Grindrod aposta na inclusão e forma mulheres maquinistas para reforçar equidade laboral
Maputo — A Grindrod Moçambique está a consolidar a sua estratégia de promoção da igualdade de género no sector ferroviário e logístico através do projecto “Mulheres Operadoras de Locomotivas”, uma iniciativa que visa aumentar a participação feminina em áreas tradicionalmente dominadas por homens.
Há cerca de um ano, a empresa recrutou e formou seis mulheres para desempenharem funções de operadoras de locomotivas no Terminal de Carvão da Matola (TCM). Após concluírem a formação, as profissionais encontram-se actualmente habilitadas para executar diversas actividades ferroviárias, incluindo recepção e inspecção de comboios, manobras e posicionamento de vagões, abastecimento aos tipplers, composição de comboios e apoio às operações diárias do terminal.
Com esta aposta, o Terminal de Carvão da Matola passou a ser reconhecido como uma das operações ferroviárias da região com uma representação significativa de mulheres operadoras de locomotivas na sua força de trabalho.
Para Isabel Carlos, colaboradora da Grindrod há 15 anos e coordenadora de operações ferroviárias, a transformação observada nos últimos anos demonstra o compromisso da empresa com a inclusão. Segundo relata, quando ingressou na área ferroviária era a única mulher a desempenhar funções naquele sector.
“A aposta da Grindrod deve ser saudada porque o trabalho realizado por uma mulher não se diferencia do realizado por um homem. Com esta inclusão, demonstramos que as mulheres também conseguem executar estas tarefas. É uma batalha vencida e sentimos que somos acolhidas pelos nossos colegas”, afirmou.
Entre as novas profissionais destaca-se Malda Maquil, de 26 anos, que trabalha na empresa há três anos. A jovem iniciou a formação para maquinista em Março de 2025 e actualmente exerce a profissão.
“Aceitei o desafio de ser maquinista mesmo sabendo que era uma profissão tradicionalmente associada aos homens. Durante a formação percebi que a maioria das profissões exercidas pelos homens também pode ser desempenhada pelas mulheres”, declarou.
A presença feminina na Grindrod vai além da condução de locomotivas. Actualmente, a empresa conta com mulheres em diversas áreas operacionais, incluindo operação de máquinas e actividades ferroviárias especializadas. Algumas profissionais já possuem competências para conduzir comboios em trajectos internacionais, incluindo viagens de ida e volta à África do Sul.
O Director de Operações (COO) da Grindrod, Pedro Quong, destacou a coragem e a dedicação das recém-formadas maquinistas, considerando a iniciativa uma demonstração concreta do compromisso da empresa com a inclusão e a diversidade.
Segundo o responsável, a Grindrod estabeleceu como meta alcançar uma maior equidade de género nos próximos cinco anos, procurando equilibrar a representação feminina e masculina na sua força laboral.
As cinco mulheres maquinistas recentemente formadas deixaram igualmente uma mensagem de incentivo a outras mulheres, apelando para que tenham confiança, coragem e determinação para enfrentar desafios profissionais e conquistar novas oportunidades. A iniciativa surge como um exemplo de mudança no sector ferroviário moçambicano, contribuindo para a quebra de barreiras históricas e para a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos e equilibrados.