PRM ACUSADA DE MATAR A TIROS GARIMPEIRO ZIMBABUEANO EM MACANGA

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População denuncia abuso de poder e diz que polícia está a instalar clima de medo nas comunidades

Tete, Moçambique — Um garimpeiro de origem zimbabweana, com perto de 30 anos, foi morto a tiro no distrito de Macanga, em plena luz do dia, alegadamente por agentes da Polícia da República de Moçambique. A morte está a gerar revolta nas comunidades e a levantar novas dúvidas sobre o comportamento operativo da corporação naquela região.

A vítima, cuja identidade não foi divulgada, foi baleada à queima-roupa. Fontes locais afirmam que o jovem não oferecia resistência e que nada justifica a actuação que resultou na sua morte.

Comunidade fala em terror e abuso de poder

Na cidade de Tete, os moradores estão agastados. Afirmam que a polícia, em vez de garantir segurança, está a impor medo.

“Não há segurança nenhuma porque é a própria polícia que devia defender o cidadão. Mas se a própria polícia é que baleia o cidadão, não há segurança,” disse um munícipe, visivelmente revoltado.

Outros residentes acusam os agentes de usarem armas para intimidar. Insistem que, se o garimpeiro estivesse em qualquer prática ilegal, devia ter sido levado ao tribunal e não executado no local.

Segundo dizem, a actuação policial tem “semeado terror” nas comunidades, deixando as pessoas sem confiança na protecção do Estado.

PRM mantém silêncio

Até ao fecho desta matéria, a Polícia da República de Moçambique não havia comentado o caso. Não houve esclarecimentos sobre os agentes envolvidos, as circunstâncias exactas do disparo ou eventuais processos disciplinares.

A estação televisiva que denunciou o caso, TV Sucessomoz, afirma que continuará a acompanhar o assunto.




Primeira-Dama oferece 2,05 milhões de meticais ao Ferroviário de Maputo após tricampeonato nacional

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 A equipa sénior feminina de basquetebol do Ferroviário de Maputo foi recebida, esta quarta-feira, pela Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, numa audiência marcada pela celebração do tricampeonato nacional recentemente conquistado pelo conjunto locomotiva. No encontro, realizado na Cidade de Maputo, Gueta Chapo anunciou um apoio financeiro no valor de 2.050.000 meticais, destinado a reforçar a continuidade competitiva e o desenvolvimento das atletas.

O gesto surge como reconhecimento pelo desempenho disciplinado e pela consistência demonstrada ao longo das últimas três épocas, onde o Ferroviário de Maputo consolidou a sua hegemonia no basquetebol feminino nacional. O valor do apoio deverá cobrir necessidades operacionais da equipa, incluindo logística de treinos, material desportivo, saúde e preparação para provas internacionais.

Durante a cerimónia, a Primeira-Dama destacou o orgulho que o colectivo transmite ao país e enalteceu o papel inspirador das atletas para milhares de jovens moçambicanas que sonham alcançar o alto rendimento desportivo. Sublinhou ainda que o investimento em mulheres no desporto é um passo essencial na promoção da igualdade de oportunidades, defendendo que conquistas como esta não devem apenas ser celebradas, mas também sustentadas com condições reais de crescimento.

Em representação do clube, a capitã da equipa agradeceu o gesto, afirmando que o apoio “chega em boa hora” e renova o compromisso de lutar por mais títulos, levando o nome de Moçambique cada vez mais longe. A direcção do Ferroviário reforçou igualmente a ambição de aumentar a presença do clube em competições africanas e garantir continuidade na formação de talentos emergentes.

Com o tricampeonato assegurado, o Ferroviário de Maputo prepara-se agora para novos desafios, incluindo competições continentais, onde pretende provar novamente a sua superioridade técnica e mental. O incentivo da Presidência da República é visto como um impulso moral e financeiro para manter a equipa na rota das grandes vitórias.

