Daniel Chapo apela à calma face a tensões e alerta para “agitação nas redes sociais” sobre xenofobia na África do Sul

O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, afirmou que tem havido uma crescente “agitação nas redes sociais” em torno de alegados episódios de xenofobia envolvendo moçambicanos na África do Sul. As declarações foram feitas em Pretória, onde o chefe de Estado se encontra em visita oficial, acompanhado por uma delegação presidencial.
Falando à imprensa, Chapo sublinhou que o Governo está atento à situação e preocupado com o impacto das narrativas que circulam online. Segundo o Presidente, muitas dessas informações contribuem para aumentar a tensão entre comunidades, exigindo prudência e responsabilidade por parte dos cidadãos.
Durante a sua intervenção, o chefe de Estado dirigiu uma mensagem direta aos moçambicanos residentes na África do Sul, apelando à contenção e ao respeito pelos princípios de convivência pacífica.
“A minha mensagem direta para o povo moçambicano residente na África do Sul é que não responda com violência àqueles que possam estar a incitar ou a provocar situações contra moçambicanos”, declarou.
Chapo reforçou que Moçambique é um país historicamente associado à paz e à tolerância, valores que, segundo ele, devem ser preservados mesmo em contextos de tensão. O Presidente destacou que manifestações de descontentamento devem ocorrer de forma pacífica, sem recurso à violência ou ao confronto direto.
A visita à África do Sul, acrescentou, tem também como objetivo demonstrar solidariedade com os cidadãos moçambicanos naquele país e reforçar o compromisso do Governo em acompanhar de perto a situação.
“O povo moçambicano deve saber que estamos preocupados e atentos ao que está a acontecer”, frisou.
As declarações surgem num momento em que relatos e debates sobre xenofobia voltaram a ganhar visibilidade nas plataformas digitais, levantando preocupações sobre a segurança e o bem-estar das comunidades migrantes na região.




Chapo e Ramaphosa Iniciam Diálogo Estratégico em Pretória em Meio a Tensões Migratórias

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, reuniu-se esta semana com o seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, em Pretória, marcando o início de um novo ciclo de conversações bilaterais centradas na segurança, cooperação económica e questões regionais consideradas críticas para a estabilidade da África Austral.
O encontro ocorre num contexto particularmente sensível, após semanas de manifestações contra imigrantes em cidades sul-africanas como Durban e Joanesburgo. Os protestos levaram ao regresso de milhares de cidadãos moçambicanos, entre os cerca de 300 mil que residem naquele país, levantando preocupações sobre segurança e proteção das comunidades migrantes.
Apesar da tensão, autoridades de ambos os países indicam que não há, até ao momento, registo oficial de mortos ou feridos associados aos incidentes recentes. Ainda assim, o tema da segurança dos cidadãos moçambicanos no estrangeiro deverá ocupar lugar central na agenda diplomática.
Segundo fontes próximas às negociações, “há um compromisso claro de reforçar mecanismos conjuntos de segurança e melhorar a coordenação entre os dois países para prevenir episódios de violência e garantir a proteção de nacionais”.
Além da vertente securitária, as conversações abrangem o fortalecimento das relações económicas, com destaque para comércio transfronteiriço, investimentos e infraestruturas estratégicas. Analistas apontam que Moçambique e África do Sul procuram revitalizar parcerias num momento em que desafios internos e regionais exigem respostas coordenadas.
Questões regionais, incluindo estabilidade política e cooperação no seio de blocos multilaterais africanos, também fazem parte da agenda. “Este encontro representa uma oportunidade para alinhar posições sobre temas que afetam toda a região”, destacou um diplomata envolvido no processo.
A visita de Chapo a Pretória é vista como um passo importante para consolidar relações bilaterais e responder de forma pragmática às recentes tensões, num esforço conjunto para garantir estabilidade, segurança e crescimento económico sustentável entre os dois países vizinhos.




