PORTO DE MAPUTO ACELERA EXPANSÃO E APONTA CONCLUSÃO EM 2027

Investimento de 500 milhões de dólares reforça capacidade logística e antecipa novo ciclo de crescimento em 2028

O Porto de Maputo prevê concluir, no primeiro trimestre de 2027, a expansão dos terminais de contentores e de carvão, no quadro de um investimento estimado em 500 milhões de dólares, iniciado em 2024. O projecto visa reforçar a capacidade operacional da principal infra-estrutura portuária do País e consolidar o seu papel estratégico na região.



A informação foi avançada pelo director-executivo da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), Osório Lucas, à margem da 9.ª Conferência Bianual do Porto de Maputo.

“Devemos terminar a expansão do terminal de contentores no primeiro trimestre de 2027 e a expansão do terminal de carvão também no primeiro trimestre de 2027”, afirmou.

Segundo o gestor, o plano em curso integra a ampliação de terminais, modernização de infra-estruturas e aquisição de equipamentos de alta capacidade. A primeira fase decorre até finais de 2027 e deverá consolidar a eficiência logística do porto.

Novas obras e reforço de cais

Depois da recente expansão do terminal de carga geral, a próxima etapa inclui a construção de cerca de 400 metros de cais entre os espaços 2 e 4, com arranque previsto ainda este ano. Em paralelo, será lançado um concurso para estudos de aprofundamento do canal de acesso, visando permitir a entrada de navios de maior porte.

“O nível de conforto que temos é que estamos a cumprir na íntegra aquilo que foram os planos de desenvolvimento”, sublinhou Osório Lucas.

Equipamento reforça capacidade operacional

No terceiro trimestre deste ano, o porto deverá receber duas novas gruas móveis adquiridas ao fabricante Liebherr, avaliadas em cerca de 13 milhões de dólares cada.

“As gruas chegam entre Julho e Setembro. Cada uma tem capacidade de 65 toneladas e permitirá manusear cerca de 400 toneladas por hora, o que vai acelerar significativamente o nosso crescimento”, explicou.

Corredor de Maputo em crescimento

O desenvolvimento do porto está alinhado com o desempenho do Corredor de Maputo, que registou um crescimento de cerca de 8% na movimentação de mercadorias entre 2024 e 2025. No último ano, o Porto de Maputo atingiu um recorde de 32 milhões de toneladas manuseadas, mais 3,4% face ao período anterior.

Este crescimento resulta da intensificação do uso das infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, com destaque para o aumento do transporte por estrada e variações positivas no escoamento ferroviário.

Parcerias e integração logística

O plano de modernização envolve parceiros estratégicos como os Caminhos-de-Ferro de Moçambique e a concessionária Trans African Concessions, assegurando maior integração das cadeias logísticas.

A concessão do porto à MPDC vigora até 2058 e é suportada por uma parceria que inclui os Caminhos-de-Ferro de Moçambique e a Portus Indico, consórcio internacional do sector logístico.

Impactos externos sob vigilância

Apesar do desempenho positivo, a gestão do porto reconhece sinais de চাপ internacional, nomeadamente associados ao conflito no Médio Oriente, com efeitos no custo de fretes e em alguns atrasos operacionais.

“Ainda que reduzidos, os impactos fazem-se sentir sobretudo no aumento do custo de frete dos navios e em alguns atrasos no manuseamento”, referiu.

“De uma forma geral ainda não percebemos um impacto muito grande, mas estamos atentos e a desenhar planos de contingência”, acrescentou.

2028 no horizonte

Com a execução dos investimentos em curso, a expectativa da gestão é clara:

“A nossa expectativa é que o ano de 2028 seja um ano de realizações, face àquilo que são os investimentos que estamos a realizar neste momento.”

A conferência bianual, realizada sob o lema “Porto de Maputo: Alinhado com o Corredor, a Construir o Futuro”, reúne os principais intervenientes do sector para discutir soluções que reduzam custos logísticos, eliminem constrangimentos operacionais e reforcem a competitividade do corredor face aos desafios do comércio regional e internacional.

O Porto de Maputo entra, assim, numa nova fase de expansão — com mais capacidade, mais eficiência e maior peso estratégico na economia da África Austral.