No final da audiência, ficou evidente que o basquetebol feminino moçambicano segue num momento de maturidade competitiva e projecção internacional — e que, com apoio institucional, a ambição pode transformar-se em legado.




METUGE: DETIDA DIRECTORA DISTRITAL DE INFRA-ESTRUTURAS POR DESVIO DE DONATIVOS PARA DESLOCADOS

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 A Directora Distrital de Infra-Estruturas de Metuge encontra-se sob custódia das autoridades, após ter sido detida na última sexta-feira, em Mieze, na posse de mais de meia tonelada de produtos alimentares destinados às famílias deslocadas pelo terrorismo em Cabo Delgado.

O caso foi tornado público esta tarde pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), que apresentou a dirigente e um motorista que a acompanhava no momento da intercepção. Segundo as autoridades, ambos seguiam com o carregamento de forma discreta, mas sem conseguir escapar à fiscalização.

Orlando Pacela, oficial do SERNIC, detalhou que os produtos apreendidos — arroz, farinha de milho, açúcar e óleo — fazem parte do apoio humanitário reservado aos deslocados que se encontram em situação de vulnerabilidade. A dupla foi interceptada no posto de controlo de Muepane, quando tentava transportar a mercadoria para a cidade de Pemba.

Pacela explicou que a detenção resultou de uma denúncia seguida de investigação célere. “São produtos da ajuda humanitária, retirados de um dos armazéns em Metuge. O SERNIC está a trabalhar para apurar se há ou não mais cúmplices”, afirmou, sublinhando que as investigações prosseguem para determinar o destino final da carga e eventuais redes envolvidas.

O sucedido volta a expor a crise de integridade na gestão de donativos destinados às comunidades afectadas pela violência armada no norte do país. Enquanto milhares sobrevivem apenas com o básico, casos como este mostram que ainda há quem veja a miséria alheia como oportunidade de lucro rápido — uma realidade que revolta e exige responsabilização firme, sem rodeios.

O processo segue os trâmites legais, devendo os indiciados responder pelo crime de desvio de bens públicos e violação de procedimentos humanitários. A sociedade aguarda, agora, que a Justiça actue com o peso necessário, para que roubos ao sofrimento de inocentes deixem de ser rotina.




Ministro da Juventude e Desporto desafia ANJE a acelerar o empreendedorismo jovem em Moçambique

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 O Ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Paulo Manasse, participou esta quinta-feira na 11ª Conferência Nacional de Empreendedorismo, organizada pela Associação Nacional de Jovens Empreendedores (ANJE), no Centro de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo. O encontro juntou jovens empresários, investidores, instituições públicas e privadas, num debate centrado na inovação, criação de emprego e desenvolvimento sustentável.

Durante a sua intervenção, Manasse destacou o papel determinante da juventude na construção da independência económica de Moçambique, sublinhando que o país possui uma população marcadamente jovem — 64% dos moçambicanos têm menos de 35 anos. Para o governante, este número representa uma força produtiva que precisa de ser orientada para iniciativas que gerem trabalho, renda e inclusão social.

O dirigente destacou que o Governo, sob liderança de Sua Excelência Daniel Chapo, Presidente da República, tem vindo a reforçar políticas e programas para o empoderamento económico juvenil, com resultados concretos ao longo do último ciclo de governação. Entre os projectos em implementação, o Ministro apontou:

FAIJ (Fundo de Apoio à Iniciativa Juvenil) — actualmente reestruturado, com capacidade para dinamizar o desenvolvimento empresarial juvenil e financiar 800 projectos;

Meu Kit, Meu Emprego — com mais de 1.100 kits de trabalho distribuídos e mais de 3.000 jovens beneficiados;

Acredita Emprega — com 3.496 subvenções de 100 mil meticais atribuídas em 2025 para pequenos negócios emergentes;

Programa Nacional de Estágios Remunerados — que integrou mais de 4.600 jovens apenas no primeiro semestre;

Rede Nacional de Incubadoras e formalização de microempresas — já com 12 incubadoras em funcionamento e mais de 12.700 negócios jovens formalizados.

