DAMIÃO MULA CONTINUA A COMER O “PÃO” QUE NINI SATAR AMASSOU

Dávio David

A família do Jovem recluso da cadeia de Máxima Segurança vulgo BO, Damião Mula acredita na nova tese do Procurador Geral da República, Dias Letela segundo a qual, o falecido milionário Nini Satar pode estar por trás do assassinato do advogado Elvino Dias. Segundo relatos da família, os tentáculos de Nini Satar eram tão longos e complexos ao ponto de mesmo tendo perdido à vida, continua a “governar” o mundo dos vivos.

Para justificar a sua convicção, apontam o caso do jovem Damião Mula, um recluso que mesmo tendo cumprido 12 anos de prisão efetiva na BO, e com mandado de soltura, continua a vegetar na BO, por esquemas maquiavélicos orquestrados, segundo eles, pelo próprio Nini Satar.

É que Mula requereu em 2018 liberdade condicional pelo cumprimento da metade da pena, contudo, o pedido foi recusado alegadamente por ter sido “oferecido” o crime de sequestro.

“O nosso filho foi preso em 2013, condenado a 12 anos de prisão pela 5ª Secção da Província de Maputo. Durante a sua reclusão na BO, tivemos informações que Nini Satar tentou lhe recrutar para o mundo de sequestros, mas porque ele se recusou, acabou sendo acusado de ser autor material no crime de sequestro do empresário Yacoob Ahmed Lunat, no dia 12 de Novembro de 2018, cerca das 20:00 horas quando este saia da mesquita no bairro Central, ao longo da Avenida Eduardo Mondlane”, revelam fontes familiares.

UM JULGAMENTO COM INDÍCIOS DE MANIPULAÇÃO

Aliás, segundo contam as nossas fontes, nessa faditica data, Damião Mula se encontrava preso na BO, a cumprir a pena de 12 anos, mas durante o julgamento do caso conduzido pela polémica juíza da 6ª Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, Ivandra Uamusse (a mesma antecessora do juiz Efigénio Baptista no julgamento do caso das dívidas ocultas), o tribunal, somente apresentou como provas materiais do seu envolvimento, declarações de testemunhas alegadamente”compradas” por Nini Satar, no caso, Leão Albino Wilson, Florência Pascoal Marrengula, Manuel Rofelado e Maria Mundo Mulocane, negligenciando outras diligências como a coleta de imagens do sistema prisional da BO, que provassem que Damião Mula foi “tirado” e regressado à cela após o cometimento do crime.

O mais caricato, de acordo com relatos da mesma família, um dos co-reus do processo de sequestro de Yacoob Lunat, de nome Wilson, ora igualmente preso, que teria aceitado ser recrutado por Nini Satar, foi pago somente 500 mil meticais, pelo crime mas depois foi “abandonado nas masmorras da cadeia”, enquanto que por seu turno , o SERNIC alegou e apresentou na altura todos os envolvidos no crime, isso dentro de 48 horas após o cometimento do crime.

Paradoxalmente, a vítima Yacoob Lunat só foi solto do cativeiro 3 meses depois de ter sido sequestrado.

“Durante o julgamento, ficamos ainda a saber que o dono do número de telefone usado para exigir o valor de resgate pelo sequestro de Yacoob Lunat também foi solto pelo tribunal, mas antes disse em declarações no tribunal que quem usava o seu número com frequência era um alegado tio que é agente do SERNIC”, revelaram ainda as fontes.

“Para nós fica claro que tanto a juíza, como o Ministério Público, dirigentes do sistema prisional, alguns agentes do SERNIC e até a imprensa trabalhavam para Nini, ele controlava uma vasta rede mesmo dentro da BO. Por essa razão a juíza Ivandra Uamusse condenou nossos filho mesmo sem provas convincentes e ainda desconfiamos que Nini pagou ao Tribunal Superior de Recurso para lhe manter preso na BO desde 2020, até hoje, se passam seis anos que o Tribunal Superior de Recurso não se pronúncia sobre o processo”, lamenta a família.

Segundo a defesa do Damião Mula, o TSR está a violar os direitos humanos do seu constituinte, pois não faz sentido que um processo que deu entrada naquela instância em 2020, até hoje, não há julgamento nem sequer um despacho sobre os pedidos de celeridade processual.