Chapo acelera: “o comboio não espera” e APME aponta janela de investimento com impacto nas PME

A participação no Fórum de Negócios Moçambique–China 2026, realizado em Abril na província de Hunan sob liderança do Presidente Daniel Chapo, deixou entre empresários moçambicanos um sentimento de “optimismo renovado e pragmático”, marcado por uma mudança de tom: menos diplomacia, mais compromissos concretos.



Para Pedro Silva, presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME), “o evento não foi apenas protocolar; houve a assinatura de múltiplos acordos-quadro estratégicos”, com destaque para áreas emergentes como energia verde e biomedicina. Segundo o responsável, a mensagem foi clara: os investidores chineses são chamados a ir além da extracção de recursos e a apostar na transformação local de matérias-primas. “Isso abre portas para subcontratações e crescimento das PME nacionais”, afirmou.

Os sectores tradicionais — agricultura, mineração, energia e logística — mantêm-se como pilares da cooperação, mas a tónica na modernização tecnológica introduz “um novo fôlego para quem busca inovação”. Na leitura de Pedro Silva, “Moçambique está a posicionar-se como um destino competitivo”, com o Governo a assumir-se como facilitador de um processo liderado pelo sector privado.

Peso das PME e papel da APME

A APME representa um segmento que, segundo estimativas correntes no país, constitui mais de 90% do tecido empresarial e é responsável por uma fatia significativa do emprego urbano. A associação actua na defesa de melhores condições de acesso ao financiamento, simplificação de processos administrativos e capacitação empresarial.

Para Pedro Silva, o impacto dos acordos dependerá da capacidade de integrar as PME nas cadeias de valor. “Se não houver mecanismos claros de inclusão, o investimento pode não chegar à base empresarial”, advertiu, defendendo políticas activas de conteúdo local e programas de formação técnica alinhados com as novas áreas de investimento.

Urgência política e prioridades económicas

A urgência foi sublinhada pelo próprio Chefe de Estado. “O comboio já está a andar e o comboio não espera”, declarou Daniel Chapo, apelando à entrada célere de investidores no mercado nacional. A mensagem presidencial aponta para prioridades claras: infra-estruturas — como estradas, pontes e portos —, energia com ênfase nas renováveis, mineração e agricultura. O objectivo, frisou, é construir “com foco, resiliência e determinação” uma base sólida de autonomia económica.

Dados recentes indicam que o investimento directo estrangeiro em Moçambique continua fortemente concentrado nos megaprojectos extractivos, com menor penetração nas cadeias produtivas locais — um desequilíbrio que o Governo pretende corrigir com esta nova vaga de acordos.

Desafios estruturais travam tecnologia

No plano interno, os desafios permanecem evidentes. “Sem internet estável e energia, a tecnologia não escala”, alertou Pedro Silva, defendendo que o desenvolvimento tecnológico exige tanto infra-estruturas físicas como um ecossistema empresarial funcional. Apesar de reconhecer “uma juventude criativa que precisa de suporte estruturado para florescer”, aponta a escassez de capital de risco como entrave significativo.

Para ultrapassar essa limitação, defende a criação de redes de investidores-anjo e programas de consultoria capazes de apoiar startups, sobretudo nas áreas de gestão e marketing. “A chave está em transformar o potencial em eficiência operacional real”, concluiu.




Simoni Santi reeleito para terceiro mandato na Câmara de Comércio Moçambique–Itália

Nova direcção aposta na economia criativa, expansão provincial e reforço da cooperação bilateral

A Câmara de Comércio Moçambique–Itália reconduziu, esta quinta-feira, Simoni Santi à presidência da instituição para um terceiro mandato consecutivo, num movimento que sinaliza continuidade estratégica e consolidação institucional num contexto de crescente interdependência económica entre os dois países.



A eleição ocorreu durante a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais, num momento em que a organização procura ampliar o seu papel como plataforma de facilitação de investimentos, promoção empresarial e diplomacia económica.

Na sua intervenção, Santi interpretou a recondução como um voto de confiança das empresas associadas no desempenho da direcção cessante e na trajectória de crescimento sustentado da câmara, que agrega operadores económicos moçambicanos e italianos. O dirigente destacou, igualmente, o reforço da representatividade interna, com maior equilíbrio de género e a integração de novos actores empresariais.

“A eleição demonstra que as empresas confiam no trabalho desenvolvido e na capacidade de consolidar uma equipa mais forte e inclusiva”, afirmou, sublinhando a crescente presença feminina em posições de decisão.

