+Emprego II promove debate sobre inclusão feminina na mineração em Moçambique

O projecto +Emprego II promoveu recentemente  na cidade de Nampula, o workshop “A Voz das Mulheres na Indústria Mineira: Perspectivas e Testemunhos”, uma iniciativa que reuniu representantes do sector público, privado, sociedade civil e associações femininas, com o objectivo de discutir os desafios, as oportunidades e as soluções necessárias para reforçar a presença e o papel das mulheres na indústria mineira em Moçambique.


A sessão decorreu no Grand Plaza Hotel, em Nampula, e contou, entre outros intervenientes, com Calquer Nuno de Albuquerque, Director do Gabinete do Governador da Província de Nampula, Sakeel Janmahomed, Presidente do Conselho Empresarial da Província de Nampula, Sofia Mussa, da Câmara de Minas de Moçambique, Wilson Mujovo, da Direcção Nacional de Geologia e Minas, Eugénio Muianga, da ActionAid, Hélmer Manjate, da Câmara de Minas de Moçambique, Issufo Chale, do CDD, Julina Abilio João Harculete, Maria do Céu Luís Mutapate, Albertina Evaristo Manjolo, Simone Sengo e Cristina Paulo, Coordenadora Geral do +Emprego II. 

Promovido pelo Projecto +Emprego II, em parceria com a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e a Câmara de Minas de Moçambique, o workshop constituiu uma plataforma de partilha de experiências, identificação de soluções e formulação de recomendações para o fortalecimento do papel da mulher na indústria mineira no País. Durante os debates, foi sublinhada a necessidade de reforçar o diálogo entre o Governo, o sector privado e a sociedade civil, bem como de criar mecanismos concretos de apoio às mulheres, incluindo acesso a financiamento, redução da burocracia, melhoria das condições de trabalho e apoio à formalização das actividades. 

No painel de testemunhos, Julina Harculete, presidente do Pelouro da Mulher, Jovens Empresários, PME e Empreendedorismo em Nampula, defendeu uma maior mobilização entre mulheres, afirmando que “somos nós que levantamos outras mulheres”, ao destacar a importância de redes de solidariedade e de iniciativas locais de promoção do empreendedorismo feminino. A interveniente alertou também para a falta de financiamento e apoio institucional, sublinhando que “se houvesse uma instituição que assumisse os custos logísticos, todas as mulheres da província estariam presentes”. Julina Harculete apontou ainda os elevados custos de licenciamento e a burocracia como alguns dos principais entraves à entrada das mulheres na mineração, afirmando que “para entrar na mineração, primeiro é preciso dinheiro para pagar licenças e, muitas vezes, para acelerar processos”, e defendendo a criação de um “balcão único” de apoio às mulheres. 

Também Maria do Céu Luís Mutapate, empresária e membro da Associação Nlalia, em Namuno, Cabo Delgado, chamou a atenção para a precariedade das condições de trabalho na mineração artesanal e de pequena escala, afirmando que “as condições de segurança não existem. Nunca existiram”. A empresária destacou igualmente a dificuldade de comercialização do ouro em Moçambique, referindo que “não temos bancos que comprem o nosso ouro, e acabamos por vender a estrangeiros”, o que revela a necessidade de criar canais formais de comercialização que beneficiem as operadoras e o Estado. Por sua vez, Albertina Evaristo Manjolo, da Associação Mineira 7 de Abril, partilhou a sua experiência no processo de formalização, descrevendo-o como longo e exigente, mas possível, ao afirmar que “não é fácil legalizar uma associação, mas quando queremos, conseguimos”. Já Regina Macuácua, directora nacional adjunta da Kenmare em Moçambique, destacou o papel das empresas na promoção da inclusão feminina no sector formal, sublinhando que “não queremos ser apenas estatísticas, queremos participar e influenciar decisões”. 

