Governo contesta estimativa de prejuízos da TotalEnergies no projecto Mozambique LNG

O Governo de Moçambique discorda da estimativa apresentada pela gigante francesa TotalEnergies segundo a qual os sucessivos atrasos no projecto Mozambique LNG terão provocado custos adicionais avaliados em cerca de dois mil milhões de dólares norte-americanos.

A divergência surge numa altura em que decorrem negociações entre o Executivo moçambicano e os parceiros do empreendimento para a aprovação de um plano de desenvolvimento actualizado do projecto de gás natural liquefeito, considerado um dos maiores investimentos energéticos do continente africano.

De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, uma auditoria recente conduzida pela consultora britânica Bayphase não conseguiu confirmar os custos alegadamente suportados pela TotalEnergies em consequência da paralisação prolongada das obras. Perante este cenário, Maputo mostra-se relutante em aceitar a estimativa de sobrecustos avançada pela petrolífera francesa.

O projecto Mozambique LNG, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, foi interrompido após a deterioração da situação de segurança na província de Cabo Delgado, particularmente nas proximidades da vila de Palma, onde grupos armados associados ao autoproclamado Estado Islâmico intensificaram ataques contra civis e infra-estruturas.

Em 2021, na sequência de violentos ataques registados nas imediações do local de implantação do projecto, a TotalEnergies declarou força maior e suspendeu todas as actividades de construção. Na altura, o empreendimento era apontado como o maior investimento estrangeiro realizado em África.

Após cerca de cinco anos de interrupção, a TotalEnergies anunciou, em Janeiro de 2026, o relançamento formal do projecto, depois de ter levantado, no final de 2025, a declaração de força maior que permanecia em vigor desde o agravamento da insegurança em Cabo Delgado.

Contudo, a retoma plena do projecto continua dependente do entendimento entre o Governo moçambicano e os investidores quanto aos custos acumulados durante o período de paralisação. As duas partes mantêm negociações para alcançar consenso sobre o novo plano de desenvolvimento e os mecanismos de financiamento dos encargos adicionais.

Os sucessivos atrasos já obrigaram à revisão do calendário de produção do projecto. Inicialmente prevista para 2024, a primeira exportação de gás natural liquefeito foi posteriormente adiada para 2027 e, mais tarde, para 2029.

O Mozambique LNG é considerado estratégico para a economia nacional, podendo transformar Moçambique num dos principais exportadores africanos de gás natural liquefeito e reforçar o abastecimento do mercado energético internacional nas próximas décadas.