UM PRESO MESMO COM MANDADO DE SOLTURA

Ademais, conforme escrevemos na edição antepassada, a juíza da 5 ª Secção Criminal do Tribunal Judicial da Província de Maputo, Ricardina Gabriel assinou o mandado de soltura do Damião Mula, em Setembro de 2025, por ter cumprido na totalidade os 12 anos de prisão pelos crimes que foi acusado na altura, entretanto, por alegadas “ordens” o Ministério Público e TSR decidiram privar a liberdade do Mula sem nenhuma justificação plausível.

Em conversa com a defesa do Damião Mula, este promete processar os agentes de Estado envolvidos no que considera esquemas “draconianos” que demonstram “prostituição entre o judiciário e o crime organizado”, quiçá exigir do Estado uma choruda indemnização por violação dos Direitos Humanos do jovem Damião Mula.

Refira-se que não é primeira vez que há relatos de soltura de reclusos na BO para o cometimento de vários crimes hediondos, como nas vésperas das últimas manifestações pós eleitorais e bem como de envolvimento de agentes do SERNIC e da Polícia da República de Moçambique (PRM) no crime organizado do país.




Xi Jinping: Superar a Pobreza – a partir da base

A obra Superar a Pobreza, de Xi Jinping, apresenta-se não como um tratado teórico abstrato, mas como um registro direto, quase operacional, de uma experiência concreta de gestão pública em contextos de elevada vulnerabilidade socioeconômica. Trata-se de um livro que revela, com notável consistência interna, a construção de uma visão de desenvolvimento ancorada na prática administrativa, no contato direto com a população e na disciplina estratégica do Estado.

Desde as primeiras páginas, especialmente no texto inaugural: “Como Pode o Passarinho Fraco Ser o Primeiro a Voar?”, observa-se uma metáfora central que orienta toda a narrativa: regiões pobres, isoladas e estruturalmente limitadas podem, ainda assim, assumir protagonismo no processo de desenvolvimento. A escolha dessa imagem não é meramente retórica; ela traduz um posicionamento político claro, no qual a limitação inicial não é vista como obstáculo definitivo, mas como ponto de partida para uma transformação deliberada.

Xi Jinping: Superar a Pobreza - a partir da base

Governança orientada à realidade local

O livro se destaca pela ênfase na governança territorializada. Ao abordar a sub-região de Ningde, Xi Jinping descreve um ambiente marcado por isolamento, economia agrícola de pequena escala e baixa integração com mercados mais dinâmicos. Em vez de propor soluções genéricas, o autor estrutura sua abordagem a partir de diagnósticos locais, defendendo que o desenvolvimento econômico deve emergir das condições concretas de cada território.

Essa perspectiva se desdobra em uma série de diretrizes recorrentes ao longo dos capítulos indicados no índice: fortalecimento das economias coletivas rurais, incentivo à transferência de mão de obra excedente, valorização da educação, promoção da indústria local e articulação institucional. Há, portanto, uma tentativa clara de alinhar política pública, organização social, dinamização econômica e formação de lideranças locais

Liderança

Outro eixo estruturante da obra é a valorização do papel da liderança. O texto evidencia uma concepção de gestor público que combina proximidade com a população e rigor na execução de políticas. A recorrência de temas como “manter laços estreitos com o povo”, “governo honesto” e “responsabilidade dos quadros dirigentes” revela uma preocupação com a integridade administrativa e com a efetividade das ações governamentais.

No posfácio, essa dimensão ganha contornos ainda mais pessoais. Xi Jinping reconhece limitações, menciona frustrações e reforça a ideia de que o combate à pobreza é um processo intergeracional, que exige persistência e continuidade. Esse elemento confere à obra um caráter menos propagandístico e mais experiencial, aproximando o leitor de uma trajetória de aprendizado político-administrativo.

Desenvolvimento como prioridade estratégica

A leitura permite identificar um fio condutor claro: o desenvolvimento econômico é tratado como prioridade política central. Essa orientação não se restringe ao crescimento quantitativo, mas envolve a construção de capacidades institucionais, sociais. produtivas e territoriais.

