Presidente Chapo anuncia Plano Director e criação de nova entidade para pôr ordem no Porto da Beira

resized-image (59)

Congestionamento de camiões atinge até 15 quilómetros na única via de acesso ao recinto portuário

Beira, Moçambique – O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu a criação urgente de um Plano Director de Desenvolvimento e de uma nova entidade gestora para impor disciplina, coordenação e eficiência no Porto da Beira, uma das infra-estruturas estratégicas do país. A posição foi assumida após uma visita presidencial ao porto, onde tomou contacto directo com o funcionamento e os constrangimentos operacionais existentes.



Daniel Chapo afirmou que o lançamento da primeira pedra para a construção de uma nova estrada de acesso directo ao porto, ocorrido na passada sexta-feira, embora necessário, não será suficiente para resolver o problema do congestionamento de camiões, que em alguns momentos chega a atingir 15 quilómetros na única via de acesso ao recinto portuário.

Segundo noticiou a STV Notícias, no seu canal oficial do YouTube, os problemas identificados no interior do Porto da Beira são de natureza diversa, abrangendo os sectores de combustíveis, carga geral e contentores. Esta realidade levou à conclusão de que o porto carece de um plano director integrado, capaz de orientar o seu crescimento e funcionamento de forma coordenada.

Falta de coordenação compromete eficiência

O Chefe de Estado explicou que está em análise a criação de uma entidade específica com poderes para impor disciplina no Porto da Beira. A necessidade surge do facto de a infra-estrutura contar com múltiplas concessões e várias entidades, públicas e privadas, que realizam investimentos de forma isolada, sem articulação estratégica.

Segundo Chapo, esta fragmentação não resolve o problema central, que é a eficiência operacional do porto. A falta de coordenação envolve instituições públicas, como a Autoridade Tributária e as Alfândegas, bem como operadores privados, incluindo a Cornelder de Moçambique e a Cumba.

O objectivo, sublinhou, é reunir todos os intervenientes à mesma mesa para desenhar um plano director comum, alinhado com o sector privado, que é directamente penalizado pelos congestionamentos e pela lentidão no escoamento de mercadorias.

A urgência em melhorar o desempenho do porto é reforçada pelas reclamações recorrentes dos países do hinterlandZimbabué, Malawi e Zâmbia –, parceiros regionais que dependem do Corredor da Beira para o acesso aos mercados internacionais.

Porto seco em Dondo como eixo logístico

Para além da nova entidade gestora e do plano director, o Presidente anunciou um segundo eixo estratégico: a construção de um porto seco no círculo de Dondo, concebido para funcionar como um centro logístico de referência regional.

Daniel Chapo falava à imprensa após ter participado, como convidado especial, na cerimónia de assinatura do contrato para a aquisição de dois novos guindastes pela Cornelder de Moçambique. Na ocasião, a empresa detalhou investimentos em curso no Terminal de Petróleos e revelou ter aplicado mais de 826 milhões de dólares no Porto da Beira ao longo dos últimos anos.

Fronteiras de paragem única e digitalizadas

Na mesma intervenção, o Presidente da República assegurou que estão em curso avanços significativos para resolver os problemas de congestionamento nas fronteiras de Machipanda e Ressano Garcia.

O Governo pretende transformar ambos os postos em fronteiras de paragem única e digitalizadas, permitindo maior fluidez na entrada e saída de camiões e mercadorias. A digitalização deverá assegurar que a informação de desembaraço aduaneiro processada em Moçambique esteja imediatamente disponível nas fronteiras vizinhas, como a do Zimbabué, eliminando paragens redundantes para os transportadores.

O Porto da Beira continua a ser um nó vital da economia nacional e regional. Hoje, funciona com vários actores, muitos interesses e pouca coordenação. Sem um plano comum e uma entidade que mande, o congestionamento não é acidente. É consequência.