FME denuncia falhas na aplicação da lei e defende subcontratação obrigatória como via para incluir empresas nacionais nas grandes obras públicas

Bento Machaila falando durante a apresentação do Programa Acelerado de Construção de Estradas 2026–2031, o presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME), trouxe ao debate uma questão central para o setor: a inclusão efetiva das empresas nacionais nos grandes contratos públicos.
Falando em representação da FME, Machaila destacou que o atual regulamento de contratação de empreitadas de obras públicas, fornecimento de bens e prestação de serviços ao Estado já prevê mecanismos claros para garantir essa participação. O foco recai sobre o Decreto n.º 79/2022, de 30 de Dezembro, que estabelece regras específicas para a subcontratação.
Segundo citou, “na contratação de empreitada de obra de valor igual ou superior a 100.000.000,00 Mt (cem milhões de meticais), devem ser subcontratadas pelo menos vinte por cento (20%) dos trabalhos às Micro, Pequenas e Médias Empresas Nacionais”.
A disposição legal, conforme enfatizou, não deve ser interpretada como uma opção, mas sim como uma obrigação. Ainda que muitos concursos públicos imponham requisitos técnicos e financeiros considerados inalcançáveis para grande parte das empresas nacionais, a lei cria uma via alternativa de integração através da subcontratação.
Na prática, isso significa que grandes empreiteiros — frequentemente com maior capacidade técnica e financeira — ficam legalmente vinculados a integrar empresas nacionais de menor dimensão na execução dos projetos.
Machaila reconheceu que persistem desafios estruturais que limitam o acesso direto das empresas moçambicanas aos concursos principais. No entanto, argumentou que o cumprimento rigoroso da cláusula de subcontratação pode funcionar como um mecanismo de inclusão progressiva, permitindo às Micro, Pequenas e Médias Empresas ganhar experiência, capacidade técnica e competitividade.
A Federação Moçambicana de Empreiteiros, segundo o seu presidente, pretende assumir um papel ativo nesse processo. Entre as prioridades está o acompanhamento da implementação da norma e a defesa de maior transparência na adjudicação e execução dos contratos.
A posição da FME surge num contexto em que o Governo aposta fortemente na expansão de infraestruturas rodoviárias, com investimentos significativos previstos até 2031. Para o setor nacional, o desafio passa agora por transformar a obrigação legal de subcontratação numa oportunidade real de crescimento e fortalecimento empresarial.
Ao insistir no cumprimento da lei, Machaila sinaliza que a inclusão das empresas nacionais não depende apenas de vontade política, mas também de fiscalização e responsabilização efetiva dos intervenientes nos processos de contratação pública.




Fim do prazo adicional expõe impasse no Condomínio Municipal do Zimpeto

Por Redação
O Conselho Municipal de Maputo confirmou, através de um comunicado oficial ao qual o jornal Visão Moçambique teve acesso, o término do prazo adicional de 30 dias concedido aos ocupantes considerados ilegais das casas do Condomínio Municipal do Zimpeto. A medida marca um novo capítulo num processo que se arrasta há meses e levanta questões sobre gestão urbana, legalidade e responsabilidade social.
Segundo o documento, o período extraordinário foi concedido como “última oportunidade para a regularização voluntária da situação de ocupação”, não tendo, contudo, produzido os resultados esperados pelas autoridades municipais.
“Findo o prazo adicional de 30 dias, o Conselho Municipal considera esgotadas todas as vias administrativas de sensibilização e apela à desocupação imediata dos imóveis”, refere o comunicado.
Fontes próximas ao processo indicam que parte dos ocupantes terá ignorado reiteradamente as notificações oficiais, enquanto outros alegam falta de alternativas habitacionais. A situação expõe tensões entre o cumprimento da lei e a realidade socioeconómica de muitos residentes.
Especialistas em gestão urbana ouvidos pela Visão Moçambique apontam que o caso do Zimpeto reflete fragilidades estruturais na política de habitação municipal. “Há um défice claro entre a oferta formal de habitação e a procura real da população urbana, o que frequentemente resulta em ocupações irregulares”, explicou um analista que preferiu não ser identificado.
Entretanto, o Conselho Municipal mantém uma posição firme quanto às próximas etapas.
“Serão desencadeadas ações subsequentes, em conformidade com a legislação vigente, para reposição da legalidade no condomínio”, sublinha o documento.
No terreno, o clima é de incerteza. Moradores relatam preocupação com possíveis despejos e cobram maior diálogo por parte das autoridades. Organizações da sociedade civil também começam a acompanhar o caso, alertando para a necessidade de soluções equilibradas que conciliem legalidade e direitos humanos.
O desfecho deste processo poderá estabelecer um precedente importante na forma como o município lida com ocupações ilegais, num contexto de crescimento urbano acelerado e pressão sobre infraestruturas habitacionais.