A insistência em temas como industrialização local, revitalização florestal, fortalecimento de organizações partidárias em áreas rurais e promoção cultural em regiões empobrecidas demonstra uma abordagem multidimensional. O combate à pobreza, nesse sentido, não é reduzido à transferência de renda, mas concebido como transformação estrutural.

A força da prática sobre a abstração

Um dos aspectos mais relevantes da obra é a valorização da prática como critério de validação das políticas públicas. A ideia de que “a prática é o único critério para testar a verdade”, presente no posfácio, sintetiza uma lógica pragmática de gestão, na qual a experimentação, o ajuste contínuo e a adaptação são elementos centrais.

Essa abordagem aproxima o livro de uma espécie de manual empírico de administração pública em contextos adversos. Não há, aqui, a pretensão de universalizar modelos, mas sim de demonstrar que resultados podem ser alcançados por meio de ação coordenada, planejamento consistente e compromisso político.

Superar a Pobreza é, em essência, um registro de formação de um líder em ambiente de escassez. A obra evidencia uma trajetória marcada pela imersão em realidades locais complexas e pela construção gradual de uma visão estratégica de desenvolvimento.

Seu valor reside justamente nessa combinação entre experiência prática e formulação política. Ao apresentar a pobreza não como condição estática, mas como desafio superável mediante ação organizada, o livro oferece uma narrativa que reforça o papel do Estado, da liderança e da sociedade na construção da prosperidade.

Para além de seu contexto específico, a obra convida à reflexão sobre a importância de políticas públicas orientadas por diagnóstico, execução disciplinada e compromisso com resultados, elementos que permanecem centrais em qualquer debate sobre desenvolvimento.




Recenseamento de Raiz reforça estratégia política da FRELIMO na Província de Maputo

Moamba, Maputo — O Primeiro Secretário Provincial de Maputo, Carlos Zavala, orientou recentemente, no distrito da Moamba, um conjunto de reuniões com as estruturas do Partido, no âmbito da monitoria do processo de Recenseamento de Raiz, uma iniciativa considerada central para a reorganização e fortalecimento interno da FRELIMO.
As reuniões, que envolveram quadros locais e dirigentes de base, tiveram como principal objectivo avaliar o nível de implementação do recenseamento, identificar constrangimentos e reforçar directrizes estratégicas para garantir maior eficácia no processo. Segundo fontes no local, o encontro decorreu num ambiente de forte mobilização política, evidenciando a importância atribuída ao recenseamento como instrumento de consolidação partidária.
Durante a sua intervenção, Carlos Zavala sublinhou o carácter político e estratégico da iniciativa, destacando que o recenseamento vai além de um simples exercício administrativo. “Cada ficha representa um membro organizado, um Partido mais forte e uma base preparada para os desafios”, afirmou, reforçando a necessidade de rigor, compromisso e envolvimento activo de todos os níveis da organização.
O dirigente enfatizou ainda que o sucesso do processo depende da capacidade das estruturas locais em garantir proximidade com as comunidades, mobilização efectiva e acompanhamento contínuo dos membros. Nesse contexto, delineou três eixos fundamentais de actuação: organização, presença e acção.
De acordo com Zavala, a organização interna deve assegurar que todos os membros estejam devidamente registados e integrados nas suas respectivas células; a presença implica uma actuação constante e visível do Partido junto das comunidades; enquanto a acção se traduz na implementação concreta de iniciativas que respondam às necessidades da população.
Analistas políticos consideram que o reforço destes pilares poderá ter impacto significativo na consolidação da FRELIMO na província, sobretudo num contexto em que a mobilização de base se revela determinante para a estabilidade e continuidade política.
O processo de Recenseamento de Raiz continua a decorrer em vários distritos da província de Maputo, sendo acompanhado de perto pela liderança partidária, que o encara como uma etapa decisiva para o fortalecimento estrutural e estratégico da organização.




