ARENE mantém preços dos combustíveis e surpreende consumidores em Moçambique

Em uma decisão que apanhou muitos cidadãos de surpresa, o Conselho de Administração da Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) decidiu não proceder a qualquer alteração nos preços dos combustíveis no país, contrariando expectativas de um possível aumento que já vinha gerando preocupação entre consumidores.
A notícia, inicialmente inesperada para muitos que antecipavam um agravamento do custo de vida, foi recebida com alívio por parte de automobilistas e famílias que temiam um impacto direto no orçamento mensal.
Segundo um comunicado da ARENE, ao qual o jornal Visão Moçambique teve acesso, a entidade reguladora confirmou a manutenção dos preços atuais pelo menos até às 00h00 do dia 28 de abril, instruindo igualmente as empresas distribuidoras a respeitarem os valores em vigor até essa data.
“A ARENE informa que os preços dos combustíveis permanecem inalterados até às 00h00 do dia 28 de abril, devendo as gasolineiras manterem as tabelas atualmente em vigor”, refere o comunicado citado pelo Visão Moçambique.
A decisão surge num contexto em que o mercado internacional de combustíveis tem registado oscilações, o que vinha alimentando especulações sobre possíveis ajustamentos no mercado interno.
Por enquanto, a estabilidade anunciada traz algum alívio temporário aos consumidores, ainda que permaneça a expectativa sobre os próximos ajustes regulatórios no setor energético.




LMF leva 30 VIPs à abertura do Moçambola e levanta dúvidas sobre custos e logística

A Liga Moçambicana de Futebol (LMF) está a organizar a cerimónia de abertura do Moçambola com a presença de 30 convidados VIP provenientes de pontos do país, mas a logística e os encargos associados ao evento estão a gerar questionamentos.
De acordo com um comunicado oficial ao qual o Jornal Visão Moçambique teve acesso, a Associação Desportiva de Vilankulo (AD Vilankulo) será responsável por custear despesas de alojamento, alimentação e bebidas dos convidados. A LMF, por sua vez, compromete-se a suportar os custos relacionados com o transporte dessas individualidades até ao local do evento.
No entanto, um aspecto chama particularmente a atenção: embora a partida inaugural esteja marcada para a cidade da Maxixe, os VIPs deverão ficar hospedados em Vilankulo, localizada a várias dezenas de quilómetros do palco do jogo.
“O alojamento dos convidados será assegurado em Vilankulo, ficando a cargo da AD Vilankulo as despesas de estadia, refeições e bebidas”, refere o documento.
A decisão levanta questões logísticas e financeiras, sobretudo tendo em conta a necessidade de deslocação adicional entre as duas cidades no dia do evento. Para alguns observadores, trata-se de uma escolha que pode estar associada à promoção turística da região de Vilankulo, conhecida pelas suas estâncias balneares.
Ainda assim, surgem dúvidas quanto à razoabilidade de certos encargos. A inclusão explícita de despesas com bebidas no pacote suportado pela AD Vilankulo é vista por alguns como excessiva, num contexto em que clubes locais frequentemente enfrentam limitações financeiras.
“Há custos que são compreensíveis num evento desta dimensão, mas outros levantam debate sobre prioridades e gestão de recursos”, comentou uma fonte ligada ao desporto, sob anonimato.
Até ao momento, a LMF não se pronunciou publicamente sobre as críticas, mantendo-se o silêncio quanto aos critérios que orientaram estas decisões.




O silêncio das motas e o grito das cidades

Artigo de opinião:
Por Luís Vasconcelos – Um olhar atento

A partir de 1 de Maio de 2026, o som que durante anos marcou o ritmo das cidades moçambicanas — o zumbido ágil das motas — poderá transformar-se em silêncio forçado. Não por evolução natural do sistema de transportes, mas por imposição legal.

O Decreto n.º 78/2025 vem proibir a actividade de mototáxi nas zonas metropolitanas, abrangendo cidades como Maputo, Matola, Beira, Nampula e outras. À primeira vista, a medida pode parecer um passo rumo à organização urbana e à segurança rodoviária. Mas, olhando com atenção, revela-se um corte profundo numa das engrenagens mais resilientes da economia informal.

