PORTO DE MAPUTO ACELERA EXPANSÃO E APONTA CONCLUSÃO EM 2027

Investimento de 500 milhões de dólares reforça capacidade logística e antecipa novo ciclo de crescimento em 2028

O Porto de Maputo prevê concluir, no primeiro trimestre de 2027, a expansão dos terminais de contentores e de carvão, no quadro de um investimento estimado em 500 milhões de dólares, iniciado em 2024. O projecto visa reforçar a capacidade operacional da principal infra-estrutura portuária do País e consolidar o seu papel estratégico na região.



A informação foi avançada pelo director-executivo da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), Osório Lucas, à margem da 9.ª Conferência Bianual do Porto de Maputo.

“Devemos terminar a expansão do terminal de contentores no primeiro trimestre de 2027 e a expansão do terminal de carvão também no primeiro trimestre de 2027”, afirmou.

Segundo o gestor, o plano em curso integra a ampliação de terminais, modernização de infra-estruturas e aquisição de equipamentos de alta capacidade. A primeira fase decorre até finais de 2027 e deverá consolidar a eficiência logística do porto.

Novas obras e reforço de cais

Depois da recente expansão do terminal de carga geral, a próxima etapa inclui a construção de cerca de 400 metros de cais entre os espaços 2 e 4, com arranque previsto ainda este ano. Em paralelo, será lançado um concurso para estudos de aprofundamento do canal de acesso, visando permitir a entrada de navios de maior porte.

“O nível de conforto que temos é que estamos a cumprir na íntegra aquilo que foram os planos de desenvolvimento”, sublinhou Osório Lucas.

Equipamento reforça capacidade operacional

No terceiro trimestre deste ano, o porto deverá receber duas novas gruas móveis adquiridas ao fabricante Liebherr, avaliadas em cerca de 13 milhões de dólares cada.

“As gruas chegam entre Julho e Setembro. Cada uma tem capacidade de 65 toneladas e permitirá manusear cerca de 400 toneladas por hora, o que vai acelerar significativamente o nosso crescimento”, explicou.

Corredor de Maputo em crescimento

O desenvolvimento do porto está alinhado com o desempenho do Corredor de Maputo, que registou um crescimento de cerca de 8% na movimentação de mercadorias entre 2024 e 2025. No último ano, o Porto de Maputo atingiu um recorde de 32 milhões de toneladas manuseadas, mais 3,4% face ao período anterior.

Este crescimento resulta da intensificação do uso das infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, com destaque para o aumento do transporte por estrada e variações positivas no escoamento ferroviário.

Parcerias e integração logística

O plano de modernização envolve parceiros estratégicos como os Caminhos-de-Ferro de Moçambique e a concessionária Trans African Concessions, assegurando maior integração das cadeias logísticas.

A concessão do porto à MPDC vigora até 2058 e é suportada por uma parceria que inclui os Caminhos-de-Ferro de Moçambique e a Portus Indico, consórcio internacional do sector logístico.

Impactos externos sob vigilância

Apesar do desempenho positivo, a gestão do porto reconhece sinais de চাপ internacional, nomeadamente associados ao conflito no Médio Oriente, com efeitos no custo de fretes e em alguns atrasos operacionais.

“Ainda que reduzidos, os impactos fazem-se sentir sobretudo no aumento do custo de frete dos navios e em alguns atrasos no manuseamento”, referiu.

“De uma forma geral ainda não percebemos um impacto muito grande, mas estamos atentos e a desenhar planos de contingência”, acrescentou.

2028 no horizonte

Com a execução dos investimentos em curso, a expectativa da gestão é clara:

“A nossa expectativa é que o ano de 2028 seja um ano de realizações, face àquilo que são os investimentos que estamos a realizar neste momento.”

A conferência bianual, realizada sob o lema “Porto de Maputo: Alinhado com o Corredor, a Construir o Futuro”, reúne os principais intervenientes do sector para discutir soluções que reduzam custos logísticos, eliminem constrangimentos operacionais e reforcem a competitividade do corredor face aos desafios do comércio regional e internacional.

O Porto de Maputo entra, assim, numa nova fase de expansão — com mais capacidade, mais eficiência e maior peso estratégico na economia da África Austral.