APME Defende Independência, Inclusão e Reforma do Ambiente de Negócios em Moçambique

A Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME) deve afirmar-se como uma instituição independente, orientada para o futuro e comprometida com os interesses coletivos do empresariado moçambicano. Esta foi a mensagem central do presidente Pedro Silva, durante a cerimónia de tomada de posse e lançamento de novas iniciativas de desenvolvimento institucional, realizada hoje na cidade de Maputo.
Na ocasião, Silva sublinhou que a organização não pode estar subordinada a interesses individuais, destacando que todos os membros partilham direitos e responsabilidades enquanto empresários e agentes ativos no desenvolvimento da comunidade nacional.
“Temos a obrigação de ser a voz mais forte e influente do empresariado. Nós somos a alavanca do nosso país”, afirmou.
O dirigente reforçou ainda a necessidade de alcançar uma independência económica sólida e sustentável, apontando a união interna como fator determinante:
“Acredito que, com uma APME unida, poderemos construir um ambiente de negócios mais justo, previsível e próspero.”
Prioridades estratégicas
Entre as principais linhas de ação anunciadas, destacam-se:
Acesso real ao financiamento: A APME pretende intensificar o diálogo com o Governo e o setor bancário para transformar o financiamento empresarial numa ferramenta efetiva de crescimento, deixando de ser um obstáculo estrutural para as PME.
Transformação digital e inovação: O fortalecimento institucional passa pela modernização das empresas. A associação compromete-se a promover a adoção de tecnologias digitais, visando maior eficiência e competitividade nos mercados nacional, regional e internacional.
Representatividade ativa: Silva garantiu que a APME deixará de ter um papel meramente protocolar, assumindo-se como um interveniente direto na formulação de políticas públicas e na redução da burocracia.
Inclusão da juventude empreendedora: O mandato será marcado por maior abertura aos jovens empresários, com foco em mentoria e integração em projetos estruturantes da economia nacional.
Igualdade de género e autonomia económica: O presidente alertou para os desafios enfrentados pelas mulheres, sobretudo em zonas rurais, defendendo o fim de barreiras no acesso ao crédito, terra e outros ativos económicos. Segundo Silva, o empoderamento feminino é essencial para a redução da pobreza e para o crescimento sustentável do país.
Parcerias para impacto coletivo
A APME pretende também reforçar a cooperação com parceiros estratégicos, como a Confederação das Associações Económicas (CTA), o Fundo de Desenvolvimento Empresarial (FDEM) e a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), com o objetivo de alinhar esforços e promover melhorias concretas no ambiente de negócios.
A mensagem final foi de mobilização e compromisso coletivo:
“Juntos, faremos de cada micro, pequena e média empresa um grande exemplo de sucesso para Moçambique.”
A nova liderança da APME assume assim um posicionamento claro: transformar a associação numa força ativa, independente e influente no desenvolvimento económico do país.




PRODEA defende processamento de recursos nacionais dentro do país para beneficiar o povo moçambicano

