Moçambique recebeu 252,8 milhões de USD do gás natural liquefeito, desde 2022, mas só alocou 33,6 milhões para projectos em 2025
Um relatório de monitoria, apresentado recentemente, pelo Banco de Moçambique, em coordenação com o Ministério das Finanças, revela o descompasso entre o dinheiro que entrou dos projectos de gás natural liquefeito e o que realmente chegou aos moçambicanos. Entre 2022 e Dezembro de 2025, o país arrecadou 252,8 milhões de dólares, mas a execução dos projectos financiados por essas receitas foi praticamente nula em 2025.
O representante do Banco de Moçambique, Cláudio Mangue, afirmou que do total recebido, apenas 33,6 milhões de dólares foram usados no Orçamento do Estado (OE), até Dezembro de 2025. O restante, 219,7 milhões de dólares, ficou parado numa conta transitória.
“De ponto de vista de visão geral, o que estamos dizendo aqui é, entre 2022 e Dezembro de 2025, Moçambique registou 252,8 milhões de dólares, é a receita total até agora em termos de exploração de gás natural liquefeito. Aquilo que foi absorvido ao nível do orçamento do Estado nesse período é de 33,6 milhões de dólares, aquilo que foram receitas depositadas na conta transitória, retirando os 33, são 219,7 milhões de dólares”, disse Mangue.
Só no fim de 2025, o governo começou a repartir o valor conforme a lei: 60% para o Orçamento do Estado e 40% para o Fundo Soberano. Mesmo assim, a transferência para projectos nacionais foi de apenas 31,49 milhões de dólares.
“Em Dezembro de 2025 foram realizadas transferências da conta transitória para o orçamento do Estado, totalizando 31,49 milhões de dólares, financiando projectos de investimentos nacionais.”
Execução desequilibrada nos ministérios
Os 60% que foram ao Orçamento do Estado, não foram executados em todos os ministérios no ano de 2025, sendo que, somente o Ministério dos Transportes e Logísticas usufruiu a 100% desta alocação.
“A execução orçamental dos projectos financiados pelas receitas (60%), não foi satisfatória em 2025, o Ministério dos Transportes e Logística teve um grau de execução de 100% e os demais não tiveram uma execução satisfatória”, afirmou Cláudio Mangue.
Outrossim, a entidade admitiu que as receitas não tem um volume considerável, mas a necessidade de financiamento de projectos é alta, por isso, promete finalizar os projectos que ficaram pendentes em 2025, até o fim do primeiro semestre do corrente ano.
“As receitas não são volumosas, mas a necessidade de financiamento é alta, portanto, não se pode justificar que tenhamos grau de execução de níveis baixos, estamos a trabalhar para que os projectos que não foram terminados em 2025, sejam finalizados até ao final do primeiro semestre deste ano”, concluiu Mangue.
“O Banco de Moçambique não fez nada tão extraordinário para a sociedade, afirma sociedade civil”
O economista Sidónio Tembe, representante ao Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), criticou as estratégias adoptadas pelo Banco de Moçambique para prevenir riscos.
“Em termos de estratégia de gestão de risco, de alguma coisa nova que o Banco de Moçambique possa ter feito para a sociedade, não fez nada tão extraordinário”, disse o economista, destacando que, instrumentos como “overnight”, são de risco muito previsível, e que o Banco de Moçambique ainda não demonstrou complexidade técnica necessária para gestão plena de um fundo Soberano. (INTEGRITY)