A ENTREVISTA DA MBC TV COMO AULA DE JORNALISMO POLÍTICO EM MOÇAMBIQUE

resized-image (9)

Análise pedagógica à luz das teorias do jornalismo, política e economia

Por Agostinho Muchave | Jornalista

A entrevista conduzida pelo jornalista José Belmiro, com a participação de Venâncio Mondlane, Presidente da ANAMOLA e ex-candidato independente às eleições presidenciais de 2024, apoiado pelo partido PODEMOS, foi mais do que um mero encontro televisivo. Foi uma demostração concreta do exercício do jornalismo político sério em Moçambique, onde a tensão, o rigor e a defesa do interesse público se cruzaram em cena.



Poucas vezes, senão nenhuma se assiste à qualidade de entrevista em televisão com esta. Recorda-me a época do Arsénio Henrique na SOICO com MC Roger como entrevistado e noutras ocasiões com figuras sonantes da praça que não perco palavras tentando lembrar os seus nomes.

Este artigo propõe uma leitura analítica desta entrevista, ancorada em teorias clássicas do jornalismo, da ciência política e da economia política, para entender as dinâmicas entre media, política e cidadania no nosso país.

O jornalismo político em acção: José Belmiro na posição do fiscal da democracia

José Belmiro, enquanto jornalista, representou o papel definido por Bill Kovach e Tom Rosenstiel em The Elements of Journalism: a primeira lealdade do jornalista é ao público, e o seu dever é exigir transparência e coerência dos agentes políticos.

Ao confrontar Venâncio Mondlane com dados concretos e exigir explicações claras sobre propostas políticas, Belmiro encarnou o que Jay Rosen chama de jornalismo de responsabilidade pública, ou seja, um mediador crítico que não aceita discursos vagos nem retórica vazia.

No entanto, como a entrevista mostrou, a linha entre firmeza jornalística e provocação é ténue, e o tom por vezes acusatório levantou debates sobre os limites do confronto saudável, tema analisado por Pierre Bourdieu nas suas reflexões sobre os media.

Venâncio Mondlane: entre visão política e desafios da comunicação pública

Venâncio Mondlane, como líder da ANAMOLA e ex-candidato presidencial apoiado pelo PODEMOS, trouxe para o debate uma visão política estruturada, ancorada na distinção entre Estado e Governo, e na defesa de recursos internos para o desenvolvimento.

Contudo, o episódio ilustra a tensão descrita por Max Weber entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade, pois a apresentação de ideias políticas exige também a capacidade de responder com dados concretos e realismo financeiro.

A sua atitude defensiva diante das perguntas difíceis, inclusive questionando a qualidade do jornalista, remete ao risco de deslocar o debate do conteúdo para o pessoal, conforme apontado por Hannah Arendt na sua análise da esfera pública.

A pedagogia da entrevista: ensino prático para cidadania e democracia

Como defendeu John Dewey, o jornalismo é uma ferramenta educativa essencial para o exercício da democracia. A entrevista da MBC TV expôs o público moçambicano a um modelo de comunicação onde o cidadão aprende a distinguir discurso político sério de retórica e a exigir responsabilidade.

Através da tensão e do confronto, o público foi convidado a refletir sobre os limites entre promessa e execução, entre visão e meios, um exercício vital numa democracia emergente como a nossa.

Reflexões finais para o jornalismo e a política moçambicana

A entrevista deixa lições valiosas:

  • Para o jornalismo, a necessidade de profissionalismo e preparação constante, sem temer o confronto, mas evitando a personalização excessiva do debate.
  • Para os políticos, o desafio de transparência e autocontrolo, sabendo que a comunicação pública exige mais do que discursos — exige provas, dados e respostas.
  • Para o público, o convite a exigir qualidade no debate político, reconhecendo o papel da imprensa como guardiã da democracia.

A entrevista entre José Belmiro e Venâncio Mondlane foi uma aula prática de jornalismo político, um exercício de democracia e um alerta para os caminhos que ainda temos pela frente na comunicação política em Moçambique. Como jornalista, reafirmo que entrevistas deste calibre devem ser a norma, não a excepção, para que o poder seja sempre escrutinado e a cidadania, fortalecida.