Durante anos, o mototáxi não foi apenas um meio de transporte. Foi refúgio económico. Foi alternativa para milhares de jovens sem emprego formal. Foi solução onde o Estado ainda não conseguiu chegar com eficácia. Cada mota na estrada representa mais do que mobilidade — representa sustento, dignidade e sobrevivência.

Retirar essa actividade de forma abrupta é, na prática, lançar milhares de famílias para uma incerteza imediata. É transferir para o cidadão comum o peso de uma decisão que não veio acompanhada de soluções visíveis.

Mas o impacto não se limita ao desemprego.

As cidades moçambicanas cresceram para além da sua capacidade de planeamento. Bairros distantes, ruas estreitas, acessos precários — realidades onde o transporte convencional raramente entra com eficiência. É nesses espaços que o mototáxi se tornou essencial. Não como luxo, mas como necessidade.

Sem ele, o que acontece?

A resposta é simples e preocupante: isolamento. Populações inteiras poderão ver-se privadas de mobilidade rápida. Trabalhadores chegarão mais tarde. Estudantes enfrentarão maiores dificuldades. Pequenos negócios perderão dinamismo. O tempo — esse recurso invisível — tornar-se-á ainda mais caro.

E há uma contradição que não pode ser ignorada: enquanto se critica o impacto das motas no trânsito, esquece-se que elas são, muitas vezes, a solução para o próprio congestionamento. Ágeis, adaptáveis, capazes de contornar o caos urbano, as motas preenchem falhas que o sistema formal ainda não conseguiu resolver.

Se o problema é a desordem, a resposta não deveria ser a proibição total, mas sim a organização. Regulamentar, formar, fiscalizar — caminhos mais difíceis, sim, mas também mais justos e sustentáveis.

Ao optar pela proibição, o Estado escolhe o caminho mais rápido, mas não necessariamente o mais eficaz.

E quando decisões desta magnitude são tomadas sem transição clara, sem diálogo amplo e sem alternativas concretas, o risco não é apenas económico — é social.

O silêncio das motas poderá, em breve, dar lugar a outro som: o da insatisfação.

Porque quando se retira o sustento de muitos sem oferecer caminhos, não se elimina um problema — transforma-se em outro, maior e mais profundo.

Moçambique precisa de ordem. Precisa de segurança. Mas precisa, acima de tudo, de equilíbrio.

E o verdadeiro desafio não está em proibir o movimento das motas, mas em garantir que, com elas fora das estradas, o país não fique parado.
Luís Vasconcelos- Um olhar atento




Governo pressiona Parlamento para aprovar banco de desenvolvimento e reformas no sector extractivo

Medidas são apresentadas como cruciais para dinamizar a economia, mas levantam questões sobre execução, transparência e impacto real
O Presidente da República, Daniel Chapo, solicitou à Assembleia da República o agendamento com carácter de urgência de um conjunto de propostas legislativas consideradas estratégicas para a economia nacional. No centro da iniciativa estão a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique e um pacote abrangente de reformas no sector extractivo.
Segundo fontes governamentais, o futuro banco público deverá concentrar-se no financiamento de projectos estruturantes, com o objectivo de mobilizar investimento e impulsionar o crescimento sustentável. “Pretende-se criar um instrumento financeiro capaz de responder às lacunas históricas de financiamento de longo prazo no país”, indicou uma fonte ligada ao processo.
Paralelamente, o Executivo propõe alterações profundas no quadro legal que rege os recursos naturais, incluindo a revisão das leis de minas e petróleos, bem como a introdução de uma nova Lei de Conteúdo Local. As reformas abrangem ainda ajustes no sector empresarial do Estado.
De acordo com o Governo, estas mudanças visam modernizar a legislação, reforçar a soberania nacional sobre os recursos naturais e promover a industrialização. “O pacote legislativo procura assegurar uma maior participação nacional na exploração e valorização dos recursos”, refere um documento oficial consultado pela nossa reportagem.
No entanto, analistas ouvidos levantam reservas quanto à capacidade de implementação efectiva das medidas. “A criação de instituições financeiras públicas exige elevados níveis de transparência e governação. Sem isso, há risco de repetição de falhas do passado”, alertou um economista que preferiu manter o anonimato.
Outros especialistas sublinham que a revisão das leis do sector extractivo poderá ter impacto significativo na atracção de investimento estrangeiro. “O equilíbrio entre soberania e competitividade será determinante para o sucesso destas reformas”, acrescentou.
O Governo defende que, em conjunto, as iniciativas têm como objectivo transformar os recursos naturais e os instrumentos financeiros em motores efectivos de desenvolvimento inclusivo e geração de emprego — uma meta ambiciosa num contexto económico ainda marcado por desafios estruturais.
A Assembleia da República deverá analisar as propostas nas próximas sessões, num debate que se antevê intenso e com implicações de longo alcance para o futuro económico do país.




