Governador Manuel Tule destaca papel activo da mulher durante cheias na Província de Maputo

No âmbito das celebrações do Dia da Mulher Moçambicana, o Governador da Província de Maputo, Manuel Tule, participou esta terça-feira na deposição de flores no Monumento da Praça dos Heróis, na cidade da Matola, numa cerimónia marcada por discursos de reconhecimento e desafios persistentes enfrentados pelas mulheres.
Durante a sua intervenção, Manuel Tule destacou o papel determinante desempenhado pelas mulheres, particularmente em contextos de crise, como as recentes inundações e cheias que afectaram várias comunidades da província.
“A mulher moçambicana demonstrou, mais uma vez, a sua resiliência e capacidade de liderança, sobretudo nos momentos mais difíceis vividos durante as cheias”, afirmou o governante.
Apesar do reconhecimento, fontes locais e análises sociais indicam que muitas mulheres continuam a enfrentar vulnerabilidades estruturais, incluindo acesso limitado a recursos financeiros, terra e oportunidades de geração de rendimento factores que se agravam em períodos de desastres naturais.
O governador sublinhou ainda a necessidade de reforçar a autonomia económica feminina como estratégia central para o desenvolvimento sustentável da província.
“É fundamental que as mulheres continuem a lutar pela sua independência económica, pois só assim poderemos alcançar um desenvolvimento inclusivo e sustentável”, acrescentou.
A cerimónia provincial decorreu no simbólico Monumento da Praça dos Heróis da Matola, local frequentemente associado à memória da luta de libertação nacional, reforçando o paralelo entre a resistência histórica e os desafios contemporâneos enfrentados pelas mulheres.
Entretanto, organizações da sociedade civil presentes no evento defenderam a implementação de políticas públicas mais robustas e mecanismos concretos de apoio às mulheres, especialmente nas zonas rurais, onde os impactos das mudanças climáticas são mais severos.
Especialistas ouvidos à margem da cerimónia consideram que, embora os discursos oficiais reconheçam o papel da mulher, persistem lacunas na tradução dessas declarações em acções práticas e mensuráveis.
O Dia da Mulher Moçambicana, celebrado anualmente a 7 de Abril, continua a ser um momento de reflexão não apenas sobre conquistas, mas também sobre os desafios que ainda limitam a plena participação da mulher no desenvolvimento económico e social do país.




Presidente do Conselho Municipal da Matola homenageia mulheres da saúde no Hospital Provincial

Matola, 7 de abril de 2026 — No âmbito das celebrações do Dia da Mulher Moçambicana, o Presidente do Conselho Municipal da Cidade da Matola, Júlio Parruque, realizou nesta terça-feira uma visita ao Hospital Provincial da Matola, onde prestou homenagem às mulheres que atuam no setor da saúde.
Durante o encontro, o dirigente destacou o papel fundamental desempenhado pelas profissionais de saúde no desenvolvimento social e na promoção do bem-estar da população, sublinhando o compromisso, a resiliência e a dedicação demonstrados diariamente, sobretudo em contextos desafiadores.
“Hoje celebramos não apenas a mulher moçambicana, mas em particular aquelas que, com bravura e sentido de missão, garantem o funcionamento do nosso sistema de saúde. O vosso trabalho é essencial e digno de reconhecimento permanente”, afirmou Júlio Parruque.
A visita incluiu momentos de interação com médicas, enfermeiras e demais funcionárias da unidade hospitalar, onde o edil procedeu à entrega simbólica de brindes como forma de reconhecimento pelo esforço contínuo e pela contribuição significativa na prestação de cuidados de saúde à comunidade.
Por sua vez, representantes das profissionais de saúde agradeceram o gesto, destacando que a valorização institucional reforça a motivação e o compromisso com a melhoria dos serviços prestados.
A iniciativa insere-se nas atividades comemorativas do Dia da Mulher Moçambicana, celebrado anualmente a 7 de abril, data que homenageia o papel histórico e contemporâneo da mulher na construção do país.
O Conselho Municipal da Matola reiterou, na ocasião, o seu compromisso em continuar a apoiar ações que promovam a igualdade de género e o empoderamento feminino, reconhecendo a mulher como pilar fundamental do desenvolvimento sustentável.