Seca severa provocada pelo El Niño força HCB a cortar produção e antecipa forte quebra de receitas em 2025

resized-image (58)

Baixa cota hídrica leva a restrições operacionais e projeta queda de quase 50% no resultado líquido da hidroeléctrica

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) enfrenta um dos cenários financeiros mais exigentes dos últimos anos, como consequência directa da seca severa associada ao fenómeno El Niño. A irregularidade das chuvas registada nos últimos dois anos comprometeu o enchimento da albufeira e obrigou a empresa a reduzir drasticamente a produção de energia.



A cota actual da albufeira encontra-se abaixo dos 308 metros, um nível considerado crítico, tendo em conta que o limite superior de operação normal é a cota 326. A escassez de água, principal matéria-prima da hidroeléctrica, forçou a HCB a ajustar a produção em função da disponibilidade hídrica, de modo a preservar níveis sustentáveis do reservatório para os próximos anos.

Segundo noticiou a STV Notícias, no seu canal oficial do YouTube, apenas quatro dos cinco grupos geradores da HCB estão actualmente em funcionamento. O nível mínimo de produção recentemente registado foi de 900 megawatts (MW), muito abaixo da potência instalada total de 2.075 MW.

Impacto financeiro e fiscal significativo

As projecções de produção para o presente exercício apontam para uma redução de cerca de 6.000 gigawatts-hora (GWh) face ao ano anterior. Esta quebra terá reflexo directo nas receitas da empresa.

O director de Planeamento, Organização e Método da HCB explicou que as receitas previstas para este ano situam-se pouco acima dos 21 mil milhões de meticais, contra os 34 mil milhões de meticais registados em 2024. A diferença representa uma queda expressiva no volume de negócios.

Como consequência, o resultado líquido projectado para o final do exercício deverá situar-se perto de 50% abaixo do valor alcançado no ano passado.

Enquanto um dos maiores contribuintes fiscais do país, a HCB verá igualmente reduzida a sua contribuição para o Estado. A diminuição do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC) terá impacto directo nas receitas públicas. Paralelamente, a quebra do resultado líquido limita a capacidade da empresa de garantir retorno aos seus accionistas.

Medidas de mitigação e visão estratégica

Para atenuar o impacto da redução das vendas de energia, a HCB adoptou duas medidas imediatas. A primeira consiste na rentabilização das disponibilidades financeiras, através de aplicações no mercado que têm assegurado retornos positivos. A segunda passa por um controlo mais rigoroso dos custos operacionais.

No plano técnico, a empresa aposta na previsibilidade climática como instrumento de mitigação de riscos. Para o efeito, mantém a partilha diária de dados hidrológicos com entidades regionais, incluindo a barragem de Kariba, gerida por Zimbabué e Zâmbia, e o sistema do rio Kafue, na Zâmbia.

Apesar das dificuldades actuais, a HCB mantém uma estratégia de crescimento a médio e longo prazo. No âmbito do programa CAPEX Vital, a empresa projecta, para os próximos dez anos, a reabilitação e modernização da central hidroeléctrica, a construção de uma central fotovoltaica e a implementação da central norte, com vista ao aumento da capacidade de produção e fornecimento de energia a nível nacional e regional.

A redução da produção na HCB, provocada pela seca, surge como um alerta claro sobre a forte dependência das fontes hídricas. Num contexto de mudanças climáticas, a natureza revela-se tão determinante para o desempenho financeiro de uma empresa como qualquer variável de mercado.




PRESIDENTE DANIEL CHAPO INAUGURA PRIMEIRA FÁBRICA DE GÁS DE COZINHA DO PAÍS EM INHASSORO

1764837111793.jpeg

 Moçambique deu, esta semana, um passo histórico rumo à independência energética com a inauguração da primeira fábrica nacional de produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), vulgarmente conhecido por gás de cozinha. O acto foi dirigido pelo Presidente da República, Daniel Chapo, numa cerimónia que contou igualmente com a presença do Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, num gesto que reforça a cooperação estratégica bilateral.

