Chuvas intensas provocam interrupção da EN1 no bairro Mahate, em Pemba

A circulação rodoviária na Estrada Nacional Número 1 (EN1) encontra-se temporariamente interrompida no bairro de Mahate, na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, na sequência de danos provocados pelas chuvas intensas que se registam na região.
A informação foi avançada pela Administração Nacional de Estradas (ANE), através de uma nota oficial a que o Visão Moçambique teve acesso. Segundo a instituição, a precipitação intensa causou um processo de erosão significativo num troço crítico da via, comprometendo a transitabilidade e obrigando à suspensão imediata do tráfego para todo o tipo de viaturas.
“Devido às chuvas intensas que se registam na cidade de Pemba, verificou-se uma erosão na estrada N1, concretamente no bairro Mahate, o que levou à interrupção temporária da circulação de todo tipo de viaturas”, refere a nota da ANE.
No terreno, equipas técnicas da ANE, em coordenação com o empreiteiro mobilizado e parceiros locais, estão a desenvolver trabalhos de emergência com vista à criação de um desvio provisório que permita restabelecer a circulação no mais curto espaço de tempo.
“Neste momento, equipas técnicas estão no local a trabalhar para a abertura de um desvio que possibilitará a circulação de viaturas”, acrescenta a instituição.
Paralelamente, decorrem esforços para a implementação de uma solução definitiva que permita mitigar os efeitos da erosão e evitar a recorrência de situações semelhantes naquele ponto estratégico da via, que constitui um dos principais acessos à cidade de Pemba.
A ANE lamenta os transtornos causados aos utentes da estrada e apela à prudência dos automobilistas, bem como à colaboração do público enquanto decorrem os trabalhos de reposição da normalidade.




OJM defende queda no custo do material de construção

A Organização da Juventude Moçambicana (OJM) defendeu, nesta segunda-feira, a adoção de medidas imediatas por parte do Estado para tornar mais acessíveis os materiais de construção e os serviços de internet, apontando estas áreas como cruciais para a melhoria das condições de vida da juventude.
Durante a realização do Conselho Nacional da organização, o Secretário-Geral da OJM, Constantino André, destacou que o elevado custo de vida continua a ser um dos principais desafios enfrentados pelos jovens moçambicanos, com impacto direto no acesso à habitação e à informação.
Segundo o dirigente, é “imperioso que o Estado estabeleça mecanismos de apoio e acordos com fornecedores nacionais e internacionais”, com o objetivo de garantir a disponibilização de materiais de construção a preços bonificados. A medida, explicou, poderá facilitar o acesso à habitação, sobretudo para os jovens que enfrentam dificuldades económicas.
Além disso, a organização juvenil apelou à redução dos preços da internet, considerada uma ferramenta essencial para a educação, inovação e inclusão digital. A OJM entende que os custos atuais limitam o desenvolvimento académico e profissional de grande parte da juventude.
No seu discurso, Constantino André elencou ainda outras preocupações, com destaque para a necessidade de reforço da formação técnico-profissional, como forma de aumentar as oportunidades de emprego e empreendedorismo entre os jovens.
Outro ponto crítico abordado foi a questão da segurança, particularmente os raptos de empresários. O Secretário-Geral foi enfático ao exigir ações concretas das autoridades: “Os jovens clamam pelas autoridades competentes para respostas firmes e eficazes no desmantelamento das redes criminosas que têm estado a raptar os nossos jovens empreendedores”.
A OJM reforça que a resolução destes problemas é fundamental para garantir um ambiente mais estável, inclusivo e propício ao desenvolvimento da juventude moçambicana.




Jornalistas promovem acção de limpeza no Mercado de Malhampsene no âmbito do Dia do Jornalista Moçambicano

