Salimo Abdula regressa à liderança da Vodacom Moçambique

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A Vodacom Moçambique anunciou a nomeação do empresário Salimo Abdula para o cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA), função que assumiu oficialmente no dia 1 de Julho, para um mandato de três anos.

Eleito por consenso dos accionistas, Salimo Abdula sucede a Lucas Chachine, cujo mandato chegou ao fim, marcando o regresso de uma figura que acompanha a história da operadora há quase duas décadas.

Accionista histórico da Vodacom Moçambique através do Grupo Intelec Holdings, presente na estrutura accionista da empresa desde 2007, Salimo Abdula já havia presidido ao Conselho de Administração da operadora em mandatos anteriores. Nos últimos três anos, liderou igualmente o Conselho de Administração da Vodafone M-Pesa, reforçando a sua experiência nos sectores das telecomunicações e da inclusão financeira digital.

Segundo a empresa, a nova liderança pretende dar continuidade à estratégia de expansão da rede, melhoria da qualidade dos serviços, reforço da conectividade nas zonas rurais e aceleração da digitalização da economia nacional.

Na sua primeira declaração após assumir o cargo, Salimo Abdula afirmou que regressa à presidência da Vodacom com “enorme sentido de responsabilidade”, destacando que pretende consolidar uma estratégia centrada nas pessoas e na promoção do desenvolvimento do país.

“É com enorme sentido de responsabilidade que regresso à presidência do Conselho de Administração da Vodacom Moçambique, uma empresa que conheço bem e na qual acredito profundamente. Herdo um legado sólido e comprometo-me a dar continuidade a uma estratégia centrada nas pessoas, em ligar cada moçambicano, aproximar serviços e capacidades, e contribuir para um país mais próximo, coeso, inclusivo e competitivo, tendo as telecomunicações como base”, afirmou o novo PCA.

A Vodacom Moçambique aproveitou igualmente a ocasião para reconhecer o contributo de Lucas Chachine, salientando que, durante o seu mandato, a empresa reforçou a sua posição no mercado e consolidou o seu papel no desenvolvimento económico e social de Moçambique.

Quem é Salimo Abdula?

Salimo Abdula é considerado um dos empresários mais influentes de Moçambique. É fundador e Presidente do Conselho de Administração da Intelec Holdings, grupo empresarial com investimentos em áreas estratégicas como telecomunicações, energia, serviços financeiros, recursos minerais e turismo.

Ao longo da sua carreira, desempenhou funções de relevo no sector privado, tendo presidido à Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e à Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP). Durante esses mandatos destacou-se pela defesa do ambiente de negócios, promoção do investimento privado, fortalecimento do empreendedorismo nacional e incentivo ao diálogo entre o sector empresarial e o Estado.

Reconhecido pela sua visão estratégica e capacidade de liderança, Salimo Abdula regressa agora à presidência da Vodacom Moçambique com a missão de impulsionar a inovação tecnológica, expandir o acesso aos serviços digitais e fortalecer o papel da empresa na transformação digital e na inclusão financeira dos moçambicanos.




Detenção de funcionário das Alfândegas contraria posição inicial da AT no caso das 3,7 toneladas de fentanil

Drogas

A detenção de um funcionário das Alfândegas de Moçambique no âmbito da investigação ao caso das 3,7 toneladas de fentanil apreendidas no Aeroporto Internacional de Maputo veio colocar em evidência uma aparente contradição entre as conclusões preliminares do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e a posição inicialmente assumida pela Autoridade Tributária de Moçambique (AT).

O SERNIC anunciou recentemente a detenção de mais um cidadão moçambicano suspeito de envolvimento no caso, identificado como funcionário das Alfândegas. Segundo a instituição, a detenção foi efectuada na sequência de um mandado judicial e baseia-se em “fortes indícios” do seu envolvimento na operação de tráfico de drogas.

