Quando a Esperança se Torna Método: uma reflexão de fim de ano

Quando a Esperança se Torna Método: uma reflexão de fim de ano

Ao final do ano, dou por mim observando o céu da mesma forma que observo um instrumento de laboratório enquanto ele se estabiliza em um sinal, pacientemente, pronto para que a verdade apareça. Na capa do meu próximo livro, Harvesting Hope, um pequeno pássaro cruza a lua brilhante. É uma imagem simples, mas, para mim, é um voto: imaginar, elevar-se e curar.

As festas nos pedem um outro tipo de ciência. Não equações nem ensaios, mas a química do pertencimento: a forma como uma palavra gentil pode mudar a temperatura de um ambiente, a maneira como um pequeno gesto pode se transformar em um resultado melhor para alguém que você nunca encontrará. No laboratório, chamamos isso de transdução: um sinal que percorre um sistema e se torna algo novo. Na vida, eu chamo isso de ESPERANÇA!

Quando a Esperança se Torna Método: uma reflexão de fim de ano

A esperança não é ingênua. É uma disciplina. Na pesquisa, nada avança se não nomearmos um objetivo, desenharmos um método e compartilharmos nossos dados. O mesmo vale para a comunidade. Nesta época, penso em como publicamos o nosso cuidado, em como tornamos a generosidade tão visível e mensurável quanto qualquer resultado. Os mentores que respondem à pergunta de um estudante tarde da noite. O vizinho que aparece com um casaco extra. O colega que diz: “Você consegue — e eu estou com você!”. Isso não são extras de fim de ano; fazem parte do protocolo.

Aprendi cedo que a educação pode ser velocidade de escape. Uma única oportunidade pode elevar a história inteira de uma família; um único incentivador pode transformar uma porta fechada em uma ponte. É por isso que acredito em retribuir. Esses presentes podem ser intervenções precisas que mudam trajetórias acompanháveis ao longo de anos: uma bolsa que se torna um diploma, um estágio de pesquisa que se torna uma primeira autoria, uma mão levantada em uma reunião que se transforma em um medicamento melhor na prateleira.

Carrego também o porquê. Meu objetivo é tornar a esperança produtiva. Definir o enredo, semear pequenas oportunidades e cultivá-las: acompanhar, coassinar, abrir espaço. Acompanhar silenciosamente o que importa: quem permaneceu, quem avançou, quais perguntas melhoraram. Quando tratamos o cuidado como cultivo, os resultados chegam no seu próprio tempo, e a colheita é suficiente para ser compartilhada.

Assim, aqui está minha lista de desejos de inverno, para mim e para qualquer pessoa que queira se juntar:

• Transformar mentoria em patrocínio. Não apenas aconselhar. Defender. Indicar um nome. Compartilhar o crédito. Abrir a porta e mantê-la aberta.
• Medir inclusão como se mede eficácia. Se você se orgulha da sua ciência, orgulhe-se de quem ela serve. Conte, publique, aprimore.
• Investir em primeiras oportunidades. Uma bolsa, uma passagem de trem, um jaleco no tamanho certo — pequenos insumos, resultados do tamanho da vida.
• Praticar o pensamento do último quilômetro. Desde o primeiro dia, pergunte como o seu trabalho chegará à pessoa mais distante da sala de reuniões. Construa para ela, de forma intencional.
• Manter a ética por perto. Novas ferramentas chegam mais rápido do que a nova sabedoria. Que o cuidado seja o seu grupo de controle.

Quando volto à capa do meu próximo livro, percebo algo mais: o pássaro não é grande, mas a luz da lua o torna inconfundível. Esse é o verdadeiro truque da esperança. Ela nem sempre nos torna maiores; torna-nos mais claros. A luz nos mostra o que fazer em seguida.

Assim, se esta temporada parecer cheia demais ou vazia demais, se o ano tiver sido excessivo ou insuficiente, aqui está um experimento suave que você pode tentar:

• Escrever um bilhete para alguém que ajudou você a chegar até aqui.
• Oferecer uma hora a um estudante que precisa de alguém para ouvir.
• Definir uma meta mensurável de inclusão para sua equipe antes da virada do calendário.
• Compartilhar um recurso — um link de oportunidade, um conjunto de dados, um guia — que teria economizado um ano do seu caminho.