Menor Electronics lança “Celeste Pro” e desafia gigantes globais

O cenário tecnológico moçambicano testemunhou um marco histórico com o lançamento no Sábado(25.04.2026) do Menor All In One Pro, também designado “Celeste Pro”. O novo computador de alto desempenho promete colocar a indústria local em rota de colisão com as maiores marcas internacionais, apresentando especificações de topo que incluem um monitor curvo de 34 polegadas e uma configuração de hardware robusta, desenhada para criadores e profissionais exigentes.



A VISÃO DO FUNDADOR: UMA MARCA PARA O UNIVERSO

António Mondlane, CEO da Menor Electronics

António Mondlane, CEO da Menor Electronics, abriu o evento reforçando o compromisso da sua empresa com a inovação contínua. Dois anos após o seu primeiro grande lançamento, a empresa regressa com produtos renovados. “Viemos mostrar que temos trabalhado de forma incansável, temos de dar continuidade àquilo que é o nosso propósito”, afirmou Mondlane, sublinhando que a nova linha apresenta uma “nova estrutura, uma nova engenharia e uma nova arquitectura”.

Com mais de 2.200 unidades já vendidas, o CEO traça metas ambiciosas, visando atingir 5 milhões de unidades até 2030 e expandir a marca para além-fronteiras. Mondlane revelou ainda que a empresa está a construir um edifício na Matola, previsto para inaugurar em Novembro, que albergará um laboratório onde engenheiros locais desenvolverão tecnologia do zero. “Daqui a 9 anos, em 2035, queremos fazer tudo aqui”, projectou, mencionando o uso de materiais recicláveis como alumínio e plásticos.

“O MELHOR DESKTOP DO UNIVERSO”: POTÊNCIA E DESIGN

Durante a apresentação detalhada do equipamento, o entusiasmo de Mondlane foi evidente ao descrever o Celeste Pro como “o melhor desktop do universo”. O dispositivo destaca-se pelo monitor curvo ultra-wide de 34 polegadas, com resolução de 3440 por 1440 e suporte a 4K, oferecendo uma imersão total com 1,07 mil milhões de cores.

No interior, a máquina é equipada com 32GB de RAM e um sistema de duas placas gráficas: uma RTX 3060 de 12GB e uma RTX 4060 de 8GB, proporcionando uma “potência gráfica feita para criar, para explorar, para construir e para jogar sem limites”. O ecossistema é completado pelo Skyboard Pro e Sky Mouse Pro, periféricos que oferecem até 100 dias de uso com uma única carga. Mondlane recordou que a empresa nasceu com apenas 50 meticais, movida pela máxima de Mahatma Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

O APOIO DO SETOR FINANCEIRO E A VOZ DOS REVENDEDORES

A relevância do projecto atraiu a atenção de instituições financeiras. J.M, gestora do BCI, marcou presença para reiterar o apoio à marca. “É um evento que para nós é de grande valia, principalmente por ser um moçambicano a inovar”, declarou Mauel, acrescentando que o banco acompanha a marca há anos para “elevar ao mais alto nível esta marca”. Para a gestora, a montagem apresentada é a prova de que o sonho moçambicano pode tornar-se realidade, mostrando que o país está “competitivo ao nível internacional”.

Na vertente comercial, José Martinho, revendedor de tecnologia, classificou o lançamento como algo “extraordinário e incrível”. Martinho apelou ao consumo interno para fortalecer a economia nacional: “Consumir aquilo que é nosso produto… ajuda o nosso país a desenvolver e poder vender para os outros países”, comparando a ambição da Menor à de gigantes como a Samsung.

INOVAÇÃO E DESAFIOS ESTRUTURAIS

Onofre, colaborador próximo do projecto, destacou a versatilidade de Mondlane, que actua tanto na tecnologia como na indústria pesada com a “Menor Lift”, a primeira empilhadora moçambicana. Para ele, o Celeste Pro não é um projecto estagnado, mas sim um sucesso em marcha. “É o bebé do país. É o primeiro a lançar um produto made in Moçambique… requer muita parte de hardware e software”, explicou, instando o governo a abraçar a causa de um jovem que está a preparar um laboratório nacional para aconselhar outros inventores.

Menor Lift”, a primeira empilhadora moçambicana

Osvaldo Muzambwa, que assistiu à apresentação pela primeira vez, confessou-se “estupefacto e admirado”, afirmando que a qualidade do produto “não parece algo moçambicano”. Mozamba defendeu que o Estado tem o dever de promover estas iniciativas, sugerindo a criação de estágios pré-profissionais na Menor Electronics para multiplicar este espírito inovador entre os jovens.