Com esta detenção, sobe para quatro o número de pessoas detidas no âmbito da investigação, incluindo três cidadãos moçambicanos e um nigeriano. De acordo com o SERNIC, dois dos detidos já assumiram envolvimento no caso.

A nova detenção surge poucos dias depois de a Autoridade Tributária ter rejeitado qualquer associação institucional das Alfândegas à carga de droga apreendida.

Em comunicado divulgado após a confirmação laboratorial da natureza da substância apreendida, a AT sustentou que a descoberta da droga resultou precisamente dos mecanismos de controlo aduaneiro e da actuação coordenada das entidades que integram a Unidade Especial Conjunta de Controlo de Mercadorias do Aeroporto Internacional de Maputo.

Segundo a instituição, foram técnicos das Alfândegas, em coordenação com o SERNIC, a Polícia da República de Moçambique (PRM) e a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), que identificaram elementos considerados suspeitos na carga proveniente da Índia e declarada como contendo comprimidos multivitamínicos.

Na ocasião, a Autoridade Tributária afirmou que os factos demonstravam que os agentes aduaneiros actuaram em conformidade com os procedimentos legais e operacionais estabelecidos, rejeitando qualquer tentativa de associar os funcionários das Alfândegas ao caso.

Contudo, a mesma instituição reconheceu que as investigações ainda estavam em curso e admitiu que eventuais responsabilidades individuais de funcionários públicos deveriam ser apuradas pelas autoridades competentes.




Vodacom Moçambique saúda atribuição de espectro 5G e dá continuidade ao lançamento de 2023

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A Vodacom Moçambique saudou a atribuição de espectro 5G às operadoras móveis pela Autoridade Reguladora das Comunicações (INCM), um passo importante no desenvolvimento contínuo do ecossistema digital do país.

A Vodacom foi a primeira operadora a lançar 5G comercial em Moçambique, em 2023, com cobertura em pontos selecionados de Maputo, Matola, Nampula, Nacala, Beira e Tete. Com a atribuição do espectro, a empresa continuará a expandir essa cobertura de forma gradual, à medida que a rede evolui.

Comentando, Simon Karikari, CEO da Vodacom Moçambique afirmou: “Este é um marco importante para o futuro digital de Moçambique. Como a operadora que introduziu o 5G no país em 2023, vamos continuar a construir sobre essa experiência de forma responsável, alargando os benefícios da conectividade avançada por Moçambique ao longo do tempo. O valor do 5G não está na tecnologia em si, mas nas oportunidades que cria para as pessoas, as empresas e as comunidades.”

A Vodacom agradeceu ao Governo e à INCM pela abordagem de atribuição de espetro e acredita estar assente num princípio de ter os diferentes actores a contribuir para desenvolvimento do país.

Para além do benefício directo para os consumidores dos serviços de voz, sms e dados, a Vodacom destacou que o 5G pode servir como infraestrutura para a economia em geral ao amplificar a possibilidade de inovação em sectores como a agricultura, a mineração, a logística, os serviços financeiros, a saúde e a educação, para além de contribuir para responder ambição do Governo de tornar Moçambique no polo digital da África Austral.




Assassinato de Dom Osório Afonso: Bispos africanos exigem justiça

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O Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM) manifestou profunda consternação perante o assassinato do bispo católico Dom Osório Afonso, ocorrido na sua residência episcopal na cidade de Quelimane, província da Zambézia, classificando o crime como um grave atentado contra a vida, a dignidade humana e a liberdade religiosa.

Num comunicado divulgado esta semana, os bispos católicos africanos afirmam ter recebido a notícia com “profundo choque, tristeza e indignação”, considerando que o homicídio de um líder religioso representa não apenas um ataque individual contra um servo da Igreja, mas também uma ameaça aos valores da paz, da justiça e da convivência harmoniosa que sustentam as sociedades democráticas.

“O assassinato de Dom Osório Afonso constitui um atentado contra os valores da paz, da justiça, da dignidade humana e da liberdade religiosa, que são essenciais para o florescimento de qualquer sociedade”, refere a nota.

