da vida comunitária.
Segundo dados preliminares, mais de 181 famílias encontram-se actualmente em centros de acolhimento na cidade da Matola, aguardando apoio material para a reconstrução das suas casas.
Ao nível da província de Maputo, os distritos da Matola, Boane, Moamba, Magude e Manhiça figuram entre os mais afectados, estando em curso acções contínuas de levantamento e assistência às comunidades afectadas.
A direcção provincial da Frelimo reafirma o seu compromisso histórico com a solidariedade, proximidade com as populações e resposta rápida às situações de emergência, em coordenação com as estruturas do Estado e parceiros.
“A nossa prioridade é assegurar que as famílias afectadas recebam apoio imediato e digno, enquanto criamos condições para a sua rápida recuperação”, sublinhou Carlos Zavala.




Vandalização na pista do Aeroporto de Tete leva ao cancelamento de voos nocturnos

IMG_20260115_183553

Tete – A empresa Aeroportos de Moçambique confirmou a vandalização da pista 19 do Aeroporto de Tete, facto que levou ao cancelamento imediato de todos os voos nocturnos, por razões de segurança operacional.
Segundo um comunicado a que o Jornal Visão Moçambique teve acesso, o incidente ocorreu recentemente e comprometeu seriamente as condições de segurança para operações aéreas durante a noite.
“A vandalização da pista 19 compromete a segurança das aeronaves, tripulações e passageiros, razão pela qual decidimos suspender temporariamente os voos nocturnos”, refere o documento.
A empresa garante que já estão em curso trabalhos técnicos para avaliação dos danos, bem como medidas para a rápida reposição das condições operacionais da pista.
Entretanto, as autoridades aeroportuárias apelam à colaboração da população para a proteção das infra-estruturas públicas, sublinhando que actos de vandalismo colocam em risco vidas humanas e prejudicam o desenvolvimento económico da região.
Até ao restabelecimento total da pista, apenas voos diurnos continuarão a operar no Aeroporto de Tete.




Sindicato chama jornalistas para esclarecer suspensão das operações na Mozal

IMG_20260115_173610

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e Energia (SINTIME) convocou para amanhã, em Maputo, uma conferência de imprensa para prestar esclarecimentos sobre a suspensão das operações na Mozal.
A iniciativa surge num contexto de crescente preocupação entre os trabalhadores, que temem despedimentos, cortes salariais e perda de benefícios sociais. O sindicato promete revelar as causas reais da paralisação, o número de trabalhadores afectados e o estágio das negociações com a direcção da empresa.
Fontes sindicais acusam a administração da Mozal de falta de transparência e defendem maior responsabilidade social, tendo em conta o impacto económico da empresa no país.
Até ao fecho desta edição, o Governo ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.




Embarque sob chuva gera polémica e expõe falhas na comunicação da Aeroportos de Moçambique

