Noble Mobility lança GAC GS3 Emzoom e aposta em mobilidade acessível para jovens moçambicanos

A empresa moçambicana Noble Mobility apresentou oficialmente o novo modelo automóvel GAC GS3 Emzoom, numa cerimónia marcada pela aposta em inovação, tecnologia e soluções de financiamento direccionadas para os jovens. O evento reuniu parceiros estratégicos, representantes do sector financeiro e convidados ligados à indústria automóvel nacional.
Durante a apresentação, a Gestora da Noble Mobility, Shelzea Alide, destacou que o novo modelo foi concebido para responder às actuais necessidades do mercado moçambicano, combinando eficiência, conectividade e funcionalidades práticas adaptadas aos diferentes perfis de utilizadores.
“Apresentamos hoje ao mercado um automóvel criado com tecnologia avançada e com menos impacto para o meio ambiente”, afirmou Shelzea Alide.
Segundo a responsável, o lançamento do GAC GS3 Emzoom integra a estratégia de crescimento e consolidação da marca no mercado nacional, reforçando o posicionamento da Noble Mobility como uma empresa focada em soluções modernas e acessíveis para a mobilidade urbana.
Shelzea Alide explicou ainda que a empresa pretende democratizar o acesso a viaturas novas, sobretudo para a camada jovem da população, através da criação de pacotes de aquisição mais competitivos.
“A ideia é fazer com que a marca cresça e se estabeleça no mercado e, para isso, criámos pacotes mais competitivos e acessíveis para que os jovens possam adquirir um carro 0 km. Uma viatura nova é muito melhor para o meio ambiente”, acrescentou.
A dirigente revelou igualmente que a visão de longo prazo da empresa passa pelo fortalecimento da indústria automóvel nacional, incluindo a possibilidade de instalação futura de uma unidade de montagem em território moçambicano.
“A marca Noble Mobility é moçambicana, criada para Moçambique e, no futuro, a ideia é termos uma fábrica de montagem cá”, sublinhou.
O evento contou também com intervenções de parceiros envolvidos no processo de introdução do modelo no mercado nacional. O Director-Geral da Noble Unicom, Ivan Nhavotso, destacou a importância das parcerias estratégicas para o fortalecimento do sector automóvel e para a implementação de soluções adaptadas ao contexto moçambicano.
Representando a Metropolitano Microbanco, o Director Comercial, Frederico Chaise, considerou que a iniciativa poderá facilitar o acesso de muitos cidadãos a viaturas modernas e tecnologicamente avançadas.
“Esta iniciativa é bem-vinda para o país, porque permitirá a realização de sonhos por parte dos moçambicanos que desejam obter uma viatura moderna”, afirmou Frederico Chaise.
Mais do que a simples apresentação de um novo veículo, o lançamento serviu igualmente como espaço de networking e partilha entre parceiros, empresários e convidados, num ambiente que evidenciou a crescente aposta do sector automóvel em inovação, sustentabilidade e tecnologia.
O GAC GS3 Emzoom chega ao mercado moçambicano equipado com recursos tecnológicos concebidos para proporcionar maior comodidade, eficiência e conectividade, alinhando-se às tendências globais da indústria automóvel e às exigências práticas dos consumidores nacionais.




Moza Banco reforça solidez financeira em 2025 apesar de prejuízo provocado por medidas extraordinárias