APELO À VALORIZAÇÃO DO CONTEÚDO LOCAL

Edson Almeida, amigo de longa data do inventor e CEO da ME António Mondlane

Apesar do sucesso técnico, o evento foi também palco de desabafos sobre a falta de apoio institucional. Edson Almeida, amigo de longa data do inventor, lamentou a ausência de grandes empresas nacionais e do Estado. “É uma pena que ainda uma parte do nosso estado não apoie e não esteja aqui para verificar o que é que está a ser feito”, criticou, notando que empresas de telefonia e bancos continuam a importar marcas como HP e Dell em detrimento da produção local. Almeida sublinhou que a Menor Electronics oferece qualidade superior a preços mais acessíveis, desafiando as “leis” de um país onde muitas vezes se privilegia o imediato sobre a inovação.

Edson, profissional da área gráfica e utilizador de monitores de 34 polegadas, reforçou este sentimento de abandono institucional. “Ao ver que a sala não esteve cheia para um evento tão grande como este… entristece”, desabafou. Ele argumentou que comprar localmente é uma questão de soberania económica: “Quando a gente tira o nosso recurso financeiro e vai comprar um produto fora, a gente está a levar a nossa economia para entregar fora”. Edson concluiu com um apelo para que o Estado e as empresas não deixem os jovens desistirem por falta de incentivo, lembrando que a Menor Electronics não pede esmola, mas sim que o seu produto seja valorizado no mercado.




Operação Surpresa na Cadeia Central Expõe Uso Ilícito de Telemóveis entre Reclusos

Uma operação conjunta conduzida pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e pela Polícia da República de Moçambique (PRM) resultou, na madrugada deste sábado, na apreensão de diversos telemóveis no interior da Cadeia Central, levantando sérias preocupações sobre a segurança e o controlo dentro do sistema penitenciário.
De acordo com fontes oficiais, a ação foi realizada de forma inesperada, surpreendendo os reclusos durante as primeiras horas do dia. Equipas especializadas procederam a uma revista intensiva às celas, numa operação descrita como “minuciosa e estratégica”, com o objetivo de desmantelar redes de comunicação ilegal a partir do interior do estabelecimento.
“Foi uma intervenção cirúrgica. Entrámos de madrugada para garantir o efeito surpresa e evitar qualquer tentativa de ocultação de provas”, revelou uma fonte ligada à operação, sob anonimato.
Durante a revista, foram encontrados vários dispositivos móveis escondidos em locais improváveis, incluindo estruturas improvisadas nas celas. As autoridades suspeitam que os aparelhos vinham sendo utilizados para coordenar atividades ilícitas fora e dentro da prisão.
Segundo relatos recolhidos no local, algumas comunicações interceptadas indicam a utilização frequente de instruções diretas como “manda para esse número”, sugerindo a existência de esquemas organizados que operam a partir do interior da cadeia.
“O uso de telemóveis em estabelecimentos penitenciários representa uma ameaça grave à ordem pública, pois permite a continuidade de práticas criminosas mesmo em regime de reclusão”, afirmou um porta-voz das forças de segurança.
A operação insere-se num conjunto mais amplo de medidas que visam reforçar o controlo e a disciplina nos estabelecimentos penitenciários do país, num contexto em que têm surgido denúncias recorrentes sobre a circulação ilegal de objetos proibidos.
As autoridades garantem que as investigações continuam em curso para identificar não apenas os reclusos envolvidos, mas também possíveis redes externas que facilitam a entrada destes dispositivos.
Entretanto, fontes internas admitem que o incidente expõe fragilidades no sistema de vigilância prisional, levantando questões sobre a eficácia dos mecanismos de controlo atualmente em vigor.
Mais desenvolvimentos são aguardados nas próximas horas, à medida que o SERNIC e a PRM aprofundam as diligências para responsabilizar os envolvidos.




