2.ª Edição das Olimpíadas de Soldadura culmina com cerimónia nacional de premiação a 8 de Outubro

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A 2.ª Edição das Olimpíadas de Soldadura culminou, no dia 08 de Outubro, com uma cerimónia nacional de premiação onde os participantes distinguidos em Maputo e Cabo Delgado foram reconhecidos perante cerca de 150 convidados, entre representantes do Governo, institutos de formação, empresas, parceiros e patrocinadores, para reforçar a ligação entre a formação profissional e as necessidades da indústria moçambicana.

As Olimpíadas de Soldadura constituem uma plataforma de valorização do ensino técnico-profissional e das competências de soldadura, aproximando jovens, formadores e profissionais das empresas que operam em sectores como óleo e gás, construção e metalomecânica.

Nesta 2.ª edição, a iniciativa alargou a sua abrangência territorial com competições em Maputo e Cabo Delgado, envolvendo 29 participantes de 10 instituições públicas e privadas, dos quais quatro mulheres. A realização em Cabo Delgado contou com o reconhecimento do Governo Provincial, reforçando a dimensão nacional do projecto e a aproximação a uma região estratégica para o desenvolvimento energético do país.

Na abertura do evento, o Secretário de Estado do Ensino Técnico-Profissional, Leo Elias Jamal, destacou a necessidade de encarar a competição como uma ponte para o reconhecimento e a ampliação do talento nacional. Frederico P. Silva, CEO da Talento, reforçou o valor estratégico e a dignidade das profissões técnicas ao sublinhar que “a soldadura não é um biscate e não será uma das profissões abaladas pelo avanço da Inteligência Artificial”, apresentando a visão de expansão do evento para a Beira em 2027, a inclusão de novas áreas técnicas e o lançamento de uma plataforma de emprego e intercâmbio. No palco das Olimpíadas de Soldadura 2026, Arne Gibbs, General Manager da ExxonMobil Mozambique, anunciou uma nova fase do projecto Rovuma LNG, com a abertura de formações técnicas para potenciar o talento em operação e manutenção.

Com vista a aprofundar a reflexão sobre o alinhamento entre a formação e o mercado, o evento deu lugar ao painel “Da Qualificação à Mobilidade: o Ensino Técnico como Motor do Desenvolvimento Industrial”. O debate reuniu especialistas e líderes industriais para discutir a resolução do desequilíbrio entre a oferta e a procura no sector, a certificação internacional, a segurança no trabalho e a adequação curricular junto da ANEP. Em destaque, Neila Alafo (ExxonMobil) apresentou a meta de alcançar 85% de nacionalização da mão-de-obra em alguns projectos industriais, a abertura inicial de 50 vagas técnicas e a visão de transformar Moçambique num hub de formação de nível internacional.

Os primeiros classificados garantiram o acesso a um programa de estágios profissionalizantes e prémios monetários do Banco ABSA (15.000 MT para Formandos e 25.000 MT para Formadores/Profissionais). Na Zona Norte, venceram Tabuche Rocha Saide (Formandos) e Pili Njala Amisse (Formadores/Profissionais), com destaque para esta última por vencer uma categoria técnica profissional. Na Zona Sul, os 1.ºs lugares foram atribuídos a Joyceles Osvaldo Mabasso (Formandos) e Aquimo Nordine Zamane Daudo Ali (Formadores/Profissionais).

O Prémio Mulher Inspiradora, categoria não-técnica promovida em parceria com a IdeiaLab, foi entregue a Luísa Suzete Macandza, reconhecendo o seu percurso e dedicação no sector industrial.

A 2.ª Edição das Olimpíadas de Soldadura foi organizada pela Talento e contou com a parceria institucional da Cooperação Alemã, União Europeia, Governo de Moçambique, GIZ, ANEP; patrocínio da ExxonMobil Mozambique, Eni, Baker Hughes, Oteka, Ascending, Banco Absa Moçambique, Daewoo E&C, TRI-M, Transtrevo, FPB, A.I.S; e parceiros Viewpoint, AIMO, ACLM, WhireLab, ATITTUDE, MOZUP, AMS, CTA – Bureau de Conteúdo Local Moçambique, ideiaLab, MHM, E&M (Economia & Mercado), O Económico, DE Diário Económico, Club of Mozambique, FurtherAfrica e Xonguila.