Perante a plateia, Caifadine Manasse lançou novos desafios à ANJE, apelando para que a associação amplie o seu papel como parceira do Estado na transformação da economia juvenil. Entre as propostas deixadas pelo Ministro destacam-se:

1. Criação de uma Rede Nacional de Incubadoras da Juventude;

2. Implementação de um Programa Nacional de Mentoria Empresarial;

3. Desenvolvimento de um Mecanismo Catalisador de Empreendedorismo Jovem, envolvendo Governo, instituições financeiras e investidores privados.

O governante apelou, igualmente, à participação activa da juventude no Diálogo Nacional Inclusivo, recordando que “a juventude não é o futuro, é o presente que decide o futuro”. Para Manasse, o país precisa de jovens com iniciativa, visão e coragem de propor soluções.

A conferência encerrou com a promessa de continuidade do debate e de reforço das alianças estratégicas entre Estado, sector privado e juventude empreendedora — peças essenciais para um Moçambique economicamente soberano e competitivo.




Maxaquene volta a rugir no Moçambola e recebe aplausos dos Aeroportos de Moçambique

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 O gigante acordou, seis anos depois e volta a competir na primeira divisão de futebol moçambicano.

 O Clube de Desportos do Maxaquene garantiu a tão aguardada subida ao Moçambola após uma vitória suada e celebrada de forma vibrante no último fim-de-semana. O resultado recolocou o histórico tricolor no palco maior do futebol moçambicano, reacendendo a chama de um emblema habituado a batalhar entre os grandes.

Entre os primeiros a erguer a voz em celebração estiveram os Aeroportos de Moçambique, E.P., patrocinadores do clube, que saudaram publicamente o feito e elogiaram o espírito competitivo demonstrado ao longo da época. “Uma conquista que espelha dedicação, força colectiva e o ADN vencedor do Maxaquene”, ressalta a instituição, num tom que reflecte orgulho e confiança na nova etapa do clube.

A ascensão ao Moçambola interrompe um período de ausência sentida pelos adeptos, que nunca deixaram de marcar presença, cantar, sofrer e empurrar a equipa para este desfecho. Agora, o sentimento é de retorno ao lugar onde o Maxaquene sempre pertenceu: entre os emblemas de maior tradição do país, onde o futebol se disputa com intensidade, táctica e paixão.

Os Aeroportos de Moçambique reiteram, por isso, o compromisso de continuar ao lado do clube, apoiando projectos que elevam o nível competitivo, impulsionam jovens talentos e fazem o desporto moçambicano crescer dentro e fora das quatro linhas. Para a empresa, investir no futebol é também fortalecer comunidades, incentivar disciplina e cultivar orgulho nacional.

Com o passaporte carimbado para o Moçambola, o Maxaquene entra oficialmente na rota dos holofotes. A expectativa vira-se agora para o mercado, a preparação da nova época e a resposta dentro do campo. A missão é clara: competir com ambição, honrar a camisola e provar, jornada após jornada, que o tricolor está de volta para ficar – e para lutar no topo.




Governo planeia comprar apenas 20 autocarros para 2026

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 Somente vinte autocarros de transporte público serão adquiridos pelo Governo, em 2026, para operação em todo o país. A previsão consta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para o próximo ano, documento que será submetido à apreciação e debate no Parlamento, na próxima semana.

Conforme o plano, cinco autocarros serão alocados à Cidade de Maputo, dez seguirão para a província de Sofala e os restantes cinco serão entregues à província de Maputo. O PESOE 2026 prevê, igualmente, a compra de cinco veículos mistos – tractores adaptados ao transporte de carga e passageiros –, destinados às províncias de Inhambane, Tete, Gaza, Sofala e Maputo, com um veículo para cada região. No total, o investimento está orçado em 151.833,40 mil Meticais.