No contexto das celebrações do Dia do Jornalista Moçambicano, profissionais de diversos órgãos de comunicação social protagonizaram, esta semana, uma jornada de limpeza no Mercado de Malhampsene, no município da Matola.
A iniciativa, de carácter privado, foi promovida pelo Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), em coordenação com o Conselho Municipal da Matola, reunindo jornalistas de diferentes redacções sediadas na província de Maputo.
Segundo apurou a reportagem, a actividade teve como principal objectivo contribuir para a melhoria das condições de higiene e saneamento, com enfoque na desobstrução de valas de drenagem numa das zonas mais movimentadas daquele que é considerado um dos municípios mais industrializados do país.
“Esta acção simboliza o compromisso dos jornalistas não só com a informação, mas também com o bem-estar das comunidades onde estão inseridos”, afirmou um representante do SNJ durante a atividade.
Fontes ligadas à organização indicam que a jornada de limpeza também visa sensibilizar os munícipes e as autoridades locais para a necessidade de manutenção contínua das infraestruturas de saneamento, sobretudo em períodos chuvosos, quando o risco de inundações aumenta significativamente.
Por sua vez, o Conselho Municipal da Matola reconheceu a importância da iniciativa, destacando o papel dos jornalistas como agentes ativos na promoção da cidadania e desenvolvimento urbano sustentável.
“A participação dos profissionais de comunicação nesta acção reforça a parceria entre o município e a sociedade civil na busca de soluções para os desafios locais”, referiu um responsável municipal.
A actividade insere-se num conjunto de ações comemorativas do Dia do Jornalista Moçambicano, assinalado anualmente com iniciativas que promovem não só a reflexão sobre a profissão, mas também o engajamento social dos seus profissionais




Jornal Visão Moçambique lança edição 274 com foco nas tensões internas da FRELIMO e pressão financeira sobre o Estado

Nova edição destaca disputas políticas em Gaza e revela posicionamento de Venâncio Mondlane sobre pagamento ao FMI

O Jornal Visão Moçambique colocou em circulação a sua edição número 274, referente à semana de 10 de Abril de 2026, trazendo como principal destaque um dossiê político centrado nas dinâmicas internas da FRELIMO, num momento de crescente pressão sobre o partido no poder e sobre o próprio sistema político nacional.



Sob o título forte “Luta pelo poder ‘suja’ FRELIMO”, a manchete da edição expõe alegadas tensões internas relacionadas com a escolha de candidaturas na província de Gaza, com enfoque particular na figura de Margarida Mapandzene. A publicação aponta para divergências dentro das estruturas do partido, sugerindo a existência de influências e lobbies internos que terão condicionado decisões políticas estratégicas.

A peça central levanta questões sobre transparência, critérios de escolha e coesão partidária, num contexto em que a FRELIMO enfrenta desafios simultâneos: gestão interna, pressão da oposição e expectativas eleitorais crescentes.

Pressão económica e discurso político

Em paralelo, a edição 274 traz uma segunda chamada de grande impacto, desta vez no domínio económico e financeiro. Sob o título: “Pagamos 700 milhões ao FMI porque a dignidade do povo não tem preço”, é destacada uma declaração atribuída a Daniel Chapo, que reacende o debate sobre a relação de Moçambique com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A afirmação surge num momento sensível, em que o país continua a gerir os efeitos da dívida pública, acordos internacionais e limitações orçamentais. A abordagem editorial cruza política e economia, evidenciando o peso das decisões financeiras na soberania e na narrativa política nacional.

Conteúdos adicionais e posicionamento editorial

A edição inclui ainda análises sobre o papel do gás natural na transição energética em Moçambique, reforçando a centralidade dos recursos naturais no futuro económico do país — um tema que continua a dividir especialistas quanto à sua capacidade real de gerar desenvolvimento inclusivo.

Com uma linha editorial assumidamente crítica e investigativa, o Visão Moçambique mantém-se como um dos poucos títulos que aposta em reportagens de confronto directo com os centros de poder, num mercado mediático cada vez mais condicionado.

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A edição 274 está disponível em formato digital (PDF).

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A redacção apela à aquisição e leitura consciente desta edição, considerada essencial para compreender os actuais equilíbrios políticos e económicos do país.

Num contexto de transformações aceleradas, informação rigorosa continua a ser poder.




Cabo Verde cresce acima da média, Moçambique avança, mas continua aquém — estrutura económica explica divergência

Turismo, estabilidade macroeconómica e disciplina fiscal impulsionam arquipélago; dependência extractiva e fragilidades institucionais travam aceleração moçambicana



Por Agostinho Muchave (Dados)

Cabo Verde voltou a posicionar-se entre as economias com melhor desempenho recente na África Subsaariana, com taxas de crescimento projectadas entre 4,8% e 5,1%, segundo o mais recente relatório do Banco Mundial. No mesmo período, Moçambique mantém uma trajectória de crescimento positivo, mas mais moderado e estruturalmente desigual, com estimativas situadas entre 4% e 5% em 2025–2026, evidenciando uma divergência que não é conjuntural, mas estrutural.