A Associação do Programa de Desenvolvimento Ambiental (PRODEA) defende que o processamento dos recursos naturais de Moçambique deve ser realizado internamente, como forma de garantir maior benefício direto para a população. A posição foi apresentada pelo diretor-geral da organização, Estevão Neves, durante a entrega formal de propostas à Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo.
No ato, a PRODEA afirmou-se como um ator relevante da sociedade civil, destacando o seu papel na representação de diversos segmentos sociais, incluindo comunidades locais, organizações de base, jovens, mulheres, líderes comunitários, líderes religiosos, estudantes, académicos, agentes económicos e desportistas. Segundo a organização, as propostas submetidas resultam de “um exercício democrático, inclusivo e imparcial”.
Durante a sua intervenção, Estevão Neves sublinhou a urgência de colocar os desafios ambientais no centro das prioridades nacionais de desenvolvimento.
“Moçambique enfrenta de forma recorrente cheias e secas em regiões já bem identificadas. Sugerimos o reforço da necessidade de aprimorar e fazer cumprir os instrumentos legais existentes, com vista à mitigação destes fenómenos”, afirmou.
No que diz respeito à legislação eleitoral, o responsável, em representação de 12 associações da sociedade civil — incluindo organizações da cidade de Maputo — reconheceu avanços significativos que permitem maior participação da sociedade civil, dos partidos políticos e do poder judicial.
Entre as propostas apresentadas, destaca-se a introdução da votação eletrónica. Contudo, a PRODEA alerta que o país deve, antes, assegurar condições fundamentais para a sua implementação.
“Iniciar é importante, mas preparar adequadamente é fundamental. Não basta imitar países que já adotaram esta prática; é preciso garantir preparação desde o topo até à base”, defendeu Estevão Neves, enfatizando a necessidade de expansão das tecnologias de informação e comunicação e da capacitação dos cidadãos.
Por sua vez, o presidente da Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo, Edson Macacuca, elogiou a iniciativa da PRODEA, destacando a importância das contribuições vindas de todas as províncias do país. Segundo Macacuca, as propostas da sociedade civil irão diversificar e enriquecer o processo de diálogo nacional.
Importa recordar que a PRODEA liderou a dinamização de um conjunto de 12 associações em todo o país, entre as quais se destacam a Associação para a Educação Cívica, Desenvolvimento Comunitário e Cidadania da Província de Maputo (ASSEDEC), a Associação pela Paz e Desenvolvimento da Cidade de Maputo, a Associação Desperta de Gaza, a Associação Comunitária Agro Esperança de Inhambane, a Associação da Cidadania, Reconciliação e Desenvolvimento de Sofala, a Associação de Educação para a Cidadania de Manica, a Associação para o Desenvolvimento e Empoderamento das Comunidades de Tete, a Associação Laços da Comunidade de Nampula, a Associação Moçambicana de Apoio às Vítimas de Conflitos e Desastres Naturais de Cabo Delgado, a Associação Amiga da Paz de Niassa, a Associação para Promoção da Paz, Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Zambézia, bem como grupos de mulheres e de pessoas com deficiência.
As contribuições destas organizações refletem uma ampla mobilização nacional da sociedade civil, reforçando o caráter participativo e inclusivo do processo em curso.




Governo congela salários mínimos enquanto custo de vida sufoca famílias

O Conselho de Ministros decidiu não alterar os salários mínimos na Função Pública no âmbito da nova tabela remuneratória, afastando, para já, qualquer possibilidade de aumento. A medida foi anunciada no final da habitual sessão semanal do Executivo.
O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, confirmou a decisão, sublinhando que “não está prevista qualquer revisão dos salários mínimos neste momento”, durante a comunicação feita à imprensa após o encontro governamental.
A decisão surge num cenário económico marcado pelo aumento do custo de vida, com sucessivas variações nos preços de bens essenciais e serviços. Esta conjuntura tem vindo a reduzir o poder de compra de muitas famílias moçambicanas, intensificando o debate público em torno da necessidade de actualização salarial na administração pública.
Apesar desse contexto, o Executivo defende que a manutenção dos níveis salariais atuais é uma medida necessária para assegurar o equilíbrio das finanças públicas. Segundo o porta-voz, “o Governo está comprometido com a estabilidade económica e a sustentabilidade financeira do Estado”, argumento utilizado para justificar a ausência de revisão dos mínimos.
Analistas ouvidos por este jornal consideram que a decisão poderá gerar descontentamento entre os funcionários públicos, sobretudo num período em que os custos de vida continuam a pressionar os rendimentos. Ainda assim, destacam que o Governo enfrenta um desafio delicado entre responder às demandas sociais e manter o controlo orçamental.
Com esta posição, o Executivo sinaliza uma abordagem cautelosa na gestão da despesa pública, num momento em que o país procura consolidar a recuperação económica e evitar desequilíbrios fiscais