O Governo tinha projectado, para este ano, a aquisição de quinze autocarros, meta que ainda não se concretizou. Segundo o Balanço do PESOE 2025 referente ao terceiro trimestre, a avaliação final sobre o cumprimento desta promessa será apresentada no encerramento do ano económico. O mesmo se aplica aos cinco veículos mistos previstos para 2025, cujos resultados continuam pendentes de reporte oficial.

A aquisição de transporte público tem sido um dos maiores desafios nas principais cidades do país, onde a procura supera largamente a oferta. Dados divulgados pelo jornal A CARTA, indicam que a expectativa recai, agora, sobre a execução do plano para 2026 e até que ponto poderá aliviar as dificuldades actuais de mobilidade a nível nacional.




Metuge: Directora Distrital Detida por Desviar Donativos para Deslocados

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O Moçambique Notícias apurou que o Serviço Nacional de Investigação Criminal deteve a directora distrital de Infra-estruturas de Metuge, depois de ter sido encontrada a transportar mais de 500 quilogramas de produtos alimentares destinados a deslocados vítimas do terrorismo. A informação foi avançada pelo jornal Notícias, que acompanhou a apresentação pública feita nesta segunda-feira.

A directora foi detida na passada sexta-feira, em Mieze, na companhia de um motorista. No veículo estavam sacos de arroz e farinha de milho, além de açúcar e óleo. Todo material fazia parte de um lote de ajuda humanitária armazenado em Metuge.

Segundo Notícias, o oficial do SERNIC, Orlando Pacela, explicou que a operação começou após uma denúncia. Por isso, foi accionada uma investigação rápida.

A captura ocorreu no posto de controlo de Muepane, quando ambos tentavam levar os produtos para a cidade de Pemba. Pacela afirmou que o SERNIC prossegue com diligências para determinar se existem mais envolvidos no esquema.




A MENTE POR DETRÁS DA OPOSIÇÃO: DINIS TIVANE DESNUDA A CORRUPÇÃO, A TRAIÇÃO E A LUTA PELA SOBERANIA DE MOÇAMBIQUE

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No estúdio do popular podcast “MOZPOD — Os Muito Maus”, o apresentador (| Ismail Essak / Chairman   / chairman.iessak  ) recebeu Dinis Tivane, figura que se tornou
rapidamente um dos pilares do maior partido da oposição actual de Moçambique, o
Anamola. Tivane, que o apresentador considera o “número dois” do partido,
sentou-se para uma conversa profunda que expôs a sua trajectória pessoal, o caminho
espinhoso da política de oposição em Moçambique e a sua visão disruptiva para o
futuro do Estado moçambicano, defendendo que a mudança de regime é necessária
para que a palavra “democracia” ponha “comida na mesa”.

A conversa, gravada a 26 de Novembro, começou com o apresentador a
destacar a boa impressão causada pelo convidado, a quem descreveu como um “tipo
cinco estrelas, alto, cabeludo”.

 

A Vida do Autodidacta e a Girafa
do Anamola

O moderador abriu a entrevista pedindo a Tivane que se apresentasse:

MODERADOR: Dinis, bem-vindo aqui ao meu singelo podcast e obrigado por aceitar
este convite para hoje podermos conversar, sabermos mais de ti, mano. Quem é o
Dinis?

DINIS TIVANE: Sou um moçambicano nascido em 1977, dois anos depois da independência.
Não vi a independência, mas senti aquela energia até à altura em que o saudoso
Samora Machel morreu, então chorei também. Não sou nenhum menino de berço duro;
cresci em situações bastante difíceis. Considero-me jovem, já não pela idade,
mas por aquilo que ainda ambiciono fazer. Sou pai de duas filhas lindas. Sou
mais autodidacta.

Tivane detalhou a sua formação multifacetada, explicando que a sua
profissão principal é design, área que estudou sozinho ao longo dos
anos. A sua primeira faculdade foi Arquitectura, que abandonou ao
terceiro ano por falta de condições. Concluiu Jornalismo (a sua primeira
licenciatura), mas não o exerceu porque não dava dinheiro naquele
período (1999–2003).