Thera Dai faz história e assume liderança da advocacia moçambicana

A advogada Thera Dai foi eleita Bastonária da Ordem dos Advogados de Moçambique, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo máximo da instituição desde a sua criação. A eleição decorreu este sábado e assinala uma mudança relevante num sector tradicionalmente dominado por homens.



Mais do que um resultado eleitoral, a eleição de Thera Dai representa um sinal de transformação interna na classe, com potencial para impulsionar maior inclusão e diversidade nos órgãos de decisão da advocacia.

Transição num momento crítico

Thera Dai deverá substituir Carlos Martins, cujo mandato termina em Junho, numa fase considerada sensível para o sector jurídico. Entre os principais desafios identificados estão o reforço da ética profissional, a modernização dos serviços jurídicos, a ampliação do acesso à justiça e o combate à morosidade processual.

Fontes próximas do processo eleitoral apontam para uma liderança mais interventiva, com maior proximidade à classe e foco na valorização dos advogados, sem comprometer a defesa da independência do sistema judicial.

Expectativa de mudança efectiva

A eleição ocorre num contexto de crescente participação feminina em áreas estratégicas do país, ainda que a presença de mulheres em cargos de topo continue reduzida. Neste quadro, a ascensão de Thera Dai assume carácter simbólico, mas também coloca pressão por resultados concretos.

Internamente, há expectativa de uma gestão menos burocrática e mais orientada para soluções práticas — uma exigência recorrente entre os profissionais do sector.

Impacto no Estado de Direito

A Ordem dos Advogados é uma peça-chave no funcionamento do Estado de Direito. A actuação da nova Bastonária poderá influenciar directamente a condução de processos judiciais, a defesa dos direitos fundamentais e a credibilidade das instituições.

O cenário está definido: a classe espera menos promessas e mais execução.




PORTO DE MAPUTO ACELERA EXPANSÃO E APONTA CONCLUSÃO EM 2027

Investimento de 500 milhões de dólares reforça capacidade logística e antecipa novo ciclo de crescimento em 2028

O Porto de Maputo prevê concluir, no primeiro trimestre de 2027, a expansão dos terminais de contentores e de carvão, no quadro de um investimento estimado em 500 milhões de dólares, iniciado em 2024. O projecto visa reforçar a capacidade operacional da principal infra-estrutura portuária do País e consolidar o seu papel estratégico na região.



A informação foi avançada pelo director-executivo da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), Osório Lucas, à margem da 9.ª Conferência Bianual do Porto de Maputo.

“Devemos terminar a expansão do terminal de contentores no primeiro trimestre de 2027 e a expansão do terminal de carvão também no primeiro trimestre de 2027”, afirmou.

Segundo o gestor, o plano em curso integra a ampliação de terminais, modernização de infra-estruturas e aquisição de equipamentos de alta capacidade. A primeira fase decorre até finais de 2027 e deverá consolidar a eficiência logística do porto.

Novas obras e reforço de cais

Depois da recente expansão do terminal de carga geral, a próxima etapa inclui a construção de cerca de 400 metros de cais entre os espaços 2 e 4, com arranque previsto ainda este ano. Em paralelo, será lançado um concurso para estudos de aprofundamento do canal de acesso, visando permitir a entrada de navios de maior porte.

“O nível de conforto que temos é que estamos a cumprir na íntegra aquilo que foram os planos de desenvolvimento”, sublinhou Osório Lucas.

Equipamento reforça capacidade operacional

No terceiro trimestre deste ano, o porto deverá receber duas novas gruas móveis adquiridas ao fabricante Liebherr, avaliadas em cerca de 13 milhões de dólares cada.