Em poucas semanas, as decorações serão guardadas e a caixa de entrada voltará a rugir. Mas o sinal que colocamos em movimento continuará viajando por nossos laboratórios e salas de aula, por salas de conselho e mesas de cozinha, pela vida de pessoas que talvez nunca encontremos, mas com as quais nos importamos da mesma forma. Esse é o experimento das festas em que confio: pequenos gestos, repetidos, medidos, compartilhados. Nas noites mais longas, eu olho para cima. Um pequeno pássaro, uma lua brilhante. Imaginar. Elevar-se. Curar. E levar a esperança adiante, um gesto deliberado de cada vez.




Homenagem Oficial Reafirma o Impacto da Diretora Marilete Godoy na Educação

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A trajetória da educadora Marilete Godoy Faroni foi reconhecida em Vila Velha com  Moção de Aplausos pelo legado dedicado à educação pública



Por: Joacles Costa

Com 41 anos de atuação na rede municipal, Marilete se tornou referência na formação de gerações e na gestão escolar.

Marilete iniciou sua carreira em 1984 e, dois anos depois, foi a primeira professora da recém-inaugurada UMEFTI Dr. Tancredo de Almeida Neves. Desde então, construiu vínculos duradouros com a comunidade do bairro Cobi de Cima, onde atua há 39 anos.

Em 2014, assumiu a direção da UMEITI Izabel Correia da Silva e, em 2017, retornou à UMEFTI Dr. Tancredo de Almeida Neves como diretora. Reconhecida pela sensibilidade e responsabilidade na gestão, consolidou sua imagem como liderança educacional no município.

A homenagem ressalta não apenas sua dedicação profissional, mas também o impacto social de sua atuação. “Marilete construiu um legado de exemplo, ética e amor ao ensino, que segue inspirando alunos, profissionais da educação e toda a comunidade escolar”, destacou o texto oficial da Moção.




Mahindra reforça compromisso social com campanha de doação de sangue e saúde preventiva em Maputo

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Num período marcado pelo aumento de acidentes rodoviários e pela pressão sobre os serviços de saúde, a Mahindra, através da MHL Auto, sua representante oficial em Moçambique, decidiu transformar a tradicional mensagem de condução preventiva numa acção concreta de impacto social: uma campanha de doação de sangue aliada à promoção da saúde preventiva, realizada na cidade de Maputo.



De acordo com o Director-Geral da MHL Auto, Loydy Da Costa, a iniciativa nasce da experiência vivida nos últimos anos. “Durante a quadra festiva, os acidentes aumentam significativamente e, no ano passado, verificámos uma escassez de sangue em vários hospitais. Sentimos que era o momento certo para agir de forma mais directa e solidária”, explica.

A campanha foi desenvolvida em estreita coordenação com o Banco de Sangue do Hospital Central de Maputo (HCM), instituição que funciona como um verdadeiro centro de distribuição para várias unidades sanitárias da capital e da periferia. A necessidade de reposição de sangue é constante, tornando este gesto um contributo relevante para o sistema nacional de saúde.

Saúde para além da estrada

Para além da recolha de sangue, a Mahindra integrou acções de saúde preventiva, incluindo o despiste de diabetes e a realização de exames de vista gratuitos. Embora a sua área de actuação seja o sector automóvel, a empresa assume-se como uma plataforma de ligação entre a população e os profissionais de saúde, levando mensagens de prevenção e aconselhamento a espaços não convencionais.

“Enquanto marca, acreditamos que as pessoas são o nosso maior activo — colaboradores, clientes e comunidades. Cuidar delas é parte da nossa responsabilidade”, sublinha Loydy Da Costa. O envolvimento activo dos colaboradores da MHL Auto foi, segundo a empresa, um dos pilares do sucesso da campanha.

Responsabilidade social como estratégia

A iniciativa enquadra-se numa estratégia mais ampla de responsabilidade social corporativa da Mahindra em Moçambique, que combina proximidade com o público, promoção da saúde e contínua sensibilização para a condução prudente. Para assegurar a credibilidade técnica das actividades, foram estabelecidas parcerias com o Banco de Sangue do HCM e com o Hospital de Olhos Dr. Agarwals, instituição de renome internacional.