Presidente Daniel Chapo presta condolências à família Mondlane em Maputo

O Presidente da República, Daniel Chapo, deslocou-se à residência da família Mondlane, na cidade de Maputo, para apresentar pessoalmente condolências pela morte de Virgínia Bila Mondlane, mãe do político Venâncio Mondlane.
A visita, que ocorreu num ambiente de consternação e solidariedade, foi marcada por palavras de conforto dirigidas aos familiares e amigos próximos. Virgínia Bila Mondlane é recordada como uma figura respeitada no seio familiar e comunitário, cuja partida gerou comoção entre círculos sociais e políticos.
Segundo fontes presentes no local, o Chefe de Estado destacou a importância da união em momentos de luto, sublinhando o papel da família como pilar fundamental da sociedade. “Neste momento de dor, queremos expressar a nossa solidariedade e reafirmar que a nação está convosco”, declarou o Presidente durante o encontro com os familiares.
A presença de Daniel Chapo na residência da família Mondlane é interpretada por analistas como um gesto institucional de proximidade e respeito, sobretudo considerando o papel de Venâncio Mondlane no panorama político nacional.
Familiares da falecida agradeceram a visita, referindo que o apoio recebido tem sido essencial para enfrentar a perda. “É um momento difícil para todos nós, mas gestos como este trazem algum conforto”, afirmou um membro da família, visivelmente emocionado.
A cerimónia fúnebre deverá decorrer nos próximos dias, reunindo familiares, amigos e diversas figuras públicas, num último adeus a Virgínia Bila Mondlane.




Olimpíadas de Soldadura 2026 chegam a Pemba

A empresa moçambicana Talento anunciou o lançamento da segunda edição das Olimpíadas de Soldadura (OS26). O evento decorre no contexto do Dia Internacional do Trabalhador. Assim, a iniciativa reforça a valorização do trabalho técnico no país.



Criadas em 2025, as olimpíadas regressam com novidades. Desta vez, vão decorrer em Maputo, Matola e, pela primeira vez, em Pemba. Com isso, a organização amplia o alcance nacional do evento. Além disso, responde à crescente procura por mão-de-obra qualificada.

Segundo Frederico P. Silva, CEO da Talento, o objectivo é dar visibilidade ao talento técnico. “Moçambique tem talento técnico a sério. No entanto, faltava um palco à altura. Agora, em 2026, esse palco cresce”, afirmou.

Expansão para Cabo Delgado

Pela primeira vez, a competição chega à província de Cabo Delgado. As actividades terão lugar no Centro de Formação Ascending. Para isso, a organização conta com a parceria do IFPELAC.

Nesse sentido, a expansão acompanha o crescimento económico da região. Por outro lado, aproxima os formandos das oportunidades ligadas aos sectores de energia e indústria extractiva.

Apoio do sector privado

O sector privado volta a ter um papel central. A ExxonMobil Moçambique mantém-se como Patrocinador Diamante. Dessa forma, reforça o compromisso com o desenvolvimento de competências técnicas.

Segundo Matthew Scharf, da empresa, o investimento nas pessoas é essencial. “As Olimpíadas de Soldadura mostram como a cooperação pode impulsionar o conteúdo local”, destacou.

Além disso, a Ascending assume o estatuto de Patrocinador Platina. Simultaneamente, será anfitriã do evento em Cabo Delgado. Para a empresa, esta dupla participação representa um passo estratégico.

Balanço da edição anterior

Em 2025, a primeira edição reuniu 153 participantes. Entre eles estavam estudantes, formadores e profissionais. Ao todo, mais de 15 instituições estiveram envolvidas.

Como resultado, foi assinado um Memorando de Entendimento entre várias entidades. Entre elas, o Instituto Industrial e Comercial da Matola, o Banco ABSA e associações industriais.