“VOR Falso” na Mira: Damião Cumbane acusa Procuradoria-Geral da República de alegado esquema no caso Elvino Dias

O advogado Damião Cumbane lançou acusações graves contra a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), sugerindo a existência de um alegado esquema sofisticado que, segundo afirma, remete a métodos históricos associados ao período do apartheid na África Austral.
De acordo com o jurista, no contexto da morte de Elvino Dias, terá sido montado um sistema de navegação falso — conhecido como VOR (Very High Frequency Omnidirectional Range) — com o objetivo de induzir em erro operações aéreas e autoridades envolvidas. Cumbane estabelece um paralelo direto com o incidente de 1986 que resultou na morte do então Presidente moçambicano Samora Machel, ocorrido nas colinas de Mbuzini.
“Montaram-lhe um VOR falso, à moda do VOR montado pelos sul-africanos em 1986, que levou ao desvio e queda do avião presidencial”, afirmou.
Referências Históricas e Alegada Continuidade de Redes
Ao aprofundar a sua argumentação, Damião Cumbane sustenta que indivíduos ligados ao alegado “assassinato” de Samora Machel permanecem ativos e com influência nos círculos de decisão.
“Uma grande parte da componente moçambicana que tomou parte no ‘assassinato’ de Samora Machel continua viva e a difundir as suas longas experiências à nova geração de líderes”, declarou.
O advogado levanta ainda dúvidas sobre as circunstâncias que rodearam a tragédia de 1986, sublinhando a ausência de figuras centrais do círculo presidencial no voo fatal.
“Não nos esqueçamos que Samora Machel morreu rodeado de serventes e chefes de menor destaque. Nenhum dos principais membros do círculo do poder seguiu viagem com o Presidente. Estranho!”
Paralelos com o Presente
Estabelecendo ligação com a atualidade, Cumbane afirma que métodos semelhantes teriam sido replicados num episódio recente envolvendo o Procurador-Geral da República, Américo Letela.
“Desta feita, com recurso a essas longas experiências, montou-se um falso VOR para levar o PGR Américo Letela a aterrar num lodaçal”, afirmou.
Segundo o advogado, indivíduos que anteriormente terão proferido ameaças contra Elvino Dias — e que, alegadamente, manifestaram satisfação com a sua morte — não surgem diretamente associados aos factos sob investigação.
“Todos os que estiveram a proferir ameaças ao Elvino Dias e os que, de seguida, rejubilaram com o seu macabro assassinato, não aparecem. É assim como age o crime organizado.”
Silêncio Institucional e Apelos à Investigação
Até ao momento, a Procuradoria-Geral da República não reagiu publicamente às declarações. Especialistas em assuntos jurídicos e políticos alertam que acusações desta natureza, pela sua gravidade, exigem apuramento rigoroso e independente.
Analistas sublinham que o caso poderá ter implicações profundas na confiança pública nas instituições, caso não seja devidamente esclarecido, reforçando a necessidade de transparência e responsabilização.




Moza Banco impulsiona reflexão crítica sobre o papel da mulher na sociedade moçambicana

Num contexto marcado por persistentes desigualdades de género e desafios estruturais ao desenvolvimento inclusivo, o Moza Banco promoveu, esta quinta-feira, na capital moçambicana, a primeira edição do Moza Talks 2026. O evento reuniu académicas, pensadoras e diversas figuras da sociedade civil para debater o tema “O lugar da Mulher em Moçambique”, numa iniciativa que procurou ir além do discurso simbólico e fomentar uma análise crítica enraizada na realidade sociocultural do país.A sessão destacou-se pela diversidade de perspectivas apresentadas, com intervenientes a revisitar o percurso histórico da mulher moçambicana, marcado por exclusões sistémicas, mas também por avanços significativos nas últimas décadas. Entre reflexões sobre os papéis tradicionais e os novos espaços de afirmação feminina, o encontro lançou questões sobre até que ponto as conquistas actuais se traduzem em mudanças estruturais efectivas.Apesar do tom institucional do evento, várias intervenções apontaram para a necessidade de transformar o debate em acções concretas. Persistem desafios como o acesso desigual a oportunidades económicas, a sub-representação em cargos de decisão e barreiras socioculturais que limitam a plena participação da mulher na vida pública e privada.Na ocasião, a Directora de Corporate do Moza Banco, Samira Franco, enfatizou a importância de criar plataformas de diálogo inclusivo, reconhecendo que o crescimento sustentável do país está intrinsecamente ligado à integração efectiva de todos os grupos sociais.“O desenvolvimento económico e social só é possível quando todos ocupam, com dignidade, o espaço que lhes é devido. A mulher não pode continuar a ser vista como um elemento periférico, mas sim como uma força central na dinâmica económica e social do país”, afirmou.A responsável sublinhou ainda que iniciativas como o Moza Talks representam um esforço para reposicionar o debate sobre género, não apenas ao nível conceptual, mas também na implementação de medidas práticas que contribuam para o empoderamento feminino.Contudo, especialistas presentes alertaram que o envolvimento do sector privado, embora relevante, deve ser acompanhado por políticas públicas robustas e mecanismos de responsabilização que garantam resultados mensuráveis. Sem esses elementos, advertiram, há o risco de tais iniciativas permanecerem no domínio da retórica institucional.O Moza Banco destacou igualmente o projecto Moza Women, lançado em 2024, como exemplo da sua estratégia para apoiar o fortalecimento do papel da mulher na economia, oferecendo soluções financeiras e programas de capacitação. Ainda assim, analistas apontam que a eficácia de tais programas dependerá da sua abrangência e do impacto real junto das mulheres em contextos mais vulneráveis.Ao acolher o Moza Talks 2026, a instituição posiciona-se como promotora de pensamento crítico sobre questões estruturais do país. Resta, porém, acompanhar de que forma este compromisso se traduzirá em mudanças concretas num cenário onde a igualdade de género continua a ser um desafio central para o desenvolvimento de Moçambique.




