Governo assegura apoio de 275 milhões de dólares para reforçar vacinação e combate à Hepatite B

O Governo de Moçambique vai beneficiar de um financiamento de 275 milhões de dólares norte-americanos, disponibilizado pela Gavi – Aliança para as Vacinas, para apoiar o Programa Nacional de Vacinação durante o período de 2026 a 2030. O anúncio foi feito esta quinta-feira, em Maputo, pela Directora Executiva da organização, Sania Nishtar, após uma audiência com o Presidente da República, Daniel Chapo.
O apoio financeiro permitirá ao país consolidar os avanços alcançados na imunização infantil, assegurar a continuidade das vacinas actualmente administradas e introduzir ainda este ano a dose de nascimento contra a Hepatite B, uma medida considerada estratégica para a prevenção da doença desde os primeiros dias de vida.
Segundo Sania Nishtar, a parceria entre a Gavi e Moçambique constitui um exemplo de cooperação bem-sucedida na área da saúde pública, destacando o desempenho do país na expansão da cobertura vacinal e na protecção da infância.
“A Gavi é uma parceria público-privada internacional que facilita o acesso à vacinação. Somos parceiros de longa data de Moçambique e estamos muito orgulhosos dessa relação”, afirmou.
A responsável elogiou igualmente o compromisso demonstrado pelas autoridades moçambicanas na redução da mortalidade infantil e no combate a doenças transmissíveis. Referiu, em particular, os esforços em curso para eliminar a cólera, classificando como exemplar o modelo integrado de prestação de serviços comunitários observado durante visitas efectuadas recentemente ao país.
“Moçambique tem tido um excelente desempenho na vacinação de rotina. A liderança do país demonstra um forte compromisso com a sobrevivência infantil e com a melhoria contínua dos serviços de saúde”, destacou.
Durante o encontro com o Chefe do Estado, a Directora Executiva da Gavi transmitiu três mensagens centrais. A primeira foi a confirmação do pacote financeiro de 275 milhões de dólares para os próximos cinco anos, destinado a apoiar o actual programa nacional de vacinação.
Actualmente, o calendário vacinal moçambicano protege as crianças contra dez doenças, incluindo a malária e outras enfermidades infantis, além de contemplar a vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV), associado ao cancro do colo do útero. Com o novo financiamento, todas estas vacinas continuarão a ser apoiadas pela organização internacional.
A segunda mensagem esteve relacionada com o combate à cólera. Sania Nishtar sublinhou que Moçambique tem assumido um papel pioneiro na luta contra a doença e reiterou a disponibilidade da Gavi para apoiar as autoridades nacionais na concretização da meta de eliminação dos surtos.
O terceiro ponto abordado durante a audiência prendeu-se com a implementação da reforma institucional denominada Gavi Leap, uma iniciativa recentemente lançada pela organização para reforçar a autonomia dos países beneficiários, descentralizar os processos de decisão e aumentar a utilização dos sistemas governamentais na gestão dos recursos destinados à vacinação.
Neste contexto, Moçambique tornou-se o primeiro país do mundo a adoptar oficialmente esta reforma, um facto que foi destacado pela dirigente como um marco de relevância internacional.
“Estamos a dar maior autoridade de decisão aos países, a canalizar mais recursos através dos sistemas nacionais e a investir no futuro de África, incluindo a promoção da produção local de vacinas. Foi com enorme satisfação que informámos Sua Excelência o Presidente de que Moçambique é o primeiro país do mundo a adoptar a reforma Gavi Leap”, afirmou.
A responsável manifestou ainda satisfação com os avanços registados no quadro legislativo do sector da saúde em Moçambique, considerando que as reformas em curso poderão fortalecer a sustentabilidade do sistema nacional e acelerar a integração de milhões de agentes comunitários de saúde nos mecanismos formais de remuneração.
O novo compromisso financeiro surge numa altura em que o Governo moçambicano procura reforçar a resiliência do sistema de saúde, ampliar o acesso aos cuidados básicos e consolidar os progressos alcançados na prevenção de doenças evitáveis por vacinação, especialmente entre crianças e grupos vulneráveis.
Com este apoio, Moçambique reforça a sua posição entre os países africanos que mais têm apostado na expansão dos serviços de imunização, numa estratégia considerada fundamental para a redução da mortalidade infantil e para a melhoria dos indicadores de saúde pública.