DINIS TIVANE: Trabalhei como fumigador aos 17 anos, que foi um dos melhores negócios
que fiz na altura. Depois licenciei-me em Jornalismo e mais tarde fiz Recursos
Humanos. Com vários desafios, comecei a estudar Direito sozinho, lendo e
comprando livros, incluindo o próprio Código de Processo Civil. No ano passado
(2024), decidi matricular-me oficialmente em Direito.

MODERADOR: Há uma foto tua que circula a comentar Samora Machel, é isso?

DINIS TIVANE: Aquela foto célebre é do meu pai. Ele fez um discurso em frente a
Samora Machel em 1977, ali onde hoje é o Parlamento. Samora recomendou-lhe
muitas coisas, mas o meu pai afastou-se da vida política activa quando a
Frelimo se descaracterizou muito.

Tivane fez a ponte entre a história do pai e a sua própria trajectória,
revelando que, numa foto recente tirada no Conselho Nacional do Anamola, ao
cumprimentar Venâncio Mondlane recriou a imagem do pai com Samora Machel em
1977.

DINIS TIVANE: Eu olhei para aquela fotografia e disse: “Porra, isto aqui é igual à
fotografia que o meu pai tirou a apertar a mão a Samora Machel”. Eu posso
iconizar isto também, dizendo que apertei a mão a Venâncio Mondlane, “que
vai ser praticamente daqui a 50 anos um dos ícones de Moçambique”
.

 

A Transição do “Cartão Vermelho”
à Oposição Activa

O apresentador quis saber o ponto de viragem que levou Tivane a
abandonar o partido no poder e a aliar-se a Venâncio Mondlane.

MODERADOR: Dinis, como tu entras para a política activa desta forma? Como é que
decidiste que, é pá, agora sou da oposição?

DINIS TIVANE: Eu cresci sem fazer política activa. A ideia surgiu quando completei 40
anos. Senti que as minhas ideias levavam as pessoas a reflectirem.

Tivane tentou ingressar no núcleo da Frelimo no Chamanculo por volta de
2018 e chegou a ter o cartão. Contudo, desistiu rapidamente:

DINIS TIVANE: Desisti porque, contrariamente ao que eu tinha como ideia, percebi que
as dinâmicas internas no partido eram de um retrocesso muito alto. Não havia
muita democracia. Muitas vezes, mesmo essas hierarquias tendiam para resvalos
dos quais eu não concordava.


A aproximação a Venâncio Mondlane deu-se em 2022/2023, quando foi
recomendado como “um tipo aí muito nice” da área de comunicação.

DINIS TIVANE: Falei pela primeira vez com Venâncio em 2023, na época das eleições
autárquicas. Eu disse a ele: “eu tenho cartão vermelho, mas a tua causa vale
a pena”
. Não me desvinculei publicamente na altura porque achava que seria
uma traição para a Frelimo, então trabalhei off the record.

Em 2024, quando Mondlane se candidatou, Tivane formalizou o apoio após
uma reunião de quatro horas. Sabia dos riscos, mas avançou, sentindo que,
diante da hesitação e do medo de enfrentar a Frelimo, “se eu não fizesse,
ninguém faria”
. O grande momento de visibilidade veio no pós-eleitoral,
quando Mondlane foi para o exílio e ele próprio se tornou a face pública da
luta, juntamente com o falecido Elvino Dias.

 

A Política Suja e as Traições da
Oposição

A entrevista avançou para as dificuldades enfrentadas pelo Anamola e
pelo seu líder, que já passou pelo MDM, Renamo, CAD e Podemos.

MODERADOR: Vemos as traições, as quebras… Estão no auge, confiantes que vão
concorrer, tudo a acontecer, e puxam-vos o tapete. Vocês caem, levantam-se, vão
à luta de novo. Como foram esses momentos?

Tivane respondeu com frieza:

DINIS TIVANE: Para nós vai ser sempre assim. Não esperamos mais nada senão
supercomplicações. Para nós vai ser sempre mais difícil.