Vodacom reforça aposta em Moçambique e coloca digitalização no centro do diálogo com o Governo

Presidente da República reúne-se, em Maputo, com o CEO da Vodacom Group5 (1)

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recebeu esta quarta-feira (22), em Maputo, uma delegação do Grupo Vodacom liderada pelo Presidente do Conselho Executivo, Shameel Joosub, num encontro centrado na transformação digital do país. Na audiência, a empresa reafirmou o seu compromisso de longo prazo com Moçambique e o interesse em alargar a sua contribuição para a expansão da conectividade e para o desenvolvimento de infra-estruturas digitais.

Integraram igualmente a delegação Mohamed Abdallah, Presidente do Conselho Executivo dos Mercados Internacionais, Salimo Abdula, Presidente do Conselho de Administração da Vodacom Moçambique, Simon Karikari, Presidente do Conselho Executivo da empresa em Moçambique, e Lara Narcy, Directora Executiva de Relações Externas e Regulação.

Segundo Shameel Joosub, Moçambique continua a ocupar uma posição estratégica na visão de crescimento do Grupo Vodacom, razão pela qual a empresa pretende alinhar os seus investimentos com as prioridades nacionais de transformação digital.

“Moçambique é um mercado estratégico para o Grupo Vodacom. Para nós é importante compreender a visão do Presidente da República sobre a digitalização para continuarmos a assegurar que os nossos investimentos contribuem para as prioridades do país”, afirmou o responsável.

Durante o encontro, foram analisadas oportunidades para trazer para Moçambique projectos já implementados pela Vodacom noutros mercados africanos e europeus, abrangendo a expansão das redes de fibra óptica, o reforço da cobertura móvel de quinta geração (5G), a utilização de satélites para aumentar a conectividade e a implementação de soluções baseadas em inteligência artificial.

No final da audiência, Joosub considerou que o diálogo com o Chefe do Estado foi “encorajador”, sublinhando que existe convergência entre o Governo e a empresa quanto à necessidade de acelerar a modernização das infra-estruturas digitais do país.

O Presidente Daniel Chapo manifestou interesse pelas iniciativas apresentadas e incentivou a empresa a prosseguir com os investimentos, assegurando a disponibilidade do Governo para apoiar projectos que promovam a digitalização e a inovação tecnológica, de acordo com a nota divulgada pela Presidência da República.

A Vodacom Moçambique, presente no país desde 2003, afirmou que continuará a apoiar as prioridades nacionais através da expansão da cobertura e da qualidade das redes, do fortalecimento dos serviços financeiros digitais por meio do M-Pesa e do investimento na capacitação tecnológica da população.

A empresa mantém igualmente programas de responsabilidade social orientados para a inclusão digital, incluindo a instalação de salas de informática em escolas públicas, a oferta de acesso à internet, a formação de jovens em robótica e inteligência artificial e a criação de centros multimédia comunitários destinados a aproximar as comunidades rurais do ecossistema digital.




Salimo Abdula regressa à liderança da Vodacom Moçambique

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A Vodacom Moçambique anunciou a nomeação do empresário Salimo Abdula para o cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA), função que assumiu oficialmente no dia 1 de Julho, para um mandato de três anos.

Eleito por consenso dos accionistas, Salimo Abdula sucede a Lucas Chachine, cujo mandato chegou ao fim, marcando o regresso de uma figura que acompanha a história da operadora há quase duas décadas.

Accionista histórico da Vodacom Moçambique através do Grupo Intelec Holdings, presente na estrutura accionista da empresa desde 2007, Salimo Abdula já havia presidido ao Conselho de Administração da operadora em mandatos anteriores. Nos últimos três anos, liderou igualmente o Conselho de Administração da Vodafone M-Pesa, reforçando a sua experiência nos sectores das telecomunicações e da inclusão financeira digital.

Segundo a empresa, a nova liderança pretende dar continuidade à estratégia de expansão da rede, melhoria da qualidade dos serviços, reforço da conectividade nas zonas rurais e aceleração da digitalização da economia nacional.

Na sua primeira declaração após assumir o cargo, Salimo Abdula afirmou que regressa à presidência da Vodacom com “enorme sentido de responsabilidade”, destacando que pretende consolidar uma estratégia centrada nas pessoas e na promoção do desenvolvimento do país.