O apelo à população é claro: doar sangue é um gesto simples, mas com um impacto profundo. “É um acto nobre que pode salvar vidas. Muitas vezes ajudamos alguém que nunca iremos conhecer, mas o valor desse gesto é incalculável”, reforça o Director-Geral.

Um investimento que salva vidas

O compromisso social da Mahindra estende-se igualmente ao reforço dos serviços públicos de saúde. Durante a 60.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM) 2025, realizada em Ricatla, a empresa ofereceu ao Município da Cidade da Matola uma ambulância totalmente equipada, num investimento superior a dois milhões de meticais.



A entrega, ocorrida a 28 de Agosto de 2025, simbolizou o fortalecimento da parceria entre a Mahindra e o Município da Matola. Dotada de tecnologia moderna e dispositivos essenciais para a estabilização e monitorização de pacientes em situações críticas, a nova ambulância já integra o património municipal, contribuindo para uma resposta mais eficaz às emergências médicas na cidade.




Moçambique: CityLink promete segurança reforçada após acidente trágico

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A empresa de transportes CityLink reagiu ao levantamento da suspensão da sua actividade pelo Ministério dos Transportes e Logística de Moçambique, após o acidente fatal ocorrido em 7 de Dezembro, que resultou na trágica perda de sete vidas. A decisão administrativa marca o retorno da transportadora ao mercado, com o compromisso firme de reforçar a segurança no transporte público de passageiros.



A CityLink recebeu o levantamento da suspensão “com sentido de responsabilidade”, mas reafirma que “nenhuma decisão administrativa diminui a gravidade da perda humana verificada”. A empresa expressou “profundo pesar e solidariedade para com as famílias das vítimas”, demonstrando compromisso com a reparação e o respeito devido.

Desde o primeiro momento, a transportadora tem colaborado “de forma total, transparente e responsável com as autoridades competentes”, mantendo uma postura de “respeito institucional e disponibilidade permanente para o apuramento dos factos”. A CityLink encara este episódio como um momento crucial de “aprendizagem e melhoria” para todo o setor.

Para garantir a segurança dos passageiros, a CityLink está a implementar um conjunto de medidas rigorosas:

  1. Reforço da formação dos motoristas, com treinamentos específicos para prevenção de acidentes.
  2. Verificação extraordinária de toda a frota, em complemento aos planos regulares de manutenção e inspeção.
  3. Revisão e atualização dos procedimentos internos para maior eficiência e segurança operacional.
  4. Acompanhamento e apoio permanente às famílias das vítimas, reforçando o compromisso social da empresa.

A segurança dos passageiros e dos trabalhadores é a “prioridade absoluta” da CityLink, que se compromete a continuar colaborando estreitamente com o Estado e outras entidades reguladoras para a “melhoria contínua da segurança no sector do transporte público de passageiros”.

Com o retorno às operações, a empresa espera contribuir significativamente para a fluidez e segurança das deslocações durante a quadra festiva, garantindo um serviço mais confiável e responsável para a população moçambicana.




Amado Mabasso é o Novo Presidente da AMEPETROL

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Os membros da Associação Moçambicana das Empresas Petrolíferas (AMEPETROL) elegeram, esta semana, Amado Mabasso como novo Presidente da organização, por unanimidade, para um mandato de cinco anos. O processo decorreu sem contestação e com consenso total entre os associados.



A eleição acontece num momento sensível para o sector petrolífero nacional. Actualmente, os operadores enfrentam pressão regulatória, custos logísticos elevados e incerteza no mercado. Por isso, a escolha de Mabasso surge como sinal de estabilidade institucional.

Além disso, o sector reconhece a necessidade de maior articulação entre empresas e Estado. Nesse contexto, os associados apostaram numa liderança com capacidade de diálogo e coordenação.

Entretanto, a nova direcção da AMEPETROL integra empresas com forte presença no mercado nacional de combustíveis. A I2A assume a Presidência. A Exor ocupa a Vice-Presidência. Já a MITRA Energy exerce as funções de 1.º Vogal.

Por sua vez, a Galp passa a desempenhar o cargo de 2.º Vogal. A Puma Energy completa a direcção como 3.º Vogal. Assim, a associação reúne operadores com experiência efectiva na cadeia de abastecimento.