Daniel Chapo participa em celebrações do Jubileu de Rubi no Reino de Eswatini

O Presidente da República, Daniel Chapo, realiza uma visita oficial de trabalho ao Reino de Eswatini nos dias 24 e 25 de Abril do corrente ano, no âmbito de um convite formulado por Sua Majestade, o Rei Mswati III. A deslocação insere-se nas celebrações do Jubileu de Rubi, que assinala os 40 anos de reinado do monarca, coincidindo igualmente com o seu 58.º aniversário natalício.
Fontes ligadas à Presidência indicam que a participação de Moçambique neste evento reveste-se de importância diplomática, numa altura em que se procura reforçar os laços bilaterais entre os dois países da região da África Austral. A presença do Chefe de Estado moçambicano ocorre num contexto de cooperação política e económica crescente no seio da SADC.
Durante a visita, Daniel Chapo far-se-á acompanhar pela Primeira-Dama da República, bem como por uma delegação composta por quadros seniores da Presidência. Segundo apurou a nossa reportagem, estão igualmente previstos encontros bilaterais à margem das celebrações, embora detalhes sobre a agenda oficial ainda não tenham sido integralmente divulgados.
“O convite reflecte o nível de diplomáticas e de respeito mútuo entre os dois Estados”, referiu uma fonte governamental, acrescentando que a visita poderá abrir espaço para novas iniciativas conjuntas em áreas estratégicas.
As celebrações do Jubileu de Rubi do Rei Mswati III são consideradas um dos eventos mais marcantes do calendário político e cultural de Eswatini, devendo reunir líderes regionais e outras figuras de destaque internacional.




INSPECÇÃO TÉCNICA REVELA DEGRADAÇÃO PREOCUPANTE EM EDIFÍCIOS PÚBLICOS E PRIVADOS NA CIDADE DE MAPUTO

Um recente relatório técnico do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH) evidencia um quadro preocupante relativo ao estado de conservação do parque edificado na cidade de Maputo. A inspecção, realizada a 11 edifícios seleccionados por amostragem, identificou sinais consistentes de degradação, alguns dos quais configuram riscos efectivos para a segurança de pessoas e bens.



A presente iniciativa decorre na sequência de um incidente ocorrido na Avenida Filipe Samuel Magaia, no qual ocorreu o desprendimento de parte do revestimento de uma estrutura, com queda sobre o passeio público. Este evento motivou a constituição de uma Equipa Conjunta de Inspecção, integrada pelo Laboratório de Engenharia de Moçambique (LEM, IP), pela Inspecção-Geral das Obras Públicas (IGOP, IP), pela Direcção Nacional de Edifícios (DNE) e pela Administração do Parque Imobiliário do Estado (APIE).

De acordo com o relatório, uma proporção significativa do parque edificado da cidade de Maputo possui mais de 50 anos de existência, evidenciando défices estruturais de manutenção sistemática e preventiva. Tal circunstância constitui um factor determinante para o processo de degradação actualmente observado.

A avaliação foi conduzida com base em inspecções visuais sistemáticas, complementadas por registo fotográfico e por análise técnico-qualitativa das anomalias identificadas. Os objectivos centrais incidiram na avaliação do estado de conservação dos edifícios, na identificação de riscos estruturais e funcionais, bem como na formulação de recomendações técnicas de intervenção.