“É com enorme sentido de responsabilidade que regresso à presidência do Conselho de Administração da Vodacom Moçambique, uma empresa que conheço bem e na qual acredito profundamente. Herdo um legado sólido e comprometo-me a dar continuidade a uma estratégia centrada nas pessoas, em ligar cada moçambicano, aproximar serviços e capacidades, e contribuir para um país mais próximo, coeso, inclusivo e competitivo, tendo as telecomunicações como base”, afirmou o novo PCA.

A Vodacom Moçambique aproveitou igualmente a ocasião para reconhecer o contributo de Lucas Chachine, salientando que, durante o seu mandato, a empresa reforçou a sua posição no mercado e consolidou o seu papel no desenvolvimento económico e social de Moçambique.

Quem é Salimo Abdula?

Salimo Abdula é considerado um dos empresários mais influentes de Moçambique. É fundador e Presidente do Conselho de Administração da Intelec Holdings, grupo empresarial com investimentos em áreas estratégicas como telecomunicações, energia, serviços financeiros, recursos minerais e turismo.

Ao longo da sua carreira, desempenhou funções de relevo no sector privado, tendo presidido à Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e à Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP). Durante esses mandatos destacou-se pela defesa do ambiente de negócios, promoção do investimento privado, fortalecimento do empreendedorismo nacional e incentivo ao diálogo entre o sector empresarial e o Estado.

Reconhecido pela sua visão estratégica e capacidade de liderança, Salimo Abdula regressa agora à presidência da Vodacom Moçambique com a missão de impulsionar a inovação tecnológica, expandir o acesso aos serviços digitais e fortalecer o papel da empresa na transformação digital e na inclusão financeira dos moçambicanos.




Detenção de funcionário das Alfândegas contraria posição inicial da AT no caso das 3,7 toneladas de fentanil

Drogas

A detenção de um funcionário das Alfândegas de Moçambique no âmbito da investigação ao caso das 3,7 toneladas de fentanil apreendidas no Aeroporto Internacional de Maputo veio colocar em evidência uma aparente contradição entre as conclusões preliminares do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e a posição inicialmente assumida pela Autoridade Tributária de Moçambique (AT).

O SERNIC anunciou recentemente a detenção de mais um cidadão moçambicano suspeito de envolvimento no caso, identificado como funcionário das Alfândegas. Segundo a instituição, a detenção foi efectuada na sequência de um mandado judicial e baseia-se em “fortes indícios” do seu envolvimento na operação de tráfico de drogas.

Com esta detenção, sobe para quatro o número de pessoas detidas no âmbito da investigação, incluindo três cidadãos moçambicanos e um nigeriano. De acordo com o SERNIC, dois dos detidos já assumiram envolvimento no caso.

A nova detenção surge poucos dias depois de a Autoridade Tributária ter rejeitado qualquer associação institucional das Alfândegas à carga de droga apreendida.

Em comunicado divulgado após a confirmação laboratorial da natureza da substância apreendida, a AT sustentou que a descoberta da droga resultou precisamente dos mecanismos de controlo aduaneiro e da actuação coordenada das entidades que integram a Unidade Especial Conjunta de Controlo de Mercadorias do Aeroporto Internacional de Maputo.

Segundo a instituição, foram técnicos das Alfândegas, em coordenação com o SERNIC, a Polícia da República de Moçambique (PRM) e a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), que identificaram elementos considerados suspeitos na carga proveniente da Índia e declarada como contendo comprimidos multivitamínicos.

Na ocasião, a Autoridade Tributária afirmou que os factos demonstravam que os agentes aduaneiros actuaram em conformidade com os procedimentos legais e operacionais estabelecidos, rejeitando qualquer tentativa de associar os funcionários das Alfândegas ao caso.

Contudo, a mesma instituição reconheceu que as investigações ainda estavam em curso e admitiu que eventuais responsabilidades individuais de funcionários públicos deveriam ser apuradas pelas autoridades competentes.




Vodacom Moçambique saúda atribuição de espectro 5G e dá continuidade ao lançamento de 2023

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A Vodacom Moçambique saudou a atribuição de espectro 5G às operadoras móveis pela Autoridade Reguladora das Comunicações (INCM), um passo importante no desenvolvimento contínuo do ecossistema digital do país.

A Vodacom foi a primeira operadora a lançar 5G comercial em Moçambique, em 2023, com cobertura em pontos selecionados de Maputo, Matola, Nampula, Nacala, Beira e Tete. Com a atribuição do espectro, a empresa continuará a expandir essa cobertura de forma gradual, à medida que a rede evolui.