Yacub Sibindy defende “desfrelimização” de Daniel Chapo para liderar Diálogo Nacional Inclusivo

IMG_20260207_122833

Medida visa garantir imparcialidade na condução de reformas políticas, económicas, financeiras e sociais do país, de acordo com a Lei nº 01/2025.

O político Yacub Sibindy afirmou que é necessário “desfrelimizar” Daniel Chapo para que este possa moderar com transparência e imparcialidade o Diálogo Nacional Inclusivo. A iniciativa, segundo Sibindy, pretende preparar o país para um período de transição e reformas profundas, consolidando uma Nova Nação livre de protagonismo político, conforme prevê a Lei nº 01/2025, de 11 de abril.
Corpo da matéria:
Em entrevista, Sibindy explicou que a “desfrelimização” permitiria a Chapo atuar como mediador neutro, sem ligações partidárias que pudessem comprometer o processo. O Diálogo Nacional Inclusivo reúne diferentes forças políticas, sociais e económicas do país com o objetivo de debater reformas estruturais em várias áreas-chave.
“A liderança de Chapo, isenta de interesses políticos, é fundamental para que o processo seja conduzido com transparência e eficácia”, disse Sibindy. Ele destacou que o período de transição contemplará reformas políticas, económicas, financeiras e sociais, necessárias para a consolidação de instituições sólidas e de uma sociedade mais inclusiva.
Contexto legal:
A Lei nº 01/2025, aprovada em 11 de abril, estabelece os mecanismos para garantir a neutralidade dos mediadores no Diálogo Nacional Inclusivo. Juristas consultados afirmam que a interpretação dessa lei será determinante para o sucesso do processo, especialmente no que diz respeito à prevenção de protagonismo político individual.
Reações e análises:
Especialistas políticos destacam que, embora a medida represente um passo importante rumo à transparência, o desafio será transformar a intenção em ações concretas. Organizações da sociedade civil enfatizam a necessidade de acompanhamento rigoroso e relatórios públicos sobre o andamento das reformas.

O país entra, assim, em um período delicado de transição, onde a liderança neutra de Chapo será colocada à prova, enquanto a sociedade observa atentamente o cumprimento da Lei nº 01/2025 e a construção de uma Nova Nação inclusiva.




Ex-guerrilheiros da RENAMO rejeitam transformação do partido em força “lobista”

IMG_20260207_114256

O porta-voz dos ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), João Machava, afirmou que os desmobilizados de guerra não aceitam que o partido se transforme numa força política “lobista”, afastada dos ideais que estiveram na base da sua criação.
A posição foi expressa esta terça-feira, na cidade da Matola, província de Maputo, durante a Primeira Conferência Nacional dos Desmobilizados de Guerra do Partido RENAMO, um encontro que reuniu antigos combatentes, quadros do partido e membros influentes da Comissão de Gestão.
Segundo João Machava, os ex-guerrilheiros defendem uma RENAMO coerente com os seus princípios históricos e comprometida com os interesses do povo moçambicano, rejeitando práticas que, no seu entender, fragilizam o partido e comprometem a sua credibilidade política.
A conferência teve como agenda central a discussão em torno da retirada de Ossufo Momade da liderança do partido, bem como a apresentação oficial da Comissão de Gestão da RENAMO a nível nacional. Os participantes defenderam a necessidade de uma nova dinâmica interna que permita o fortalecimento das estruturas partidárias e a reposição da confiança entre os membros e simpatizantes.
O encontro serviu igualmente para a planificação das atividades políticas e organizacionais do partido, com vista à reorganização interna, à mobilização da base e à preparação dos próximos desafios políticos.
A Primeira Conferência Nacional dos Desmobilizados de Guerra da RENAMO insere-se num contexto de intensos debates internos sobre o futuro da formação política, marcados por divergências quanto à liderança, à gestão do partido e à sua estratégia no atual cenário político nacional.