Banco melhora qualidade dos activos, reduz crédito malparado e aposta na transformação digital num contexto económico desafiante
O Moza Banco encerrou o exercício económico de 2025 com sinais claros de reforço da sua estabilidade financeira e melhoria dos indicadores operacionais, mesmo num cenário marcado pela desaceleração da economia nacional. A instituição bancária adoptou uma estratégia considerada prudente e disciplinada, centrada no fortalecimento estrutural do balanço, na gestão do risco e na optimização da carteira de crédito.
Apesar de apresentar um resultado líquido negativo de 3,9 mil milhões de meticais, o banco sustenta que o desempenho operacional permaneceu positivo ao longo do ano, sendo o prejuízo explicado essencialmente por medidas extraordinárias de reforço das imparidades e cobertura de risco.
“2025 foi um ano de decisões responsáveis e estruturantes. Reforçámos de forma significativa a qualidade dos nossos activos e a solidez do balanço, permitindo-nos entrar num novo ciclo com um Banco mais robusto, resiliente e melhor preparado para crescer de forma sustentável”, afirmou Manuel Soares, Presidente do Conselho de Administração do Moza Banco.
Resultado operacional cresce quase 48%
Os dados financeiros revelam um crescimento expressivo do Resultado Bruto de Exploração, que subiu 47,6%, passando de 1.178 milhões de meticais em 2024 para 1.739 milhões de meticais em 2025. O desempenho demonstra, segundo o banco, a capacidade da instituição em continuar a gerar valor operacional de forma consistente, mesmo sob pressão económica.
Ao mesmo tempo, a base de clientes continuou em expansão. O banco registou a entrada de mais de 43 mil novos clientes durante o ano, elevando o total para 305.571 clientes, o equivalente a um crescimento de 16,5% em relação ao período homólogo.
Os depósitos e recursos de clientes também registaram evolução positiva. O volume cresceu em 3,5 mil milhões de meticais, atingindo 53,7 mil milhões de meticais, numa subida de 7,1%, indicador interpretado pelo banco como um sinal de confiança contínua dos clientes na instituição financeira.
Digitalização impulsiona crescimento das transacções
A aposta na transformação digital voltou a assumir um papel central na estratégia do Moza Banco em 2025. O banco reportou um crescimento de 15,6% no número de utilizadores activos dos canais digitais e um aumento de 26,3% no volume de transacções electrónicas.
Este desempenho surge na sequência de investimentos na modernização tecnológica, incluindo o lançamento de uma nova plataforma de Internet e Mobile Banking, destinada a melhorar a experiência do cliente e aumentar a eficiência operacional.
Segundo a instituição, a digitalização continua a ser um dos pilares estratégicos do banco, sustentando a modernização do modelo de negócio e o reforço da proximidade com os clientes.
Crédito malparado cai para menos de 4%
Um dos indicadores mais relevantes apresentados pelo banco refere-se à melhoria significativa da qualidade dos activos. O rácio de crédito em incumprimento (NPL EBA) caiu de 12,50% em 2024 para 3,94% no final de 2025.
A redução resulta de uma estratégia focada no reforço das imparidades, aumento dos níveis de cobertura e redução de exposições consideradas de maior risco.
No âmbito do cumprimento do Aviso n.º 16/BdM/2013 do Banco de Moçambique, o Moza Banco procedeu igualmente à revisão da política de regularização de activos de crédito, adoptando critérios mais conservadores e alinhados com a recuperabilidade efectiva das operações.
A instituição esclarece que esta actualização incidiu sobretudo sobre operações históricas já integralmente provisionadas, sem impacto material na actividade operacional, nos rácios prudenciais, na liquidez ou nos fundos próprios.
Carteira de crédito encolhe, mas banco mantém apoio à economia
A carteira global de crédito sofreu uma redução de 29,4%, resultado de uma política mais selectiva na concessão de financiamento e de uma estratégia deliberada de optimização do balanço.
Ainda assim, o banco assegura que manteve o compromisso com o financiamento da economia nacional, tendo concedido novos créditos no valor de 1.920,6 milhões de meticais destinados a empresas e particulares.
Os indicadores prudenciais permaneceram acima dos mínimos regulamentares definidos pelo Banco de Moçambique. O rácio de solvabilidade fixou-se em 14,46%, enquanto o rácio de liquidez atingiu 47,29%, reforçando a capacidade do banco para absorver eventuais choques financeiros.
Banco aposta em crescimento sustentável
Com os ajustamentos realizados em 2025, o Moza Banco considera estar agora melhor posicionado para iniciar um novo ciclo de crescimento sustentado, baseado em critérios de prudência financeira, disciplina operacional e criação de valor sustentável.
A instituição reafirma ainda o compromisso de continuar a apoiar o desenvolvimento da economia nacional, mantendo uma postura orientada para a estabilidade, confiança dos clientes e fortalecimento da sua posição no sistema financeiro moçambicano.