Comentando, Simon Karikari, CEO da Vodacom Moçambique afirmou: “Este é um marco importante para o futuro digital de Moçambique. Como a operadora que introduziu o 5G no país em 2023, vamos continuar a construir sobre essa experiência de forma responsável, alargando os benefícios da conectividade avançada por Moçambique ao longo do tempo. O valor do 5G não está na tecnologia em si, mas nas oportunidades que cria para as pessoas, as empresas e as comunidades.”

A Vodacom agradeceu ao Governo e à INCM pela abordagem de atribuição de espetro e acredita estar assente num princípio de ter os diferentes actores a contribuir para desenvolvimento do país.

Para além do benefício directo para os consumidores dos serviços de voz, sms e dados, a Vodacom destacou que o 5G pode servir como infraestrutura para a economia em geral ao amplificar a possibilidade de inovação em sectores como a agricultura, a mineração, a logística, os serviços financeiros, a saúde e a educação, para além de contribuir para responder ambição do Governo de tornar Moçambique no polo digital da África Austral.




Assassinato de Dom Osório Afonso: Bispos africanos exigem justiça

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O Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM) manifestou profunda consternação perante o assassinato do bispo católico Dom Osório Afonso, ocorrido na sua residência episcopal na cidade de Quelimane, província da Zambézia, classificando o crime como um grave atentado contra a vida, a dignidade humana e a liberdade religiosa.

Num comunicado divulgado esta semana, os bispos católicos africanos afirmam ter recebido a notícia com “profundo choque, tristeza e indignação”, considerando que o homicídio de um líder religioso representa não apenas um ataque individual contra um servo da Igreja, mas também uma ameaça aos valores da paz, da justiça e da convivência harmoniosa que sustentam as sociedades democráticas.

“O assassinato de Dom Osório Afonso constitui um atentado contra os valores da paz, da justiça, da dignidade humana e da liberdade religiosa, que são essenciais para o florescimento de qualquer sociedade”, refere a nota.

O organismo continental condena de forma inequívoca o crime, sublinhando que nenhum líder religioso, independentemente da sua confissão ou denominação, deve ser alvo de violência. Segundo o comunicado, homens e mulheres que dedicam as suas vidas ao serviço de Deus e das comunidades merecem protecção e respeito, e não perseguição ou morte.

Na declaração assinada pelo SECAM, os bispos apelam ao Governo de Moçambique e às autoridades competentes para que seja conduzida uma investigação imediata, completa, transparente e independente, capaz de esclarecer todas as circunstâncias que rodearam o assassinato.

A organização exige igualmente que todos os envolvidos sejam responsabilizados perante a justiça.

“Exigimos que todos os responsáveis, sejam eles autores directos, cúmplices ou mentores, sejam identificados, processados e levados à justiça sem demora. O povo de Moçambique, a Igreja Católica e a comunidade internacional merecem a verdade”, afirma o documento.

O apelo surge num momento em que a sociedade moçambicana aguarda esclarecimentos oficiais sobre o caso, considerado um dos episódios mais graves envolvendo figuras religiosas no país nos últimos anos.

Além da investigação criminal, os bispos africanos defenderam o reforço das medidas de segurança destinadas à protecção dos líderes religiosos, locais de culto e agentes pastorais envolvidos em actividades comunitárias e humanitárias.

Segundo o comunicado, a liberdade religiosa constitui um direito humano fundamental e um dos pilares das sociedades democráticas, cabendo ao Estado assegurar condições para que todos os cidadãos possam exercer a sua fé sem receio de intimidação, violência ou perseguição.

Os prelados alertam que a protecção das instituições religiosas e dos seus representantes é indispensável para preservar a estabilidade social e garantir o respeito pelos direitos fundamentais.

O SECAM expressou ainda condolências à Conferência Episcopal de Moçambique, ao clero, religiosos e leigos da Diocese de Quelimane e da Arquidiocese da Beira, bem como aos familiares, amigos e membros da congregação religiosa de Dom Osório Afonso.

Na mensagem, os bispos recordam o legado pastoral do prelado, descrevendo-o como um pastor dedicado ao serviço de Cristo, da Igreja e das comunidades que acompanhou ao longo da sua missão.

“Unimo-nos a todos aqueles cujas vidas foram tocadas pelo seu ministério pastoral e testemunho”, refere o documento.