Muchanga Afirma Ter Sido Ofendido por Ossufo Momade Após Uso de Vassouras Supostamente Provenientes de Curandeiros na Campanha Eleitoral

IMG_20260207_105224

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) volta a enfrentar um período de forte instabilidade interna, na sequência de acusações públicas feitas por António Muchanga, membro sénior do partido e antigo deputado da Assembleia da República, que responsabiliza diretamente o presidente da formação política, Ossufo Momade, por decisões que considera ofensivas, desastrosas e politicamente prejudiciais durante o processo eleitoral de 2024.
Em declarações prestadas na cidade da Matola, António Muchanga afirmou ter-se sentido profundamente ofendido pela postura assumida por Ossufo Momade, acusando-o de ter permitido a utilização de símbolos associados a práticas de curandeirismo, nomeadamente o transporte de vassouras, como parte da estratégia de campanha eleitoral. Segundo Muchanga, tal opção contribuiu para a descredibilização da RENAMO junto do eleitorado e comprometeu seriamente a sua imagem histórica enquanto força política organizada e credível.
Estratégias contestadas e impacto nos resultados eleitorais
Na avaliação de Muchanga, os resultados das eleições gerais de 2024 confirmam o fracasso da estratégia adotada pela atual liderança. A RENAMO registou uma perda significativa de assentos na Assembleia da República, facto que, no seu entender, demonstra uma clara desconexão entre a direção do partido e as expectativas reais dos eleitores.
“O partido não ganhou absolutamente nada com essas práticas. Pelo contrário, perdemos representação parlamentar e enfraquecemos ainda mais a nossa posição política”, afirmou Muchanga, acrescentando que as decisões em causa terão sido tomadas sem uma consulta ampla às bases do partido, nem aos seus quadros mais experientes.
Apelo à responsabilização e exigência de desculpas públicas
Face ao impacto negativo das decisões tomadas durante o processo eleitoral, António Muchanga defende que o presidente da RENAMO deve apresentar desculpas públicas aos membros, simpatizantes e combatentes desmobilizados do partido. Para o antigo deputado, a atual gestão política está marcada por erros graves, ausência de autocrítica e desrespeito pelos valores fundadores da organização.
Muchanga considera ainda que a persistente falta de responsabilização da liderança contribui para o agravamento da crise interna e reforça a necessidade de mudanças profundas na condução dos destinos do partido.
Encontro na Matola antecede conferência nacional decisiva
As declarações foram proferidas durante um encontro realizado na cidade da Matola, que reuniu desmobilizados de guerra da RENAMO e membros influentes da Comissão de Gestão Partidária. O evento decorreu na véspera da realização da Primeira Conferência Nacional, apontada por diversos analistas como um momento determinante para o futuro da formação política.
Conferência nacional visa redefinir liderança e estratégia política
A Primeira Conferência Nacional tem como principais objetivos a convocação de um congresso extraordinário, a apresentação oficial da Comissão de Gestão Partidária a nível nacional e a definição de uma nova estratégia política para a RENAMO.
Na prática, a iniciativa surge como uma tentativa clara de pôr termo à liderança de Ossufo Momade, que enfrenta crescente contestação interna desde a morte do histórico líder Afonso Dhlakama. Para vários membros do partido e observadores políticos, a atual direção é considerada incapaz de preservar a identidade política da RENAMO e de responder de forma eficaz aos desafios eleitorais e organizacionais que o partido enfrenta.
À medida que se aproxima o congresso extraordinário, a RENAMO entra numa fase crucial da sua história, marcada por divisões internas profundas, acusações de má liderança e um intenso debate sobre o futuro de um partido que, durante décadas, se afirmou como a principal força da oposição em Moçambique.




Município da Matola apela a investidores nacionais e estrangeiros para potenciar desenvolvimento urbano