Executivo anuncia mil milhões de meticais para retoma gradual de promoções na Função Pública

O Governo moçambicano anunciou a disponibilidade de cerca de mil milhões de meticais para financiar a retoma gradual dos actos administrativos de promoção, progressão e mudança de carreira na Função Pública, numa altura em que o país continua a enfrentar desafios macrofiscais significativos.
A informação foi avançada na terça-feira, 5 de Maio, pela Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, durante a Sessão de Perguntas ao Governo, na Assembleia da República de Moçambique.
Segundo a chefe do Executivo, o levantamento realizado pelas autoridades identificou cerca de 180.500 funcionários públicos com requisitos reunidos para beneficiar dos actos administrativos anteriormente suspensos.
“O Governo dispõe de um montante de mil milhões de meticais para assegurar a retoma gradual dos actos administrativos de promoção, progressão e mudança de carreira na Função Pública”, declarou Maria Benvinda Levi.
A governante explicou ainda que a aprovação do Decreto n.º 36/2025, de 28 de Outubro, relativo ao Regulamento do Subsistema de Carreiras e Remunerações, bem como dos respectivos Qualificadores Profissionais, criou as bases legais e administrativas para o reinício do processo.
De acordo com a Primeira-Ministra, a medida enquadra-se na estratégia do Executivo para fortalecer a administração pública e melhorar as condições profissionais dos funcionários do Estado.
“O desenvolvimento do capital humano é um eixo estruturante da transformação social e económica do nosso país”, afirmou.
Levi acrescentou que o Governo considera prioritário garantir acesso à educação de qualidade, com equidade, para todos os moçambicanos, defendendo que a valorização dos profissionais do sector público é essencial para alcançar esse objectivo.
Analistas consideram que a retoma das promoções e progressões poderá aliviar parte do descontentamento registado entre funcionários públicos nos últimos anos, embora persistam dúvidas sobre a sustentabilidade financeira da medida face às limitações orçamentais do Estado.