A leitura comparada dos dados dos últimos 12 meses revela dois modelos económicos distintos: um, baseado em serviços, estabilidade e previsibilidade (Cabo Verde); outro, assente em recursos naturais, com elevada volatilidade e dependência externa (Moçambique).

Cabo Verde: crescimento sustentado, mas vulnerável

O desempenho cabo-verdiano continua ancorado na recuperação robusta do turismo, sector que representa mais de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e que voltou a níveis pré-pandemia. A estabilidade cambial, a disciplina fiscal relativa e a previsibilidade institucional têm sido factores determinantes para restaurar a confiança externa.

Nos últimos 12 meses, o país registou:

  • Crescimento do PIB acima da média regional não extractiva
  • Aumento do rendimento per capita superior a 45% desde 2014
  • Redução da dívida externa em cerca de 9,9 pontos percentuais do PIB
  • Consolidação do sector dos serviços como motor económico

Contudo, a base produtiva permanece estreita. Cabo Verde continua dependente de importações de energia e bens alimentares, além da procura turística internacional. A dívida pública, apesar de algum alívio, mantém-se próxima de 100% do PIB — um nível elevado que limita o espaço fiscal.

Moçambique: crescimento com potencial, mas travado por estrutura frágil

Em contraste, Moçambique apresenta uma economia com maior dimensão e potencial de recursos, mas com menor eficiência estrutural. O crescimento recente tem sido impulsionado sobretudo pelos megaprojectos extractivos, com destaque para o gás natural na bacia do Rovuma.

Dados recentes indicam:

  • Crescimento do PIB entre 4% e 5% (2025–2026)
  • Forte peso do sector extractivo nas exportações
  • Inflação relativamente controlada, mas sensível a choques externos
  • Dívida pública elevada, ainda que em trajectória de reestruturação

Apesar destes indicadores, o crescimento moçambicano não tem sido inclusivo nem suficientemente diversificado. A economia permanece vulnerável a choques externos, desde flutuações nos preços das commodities até instabilidade interna, como o conflito em Cabo Delgado.

A diferença estrutural: instituições vs recursos

A principal diferença entre os dois países não reside na disponibilidade de recursos, mas na qualidade da gestão económica.

Cabo Verde, mesmo sem recursos naturais relevantes, construiu uma economia baseada em:

  • Instituições relativamente estáveis
  • Ambiente de negócios previsível
  • Forte aposta em capital humano
  • Integração nos serviços globais (turismo, transporte, logística)

Moçambique, por sua vez, apresenta:

  • Elevada dependência de recursos naturais
  • Baixa diversificação económica
  • Burocracia e entraves administrativos persistentes
  • Fragilidades institucionais e jurídicas

Em termos práticos, Cabo Verde cresce menos em volume absoluto, mas melhor em qualidade. Moçambique cresce mais em potencial, mas perde eficiência na conversão desse crescimento em desenvolvimento.

Onde Moçambique falha — e o que precisa corrigir

A análise dos dados é clara: Moçambique não precisa reinventar a economia, precisa corrigir distorções básicas. Há pontos críticos que continuam a travar o país:

1. Ambiente de negócios disfuncional

A burocracia excessiva, a morosidade nos licenciamentos e a insegurança jurídica afastam investimento produtivo. Sem reformas administrativas profundas, o sector privado continuará limitado.

2. Dependência excessiva de megaprojectos

O crescimento baseado em gás e mineração não gera emprego suficiente nem dinamiza a economia interna. Falta ligação entre grandes investimentos e o tecido empresarial nacional.

3. Baixa diversificação económica

Agricultura, indústria transformadora e serviços continuam subdesenvolvidos. O país exporta matéria-prima e importa produtos acabados — um modelo clássico de dependência.

4. Défice de capital humano

Sem investimento sério em educação técnica e profissional, Moçambique continuará incapaz de absorver tecnologia e gerar valor interno.

5. Fragilidade institucional

Corrupção, instabilidade regulatória e falta de previsibilidade afastam investidores e encarecem o custo do capital.

Caminho para uma transição económica real

Se pretende alcançar um crescimento robusto e sustentável — e reduzir a dependência externa — Moçambique terá de fazer escolhas claras e, sobretudo, executar reformas estruturais sem hesitação:

  • Reindustrializar a economia, com foco na transformação local de recursos
  • Apostar seriamente na agricultura comercial, com cadeias de valor completas
  • Simplificar radicalmente o ambiente de negócios
  • Reduzir a dependência da ajuda externa, aumentando receitas internas
  • Fortalecer instituições económicas e judiciais
  • Canalizar receitas dos recursos naturais para diversificação económica

Potencial não basta

Cabo Verde prova que é possível crescer com poucos recursos, desde que haja disciplina, estratégia e instituições funcionais. Moçambique, com vastos recursos naturais, continua preso a um modelo económico dependente e pouco eficiente.