1768408187859

A denúncia feita pelo activista social e director executivo do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), Adriano Nuvunga, sobre o embarque de passageiros sob chuva no Aeroporto Internacional de Maputo reacendeu o debate em torno da qualidade dos serviços aeroportuários e da transparência na gestão das infra-estruturas públicas.
Na sequência da polémica, a empresa Aeroportos de Moçambique (ADM) veio a público, através de uma nota de esclarecimento, garantir que as mangas aeroportuárias — vulgarmente conhecidas como “pontes” que ligam o terminal às aeronaves — encontram-se plenamente operacionais.
Segundo a informação a que o Jornal Visão Moçambique teve acesso, a ADM reconhece que, na manhã do incidente, a cidade de Maputo registou precipitação no exacto momento em que decorria o processo de embarque de um voo da companhia Airlink. No entanto, a empresa nega que o embarque sob chuva tenha resultado de avaria das mangas.
De acordo com a gestora aeroportuária, o voo em causa foi operado por uma aeronave do tipo Embraer-145, incompatível tecnicamente com as mangas existentes no aeroporto. A ADM sustenta que as infra-estruturas estão em perfeito estado de funcionamento, contrariando a narrativa divulgada nas redes sociais.
Contudo, a situação levanta questionamentos sobre a planificação operacional das companhias aéreas e a fiscalização exercida pela entidade gestora. Especialistas ouvidos pelo Visão Moçambique consideram que, mesmo em casos de incompatibilidade técnica, deveriam existir soluções alternativas eficazes para evitar a exposição dos passageiros a condições climáticas adversas.
A ADM esclarece que a decisão de utilizar ou não as mangas depende também da opção da companhia aérea, manifestada no checklist operacional, em coordenação com a empresa de handling. Ou seja, mesmo quando tecnicamente possível, a utilização das mangas não é automática, ficando sujeita a critérios operacionais e financeiros.
Este modelo de gestão levanta dúvidas quanto à priorização do conforto e segurança dos passageiros, sobretudo num contexto em que o aeroporto de Maputo é a principal porta de entrada do país.
Na nota, a ADM refuta as acusações de inoperacionalidade das mangas, mas não esclarece se existem mecanismos de fiscalização para garantir que as companhias aéreas cumpram padrões mínimos de qualidade no atendimento aos passageiros.
Para analistas, o episódio evidencia fragilidades na comunicação institucional e a necessidade de maior transparência por parte da ADM, num sector estratégico para o turismo e para a imagem do país.
O Jornal Visão Moçambique continuará a acompanhar o caso e a ouvir as partes envolvidas, incluindo a companhia aérea Airlink e a empresa de handling responsável, de modo a apurar responsabilidades e perceber se situações semelhantes têm ocorrido com frequência.




GOVERNO CEDE À PRESSÃO E APROVA PAGAMENTO PARCIAL DO 13.º SALÁRIO

O Governo de Moçambique decidiu recuar parcialmente face à onda de contestação protagonizada por funcionários e agentes do Estado, com maior destaque para a classe médica, ao aprovar o pagamento de 40% do 13.º salário. A medida surge depois de semanas de forte pressão social, manifestações nas redes sociais e críticas veiculadas nos órgãos de comunicação social, que acusavam o Executivo de falta de transparência e sensibilidade social.
A decisão foi anunciada esta terça-feira, na cidade de Maputo, pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final da sessão governativa. Segundo explicou, o Executivo apreciou e aprovou uma Resolução que autoriza o abono do 13.º vencimento aos servidores públicos, membros das Forças de Defesa e Segurança, pensionistas e rendistas do Estado.
Pagamento parcial gera reações mistas
De acordo com informações apuradas pelo Jornal Visão Moçambique, o valor a ser pago corresponde apenas a 40% do vencimento base, tendo como referência o nível salarial, a carreira, categoria ou função exercida, bem como o valor da pensão actualmente em vigor.
A decisão, apesar de ser vista como um passo na direcção do diálogo, está longe de satisfazer plenamente os trabalhadores do Estado. Muitos consideram a percentagem aprovada insuficiente para responder ao custo de vida actual, marcado pelo aumento dos preços dos produtos básicos, combustíveis e serviços essenciais.
“Não é isso que esperávamos. O 13.º salário é um direito adquirido, não um favor do Governo”, lamentou ao Visão Moçambique um funcionário público que pediu anonimato por receio de represálias.
Pagamento em duas fases
Segundo o Executivo, o pagamento do subsídio será efectuado em duas fases: a primeira no final do mês de Janeiro e a segunda em Fevereiro de 2026, sempre após o processamento dos salários mensais.
Fontes governamentais explicam que o fraccionamento do pagamento deve-se a constrangimentos financeiros enfrentados pelo Estado, agravados pela pressão da dívida pública, redução da ajuda externa e necessidade de financiar sectores prioritários como saúde, educação e segurança.
Classe médica na linha da frente
A classe médica tem estado na linha da frente das reivindicações, denunciando atrasos salariais, falta de condições de trabalho e incumprimento de promessas governamentais. Nos últimos meses, várias unidades sanitárias registaram paralisações parciais, situação que colocou em risco o atendimento à população.
Analistas políticos ouvidos pelo Visão Moçambique defendem que a decisão do Governo não foi espontânea, mas sim resultado directo da pressão social e do receio de agravamento do clima de instabilidade laboral.
“O Executivo foi obrigado a reagir. A insatisfação já estava a transbordar e poderia resultar em greves generalizadas”, explica o analista político Eduardo Nhantumbo.
Falta de comunicação e transparência
Outro aspecto criticado é a falta de comunicação clara por parte do Governo desde o início do processo. Durante semanas, o Executivo manteve-se em silêncio, o que alimentou rumores e especulações nas redes sociais.
Para os sindicatos, essa postura demonstrou desrespeito pelos trabalhadores. “O Governo devia ter sido transparente desde o princípio. As pessoas precisam de informação oficial, não de boatos”, afirmou um dirigente sindical.
Desafios financeiros do Estado
O Executivo reconhece dificuldades orçamentais, mas garante estar a trabalhar para estabilizar as contas públicas. No entanto, especialistas alertam que a solução encontrada é apenas paliativa.
“O problema não é só pagar 40%. O problema é a previsibilidade financeira do Estado e o respeito pelos direitos laborais”, sublinha o economista Manuel Machava.
Futuro incerto
Enquanto o Governo tenta apaziguar os ânimos, os funcionários públicos prometem continuar atentos. Muitos afirmam que, caso não haja melhorias concretas, novas manifestações poderão surgir.
Para já, o pagamento parcial do 13.º salário surge como um “alívio temporário”, mas não resolve o problema estrutural que afecta a função pública moçambicana.