Além disso, o evento ganhou destaque mediático. Consequentemente, ajudou a valorizar a profissão de soldador no país.

Novidades para 2026

Para esta edição, a organização apresenta várias inovações. Entre elas está o Programa de Estágios Talento. A iniciativa prevê estágios remunerados em empresas parceiras.

Por outro lado, serão realizadas visitas guiadas. Assim, empresas poderão conhecer centros de formação de forma directa. Além disso, será lançada uma mini-série audiovisual sobre o evento.

Entretanto, uma nova plataforma digital será introduzida. O objectivo é facilitar o contacto entre formandos e empregadores. Dessa forma, pretende-se prolongar o impacto das olimpíadas.

Sobre o evento

As Olimpíadas de Soldadura são uma iniciativa da Talento. O evento combina competição técnica, feira de talento e debates sectoriais. Por fim, inclui uma cerimónia de premiação.

Sobre a Talento

A Talento é uma empresa moçambicana focada em marketing e inovação. A sua missão é promover o emprego e desenvolver o capital humano. Nesse sentido, liga profissionais qualificados ao mercado de trabalho.




Caso dos 219 Milhões Volta ao Tribunal e Coloca Adriano Nuvunga e Presidente do PODEMOS Sob Pressão

Retoma hoje, no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, o julgamento do chamado “Caso dos 219 milhões de meticais”, um processo que continua a suscitar forte atenção pública devido às implicações políticas e institucionais envolvidas.
No centro do caso está o activista e Director Executivo do Centro de Desenvolvimento para a Democracia (CDD), Albino Forquilha, que também desempenha funções como Presidente do partido PODEMOS. O processo tem sido acompanhado de perto por organizações da sociedade civil e observadores independentes, que apontam para a necessidade de maior transparência na gestão de fundos e na responsabilização de figuras públicas.
Segundo fontes ligadas ao processo, a sessão de hoje deverá concentrar-se na audição de testemunhas-chave e na apresentação de novos elementos de prova. “Este é um momento crucial para o esclarecimento dos factos e para reforçar a confiança nas instituições judiciais”, afirmou uma fonte próxima do caso, sob condição de anonimato.
Analistas políticos consideram que o desfecho deste julgamento poderá ter repercussões significativas no cenário político nacional. “Não se trata apenas de um caso judicial, mas de um teste à capacidade do sistema em lidar com alegações que envolvem figuras com influência política”, explicou um analista ouvido pela nossa reportagem.
Entretanto, representantes do CDD têm reiterado a posição de cooperação com as autoridades judiciais. Em declarações anteriores, Albino Forquilha afirmou estar “disponível para colaborar plenamente com a justiça”, sublinhando a importância de se esclarecerem todas as circunstâncias relacionadas com o caso.
O “Caso dos 219 milhões” continua, assim, a ser um dos processos mais mediáticos em curso no país, num contexto em que cresce a exigência pública por integridade, transparência e boa governação.




Grupo Letshego reforça foco na África Austral através da venda de operaçõesna África Oriental e Ocidental

O Letshego Africa Holdings Limited anunciou a celebração de acordos vinculativos para a venda de algumas das suas operações na África Oriental e Ocidental à Axian Digital Venture Holding and Management Limited, numa acção estratégica que visa reforçar o foco do grupo nos seus principais mercados na África Austral, incluindo Moçambique.



A transação proposta abrange subsidiárias do Letshego em países como Gana, Tanzânia, Nigéria, Ruanda e Uganda, e insere-se na estratégia do grupo de optimização do seu portefólio, com o objectivo de melhorar a eficiência de capital, reforçar o balanço e concentrar recursos em mercados com maior escala e potencial de crescimento sustentável.

De acordo com a Directora Executiva do Grupo Letshego, Reinette van der Merwe, “Esta proposta de transação representa um marco importante na execução da nossa estratégia para simplificar o Grupo e focarmo-nos nos mercados onde temos maior escala, posicionamento competitivo mais forte e as
oportunidades mais apelativas para um crescimento sustentável”.
A responsável acrescenta que a reorganização permitirá à instituição “aumentar a eficiência do
capital, fortalecer a sua posição financeira e oferecer valor sustentável a longo prazo para os
accionistas”.