“As gruas chegam entre Julho e Setembro. Cada uma tem capacidade de 65 toneladas e permitirá manusear cerca de 400 toneladas por hora, o que vai acelerar significativamente o nosso crescimento”, explicou.

Corredor de Maputo em crescimento

O desenvolvimento do porto está alinhado com o desempenho do Corredor de Maputo, que registou um crescimento de cerca de 8% na movimentação de mercadorias entre 2024 e 2025. No último ano, o Porto de Maputo atingiu um recorde de 32 milhões de toneladas manuseadas, mais 3,4% face ao período anterior.

Este crescimento resulta da intensificação do uso das infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, com destaque para o aumento do transporte por estrada e variações positivas no escoamento ferroviário.

Parcerias e integração logística

O plano de modernização envolve parceiros estratégicos como os Caminhos-de-Ferro de Moçambique e a concessionária Trans African Concessions, assegurando maior integração das cadeias logísticas.

A concessão do porto à MPDC vigora até 2058 e é suportada por uma parceria que inclui os Caminhos-de-Ferro de Moçambique e a Portus Indico, consórcio internacional do sector logístico.

Impactos externos sob vigilância

Apesar do desempenho positivo, a gestão do porto reconhece sinais de চাপ internacional, nomeadamente associados ao conflito no Médio Oriente, com efeitos no custo de fretes e em alguns atrasos operacionais.

“Ainda que reduzidos, os impactos fazem-se sentir sobretudo no aumento do custo de frete dos navios e em alguns atrasos no manuseamento”, referiu.

“De uma forma geral ainda não percebemos um impacto muito grande, mas estamos atentos e a desenhar planos de contingência”, acrescentou.

2028 no horizonte

Com a execução dos investimentos em curso, a expectativa da gestão é clara:

“A nossa expectativa é que o ano de 2028 seja um ano de realizações, face àquilo que são os investimentos que estamos a realizar neste momento.”

A conferência bianual, realizada sob o lema “Porto de Maputo: Alinhado com o Corredor, a Construir o Futuro”, reúne os principais intervenientes do sector para discutir soluções que reduzam custos logísticos, eliminem constrangimentos operacionais e reforcem a competitividade do corredor face aos desafios do comércio regional e internacional.

O Porto de Maputo entra, assim, numa nova fase de expansão — com mais capacidade, mais eficiência e maior peso estratégico na economia da África Austral.




Menor Electronics lança “Celeste Pro” e desafia gigantes globais

O cenário tecnológico moçambicano testemunhou um marco histórico com o lançamento no Sábado(25.04.2026) do Menor All In One Pro, também designado “Celeste Pro”. O novo computador de alto desempenho promete colocar a indústria local em rota de colisão com as maiores marcas internacionais, apresentando especificações de topo que incluem um monitor curvo de 34 polegadas e uma configuração de hardware robusta, desenhada para criadores e profissionais exigentes.



A VISÃO DO FUNDADOR: UMA MARCA PARA O UNIVERSO

António Mondlane, CEO da Menor Electronics

António Mondlane, CEO da Menor Electronics, abriu o evento reforçando o compromisso da sua empresa com a inovação contínua. Dois anos após o seu primeiro grande lançamento, a empresa regressa com produtos renovados. “Viemos mostrar que temos trabalhado de forma incansável, temos de dar continuidade àquilo que é o nosso propósito”, afirmou Mondlane, sublinhando que a nova linha apresenta uma “nova estrutura, uma nova engenharia e uma nova arquitectura”.

Com mais de 2.200 unidades já vendidas, o CEO traça metas ambiciosas, visando atingir 5 milhões de unidades até 2030 e expandir a marca para além-fronteiras. Mondlane revelou ainda que a empresa está a construir um edifício na Matola, previsto para inaugurar em Novembro, que albergará um laboratório onde engenheiros locais desenvolverão tecnologia do zero. “Daqui a 9 anos, em 2035, queremos fazer tudo aqui”, projectou, mencionando o uso de materiais recicláveis como alumínio e plásticos.

