AQUA Intercepta Viatura com Carvão Vegetal em Situação Irregular em Maputo

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A Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA, IP) interpelou, na madrugada do dia 3 de Fevereiro de 2026, uma viatura pesada que transportava carvão vegetal sem a devida documentação legal, no âmbito das acções rotineiras de fiscalização florestal realizadas na Cidade e Província de Maputo.
A ocorrência registou-se por volta das 05h00, no cruzamento de Malhampswene, quando os fiscais da AQUA procederam à verificação de um camião de marca Toyota Hino, com a chapa de inscrição AAD 779 MC, que transportava aproximadamente 150 sacos de carvão vegetal.
Durante a fiscalização, foi constatado que a carga não se fazia acompanhar da documentação legalmente exigida para o transporte e comercialização de produtos florestais, situação que configura violação da legislação ambiental e florestal em vigor.
Abandono da viatura
No momento da interpelação, os ocupantes da viatura colocaram-se em fuga, abandonando o camião na via pública. Face à situação, a AQUA procedeu à comunicação imediata do facto ao Posto Policial de Malhampswene, com vista ao registo da ocorrência e ao enquadramento legal do caso.
Encontra-se em curso o processo de remoção da viatura para as instalações da AQUA, IP, onde ficará sob custódia, enquanto decorrem os procedimentos administrativos e legais subsequentes, nos termos da lei.
Continuidade dos procedimentos legais
De acordo com a AQUA, o caso seguirá os trâmites legais previstos, incluindo a instrução do respectivo processo e a responsabilização dos infractores, assim que forem identificados, em coordenação com as autoridades competentes.
A instituição sublinha que o transporte ilegal de carvão vegetal constitui uma das principais ameaças à gestão sustentável dos recursos florestais, com impactos negativos significativos para o meio ambiente, a economia nacional e as comunidades locais.
Compromisso institucional
A AQUA, IP reafirma o seu compromisso com a proteção dos recursos florestais, o reforço das acções de fiscalização ambiental e o combate à exploração e comercialização ilegal de produtos florestais, em todo o território nacional.
A instituição apela igualmente à colaboração dos cidadãos na observância da legislação ambiental e na denúncia de práticas ilegais que atentem contra o património natural do país, reiterando que a preservação do meio ambiente é uma responsabilidade colectiva.




Ângela Maria Pires denuncia alegado tribalismo na FRELIMO desde a sua fundação

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Maputo — Declarações recentes da política luso-moçambicana Ângela Maria Pires, residente em Portugal, reacenderam o debate sobre a existência de tribalismo e regionalismo na liderança da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) desde os primeiros anos do movimento de libertação nacional.
As afirmações foram feitas numa publicação na sua conta oficial do Facebook, por ocasião das celebrações do 3 de fevereiro, Dia dos Heróis Moçambicanos, data que homenageia figuras históricas da luta de libertação nacional, incluindo Eduardo Mondlane, primeiro presidente da FRELIMO.
Alegações sobre sucessão após a morte de Eduardo Mondlane
Segundo Ângela Maria Pires, após a morte de Eduardo Mondlane, em 1969, a FRELIMO teria adotado critérios de natureza étnica e regional na escolha das suas lideranças. Mondlane, considerado o arquiteto da unidade nacional, era natural da província de Gaza, no sul de Moçambique, e pertencia à etnia changane.
De acordo com a política, após a sua morte, setores dominantes da FRELIMO não teriam admitido a possibilidade de um dirigente da etnia ndau assumir a liderança do movimento, alegadamente devido a tensões e hostilidades internas de caráter étnico.
O afastamento de Uria Simango
Ângela Maria Pires sustenta ainda que Uria Simango, então vice-presidente da FRELIMO e considerado o número dois do movimento após Mondlane, teria sido deliberadamente afastado da liderança. Em seu lugar, foi escolhido Samora Moisés Machel, também natural da província de Gaza e pertencente à etnia changane.
Na perspetiva apresentada por Ângela Maria Pires, esta decisão teria consolidado uma tendência de concentração do poder político em dirigentes oriundos do sul do país, em particular da província de Gaza.
Continuidade da liderança regionalizada
As alegações estendem-se igualmente ao período pós-independência. Segundo a política luso-moçambicana, após a morte de Samora Machel, em 1986, a liderança da FRELIMO e do Estado moçambicano passou para Joaquim Alberto Chissano, igualmente natural do sul de Moçambique e associado à mesma matriz étnico-regional.
Para Ângela Maria Pires, esta sucessão reforçaria a ideia de que, desde os primórdios do movimento de libertação, a FRELIMO teria privilegiado determinadas regiões e grupos étnicos em detrimento de outros, contrariando o discurso oficial de unidade nacional.
Um debate antigo e sensível
O tema do tribalismo e regionalismo na política moçambicana não é novo e tem sido objecto de debates académicos, políticos e sociais ao longo das décadas. A FRELIMO, enquanto partido no poder desde a independência em 1975, tem reiteradamente rejeitado acusações de discriminação étnica, defendendo a construção de um Estado baseado na unidade nacional e na superação das identidades tribais.
Até ao momento, não houve reação oficial da FRELIMO às declarações de Ângela Maria Pires. No entanto, as suas afirmações voltam a colocar em evidência feridas históricas ainda sensíveis na sociedade moçambicana, sobretudo num contexto de reflexão sobre o passado, a memória histórica e a inclusão política.