Presidente do Conselho Municipal de Maputo exige correções em casas de reassentamento em Pussulane

O presidente do Conselho Municipal da cidade de Maputo, Razaque Manhique, manifestou forte descontentamento com a baixa qualidade das habitações construídas para as vítimas do desabamento da lixeira de Hulene. Em resposta, ordenou que o empreiteiro responsável proceda com urgência à correção de graves irregularidades identificadas nas obras de reassentamento em Pussulane.
Segundo informações apuradas, as falhas estruturais nas residências têm gerado preocupação quanto à segurança e à dignidade das famílias beneficiárias. A intervenção do edil surge num contexto de crescente contestação pública sobre a qualidade das infraestruturas entregues.
“Não podemos aceitar que obras destinadas a populações vulneráveis sejam executadas com tamanha negligência”, terá afirmado uma fonte ligada ao município, sublinhando a necessidade de responsabilização dos envolvidos.
Analistas ouvidos pelo jornal Visão Moçambique consideram que a intervenção de Manhique como um passo positivo no reforço da fiscalização das obras públicas. Para estes especialistas, a situação levanta suspeitas que vão além da má execução técnica.
“É preciso mão dura contra estes empreiteiros. Mais do que isso, impõe-se uma investigação rigorosa para apurar se não houve desvio de fundos por parte de servidores públicos, comprometendo a qualidade das construções”, referiu um analista independente.
O caso reacende o debate sobre transparência e gestão de recursos públicos em projectos de reassentamento, especialmente aqueles destinados a populações afetadas por tragédias como a da lixeira de Hulene.
Até ao momento, o empreiteiro responsável pelas obras ainda não se pronunciou publicamente sobre as exigências do Conselho Municipal.




Crise de combustíveis pode elevar custo de vida em Moçambique, alerta Daniel Chapo

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou preocupação com o agravamento do custo de vida em Moçambique, associando o fenómeno à crise de combustíveis desencadeada pela instabilidade no Médio Oriente.
Falando nesta segunda-feira no distrito de Guijá, província de Gaza, durante a cerimónia de entrega de kits agrícolas e pesqueiros destinados a mais de 181 mil produtores em todo o país, o Chefe de Estado sublinhou os impactos diretos da conjuntura internacional na economia nacional.
“O aumento do custo de vida que estamos a sentir resulta, em grande medida, da crise de combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente”, afirmou Daniel Chapo, destacando a vulnerabilidade do país às flutuações dos mercados externos.
A iniciativa de distribuição dos kits insere-se nos esforços do Governo para reforçar a produção interna e mitigar os efeitos da inflação, sobretudo nas zonas rurais, onde a agricultura e a pesca constituem as principais fontes de subsistência.
Segundo o Presidente, o apoio aos produtores visa não apenas impulsionar a segurança alimentar, mas também criar resiliência face aos choques económicos internacionais. “Estamos a trabalhar para garantir que as famílias moçambicanas tenham meios para produzir mais e melhor, reduzindo a dependência externa”, acrescentou.
Analistas apontam que a subida dos preços dos combustíveis tem efeitos em cadeia, refletindo-se nos custos de transporte, bens essenciais e serviços, o que pressiona ainda mais o orçamento das famílias.
A situação levanta desafios adicionais para a política económica nacional, obrigando o Executivo a equilibrar medidas de mitigação social com a sustentabilidade fiscal num contexto global incerto.




“Violência Contra Mulheres Continua a Ameaçar Desenvolvimento Nacional, Diz Abdul Razak”