Segundo fontes do sector, esta composição garante equilíbrio e representatividade. Ao mesmo tempo, reforça a capacidade técnica da associação. Como resultado, o sector espera maior previsibilidade no funcionamento do mercado.

Nos últimos anos, a AMEPETROL consolidou o seu papel como interlocutor junto do Estado. Em particular, tem actuado em matérias ligadas ao abastecimento, preços e logística. Agora, o novo mandato deverá reforçar essa função.

Com a eleição concluída, Amado Mabasso inicia funções à frente da AMEPETROL até 2031. Até lá, enfrentará um sector em transformação. Ainda assim, a associação aposta numa liderança focada na estabilidade e no interesse económico nacional.




Moçambique e Estados Unidos reforçam cooperação: Doação de Kits de Malária e interesses estratégicos em Gás, Energia e Infraestruturas

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O Governo de Moçambique intensificou, nos últimos dias, contactos estratégicos com entidades governamentais e empresariais norte-americanas, numa ofensiva diplomática que combina saúde pública, grandes projectos de infraestruturas e investimentos nos sectores do gás, energia e recursos minerais.



Um dos pontos de destaque desta aproximação é a doação de 10 mil kits de diagnóstico de malária pela empresa norte-americana Dayak Health, num contexto em que a doença continua a representar um dos maiores desafios de saúde pública no país. Dados partilhados pelas autoridades indicam um aumento de cerca de 14% dos casos de malária nos últimos nove meses, pressionando ainda mais o sistema nacional de saúde, sobretudo nas zonas rurais.

A Dayak Health manifestou disponibilidade para ir além da doação imediata, assumindo a intenção de instalar unidades de produção de kits de diagnóstico em Moçambique, com impacto direto na criação de emprego e na expansão do acesso a meios de testagem, não só para o mercado nacional, mas também para países da região.

Os kits doados incorporam tecnologia de rastreio digital, permitindo não apenas o diagnóstico e tratamento rápido, mas também a recolha de dados epidemiológicos em tempo real, considerados cruciais para a planificação, monitoria e tomada de decisão em políticas públicas de saúde.

MCC mantém Projecto com ajustes e possível expansão

Ainda em Washington, a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação manteve encontros com a direcção executiva para África do Millennium Challenge Corporation (MCC), onde foi reiterada a continuidade do programa compacto em Moçambique, embora com ajustes técnicos e operacionais.

O foco principal do projecto permanece na província da Zambézia, com destaque para a construção da ponte sobre o rio Lúrio, uma infraestrutura considerada estratégica para a mobilidade, integração económica e acesso a mercados. No entanto, o Governo moçambicano apresentou argumentos para a ampliação da intervenção, tendo sido acolhida a possibilidade de inclusão de troços rodoviários na província de Nampula, uma das mais populosas do país.

Gás, Energia e Grafite no centro das atenções

A cooperação bilateral ganhou ainda maior densidade política nas conversações com o vice-secretário do Departamento de Estado norte-americano. Segundo a diplomacia moçambicana, os Estados Unidos consideram o projecto de gás natural em Moçambique, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, como um dos seus principais investimentos estratégicos em África.

Para além do gás, Washington demonstrou interesse continuado no projecto de grafite de Balama, bem como no potencial de Moçambique como fornecedor regional de energia eléctrica, num contexto em que o país é visto como peça-chave para a segurança energética da África Austral.

Segurança continua a ser condição central

Apesar do ambiente de cooperação, os Estados Unidos sublinharam a necessidade de Moçambique reforçar a segurança interna, com enfoque no combate ao terrorismo, ao crime organizado e à protecção de infraestruturas críticas. A estabilidade continua a ser apresentada como condição essencial para a consolidação dos investimentos e para a credibilidade internacional do país.

No conjunto, os encontros em Washington revelam uma estratégia clara de Maputo: transformar desafios estruturais em oportunidades de cooperação, num equilíbrio delicado entre ajuda humanitária, interesses económicos e exigências de governação e segurança.