Das discussões resultou uma agenda de transformação para o sector, assente em recomendações como o reforço da fiscalização e da monitoria das actividades mineiras de pequena escala, a promoção de boas práticas internacionais, a interdição de actividades em áreas de risco e inseguras, a exigência do uso de equipamento de protecção individual, a desburocratização e descentralização do processo de atribuição de licenças, a criação de apoios específicos ao auto-emprego e à capacitação das mulheres, a promoção de cooperativas, a participação em feiras nacionais e internacionais e a criação de uma plataforma oficial de diálogo entre Governo e sector privado. Entre as conclusões do encontro, foi igualmente sublinhado que apenas 13% dos mineradores formalizados são mulheres, o que evidencia a necessidade de acelerar políticas e mecanismos concretos de inclusão. As conclusões do workshop defendem ainda que a inclusão das mulheres na mineração artesanal e de pequena escala não é apenas uma questão de justiça social, mas também de eficiência económica e sustentabilidade. 

No encerramento, Cristina Paulo, Coordenadora Geral do +Emprego II, destacou a relevância da diversidade de vozes reunidas no encontro, envolvendo representantes do sector público, privado, associações de mulheres e organizações da sociedade civil. Segundo afirmou, as recomendações produzidas representam “uma verdadeira Agenda de Transformação da presença da Mulher no sector mineiro”, para a qual o projecto continuará a contribuir através da capacitação técnica, do apoio ao emprego e ao auto-emprego, da formalização dos negócios e da promoção do cooperativismo feminino, acções consideradas fundamentais para a dignificação e valorização do trabalho feminino. 

SOBRE O +EMPREGO II

O projecto +Emprego II nasce da parceria da União Europeia com o Camões, I.P. e da necessidade de proporcionar aos jovens de Cabo Delgado e de Nampula o acesso a oportunidades criadas por projectos de investimento, pelo auto-emprego, sobretudo em áreas emergentes como a transição digital, os transportes e a logística. A iniciativa representa um sinal claro do compromisso europeu com o reforço do emprego e trabalho digno para os jovens moçambicanos e com a estabilidade socioeconómica das duas províncias. Com uma duração de quatro anos, o +Emprego II tem um orçamento total de 8,5 milhões de euros, dos quais 6,5 milhões são financiados pela União Europeia e 2 milhões pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.




Chapo mobiliza investimento chinês para reabilitar a N1 e avançar com barragem de Mapai

Numa acção diplomática centrada no reforço das infra-estruturas nacionais, o Presidente da República, Daniel Chapo, apelou ao investimento chinês para a reabilitação da Estrada Nacional Número Um (N1) e para o avanço do projecto da barragem de Mapai, no sul do país.



Durante a visita oficial à República Popular da China, o Chefe de Estado destacou a importância estratégica da N1, classificando-a como a “principal estrada em Moçambique”, sublinhando que, devido à localização geográfica e às intempéries registadas entre Janeiro e Março, a via sofre cortes recorrentes que exigem uma intervenção estrutural. Perante representantes do sector empresarial chinês, Chapo afirmou que o país asiático possui “uma grande capacidade que pode realmente também nos ajudar a trabalhar para podermos fazer essa estrada como deve ser”, apontando para a necessidade de uma reabilitação duradoura.

A agenda governamental inclui igualmente o projecto da barragem de Mapai, na província de Gaza, considerada uma infra-estrutura relevante para a mitigação do impacto das cheias na região sul. O Presidente defendeu que a sua construção “seria muito bom para o controle das águas”, apelando à realização de estudos técnicos que permitam erguer barragens “nos locais certos” e reforçar a segurança das populações.

No sector energético, o Governo procura ampliar a capacidade nacional através de fontes renováveis. Durante a visita, o Chefe de Estado deslocou-se a unidades de produção de tecnologia solar, eólica e hídrica, tendo afirmado estar “muito impressionados” com os avanços observados. Segundo disse, a experiência deverá ser aproveitada em Moçambique para “construirmos mais centrais eléctricas mais centrais solares e mais centrais eólicas”, reforçando a diversificação da matriz energética.