A violência contra mulheres e raparigas continua a figurar entre os mais graves desafios sociais em Moçambique, com impactos profundos no desenvolvimento sustentável do país. O alerta foi lançado esta segunda-feira, na cidade de Maputo, pelo Secretário de Estado de Género e Acção Social, Abdul Razak, durante a cerimónia de lançamento da Campanha Nacional de Combate à Violência Baseada no Género e ao Feminicídio.
Sob o lema “Tolerância Zero à Violência Baseada no Género e ao Feminicídio”, a iniciativa surge como um apelo urgente à mobilização colectiva para travar um fenómeno que, segundo o governante, “compromete os alicerces da sociedade e fragiliza o progresso material e humano”.
“A violência baseada no género constitui uma das mais graves violações dos direitos humanos da actualidade, com profundas implicações sociais, económicas, culturais e de saúde pública”, afirmou Abdul Razak.
Compromissos internacionais e desafios internos
Moçambique é signatário de diversos instrumentos internacionais e regionais que promovem a igualdade de género, entre os quais a Declaração de Beijing, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), o Protocolo de Maputo, a Agenda 2063 da União Africana e o Protocolo da SADC sobre Género e Desenvolvimento.
Segundo Abdul Razak, estes compromissos têm vindo a ser traduzidos em acções concretas, nomeadamente através da criação de legislação e políticas públicas. Entre os avanços, destacou-se a aprovação da Lei n.º 29/2009, sobre a Violência Doméstica Praticada Contra a Mulher, considerada um marco no reforço da protecção jurídica das vítimas.
“Moçambique tem demonstrado, ao mais alto nível, o seu compromisso com a promoção da igualdade de género”, sublinhou.
Ainda assim, o governante reconheceu que persiste um desfasamento entre os progressos legais e a realidade vivida por muitas mulheres no país.
Números que representam vidas
Apesar dos avanços, os desafios continuam — e, em alguns contextos, têm-se intensificado. Abdul Razak chamou a atenção para o lado humano por detrás das estatísticas.
“Cada número que apresentamos nas estatísticas tem um rosto. Tem um nome. Tem uma história interrompida”, afirmou.
Casos de violência extrema, incluindo feminicídios, continuam a tirar a vida a mulheres e raparigas, deixando famílias destruídas e comunidades profundamente afectadas.
“São sonhos que se apagam, famílias que se quebram, futuros que deixam de existir”, acrescentou.
Uma questão de valores e responsabilidade colectiva
Para o Secretário de Estado, a violência baseada no género vai além de actos criminosos isolados, sendo reflexo de uma crise mais profunda na sociedade.
“São feridas abertas na consciência colectiva da nossa sociedade e sinais alarmantes de uma erosão profunda dos valores que nos devem unir enquanto nação”, declarou.
O governante defendeu a necessidade de reforçar valores como o respeito pela vida, a dignidade humana e a convivência pacífica.
Apelo à acção
A cerimónia ficou marcada por um momento de homenagem às vítimas, com a observação de um minuto de silêncio.
“Hoje, não podemos e não devemos permanecer indiferentes”, afirmou.
“Um minuto de silêncio… pelas mães que partiram cedo demais. Pelas filhas que não chegaram a florescer.”
No final, Abdul Razak dirigiu um apelo a toda a sociedade — incluindo governo, instituições e cidadãos — para que assumam um compromisso activo e contínuo no combate à violência baseada no género.




Chakil Aboobacar critica “lambebotas” na FRELIMO e apela à disciplina interna

O secretário-geral da FRELIMO, Chakil Aboobacar, dirigiu duras críticas a membros do partido que, segundo afirmou, prejudicam o desempenho governativo ao adotarem posturas que classificou como oportunistas e desleais.
Falando na cidade de Maputo, durante a abertura de uma reunião de avaliação do desempenho dos órgãos autárquicos no cumprimento do manifesto eleitoral, Aboobacar alertou para o impacto negativo de comportamentos internos que fragilizam a coesão partidária.
“Temos que ter coragem de apontar os que não estão certos dentro do partido, mas isso deve ser feito nos órgãos próprios e não através de jornais ou redes sociais”, afirmou.
O dirigente foi mais longe ao denunciar a divulgação de assuntos internos do partido em espaços públicos, prática que considera inaceitável.
“Há camaradas que recorrem à imprensa e às redes sociais para expor questões internas e até segredos do partido. Isso não pode acontecer”, reforçou.
No seu discurso, Aboobacar apelou a uma mudança de postura entre os membros da organização, incentivando críticas construtivas que contribuam para soluções concretas para os desafios enfrentados pela população moçambicana.
“Devemos abandonar atitudes que não ajudam e passar a apresentar críticas que tragam soluções para a vida do povo moçambicano.”
O secretário-geral sublinhou ainda a responsabilidade histórica do partido para com os cidadãos, destacando a ligação entre a FRELIMO e a população.
“O nosso povo espera de nós liderança com sabedoria e sensibilidade. A FRELIMO é do povo porque estamos com o povo e vivemos com o povo”, declarou.
A intervenção ocorreu no âmbito de um encontro que reuniu representantes autárquicos para analisar o grau de cumprimento das promessas eleitorais, num momento em que o partido procura reforçar a disciplina interna e a eficácia da governação local.