Presidente Chapo anuncia Plano Director e criação de nova entidade para pôr ordem no Porto da Beira

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Congestionamento de camiões atinge até 15 quilómetros na única via de acesso ao recinto portuário

Beira, Moçambique – O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu a criação urgente de um Plano Director de Desenvolvimento e de uma nova entidade gestora para impor disciplina, coordenação e eficiência no Porto da Beira, uma das infra-estruturas estratégicas do país. A posição foi assumida após uma visita presidencial ao porto, onde tomou contacto directo com o funcionamento e os constrangimentos operacionais existentes.



Daniel Chapo afirmou que o lançamento da primeira pedra para a construção de uma nova estrada de acesso directo ao porto, ocorrido na passada sexta-feira, embora necessário, não será suficiente para resolver o problema do congestionamento de camiões, que em alguns momentos chega a atingir 15 quilómetros na única via de acesso ao recinto portuário.

Segundo noticiou a STV Notícias, no seu canal oficial do YouTube, os problemas identificados no interior do Porto da Beira são de natureza diversa, abrangendo os sectores de combustíveis, carga geral e contentores. Esta realidade levou à conclusão de que o porto carece de um plano director integrado, capaz de orientar o seu crescimento e funcionamento de forma coordenada.

Falta de coordenação compromete eficiência

O Chefe de Estado explicou que está em análise a criação de uma entidade específica com poderes para impor disciplina no Porto da Beira. A necessidade surge do facto de a infra-estrutura contar com múltiplas concessões e várias entidades, públicas e privadas, que realizam investimentos de forma isolada, sem articulação estratégica.

Segundo Chapo, esta fragmentação não resolve o problema central, que é a eficiência operacional do porto. A falta de coordenação envolve instituições públicas, como a Autoridade Tributária e as Alfândegas, bem como operadores privados, incluindo a Cornelder de Moçambique e a Cumba.

O objectivo, sublinhou, é reunir todos os intervenientes à mesma mesa para desenhar um plano director comum, alinhado com o sector privado, que é directamente penalizado pelos congestionamentos e pela lentidão no escoamento de mercadorias.

A urgência em melhorar o desempenho do porto é reforçada pelas reclamações recorrentes dos países do hinterlandZimbabué, Malawi e Zâmbia –, parceiros regionais que dependem do Corredor da Beira para o acesso aos mercados internacionais.

Porto seco em Dondo como eixo logístico

Para além da nova entidade gestora e do plano director, o Presidente anunciou um segundo eixo estratégico: a construção de um porto seco no círculo de Dondo, concebido para funcionar como um centro logístico de referência regional.

Daniel Chapo falava à imprensa após ter participado, como convidado especial, na cerimónia de assinatura do contrato para a aquisição de dois novos guindastes pela Cornelder de Moçambique. Na ocasião, a empresa detalhou investimentos em curso no Terminal de Petróleos e revelou ter aplicado mais de 826 milhões de dólares no Porto da Beira ao longo dos últimos anos.

Fronteiras de paragem única e digitalizadas

Na mesma intervenção, o Presidente da República assegurou que estão em curso avanços significativos para resolver os problemas de congestionamento nas fronteiras de Machipanda e Ressano Garcia.

O Governo pretende transformar ambos os postos em fronteiras de paragem única e digitalizadas, permitindo maior fluidez na entrada e saída de camiões e mercadorias. A digitalização deverá assegurar que a informação de desembaraço aduaneiro processada em Moçambique esteja imediatamente disponível nas fronteiras vizinhas, como a do Zimbabué, eliminando paragens redundantes para os transportadores.

O Porto da Beira continua a ser um nó vital da economia nacional e regional. Hoje, funciona com vários actores, muitos interesses e pouca coordenação. Sem um plano comum e uma entidade que mande, o congestionamento não é acidente. É consequência.




Seca severa provocada pelo El Niño força HCB a cortar produção e antecipa forte quebra de receitas em 2025

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Baixa cota hídrica leva a restrições operacionais e projeta queda de quase 50% no resultado líquido da hidroeléctrica

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) enfrenta um dos cenários financeiros mais exigentes dos últimos anos, como consequência directa da seca severa associada ao fenómeno El Niño. A irregularidade das chuvas registada nos últimos dois anos comprometeu o enchimento da albufeira e obrigou a empresa a reduzir drasticamente a produção de energia.