IMG_20260206_200519

Matola – O Presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, apelou ao empresariado nacional e internacional a investir nas diversas oportunidades de negócio existentes naquele município, através da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
O apelo foi lançado durante a cerimónia pública de apresentação da Conferência de Investimentos da Matola, um evento de carácter estratégico que visa promover o potencial económico da cidade e atrair investimentos para sectores prioritários do desenvolvimento urbano. A conferência será liderada pela Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento da Matola, responsável pela implementação de projectos estruturantes no domínio da mobilidade urbana.
Na ocasião, Júlio Parruque destacou o compromisso do Conselho Municipal da Matola na criação de um ambiente de negócios favorável, assente em parcerias público-privadas, com vista a acelerar o desenvolvimento económico, modernizar as infra-estruturas urbanas e melhorar a qualidade de vida dos munícipes.
Por seu turno, o Presidente da CTA, Álvaro Massingue, reafirmou a disponibilidade do sector privado em colaborar activamente com o Município da Matola na mobilização de investimentos, sobretudo na área da mobilidade urbana. Segundo Massingue, a CTA está preparada para trabalhar de forma coordenada com o município na identificação de oportunidades de investimento e na facilitação de parcerias estratégicas. “A CTA está pronta para caminhar lado a lado com a Matola”, afirmou.
Entretanto, o embaixador do projecto, Ivo Mahael, anunciou que a cidade da Matola prepara importantes iniciativas para o seu futuro desenvolvimento, com destaque para a implementação do Centro Metropolitano da Matola, um empreendimento de elevado impacto económico, social e urbanístico.
De acordo com Mahael, o projecto prevê a criação de um espaço moderno e organizado, com mais de três mil lojas, hotéis, restaurantes e diversas áreas de serviços, além da construção de um grande terminal integrado destinado a melhorar a organização e o fluxo de pessoas e meios de transporte que circulam diariamente na cidade.
A Conferência de Investimentos da Matola surge, assim, como uma plataforma estratégica para a apresentação destes e de outros projectos estruturantes, reforçando o posicionamento da Matola como um polo económico competitivo e atractivo para o investimento sustentável, a nível nacional e regional.




MTGAS DOA 2.500 KITS DE DIGNIDADE ÀS VÍTIMAS DAS CHEIAS E INUNDAÇÕES DA PROVÍNCIA DE MAPUTO

IMG_20260207_082453

O Secretário do Estado do Género e Acção Social, Abdul Razak Amuzá Esmail, dirigiu esta Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2026, a Cerimónia Simbólica de Entrega de 2.500 kits de dignidade (materiais de higiene feminina) destinados às vítimas das cheias e inundações acolhidas em 17 Centros de Acomodação da Província de Maputo.

Trata-se de bens de higiene que consistem em sabões, sabonetes, pastas dentífricas, escovas de dentes, pensos higiénicos, capulanas e roupas interiores, adquiridos com fundos do Banco Mundial, numa iniciativa implementada pelo Programa “Empodera”.

Falando na ocasião, Abdul Razak Esmail explicou que a sua instituição tem as mulheres e raparigas como seu público-alvo, razão pela qual o sector viu a necessidade de mobilizar fundos para atender às suas condições de saúde e higiene.

“Estes 2.500 kits de dignidade fazem parte de um total de 9.000 kits que estamos a canalizar não só para a província de Maputo, mas também para a Cidade de Maputo e às províncias de Sofala e Gaza, sendo que esta última é que receberá o maior número de kits pelas razões que todos nós sabemos”, disse o dirigente.

Já o Governador da Província de Maputo, Manuel Tule, agradeceu o gesto e disse que apesar da desactivação de parte dos 35 centros de acomodação que existiam na província, as populações visadas continuarão a necessitar de apoio do Governo.

“Agradecemos o apoio e estamos abertos para receber mais apoios, porque as populações que saem dos centros enfrentam o problema de reiniciar as suas vidas e, por isso, toda a ajuda continua necessária”, afirmou Tule.

Na próxima semana, a distribuição dos kits de dignidade continua nas províncias de Gaza (5.500 kits); Sofala (800 kits) e Cidade de Maputo (550 kits).




JORNAL VISÃO MOÇAMBIQUE LANÇA A EDIÇÃO 265 COM DENÚNCIA, ANÁLISE E DEFESA DO ESTADO DE DIREITO

resized-image (5)

O Jornal Visão Moçambique chega às bancas e às plataformas digitais com a edição nº 265, trazendo ao centro do debate nacional temas sensíveis, actuais e incontornáveis para a consolidação do Estado de Direito, o funcionamento das instituições públicas e o futuro da justiça em Moçambique.



A manchete desta edição destaca a decisão de Venâncio Mondlane accionar o Conselho do Estado, num processo que expõe alegado desconhecimento da Lei nº 33 por parte de oficiais superiores da Polícia, uma situação que levanta sérias preocupações quanto à legalidade dos procedimentos, à formação jurídica dos comandos e ao respeito pelos limites impostos pela Constituição da República.