Henrique Cossa assume liderança do Conselho de Administração do Moza Banco

A recente nomeação do engenheiro Henrique Constantino Pedro Cossa para Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Moza Banco marca uma nova etapa na governação de uma das instituições financeiras mais relevantes do país. A decisão foi tomada durante uma Assembleia Geral Extraordinária dos accionistas, num momento considerado estratégico para a consolidação institucional e crescimento sustentável do banco.
A substituição ocorre num quadro de reorganização interna da liderança, onde o Dr. Manuel Soares, que desde 2025 acumulava as funções de PCA e Presidente da Comissão Executiva (PCE), regressa agora ao exercício exclusivo da liderança executiva. Segundo fontes institucionais, esta separação de funções “reforça os mecanismos de controlo interno e alinhamento estratégico”, prática recomendada em modelos modernos de governação corporativa.
“A nomeação de Henrique Cossa reflecte o compromisso dos accionistas com o reforço da governação e da solidez institucional do Moza Banco”, refere uma deliberação oficial da Assembleia Geral.
Um percurso entre o Estado e o sector empresarial
Henrique Cossa chega à presidência do Conselho de Administração com um percurso profissional de mais de três décadas, marcado por passagens influentes tanto no sector público quanto no empresarial. Engenheiro de formação, construiu carreira em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional, como políticas públicas, recursos naturais e governação institucional.
No aparelho do Estado, destacou-se como Vice-Ministro das Obras Públicas e Habitação, tendo igualmente exercido as funções de Secretário Permanente do mesmo ministério. Posteriormente, integrou o sector de recursos naturais como assessor ministerial, participando na formulação de políticas e iniciativas estruturantes no sector extractivo, considerado um dos pilares da economia moçambicana.
Analistas ouvidos no sector financeiro consideram que esta experiência poderá influenciar positivamente a abordagem estratégica do banco, sobretudo no financiamento de grandes projectos e na articulação com políticas públicas.
“A combinação entre experiência governamental e empresarial pode posicionar o banco de forma mais competitiva em sectores-chave da economia”, observa um especialista em governação financeira que preferiu não ser identificado.
Experiência empresarial e redes de influência
Além da trajectória no sector público, Cossa acumulou funções relevantes em instituições empresariais de referência. Destaca-se a sua passagem pelo Ecobank Moçambique, onde presidiu à Assembleia Geral, e pela ENH/KOGAS, uma joint venture estratégica no sector energético.
Estas experiências reforçam o seu perfil em matérias de supervisão estratégica e governação institucional, competências consideradas essenciais para o cargo que agora assume.
Formação internacional e especialização em desenvolvimento
Do ponto de vista académico, Henrique Cossa possui formação internacional, sendo licenciado em Engenharia de Minas pela Bergakademie Freiberg, na Alemanha, e mestre em Redução da Pobreza e Gestão do Desenvolvimento pela Universidade de Birmingham, no Reino Unido.
Este percurso académico sugere uma visão integrada entre desenvolvimento económico e impacto social, um aspecto cada vez mais valorizado no sector financeiro global.
Mudança estratégica ou continuidade?
Embora a nomeação seja apresentada oficialmente como parte de um processo de continuidade, analistas levantam questões sobre possíveis mudanças estratégicas na orientação do banco. A separação entre funções de supervisão (PCA) e gestão executiva (PCE) pode indicar uma tentativa de alinhamento com melhores práticas internacionais, mas também uma resposta a desafios internos ou externos ainda não totalmente divulgados.
“Estas reconfigurações, embora comuns, geralmente reflectem necessidades específicas de ajustamento institucional”, aponta um consultor do sector bancário.
Reconhecimento à liderança anterior
O Conselho de Administração reconheceu publicamente o papel desempenhado por Manuel Soares durante o período em que acumulou ambas as funções, destacando a sua contribuição para a estabilidade da instituição.
“O banco assegurou estabilidade e continuidade da liderança num momento estratégico”, refere o comunicado oficial.
Perspectivas para o futuro
Com esta nova configuração, o Moza Banco reafirma a sua aposta na excelência operacional, inovação e fortalecimento da sua posição no sistema financeiro moçambicano. A instituição pretende continuar a desempenhar um papel relevante no financiamento da economia e na criação de valor para clientes, parceiros e a sociedade.
No entanto, o verdadeiro impacto da liderança de Henrique Cossa só poderá ser avaliado nos próximos ciclos estratégicos do banco, particularmente num contexto económico ainda marcado por volatilidade e desafios estruturais.




Moçambique reforça abertura ao investimento e aposta em reformas para impulsionar desenvolvimento económico