A deslocação incluiu ainda uma visita ao património cultural de Quinjai, num gesto que, segundo a comitiva, reforça a dimensão cultural das relações bilaterais entre Moçambique e a China.




GOVERNO LEVA SERVIÇOS A CUMBANI PARA REDUZIR BARREIRAS NO ACESSO A DOCUMENTOS

Numa ofensiva administrativa para reduzir o isolamento e a morosidade burocrática, o Governo do Distrito de Boane, na Província de Maputo, deslocou este sábado a sua máquina de serviços para a comunidade de Cumbani. A acção, que surge no seguimento de uma intervenção semelhante na localidade de Mulotana, visa reduzir as barreiras geográficas que dificultam o acesso dos cidadãos aos serviços públicos. Segundo as autoridades locais, o principal objectivo é “aproximar a administração pública ao cidadão”.



No centro da iniciativa, foi reiterado que o moçambicano “não pode ter dificuldade de transporte de tempo para ser servido”, razão pela qual equipas do Serviço Distrital de Planeamento e Infra-estruturas (SDPI) foram mobilizadas para atender cidadãos com terrenos sem documentação ou que ainda não sabem como legalizar as suas construções.

No terreno, a adesão foi significativa, com residentes de Cumbani e zonas circunvizinhas a aproveitarem a oportunidade para tratar, num único espaço, de documentos essenciais como passaporte, bilhete de identidade, registo de nascimento e Número Único de Identificação Tributária (NUIT), além de licenças de obras e do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT). Entre os utentes, destacou-se a satisfação pela proximidade dos serviços, sobretudo para quem não tem “tempo de se deslocar para outros sítios para registar as crianças”, podendo agora fazê-lo “de perto e sendo o final de semana”.

Os residentes defenderam ainda a continuidade da iniciativa, apelando para que o Governo “continue a alastrar esse tipo de serviço noutros bairros”, de modo a tornar a administração pública mais acessível.

O Governo Distrital confirmou que a iniciativa terá continuidade, indicando que o interesse é “ir bairro a bairro”, estando previstas próximas acções nas zonas de Bili e Tetino, entre outras. Para além dos serviços documentais, a feira incluiu também serviços de saúde e apoio a actividades económicas, reforçando uma abordagem integrada na prestação de serviços públicos.

Fonte original: Televisão de Moçambique




Chapo acelera: “o comboio não espera” e APME aponta janela de investimento com impacto nas PME

A participação no Fórum de Negócios Moçambique–China 2026, realizado em Abril na província de Hunan sob liderança do Presidente Daniel Chapo, deixou entre empresários moçambicanos um sentimento de “optimismo renovado e pragmático”, marcado por uma mudança de tom: menos diplomacia, mais compromissos concretos.



Para Pedro Silva, presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME), “o evento não foi apenas protocolar; houve a assinatura de múltiplos acordos-quadro estratégicos”, com destaque para áreas emergentes como energia verde e biomedicina. Segundo o responsável, a mensagem foi clara: os investidores chineses são chamados a ir além da extracção de recursos e a apostar na transformação local de matérias-primas. “Isso abre portas para subcontratações e crescimento das PME nacionais”, afirmou.

Os sectores tradicionais — agricultura, mineração, energia e logística — mantêm-se como pilares da cooperação, mas a tónica na modernização tecnológica introduz “um novo fôlego para quem busca inovação”. Na leitura de Pedro Silva, “Moçambique está a posicionar-se como um destino competitivo”, com o Governo a assumir-se como facilitador de um processo liderado pelo sector privado.

Peso das PME e papel da APME

A APME representa um segmento que, segundo estimativas correntes no país, constitui mais de 90% do tecido empresarial e é responsável por uma fatia significativa do emprego urbano. A associação actua na defesa de melhores condições de acesso ao financiamento, simplificação de processos administrativos e capacitação empresarial.

Para Pedro Silva, o impacto dos acordos dependerá da capacidade de integrar as PME nas cadeias de valor. “Se não houver mecanismos claros de inclusão, o investimento pode não chegar à base empresarial”, advertiu, defendendo políticas activas de conteúdo local e programas de formação técnica alinhados com as novas áreas de investimento.