O organismo continental condena de forma inequívoca o crime, sublinhando que nenhum líder religioso, independentemente da sua confissão ou denominação, deve ser alvo de violência. Segundo o comunicado, homens e mulheres que dedicam as suas vidas ao serviço de Deus e das comunidades merecem protecção e respeito, e não perseguição ou morte.

Na declaração assinada pelo SECAM, os bispos apelam ao Governo de Moçambique e às autoridades competentes para que seja conduzida uma investigação imediata, completa, transparente e independente, capaz de esclarecer todas as circunstâncias que rodearam o assassinato.

A organização exige igualmente que todos os envolvidos sejam responsabilizados perante a justiça.

“Exigimos que todos os responsáveis, sejam eles autores directos, cúmplices ou mentores, sejam identificados, processados e levados à justiça sem demora. O povo de Moçambique, a Igreja Católica e a comunidade internacional merecem a verdade”, afirma o documento.

O apelo surge num momento em que a sociedade moçambicana aguarda esclarecimentos oficiais sobre o caso, considerado um dos episódios mais graves envolvendo figuras religiosas no país nos últimos anos.

Além da investigação criminal, os bispos africanos defenderam o reforço das medidas de segurança destinadas à protecção dos líderes religiosos, locais de culto e agentes pastorais envolvidos em actividades comunitárias e humanitárias.

Segundo o comunicado, a liberdade religiosa constitui um direito humano fundamental e um dos pilares das sociedades democráticas, cabendo ao Estado assegurar condições para que todos os cidadãos possam exercer a sua fé sem receio de intimidação, violência ou perseguição.

Os prelados alertam que a protecção das instituições religiosas e dos seus representantes é indispensável para preservar a estabilidade social e garantir o respeito pelos direitos fundamentais.

O SECAM expressou ainda condolências à Conferência Episcopal de Moçambique, ao clero, religiosos e leigos da Diocese de Quelimane e da Arquidiocese da Beira, bem como aos familiares, amigos e membros da congregação religiosa de Dom Osório Afonso.

Na mensagem, os bispos recordam o legado pastoral do prelado, descrevendo-o como um pastor dedicado ao serviço de Cristo, da Igreja e das comunidades que acompanhou ao longo da sua missão.

“Unimo-nos a todos aqueles cujas vidas foram tocadas pelo seu ministério pastoral e testemunho”, refere o documento.

A organização afirma que a morte de Dom Osório Afonso representa uma perda dolorosa para a Igreja Católica em Moçambique e para a comunidade católica africana, destacando o seu compromisso com a evangelização, a promoção da paz e o desenvolvimento humano.

Na parte final da mensagem, os bispos africanos manifestam a esperança de que a tragédia possa servir de renovado apelo à defesa da vida humana, da justiça e da paz em Moçambique e em todo o continente africano.

“Que este trágico acontecimento se torne um renovado apelo à justiça, à paz, ao respeito pela vida humana e à protecção da liberdade religiosa em Moçambique e em toda a África”, conclui o comunicado.

O SECAM encerra a mensagem com uma oração pelo descanso eterno de Dom Osório Afonso, pedindo conforto para todos os que choram a sua partida e reafirmando a solidariedade da Igreja africana para com os católicos moçambicanos neste momento de luto.




Tribunal condena Adriano Nuvunga a indemnizar Albino Forquilha em um milhão de meticais

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O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo condenou esta quarta-feira o activista social e director executivo do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, ao pagamento de uma indemnização de um milhão de meticais a Albino Forquilha, no âmbito de um processo relacionado com alegadas práticas de calúnia e difamação.

A decisão surge após vários meses de disputa judicial em torno de acusações segundo as quais Albino Forquilha teria recebido 219 milhões de meticais para alegadamente influenciar ou “vender” aquilo que ficou conhecido no debate político nacional como a “verdade eleitoral”, no contexto das eleições gerais realizadas em 2024.