Trouxemos a indústria de petróleo e gás para Moçambique ou entregamos a Moçambique a indústria de petróleo e gás?

Por: Elthon Chemane

Há uma diferença silenciosa, porém determinante, entre trazer uma indústria para um país e entregar essa indústria ao país. A primeira é logística. A segunda é transformação. E é precisamente nesse intervalo — entre presença e pertença — que Moçambique se encontra hoje no setor de petróleo e gás.

Durante anos, celebrámos marcos: investimentos bilionários, decisões finais de investimento, infraestruturas erguidas em tempo recorde. Construímos um discurso de progresso ancorado na escala dos projetos e na magnitude dos números. Mas, ao olharmos com mais frieza, surge uma pergunta incômoda: quem, de facto, está a capturar valor?

Conteúdo local tem sido tratado, muitas vezes, como um requisito contratual, uma obrigação a cumprir, e não como um instrumento estratégico de transformação económica. Queremos criar mecanismos, regulamentos e métricas — mas falhámos em responder à questão essencial: estamos em via de construir capacidade e participação nacional progressiva ou, apenas a querer contabilizar participação marginal?

O verdadeiro conteúdo local não se mede pelo número de contratos adjudicados a empresas moçambicanas, mas pela natureza desses contratos. Não se trata de quantas empresas participam, mas de quanto risco assumem, quanto valor retêm e quanto conhecimento acumulam. Quando as empresas locais são confinadas a serviços periféricos, de baixo risco e baixo valor acrescentado, estamos, na prática, a institucionalizar a dependência.

Partilhar o risco é (neste momento) o elemento mais negligenciado na equação de Conteúdo Local no nosso país.
Sem risco, não há crescimento empresarial real, sem exposição a decisões críticas, não há desenvolvimento de competências estratégicas e, sem isso, não haverá indústria nacional capacitada para servir — haverá apenas prestação de serviços locais numa cadeia de valor global que continuará a ser extremamente controlada.., e todos nós sabemos por quem.

É aqui que a estratégia precisa de amadurecer com visão de médio e longo prazo. O setor privado moçambicano também precisa de se posicionar de forma mais assertiva. Não basta reivindicar espaço, é necessário preparar-se para ocupá-lo com competência, governança e capacidade de execução. Conteúdo local não pode ser um escudo para mediocridade, nem uma desculpa para exclusão.

Por outro lado, o Governo enfrenta um dilema estrutural: garantir eficiência e cumprimento dos projetos, sem comprometer o desenvolvimento de uma base económica nacional robusta. Esse dilema vai continuar a existe enquanto o conteúdo local for visto como custo, e não como investimento. Cada contrato estruturado para incluir empresas moçambicanas de forma substantiva é, na verdade, uma alavanca para estabilizar a economia, ampliar a base fiscal e reduzir vulnerabilidades futuras.

Se a indústria de petróleo e gás operar em Moçambique sem se enraizar em Moçambique, estaremos a assistir a um ciclo clássico de enclave: crescimento sem desenvolvimento, riqueza sem distribuição, presença sem transformação.

Porque, no fim, a questão não é apenas económica — é soberania económica.

Entregar a indústria ao país implica mais do que abrir portas — implica transferir responsabilidades, criar condições para competição real, fomentar joint ventures equilibradas e, acima de tudo, garantir que o valor gerado não escapa sistematicamente para fora das nossas fronteiras.

A pergunta, portanto, permanece — e deve incomodar-nos: queremos ser anfitriões de uma indústria global ou protagonistas de uma economia em transformação?

A resposta não será dada por discursos, mas pelas decisões que tomarmos agora.




APME felicita Governo pelo pagamento ao FMI e exige tratamento igual para empresários nacionais

Associação defende que regularização da dívida externa deve ser acompanhada pela liquidação das dívidas internas

A felicitou o Governo pelo pagamento integral da dívida ao , considerando o acto como um sinal positivo de credibilidade financeira do País.



No entanto, no mesmo comunicado de imprensa, a associação levanta uma exigência clara quanto ao tratamento das obrigações internas, defendendo que o mesmo compromisso demonstrado junto de parceiros internacionais deve ser aplicado às dívidas do Estado para com empresários nacionais.

Em citação directa, a APME afirma: “A APME reitera a sua total disponibilidade para o diálogo construtivo com o Executivo, com vista à identificação de soluções céleres e eficazes que garantam a sustentabilidade das empresas e o crescimento económico do País.”