A diferença não está no que os países têm — está no que fazem com isso.

Sem reformas estruturais profundas, Moçambique continuará a crescer abaixo do seu potencial. Com elas, pode não apenas acompanhar Cabo Verde, mas ultrapassá-lo em escala e impacto económico na região.

O tempo de decisões adiadas já passou.




Simoni Santi reeleito para terceiro mandato na Câmara de Comércio Moçambique–Itália

Nova direcção aposta na economia criativa, expansão provincial e reforço da cooperação bilateral

A Câmara de Comércio Moçambique–Itália reconduziu, esta quinta-feira, Simoni Santi à presidência da instituição para um terceiro mandato consecutivo, num movimento que sinaliza continuidade estratégica e consolidação institucional num contexto de crescente interdependência económica entre os dois países.



A eleição ocorreu durante a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais, num momento em que a organização procura ampliar o seu papel como plataforma de facilitação de investimentos, promoção empresarial e diplomacia económica.

Na sua intervenção, Santi interpretou a recondução como um voto de confiança das empresas associadas no desempenho da direcção cessante e na trajectória de crescimento sustentado da câmara, que agrega operadores económicos moçambicanos e italianos. O dirigente destacou, igualmente, o reforço da representatividade interna, com maior equilíbrio de género e a integração de novos actores empresariais.

“A eleição demonstra que as empresas confiam no trabalho desenvolvido e na capacidade de consolidar uma equipa mais forte e inclusiva”, afirmou, sublinhando a crescente presença feminina em posições de decisão.

Para o novo ciclo de governação, Santi definiu como eixos prioritários a promoção de projectos económicos estruturantes, o aprofundamento da cooperação com a diplomacia italiana e a melhoria do ambiente de negócios, com vista à atracção de investimento directo estrangeiro. Entre os constrangimentos identificados, destacou a necessidade de maior previsibilidade regulatória e o reforço do diálogo institucional com o Executivo moçambicano.

No plano bilateral, o embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Phillip Annis, anunciou uma agenda cultural e económica robusta para 2026, enquadrada nas comemorações dos 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países.

Embaixador da Itália em Moçambique Gabriele Phillip Annis

A programação contempla iniciativas nos sectores da música, artes plásticas, cinema, gastronomia e promoção da língua italiana, com enfoque particular na economia criativa enquanto vector de diversificação económica. Pela primeira vez, as actividades serão descentralizadas, abrangendo cidades como Pemba, Beira e Chimoio, além da capital, Maputo.

O diplomata defendeu a massificação destas iniciativas, com especial incidência sobre a juventude, e apelou a uma participação mais activa do sector privado, no quadro do reforço do chamado “Sistema Itália”, entendido como a articulação entre Estado, empresas e instituições culturais na projecção externa da economia italiana.

Inclusão e capital relacional como motores da nova vice-presidência

A nova vice-presidente da Câmara de Comércio Moçambique–Itália, Alima Hussein Sauji, enquadrou a sua nomeação como um avanço no reforço da inclusão institucional e no equilíbrio de género, apontando para uma abordagem mais abrangente na mobilização de capital humano e empresarial.

Alima Hussein sauji vice-presidente da Câmara de Comércio Moçambique -Itália

Segundo Sauji, a estratégia para o mandato passa por ampliar a participação das mulheres empresárias nas dinâmicas da câmara, tanto em Moçambique como em Itália, ao mesmo tempo que se intensificam as parcerias económicas bilaterais.

A dirigente destacou a urgência de reformas no ambiente de negócios, com particular incidência na redução da burocracia administrativa e na criação de condições mais competitivas para o investimento.

“Itália é um dos principais investidores em Moçambique e possui elevado conhecimento tecnológico. Queremos capitalizar essa experiência para impulsionar o empresariado nacional e promover investimentos conjuntos”, afirmou.

No plano operacional, a nova direcção pretende acelerar a expansão territorial da câmara, levando as suas actividades a outras províncias, numa lógica de descentralização económica e inclusão produtiva. A iniciativa visa dinamizar mercados regionais, reduzir assimetrias e criar novas oportunidades de integração empresarial ao nível nacional.