“O MELHOR DESKTOP DO UNIVERSO”: POTÊNCIA E DESIGN

Durante a apresentação detalhada do equipamento, o entusiasmo de Mondlane foi evidente ao descrever o Celeste Pro como “o melhor desktop do universo”. O dispositivo destaca-se pelo monitor curvo ultra-wide de 34 polegadas, com resolução de 3440 por 1440 e suporte a 4K, oferecendo uma imersão total com 1,07 mil milhões de cores.

No interior, a máquina é equipada com 32GB de RAM e um sistema de duas placas gráficas: uma RTX 3060 de 12GB e uma RTX 4060 de 8GB, proporcionando uma “potência gráfica feita para criar, para explorar, para construir e para jogar sem limites”. O ecossistema é completado pelo Skyboard Pro e Sky Mouse Pro, periféricos que oferecem até 100 dias de uso com uma única carga. Mondlane recordou que a empresa nasceu com apenas 50 meticais, movida pela máxima de Mahatma Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

O APOIO DO SETOR FINANCEIRO E A VOZ DOS REVENDEDORES

A relevância do projecto atraiu a atenção de instituições financeiras. J.M, gestora do BCI, marcou presença para reiterar o apoio à marca. “É um evento que para nós é de grande valia, principalmente por ser um moçambicano a inovar”, declarou Mauel, acrescentando que o banco acompanha a marca há anos para “elevar ao mais alto nível esta marca”. Para a gestora, a montagem apresentada é a prova de que o sonho moçambicano pode tornar-se realidade, mostrando que o país está “competitivo ao nível internacional”.

Na vertente comercial, José Martinho, revendedor de tecnologia, classificou o lançamento como algo “extraordinário e incrível”. Martinho apelou ao consumo interno para fortalecer a economia nacional: “Consumir aquilo que é nosso produto… ajuda o nosso país a desenvolver e poder vender para os outros países”, comparando a ambição da Menor à de gigantes como a Samsung.

INOVAÇÃO E DESAFIOS ESTRUTURAIS

Onofre, colaborador próximo do projecto, destacou a versatilidade de Mondlane, que actua tanto na tecnologia como na indústria pesada com a “Menor Lift”, a primeira empilhadora moçambicana. Para ele, o Celeste Pro não é um projecto estagnado, mas sim um sucesso em marcha. “É o bebé do país. É o primeiro a lançar um produto made in Moçambique… requer muita parte de hardware e software”, explicou, instando o governo a abraçar a causa de um jovem que está a preparar um laboratório nacional para aconselhar outros inventores.

Menor Lift”, a primeira empilhadora moçambicana

Osvaldo Muzambwa, que assistiu à apresentação pela primeira vez, confessou-se “estupefacto e admirado”, afirmando que a qualidade do produto “não parece algo moçambicano”. Mozamba defendeu que o Estado tem o dever de promover estas iniciativas, sugerindo a criação de estágios pré-profissionais na Menor Electronics para multiplicar este espírito inovador entre os jovens.

APELO À VALORIZAÇÃO DO CONTEÚDO LOCAL

Edson Almeida, amigo de longa data do inventor e CEO da ME António Mondlane

Apesar do sucesso técnico, o evento foi também palco de desabafos sobre a falta de apoio institucional. Edson Almeida, amigo de longa data do inventor, lamentou a ausência de grandes empresas nacionais e do Estado. “É uma pena que ainda uma parte do nosso estado não apoie e não esteja aqui para verificar o que é que está a ser feito”, criticou, notando que empresas de telefonia e bancos continuam a importar marcas como HP e Dell em detrimento da produção local. Almeida sublinhou que a Menor Electronics oferece qualidade superior a preços mais acessíveis, desafiando as “leis” de um país onde muitas vezes se privilegia o imediato sobre a inovação.

Edson, profissional da área gráfica e utilizador de monitores de 34 polegadas, reforçou este sentimento de abandono institucional. “Ao ver que a sala não esteve cheia para um evento tão grande como este… entristece”, desabafou. Ele argumentou que comprar localmente é uma questão de soberania económica: “Quando a gente tira o nosso recurso financeiro e vai comprar um produto fora, a gente está a levar a nossa economia para entregar fora”. Edson concluiu com um apelo para que o Estado e as empresas não deixem os jovens desistirem por falta de incentivo, lembrando que a Menor Electronics não pede esmola, mas sim que o seu produto seja valorizado no mercado.