Na altura, Adriano Nuvunga submeteu uma participação à Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando a abertura de uma investigação para apurar a veracidade das alegações. O caso ganhou grande repercussão pública devido à sensibilidade do período pós-eleitoral e ao papel desempenhado por diversas organizações da sociedade civil na monitoria do processo eleitoral.

Contudo, após a análise dos elementos apresentados, a Procuradoria-Geral da República decidiu arquivar o processo por considerar que não existiam provas suficientes que sustentassem as acusações formuladas contra Albino Forquilha.

Na sequência do arquivamento, Forquilha avançou com uma acção judicial contra Adriano Nuvunga, alegando que as acusações afectaram a sua honra, reputação e credibilidade pública.

Durante o julgamento, a defesa de Albino Forquilha sustentou que as declarações e iniciativas promovidas por Nuvunga tiveram ampla divulgação pública e contribuíram para associar o seu nome a alegados actos de corrupção e manipulação política sem que existissem elementos probatórios capazes de sustentar tais acusações.

Na sentença lida esta quarta-feira, o tribunal concluiu que houve danos não patrimoniais causados ao queixoso e determinou o pagamento de uma indemnização fixada em um milhão de meticais.




Estigma e tabus sobre a gestão menstrual prevalecem na sociedade

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As meninas precisam de preparação adequada para aprender a fazer uma boa gestão menstrual, uma temática que ainda continua a ser um tabu em muitos espaços da sociedade moçambicana. Mesmo nos tempos actuais, muitas mães evitam conversar abertamente com as filhas quando estas entram no ciclo menstrual, preferindo transferir essa responsabilidade para terceiros.

A higiene menstrual é vista sob diferentes perspectivas e considerada um marco importante na vida de uma rapariga. Porém, isso não significa que, ao iniciar a menstruação, a jovem esteja automaticamente preparada para o casamento.

Para a psicóloga Eugénia Alberto, a gestão menstrual exige aprendizagem contínua. Segundo a especialista, ainda existem dificuldades em abordar temas ligados ao corpo humano e à educação sexual, tanto no ambiente familiar como escolar.

“Alguns professores não conseguem expressar-se, no seio familiar é tabu e no meio escolar também é tabu. Então, onde é que as meninas vão aprender a gestão menstrual?”, questiona.

Por esta razão, o dia 28 de Maio foi instituído como Dia Mundial da Higiene Menstrual, com o objectivo de sensibilizar a sociedade, sobretudo no contexto escolar. No entanto, para muitas meninas, o acesso à informação continua a ser um grande desafio.

Segundo a psicóloga, ultrapassar o tabu é possível, mas exige tempo e mudança de mentalidades.

“Os pais são limitados ou não têm capacidade de falar destas coisas como elas são, sem tabu. A gestão menstrual não pode ser apenas responsabilidade do sector da saúde, da igreja ou da educação. Todos são chamados a desmistificar o tabu”, defende.

Impacto da falta de informação sobre higiene menstrual

A psicóloga alerta que a falta de informação tem impactos directos na vida das raparigas. Em muitos casos, quando estão menstruadas, são impedidas de brincar ou de conviver com rapazes devido a crenças culturais.

Além disso, se o ciclo menstrual coincidir com um dia de avaliação escolar e a rapariga faltar à escola, isso reflecte-se negativamente no seu aproveitamento.

Nesta fase, a especialista recomenda a suplementação de ferro, devido à perda de sangue durante o ciclo menstrual, bem como uma alimentação equilibrada. No entanto, muitas raparigas têm receio ou vergonha de tomar esses suplementos.

“Há muitas crenças, como a de que a menina não pode cozinhar para o pai ou colocar sal na comida durante o período menstrual. Hoje, com a correria do dia-a-dia, muitas famílias deixam as meninas sem orientação, o que reforça ainda mais os tabus”, explicou.

