Magude recenseia 68.492 pessoas em 15 dias e prepara Moçambique para 2027

O distrito de Magude, na província de Maputo, recenseou 68.492 pessoas durante o Censo Piloto Digital, realizado de 1 a 15 de Agosto de 2026. O exercício abrangeu 177 áreas de enumeração e permitiu testar a recolha digital de dados através de tablets. Na divulgação dos resultados, a presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), Eliza Mónica Magaua, destacou a importância de corrigir as falhas identificadas, enquanto o porta-voz da instituição, Pedro Duce, apresentou os preparativos técnicos e financeiros para o V Recenseamento Geral da População e Habitação, previsto para 2027. O consultor Cimar, por sua vez, apresentou os resultados demográficos e os ganhos operacionais do projecto-piloto.
A presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), Eliza Mónica Magaua, afirmou que o Censo Piloto Digital constitui uma etapa fundamental na preparação do V Recenseamento Geral da População e Habitação, por permitir testar procedimentos, avaliar soluções tecnológicas e identificar constrangimentos antes da realização da operação nacional.
Falando na terça-feira, 13 de Outubro, durante o seminário de divulgação dos resultados, Magaua destacou a importância da produção de informação estatística fiável e actualizada para a formulação de políticas públicas e a promoção do desenvolvimento socioeconómico do país.
“O Censo Piloto representa, neste processo, mais do que um exercício preparatório. Constitui uma oportunidade para testar procedimentos, avaliar soluções tecnológicas, identificar constrangimentos operacionais e introduzir, atempadamente, as melhorias necessárias antes da realização do recenseamento principal”, afirmou.
A dirigente explicou que a adopção de uma abordagem inteiramente digital poderá modernizar os processos de recolha, melhorar a gestão do trabalho de campo, reforçar os mecanismos de controlo da qualidade e acelerar o processamento dos resultados.
Contudo, alertou que a transformação digital não depende apenas da utilização de equipamentos, exigindo igualmente profissionais capacitados, sistemas funcionais, infra-estruturas adequadas e procedimentos claros.
“O sucesso do Censo 2027 começa com a nossa capacidade de aprender, corrigir e melhorar a partir das evidências recolhidas durante o piloto”, sublinhou.
Magaua apelou ainda à participação activa das instituições públicas, das autoridades locais, dos parceiros de cooperação e dos cidadãos, defendendo que as recomendações resultantes do exercício-piloto sejam efectivamente incorporadas nos planos de preparação do recenseamento nacional.
No final da sua intervenção, agradeceu ao Governo do distrito de Magude, às famílias que receberam as equipas do INE e aos parceiros de cooperação pelo apoio prestado à realização do exercício.
Pedro Duce aponta avanços na cartografia e desafios financeiros
Por sua vez, o porta-voz do INE, Pedro Duce, explicou que a preparação do recenseamento de 2027 compreende várias etapas, desde a actualização cartográfica e a formação dos recenseadores até à recolha, supervisão e processamento digital dos dados.
Segundo Duce, a actualização cartográfica permite delimitar o território, identificar bairros e povoações e estabelecer áreas de enumeração, que servirão de referência para a distribuição dos recenseadores durante os 15 dias previstos para a recolha de dados.
O responsável informou que, à data da apresentação, o processo abrangia cerca de 50% do território nacional, com aproximadamente 38 mil áreas de enumeração concluídas. A previsão era concluir a actualização cartográfica até ao final de Outubro.
“Quando chegar a hora do recenseamento, teremos o mapa com os pontos já identificados para a recolha dos dados”, explicou.
O porta-voz acrescentou que o sistema digital deverá permitir acompanhar o trabalho das equipas no terreno e identificar eventuais problemas durante a recolha, reduzindo o tempo necessário para o processamento da informação.
Como exemplo, referiu que, durante o exercício-piloto, foi possível obter dados preliminares de todos os distritos abrangidos no espaço de uma semana. Segundo Duce, o INE pretende consolidar e melhorar esse desempenho durante a operação nacional.
Em relação aos recursos financeiros, Duce indicou que o projecto de preparação do recenseamento foi apresentado com um orçamento de 710 milhões de meticais. Acrescentou que estavam em curso procedimentos para a aquisição dos tablets necessários à recolha digital dos dados.
O responsável reconheceu, igualmente, a existência de necessidades adicionais de financiamento para assegurar a realização de todas as operações previstas para 2027, incluindo a mobilização de recursos junto do Governo e dos parceiros de cooperação.
A preparação contempla ainda a formação e avaliação dos candidatos, a atribuição das áreas de trabalho e a organização das equipas de campo, de modo a garantir que cada recenseador seja encaminhado para uma área previamente delimitada.
Consultor Cimar apresenta resultados do piloto em Magude
Na apresentação dos resultados do Censo Piloto Digital, o consultor Cimar destacou o desempenho das equipas e a utilização de dispositivos electrónicos na recolha de dados.
Durante os 15 dias do exercício, foram recenseadas 68.492 pessoas, num processo que abrangeu 177 áreas de enumeração e 17.295 pontos de habitação, de acordo com os dados apresentados.
Na componente demográfica e social, os resultados indicam que 38,6% da população recenseada tem menos de 15 anos. Os dados apontam ainda que 98% das crianças com idades compreendidas entre os seis e os 11 anos frequentam a escola.
No domínio laboral, foram identificadas 19.494 pessoas na força de trabalho, incluindo indivíduos que exercem alguma actividade económica ou que se encontram à procura de emprego.
Outro indicador apresentado revela uma predominância feminina na população recenseada, com cerca de 88 homens por cada 100 mulheres.
Cimar considerou que a experiência de Magude representa um passo importante para a modernização do sistema estatístico nacional, destacando os avanços na actualização cartográfica e a possibilidade de acompanhar digitalmente as operações de campo.
O consultor defendeu que os resultados e as lições retiradas do exercício-piloto deverão orientar a expansão do modelo a todo o território nacional em 2027, permitindo aproveitar a experiência adquirida para melhorar a organização e a execução do recenseamento.
A divulgação dos resultados de Magude constitui, assim, uma etapa da preparação do V Recenseamento Geral da População e Habitação, previsto para 2027, que deverá recorrer a ferramentas digitais nas diferentes fases da operação.
O desafio que se coloca ao INE consiste em consolidar os avanços identificados, corrigir os constrangimentos técnicos e assegurar recursos financeiros, equipamentos e pessoal qualificado para realizar um recenseamento credível, inclusivo e de qualidade em todo o território nacional. (Filipe Chirindza)