A organização afirma que a morte de Dom Osório Afonso representa uma perda dolorosa para a Igreja Católica em Moçambique e para a comunidade católica africana, destacando o seu compromisso com a evangelização, a promoção da paz e o desenvolvimento humano.

Na parte final da mensagem, os bispos africanos manifestam a esperança de que a tragédia possa servir de renovado apelo à defesa da vida humana, da justiça e da paz em Moçambique e em todo o continente africano.

“Que este trágico acontecimento se torne um renovado apelo à justiça, à paz, ao respeito pela vida humana e à protecção da liberdade religiosa em Moçambique e em toda a África”, conclui o comunicado.

O SECAM encerra a mensagem com uma oração pelo descanso eterno de Dom Osório Afonso, pedindo conforto para todos os que choram a sua partida e reafirmando a solidariedade da Igreja africana para com os católicos moçambicanos neste momento de luto.




Tribunal condena Adriano Nuvunga a indemnizar Albino Forquilha em um milhão de meticais

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O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo condenou esta quarta-feira o activista social e director executivo do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, ao pagamento de uma indemnização de um milhão de meticais a Albino Forquilha, no âmbito de um processo relacionado com alegadas práticas de calúnia e difamação.

A decisão surge após vários meses de disputa judicial em torno de acusações segundo as quais Albino Forquilha teria recebido 219 milhões de meticais para alegadamente influenciar ou “vender” aquilo que ficou conhecido no debate político nacional como a “verdade eleitoral”, no contexto das eleições gerais realizadas em 2024.

Na altura, Adriano Nuvunga submeteu uma participação à Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando a abertura de uma investigação para apurar a veracidade das alegações. O caso ganhou grande repercussão pública devido à sensibilidade do período pós-eleitoral e ao papel desempenhado por diversas organizações da sociedade civil na monitoria do processo eleitoral.

Contudo, após a análise dos elementos apresentados, a Procuradoria-Geral da República decidiu arquivar o processo por considerar que não existiam provas suficientes que sustentassem as acusações formuladas contra Albino Forquilha.

Na sequência do arquivamento, Forquilha avançou com uma acção judicial contra Adriano Nuvunga, alegando que as acusações afectaram a sua honra, reputação e credibilidade pública.

Durante o julgamento, a defesa de Albino Forquilha sustentou que as declarações e iniciativas promovidas por Nuvunga tiveram ampla divulgação pública e contribuíram para associar o seu nome a alegados actos de corrupção e manipulação política sem que existissem elementos probatórios capazes de sustentar tais acusações.

Na sentença lida esta quarta-feira, o tribunal concluiu que houve danos não patrimoniais causados ao queixoso e determinou o pagamento de uma indemnização fixada em um milhão de meticais.




Estigma e tabus sobre a gestão menstrual prevalecem na sociedade

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As meninas precisam de preparação adequada para aprender a fazer uma boa gestão menstrual, uma temática que ainda continua a ser um tabu em muitos espaços da sociedade moçambicana. Mesmo nos tempos actuais, muitas mães evitam conversar abertamente com as filhas quando estas entram no ciclo menstrual, preferindo transferir essa responsabilidade para terceiros.

A higiene menstrual é vista sob diferentes perspectivas e considerada um marco importante na vida de uma rapariga. Porém, isso não significa que, ao iniciar a menstruação, a jovem esteja automaticamente preparada para o casamento.

Para a psicóloga Eugénia Alberto, a gestão menstrual exige aprendizagem contínua. Segundo a especialista, ainda existem dificuldades em abordar temas ligados ao corpo humano e à educação sexual, tanto no ambiente familiar como escolar.

“Alguns professores não conseguem expressar-se, no seio familiar é tabu e no meio escolar também é tabu. Então, onde é que as meninas vão aprender a gestão menstrual?”, questiona.

Por esta razão, o dia 28 de Maio foi instituído como Dia Mundial da Higiene Menstrual, com o objectivo de sensibilizar a sociedade, sobretudo no contexto escolar. No entanto, para muitas meninas, o acesso à informação continua a ser um grande desafio.

Segundo a psicóloga, ultrapassar o tabu é possível, mas exige tempo e mudança de mentalidades.

“Os pais são limitados ou não têm capacidade de falar destas coisas como elas são, sem tabu. A gestão menstrual não pode ser apenas responsabilidade do sector da saúde, da igreja ou da educação. Todos são chamados a desmistificar o tabu”, defende.