ARENE mantém preços dos combustíveis e surpreende consumidores em Moçambique

Em uma decisão que apanhou muitos cidadãos de surpresa, o Conselho de Administração da Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) decidiu não proceder a qualquer alteração nos preços dos combustíveis no país, contrariando expectativas de um possível aumento que já vinha gerando preocupação entre consumidores.
A notícia, inicialmente inesperada para muitos que antecipavam um agravamento do custo de vida, foi recebida com alívio por parte de automobilistas e famílias que temiam um impacto direto no orçamento mensal.
Segundo um comunicado da ARENE, ao qual o jornal Visão Moçambique teve acesso, a entidade reguladora confirmou a manutenção dos preços atuais pelo menos até às 00h00 do dia 28 de abril, instruindo igualmente as empresas distribuidoras a respeitarem os valores em vigor até essa data.
“A ARENE informa que os preços dos combustíveis permanecem inalterados até às 00h00 do dia 28 de abril, devendo as gasolineiras manterem as tabelas atualmente em vigor”, refere o comunicado citado pelo Visão Moçambique.
A decisão surge num contexto em que o mercado internacional de combustíveis tem registado oscilações, o que vinha alimentando especulações sobre possíveis ajustamentos no mercado interno.
Por enquanto, a estabilidade anunciada traz algum alívio temporário aos consumidores, ainda que permaneça a expectativa sobre os próximos ajustes regulatórios no setor energético.




LMF leva 30 VIPs à abertura do Moçambola e levanta dúvidas sobre custos e logística

A Liga Moçambicana de Futebol (LMF) está a organizar a cerimónia de abertura do Moçambola com a presença de 30 convidados VIP provenientes de pontos do país, mas a logística e os encargos associados ao evento estão a gerar questionamentos.
De acordo com um comunicado oficial ao qual o Jornal Visão Moçambique teve acesso, a Associação Desportiva de Vilankulo (AD Vilankulo) será responsável por custear despesas de alojamento, alimentação e bebidas dos convidados. A LMF, por sua vez, compromete-se a suportar os custos relacionados com o transporte dessas individualidades até ao local do evento.
No entanto, um aspecto chama particularmente a atenção: embora a partida inaugural esteja marcada para a cidade da Maxixe, os VIPs deverão ficar hospedados em Vilankulo, localizada a várias dezenas de quilómetros do palco do jogo.
“O alojamento dos convidados será assegurado em Vilankulo, ficando a cargo da AD Vilankulo as despesas de estadia, refeições e bebidas”, refere o documento.
A decisão levanta questões logísticas e financeiras, sobretudo tendo em conta a necessidade de deslocação adicional entre as duas cidades no dia do evento. Para alguns observadores, trata-se de uma escolha que pode estar associada à promoção turística da região de Vilankulo, conhecida pelas suas estâncias balneares.
Ainda assim, surgem dúvidas quanto à razoabilidade de certos encargos. A inclusão explícita de despesas com bebidas no pacote suportado pela AD Vilankulo é vista por alguns como excessiva, num contexto em que clubes locais frequentemente enfrentam limitações financeiras.
“Há custos que são compreensíveis num evento desta dimensão, mas outros levantam debate sobre prioridades e gestão de recursos”, comentou uma fonte ligada ao desporto, sob anonimato.
Até ao momento, a LMF não se pronunciou publicamente sobre as críticas, mantendo-se o silêncio quanto aos critérios que orientaram estas decisões.




O silêncio das motas e o grito das cidades

Artigo de opinião:
Por Luís Vasconcelos – Um olhar atento

A partir de 1 de Maio de 2026, o som que durante anos marcou o ritmo das cidades moçambicanas — o zumbido ágil das motas — poderá transformar-se em silêncio forçado. Não por evolução natural do sistema de transportes, mas por imposição legal.

O Decreto n.º 78/2025 vem proibir a actividade de mototáxi nas zonas metropolitanas, abrangendo cidades como Maputo, Matola, Beira, Nampula e outras. À primeira vista, a medida pode parecer um passo rumo à organização urbana e à segurança rodoviária. Mas, olhando com atenção, revela-se um corte profundo numa das engrenagens mais resilientes da economia informal.

Durante anos, o mototáxi não foi apenas um meio de transporte. Foi refúgio económico. Foi alternativa para milhares de jovens sem emprego formal. Foi solução onde o Estado ainda não conseguiu chegar com eficácia. Cada mota na estrada representa mais do que mobilidade — representa sustento, dignidade e sobrevivência.

Retirar essa actividade de forma abrupta é, na prática, lançar milhares de famílias para uma incerteza imediata. É transferir para o cidadão comum o peso de uma decisão que não veio acompanhada de soluções visíveis.

Mas o impacto não se limita ao desemprego.