Para o novo ciclo de governação, Santi definiu como eixos prioritários a promoção de projectos económicos estruturantes, o aprofundamento da cooperação com a diplomacia italiana e a melhoria do ambiente de negócios, com vista à atracção de investimento directo estrangeiro. Entre os constrangimentos identificados, destacou a necessidade de maior previsibilidade regulatória e o reforço do diálogo institucional com o Executivo moçambicano.

No plano bilateral, o embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Phillip Annis, anunciou uma agenda cultural e económica robusta para 2026, enquadrada nas comemorações dos 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países.

Embaixador da Itália em Moçambique Gabriele Phillip Annis

A programação contempla iniciativas nos sectores da música, artes plásticas, cinema, gastronomia e promoção da língua italiana, com enfoque particular na economia criativa enquanto vector de diversificação económica. Pela primeira vez, as actividades serão descentralizadas, abrangendo cidades como Pemba, Beira e Chimoio, além da capital, Maputo.

O diplomata defendeu a massificação destas iniciativas, com especial incidência sobre a juventude, e apelou a uma participação mais activa do sector privado, no quadro do reforço do chamado “Sistema Itália”, entendido como a articulação entre Estado, empresas e instituições culturais na projecção externa da economia italiana.

Inclusão e capital relacional como motores da nova vice-presidência

A nova vice-presidente da Câmara de Comércio Moçambique–Itália, Alima Hussein Sauji, enquadrou a sua nomeação como um avanço no reforço da inclusão institucional e no equilíbrio de género, apontando para uma abordagem mais abrangente na mobilização de capital humano e empresarial.

Alima Hussein sauji vice-presidente da Câmara de Comércio Moçambique -Itália

Segundo Sauji, a estratégia para o mandato passa por ampliar a participação das mulheres empresárias nas dinâmicas da câmara, tanto em Moçambique como em Itália, ao mesmo tempo que se intensificam as parcerias económicas bilaterais.

A dirigente destacou a urgência de reformas no ambiente de negócios, com particular incidência na redução da burocracia administrativa e na criação de condições mais competitivas para o investimento.

“Itália é um dos principais investidores em Moçambique e possui elevado conhecimento tecnológico. Queremos capitalizar essa experiência para impulsionar o empresariado nacional e promover investimentos conjuntos”, afirmou.

No plano operacional, a nova direcção pretende acelerar a expansão territorial da câmara, levando as suas actividades a outras províncias, numa lógica de descentralização económica e inclusão produtiva. A iniciativa visa dinamizar mercados regionais, reduzir assimetrias e criar novas oportunidades de integração empresarial ao nível nacional.

A recondução de Santi e a entrada de Sauji na vice-presidência surgem, assim, alinhadas com uma visão de continuidade reformista, assente na modernização institucional, diversificação económica e fortalecimento das relações Moçambique–Itália num cenário global cada vez mais competitivo.




APME felicita Governo pelo pagamento ao FMI e exige tratamento igual para empresários nacionais

Associação defende que regularização da dívida externa deve ser acompanhada pela liquidação das dívidas internas

A felicitou o Governo pelo pagamento integral da dívida ao , considerando o acto como um sinal positivo de credibilidade financeira do País.



No entanto, no mesmo comunicado de imprensa, a associação levanta uma exigência clara quanto ao tratamento das obrigações internas, defendendo que o mesmo compromisso demonstrado junto de parceiros internacionais deve ser aplicado às dívidas do Estado para com empresários nacionais.

Em citação directa, a APME afirma: “A APME reitera a sua total disponibilidade para o diálogo construtivo com o Executivo, com vista à identificação de soluções céleres e eficazes que garantam a sustentabilidade das empresas e o crescimento económico do País.”

A organização sublinha ainda a importância da “dinâmica da economia interna”, apontando implicitamente para os impactos negativos que o incumprimento de pagamentos internos tem vindo a provocar no sector privado.

A posição da APME reflecte uma preocupação recorrente do empresariado nacional, que defende maior equidade na gestão das obrigações do Estado, sobretudo num contexto em que o cumprimento rigoroso de compromissos externos contrasta com atrasos nas responsabilidades internas.

Com este posicionamento, a associação procura pressionar o Executivo a adoptar uma abordagem mais equilibrada, em que a credibilidade externa seja acompanhada por justiça económica no plano interno.