A nova unidade industrial está integrada no Projecto de Infra-estrutura Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos (IPF) e marca o início da transformação local do gás produzido em território moçambicano, rompendo com a forte dependência externa que, durante décadas, obrigou o país a importar praticamente todo o gás de cozinha consumido pelas famílias.

Com a entrada em funcionamento da unidade de Inhassoro, Moçambique passará a produzir internamente cerca de 75% do gás de cozinha que consome, reduzindo drasticamente as importações, os custos logísticos e a exposição às oscilações do mercado internacional.

Na sua intervenção, o Presidente Daniel Chapo destacou que esta infra-estrutura representa “um ganho directo para a economia nacional, para as famílias e para o futuro industrial do país”, sublinhando que a produção local do GPL permitirá maior estabilidade de preços e maior acesso da população à energia limpa.

> “Estamos a colocar Moçambique na rota da auto-suficiência energética e da transformação local dos nossos recursos. O gás deixa de sair em bruto e passa a gerar valor dentro do país”, afirmou o Chefe do Estado.

A presença do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, deu um peso diplomático adicional ao evento, reflectindo a dimensão regional do projecto. Ramaphosa enalteceu a cooperação histórica entre Moçambique e a África do Sul no sector energético e afirmou que a IPF “representa um exemplo concreto da integração económica da SADC”.

Segundo fontes do sector, parte da produção poderá, no futuro, abastecer mercados da região, reforçando a posição de Moçambique como actor relevante na cadeia energética da África Austral.

Durante a fase de construção, o projecto gerou mais de 1.600 postos de trabalho, maioritariamente ocupados por cidadãos nacionais, com destaque para jovens das comunidades circunvizinhas. Na fase de operação, a unidade irá assegurar dezenas de empregos permanentes, criando rendimento estável para famílias da província de Inhambane.

Para as autoridades locais, a instalação da fábrica representa igualmente uma oportunidade para o desenvolvimento de serviços, comércio e infra-estruturas complementares, dinamizando a economia do distrito de Inhassoro.

O Governo considera que o aumento da disponibilidade de gás de cozinha no mercado nacional terá impacto directo na redução do uso de lenha e carvão vegetal, contribuindo para a preservação das florestas e para a melhoria das condições de saúde das famílias, sobretudo nas zonas urbanas e periurbanas.

Especialistas do sector energético apontam ainda ganhos significativos na redução da poluição doméstica e na promoção de hábitos mais sustentáveis no consumo de energia.

A inauguração da IPF simboliza um ponto de viragem: Moçambique começa a transformar, em território nacional, um recurso estratégico que até aqui era essencialmente exportado em estado bruto. Trata-se de um avanço claro no processo de industrialização, diversificação da economia e valorização da cadeia de recursos naturais.

Com este empreendimento, o país entra numa nova fase, em que o gás passa a ser motor de desenvolvimento interno, criação de emprego, geração de riqueza e fortalecimento da soberania energética.

Em resumo, a fábrica de Inhassoro não é apenas uma unidade industrial: é um sinal claro de que Moçambique quer deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passar a ser produtor, transformador e protagonista do seu próprio destino energético.




ECONOMIA DIGITAL PASSA A PAGAR IMPOSTOS EM MOÇAMBIQUE

IMG-20251202-WA0024.jpeg

 O Governo moçambicano aprovou, esta terça-feira, durante a 41.ª Sessão do Conselho de Ministros, um conjunto de propostas de lei que introduzem, pela primeira vez, a tributação da economia digital no país. A decisão representa um passo estratégico na modernização do sistema fiscal nacional e no alinhamento de Moçambique às novas dinâmicas da economia global.

A nova abordagem fiscal foi integrada no pacote de reformas do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS) e do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC). Com estas alterações, passam a estar formalmente enquadradas no sistema tributário moçambicano as transacções e serviços prestados por plataformas digitais, tanto nacionais como estrangeiras.