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que Moçambique está firmemente comprometido com a criação de um ambiente de negócios estável, seguro e atractivo para investidores, sublinhando que o país valoriza parcerias sérias orientadas para o desenvolvimento sustentável e inclusivo.
A declaração foi feita durante a abertura da 12ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique, que decorre na cidade de Maputo. Na ocasião, o Chefe de Estado destacou que o encontro tem como principal objectivo desbloquear recursos estratégicos para impulsionar a industrialização e responder aos desafios do desenvolvimento nacional.
Segundo o Presidente, o momento actual exige ação concreta e foco em resultados:
“Este é tempo de acção. Falar menos e trabalhar mais. Moçambique está preparado para investir, preparado para cooperar e preparado para liderar, em parceria com os seus aliados, uma nova fase de desenvolvimento que conduza à transformação estrutural da nossa economia.”
Daniel Chapo sublinhou ainda que uma das prioridades do país é posicionar o gás natural como um catalisador fundamental para a integração e crescimento económico da região da África Austral. Nesse contexto, destacou o potencial de cooperação com países vizinhos como Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e República Democrática do Congo.
“Estes países poderão beneficiar, reforçando laços de cooperação e promovendo uma prosperidade partilhada para os povos da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Moçambique reafirma, com clareza, o seu compromisso de se afirmar como um dos motores de desenvolvimento da África Austral.”
O Presidente acrescentou que sectores estratégicos como portos, caminhos-de-ferro, energia e logística devem ser estruturados de forma integrada, com vista a posicionar o país como um verdadeiro hub regional ao serviço da SADC e do continente africano.
Por fim, destacou a importância de garantir que os benefícios do crescimento económico sejam sentidos pela população:
“A nossa prioridade é ter acções concretas que assegurem que o povo moçambicano participe activamente nesta transformação, através da criação de empregos, do fortalecimento das pequenas e médias empresas locais e da transferência de conhecimento e competências.”
A intervenção reforça a visão do Governo de transformar os recursos naturais em alavancas de desenvolvimento sustentável, garantindo que os ganhos económicos contribuam directamente para a melhoria das condições de vida da população.




Daniel Chapo apela à calma face a tensões e alerta para “agitação nas redes sociais” sobre xenofobia na África do Sul

O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, afirmou que tem havido uma crescente “agitação nas redes sociais” em torno de alegados episódios de xenofobia envolvendo moçambicanos na África do Sul. As declarações foram feitas em Pretória, onde o chefe de Estado se encontra em visita oficial, acompanhado por uma delegação presidencial.
Falando à imprensa, Chapo sublinhou que o Governo está atento à situação e preocupado com o impacto das narrativas que circulam online. Segundo o Presidente, muitas dessas informações contribuem para aumentar a tensão entre comunidades, exigindo prudência e responsabilidade por parte dos cidadãos.
Durante a sua intervenção, o chefe de Estado dirigiu uma mensagem direta aos moçambicanos residentes na África do Sul, apelando à contenção e ao respeito pelos princípios de convivência pacífica.
“A minha mensagem direta para o povo moçambicano residente na África do Sul é que não responda com violência àqueles que possam estar a incitar ou a provocar situações contra moçambicanos”, declarou.
Chapo reforçou que Moçambique é um país historicamente associado à paz e à tolerância, valores que, segundo ele, devem ser preservados mesmo em contextos de tensão. O Presidente destacou que manifestações de descontentamento devem ocorrer de forma pacífica, sem recurso à violência ou ao confronto direto.
A visita à África do Sul, acrescentou, tem também como objetivo demonstrar solidariedade com os cidadãos moçambicanos naquele país e reforçar o compromisso do Governo em acompanhar de perto a situação.
“O povo moçambicano deve saber que estamos preocupados e atentos ao que está a acontecer”, frisou.
As declarações surgem num momento em que relatos e debates sobre xenofobia voltaram a ganhar visibilidade nas plataformas digitais, levantando preocupações sobre a segurança e o bem-estar das comunidades migrantes na região.




Chapo e Ramaphosa Iniciam Diálogo Estratégico em Pretória em Meio a Tensões Migratórias