Pedro Silva Eleito Presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas

O empresário Pedro Henrique Fernandes Da Silva é o novo presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME), após ter sido eleito pelos membros da agremiação durante uma conferência realizada na última quinta-feira, na cidade de Maputo. Da Silva disputou a presidência com Emilson António Dava, no âmbito de um processo eleitoral previamente validado pela Comissão Eleitoral da organização.



De acordo com os dados oficiais, o processo visava o preenchimento de uma vaga para Presidente e duas vagas para Vice-Presidentes do Conselho de Direcção, tendo sido eleito o candidato que obteve o maior número de votos validamente expressos. Pedro Henrique Fernandes Da Silva já vinha liderando a organização de forma interina desde meados de 2025, na sequência da saída do seu antecessor, Osvaldo Maute.

No seu discurso de tomada de posse, o novo presidente afirmou que a sua gestão será orientada para o fortalecimento das pequenas e médias empresas (PMEs) e para a criação de melhores condições para o desenvolvimento do sector. Destacou a urgência de resolver problemas financeiros crónicos, sublinhando que os empresários não podem continuar a esperar entre 60 a 90 dias para receber o pagamento das suas facturas.

O dirigente fez um apelo directo ao Executivo, salientando que o governo não pode ser o maior devedor das PMEs, uma vez que os atrasos nos pagamentos prejudicam gravemente a sobrevivência das empresas.

“Se queremos fortalecer as PMEs, não podemos deixá-las para o último lugar”, alertou, acrescentando que a robustez da economia depende directamente do pleno funcionamento destas instituições.
Pedro Henrique Fernandes Da Silva concluiu reafirmando o seu compromisso em defender os interesses da classe, lembrando que o dinheiro em circulação é, de facto, o que movimenta e dinamiza a economia de um país.




Farmácias de Moçambique apostam na inovação digital para ampliar acesso a medicamentos

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O administrador das Farmácias de Moçambique, Gustavo da Cruz, destacou a aposta da instituição na modernização e digitalização dos serviços farmacêuticos como estratégia para ampliar o acesso da população a medicamentos de qualidade e a preços acessíveis. A intervenção ocorreu durante o segundo painel do Leadership Circle Mozambique, dedicado ao tema “Motores da Economia: sectores-chave que irão impulsionar o ciclo de crescimento”.



Gustavo Da Cruz Administrador Das Farmácias de Moçambique

Na ocasião, o responsável sublinhou que o encontro permitiu discutir tendências e perspectivas de desenvolvimento para sectores estratégicos da economia nacional, incluindo o da saúde. Segundo explicou, as Farmácias de Moçambique procuram introduzir no mercado nacional um diferencial ainda pouco explorado, assente na garantia de disponibilidade de produtos farmacêuticos de qualidade a custos mais acessíveis para a população.

Enquanto braço estratégico do Estado moçambicano no sector empresarial público, sob gestão accionista do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), a instituição pretende igualmente transformar o conceito tradicional de farmácia, tornando-o mais inclusivo, moderno e orientado para as necessidades da população.

Entre as iniciativas em curso, destaca-se a incorporação de novas tecnologias no processo de disponibilização de medicamentos. A aposta surge também como resposta ao desafio lançado pelo Presidente da República para que os diferentes sectores, incluindo o da saúde, avancem com a digitalização dos seus serviços.

Gustavo Da Cruz Administrador Das Farmácias de Moçambique

Neste contexto, Gustavo da Cruz anunciou o lançamento, para o este ano, da FARMAC Connect, considerada a primeira plataforma de farmácia digital no país. O projecto inclui igualmente a introdução de dispensadores automáticos de medicamentos, inspirados no modelo das caixas automáticas (ATM), que permitirão aos cidadãos adquirir determinados produtos farmacêuticos a qualquer hora.

De acordo com o administrador, a iniciativa visa sobretudo reforçar o acesso a medicamentos nas zonas periurbanas e rurais, onde muitas vezes a disponibilidade de serviços farmacêuticos é limitada. Além de aproximar os medicamentos da população, a solução tecnológica poderá contribuir para a redução dos custos operacionais da empresa.

“O nosso foco é garantir que os medicamentos cheguem a quem realmente precisa. Como empresa do sector empresarial do Estado, temos a responsabilidade de assegurar que os produtos disponíveis no mercado sejam de qualidade e capazes de responder às necessidades de saúde da população”, afirmou.