Júlio Parruque lidera operações de resgate e garante assistência às famílias afectadas em Nwamatibjana

IMG_20260112_144459

O Presidente do Conselho Municipal da Cidade da Matola, Júlio Parruque, esteve no terreno na madrugada desta segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026, para monitorar os impactos provocados pelas intensas chuvas que têm assolado a urbe nos últimos dias, provocando inundações em vários bairros periféricos.



Entre os pontos críticos visitados consta o bairro de Nwamatibjana, onde o edil municipal liderou pessoalmente as operações de resgate de famílias que viram as suas residências completamente submersas desde a última sexta-feira, na sequência do transbordo de valas de drenagem e da saturação do solo.

Segundo dados fornecidos pelas autoridades locais, mais de 100 famílias já foram retiradas das zonas consideradas de alto risco e encontram-se acolhidas temporariamente no centro de acomodação montado na Escola Básica de Muchisso, no mesmo bairro.

Situação no terreno

No local, o Jornal Visão Moçambique constatou um cenário de destruição, com casas alagadas, bens domésticos danificados e famílias obrigadas a abandonar as suas residências em busca de segurança. Muitas vítimas relatam ter perdido colchões, utensílios de cozinha e documentos pessoais.

“Saímos de casa durante a madrugada porque a água começou a entrar muito rápido. Não tivemos tempo de salvar quase nada”, contou uma das moradoras afectadas, visivelmente emocionada.

Resposta do município

Durante a visita, Júlio Parruque afirmou que o município está a trabalhar em coordenação com os serviços de Protecção Civil, líderes comunitários e parceiros humanitários para garantir assistência imediata às vítimas.
“A nossa prioridade neste momento é salvar vidas e garantir abrigo digno às famílias afectadas. Estamos a mobilizar meios para fornecimento de alimentação, água potável, assistência médica e apoio psicossocial”, declarou o edil.
O autarca garantiu ainda que equipas técnicas estão a proceder ao levantamento dos danos para posterior definição de medidas de reabilitação das áreas afectadas.

Preocupações da população

Apesar das acções em curso, os residentes apelam por soluções duradouras, sobretudo no que diz respeito à drenagem das águas pluviais e ordenamento territorial.
“Todos os anos enfrentamos o mesmo problema. Precisamos de canais de drenagem eficazes para evitar estas inundações”, lamentou um morador local.

Previsões e alerta

As autoridades municipais alertam que, segundo os serviços meteorológicos, há previsão de continuidade das chuvas nos próximos dias, pelo que a população que vive em zonas baixas deve manter-se vigilante e seguir as recomendações das equipas de emergência.
O Conselho Municipal garante que continuará no terreno a monitorar a situação e a reforçar as acções de prevenção, com vista a minimizar perdas humanas e materiais.