Falando como cidadão e como membro do Conselho do Estado, Venâncio Mondlane alerta para o que considera ser um problema estrutural dentro das forças policiais: a incapacidade, sobretudo nos escalões superiores, de interpretar e aplicar correctamente a lei. Uma acusação grave, documentada e tratada com o rigor editorial que caracteriza o Visão Moçambique, sem ruído, sem sensacionalismo e sem medo.

Justiça em debate: juiz não é empresário

Outro destaque desta edição é a cobertura da Cerimónia de Abertura do Ano Judicial na Província do Niassa, onde Silva Livone deixou uma mensagem clara e incómoda para quem prefere misturar funções: “Juiz não pode ficar rico e muito menos ser empresário”.

A declaração reacende o debate sobre ética judicial, independência dos tribunais e conflitos de interesse num sistema onde a justiça deve servir o cidadão e não competir com o lucro. O Jornal Visão Moçambique analisa o discurso, contextualiza o momento e expõe as implicações práticas desta posição para o sistema judicial moçambicano.

Informação que incomoda, análise que esclarece

A edição 265 reafirma a linha editorial do Visão Moçambique:
– Jornalismo crítico
– Respeito pelos factos
– Compromisso com a verdade
– Defesa intransigente das instituições republicanas

Num tempo em que muitos títulos preferem o conforto da neutralidade conveniente, o Visão Moçambique continua a assumir riscos editoriais, dando voz ao debate sério e às questões que afectam directamente a governação, a justiça e a cidadania.

Disponível em formato impresso, online e PDF

O Jornal Visão Moçambique – Edição 265 está disponível:

  • Nas bancas habituais
  • Em formato online e PDF AQUI
  • Por subscrição semanal, garantindo acesso contínuo à informação que realmente importa

Porque um país informado não se constrói com manchetes vazias, mas com jornalismo que questiona, investiga e expõe.

O Visão Moçambique continua. Para quem ainda leva a informação a sério.




Lucas Chachine assume liderança da Câmara de Comércio de Moçambique com aposta na modernização e inclusão

IMG-20260206-WA0015

Maputo– A Câmara de Comércio de Moçambique (CCM) tem um novo presidente. Lucas Chachine tomou posse recentemente, em Maputo, após ser eleito pelos órgãos sociais da instituição, que integram representantes de Maputo, Beira e Nampula. A nova liderança assume funções num contexto económico desafiante, mas marcado por oportunidades ligadas à inovação, transformação digital e ao crescimento do empreendedorismo nacional.



No discurso de investidura, Lucas Chachine começou por reconhecer o trabalho da Direcção Executiva cessante, destacando os avanços alcançados ao longo dos últimos quatro anos. Entre os marcos do mandato anterior, apontou a reabilitação do edifício-sede da Câmara, que simboliza estabilidade e renovação institucional, bem como o reforço da presença nacional e internacional da CCM, hoje posicionada como uma voz activa e credível do sector privado moçambicano.

Ao assumir a presidência, Chachine sublinhou que o cargo representa mais do que uma honra: trata-se de uma responsabilidade que exige visão estratégica e capacidade de resposta às exigências actuais do tecido empresarial. O novo presidente defende uma Câmara mais moderna, inclusiva, digital e orientada para resultados concretos para os seus membros e para o desenvolvimento económico do país.

Segundo Chachine, as empresas moçambicanas continuam a enfrentar desafios estruturais, como burocracia excessiva, dificuldades de financiamento, instabilidade em algumas regiões e um ambiente económico global cada vez mais competitivo. No entanto, considera que o país atravessa um momento decisivo, com oportunidades impulsionadas pela juventude empreendedora, pela inovação tecnológica e pelo elevado potencial económico nacional.

É neste cenário que surge o manifesto da nova direcção, assente nos pilares da responsabilidade, inovação e colaboração. Mais do que um documento programático, o manifesto é apresentado como um compromisso de acção, que deverá orientar um Plano Estratégico sólido e executável para os próximos anos.