Anomalias identificadas

Os resultados da inspecção permitem classificar as patologias identificadas em cinco categorias principais: anomalias não estruturais, estruturais, hidráulicas, eléctricas e de salubridade.

No domínio das anomalias não estruturais, registam-se fenómenos de destacamento de rebocos, degradação de revestimentos e pinturas, fissuração em elementos de alvenaria, bem como o desenvolvimento de fungos e vegetação em superfícies edificadas.

No que respeita às anomalias estruturais, foram identificadas situações de maior gravidade, incluindo fissuração em elementos resistentes, destacamento de betão, corrosão de armaduras e infiltrações com impacto directo no betão armado. Foram ainda observadas deformações e sobrecargas associadas à instalação de equipamentos sem prévia validação técnica.

No sistema hidráulico, constatam-se ocorrências de fugas de água, infiltrações generalizadas, obstrução de sistemas de drenagem e ausência ou inoperacionalidade de sistemas de combate a incêndios.

Relativamente às anomalias eléctricas, o relatório assinala quadros eléctricos desorganizados, cablagem exposta e equipamentos sujeitos a exposição à humidade, factores que incrementam significativamente o risco de curto-circuito e incêndio.

No domínio da salubridade, verificam-se condições inadequadas, designadamente acumulação de resíduos, presença de água estagnada, humidade persistente e proliferação de fungos, com impacto directo nas condições de saúde e habitabilidade dos ocupantes.

O relatório apresentado hoje pelo Inspector Geral das Obras Públicas, Saturino Chemneze e pelo Director do Laboratório de Engenharia de Moçambique Carlos Cumbana, conclui que o processo de degradação dos edifícios apresenta carácter activo e progressivo, sendo predominantemente associado à presença de infiltrações persistentes e à ausência de manutenção regular e preventiva. Em diversos casos, foram identificadas anomalias de natureza crítica, com potencial risco para a segurança estrutural e funcional das edificações.

As autoridades competentes alertam que, na ausência de intervenções imediatas e estruturadas, se prevê o agravamento da situação, com consequente aumento da probabilidade de ocorrência de incidentes e elevação significativa dos custos futuros de reabilitação.

Neste contexto, o MOPHRH recomenda a implementação urgente de medidas de manutenção correctiva e preventiva, reabilitação estrutural e reforço dos mecanismos de fiscalização técnica, de forma a assegurar a segurança estrutural, a funcionalidade e as condições de habitabilidade do parque edificado da cidade de Maputo.




MOÇAMBIQUE DESPERTA INTERESSE DE INVESTIDORES E VISITANTES NO TERCEIRO DIA DA ZITF 2026 EM BULAWAYO

Moçambique está a registar sinais encorajadores de dinamização económica e projeção internacional durante o terceiro dia da 66.ª edição da Feira Comercial Internacional do Zimbabwe (ZITF 2026), um dos maiores eventos de promoção de negócios da região da África Austral.
Dados recolhidos no recinto da feira indicam que o stand moçambicano tem sido um dos pontos de maior afluência, atraindo um fluxo constante de visitantes, entre os quais potenciais investidores, representantes de empresas e delegações empresariais interessadas em explorar oportunidades de cooperação económica com o país.
A diversidade de produtos e serviços apresentados surge como um dos principais fatores de atração. Entre os setores em destaque estão o agroprocessamento, o processamento e tratamento de águas — com forte representação de iniciativas oriundas da província de Manica — e a produção de plantas medicinais, áreas consideradas estratégicas para o crescimento sustentável e a agregação de valor aos recursos nacionais.
Segundo fontes ligadas à organização e à delegação moçambicana, “há um interesse concreto por parte de investidores estrangeiros em estabelecer parcerias com empresas nacionais, sobretudo em cadeias de valor ainda pouco exploradas”. As mesmas fontes indicam que vários encontros bilaterais já foram realizados, com perspetivas reais de formalização de acordos nos próximos meses.
Empresários presentes no evento destacam a importância da ZITF como plataforma para ampliar redes de contactos e promover produtos nacionais num ambiente competitivo e internacional. “Estamos a receber propostas que podem evoluir para investimentos diretos e transferência de tecnologia, o que é extremamente positivo para o país”, afirmou um representante do setor de agroprocessamento.
Para analistas económicos, o desempenho de Moçambique nesta edição da feira reflete uma estratégia mais assertiva de promoção externa, focada na diversificação da economia e na captação de investimento estrangeiro. No entanto, alertam que o desafio reside na capacidade de transformar o interesse manifestado em projetos concretos e sustentáveis no terreno.
A participação moçambicana na ZITF 2026 deverá continuar a gerar contactos e oportunidades até ao encerramento do evento, consolidando a imagem do país como destino emergente para investimento e negócios na região.