A cota actual da albufeira encontra-se abaixo dos 308 metros, um nível considerado crítico, tendo em conta que o limite superior de operação normal é a cota 326. A escassez de água, principal matéria-prima da hidroeléctrica, forçou a HCB a ajustar a produção em função da disponibilidade hídrica, de modo a preservar níveis sustentáveis do reservatório para os próximos anos.

Segundo noticiou a STV Notícias, no seu canal oficial do YouTube, apenas quatro dos cinco grupos geradores da HCB estão actualmente em funcionamento. O nível mínimo de produção recentemente registado foi de 900 megawatts (MW), muito abaixo da potência instalada total de 2.075 MW.

Impacto financeiro e fiscal significativo

As projecções de produção para o presente exercício apontam para uma redução de cerca de 6.000 gigawatts-hora (GWh) face ao ano anterior. Esta quebra terá reflexo directo nas receitas da empresa.

O director de Planeamento, Organização e Método da HCB explicou que as receitas previstas para este ano situam-se pouco acima dos 21 mil milhões de meticais, contra os 34 mil milhões de meticais registados em 2024. A diferença representa uma queda expressiva no volume de negócios.

Como consequência, o resultado líquido projectado para o final do exercício deverá situar-se perto de 50% abaixo do valor alcançado no ano passado.

Enquanto um dos maiores contribuintes fiscais do país, a HCB verá igualmente reduzida a sua contribuição para o Estado. A diminuição do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC) terá impacto directo nas receitas públicas. Paralelamente, a quebra do resultado líquido limita a capacidade da empresa de garantir retorno aos seus accionistas.

Medidas de mitigação e visão estratégica

Para atenuar o impacto da redução das vendas de energia, a HCB adoptou duas medidas imediatas. A primeira consiste na rentabilização das disponibilidades financeiras, através de aplicações no mercado que têm assegurado retornos positivos. A segunda passa por um controlo mais rigoroso dos custos operacionais.

No plano técnico, a empresa aposta na previsibilidade climática como instrumento de mitigação de riscos. Para o efeito, mantém a partilha diária de dados hidrológicos com entidades regionais, incluindo a barragem de Kariba, gerida por Zimbabué e Zâmbia, e o sistema do rio Kafue, na Zâmbia.

Apesar das dificuldades actuais, a HCB mantém uma estratégia de crescimento a médio e longo prazo. No âmbito do programa CAPEX Vital, a empresa projecta, para os próximos dez anos, a reabilitação e modernização da central hidroeléctrica, a construção de uma central fotovoltaica e a implementação da central norte, com vista ao aumento da capacidade de produção e fornecimento de energia a nível nacional e regional.

A redução da produção na HCB, provocada pela seca, surge como um alerta claro sobre a forte dependência das fontes hídricas. Num contexto de mudanças climáticas, a natureza revela-se tão determinante para o desempenho financeiro de uma empresa como qualquer variável de mercado.




Sinistralidade rodoviária: mais de 660 mortos e suspensão de transportadora reacendem debate sobre responsabilidade partilhada

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Especialistas e transportadoras divergem sobre culpa após acidente fatal com sete vítimas

A sinistralidade rodoviária em Moçambique atingiu níveis alarmantes nos primeiros nove meses do ano. Entre Janeiro e Setembro, pelo menos 662 pessoas perderam a vida em consequência de 488 acidentes de viação registados em todo o país, segundo dados oficiais.



Perante este cenário preocupante, o Governo tem vindo a implementar medidas consideradas estruturantes. Entre elas constam o reforço da fiscalização da lotação dos veículos, a criação de postos de descanso ao longo das principais estradas, a introdução de tacógrafos em rotas longas e a formação obrigatória em segurança rodoviária para condutores reincidentes.

Ainda assim, a sinistralidade manteve-se elevada nos meses seguintes. Segundo noticiou a STV Notícias, no seu canal oficial do YouTube, a situação culminou recentemente num acidente de grande impacto mediático, envolvendo duas viaturas de transporte de passageiros, que resultou em sete mortes.

Suspensão da City Link divide opiniões

Na sequência do acidente, a peritagem preliminar concluiu que o motorista de um autocarro pertencente à transportadora City Link terá sido o causador do sinistro. Como resposta imediata, as autoridades decidiram suspender a actividade da empresa, uma medida que gerou forte controvérsia no sector dos transportes.

