Moçambique recebe 17 milhões de dólares para emergências sanitárias

O Governo moçambicano anunciou que o país vai beneficiar de 17 milhões de dólares norte-americanos, equivalentes a cerca de 14,5 milhões de euros, disponibilizados pelo Fundo Pandémico para reforçar a resposta às emergências de saúde pública agravadas pelos eventos climáticos extremos.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, à margem da Assembleia Mundial da Saúde, que decorre em Genebra.

Segundo o governante, Moçambique enfrenta sucessivas emergências sanitárias associadas a ciclones, cheias e secas, fenómenos que continuam a pressionar um sistema nacional de saúde marcado por limitações estruturais, escassez de recursos e forte dependência do financiamento externo.

“Todos estes eventos climáticos que acontecem em Moçambique impactam nas emergências de saúde pública”, declarou Ussene Isse, reconhecendo os efeitos cada vez mais severos das mudanças climáticas sobre a capacidade de resposta do sector.

O financiamento será aplicado na elaboração e implementação de um plano operacional destinado ao fortalecimento da segurança sanitária e da capacidade de resposta a surtos e epidemias.

Apesar do novo apoio financeiro internacional, persistem dúvidas sobre a capacidade do Estado em transformar os fundos recebidos em melhorias concretas para as populações afectadas, sobretudo nas zonas mais vulneráveis e frequentemente atingidas por desastres naturais.

Nos últimos anos, Moçambique tem recebido sucessivos apoios internacionais para responder a crises humanitárias e sanitárias. No entanto, comunidades afectadas por ciclones e cheias continuam a enfrentar dificuldades no acesso a cuidados médicos, medicamentos, água potável e infra-estruturas resilientes.

O ministro da Saúde considera que a selecção de Moçambique pelo Fundo Pandémico representa um reconhecimento dos progressos alcançados pelo país na gestão de emergências de saúde pública e no controlo de surtos epidémicos.

Ainda assim, especialistas têm alertado que os avanços anunciados pelo Governo contrastam com a realidade de várias unidades sanitárias, onde persistem problemas relacionados com falta de pessoal, carência de equipamentos e insuficiência de medicamentos essenciais.

Em Abril deste ano, Ussene Isse já havia defendido, em Maputo, a necessidade de maximizar os recursos disponíveis através de uma planificação conjunta entre o Governo, parceiros internacionais e organizações da sociedade civil.

Na ocasião, o governante reconheceu que a redução global do financiamento para o sector da saúde obriga o país a adoptar uma abordagem mais integrada e eficiente, evitando a duplicação de intervenções e o desperdício de recursos.

O Executivo pretende implementar um modelo de “plano único” para o sector da saúde, integrando intervenções distritais, provinciais e centrais numa matriz nacional de coordenação.