O painel integrou o programa do Leadership Circle Mozambique, evento promovido pela The Business Year em parceria com o Ministério da Economia e a Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX) Moçambique, reunindo representantes do sector público e privado para debater estratégias de crescimento económico e desenvolvimento sustentável no país.




Lucas Chachine assume liderança da Câmara de Comércio de Moçambique com aposta na modernização e inclusão

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Maputo– A Câmara de Comércio de Moçambique (CCM) tem um novo presidente. Lucas Chachine tomou posse recentemente, em Maputo, após ser eleito pelos órgãos sociais da instituição, que integram representantes de Maputo, Beira e Nampula. A nova liderança assume funções num contexto económico desafiante, mas marcado por oportunidades ligadas à inovação, transformação digital e ao crescimento do empreendedorismo nacional.



No discurso de investidura, Lucas Chachine começou por reconhecer o trabalho da Direcção Executiva cessante, destacando os avanços alcançados ao longo dos últimos quatro anos. Entre os marcos do mandato anterior, apontou a reabilitação do edifício-sede da Câmara, que simboliza estabilidade e renovação institucional, bem como o reforço da presença nacional e internacional da CCM, hoje posicionada como uma voz activa e credível do sector privado moçambicano.

Ao assumir a presidência, Chachine sublinhou que o cargo representa mais do que uma honra: trata-se de uma responsabilidade que exige visão estratégica e capacidade de resposta às exigências actuais do tecido empresarial. O novo presidente defende uma Câmara mais moderna, inclusiva, digital e orientada para resultados concretos para os seus membros e para o desenvolvimento económico do país.

Segundo Chachine, as empresas moçambicanas continuam a enfrentar desafios estruturais, como burocracia excessiva, dificuldades de financiamento, instabilidade em algumas regiões e um ambiente económico global cada vez mais competitivo. No entanto, considera que o país atravessa um momento decisivo, com oportunidades impulsionadas pela juventude empreendedora, pela inovação tecnológica e pelo elevado potencial económico nacional.

É neste cenário que surge o manifesto da nova direcção, assente nos pilares da responsabilidade, inovação e colaboração. Mais do que um documento programático, o manifesto é apresentado como um compromisso de acção, que deverá orientar um Plano Estratégico sólido e executável para os próximos anos.

Entre as prioridades anunciadas está o reforço institucional da Câmara de Comércio de Moçambique, com investimentos na digitalização dos serviços, melhoria da transparência na governação e capacitação da equipa técnica. A nova direcção pretende tornar a CCM mais acessível e próxima dos seus associados, através de plataformas digitais funcionais, comunicação activa e métricas claras de desempenho.

O apoio directo aos membros surge como outro eixo estratégico, com a criação de oportunidades de networking, facilitação do comércio externo, mediação de conflitos, organização de missões empresariais e grupos sectoriais, além de uma actuação mais firme de advocacia junto do Governo para a melhoria do ambiente de negócios.

Lucas Chachine reafirma ainda o papel da Câmara como parceiro estratégico do desenvolvimento económico nacional, com especial atenção a sectores como agricultura, turismo, transportes, construção, pescas, mineração e energia, sem descurar os sectores transversais que sustentam o crescimento económico e social.

A inclusão social e económica ocupa também um lugar central na agenda do novo presidente. A promoção do empreendedorismo feminino e juvenil, o incentivo à liderança jovem e o investimento em inovação fazem parte das prioridades, com destaque para incubadoras, programas de mentoria, formação em tecnologias emergentes, marketing digital e novas formas de monetização da economia digital.

No plano financeiro, a nova liderança compromete-se com uma gestão rigorosa, baseada na transparência, prestação de contas e sustentabilidade. Estão previstas auditorias regulares, diversificação das fontes de receita e modernização dos sistemas de gestão, com o objectivo de reforçar a confiança e a credibilidade institucional.

A aposta em parcerias estratégicas com o Governo, instituições de ensino, embaixadas, agências de desenvolvimento e parceiros internacionais completa a visão apresentada, assente no diálogo permanente e na construção de soluções conjuntas para o fortalecimento do sector privado.

Para Lucas Chachine, o sucesso do mandato dependerá do envolvimento activo dos associados. A nova direcção pretende deixar um legado de inovação, crescimento e relevância institucional, consolidando a Câmara de Comércio de Moçambique como uma instituição verdadeiramente ao serviço do desenvolvimento económico do país.