Impacto da falta de informação sobre higiene menstrual

A psicóloga alerta que a falta de informação tem impactos directos na vida das raparigas. Em muitos casos, quando estão menstruadas, são impedidas de brincar ou de conviver com rapazes devido a crenças culturais.

Além disso, se o ciclo menstrual coincidir com um dia de avaliação escolar e a rapariga faltar à escola, isso reflecte-se negativamente no seu aproveitamento.

Nesta fase, a especialista recomenda a suplementação de ferro, devido à perda de sangue durante o ciclo menstrual, bem como uma alimentação equilibrada. No entanto, muitas raparigas têm receio ou vergonha de tomar esses suplementos.

“Há muitas crenças, como a de que a menina não pode cozinhar para o pai ou colocar sal na comida durante o período menstrual. Hoje, com a correria do dia-a-dia, muitas famílias deixam as meninas sem orientação, o que reforça ainda mais os tabus”, explicou.

Outro factor preocupante é a falta de informação adequada, que pode levar a comportamentos de risco e a gravidezes precoces e indesejadas.

A psicóloga alerta ainda para os riscos de má higiene durante o ciclo menstrual, sublinhando que a falta de cuidados pode provocar infecções.

“Não se deve permanecer com o penso higiénico por mais de oito horas. Deve ser feita a troca regular e a higiene adequada, caso contrário podem surgir bactérias e problemas de saúde”, afirmou.

Segundo Eugénia Alberto, nas escolas, muitas raparigas enfrentam dificuldades devido à falta de água e de condições adequadas nas casas de banho, o que leva, em alguns casos, ao abandono das aulas.

“Uma escola que não tem água e condições sanitárias adequadas não consegue responder às necessidades das alunas”, sublinhou.

A especialista recomenda ainda que as meninas tomem banho regularmente durante o período menstrual, pelo menos duas a três vezes ao dia, especialmente nos primeiros dias, e que lavem sempre as mãos antes e depois da troca do penso higiénico.

No que diz respeito à eliminação dos pensos usados, recomenda-se que sejam embrulhados em papel higiénico ou guardanapo antes de serem descartados, evitando exposição e maus cheiros.

Existem também pensos reutilizáveis em tecido, que podem ser lavados, secos ao sol e engomados, garantindo maior sustentabilidade e higiene.

A alimentação rica em ferro, como verduras, feijão e frutas, como laranja, é igualmente recomendada para prevenir casos de anemia.

“A higiene das nossas meninas deixa a desejar”, lamenta a psicóloga.

Escola e papel na sensibilização

De referir que a menstruação é um processo biológico natural e inevitável, mas continua envolta em estigmas, silêncios e mitos. Esta realidade contribui para faltas às aulas, baixo rendimento escolar, exclusão de actividades e até abandono precoce da escola.

Por sua vez, o director da Escola Secundária da Zona Verde, no Município da Matola, Custódio Simões, defende que o diálogo aberto ajuda a quebrar tabus e a promover conhecimento entre as raparigas.

Segundo o responsável, a escola dispõe de casas de banho que devem garantir conforto e dignidade às alunas, mas reconhece problemas decorrentes do mau uso das instalações.

“Não é possível sentir-se bem quando os utilizadores não cuidam das casas de banho e deixam essa responsabilidade para terceiros”, afirmou.

Durante uma visita da equipa de reportagem, foi possível observar trabalhos de substituição de tubagem danificada devido ao mau uso das instalações, incluindo o descarte inadequado de pensos higiénicos.

“Foram encontrados não só pensos, mas também outros objectos como garrafas. Isso provoca entupimentos e maus cheiros”, explicou.

O director acrescenta que a escola tem desenvolvido acções de sensibilização através do programa Geração Biz e em parceria com o Centro de Saúde de Dhlanvela, que realiza palestras sobre saúde e higiene feminina.

Para Custódio Simões, a mudança de comportamento deve começar em casa.

“Se não houver mudança em casa, nada será diferente na escola. Muitas vezes, as crianças aprendem comportamentos que não são reforçados pelos encarregados de educação”, afirmou.

O responsável defende ainda que os directores de turma devem abordar estes temas de forma aberta nas reuniões com encarregados de educação, para reforçar a educação sobre higiene e comportamento. (CRIZALDA VILANCULOS)




Moçambique apresenta ProÁguaS na conferência internacional em Tajiquistão para reforçar segurança hídrica

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Moçambique participa, em Dushanbe, capital do Tajiquistão, na Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Década Internacional de Acção para a Água e Desenvolvimento Sustentável, fórum onde o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, apresentou o Programa Nacional de Segurança Hídrica (ProÁguaS), uma iniciativa estratégica do Governo orientada para o reforço do acesso à água potável, a melhoria do saneamento e o aumento da resiliência do país face aos impactos das secas e cheias.