As declarações foram tornadas públicas no âmbito das comemorações do Dia dos Heróis Moçambicanos, data que tradicionalmente promove discursos de unidade, patriotismo e reconhecimento do sacrifício coletivo na luta de libertação nacional. A intervenção de Ângela Maria Pires surge, assim, como uma leitura crítica da história oficial desafiando narrativas consolidadas e incentivando um debate mais profundo sobre o passado político do país.




ANE reforça medidas de segurança após despiste de camião na N220, no troço Chissano–Chibuto em Gaza

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Na sequência de um acidente de viação ocorrido recentemente na estrada nacional N220, no troço Chissano–Chibuto, na província de Gaza, envolvendo o despiste de um camião de carga, a Administração Nacional de Estradas, Empresa Pública (ANE, E.P.), voltou a manifestar preocupação com a segurança rodoviária naquele corredor estratégico.
Segundo informações apuradas no local, o acidente terá ocorrido numa zona sensível da via, caracterizada por condicionamentos de circulação que exigem maior prudência por parte dos automobilistas. Embora não tenham sido oficialmente confirmadas vítimas mortais, o incidente reacende o debate sobre o cumprimento das normas de trânsito e o estado de conservação das estradas nacionais.
Em reação ao sucedido, a ANE reforçou o apelo à observância rigorosa das regras de circulação rodoviária, sobretudo ao longo da N220, no troço Chissano–Chibuto, e da estrada nacional N1, no segmento que liga 3 de Fevereiro a Incoluana. De acordo com a instituição, estas vias registam tráfego intenso de viaturas pesadas, o que aumenta o risco de acidentes quando não são respeitadas as normas básicas de segurança.
A empresa pública sublinha que, nos troços em causa, vigora o limite máximo de velocidade de 30 quilómetros por hora, medida definida com base nas condições da via e em trabalhos em curso, visando a redução do risco de despistes e colisões. A ANE adverte ainda que as ultrapassagens estão expressamente proibidas, por representarem um dos principais fatores de sinistralidade rodoviária.
Especialistas em segurança rodoviária ouvidos pela nossa reportagem defendem que o excesso de velocidade, aliado à desatenção dos condutores e ao incumprimento da sinalização, continua a ser uma das principais causas de acidentes nas estradas moçambicanas. Defendem, igualmente, o reforço da fiscalização e campanhas contínuas de educação rodoviária.
A ANE garante que está a monitorar a situação e apela à colaboração dos utentes da via, destacando que a segurança rodoviária é uma responsabilidade partilhada entre as autoridades e os automobilistas. A instituição reafirma o seu compromisso em continuar a implementar medidas que visam melhorar a mobilidade e reduzir o número de acidentes nas estradas nacionais.