Segundo ele, a oposição tem desempenhado um papel de “verdadeiro
traidor”
.

DINIS TIVANE: O MDM submeteu um expediente à CNE que desqualificou Venâncio nas
autárquicas de 2018. No caso do CAD (em 2024), a oposição (MDM, Renamo,
Podemos) percebeu que o CAD iria entrar para o Parlamento e ter
representatividade na CNE.

DINIS TIVANE: O pensamento deles é: se entram estes gajos, um de nós três ou dois
vamos ter de sair. Vai perder o pão. É este o pensamento. A oposição
moçambicana está neste nível, de pensar em picuinices, enquanto a Frelimo se
aproveita da fragilidade.

A última traição veio do Podemos, que procurou o Anamola após a
exclusão do CAD. Contudo, depois das eleições, houve um distanciamento. Tivane
explicou que, numa reunião com o líder do Podemos (Albino Forquilha), Venâncio
Mondlane “nunca pensou em tachos” nem em contrapartidas financeiras ou
políticas, apenas exigiu o cumprimento do acordo coligatório.

DINIS TIVANE: Você percebe o quanto o país perde por pequenices… um bolinho aqui,
uma arrofada ali, um biscoito, e por aí em diante, trava agendas muito maiores.

A recusa do Podemos em adiar a tomada de posse dos seus deputados, mesmo
sabendo que não perderiam o mandato, foi um erro enorme, pois “teria um
grande efeito político”
e criaria uma pressão capaz de forçar a Frelimo a
recuar em matérias essenciais.

 


A Máfia no Estado e a Crítica à
Nata Intelectual

DINIS TIVANE: Muitos intelectuais tentam criar narrativas para “fazer rebaixar
aquilo que é o impacto do Anamola”
. Concordam que o Estado moçambicano está
infestado de criminosos, que a alta máfia está dentro do Estado, mas atacam
Mondlane.

Tivane criticou o sociólogo Dr. Elísio Macamo por rotular Mondlane de “populista”
e manipulador de um público mal instruído. Para Tivane, a política é uma
ferramenta de construção social, e é dever do político apontar o que não está
bem.

DINIS TIVANE: Se o teu discurso como intelectual não concorre para resolver esses
problemas estruturais do Estado moçambicano, então você está a fazer a luta
errada.

A entrevista abordou também o tema da bandeira nacional, que para
o Anamola é uma batalha central.

DINIS TIVANE: A bandeira com a AK-47 é a única no mundo com uma arma. Existem
moçambicanos constrangidos ou presos no estrangeiro porque a arma é vista como
símbolo de terrorismo. A bandeira deve ser símbolo de consenso e não de
constrangimento.

Tivane reforçou que a democracia não é uma palavra vazia:

DINIS TIVANE: O voto resolve o problema da fome. Em Moçambique, 2.500 crianças morrem
anualmente por falta de água. Não há responsabilização. Governantes envolvidos
em escândalos de 130 milhões de meticais não são exonerados. Eu próprio fui
intimado pela PGR para prolongar o prazo de instrução criminal.

 

O Novo Regime e a Esperança de
0,5 em 10

MODERADOR: Achas que o partido no poder acordou e está com uma dinâmica diferente?

DINIS TIVANE: Não há nenhuma melhoria estrutural. A aprovação contínua dos projectos
de gás em Cabo Delgado, enquanto o Estado não consegue proteger o seu próprio
território, mostra prioridades erradas.

Sobre os 50 biliões de dólares anunciados por Daniel Chapo, Tivane foi
directo:

DINIS TIVANE: Não são 50 biliões que vão entrar nos bancos comerciais de Moçambique.
É dinheiro de Estados no papel, que entrará como importação temporária, sem
pagar impostos, para o inglês ver. A minha esperança de 0 a 10 é 0,5.

Tivane lamentou que o Estado moçambicano tenha passado de produtor e
distribuidor para mero comprador.

DINIS TIVANE: A proliferação de chapas significa ausência de Estado. O transporte é
uma obrigação fundamental do Estado.