Outro factor preocupante é a falta de informação adequada, que pode levar a comportamentos de risco e a gravidezes precoces e indesejadas.

A psicóloga alerta ainda para os riscos de má higiene durante o ciclo menstrual, sublinhando que a falta de cuidados pode provocar infecções.

“Não se deve permanecer com o penso higiénico por mais de oito horas. Deve ser feita a troca regular e a higiene adequada, caso contrário podem surgir bactérias e problemas de saúde”, afirmou.

Segundo Eugénia Alberto, nas escolas, muitas raparigas enfrentam dificuldades devido à falta de água e de condições adequadas nas casas de banho, o que leva, em alguns casos, ao abandono das aulas.

“Uma escola que não tem água e condições sanitárias adequadas não consegue responder às necessidades das alunas”, sublinhou.

A especialista recomenda ainda que as meninas tomem banho regularmente durante o período menstrual, pelo menos duas a três vezes ao dia, especialmente nos primeiros dias, e que lavem sempre as mãos antes e depois da troca do penso higiénico.

No que diz respeito à eliminação dos pensos usados, recomenda-se que sejam embrulhados em papel higiénico ou guardanapo antes de serem descartados, evitando exposição e maus cheiros.

Existem também pensos reutilizáveis em tecido, que podem ser lavados, secos ao sol e engomados, garantindo maior sustentabilidade e higiene.

A alimentação rica em ferro, como verduras, feijão e frutas, como laranja, é igualmente recomendada para prevenir casos de anemia.

“A higiene das nossas meninas deixa a desejar”, lamenta a psicóloga.

Escola e papel na sensibilização

De referir que a menstruação é um processo biológico natural e inevitável, mas continua envolta em estigmas, silêncios e mitos. Esta realidade contribui para faltas às aulas, baixo rendimento escolar, exclusão de actividades e até abandono precoce da escola.

Por sua vez, o director da Escola Secundária da Zona Verde, no Município da Matola, Custódio Simões, defende que o diálogo aberto ajuda a quebrar tabus e a promover conhecimento entre as raparigas.

Segundo o responsável, a escola dispõe de casas de banho que devem garantir conforto e dignidade às alunas, mas reconhece problemas decorrentes do mau uso das instalações.

“Não é possível sentir-se bem quando os utilizadores não cuidam das casas de banho e deixam essa responsabilidade para terceiros”, afirmou.

Durante uma visita da equipa de reportagem, foi possível observar trabalhos de substituição de tubagem danificada devido ao mau uso das instalações, incluindo o descarte inadequado de pensos higiénicos.

“Foram encontrados não só pensos, mas também outros objectos como garrafas. Isso provoca entupimentos e maus cheiros”, explicou.

O director acrescenta que a escola tem desenvolvido acções de sensibilização através do programa Geração Biz e em parceria com o Centro de Saúde de Dhlanvela, que realiza palestras sobre saúde e higiene feminina.

Para Custódio Simões, a mudança de comportamento deve começar em casa.

“Se não houver mudança em casa, nada será diferente na escola. Muitas vezes, as crianças aprendem comportamentos que não são reforçados pelos encarregados de educação”, afirmou.

O responsável defende ainda que os directores de turma devem abordar estes temas de forma aberta nas reuniões com encarregados de educação, para reforçar a educação sobre higiene e comportamento. (CRIZALDA VILANCULOS)




Moçambique apresenta ProÁguaS na conferência internacional em Tajiquistão para reforçar segurança hídrica

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Moçambique participa, em Dushanbe, capital do Tajiquistão, na Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Década Internacional de Acção para a Água e Desenvolvimento Sustentável, fórum onde o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, apresentou o Programa Nacional de Segurança Hídrica (ProÁguaS), uma iniciativa estratégica do Governo orientada para o reforço do acesso à água potável, a melhoria do saneamento e o aumento da resiliência do país face aos impactos das secas e cheias.