Segundo o Executivo, a medida tem como principal objectivo alargar a base tributária, combater a evasão fiscal, garantir maior justiça fiscal entre os operadores da economia tradicional e os do sector digital, bem como assegurar a sustentabilidade das receitas do Estado, num contexto de crescente digitalização dos serviços e do comércio.

No quadro do IRPS, a proposta de lei introduz uma taxa liberatória de 10% sobre os rendimentos provenientes da transmissão de bens e da prestação de serviços por meios digitais. Estão igualmente previstas novas regras para a tributação autónoma das mais-valias, sobretudo aquelas resultantes de operações efectuadas em ambientes digitais.

Já no domínio do IRPC, as mudanças incluem o encurtamento do período necessário para a constituição de estabelecimento estável, passando a ser mais célere a sujeição das empresas digitais ao regime fiscal moçambicano. As propostas eliminam ainda distorções entre os diferentes regimes de tributação, criando um ambiente mais equilibrado para a concorrência entre empresas tradicionais e plataformas digitais.

O Governo defende que a economia digital, pela sua natureza transfronteiriça e de rápido crescimento, não pode continuar fora do radar fiscal, sob pena de se perpetuarem injustiças tributárias e perdas significativas de receitas para o Estado. Com esta reforma, Moçambique passa a acompanhar a tendência internacional de enquadramento fiscal das grandes plataformas tecnológicas e dos serviços digitais.

As propostas aprovadas seguem agora para a Assembleia da República, onde serão debatidas nas comissões especializadas antes da sua apreciação e votação em plenário. Caso sejam aprovadas, as novas regras poderão entrar em vigor já no próximo exercício fiscal.

Especialistas ouvidos consideram a medida oportuna, mas alertam para a necessidade de reforço da capacidade técnica da Autoridade Tributária e de campanhas de sensibilização junto dos operadores digitais, para garantir uma implementação eficaz e sem sobressaltos.

Tradução simples: a era do “fazer dinheiro na internet sem pagar impostos” em Moçambique está com os dias contados. A modernização chegou — tarde, mas chegou.




África: Veículos chineses circulam em Joanesburgo na Cimeira do G20

resized-image%20(23).jpeg

A estreia da Cimeira de Líderes do G20 no continente africano, realizada no Sábado na capital económica sul-africana, ficou marcada pela forte presença de viaturas chinesas a fazer o vaivém entre o aeroporto, hotéis e locais do evento, conferindo um toque distintamente chinês ao encontro.



Fabricantes chineses forneceram centenas de viaturas para integrar a frota oficial da cimeira, com a Jetour a disponibilizar 70 unidades, o maior número entre as marcas chinesas. O acordo para o fornecimento dos veículos foi fechado em Fevereiro, através do Ministério das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul.

O Presidente da Jetour International, Ke Chuandeng, recordou que o Ministério aprovou rapidamente a parceria depois de analisar o modelo T2 SUV, que na altura ainda não estava no mercado. “Isto demonstra a confiança da África do Sul nas marcas automóveis chinesas e na capacidade dos nossos produtos,” afirmou Ke.

Nos últimos anos, os carros chineses tornaram-se presença habitual nas estradas sul-africanas, com marcas como a Jetour a conquistar compradores urbanos, sobretudo jovens. “Os fabricantes chineses estão a ganhar espaço na África do Sul porque combinam alta tecnologia, design moderno e preços competitivos, algo que as marcas tradicionais têm dificuldade em acompanhar,” disse Charmaine Spangenberg, jovem consumidora sul-africana.

A África do Sul, reconhecida como potência económica do continente, tem uma indústria automóvel consolidada e é frequentemente descrita como um país “assente sobre rodas”. Desde a entrada das marcas chinesas no mercado, há mais de uma década, uma dúzia delas já se estabeleceu e regista vendas consistentes.

Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Automóveis da África do Sul, o mercado automóvel continuou a crescer em 2024, com vendas de 515.800 viaturas novas, um aumento de 5,6 por cento face a 2023. As marcas chinesas mantiveram o forte ritmo de expansão, representando 12,8 por cento do total.

Marly Vivier, jovem sul-africana que já foi proprietária de uma viatura chinesa, afirmou que sempre considerou estes modelos “estilosos e fiáveis”. Para ela, o avanço das marcas chinesas sobre as mais antigas é visível. “Acho mesmo que vão dominar, e eu gosto disso,” disse.

Como parte da frota oficial de escolta da Cimeira do G20, a Jetour colocou em operação o SUV T2, modelo que combina conforto e segurança, adequado às exigências de eventos diplomáticos de alto nível. Lançado na África do Sul em Outubro, o T2 vem equipado com assistência de condução L2, sistema de câmaras panorâmicas de 360 graus e um habitáculo espaçoso e silencioso, com bancos ergonómicos e sistema de entretenimento, garantindo uma viagem confortável às delegações.

A presença de viaturas chinesas na frota do G20 simboliza uma mudança na percepção internacional sobre os fabricantes da China, que deixam de ser vistos apenas como participantes de mercado para serem reconhecidos como parceiros fiáveis em eventos globais de grande escala.

“A Cimeira do G20 representa um vento favorável para as relações China-África do Sul. Para as marcas chinesas, o caminho para ampliar a influência passa por complementar as estratégias de venda com maior investimento local e integração comunitária,” explicou Spangenberg.

Ke afirmou que a Jetour se orgulha de integrar o grupo de fabricantes chineses que forneceu veículos para a Cimeira do G20. “Esperamos que esta colaboração dê ao mundo uma noção mais clara da nossa capa




Embraer promove o E195-E2 em Moçambique com foco em eficiência operacional

Falha ao fazer o upload do arquivo "". Invalid response: RpcError

Durante o Fórum Empresarial Moçambique-Brasil, realizado em Maputo, a Embraer destacou o potencial do seu jacto E195-E2 para a aviação regional moçambicana, sublinhando a eficiência operacional que aeronaves com até 150 lugares podem trazer, especialmente num momento em que a LAM Mozambique Airlines planeia reforçar e renovar a sua frota.

João Taborda, vice-presidente da Embraer, explicou que o E195-E2, com capacidade para 146 passageiros, é o maior avião produzido pela empresa e líder mundial na categoria de aeronaves até 150 lugares. “Frequentemente vemos grandes aeronaves a voar com muitos assentos vazios. Isso é muito ineficiente e muito caro para as companhias aéreas,” afirmou.

O executivo realçou que aeronaves menores, como os E-Jets, oferecem maior flexibilidade e melhor ajustamento à procura real das rotas regionais. “Em vez de colocar todas as 200 pessoas num único avião, podemos fazer dois ou três voos por dia,” explicou, apontando que cerca de 85% das rotas aéreas no continente africano transportam menos de 200 passageiros diariamente.

A LAM, fundada em 1937, já utilizou uma variedade de aeronaves ao longo da sua história, incluindo modelos russos como o Ilyushin IL-62 e ocidentais de fuselagem larga como o DC-10, bem como jatos brasileiros E190.

Recentemente, o governo moçambicano reforçou a frota da companhia com a inclusão de um turboélice Q400, para 74 passageiros, e um Airbus A319, com 144 lugares. Segundo a primeira-ministra Benvinda Levi, a LAM receberá em breve dois Embraer E190 de primeira geração, com capacidade entre 90 e 114 passageiros, como parte do plano de revitalização da empresa.

O reforço da frota com os jatos E195-E2 e E190 representa uma aposta estratégica para assegurar a sustentabilidade da aviação regional em Moçambique, oferecendo eficiência, flexibilidade e melhor aproveitamento das rotas existentes.