Urgência política e prioridades económicas

A urgência foi sublinhada pelo próprio Chefe de Estado. “O comboio já está a andar e o comboio não espera”, declarou Daniel Chapo, apelando à entrada célere de investidores no mercado nacional. A mensagem presidencial aponta para prioridades claras: infra-estruturas — como estradas, pontes e portos —, energia com ênfase nas renováveis, mineração e agricultura. O objectivo, frisou, é construir “com foco, resiliência e determinação” uma base sólida de autonomia económica.

Dados recentes indicam que o investimento directo estrangeiro em Moçambique continua fortemente concentrado nos megaprojectos extractivos, com menor penetração nas cadeias produtivas locais — um desequilíbrio que o Governo pretende corrigir com esta nova vaga de acordos.

Desafios estruturais travam tecnologia

No plano interno, os desafios permanecem evidentes. “Sem internet estável e energia, a tecnologia não escala”, alertou Pedro Silva, defendendo que o desenvolvimento tecnológico exige tanto infra-estruturas físicas como um ecossistema empresarial funcional. Apesar de reconhecer “uma juventude criativa que precisa de suporte estruturado para florescer”, aponta a escassez de capital de risco como entrave significativo.

Para ultrapassar essa limitação, defende a criação de redes de investidores-anjo e programas de consultoria capazes de apoiar startups, sobretudo nas áreas de gestão e marketing. “A chave está em transformar o potencial em eficiência operacional real”, concluiu.




KaMubukwana mobiliza quadros da FRELIMO para pensar o futuro da governação.

Num ambiente marcado por entusiasmo e sentido de missão, o Distrito Municipal de Kamubukwana, na cidade de Maputo, acolheu no sábado a sua Conferência Distrital de Quadros da FRELIMO, um momento que vai além de um simples encontro político: trata-se de um exercício de reflexão estratégica que começa na base e projeta influências para os próximos ciclos de governação no país.



O evento enquadra-se no processo preparatório da Conferência Nacional de Quadros e do próximo congresso do partido, sendo visto como uma plataforma de recolha de ideias, preocupações e propostas que emergem diretamente das comunidades.

O primeiro-secretário distrital da FRELIMO em Kamubukwana, Alfredo Chauque, não escondeu o otimismo. Segundo afirmou, o distrito chega a esta fase “preparado e animado”, depois de um trabalho contínuo desenvolvido ao nível das células, círculos e zonas.

Para Chauque, a conferência simboliza não apenas organização interna, mas também a vitalidade do partido junto das suas bases. “Esta é a nossa festa, a nossa união de quadros”, sublinhou, destacando que os temas em debate são resultado de contribuições concretas vindas da base, refletindo as reais preocupações da população.

No centro do discurso esteve a mensagem política do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, segundo a qual “a FRELIMO é do povo e reside no povo”. Chauque interpretou esta orientação como um reforço da necessidade de proximidade e serviço às comunidades, apontando a independência económica como uma das prioridades centrais.

Mesmo perante desafios recentes, incluindo momentos de contestação social, o dirigente considera que o partido demonstrou resiliência e capacidade de organização. “A FRELIMO mantém-se de pé, organizada e próxima do povo”, afirmou, acrescentando que os delegados presentes representam, em última instância, a voz das comunidades de onde emergem.

Da base ao topo: um processo participativo

Também presente no encontro, o representante do Comité da Cidade de Maputo, Francisco Mapswaia, enquadrou a conferência como o ponto alto de um processo participativo iniciado no início do ano. Desde o lançamento, em janeiro, estruturas do partido têm estado envolvidas num movimento de auscultação das sensibilidades da população.

Mapswaia explicou que este exercício não se limita aos membros formais do partido, mas abrange um leque mais amplo de quadros ao nível local, permitindo captar ideias que possam contribuir para melhorar a ação governativa.