A recondução de Santi e a entrada de Sauji na vice-presidência surgem, assim, alinhadas com uma visão de continuidade reformista, assente na modernização institucional, diversificação económica e fortalecimento das relações Moçambique–Itália num cenário global cada vez mais competitivo.




Pedro Guiliche afirma que a destruição do Centro Nacional de Medicamentos, após as manifestações eleitorais de 2024 agrava a crise no sector da saúde

A destruição do Centro Nacional de Medicamentos, registada na sequência das manifestações pós-eleitorais de 2024, na cidade de Maputo, agravou significativamente a capacidade do Estado moçambicano de assegurar a prestação de serviços de saúde à população.
As declarações foram feitas esta sexta-feira, durante uma conferência de imprensa realizada na Escola do Partido FRELIMO, pelo porta-voz Pedro Guiliche, no segundo dia da 5.ª sessão ordinária do Comité Central, que decorre na cidade da Matola, província de Maputo.
Segundo o porta-voz, o Governo já desencadeou um processo de importação de diversos medicamentos, cuja chegada está prevista para o próximo mês de maio, como forma de mitigar os efeitos da destruição das infraestruturas.
“Isso significa que o primeiro desafio e pretendemos abrir uma nova página na história é o reconhecimento de que, ao identificarmos os erros, não podemos, de forma alguma, colocar em causa as conquistas do povo moçambicano”, afirmou Pedro Guiliche.
O responsável sublinhou ainda que, embora o direito à manifestação seja legítimo, este não deve resultar na destruição de bens públicos e privados, alertando para as consequências negativas desse tipo de ações para o funcionamento do Estado.
Pedro Guiliche reconheceu também os esforços em curso no sector da saúde, destacando o empenho dos profissionais da área na melhoria do atendimento, com enfoque numa abordagem mais humanizada aos utentes.
Importa referir que a 5.ª sessão ordinária do Comité Central da FRELIMO decorre entre os dias 9 e 12 de abril, na Escola do Partido, localizada na cidade da Matola, província de Maputo.




Chapo quebra o silêncio: “Pagámos 700 milhões ao FMI porque a dignidade do povo não tem preço”

O presidente do partido FRELIMO, Daniel Chapo, afirmou que Moçambique liquidou antecipadamente a totalidade da sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), estimada em cerca de 700 milhões de dólares, justificando a decisão como uma questão de soberania nacional.
“A dignidade do povo moçambicano não tem preço”, declarou Daniel Chapo.
A declaração surge num contexto de questionamentos por parte de empresários e cidadãos, que apontam contradições entre o pagamento da dívida externa e os persistentes problemas financeiros internos, incluindo atrasos salariais e dívidas do Estado com fornecedores.
Esclarecimento público em meio a críticas
Falando esta quinta-feira na Escola Central do partido, no município da Matola, durante a 5ª sessão ordinária do Comité Central da FRELIMO, Chapo procurou dissipar dúvidas sobre a decisão governamental.
O encontro, que decorre de 9 a 12 do corrente mês, reúne 239 membros do Comité Central, além de secretários provinciais, distritais e outros convidados.
Segundo o dirigente, houve interpretações equivocadas sobre os valores pagos e as prioridades do Estado:
“Há um equívoco sobre os motivos do pagamento ao FMI. Trata-se de uma decisão estratégica, que visa proteger a soberania económica do país.”
Apesar disso, fontes ouvidas no meio empresarial consideram que a medida levanta preocupações quanto à gestão das finanças públicas, sobretudo num período em que empresas fornecedoras do Estado enfrentam dificuldades devido a pagamentos em atraso.
Disciplina interna continua a ser desafio
No seu discurso de abertura, Chapo reconheceu também fragilidades internas no partido, destacando a necessidade de reforçar a disciplina partidária.
“A disciplina partidária continua a ser um desafio dentro dos órgãos da FRELIMO.”
O líder político reagiu ainda às críticas externas, reafirmando a resiliência do partido:
“Enquanto outros lutam pelo fim da FRELIMO, o partido mantém-se firme porque é o partido do povo.”
Cabo Delgado e a questão da segurança
Outro ponto central do discurso foi a situação de segurança na província de Cabo Delgado, afetada por insurgência armada.
Chapo reconheceu o sofrimento da população local, mas assegurou que o governo está a reforçar a capacidade militar para combater o terrorismo.
“Estamos a trabalhar na preparação de meios técnicos e militares para combater o terrorismo. Sem paz, nenhum país consegue desenvolver.”
O dirigente reiterou ainda que, além da resposta militar, o partido continuará a apostar no diálogo como estratégia complementar para a estabilização da região.