Entre as prioridades anunciadas está o reforço institucional da Câmara de Comércio de Moçambique, com investimentos na digitalização dos serviços, melhoria da transparência na governação e capacitação da equipa técnica. A nova direcção pretende tornar a CCM mais acessível e próxima dos seus associados, através de plataformas digitais funcionais, comunicação activa e métricas claras de desempenho.

O apoio directo aos membros surge como outro eixo estratégico, com a criação de oportunidades de networking, facilitação do comércio externo, mediação de conflitos, organização de missões empresariais e grupos sectoriais, além de uma actuação mais firme de advocacia junto do Governo para a melhoria do ambiente de negócios.

Lucas Chachine reafirma ainda o papel da Câmara como parceiro estratégico do desenvolvimento económico nacional, com especial atenção a sectores como agricultura, turismo, transportes, construção, pescas, mineração e energia, sem descurar os sectores transversais que sustentam o crescimento económico e social.

A inclusão social e económica ocupa também um lugar central na agenda do novo presidente. A promoção do empreendedorismo feminino e juvenil, o incentivo à liderança jovem e o investimento em inovação fazem parte das prioridades, com destaque para incubadoras, programas de mentoria, formação em tecnologias emergentes, marketing digital e novas formas de monetização da economia digital.

No plano financeiro, a nova liderança compromete-se com uma gestão rigorosa, baseada na transparência, prestação de contas e sustentabilidade. Estão previstas auditorias regulares, diversificação das fontes de receita e modernização dos sistemas de gestão, com o objectivo de reforçar a confiança e a credibilidade institucional.

A aposta em parcerias estratégicas com o Governo, instituições de ensino, embaixadas, agências de desenvolvimento e parceiros internacionais completa a visão apresentada, assente no diálogo permanente e na construção de soluções conjuntas para o fortalecimento do sector privado.

Para Lucas Chachine, o sucesso do mandato dependerá do envolvimento activo dos associados. A nova direcção pretende deixar um legado de inovação, crescimento e relevância institucional, consolidando a Câmara de Comércio de Moçambique como uma instituição verdadeiramente ao serviço do desenvolvimento económico do país.

Dixon Chongo assume Vice-Presidência da Câmara de Comércio de Moçambique

A eleição de Dixon Chongo para o cargo de Vice-Presidente da Câmara de Comércio de Moçambique marca uma nova etapa para o sector privado nacional, assente na coesão empresarial, sustentabilidade económica e aposta na juventude e na inovação digital.

De acordo com o dirigente, o processo eleitoral demonstrou a maturidade do empresariado moçambicano, que se apresentou mais unido e responsável, reforçando a continuidade de uma direcção orientada para resultados. “Queremos consolidar uma Câmara de Comércio coesa, virada a resultados e comprometida com a sustentabilidade”, afirmou.

Entre as prioridades da nova liderança está o reforço da sustentabilidade fiscal, defendendo que as empresas desempenham um papel fundamental na geração de receitas para o Estado, contribuindo para o fortalecimento das finanças públicas, sem comprometer o crescimento e a lucratividade do sector privado.

Outro eixo estratégico destacado por Chongo é a valorização da juventude e da economia digital. O vice-presidente defende a criação de um quadro legal moderno e sustentável que permita aos jovens, incluindo influenciadores digitais e produtores de conteúdos, transformarem inovação em riqueza. “Queremos uma juventude dedicada, empreendedora e capaz de gerar riqueza, à semelhança do que acontece noutras partes do mundo”, sublinhou.

A tomada de posse teve lugar em Maputo, com participação virtual das cidades da Beira e Nampula, envolvendo todos os órgãos sociais da instituição. Actualmente, a Câmara de Comércio de Moçambique conta com mais de mil membros, consolidando-se como uma das principais plataformas de representação do sector empresarial no país.




Dívida pública limita investimento social em Moçambique, alerta OXFAM

IMG-20260206-WA0012

A crescente pressão da dívida pública sobre o Orçamento do Estado continua a comprometer a capacidade de Moçambique investir de forma sustentável em sectores sociais essenciais, como saúde e educação. O alerta foi feito por Helena Chikela, representante da OXFAM em Moçambique, durante a apresentação de um estudo recente sobre a interação entre a dívida pública e o investimento social no país.