“O que estamos a fazer é recolher perceções sobre aquilo que deve ser a agenda de governação do país”, referiu, destacando que o processo decorreu de forma positiva em todas as etapas, desde as células até ao nível distrital.

Além da eleição de delegados à conferência da cidade, o encontro serviu para consolidar propostas que irão alimentar a elaboração das teses do próximo congresso da FRELIMO — momento determinante para a definição do programa político e governativo do próximo quinquénio.

Inspirado pela orientação do Presidente Daniel Francisco Chapo, Mapswaia enfatizou a necessidade de inovação: “fazer diferente para obter resultados diferentes”. Segundo disse, esta mudança de abordagem já começa a ganhar forma nas bases, onde se nota maior dinamismo e vontade de transformação.

Construir o futuro a partir das bases

A Conferência Distrital de Quadros de Kamubukwana ilustra um modelo de construção política que privilegia a participação e o envolvimento direto das estruturas locais. Num contexto em que se discutem os desafios do desenvolvimento e da inclusão, o partido aposta na mobilização dos seus quadros para formular respostas mais ajustadas às realidades do país.

Mais do que um evento pontual, o encontro reflete um processo em curso — contínuo e estruturado — que visa alinhar a visão política com as aspirações da população, reforçando a ideia de que o futuro da governação se constrói, antes de tudo, na base.




Missão à China: FRELIMO reforça diplomacia partidária e aposta em formação e investimento

O Secretário-Geral da FRELIMO, Chakil Aboobacar, iniciou neste mês de abril uma visita oficial à República Popular da China, a convite do Partido Comunista Chinês (PCCh), numa deslocação que ocorre no quadro do reforço das históricas relações políticas entre as duas formações.
A agenda inclui encontros com dirigentes seniores do PCCh e participação em reuniões internas do partido anfitrião. Fontes partidárias indicam que o foco central está no aprofundamento da cooperação estratégica, com ênfase particular na formação de quadros.
“A capacitação institucional e técnica dos quadros é vista como um eixo fundamental para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar dos povos”, refere uma nota oficial.
A visita surge num momento em que a FRELIMO procura consolidar a sua diplomacia partidária, apontada como prioridade no atual ciclo político liderado por Daniel Francisco Chapo, simultaneamente Presidente do partido e da República.
Analistas consideram que esta deslocação representa também uma tentativa de revitalizar parcerias históricas e reposicionar o partido no cenário internacional, sobretudo junto de aliados tradicionais.
“Este tipo de intercâmbio político reforça não apenas laços ideológicos, mas também abre portas para cooperação prática em áreas-chave”, observou um académico ouvido no âmbito desta análise.
Para além dos encontros políticos, o Secretário-Geral deverá manter contactos com empresários chineses e representantes de diversos sectores económicos, numa estratégia orientada para a captação de investimento estrangeiro.
Segundo o comunicado, esta vertente económica da visita visa “reforçar a independência económica de Moçambique e melhorar as condições de vida dos cidadãos”, alinhando-se com o discurso oficial do partido.
A delegação integra ainda figuras de relevo, como Alcinda de Abreu, membro da Comissão Política e diretora da Escola Central do Partido, e Ludmila Maguni, Secretária do Comité Central para as Relações Exteriores, entre outros quadros.
A visita decorre num contexto global marcado por disputas de influência e reposicionamento geopolítico, levantando questões sobre o alcance e os impactos concretos destas parcerias para o desenvolvimento interno de Moçambique.