INSS promove auscultação pública e Vicente Joaquim defende debate aberto e inclusivo

O Secretário de Estado da Cidade de Maputo, Vicente Joaquim, defendeu a necessidade de um processo de auscultação pública mais aberto, inclusivo e participativo no âmbito da revisão do sistema de segurança social obrigatório.
Segundo o dirigente, o processo deve envolver diferentes segmentos da sociedade, incluindo trabalhadores, académicos, organizações da sociedade civil e cidadãos em geral, com vista à construção de um sistema mais justo e eficiente.
“Queremos um processo de auscultação pública aberto e participativo, que una trabalhadores, académicos, organizações da sociedade civil e cidadãos, de modo a recolher ideias e experiências que contribuam para uma segurança social mais justa”, afirmou.
Seminário marca arranque do processo
Vicente Joaquim falava durante a abertura do seminário de auscultação pública sobre a revisão do regulamento da segurança social obrigatória, realizado na Cidade de Maputo.
O evento marca o início de uma série de encontros que decorrerão nos próximos dias, envolvendo entidades públicas e privadas. Para ampliar o alcance da consulta, as autoridades anunciaram o uso de instrumentos digitais, com o objetivo de garantir maior inclusão e participação.
Impacto das inundações e crescimento de contribuintes
Apesar dos impactos negativos provocados pelas recentes inundações na cidade, o governante destacou a resiliência do sistema.
De acordo com dados apresentados, a Cidade de Maputo conta atualmente com cerca de 61.151 empresas inscritas no sistema de segurança social. Mesmo com algumas empresas afetadas pela época chuvosa, foram registados aproximadamente 1702 novos contribuintes durante o período.
“Apesar das adversidades causadas pelas inundações, conseguimos registar um número considerável de novos contribuintes, o que demonstra a importância e a adesão ao sistema”, referiu.
Revisão do quadro legal
O seminário insere-se no processo de revisão do Decreto n.º 51/2017, de outubro, posteriormente alterado e republicado pelo Decreto n.º 56/2024, de julho, que regula a segurança social obrigatória em Moçambique.
Entre os participantes destacam-se organizações representativas dos trabalhadores e do setor privado, nomeadamente a Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM-CS), o Conselho Nacional dos Sindicatos Livres de Moçambique (CONSILMO) e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
Estas entidades são chamadas a contribuir com propostas e recomendações que possam reforçar o sistema de proteção social no país.




Marracuene distribui milhares de capulanas oferecidas por Gueta Chapo no mês da Mulher Moçambicana

O Município de Marracuene está a levar a cabo a distribuição de milhares de capulanas disponibilizadas pela Primeira-Dama da República de Moçambique, Gueta Chapo, no âmbito de uma promessa anteriormente assumida.
Segundo informações avançadas ao Jornal Visão Moçambique pelo edil de Marracuene, Shafee Sidat, a iniciativa já alcançou todos os postos administrativos do município até esta segunda-feira, 7 de abril. O dirigente sublinhou que a acção faz parte do cumprimento do compromisso da Primeira-Dama e tem como objectivo beneficiar milhares de mulheres locais.
De acordo com uma nota oficial do Município de Marracuene, a distribuição enquadra-se nas celebrações do mês da Mulher Moçambicana, assinalado hoje 7 de abril. A edilidade acrescenta que a iniciativa continuará a abranger diversos bairros ao longo dos próximos dias, incluindo acções programadas para o fim de semana.
Durante a cobertura realizada pela nossa equipa de reportagem em Marracuene, várias beneficiárias manifestaram satisfação com o gesto. Em declarações, algumas mulheres destacaram o impacto social da iniciativa:
“Este gesto de apoio da mama Gueta visa unir as famílias moçambicanas, elevar a autoestima das mulheres e valorizar a importante data de 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana.”
As entrevistadas não esconderam o sentimento de gratidão, deixando uma mensagem colectiva
“Obrigado, mãe Gueta, pelo apoio. Marracuene agradece.”
A distribuição das capulanas surge, assim, como uma ação simbólica e socialmente relevante, reforçando o reconhecimento do papel da mulher na sociedade moçambicana e promovendo a inclusão e o bem-estar das comunidades locais.