Operação Surpresa na Cadeia Central Expõe Uso Ilícito de Telemóveis entre Reclusos

Uma operação conjunta conduzida pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e pela Polícia da República de Moçambique (PRM) resultou, na madrugada deste sábado, na apreensão de diversos telemóveis no interior da Cadeia Central, levantando sérias preocupações sobre a segurança e o controlo dentro do sistema penitenciário.
De acordo com fontes oficiais, a ação foi realizada de forma inesperada, surpreendendo os reclusos durante as primeiras horas do dia. Equipas especializadas procederam a uma revista intensiva às celas, numa operação descrita como “minuciosa e estratégica”, com o objetivo de desmantelar redes de comunicação ilegal a partir do interior do estabelecimento.
“Foi uma intervenção cirúrgica. Entrámos de madrugada para garantir o efeito surpresa e evitar qualquer tentativa de ocultação de provas”, revelou uma fonte ligada à operação, sob anonimato.
Durante a revista, foram encontrados vários dispositivos móveis escondidos em locais improváveis, incluindo estruturas improvisadas nas celas. As autoridades suspeitam que os aparelhos vinham sendo utilizados para coordenar atividades ilícitas fora e dentro da prisão.
Segundo relatos recolhidos no local, algumas comunicações interceptadas indicam a utilização frequente de instruções diretas como “manda para esse número”, sugerindo a existência de esquemas organizados que operam a partir do interior da cadeia.
“O uso de telemóveis em estabelecimentos penitenciários representa uma ameaça grave à ordem pública, pois permite a continuidade de práticas criminosas mesmo em regime de reclusão”, afirmou um porta-voz das forças de segurança.
A operação insere-se num conjunto mais amplo de medidas que visam reforçar o controlo e a disciplina nos estabelecimentos penitenciários do país, num contexto em que têm surgido denúncias recorrentes sobre a circulação ilegal de objetos proibidos.
As autoridades garantem que as investigações continuam em curso para identificar não apenas os reclusos envolvidos, mas também possíveis redes externas que facilitam a entrada destes dispositivos.
Entretanto, fontes internas admitem que o incidente expõe fragilidades no sistema de vigilância prisional, levantando questões sobre a eficácia dos mecanismos de controlo atualmente em vigor.
Mais desenvolvimentos são aguardados nas próximas horas, à medida que o SERNIC e a PRM aprofundam as diligências para responsabilizar os envolvidos.




“VOR Falso” na Mira: Damião Cumbane acusa Procuradoria-Geral da República de alegado esquema no caso Elvino Dias

O advogado Damião Cumbane lançou acusações graves contra a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), sugerindo a existência de um alegado esquema sofisticado que, segundo afirma, remete a métodos históricos associados ao período do apartheid na África Austral.
De acordo com o jurista, no contexto da morte de Elvino Dias, terá sido montado um sistema de navegação falso — conhecido como VOR (Very High Frequency Omnidirectional Range) — com o objetivo de induzir em erro operações aéreas e autoridades envolvidas. Cumbane estabelece um paralelo direto com o incidente de 1986 que resultou na morte do então Presidente moçambicano Samora Machel, ocorrido nas colinas de Mbuzini.
“Montaram-lhe um VOR falso, à moda do VOR montado pelos sul-africanos em 1986, que levou ao desvio e queda do avião presidencial”, afirmou.
Referências Históricas e Alegada Continuidade de Redes
Ao aprofundar a sua argumentação, Damião Cumbane sustenta que indivíduos ligados ao alegado “assassinato” de Samora Machel permanecem ativos e com influência nos círculos de decisão.
“Uma grande parte da componente moçambicana que tomou parte no ‘assassinato’ de Samora Machel continua viva e a difundir as suas longas experiências à nova geração de líderes”, declarou.
O advogado levanta ainda dúvidas sobre as circunstâncias que rodearam a tragédia de 1986, sublinhando a ausência de figuras centrais do círculo presidencial no voo fatal.
“Não nos esqueçamos que Samora Machel morreu rodeado de serventes e chefes de menor destaque. Nenhum dos principais membros do círculo do poder seguiu viagem com o Presidente. Estranho!”
Paralelos com o Presente
Estabelecendo ligação com a atualidade, Cumbane afirma que métodos semelhantes teriam sido replicados num episódio recente envolvendo o Procurador-Geral da República, Américo Letela.
“Desta feita, com recurso a essas longas experiências, montou-se um falso VOR para levar o PGR Américo Letela a aterrar num lodaçal”, afirmou.
Segundo o advogado, indivíduos que anteriormente terão proferido ameaças contra Elvino Dias — e que, alegadamente, manifestaram satisfação com a sua morte — não surgem diretamente associados aos factos sob investigação.
“Todos os que estiveram a proferir ameaças ao Elvino Dias e os que, de seguida, rejubilaram com o seu macabro assassinato, não aparecem. É assim como age o crime organizado.”
Silêncio Institucional e Apelos à Investigação
Até ao momento, a Procuradoria-Geral da República não reagiu publicamente às declarações. Especialistas em assuntos jurídicos e políticos alertam que acusações desta natureza, pela sua gravidade, exigem apuramento rigoroso e independente.
Analistas sublinham que o caso poderá ter implicações profundas na confiança pública nas instituições, caso não seja devidamente esclarecido, reforçando a necessidade de transparência e responsabilização.