Mobilidade laboral e investimento reforçam laços entre Portugal e Moçambique

mobilidade-laboral-e-investimento-2035601939.png


Em Maputo, decorreu recentemente um encontro que reuniu representantes do Ministério do Trabalho, da Embaixada de Portugal e da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique, com o objetivo de discutir a mobilidade laboral e o investimento entre os dois países.

A iniciativa surge num contexto em que Portugal se afirma como o quinto maior investidor na economia moçambicana, com destaque para os sectores, financeiro, dos seguros, turismo, construção e obras públicas. O encontro procurou clarificar as novas regras e leis laborais em vigor, tanto em Moçambique como em Portugal, visando facilitar o movimento de trabalhadores e investidores.

João Figueiredo, presidente da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique, sublinhou a relevância deste diálogo.

“Portugal representa, e tem representado ao longo dos anos, um investidor de suprema importância para a economia nacional moçambicana. Este encontro foi uma oportunidade para debatermos as regras laborais e os incentivos fiscais que podem atrair mais investimento estrangeiro.”

Durante a sessão, os participantes enfatizaram a necessidade de ajustar a legislação trabalhista, de modo a garantir segurança jurídica e protecção aos trabalhadores estrangeiros. O debate foi descrito como aberto e franco, num espírito de cooperação entre dois povos unidos por uma língua e história comuns.

“Portugal precisa muito de mão de obra não qualificada para alguns setores, enquanto Moçambique precisa de investimento e de mão de obra qualificada. É uma relação de benefício mútuo que precisa ser sustentada com regras claras e formação”, acrescentou João Figueiredo.

A reunião abordou igualmente as recentes medidas de incentivo ao turismo moçambicano, anunciadas pelo Presidente da República, que visam colocar o país na rota do turismo internacional. Moçambique dispõe de 2.700 quilómetros de costa, parques naturais como a Gorongosa e praias de renome mundial, mas ainda enfrenta desafios de infraestruturas e saúde pública nas zonas turísticas.

“Precisamos de nos colocar na rota do turismo internacional. Temos praias e fauna bravia fantásticas, mas é necessário criar condições básicas e apostar na formação. Portugal pode ajudar a investir neste setor”, destacou Figueiredo.

Outro ponto debatido foi a nova lei portuguesa sobre imigração, vista como um passo positivo para regular e acolher trabalhadores estrangeiros, incluindo moçambicanos.

“Portugal tem grande necessidade de mão de obra não qualificada, e nós, com uma população jovem e em busca de oportunidades, podemos responder a essa necessidade. A regulamentação da imigração é um sinal positivo de cooperação”, afirmou.

As autoridades dos dois países comprometeram-se a reforçar o diálogo e os acordos bilaterais, com vista à 6.ª Cimeira Portugal-Moçambique, prevista para Dezembro, onde se espera aprofundar os mecanismos de mobilidade laboral e as parcerias empresariais.

O encontro terminou com a reafirmação de que educação, saúde e formação profissional continuam a ser pilares essenciais para que a juventude moçambicana possa tirar maior proveito das oportunidades criadas pela cooperação com Portugal.




Portugal reforça aposta em Moçambique e defende maior mobilidade laboral entre os dois países

portugal-reforca-aposta-em-mocambique-e-1320272493.png


O embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, defendeu esta sexta-feira, em Maputo, a necessidade de uma legislação mais facilitadora e menos burocrática, capaz de promover o investimento e a mobilidade laboral entre os dois países.

Falando no Centro Cultural Portugal-Moçambique, o diplomata destacou que Portugal figura entre os dez maiores investidores em Moçambique, entre 400 e 500 empresas de capitais portugueses a operarem no país, responsáveis pela criação de milhares de postos de trabalho.

“O conhecimento profundo da legislação laboral e das regras de mobilidade de trabalhadores é um instrumento fundamental para alavancar o investimento e criar mais emprego”, sublinhou o embaixador.