Fundação Muhammad (S.A.W) é inaugurada na Matola e formaliza anos de filantropia da família Bachir

O empresário Muhammad Bachir Suleiman e a sua esposa inauguraram oficialmente, na tarde deste domingo, no bairro de Matlhemele, município da Matola, província de Maputo, a Fundação Muhammad (S.A.W), uma instituição de carácter social vocacionada para o apoio a famílias muçulmanas em situação de vulnerabilidade.
A criação da fundação surge como a formalização de um conjunto de iniciativas filantrópicas que a família Bachir tem vindo a desenvolver ao longo de vários anos. Segundo informações apresentadas durante a cerimónia, o projecto resulta de um esforço conjunto familiar e tem como missão central “providenciar assistência contínua e estruturada às comunidades mais necessitadas”.
Durante o evento inaugural, foram exibidos materiais audiovisuais que documentam o histórico de intervenções sociais já realizadas. Entre as acções destacadas estão a construção de habitações para viúvas, a atribuição de subsídios mensais a idosos e o pagamento de rendas para famílias em dificuldades — iniciativas que, até então, eram conduzidas de forma discreta e sem enquadramento institucional formal.
O evento reuniu diversas figuras de relevo do panorama religioso islâmico em Moçambique, incluindo membros do Conselho Islâmico e líderes comunitários. Entre os presentes, destacou-se o Sheikh Aminuddin Muhammad, Presidente do Conselho Islâmico de Moçambique, acompanhado por vários Álimos e estudiosos reconhecidos.
No seu discurso, o Sheikh Aminuddin Muhammad enalteceu a iniciativa, considerando-a um passo significativo para o fortalecimento da solidariedade social organizada. “Este é um exemplo claro de como a responsabilidade social pode ser estruturada de forma sustentável, beneficiando directamente as comunidades mais vulneráveis”, afirmou.
Além das intervenções institucionais, a cerimónia foi marcada por momentos simbólicos de reconhecimento. Representantes de instituições de ensino religioso prestaram homenagens à família Bachir, destacando o impacto das suas acções no apoio à educação e ao bem-estar comunitário.
Uma das intervenções veio de Mahmuda Apá, Amira da Madrassa Fátima Az Zahra, que ofereceu uma lembrança ao empresário, referindo-se a ele como “Tio Bachir” e destacando “o seu trabalho incansável em prol dos mais necessitados”. Em igual tom, Khálida Apá, Directora da Madrassa Aysha Suiddiq (R.T.A), reforçou a importância da continuidade destas acções, sublinhando o papel da fundação na consolidação de uma rede de apoio social mais abrangente.
A Fundação Muhammad (S.A.W) inicia assim as suas actividades com uma base consolidada de experiência prática, assumindo o compromisso de expandir o alcance dos seus programas e reforçar o apoio às comunidades carenciadas em diferentes dimensões sociais.




Matola aposta na educação ambiental para travar crise de resíduos nas comunidades escolares

Mais de 300 alunos e professores aderem a campanha municipal que pretende transformar escolas em núcleos de mudança ambiental
A Cidade da Matola deu mais um passo na sua estratégia de combate à degradação ambiental, ao promover uma palestra de educação ambiental que abrangeu mais de 300 alunos e professores da Escola Básica de Singatela, localizada no Posto Administrativo Municipal da Machava.
A iniciativa, conduzida pelo Conselho Municipal da Matola através da Vereação de Salubridade e Ambiente, enquadra-se no Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos, um instrumento considerado central para responder aos desafios crescentes relacionados com o lixo urbano.
Segundo fontes municipais, a acção não se limita à sensibilização pontual, mas integra uma abordagem estruturada que visa transformar as escolas em centros activos de disseminação de boas práticas ambientais. “Pretendemos que os alunos sejam agentes multiplicadores de mudança, levando o conhecimento adquirido para as suas casas e bairros”, explicou um representante da vereação durante o evento.
O encontro ficou marcado por momentos de forte envolvimento emocional, quando alunos e professores assumiram publicamente o compromisso de proteger o meio ambiente. “Somos a geração que pode mudar esta realidade”, declarou uma das alunas presentes, sob aplausos dos colegas.
Para além de conteúdos técnicos sobre gestão de resíduos sólidos, a palestra incluiu testemunhos que reforçaram a urgência de uma mudança de comportamento colectivo. Especialistas presentes destacaram que o problema do lixo na cidade não é apenas operacional, mas também cultural.
“Não basta recolher resíduos; é fundamental educar para reduzir, reutilizar e reciclar”, sublinhou um técnico ambiental envolvido na iniciativa.
A acção evidencia uma mudança de paradigma na actuação do município, que procura ir além das intervenções tradicionais de limpeza urbana. A aposta, segundo o Conselho Municipal, passa por mobilizar a sociedade e criar uma consciência ambiental sustentável.
Com este tipo de iniciativas, as autoridades locais pretendem reforçar a ideia de que a solução para a problemática dos resíduos começa nas salas de aula, mas deve estender-se às ruas, bairros e a toda a cidade da Matola.