Na sua intervenção perante líderes governamentais, especialistas e parceiros internacionais, Fernando Rafael destacou que Moçambique está a implementar uma nova agenda de reformas no sector das águas, sustentada pela aprovação da Lei n.º 9/2024, de 7 de Junho, instrumento legal que introduz mudanças estruturais destinadas a tornar o sector mais eficiente, coerente e atractivo ao investimento.

Segundo Fernando Rafael, o ProÁguaS, lançado a 18 de Maio de 2026 por Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da República, constitui um marco estratégico para o sector, ao estabelecer uma visão integrada para a melhoria da eficiência dos serviços, redução das assimetrias territoriais e criação de condições sustentáveis para o investimento privado nas áreas de abastecimento de água e saneamento.

O programa prevê a mobilização de cerca de 4,593 mil milhões de dólares norte-americanos ao longo da próxima década, com o objectivo de elevar a cobertura nacional de abastecimento de água de 62% para 75% e aumentar a cobertura de saneamento de 38% para 60%. O plano contempla igualmente a expansão de infra-estruturas de segurança hídrica e o reforço dos serviços WASH em todo o território nacional.

No domínio dos recursos hídricos, o ProÁguaS estabelece metas ambiciosas, entre as quais o aumento da capacidade de armazenamento de água de 59 mil milhões para 60 mil milhões de metros cúbicos, com vista à mitigação dos efeitos da seca e ao reforço da capacidade de controlo de cheias.

Entre as principais intervenções previstas destacam-se ainda a construção de 330 quilómetros de diques de protecção contra inundações, a modernização e expansão de mais de 300 estações de monitoria hidrológica, bem como a implementação de cinco modelos hidrológicos avançados, destinados a melhorar a previsão, gestão e resposta a eventos climáticos extremos.

O Ministro revelou igualmente que o ProÁguaS já conseguiu mobilizar cerca de 700 milhões de dólares norte-americanos, um indicador que, segundo sublinhou, demonstra o compromisso do Governo de Moçambique e dos parceiros internacionais com a implementação de soluções estruturantes para garantir a segurança hídrica, o acesso universal à água e a melhoria das condições de saneamento no país.




Zambézia: Linchamentos sobem para 14 mortos devido a boatos sobre desaparecimento de órgãos genitais

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Subiu para 14 o número de pessoas mortas por linchamento popular na província da Zambézia, na sequência de rumores relacionados com alegados casos de atrofia ou desaparecimento de órgãos genitais. As mais recentes ocorrências registaram-se nos distritos de Derre e Mopeia, segundo as autoridades.

A informação foi confirmada esta terça-feira, em Quelimane, pelo comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Marinho Muchanga, à margem da cerimónia de abertura da Semana da Polícia.

De acordo com o comandante, a situação está a preocupar as autoridades, sobretudo devido à rápida disseminação de boatos que têm levado comunidades a agir de forma violenta contra cidadãos suspeitos.

Em ligação com estes casos, a PRM deteve mais 11 indivíduos suspeitos de envolvimento na propagação de desinformação e incitamento à violência, elevando para 34 o número total de detidos.

Marinho Muchanga afirmou que a corporação continua a desenvolver acções de sensibilização nas comunidades, com o objectivo de desencorajar a circulação de rumores e prevenir novos episódios de violência popular. O responsável advertiu ainda que a polícia será “implacável” contra os autores e disseminadores destes boatos.

Na mesma ocasião, o comandante provincial destacou que a Semana da PRM representa uma oportunidade para reforçar a proximidade entre a polícia e as comunidades, bem como consolidar a confiança pública e intensificar acções de prevenção criminal.

A Semana da Polícia decorre sob o lema: “PRM, 50 anos reafirmando o compromisso com as comunidades, combatendo a criminalidade, terrorismo e sinistralidade rodoviária”, com cerimónias centrais na província de Gaza, dirigidas pelo comandante-geral da PRM, Joaquim Sive.

Durante a programação estão previstas diversas actividades, incluindo encontros polícia-comunidade, torneios desportivos, campanhas de doação de sangue e outras iniciativas de aproximação social.