Caso Ivandro Massingue expõe tensão entre poder político e serviços públicos de saúde

resized-image (1)

Por: Ângelo Manhengue

A circulação massiva de vídeos nas redes sociais, retractando uma fiscalização relâmpago protagonizada pelo deputado do partido PODEMOS, Ivandro Massingue, no Centro de Saúde do Zimpeto, na cidade de Maputo lançou o país num novo debate sobre os limites da actuação política, o respeito pelas instituições públicas e a protecção dos profissionais da saúde e do Estado no exercício das suas funções.



Nas imagens amplamente difundidas, o mandatário do povo  surge alegadamente envolvido em actos de agressão verbal e física contra o director daquela unidade sanitária,  Elísio  Chaúque,numa acção que  segundo diversas leituras, ultrapassou o âmbito da fiscalização política para resvalar para um confronto pessoal, gerando indignação entre profissionais de saúde e sectores da sociedade civil.

Perante a pressão pública e mediática, a Direcção da Saúde da Cidade de Maputo  representada órgão máxima reagiu com uma conferência de imprensa convocada de forma quase imediata. O tom adoptado foi firme, emotivo e politicamente carregado. A mensagem central foi reiterada em várias intervenções: “O deputado não pode pensar que está acima do povo;  por ter passaporte diplomático e regalias do estado nós, profissionais de saúde, somos o povo e fomos nós que o elegemos.”

A declaração não apenas repudiou o comportamento atribuído ao deputado, como procurou reposicionar os profissionais de saúde enquanto sujeitos políticos legítimos, afastando a narrativa de subalternidade institucional frequentemente associada ao sector. Para a Direcção da Saúde, o episódio não representa um simples incidente isolado, mas sim um ataque directo à dignidade de uma classe profissional que opera sob condições já marcadas por escassez de recursos, pressão social e elevada exposição ao desgaste emocional.

Segundo a directora de Saúde da Cidade de Maputo, Paloma Maripiha, o director do Centro de Saúde do Zimpeto sofreu danos morais significativos e encontra-se emocionalmente abalado. De acordo com a responsável, o impacto do episódio transcende a esfera individual, afectando o ambiente laboral e minando a autoridade técnica necessária para a boa gestão dos serviços de saúde ao nível comunitário.

“Quando um profissional de saúde é publicamente humilhado ou intimidado no seu local de trabalho, toda a estrutura entra em colapso simbólico. Isso fragiliza o sistema e desmotiva quem está na linha da frente”, sublinhou Maripiha.

Apesar da gravidade das acusações e da forte retórica institucional, a resposta quanto às medidas concretas a serem adoptadas revelou-se limitada. Questionada sobre a abertura de processos disciplinares, a realização de averiguações independentes ou a eventual interposição de acções judiciais, a directora optou por uma posição de cautela extrema, restringindo-se a anunciar a elaboração de uma nota formal a ser submetida à Assembleia da República.

A ausência de referência a mecanismos internos de responsabilização ou a instrumentos legais levanta interrogações sobre a eficácia institucional na protecção dos seus quadros e sobre o real alcance das reacções públicas. Para analistas ouvidos pelo Visão Moçambique, o caso expõe um padrão recorrente: a rápida condenação política mediática, seguida de uma actuação administrativa tímida e pouco transparente.

Num contexto em que a fiscalização parlamentar é frequentemente confundida com acções de intimidação directa, o episódio reabre o debate sobre os limites da imunidade política e a necessidade de salvaguardas claras para os servidores públicos. Mais do que um conflito individual, o caso Ivandro Massingue poderá tornar-se um precedente decisivo na definição das fronteiras entre autoridade política e respeito institucional em Moçambique.

Enquanto isso, a sociedade aguarda para perceber se o desfecho ficará restrito a comunicações formais ou se o Estado avançará para um apuramento efectivo de responsabilidades, capaz de restaurar a confiança dos profissionais de saúde e reafirmar o primado da legalidade sobre o poder circunstancial.