Na sua intervenção perante líderes governamentais, especialistas e parceiros internacionais, Fernando Rafael destacou que Moçambique está a implementar uma nova agenda de reformas no sector das águas, sustentada pela aprovação da Lei n.º 9/2024, de 7 de Junho, instrumento legal que introduz mudanças estruturais destinadas a tornar o sector mais eficiente, coerente e atractivo ao investimento.

Segundo Fernando Rafael, o ProÁguaS, lançado a 18 de Maio de 2026 por Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da República, constitui um marco estratégico para o sector, ao estabelecer uma visão integrada para a melhoria da eficiência dos serviços, redução das assimetrias territoriais e criação de condições sustentáveis para o investimento privado nas áreas de abastecimento de água e saneamento.

O programa prevê a mobilização de cerca de 4,593 mil milhões de dólares norte-americanos ao longo da próxima década, com o objectivo de elevar a cobertura nacional de abastecimento de água de 62% para 75% e aumentar a cobertura de saneamento de 38% para 60%. O plano contempla igualmente a expansão de infra-estruturas de segurança hídrica e o reforço dos serviços WASH em todo o território nacional.

No domínio dos recursos hídricos, o ProÁguaS estabelece metas ambiciosas, entre as quais o aumento da capacidade de armazenamento de água de 59 mil milhões para 60 mil milhões de metros cúbicos, com vista à mitigação dos efeitos da seca e ao reforço da capacidade de controlo de cheias.

Entre as principais intervenções previstas destacam-se ainda a construção de 330 quilómetros de diques de protecção contra inundações, a modernização e expansão de mais de 300 estações de monitoria hidrológica, bem como a implementação de cinco modelos hidrológicos avançados, destinados a melhorar a previsão, gestão e resposta a eventos climáticos extremos.

O Ministro revelou igualmente que o ProÁguaS já conseguiu mobilizar cerca de 700 milhões de dólares norte-americanos, um indicador que, segundo sublinhou, demonstra o compromisso do Governo de Moçambique e dos parceiros internacionais com a implementação de soluções estruturantes para garantir a segurança hídrica, o acesso universal à água e a melhoria das condições de saneamento no país.




Zambézia: Linchamentos sobem para 14 mortos devido a boatos sobre desaparecimento de órgãos genitais

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Subiu para 14 o número de pessoas mortas por linchamento popular na província da Zambézia, na sequência de rumores relacionados com alegados casos de atrofia ou desaparecimento de órgãos genitais. As mais recentes ocorrências registaram-se nos distritos de Derre e Mopeia, segundo as autoridades.

A informação foi confirmada esta terça-feira, em Quelimane, pelo comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Marinho Muchanga, à margem da cerimónia de abertura da Semana da Polícia.

De acordo com o comandante, a situação está a preocupar as autoridades, sobretudo devido à rápida disseminação de boatos que têm levado comunidades a agir de forma violenta contra cidadãos suspeitos.

Em ligação com estes casos, a PRM deteve mais 11 indivíduos suspeitos de envolvimento na propagação de desinformação e incitamento à violência, elevando para 34 o número total de detidos.

Marinho Muchanga afirmou que a corporação continua a desenvolver acções de sensibilização nas comunidades, com o objectivo de desencorajar a circulação de rumores e prevenir novos episódios de violência popular. O responsável advertiu ainda que a polícia será “implacável” contra os autores e disseminadores destes boatos.

Na mesma ocasião, o comandante provincial destacou que a Semana da PRM representa uma oportunidade para reforçar a proximidade entre a polícia e as comunidades, bem como consolidar a confiança pública e intensificar acções de prevenção criminal.

A Semana da Polícia decorre sob o lema: “PRM, 50 anos reafirmando o compromisso com as comunidades, combatendo a criminalidade, terrorismo e sinistralidade rodoviária”, com cerimónias centrais na província de Gaza, dirigidas pelo comandante-geral da PRM, Joaquim Sive.

Durante a programação estão previstas diversas actividades, incluindo encontros polícia-comunidade, torneios desportivos, campanhas de doação de sangue e outras iniciativas de aproximação social.