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, reuniu-se esta semana com o seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, em Pretória, marcando o início de um novo ciclo de conversações bilaterais centradas na segurança, cooperação económica e questões regionais consideradas críticas para a estabilidade da África Austral.
O encontro ocorre num contexto particularmente sensível, após semanas de manifestações contra imigrantes em cidades sul-africanas como Durban e Joanesburgo. Os protestos levaram ao regresso de milhares de cidadãos moçambicanos, entre os cerca de 300 mil que residem naquele país, levantando preocupações sobre segurança e proteção das comunidades migrantes.
Apesar da tensão, autoridades de ambos os países indicam que não há, até ao momento, registo oficial de mortos ou feridos associados aos incidentes recentes. Ainda assim, o tema da segurança dos cidadãos moçambicanos no estrangeiro deverá ocupar lugar central na agenda diplomática.
Segundo fontes próximas às negociações, “há um compromisso claro de reforçar mecanismos conjuntos de segurança e melhorar a coordenação entre os dois países para prevenir episódios de violência e garantir a proteção de nacionais”.
Além da vertente securitária, as conversações abrangem o fortalecimento das relações económicas, com destaque para comércio transfronteiriço, investimentos e infraestruturas estratégicas. Analistas apontam que Moçambique e África do Sul procuram revitalizar parcerias num momento em que desafios internos e regionais exigem respostas coordenadas.
Questões regionais, incluindo estabilidade política e cooperação no seio de blocos multilaterais africanos, também fazem parte da agenda. “Este encontro representa uma oportunidade para alinhar posições sobre temas que afetam toda a região”, destacou um diplomata envolvido no processo.
A visita de Chapo a Pretória é vista como um passo importante para consolidar relações bilaterais e responder de forma pragmática às recentes tensões, num esforço conjunto para garantir estabilidade, segurança e crescimento económico sustentável entre os dois países vizinhos.




FME denuncia falhas na aplicação da lei e defende subcontratação obrigatória como via para incluir empresas nacionais nas grandes obras públicas

Bento Machaila falando durante a apresentação do Programa Acelerado de Construção de Estradas 2026–2031, o presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME), trouxe ao debate uma questão central para o setor: a inclusão efetiva das empresas nacionais nos grandes contratos públicos.
Falando em representação da FME, Machaila destacou que o atual regulamento de contratação de empreitadas de obras públicas, fornecimento de bens e prestação de serviços ao Estado já prevê mecanismos claros para garantir essa participação. O foco recai sobre o Decreto n.º 79/2022, de 30 de Dezembro, que estabelece regras específicas para a subcontratação.
Segundo citou, “na contratação de empreitada de obra de valor igual ou superior a 100.000.000,00 Mt (cem milhões de meticais), devem ser subcontratadas pelo menos vinte por cento (20%) dos trabalhos às Micro, Pequenas e Médias Empresas Nacionais”.
A disposição legal, conforme enfatizou, não deve ser interpretada como uma opção, mas sim como uma obrigação. Ainda que muitos concursos públicos imponham requisitos técnicos e financeiros considerados inalcançáveis para grande parte das empresas nacionais, a lei cria uma via alternativa de integração através da subcontratação.
Na prática, isso significa que grandes empreiteiros — frequentemente com maior capacidade técnica e financeira — ficam legalmente vinculados a integrar empresas nacionais de menor dimensão na execução dos projetos.
Machaila reconheceu que persistem desafios estruturais que limitam o acesso direto das empresas moçambicanas aos concursos principais. No entanto, argumentou que o cumprimento rigoroso da cláusula de subcontratação pode funcionar como um mecanismo de inclusão progressiva, permitindo às Micro, Pequenas e Médias Empresas ganhar experiência, capacidade técnica e competitividade.
A Federação Moçambicana de Empreiteiros, segundo o seu presidente, pretende assumir um papel ativo nesse processo. Entre as prioridades está o acompanhamento da implementação da norma e a defesa de maior transparência na adjudicação e execução dos contratos.
A posição da FME surge num contexto em que o Governo aposta fortemente na expansão de infraestruturas rodoviárias, com investimentos significativos previstos até 2031. Para o setor nacional, o desafio passa agora por transformar a obrigação legal de subcontratação numa oportunidade real de crescimento e fortalecimento empresarial.
Ao insistir no cumprimento da lei, Machaila sinaliza que a inclusão das empresas nacionais não depende apenas de vontade política, mas também de fiscalização e responsabilização efetiva dos intervenientes nos processos de contratação pública.