Para Nelson Mobucanhane, especialista em transportes, a suspensão é legítima e necessária. Na sua leitura, responsabilizar a transportadora constitui um sinal claro de que as empresas devem assumir um papel activo no combate aos acidentes rodoviários.

Mobucanhane defende que práticas como o excesso de velocidade e as ultrapassagens irregulares não surgem por acaso, mas estão ligadas ao modelo de negócios das transportadoras. Segundo o especialista, a imposição de uma taxa mínima diária empurra os motoristas para comportamentos de risco, numa tentativa de cumprir metas financeiras. Para ele, a responsabilidade deve ser partilhada entre empresa e condutor, e não colocada exclusivamente sobre o motorista.

O especialista aponta ainda a corrupção e o tráfico de influência como “os principais cancros” do sector. Denuncia que algumas transportadoras, apesar de reincidirem em acidentes fatais, continuam a operar sem sanções, protegidas por esquemas de influência. Na sua perspectiva, a polícia de trânsito não deveria ser o único ente fiscalizador do sistema.

Transportadoras alertam para impacto na quadra festiva

Do outro lado do debate está a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (Fematro), que discorda da suspensão da City Link. O presidente da federação, Castigo Nhamane, considera injusto que as empresas “paguem o carro” pelos erros individuais dos motoristas.

Para a Fematro, o Governo deve concentrar as sanções no chamado factor humano, responsabilizando directamente o condutor infractor. Nhamane alerta que, muitas vezes, o motorista envolvido num acidente abandona a empresa e passa a trabalhar noutra transportadora, sem enfrentar consequências duradouras, enquanto a empresa fica penalizada.

A suspensão da City Link, que possui 80 autocarros, mais de metade novos, e emprega cerca de 311 trabalhadores, poderá ter impactos significativos. Segundo a Fematro, a medida ameaça a disponibilidade de transporte durante a quadra festiva e coloca em risco o pagamento de salários aos trabalhadores.

Como alternativa, a federação propõe o reforço da educação cívica dos motoristas e a sensibilização dos passageiros, que em alguns casos pressionam os condutores a circular em alta velocidade para reduzir o tempo de viagem.




Fraude fiscal e branqueamento de capitais: PGR apreende mais de 40 milhões de meticais em Maputo

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Dois indivíduos com dupla nacionalidade detidos após apreensão de elevada quantia em residência

Maputo, Moçambique – O Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional, órgão afecto à Procuradoria-Geral da República (PGR), confirmou a apreensão de mais de 40 milhões de meticais numa residência localizada na cidade de Maputo.



A diligência teve lugar no último Sábado, na sequência de um mandado judicial de busca e apreensão. Para além do dinheiro, as autoridades apreenderam documentação contabilística e diversos dispositivos electrónicos. Devido ao elevado volume de numerário, não foi possível efectuar a contagem manual no local.

Segundo noticiou a STV Notícias, no seu canal oficial do YouTube, o montante apreendido será encaminhado ao Banco de Moçambique, onde será apurado o valor exacto através de meios electrónicos. O dinheiro será posteriormente depositado numa conta específica gerida pelo gabinete de gestão de activos.

As investigações prosseguem e incidem sobre suspeitas de fraude fiscal, branqueamento de capitais e outros crimes económicos que poderão emergir no decurso do processo. No âmbito deste caso, encontram-se detidos dois indivíduos, descritos como comerciantes e cidadãos particulares com dupla nacionalidade, incluindo a moçambicana.

O Ministério Público tem vindo a reforçar o combate à criminalidade económico-financeira, intensificando o exercício da acção penal. Este processo junta-se a outros casos recentes de corrupção, nomeadamente os relacionados com o Tesouro Público e a Autoridade Tributária de Moçambique, que já resultaram na detenção de pelo menos 30 pessoas, entre funcionários públicos e particulares.

No mesmo período, foram igualmente registadas detenções no sector da justiça. Entre os visados contam-se magistrados do Ministério Público e dois oficiais de diligências do JICOTE, detidos por envolvimento em esquemas de corrupção.

O avanço para a detenção dos suspeitos indica que a PGR dispõe de elementos suficientes que sustentam a existência de matéria criminal passível de julgamento. As investigações continuam, com o objectivo de recolher todas as provas necessárias para a consolidação do processo.