A organização sublinha ainda a importância da “dinâmica da economia interna”, apontando implicitamente para os impactos negativos que o incumprimento de pagamentos internos tem vindo a provocar no sector privado.

A posição da APME reflecte uma preocupação recorrente do empresariado nacional, que defende maior equidade na gestão das obrigações do Estado, sobretudo num contexto em que o cumprimento rigoroso de compromissos externos contrasta com atrasos nas responsabilidades internas.

Com este posicionamento, a associação procura pressionar o Executivo a adoptar uma abordagem mais equilibrada, em que a credibilidade externa seja acompanhada por justiça económica no plano interno.




Imede Falume sob suspeita de “vista grossa” em processos de licenciamento de exportação de madeira

Empresa com sócio desaparecido há quase uma década obtém autorização para exportar 2.100 m³ de madeira e levanta dúvidas sobre controlo administrativo no sector florestal

Um caso envolvendo um cidadão português dado como desaparecido desde 2016 e a sua alegada participação numa empresa licenciada para exportação de madeira está a lançar novas dúvidas sobre os mecanismos de controlo no sector florestal em Moçambique, colocando sob escrutínio a actuação do director nacional de Florestas e Fauna Bravia, Imede Falume.
Desaparecido desde 2016 reaparece em registos empresariais
Américo António Melro Sebastião desapareceu em circunstâncias não esclarecidas em Moçambique há quase uma década. Desde então, não houve qualquer confirmação pública sobre o seu paradeiro.
No entanto, em 2024, o seu nome surge associado à empresa Inther-Beira, alegadamente constituída na cidade da Beira, província de Sofala. De acordo com registos disponíveis, o cidadão português figura como titular de 25% das participações sociais.
A inclusão de uma pessoa oficialmente desaparecida na estrutura societária de uma empresa levanta questões imediatas sobre o cumprimento dos requisitos legais no processo de constituição.
“A presença de um cidadão desaparecido como sócio formal de uma empresa levanta dúvidas sérias sobre a verificação de identidade e a autenticidade da documentação apresentada”, afirma um especialista em direito administrativo.
Licenciamento florestal e suspeitas de irregularidades
A controvérsia intensifica-se pelo facto de a Inther-Beira ter obtido autorização para exportar cerca de 2.100 metros cúbicos de madeira, um volume relevante no contexto das quotas de exploração florestal.
Este tipo de autorização envolve, por norma, procedimentos rigorosos que incluem análise documental, validação de conformidade e decisão administrativa por parte da autoridade competente.
À data, o processo encontrava-se sob responsabilidade da Direcção Nacional de Florestas e Fauna Bravia, liderada por Imede Falume.
“Não se trata de um processo meramente burocrático. A emissão de licenças exige validação efectiva da identidade dos intervenientes e da legalidade dos documentos”, sublinha um jurista ouvido pela reportagem.
Responsabilidade directa e críticas recorrentes
Enquanto director nacional, Imede Falume é responsável pela gestão das quotas de exploração e pela monitoria do seu cumprimento, incluindo a assinatura das autorizações de exportação.
Especialistas indicam que este tipo de licença deve ser pessoalmente validado pelo dirigente máximo da instituição.
Neste contexto, surgem questionamentos sobre como uma empresa com um sócio em situação irregular — ou, no mínimo, duvidosa — conseguiu obter autorização para operar.
“Ou houve falhas graves nos mecanismos de controlo ou estamos perante uma situação de negligência institucional”, considera uma fonte ligada ao sector ambiental.
Histórico de controvérsias no sector
O nome de Imede Falume já esteve anteriormente associado a polémicas no sector florestal.
Em 2022, foi acusado de autorizar o aumento das quotas de exploração de madeira na província do Niassa, decisão considerada ilegal por alguns analistas e organizações.
A controvérsia contribuiu para o seu afastamento do cargo. No entanto, viria a ser reconduzido em Maio de 2025 pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino.
Requisitos legais sob questionamento
De acordo com a legislação moçambicana, a constituição de uma sociedade e o licenciamento para exportação de madeira exigem a apresentação de:
Documento de identificação válido (como passaporte)
Comprovativo de residência ou enquadramento legal
Documentos societários assinados por todos os sócios
Número Único de Identificação Tributária (NUIT)
Certidão de Quitação Fiscal
Até ao momento, não foi possível confirmar publicamente a existência destes documentos relativamente ao cidadão desaparecido.
“Se os documentos existem, devem ser auditáveis. Se não existem, então o processo é, no mínimo, irregular”, alerta um especialista.
Dúvidas sobre o processo administrativo
Apesar das incertezas, a empresa consta de registos oficiais como tendo sido autorizada a exportar madeira.
O processo de licenciamento, segundo especialistas, pressupõe:
Verificação da identidade dos sócios
Validação da documentação apresentada
Confirmação da regularidade fiscal
Persistem, no entanto, questões fundamentais:
Que documentos foram efectivamente apresentados?
Como foram validados pelas autoridades?
Foram os mecanismos de controlo plenamente aplicados?
Cenários possíveis
Analistas apontam para diferentes hipóteses que exigem investigação:
Utilização indevida de identidade, podendo configurar crimes como falsificação de documentos ou fraude
Ocultação voluntária, caso o desaparecimento não corresponda a uma ausência efectiva
“Qualquer um destes cenários tem implicações legais sérias e exige apuramento rigoroso dos factos”, sublinha um jurista.
Silêncio e ausência de esclarecimentos
Contactada, a representante da empresa não prestou declarações.
Por sua vez, a Procuradoria-Geral da República na província de Sofala indicou apenas que o processo relativo ao desaparecimento do cidadão português foi anteriormente encerrado, sem fornecer detalhes adicionais.
Fragilidades sistémicas expostas
Para além do caso concreto, a situação levanta preocupações mais amplas sobre o funcionamento da administração pública:
Robustez dos processos de verificação de identidade
Critérios de validação no licenciamento florestal
Eficácia dos mecanismos de controlo interno
“Este caso pode não ser isolado. Pode ser apenas um exemplo visível de falhas estruturais mais profundas”, alerta um analista.
Necessidade de investigação aprofundada
Até ao momento, não existem confirmações oficiais de irregularidades.
Contudo, os elementos disponíveis levantam dúvidas suficientes para justificar uma averiguação detalhada por parte das autoridades competentes.
Especialistas defendem que o caso deve ser investigado tanto no plano administrativo como criminal, com vista a esclarecer:
A legalidade da constituição da empresa
A autenticidade da documentação apresentada
A conformidade do processo de licenciamento
Enquanto persistirem dúvidas, o caso Inther-Beira continuará a alimentar preocupações sobre transparência, responsabilização e integridade no sector florestal moçambicano.