Segundo ele, as soluções existem e não são complicadas: resolver o
problema das estradas e da segurança.

DINIS TIVANE: Porquê que produzimos 50 kg de ouro por mês e não temos uma indústria
que fabrica jóias? Porquê que Moçambique, com o rubi que tem, não é destino
turístico global? Porque há interesse em mandar vir e ganhar comissão.

 

O Preço da Luta e o Aliciamento

O moderador quis saber como Tivane lidou com o medo, as perdas e as
tentativas de corrupção.

MODERADOR: Nos dias difíceis, como quando perderam o Elvino Dias ou quando as 24
balas foram disparadas no teu portão, o que te move?

DINIS TIVANE: A causa está muito acima do medo. As reversões políticas só ocorreram
porque houve sangue. Sinto que vale a pena morrer por esta causa.

Além dos tiros (que foram quase 50), Tivane relatou uma invasão na sua
casa, com janelas escancaradas e portas arrombadas, tudo para intimidar.

MODERADOR: Já foste aliciado a trair Venâncio Mondlane?

DINIS TIVANE: Já. Prometeram-me tudo aquilo que eu quisesse, um cheque em branco. O
aliciador era alguém capaz de resolver uma mansão, um Range Rover, uma Land
Cruiser, uma Nissan ou estudos no exterior em menos de 24 horas. Mencionou até
a BMW.

DINIS TIVANE: O sangue do Elvino não pode ser trocado por uma vivenda num condomínio
com um Range Rover.

O entrevistado revelou a sua ambição profunda:

DINIS TIVANE: Gostaria de ser lembrado como um dos primeiros moçambicanos a mostrar
que o povo pode ser feliz em Moçambique, com segurança, saúde e educação.

 

A Mensagem Final: Os Melhores
Tempos Estão por Vir

No fim, o apresentador pediu a mensagem que “ninguém teve coragem de
dizer”
.

DINIS TIVANE: A maior mensagem é que os melhores tempos estão por vir. Os
moçambicanos já estão galvanizados. Já sabemos quem é o nosso inimigo, que é o
regime opressor.

Sobre as eleições de 2028/2029:

DINIS TIVANE: Serão históricas. Se houver tentativa de subverter as eleições, haverá
uma reacção muito enérgica do povo moçambicano. Os moçambicanos estão a dar um
grande exemplo de civismo, suportando o lixo da corrupção e da fraude, mas já
não aguentam.

A conversa encerrou com o moderador a lamentar a inversão de valores no
país, onde saúde, educação e segurança, que eram públicas, tornaram-se esferas
privadas.




TERRORISTAS em debandada: Governador de Nampula confirma inimigos abatidos e fuga rumo a Cabo Delgado

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O governador da província de Nampula confirmou esta terça-feira uma
vitória decisiva no Teatro Operacional Norte, com vários terroristas abatidos e
a fuga do grupo armado para fora do território provincial. A declaração surge
após os ataques registados na semana passada nos distritos de Me

mba,
nomeadamente em Mazue e Oeste Pene, que forçaram milhares de residentes a
deslocarem-se para zonas seguras.

 

TERRORISTAS EM RETIRADA PERANTE
AVANÇO DAS FADS

Segundo o governador, as Forças Armadas de Defesa e Segurança (FADS) têm
realizado um trabalho “duro e contínuo”, pressionando os grupos insurgentes
que, apesar de tentarem resistir, acabam por “perder em combate”. O dirigente
confirmou a existência de mortos e feridos graves entre os atacantes, que estão
a ser retirados pelos próprios membros do grupo terrorista.

A fôrça da resposta obrigou os insurgentes a abandonar Nampula. De
acordo com o governador, o grupo atravessou o limite provincial no início da
semana, recuando para a zona de Chúri, em Cabo Delgado. Embora reconheça a
possibilidade de permanecer “um ou outro elemento disperso”, garante que a base
principal já deixou o território.