Jorge Monteiro considerou essencial que as empresas conheçam as leis que regulam o trabalho e a mobilidade, transmitindo também as dificuldades práticas que enfrentam, para que estas possam ser revistas e adaptadas à realidade empresarial.

Sublinhou ainda que Portugal e Moçambique vivem realidades opostas no domínio laboral — com Portugal a enfrentar um declínio populacional e escassez de mão-de-obra qualificada, enquanto Moçambique regista um rápido crescimento populacional, mas com uma oferta de emprego limitada.

Segundo o diplomata, essa diferença cria uma relação de interesse estratégico recíproco, onde a circulação de trabalhadores representa também uma forma de transferência de conhecimento e de inovação para as duas economias.

“A mobilidade laboral acelera a capacitação de recursos humanos e a criação de valor”, afirmou o embaixador, acrescentando que as alterações legislativas em curso em Portugal visam garantir um enquadramento previsível e transparente, que proteja os direitos dos trabalhadores estrangeiros.

O embaixador destacou igualmente o crescimento do investimento moçambicano em Portugal, o que, segundo ele, reforça a interdependência económica e a confiança mútua. Adiantou ainda que a 6.ª Cimeira Bilateral Portugal-Moçambique, a realizar-se dentro de um mês, em território português, deverá centrar-se na melhoria do ambiente de negócios e no reforço dos mecanismos de cooperação.

O diplomata realçou também o contributo dos moçambicanos no sector do turismo em Portugal, que em 2024 recebeu mais de 30 milhões de visitantes, criando uma forte procura por mão-de-obra qualificada.

Falando sobre o contexto político recente, Jorge Monteiro lembrou que um quarto das 100 maiores empresas moçambicanas têm capitais portugueses, sublinhando que os empresários lusos mantiveram-se no país mesmo durante os momentos de instabilidade vividos entre o final de 2024 e o início de 2025 — o que, segundo ele, demonstra a solidez da presença portuguesa em Moçambique.

“Os portugueses não viraram as costas a Moçambique. Permaneceram cá, como sempre permaneceram, e estou convicto de que o investimento crescerá à medida que as garantias jurídicas forem reforçadas”, afirmou.

Quanto ao recente rapto de um cidadão luso-moçambicano, o embaixador confirmou que o caso está a ser acompanhado pelas autoridades competentes e apelou à serenidade.

“Estas situações não se resolvem através de megafone, mas com investigações sérias das autoridades judiciais. O mais importante é que o cidadão possa regressar em segurança ao convívio familiar”, declarou.




Mitra Energy esclarece: 561 milhões recebidos do Estado são créditos reconhecidos

PHOTO-2021-11-12-13-45-15-1.jpeg

 

A Mitra Energy S.A., empresa moçambicana dedicada à importação e distribuição de combustíveis, garantiu que o montante de 561 milhões de meticais recebido do Estado em 2024 não representa qualquer irregularidade financeira, mas sim a liquidação de créditos legítimos.

Num comunicado tornado público, a empresa dirigida por Hipólito Michael Amad Ussene, filho da Presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro, desmente “veementemente” as informações divulgadas pelo Canal de Moçambique, que insinuavam o uso de esquemas irregulares para obtenção do valor.

Segundo a nota, a Mitra Energy foi uma das empresas que participaram no Mecanismo de Compensação adotado pelo Governo entre 2021 e 2023, como resposta às variações internacionais do preço do petróleo.

Os pagamentos, explica o comunicado, foram reconhecidos oficialmente pelo Governo através de uma adenda ao Memorando de Entendimento com o MIREME e a Direção Nacional de Hidrocarbonetos, incluindo juros de mora sobre dívidas acumuladas em anos anteriores.

A Mitra Energy reforça ainda que “nenhum membro da família Nyusi tem, ou alguma vez teve, qualquer ligação à empresa”, respondendo às acusações mediáticas que associavam Cláudia Nyusi ao negócio.