Tzu Chi reforça apoio humanitário em sofala com doação de alimentos ao hospital rural de Nhamatanda

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A Fundação de Caridade Tzu Chi Moçambique reforçou, esta semana, o seu apoio humanitário ao sector da saúde na província de Sofala, com a entrega de mais de três toneladas de arroz ao Hospital Rural de Nhamatanda, numa iniciativa destinada a assegurar alimentação para pacientes internados durante os próximos três meses.

A doação surge no contexto da campanha de cirurgias de fenda de lábio e palato actualmente em curso naquela unidade sanitária, considerada uma das mais importantes do distrito de Nhamatanda.

Segundo a fundadora da Tzu Chi Moçambique, Denise Foi, o apoio pretende responder aos desafios adicionais enfrentados pelo hospital durante a realização da campanha cirúrgica, reforçando a capacidade alimentar da instituição.

“Tivemos conhecimento da campanha de cirurgias que decorre na província de Sofala e, face aos desafios que esta campanha pode trazer ao Hospital Rural de Nhamatanda, decidimos prestar o nosso apoio. A nossa missão central é levar amor e solidariedade a quem mais precisa”, afirmou durante a cerimónia de entrega dos donativos.

De acordo com a fundação, os alimentos deverão beneficiar diariamente cerca de 90 pessoas ao longo de um período estimado de três meses.

Além do arroz, a Tzu Chi entregou igualmente 20 quilogramas de moringa, planta reconhecida pelas suas propriedades nutricionais e terapêuticas, produzida na Machamba de Mecuzi, um espaço agrícola gerido pela organização na província de Sofala.

A produção da machamba é utilizada tanto para acções humanitárias como para programas sociais ligados à alimentação escolar, no âmbito do projecto “Refeições Quentes”, implementado pela fundação em escolas construídas após a passagem do ciclone Idai.

Para o administrador do distrito de Nhamatanda, Manuel Teixeira, o apoio representa um reforço importante na assistência alimentar aos pacientes internados, sobretudo num contexto de elevada procura dos serviços hospitalares.

“Muitos pacientes transferidos das unidades sanitárias periféricas serão beneficiados, sobretudo porque o apoio inclui também a moringa, um elemento importante que fortifica os alimentos e contribui para uma melhor recuperação dos doentes”, afirmou.

Segundo o dirigente, o donativo permitirá melhorar significativamente a capacidade de resposta alimentar da unidade sanitária nos próximos meses.

Com capacidade para 123 camas e uma equipa composta por cerca de 190 profissionais, o Hospital Rural de Nhamatanda presta assistência médica a mais de 144 mil pessoas em diferentes áreas, incluindo clínica geral, pediatria, maternidade, cirurgia e cuidados intensivos.

A instituição beneficia regularmente de apoio da Tzu Chi Moçambique, sobretudo em equipamentos hospitalares, alimentação e programas de nutrição comunitária.

Em Novembro de 2024, a fundação entregou à unidade sanitária 32 camas articuladas, 249 colchões e mais de três mil lençóis, reforçando as condições de internamento e atendimento hospitalar.

A coordenadora dos Projectos de Saúde da Tzu Chi Moçambique, Vannesia Figueiredo, destacou que a cooperação com o Hospital Rural de Nhamatanda faz parte de uma estratégia contínua de apoio às comunidades locais.

“Desde que cá estamos, temos trabalhado em coordenação com esta unidade, incluindo em projectos ligados à nutrição e bem-estar das comunidades”, explicou.

Desde a sua chegada a Moçambique, em 2012, a Fundação Tzu Chi tem vindo a desenvolver vários programas humanitários nas áreas da saúde, educação, habitação e segurança alimentar.

Só no sector da saúde, as iniciativas da organização já beneficiaram mais de 10 mil pessoas nas províncias de Sofala, Maputo, Nampula e Gaza.