Moza Banco impulsiona reflexão crítica sobre o papel da mulher na sociedade moçambicana

Num contexto marcado por persistentes desigualdades de género e desafios estruturais ao desenvolvimento inclusivo, o Moza Banco promoveu, esta quinta-feira, na capital moçambicana, a primeira edição do Moza Talks 2026. O evento reuniu académicas, pensadoras e diversas figuras da sociedade civil para debater o tema “O lugar da Mulher em Moçambique”, numa iniciativa que procurou ir além do discurso simbólico e fomentar uma análise crítica enraizada na realidade sociocultural do país.A sessão destacou-se pela diversidade de perspectivas apresentadas, com intervenientes a revisitar o percurso histórico da mulher moçambicana, marcado por exclusões sistémicas, mas também por avanços significativos nas últimas décadas. Entre reflexões sobre os papéis tradicionais e os novos espaços de afirmação feminina, o encontro lançou questões sobre até que ponto as conquistas actuais se traduzem em mudanças estruturais efectivas.Apesar do tom institucional do evento, várias intervenções apontaram para a necessidade de transformar o debate em acções concretas. Persistem desafios como o acesso desigual a oportunidades económicas, a sub-representação em cargos de decisão e barreiras socioculturais que limitam a plena participação da mulher na vida pública e privada.Na ocasião, a Directora de Corporate do Moza Banco, Samira Franco, enfatizou a importância de criar plataformas de diálogo inclusivo, reconhecendo que o crescimento sustentável do país está intrinsecamente ligado à integração efectiva de todos os grupos sociais.“O desenvolvimento económico e social só é possível quando todos ocupam, com dignidade, o espaço que lhes é devido. A mulher não pode continuar a ser vista como um elemento periférico, mas sim como uma força central na dinâmica económica e social do país”, afirmou.A responsável sublinhou ainda que iniciativas como o Moza Talks representam um esforço para reposicionar o debate sobre género, não apenas ao nível conceptual, mas também na implementação de medidas práticas que contribuam para o empoderamento feminino.Contudo, especialistas presentes alertaram que o envolvimento do sector privado, embora relevante, deve ser acompanhado por políticas públicas robustas e mecanismos de responsabilização que garantam resultados mensuráveis. Sem esses elementos, advertiram, há o risco de tais iniciativas permanecerem no domínio da retórica institucional.O Moza Banco destacou igualmente o projecto Moza Women, lançado em 2024, como exemplo da sua estratégia para apoiar o fortalecimento do papel da mulher na economia, oferecendo soluções financeiras e programas de capacitação. Ainda assim, analistas apontam que a eficácia de tais programas dependerá da sua abrangência e do impacto real junto das mulheres em contextos mais vulneráveis.Ao acolher o Moza Talks 2026, a instituição posiciona-se como promotora de pensamento crítico sobre questões estruturais do país. Resta, porém, acompanhar de que forma este compromisso se traduzirá em mudanças concretas num cenário onde a igualdade de género continua a ser um desafio central para o desenvolvimento de Moçambique.