 

Regresso Da Calma E Visita
Anunciada A Memba

Com o restabelecimento de uma relativa “calminha” no distrito de Memba,
o governador convidou a comunicação social a deslocar-se ao local para
testemunhar a situação no terreno. Garantiu ainda que será o primeiro
responsável provincial a voltar ao distrito, indicando que a visita conjunta
deverá ocorrer no fim do mês ou na primeira semana de dezembro.

 

Drones e reforço de meios
operacionais

Para reforçar o dispositivo de segurança, o governador anunciou a
entrega oficial dos drones destinados ao distrito de Memba, equipamentos
prometidos para intensificar o trabalho de vigilância e perseguição aos grupos
armados. A cerimónia, suspensa devido a uma visita de alto nível, deverá ser
retomada esta quarta-feira no gabinete do governador.

 

Ética, contenção e impacto da
violência

O dirigente rejeitou a divulgação de imagens dos confrontos, afirmando
que o Estado não deve actuar “como os terroristas, que fazem propaganda de
guerra e de matança”. Defendeu que a missão das FADS é a defesa da pátria,
conduzida com disciplina, zelo e moral elevada.

Os ataques recentes em Memba resultaram em dezenas de mortos, destruição
de residências e deslocação de milhares de pessoas para áreas consideradas mais
seguras.




PONTECA DE UMPALA: DRAGAGEM CONCLUÍDA AGRADA POPULAÇÃO, MAS ACIDENTES FORÇAM PEDIDO DE AMPLIAÇÃO URGENTE

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Os munícipes e utentes da travessia de Umpala, em Boane, mostram alivio após a recente dragagem do rio. A limpeza melhorou o fluxo da água e trouxe uma sensação de avanço. Ainda assim, a satisfação não esconde a urgente necessidade de reforçar a segurança. A ponteca continua a registar acidentes frequentes, e a população aguarda o fim das obras de ampliação para que o trajecto deixe de ser um risco constante.

A travessia de Umpala liga a vila sede do município ao terminal e ao mercado. Paradoxalmente, estas infra-estruturas foram construídas de raiz, mas encontram-se abandonadas, servindo pouco às comunidades que delas deveriam depender.

O trabalho “está a decorrer como deve ser”

Sérgio, mototaxista e utente diário, confirma que a dragagem “já mudou a imagem do rio”. Segundo ele, o trabalho está a decorrer como deve ser.

Outros residentes reforçam a mesma ideia, afirmando que agora a água “corre como deve ser e não há interrupções”. A limpeza era uma necessidade antiga, sobretudo numa zona afectada por problemas hídricos recorrentes.

Perigo constante e falta de segurança

Apesar da melhoria na corrente do rio, o foco principal dos moradores é a segurança da travessia. A ponteca continua estreita, baixa e sem protecções.

Os pedidos repetidos incluem:

  • Aumento da altura da ponte, para reduzir o impacto das cheias.

  • Ampliação em largura, para permitir circulação segura de veículos e peões.

  • Instalação de barreiras laterais.

  • Criação de um entroncamento funcional, já que o actual não responde às necessidades de quem circula.

Sérgio frisa que, com as inundações habituais, a ponte “pode não aguentar a limpeza” se não houver aumento da altura.

Acidente flagrante durante a reportagem

A insegurança da travessia não é uma percepção: é um facto. A nossa equipa testemunhou um acidente no local enquanto recolhia informações.

Um peão foi colhido por um camião no exacto ponto onde está a ponteca estreita e não oferece qualquer passeio para pedestres. O veículo, ao fazer uma manobra, acabou por atingir o cidadão com o espelho lateral porque “não calculou o espaço de passagem”. O sinistro ocorreu à vista de todos, demonstrando que a ponte não oferece condições minimamente aceitáveis.

Apesar disso, há um fio de esperança. Os trabalhos de ampliação estão em curso, e a população insiste que a única solução eficaz é alargar e elevar a ponteca, antes que mais um acidente transforme o problema em tragédia.