O grupo destaca ainda que a Axian Digital Venture Holding and Management Limited possui capacidade financeira, experiência operacional e conhecimento do mercado africano para assegurar a continuidade e o crescimento das operações a serem vendidas, mantendo o compromisso com a inclusão financeira.

O Letshego esclarece que as suas operações em Moçambique não fazem parte da transação e continuarão a funcionar normalmente, sem qualquer impacto para clientes, parceiros ou
colaboradores.
A instituição reafirma o seu compromisso com o mercado moçambicano, onde tem vindo a
consolidar a sua presença e a expandir o acesso a serviços financeiros inclusivos.
Do ponto de vista financeiro, o Letshego espera que a transação venha a reforçar a sua posição de capital regulatório, melhorar a liquidez e fortalecer a resiliência do seu balanço. A operação deverá ainda contribuir para uma utilização mais eficiente dos recursos financeiros e para a melhoria do retorno sobre o capital próprio ao longo do tempo, permitindo ao grupo maior foco em soluções de crédito de curto prazo escalonadas e expansão dos produtos transacionais e de poupança.




Fernando Mazanga defende criação de Panteão Nacional para promover reconciliação histórica em Moçambique

O vice-presidente da Comissão Nacional de Eleições, Fernando Mazanga, e antigo porta-voz do partido RENAMO, defende a criação de uma nova Praça de Heróis, concebida como um verdadeiro Panteão Nacional. Segundo Mazanga, o espaço deveria acolher os restos mortais de cidadãos que, ao longo da história, tiveram um papel decisivo na transformação do país.
De acordo com o responsável, a iniciativa visa reconhecer figuras que, independentemente da sua filiação política, contribuíram significativamente para o desenvolvimento de Moçambique.
“Um Panteão Nacional é necessário para criarmos um novo estatuto. O atual espaço está reservado à FRELIMO, mas não deve ser exclusivo. É preciso haver um panteão que represente todos, como forma de reconciliação, homenageando aqueles que, através da sua intervenção, mudaram alguma coisa neste país”, afirmou.
Mazanga fez estas declarações no contexto dos oito anos da morte de Afonso Dhlakama, histórico líder da RENAMO, abordando também o futuro político do partido.
Na ocasião, destacou que o conceito de herói deve ser entendido como alguém cuja ação provoca mudanças significativas na sociedade. Segundo ele, embora existam correntes que defendam a trasladação dos restos mortais de Dhlakama para a Praça dos Heróis Moçambicanos, o próprio líder evitou essa possibilidade em vida.
Mazanga recordou ainda que Dhlakama chegou a classificar a atual Praça dos Heróis como um “cemitério da FRELIMO”, evidenciando as tensões históricas em torno da simbologia nacional e da memória política no país.




DAMIÃO MULA CONTINUA A COMER O “PÃO” QUE NINI SATAR AMASSOU

Dávio David

A família do Jovem recluso da cadeia de Máxima Segurança vulgo BO, Damião Mula acredita na nova tese do Procurador Geral da República, Dias Letela segundo a qual, o falecido milionário Nini Satar pode estar por trás do assassinato do advogado Elvino Dias. Segundo relatos da família, os tentáculos de Nini Satar eram tão longos e complexos ao ponto de mesmo tendo perdido à vida, continua a “governar” o mundo dos vivos.

Para justificar a sua convicção, apontam o caso do jovem Damião Mula, um recluso que mesmo tendo cumprido 12 anos de prisão efetiva na BO, e com mandado de soltura, continua a vegetar na BO, por esquemas maquiavélicos orquestrados, segundo eles, pelo próprio Nini Satar.

É que Mula requereu em 2018 liberdade condicional pelo cumprimento da metade da pena, contudo, o pedido foi recusado alegadamente por ter sido “oferecido” o crime de sequestro.