Dixon Chongo assume Vice-Presidência da Câmara de Comércio de Moçambique

A eleição de Dixon Chongo para o cargo de Vice-Presidente da Câmara de Comércio de Moçambique marca uma nova etapa para o sector privado nacional, assente na coesão empresarial, sustentabilidade económica e aposta na juventude e na inovação digital.

De acordo com o dirigente, o processo eleitoral demonstrou a maturidade do empresariado moçambicano, que se apresentou mais unido e responsável, reforçando a continuidade de uma direcção orientada para resultados. “Queremos consolidar uma Câmara de Comércio coesa, virada a resultados e comprometida com a sustentabilidade”, afirmou.

Entre as prioridades da nova liderança está o reforço da sustentabilidade fiscal, defendendo que as empresas desempenham um papel fundamental na geração de receitas para o Estado, contribuindo para o fortalecimento das finanças públicas, sem comprometer o crescimento e a lucratividade do sector privado.

Outro eixo estratégico destacado por Chongo é a valorização da juventude e da economia digital. O vice-presidente defende a criação de um quadro legal moderno e sustentável que permita aos jovens, incluindo influenciadores digitais e produtores de conteúdos, transformarem inovação em riqueza. “Queremos uma juventude dedicada, empreendedora e capaz de gerar riqueza, à semelhança do que acontece noutras partes do mundo”, sublinhou.

A tomada de posse teve lugar em Maputo, com participação virtual das cidades da Beira e Nampula, envolvendo todos os órgãos sociais da instituição. Actualmente, a Câmara de Comércio de Moçambique conta com mais de mil membros, consolidando-se como uma das principais plataformas de representação do sector empresarial no país.




Dívida pública limita investimento social em Moçambique, alerta OXFAM

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A crescente pressão da dívida pública sobre o Orçamento do Estado continua a comprometer a capacidade de Moçambique investir de forma sustentável em sectores sociais essenciais, como saúde e educação. O alerta foi feito por Helena Chikela, representante da OXFAM em Moçambique, durante a apresentação de um estudo recente sobre a interação entre a dívida pública e o investimento social no país.



O estudo, intitulado “Das aspirações à realidade: a interação entre a influência da dívida e as decisões de investimento público em Moçambique (2015–2024)”, foi elaborado por um consultor externo e analisa, com particular enfoque no período entre 2021 e 2024, como o serviço da dívida tem condicionado as decisões de investimento do Estado.

Segundo Helena Chikela, os resultados revelam que as obrigações financeiras associadas à dívida reduzem significativamente a margem fiscal do Governo, limitando a sua capacidade de responder às necessidades básicas da população. “As obrigações da dívida têm implicações diretas no investimento público e afetam, de forma particular, as áreas sociais”, explicou.

A responsável destacou ainda que este cenário não é exclusivo de Moçambique. A análise comparativa realizada com outros países africanos mostra que grande parte do continente enfrenta desafios semelhantes, marcados por uma forte pressão orçamental que impede investimentos adequados nos sectores sociais, devido ao elevado custo do serviço da dívida.

Para a OXFAM, o estudo representa uma contribuição relevante para o debate sobre políticas públicas e gestão da dívida, ao apresentar recomendações dirigidas aos diversos atores da sociedade, incluindo o Governo, a sociedade civil e parceiros de cooperação. O objetivo é encontrar mecanismos que permitam proteger o investimento social, mesmo num contexto de elevados compromissos financeiros.

“A erradicação da pobreza é o centro da missão da OXFAM. Sem investimento consistente em saúde e educação, esse objetivo torna-se inalcançável”, sublinhou Helena Chikela, reafirmando o compromisso da organização em Moçambique e a nível global.




Amado Mabasso é o Novo Presidente da AMEPETROL

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Os membros da Associação Moçambicana das Empresas Petrolíferas (AMEPETROL) elegeram, esta semana, Amado Mabasso como novo Presidente da organização, por unanimidade, para um mandato de cinco anos. O processo decorreu sem contestação e com consenso total entre os associados.



A eleição acontece num momento sensível para o sector petrolífero nacional. Actualmente, os operadores enfrentam pressão regulatória, custos logísticos elevados e incerteza no mercado. Por isso, a escolha de Mabasso surge como sinal de estabilidade institucional.

Além disso, o sector reconhece a necessidade de maior articulação entre empresas e Estado. Nesse contexto, os associados apostaram numa liderança com capacidade de diálogo e coordenação.