As cidades moçambicanas cresceram para além da sua capacidade de planeamento. Bairros distantes, ruas estreitas, acessos precários — realidades onde o transporte convencional raramente entra com eficiência. É nesses espaços que o mototáxi se tornou essencial. Não como luxo, mas como necessidade.

Sem ele, o que acontece?

A resposta é simples e preocupante: isolamento. Populações inteiras poderão ver-se privadas de mobilidade rápida. Trabalhadores chegarão mais tarde. Estudantes enfrentarão maiores dificuldades. Pequenos negócios perderão dinamismo. O tempo — esse recurso invisível — tornar-se-á ainda mais caro.

E há uma contradição que não pode ser ignorada: enquanto se critica o impacto das motas no trânsito, esquece-se que elas são, muitas vezes, a solução para o próprio congestionamento. Ágeis, adaptáveis, capazes de contornar o caos urbano, as motas preenchem falhas que o sistema formal ainda não conseguiu resolver.

Se o problema é a desordem, a resposta não deveria ser a proibição total, mas sim a organização. Regulamentar, formar, fiscalizar — caminhos mais difíceis, sim, mas também mais justos e sustentáveis.

Ao optar pela proibição, o Estado escolhe o caminho mais rápido, mas não necessariamente o mais eficaz.

E quando decisões desta magnitude são tomadas sem transição clara, sem diálogo amplo e sem alternativas concretas, o risco não é apenas económico — é social.

O silêncio das motas poderá, em breve, dar lugar a outro som: o da insatisfação.

Porque quando se retira o sustento de muitos sem oferecer caminhos, não se elimina um problema — transforma-se em outro, maior e mais profundo.

Moçambique precisa de ordem. Precisa de segurança. Mas precisa, acima de tudo, de equilíbrio.

E o verdadeiro desafio não está em proibir o movimento das motas, mas em garantir que, com elas fora das estradas, o país não fique parado.
Luís Vasconcelos- Um olhar atento




Governo pressiona Parlamento para aprovar banco de desenvolvimento e reformas no sector extractivo

Medidas são apresentadas como cruciais para dinamizar a economia, mas levantam questões sobre execução, transparência e impacto real
O Presidente da República, Daniel Chapo, solicitou à Assembleia da República o agendamento com carácter de urgência de um conjunto de propostas legislativas consideradas estratégicas para a economia nacional. No centro da iniciativa estão a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique e um pacote abrangente de reformas no sector extractivo.
Segundo fontes governamentais, o futuro banco público deverá concentrar-se no financiamento de projectos estruturantes, com o objectivo de mobilizar investimento e impulsionar o crescimento sustentável. “Pretende-se criar um instrumento financeiro capaz de responder às lacunas históricas de financiamento de longo prazo no país”, indicou uma fonte ligada ao processo.
Paralelamente, o Executivo propõe alterações profundas no quadro legal que rege os recursos naturais, incluindo a revisão das leis de minas e petróleos, bem como a introdução de uma nova Lei de Conteúdo Local. As reformas abrangem ainda ajustes no sector empresarial do Estado.
De acordo com o Governo, estas mudanças visam modernizar a legislação, reforçar a soberania nacional sobre os recursos naturais e promover a industrialização. “O pacote legislativo procura assegurar uma maior participação nacional na exploração e valorização dos recursos”, refere um documento oficial consultado pela nossa reportagem.
No entanto, analistas ouvidos levantam reservas quanto à capacidade de implementação efectiva das medidas. “A criação de instituições financeiras públicas exige elevados níveis de transparência e governação. Sem isso, há risco de repetição de falhas do passado”, alertou um economista que preferiu manter o anonimato.
Outros especialistas sublinham que a revisão das leis do sector extractivo poderá ter impacto significativo na atracção de investimento estrangeiro. “O equilíbrio entre soberania e competitividade será determinante para o sucesso destas reformas”, acrescentou.
O Governo defende que, em conjunto, as iniciativas têm como objectivo transformar os recursos naturais e os instrumentos financeiros em motores efectivos de desenvolvimento inclusivo e geração de emprego — uma meta ambiciosa num contexto económico ainda marcado por desafios estruturais.
A Assembleia da República deverá analisar as propostas nas próximas sessões, num debate que se antevê intenso e com implicações de longo alcance para o futuro económico do país.