Administração Nacional de Estradas acelera reposição da transitabilidade na N1 em Cabo Delgado

A Administração Nacional de Estradas (ANE) informou que decorrem, a bom ritmo, os trabalhos de reposição da transitabilidade na Estrada Nacional Número Um (N1), na Província de Cabo Delgado, com destaque para o Bairro de Mahate, na cidade de Pemba.
Segundo a ANE, as intervenções concentram-se atualmente na reconstrução da plataforma rodoviária afetada, onde o empreiteiro executa aterros e a reconstituição da base com recurso a material do tipo tout-venant. A empreitada inclui ainda a preparação de infraestruturas complementares essenciais para garantir a durabilidade da via.
“Estão em curso trabalhos de aterro e reconstrução da base da estrada na zona afetada, visando restabelecer, com segurança, a circulação de pessoas e bens”, refere a instituição em comunicado.
Paralelamente, a empresa responsável pela obra prepara o material necessário para a abertura de valas de drenagem e para a proteção dos taludes, medidas consideradas cruciais para mitigar os efeitos da erosão e do escoamento descontrolado das águas pluviais.
Na manhã deste sábado (18), o Secretário de Estado na província, Fernando Bemane de Sousa, efetuou uma visita de monitoria ao local, onde avaliou o progresso das obras.
“O ritmo dos trabalhos é encorajador e demonstra o empenho na reposição célere da transitabilidade nesta importante via”, afirmou o governante, manifestando satisfação com o avanço registado.
Entretanto, foi já restabelecido um dos serviços essenciais afetados: a tubagem de abastecimento de água foi reconectada, permitindo a normalização do fornecimento à cidade de Pemba, após os constrangimentos provocados pelos danos na infraestrutura.




Navios com combustível atracam na Matola em meio a mudança nas rotas de importação

Está prevista para este sábado a atracação, no Terminal Oceânico do Porto da Matola, de um navio que transporta combustível destinado ao mercado nacional. De acordo com fontes governamentais, a operação faz parte do plano regular de abastecimento, numa altura em que crescem preocupações públicas sobre a estabilidade do fornecimento.
As mesmas fontes indicam que, para domingo (19 de abril de 2026), está igualmente programada a chegada de um segundo navio de transporte de combustível ao mesmo terminal, reforçando a capacidade de reposição de stocks no país.
Apesar dos receios registados em alguns pontos de venda, as autoridades asseguram que existem reservas suficientes de combustíveis fósseis armazenadas nos principais terminais oceânicos nacionais, nomeadamente nos portos da Matola, Beira e Nacala. Segundo o governo, o sistema logístico continua funcional e capaz de responder à procura interna.
Entretanto, fontes ligadas ao sector energético revelam uma mudança recente nas rotas de importação. Moçambique terá reduzido significativamente a aquisição de combustíveis provenientes do Médio Oriente, em consequência da instabilidade associada ao conflito que afecta o Estreito de Ormuz — uma das principais vias marítimas globais para o transporte de petróleo.
Face a este cenário, o país passou a recorrer, com maior frequência, a fornecedores localizados em mercados asiáticos e americanos. Especialistas apontam que esta diversificação pode mitigar riscos imediatos de abastecimento, embora possa implicar variações nos custos de importação e nos prazos logísticos.
As autoridades não avançaram detalhes sobre eventuais impactos nos preços ao consumidor, mas reiteram que estão a monitorar a situação internacional e a adoptar medidas para garantir a continuidade do fornecimento energético no território nacional.