Entretanto, a nova direcção da AMEPETROL integra empresas com forte presença no mercado nacional de combustíveis. A I2A assume a Presidência. A Exor ocupa a Vice-Presidência. Já a MITRA Energy exerce as funções de 1.º Vogal.

Por sua vez, a Galp passa a desempenhar o cargo de 2.º Vogal. A Puma Energy completa a direcção como 3.º Vogal. Assim, a associação reúne operadores com experiência efectiva na cadeia de abastecimento.

Segundo fontes do sector, esta composição garante equilíbrio e representatividade. Ao mesmo tempo, reforça a capacidade técnica da associação. Como resultado, o sector espera maior previsibilidade no funcionamento do mercado.

Nos últimos anos, a AMEPETROL consolidou o seu papel como interlocutor junto do Estado. Em particular, tem actuado em matérias ligadas ao abastecimento, preços e logística. Agora, o novo mandato deverá reforçar essa função.

Com a eleição concluída, Amado Mabasso inicia funções à frente da AMEPETROL até 2031. Até lá, enfrentará um sector em transformação. Ainda assim, a associação aposta numa liderança focada na estabilidade e no interesse económico nacional.




Moçambique e Estados Unidos reforçam cooperação: Doação de Kits de Malária e interesses estratégicos em Gás, Energia e Infraestruturas

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O Governo de Moçambique intensificou, nos últimos dias, contactos estratégicos com entidades governamentais e empresariais norte-americanas, numa ofensiva diplomática que combina saúde pública, grandes projectos de infraestruturas e investimentos nos sectores do gás, energia e recursos minerais.



Um dos pontos de destaque desta aproximação é a doação de 10 mil kits de diagnóstico de malária pela empresa norte-americana Dayak Health, num contexto em que a doença continua a representar um dos maiores desafios de saúde pública no país. Dados partilhados pelas autoridades indicam um aumento de cerca de 14% dos casos de malária nos últimos nove meses, pressionando ainda mais o sistema nacional de saúde, sobretudo nas zonas rurais.

A Dayak Health manifestou disponibilidade para ir além da doação imediata, assumindo a intenção de instalar unidades de produção de kits de diagnóstico em Moçambique, com impacto direto na criação de emprego e na expansão do acesso a meios de testagem, não só para o mercado nacional, mas também para países da região.

Os kits doados incorporam tecnologia de rastreio digital, permitindo não apenas o diagnóstico e tratamento rápido, mas também a recolha de dados epidemiológicos em tempo real, considerados cruciais para a planificação, monitoria e tomada de decisão em políticas públicas de saúde.

MCC mantém Projecto com ajustes e possível expansão

Ainda em Washington, a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação manteve encontros com a direcção executiva para África do Millennium Challenge Corporation (MCC), onde foi reiterada a continuidade do programa compacto em Moçambique, embora com ajustes técnicos e operacionais.

O foco principal do projecto permanece na província da Zambézia, com destaque para a construção da ponte sobre o rio Lúrio, uma infraestrutura considerada estratégica para a mobilidade, integração económica e acesso a mercados. No entanto, o Governo moçambicano apresentou argumentos para a ampliação da intervenção, tendo sido acolhida a possibilidade de inclusão de troços rodoviários na província de Nampula, uma das mais populosas do país.

Gás, Energia e Grafite no centro das atenções

A cooperação bilateral ganhou ainda maior densidade política nas conversações com o vice-secretário do Departamento de Estado norte-americano. Segundo a diplomacia moçambicana, os Estados Unidos consideram o projecto de gás natural em Moçambique, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, como um dos seus principais investimentos estratégicos em África.

Para além do gás, Washington demonstrou interesse continuado no projecto de grafite de Balama, bem como no potencial de Moçambique como fornecedor regional de energia eléctrica, num contexto em que o país é visto como peça-chave para a segurança energética da África Austral.

Segurança continua a ser condição central

Apesar do ambiente de cooperação, os Estados Unidos sublinharam a necessidade de Moçambique reforçar a segurança interna, com enfoque no combate ao terrorismo, ao crime organizado e à protecção de infraestruturas críticas. A estabilidade continua a ser apresentada como condição essencial para a consolidação dos investimentos e para a credibilidade internacional do país.

No conjunto, os encontros em Washington revelam uma estratégia clara de Maputo: transformar desafios estruturais em oportunidades de cooperação, num equilíbrio delicado entre ajuda humanitária, interesses económicos e exigências de governação e segurança.