A província de Sofala concentra actualmente a maior parte das intervenções da fundação, sobretudo após o ciclone Idai, que devastou grande parte da região centro do país em 2019.

No âmbito de um memorando de entendimento assinado com o Governo moçambicano, a Tzu Chi lançou um vasto programa de reconstrução e assistência às comunidades afectadas pela catástrofe.

Desde então, a organização construiu mais de 3.100 habitações permanentes e 23 escolas, das quais 17 já foram oficialmente entregues às comunidades.

Na área da saúde, a fundação financiou igualmente a construção de um centro de saúde no Posto Administrativo de Metuchira, infra-estrutura avaliada em cerca de 15 milhões de meticais.

O trabalho da Tzu Chi em Moçambique é sustentado por uma rede internacional de cerca de 10 milhões de voluntários espalhados por mais de 60 países, que contribuem financeiramente para os programas sociais e humanitários da organização.




CDM lança 7.ª edição do Prémio Jornalístico Ambiente

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A Cervejas de Moçambique lançou, a 7.ª edição do Prémio Jornalístico CDM Ambiente, uma iniciativa que visa incentivar a produção de conteúdos sobre preservação ambiental, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável em Moçambique.

A principal novidade desta edição é a introdução da categoria de Trabalhos Académicos, dirigida a estudantes universitários que desenvolvam pesquisas científicas e soluções inovadoras ligadas ao meio ambiente, economia circular e gestão sustentável dos recursos naturais.

O concurso contempla as categorias de Televisão, Rádio, Imprensa Escrita, Fotografia e Trabalhos Académicos, com prémios monetários que ultrapassam um milhão de meticais no total.

Cada vencedor de categoria receberá 120 mil meticais, enquanto os segundos classificados terão direito a 60 mil meticais. O concurso prevê ainda a distinção de Grande Vencedor, que será premiado com um valor adicional de 150 mil meticais.

Durante a conferência de imprensa de lançamento, Bruno Tembe afirmou que o prémio representa o compromisso contínuo da CDM com a promoção da consciência ambiental e do desenvolvimento sustentável no país.

Segundo o responsável, a introdução da categoria de Trabalhos Académicos surge da necessidade de envolver mais a juventude universitária na procura de soluções inovadoras para os desafios ambientais enfrentados por Moçambique.

“Queremos incentivar os jovens a contribuírem activamente com ideias, pesquisas e soluções sustentáveis que possam gerar impacto positivo nas comunidades”, afirmou.

Por sua vez, Carlos Serra, membro do júri do concurso, destacou a qualidade e credibilidade do painel de avaliação desta edição, considerando que o prémio se tem afirmado como uma importante plataforma de valorização do jornalismo ambiental em Moçambique.

Carlos Serra encorajou jornalistas e estudantes universitários a participarem activamente no concurso e apelou aos candidatos para consultarem cuidadosamente o regulamento da iniciativa, de modo a garantir que os trabalhos submetidos respondam plenamente aos critérios estabelecidos pela organização.

Na ocasião, Dércio Viola, coordenador-geral da Associação dos Estudantes Finalistas Universitários de Moçambique, afirmou que a parceria entre a associação e a CDM poderá incentivar um maior envolvimento dos estudantes universitários em iniciativas ligadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento do país.

Segundo Dércio Viola, Moçambique enfrenta desafios constantes relacionados com as mudanças climáticas, pelo que a aproximação entre a academia e o sector privado poderá contribuir significativamente para o surgimento de soluções inovadoras e sustentáveis.

“Acreditamos que esta iniciativa vai estimular os estudantes a desenvolverem pesquisas aplicadas e soluções concretas para os problemas ambientais que o país enfrenta”, referiu.

As candidaturas decorrem de 13 de Maio a 5 de Junho de 2026, período durante o qual jornalistas profissionais, estudantes universitários e criadores de conteúdos poderão submeter trabalhos relacionados com questões ambientais e sustentabilidade.