O estudo, intitulado “Das aspirações à realidade: a interação entre a influência da dívida e as decisões de investimento público em Moçambique (2015–2024)”, foi elaborado por um consultor externo e analisa, com particular enfoque no período entre 2021 e 2024, como o serviço da dívida tem condicionado as decisões de investimento do Estado.

Segundo Helena Chikela, os resultados revelam que as obrigações financeiras associadas à dívida reduzem significativamente a margem fiscal do Governo, limitando a sua capacidade de responder às necessidades básicas da população. “As obrigações da dívida têm implicações diretas no investimento público e afetam, de forma particular, as áreas sociais”, explicou.

A responsável destacou ainda que este cenário não é exclusivo de Moçambique. A análise comparativa realizada com outros países africanos mostra que grande parte do continente enfrenta desafios semelhantes, marcados por uma forte pressão orçamental que impede investimentos adequados nos sectores sociais, devido ao elevado custo do serviço da dívida.

Para a OXFAM, o estudo representa uma contribuição relevante para o debate sobre políticas públicas e gestão da dívida, ao apresentar recomendações dirigidas aos diversos atores da sociedade, incluindo o Governo, a sociedade civil e parceiros de cooperação. O objetivo é encontrar mecanismos que permitam proteger o investimento social, mesmo num contexto de elevados compromissos financeiros.

“A erradicação da pobreza é o centro da missão da OXFAM. Sem investimento consistente em saúde e educação, esse objetivo torna-se inalcançável”, sublinhou Helena Chikela, reafirmando o compromisso da organização em Moçambique e a nível global.




Segundo Aires Ali: Livro do Presidente da República Contribui para a Juventude e para o país em Geral

IMG-20260206-WA0013

O lançamento da obra “Do Cativeiro à Presidência da República”, da autoria do Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, continua a gerar reflexões sobre o papel da juventude no desenvolvimento do país. Para o membro da Comissão Política do partido FRELIMO, Aires Ali, o livro representa uma contribuição relevante não apenas para a juventude moçambicana, mas para a nação como um todo.



Na sua leitura, a obra evidencia o percurso de um presidente jovem, portador de ideias modernas e avançadas, que ascendeu à mais alta magistratura do Estado através do trabalho árduo e da dedicação contínua. “O Presidente não tinha como plano ser chefe de Estado. Foi trabalhando, fazendo acontecer, e o seu esforço foi sendo reconhecido, desde a base até ao topo”, afirmou Aires Ali.

Segundo o dirigente político, o livro transmite uma mensagem inspiradora, sobretudo para os jovens, ao demonstrar que o sucesso é construído passo a passo, com perseverança, estudo e compromisso. Para Aires Ali, trata-se de uma obra que encoraja a juventude a acreditar que é possível alcançar grandes objetivos quando se investe no trabalho e no desenvolvimento pessoal.

A publicação surge também como um incentivo à reflexão sobre liderança e cidadania ativa. “É uma grande contribuição para o país e, principalmente, para os jovens. O livro traz ensinamentos que iluminam caminhos, mas cabe a cada um desenvolver as suas próprias ideias e agir”, destacou.

Aires Ali aproveitou a ocasião para felicitar o Presidente da República pela iniciativa, classificando o livro como uma verdadeira oferta à sociedade moçambicana, com especial atenção à nova geração.

Comentando as declarações do Chefe do Estado dirigidas a jovens recém-graduados — nas quais defendeu que os formados não devem esperar emprego apenas do Estado — Aires Ali sublinhou que essa visão está alinhada com o próprio percurso narrado na obra. “Após concluir a sua formação, o Presidente não ficou parado. Procurou alternativas e construiu oportunidades”, explicou.

O dirigente destacou ainda a importância da capacitação técnica, científica e do empreendedorismo como caminhos sustentáveis para o futuro da juventude. Na sua avaliação, o Estado não tem, nem terá, capacidade de empregar todos os cidadãos, pelo que a iniciativa individual e a criatividade, aliadas ao conhecimento, tornam-se essenciais.

As declarações foram feitas em Maputo, durante a sessão de venda do livro “Do Cativeiro à Presidência da República”, lançado no mês passado na capital do país.