Governo entrega 100 autocarros para reforçar transporte público no Centro e Norte do país

O Governo da República de Moçambique procede, amanhã, na cidade de Nampula, à entrega dos primeiros 100 autocarros no âmbito do Programa de Melhoria do Sistema de Transporte Público de Passageiros. Os veículos serão distribuídos por 15 municípios das regiões Centro e Norte, numa iniciativa que visa responder aos crescentes desafios de mobilidade urbana.
De acordo com informações oficiais, a introdução destes meios permitirá transportar mais de 1,4 milhões de passageiros por mês, contribuindo significativamente para a redução da sobrelotação nos transportes públicos e para a melhoria das condições de deslocação das populações.
“O reforço da frota representa um passo importante na promoção de um sistema de transporte mais eficiente, acessível e seguro”, refere uma fonte governamental, sublinhando o impacto directo da medida na qualidade de vida dos cidadãos.
O programa incorpora ainda um conjunto de inovações orientadas para a segurança rodoviária. Entre elas, destaca-se a formação especializada dos motoristas em condução segura e preventiva, bem como o treinamento técnico das equipas de manutenção, com vista a assegurar a durabilidade e o bom funcionamento dos veículos.
Outro elemento central é a instalação de tacógrafos sistemas inteligentes de monitorização que permitem controlar o tempo de condução, reforçar os mecanismos de fiscalização e contribuir para a redução de acidentes de viação.
Especialistas consideram que a implementação destas medidas poderá marcar uma mudança estrutural no setor dos transportes públicos no país, historicamente marcado por limitações operacionais e desafios de segurança.
A iniciativa integra os esforços contínuos do Executivo para modernizar os serviços públicos e promover soluções sustentáveis de mobilidade urbana, alinhadas com as necessidades de crescimento das cidades moçambicanas.