Linha de transmissão Tete–Maputo de 1.300 km poderá viabilizar evacuação da energia de Mphanda Nkuwa

Foi apresentado esta quarta-feira, em Maputo, o relatório do estudo de viabilidade da futura linha de transporte de energia de alta tensão Tete–Maputo, um projecto estruturante que visa responder ao desafio central de evacuação da energia produzida na região Centro do país para os principais centros de consumo no Sul, garantindo maior estabilidade, eficiência e expansão do sistema eléctrico nacional.

O estudo, conduzido por um consórcio liderado pela Norconsult, analisa soluções técnicas, económicas e ambientais para a implementação de uma infra-estrutura que deverá sustentar a crescente produção energética nacional, com destaque para projectos de grande escala como a hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa.

Com cerca de 1.300 quilómetros de extensão e operando em 400 kV, a linha Tete–Maputo é concebida como a espinha dorsal do sistema de transmissão Centro–Sul, permitindo pela primeira vez uma ligação robusta e directa entre a região de grande produção energética e os principais centros de consumo e industrialização.

Segundo o estudo, a infra-estrutura não se limita ao transporte de energia, mas estabelece um corredor energético estruturante, suportado por subestações ao longo do trajecto, que deverão desempenhar um papel essencial na distribuição eléctrica e no desenvolvimento económico regional.

O ponto central do projecto é a necessidade de garantir a evacuação eficiente da energia gerada em Tete, sobretudo a partir de Mphanda Nkuwa, considerado um dos maiores projectos hidroeléctricos em desenvolvimento no país.

O relatório conclui que, sem uma infra-estrutura desta dimensão, o potencial energético da região não poderá ser plenamente integrado no sistema nacional nem aproveitado para reforçar a capacidade de exportação de energia para a África Austral.

A proposta técnica recomenda a construção de uma rede principal em corrente alternada, composta por pelo menos duas linhas de circuito único de 400 kV, organizada em três fases de implementação.

Estas fases, estruturadas em corredores energéticos (verde um, dois e três), têm como objectivo garantir maior segurança operacional, flexibilidade no transporte de energia e expansão progressiva da capacidade de transmissão.

O custo do projecto está estimado em cerca de 1,4 mil milhões de dólares norte-americanos.

O Governo de Moçambique já assegurou financiamento inicial através do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento para a primeira fase, estando em curso negociações com o Banco Europeu de Investimento, União Europeia e outras instituições financeiras para a mobilização dos recursos necessários às fases subsequentes.

O projecto está alinhado com a estratégia nacional de industrialização e transição energética, sendo considerado um instrumento-chave para transformar o sector eléctrico num motor de crescimento económico.

A criação de subestações ao longo do corredor deverá igualmente estimular novos polos de desenvolvimento industrial, contribuindo para a redução de assimetrias regionais e para o reforço da integração económica nacional.

A implementação da linha será acompanhada por uma Avaliação de Impacto Ambiental e Social (AIAS), que inclui mecanismos de participação pública, definição de planos de reassentamento, gestão ambiental e programas de desenvolvimento comunitário.

Estas medidas visam garantir que o projecto seja executado em conformidade com a legislação nacional e com padrões internacionais de sustentabilidade.