“O nosso filho foi preso em 2013, condenado a 12 anos de prisão pela 5ª Secção da Província de Maputo. Durante a sua reclusão na BO, tivemos informações que Nini Satar tentou lhe recrutar para o mundo de sequestros, mas porque ele se recusou, acabou sendo acusado de ser autor material no crime de sequestro do empresário Yacoob Ahmed Lunat, no dia 12 de Novembro de 2018, cerca das 20:00 horas quando este saia da mesquita no bairro Central, ao longo da Avenida Eduardo Mondlane”, revelam fontes familiares.

UM JULGAMENTO COM INDÍCIOS DE MANIPULAÇÃO

Aliás, segundo contam as nossas fontes, nessa faditica data, Damião Mula se encontrava preso na BO, a cumprir a pena de 12 anos, mas durante o julgamento do caso conduzido pela polémica juíza da 6ª Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, Ivandra Uamusse (a mesma antecessora do juiz Efigénio Baptista no julgamento do caso das dívidas ocultas), o tribunal, somente apresentou como provas materiais do seu envolvimento, declarações de testemunhas alegadamente”compradas” por Nini Satar, no caso, Leão Albino Wilson, Florência Pascoal Marrengula, Manuel Rofelado e Maria Mundo Mulocane, negligenciando outras diligências como a coleta de imagens do sistema prisional da BO, que provassem que Damião Mula foi “tirado” e regressado à cela após o cometimento do crime.

O mais caricato, de acordo com relatos da mesma família, um dos co-reus do processo de sequestro de Yacoob Lunat, de nome Wilson, ora igualmente preso, que teria aceitado ser recrutado por Nini Satar, foi pago somente 500 mil meticais, pelo crime mas depois foi “abandonado nas masmorras da cadeia”, enquanto que por seu turno , o SERNIC alegou e apresentou na altura todos os envolvidos no crime, isso dentro de 48 horas após o cometimento do crime.

Paradoxalmente, a vítima Yacoob Lunat só foi solto do cativeiro 3 meses depois de ter sido sequestrado.

“Durante o julgamento, ficamos ainda a saber que o dono do número de telefone usado para exigir o valor de resgate pelo sequestro de Yacoob Lunat também foi solto pelo tribunal, mas antes disse em declarações no tribunal que quem usava o seu número com frequência era um alegado tio que é agente do SERNIC”, revelaram ainda as fontes.

“Para nós fica claro que tanto a juíza, como o Ministério Público, dirigentes do sistema prisional, alguns agentes do SERNIC e até a imprensa trabalhavam para Nini, ele controlava uma vasta rede mesmo dentro da BO. Por essa razão a juíza Ivandra Uamusse condenou nossos filho mesmo sem provas convincentes e ainda desconfiamos que Nini pagou ao Tribunal Superior de Recurso para lhe manter preso na BO desde 2020, até hoje, se passam seis anos que o Tribunal Superior de Recurso não se pronúncia sobre o processo”, lamenta a família.

Segundo a defesa do Damião Mula, o TSR está a violar os direitos humanos do seu constituinte, pois não faz sentido que um processo que deu entrada naquela instância em 2020, até hoje, não há julgamento nem sequer um despacho sobre os pedidos de celeridade processual.

UM PRESO MESMO COM MANDADO DE SOLTURA

Ademais, conforme escrevemos na edição antepassada, a juíza da 5 ª Secção Criminal do Tribunal Judicial da Província de Maputo, Ricardina Gabriel assinou o mandado de soltura do Damião Mula, em Setembro de 2025, por ter cumprido na totalidade os 12 anos de prisão pelos crimes que foi acusado na altura, entretanto, por alegadas “ordens” o Ministério Público e TSR decidiram privar a liberdade do Mula sem nenhuma justificação plausível.

Em conversa com a defesa do Damião Mula, este promete processar os agentes de Estado envolvidos no que considera esquemas “draconianos” que demonstram “prostituição entre o judiciário e o crime organizado”, quiçá exigir do Estado uma choruda indemnização por violação dos Direitos Humanos do jovem Damião Mula.

Refira-se que não é primeira vez que há relatos de soltura de reclusos na BO para o cometimento de vários crimes hediondos, como nas vésperas das últimas manifestações pós eleitorais e bem como de envolvimento de agentes do SERNIC e da Polícia da República de Moçambique (PRM) no crime organizado do país.