Fim do prazo adicional expõe impasse no Condomínio Municipal do Zimpeto

Por Redação
O Conselho Municipal de Maputo confirmou, através de um comunicado oficial ao qual o jornal Visão Moçambique teve acesso, o término do prazo adicional de 30 dias concedido aos ocupantes considerados ilegais das casas do Condomínio Municipal do Zimpeto. A medida marca um novo capítulo num processo que se arrasta há meses e levanta questões sobre gestão urbana, legalidade e responsabilidade social.
Segundo o documento, o período extraordinário foi concedido como “última oportunidade para a regularização voluntária da situação de ocupação”, não tendo, contudo, produzido os resultados esperados pelas autoridades municipais.
“Findo o prazo adicional de 30 dias, o Conselho Municipal considera esgotadas todas as vias administrativas de sensibilização e apela à desocupação imediata dos imóveis”, refere o comunicado.
Fontes próximas ao processo indicam que parte dos ocupantes terá ignorado reiteradamente as notificações oficiais, enquanto outros alegam falta de alternativas habitacionais. A situação expõe tensões entre o cumprimento da lei e a realidade socioeconómica de muitos residentes.
Especialistas em gestão urbana ouvidos pela Visão Moçambique apontam que o caso do Zimpeto reflete fragilidades estruturais na política de habitação municipal. “Há um défice claro entre a oferta formal de habitação e a procura real da população urbana, o que frequentemente resulta em ocupações irregulares”, explicou um analista que preferiu não ser identificado.
Entretanto, o Conselho Municipal mantém uma posição firme quanto às próximas etapas.
“Serão desencadeadas ações subsequentes, em conformidade com a legislação vigente, para reposição da legalidade no condomínio”, sublinha o documento.
No terreno, o clima é de incerteza. Moradores relatam preocupação com possíveis despejos e cobram maior diálogo por parte das autoridades. Organizações da sociedade civil também começam a acompanhar o caso, alertando para a necessidade de soluções equilibradas que conciliem legalidade e direitos humanos.
O desfecho deste processo poderá estabelecer um precedente importante na forma como o município lida com ocupações ilegais, num contexto de crescimento urbano acelerado e pressão sobre infraestruturas habitacionais.




Presidente Daniel Chapo presta condolências à família Mondlane em Maputo

O Presidente da República, Daniel Chapo, deslocou-se à residência da família Mondlane, na cidade de Maputo, para apresentar pessoalmente condolências pela morte de Virgínia Bila Mondlane, mãe do político Venâncio Mondlane.
A visita, que ocorreu num ambiente de consternação e solidariedade, foi marcada por palavras de conforto dirigidas aos familiares e amigos próximos. Virgínia Bila Mondlane é recordada como uma figura respeitada no seio familiar e comunitário, cuja partida gerou comoção entre círculos sociais e políticos.
Segundo fontes presentes no local, o Chefe de Estado destacou a importância da união em momentos de luto, sublinhando o papel da família como pilar fundamental da sociedade. “Neste momento de dor, queremos expressar a nossa solidariedade e reafirmar que a nação está convosco”, declarou o Presidente durante o encontro com os familiares.
A presença de Daniel Chapo na residência da família Mondlane é interpretada por analistas como um gesto institucional de proximidade e respeito, sobretudo considerando o papel de Venâncio Mondlane no panorama político nacional.
Familiares da falecida agradeceram a visita, referindo que o apoio recebido tem sido essencial para enfrentar a perda. “É um momento difícil para todos nós, mas gestos como este trazem algum conforto”, afirmou um membro da família, visivelmente emocionado.
A cerimónia fúnebre deverá decorrer nos próximos dias, reunindo familiares, amigos e diversas figuras públicas, num último adeus a Virgínia Bila Mondlane.