Defesa de Rasaque Manhique acusa Tribunal de distorcer factos e nega crime no caso Florentino

A defesa de Rasaque Manhique lançou duras críticas contra o Tribunal, acusando-o de sustentar uma narrativa “sem base factual” no processo que envolve o cidadão Florentino Maneja. Em causa está a alegada prática de crime de desobediência — uma acusação que o advogado rejeita de forma categórica.
“Não existiu, não existe e nunca existirá qualquer crime de desobediência neste processo”, afirmou o advogado, em declarações firmes, sugerindo que a posição do Tribunal carece de fundamentação sólida e levanta sérias dúvidas sobre a condução do caso.
De acordo com a defesa, trata-se de um processo antigo, com vários anos de tramitação, que tem seguido os canais legais previstos, sem qualquer registo de incumprimento deliberado que possa configurar ilícito criminal. “Estamos perante um processo que foi sendo conduzido dentro da normalidade jurídica, e não numa lógica de afronta à autoridade judicial, como se quer agora fazer crer”, sublinhou.
O advogado vai mais longe e aponta para aquilo que considera ser uma tentativa de reinterpretação forçada dos factos. “Há aqui um esforço claro de transformar um procedimento administrativo ou processual num caso criminal, o que é, no mínimo, questionável”, declarou, insinuando possíveis excessos por parte das autoridades judiciais.
Fontes próximas do processo indicam que o caso, apesar da sua antiguidade, ganhou nova atenção nos últimos tempos, levantando suspeitas sobre eventuais motivações por detrás da insistência na acusação. Ainda assim, o Tribunal mantém-se em silêncio sobre críticas específicas, limitando-se a reiterar que os autos seguem os trâmites legais.
Especialistas do meio jurídico, contactados sob anonimato, admitem que processos longos podem, por vezes, ser alvo de interpretações divergentes, mas alertam que a tipificação de crimes como desobediência exige critérios rigorosos. “Não basta a existência de um processo antigo; é necessário provar uma conduta clara de recusa ou violação de ordem legítima”, referiu uma das fontes.
Enquanto isso, a defesa de Rasaque Manhique promete levar o caso até às últimas instâncias, denunciando o que considera ser uma “leitura distorcida da lei” e exigindo o restabelecimento da verdade jurídica.
O desenrolar deste processo poderá vir a expor fragilidades na interpretação judicial e reacender o debate sobre a gestão de casos antigos no sistema de justiça.




PGR revela processos contra agentes do SERNIC e anuncia reforço com 600 novos recrutas

O Procurador-Geral da República, Américo Latela, revelou esta semana, na Assembleia da República, que 28 membros do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) estão actualmente a responder a processos disciplinares e criminais, no âmbito de acções de controlo interno levadas a cabo pela instituição.
Segundo explicou o magistrado, os processos resultam de iniciativas destinadas a reforçar a responsabilização no sector da investigação criminal, numa altura em que crescem as exigências de transparência e integridade nas instituições públicas.
“Estamos a intensificar os mecanismos de controlo interno para garantir que os agentes actuem dentro da legalidade e dos princípios éticos que regem a função pública”, afirmou Américo Latela perante os deputados.
No mesmo informe, o Procurador-Geral anunciou que está em curso o recrutamento de 600 novos agentes para o SERNIC, uma medida que visa fortalecer a capacidade operacional da instituição.
De acordo com Latela, o reforço de efectivos pretende melhorar a resposta no combate ao crime organizado e a outras formas complexas de criminalidade que têm vindo a desafiar as autoridades.
“O aumento do número de agentes permitirá maior cobertura operacional e maior eficácia nas investigações, sobretudo em casos de maior complexidade”, sublinhou.
As medidas apresentadas inserem-se, segundo a Procuradoria-Geral da República, num esforço mais amplo de reforma dos órgãos de investigação criminal. O objectivo, destacou, é elevar os níveis de eficiência, integridade e credibilidade institucional, reforçando a confiança pública no sistema de justiça.