Shafee Sidat “deseja mais 100 anos vida” a Carlos Jeque e nega acusações de assassinato

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O presidente do Conselho Municipal de Marracuene, Shafee Sidat, negou categoricamente as acusações de que estaria a planear o assassinato de Carlos Jeque, antigo presidente do Conselho de Administração das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).
Sidat reagiu às acusações durante declarações prestadas a uma estação televisiva na cidade de Maputo, após Carlos Jeque alegar que o edil de Marracuene, em conluio com membros da ANAMOLA, estaria a planear atentados contra a sua vida.
Segundo Shafee Sidat, as acusações não fazem sentido e são infundadas. O autarca afirmou que tem muitos problemas importantes para resolver na sua vida e que não seria por causa de um muro de vedação de um quintal que pensaria em matar alguém.
“A vida pertence a Deus Allah. Foi Ele quem nos trouxe ao mundo e será o mesmo Deus quem nos levará. Não será o homem”, declarou.
Sidat acrescentou ainda que a narrativa de Carlos Jeque sobre supostas tentativas de assassinato não é recente. De acordo com o edil, Jeque já vinha fazendo esse tipo de alegações desde 2017, muito antes de Shafee Sidat ser nomeado administrador de Marracuene e eleito presidente do conselho municipal.
“Desde 2017, o Jeque já contava essa história. Por isso, não será agora que isso lhe vai tirar a vida. Eu, Shafee Sidat, desejo que Carlos Jeque viva mais 100 anos”, afirmou.
A reação do presidente do Conselho Municipal de Marracuene surge depois de Carlos Jeque ter declarado publicamente que Shafee Sidat estaria a planear atentados contra a sua vida por vários motivos.




Silva Livone diz “juiz não pode ser rico” muito menos empresário

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Juíz empresário põe em causa a imparcialidade da justiça, alerta Secretário de Estado do Niassa
Durante a cerimónia de abertura do Ano Judiciário na província do Niassa, o Secretário de Estado, Silva Livone, fez duras críticas à acumulação de funções por parte de magistrados, defendendo que um juiz não pode exercer atividades empresariais sem comprometer a integridade do sistema judicial.
Segundo Livone, a função de julgar exige dedicação plena, independência e imparcialidade, princípios que ficam seriamente ameaçados quando o magistrado assume interesses económicos privados. “Um juiz não pode ser reco nem ter prioridades paralelas”, afirmou, sublinhando que a justiça não deve ser subordinada a interesses pessoais ou financeiros.
O governante alertou que a presença de juízes no setor empresarial cria conflitos de interesse que fragilizam a confiança dos cidadãos nos tribunais. Na sua análise, um magistrado que gere negócios tende, conscientemente ou não, a privilegiar os seus próprios interesses, colocando em segundo plano os processos judiciais e prejudicando aqueles que recorrem à justiça em busca de decisões céleres e justas.
Livone defendeu ainda que a independência do poder judicial não se resume à ausência de interferência política, mas também à libertação de pressões económicas. “Quando um juiz é empresário, a justiça deixa de ser prioridade e passa a competir com o lucro”, afirmou, acrescentando que esta prática mina os princípios básicos do Estado de Direito.
O Secretário de Estado considerou preocupante o impacto dessa realidade na província do Niassa, onde muitos cidadãos enfrentam dificuldades no acesso à justiça. Para Livone, a lentidão processual e decisões questionáveis podem estar ligadas à falta de dedicação exclusiva de alguns magistrados, o que exige uma reflexão profunda sobre ética judicial e responsabilidade profissional.
No seu discurso, defendeu medidas mais rigorosas de fiscalização e reforço dos códigos de conduta da magistratura, de modo a garantir que os juízes exerçam as suas funções com total exclusividade e compromisso com a justiça. Para ele, apenas um sistema judicial livre de interesses privados pode assegurar decisões justas, transparentes e credíveis.
A intervenção de Livou Livone reacende o debate sobre a moralização da justiça em Moçambique e levanta questões importantes sobre até que ponto a acumulação de funções por magistrados compromete a imparcialidade dos tribunais e o direito dos cidadãos a uma justiça independente.




Adriano Nuvunga questiona governo sobre contabilização das 431 escolas destruídas pelas chuvas incluí árvores derrubadas?

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Maputo — O director executivo do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), Adriano Nuvunga, levantou sérias questões sobre a forma como o Governo, através do Ministério da Educação e Cultura, está a contabilizar os danos provocados pelas chuvas e inundações que recentemente afectaram várias regiões do país, resultando na destruição de 431 escolas em todo o território nacional.
A preocupação foi manifestada após a intervenção pública do porta-voz do Conselho de Ministros, que apresentou o balanço oficial das destruições causadas pelas intempéries. Para o activista social, a informação divulgada carece de clareza e rigor, levantando dúvidas sobre os critérios utilizados na avaliação dos danos.
“As 431 escolas destruídas pelas chuvas estão a ser contabilizadas como infra-estruturas educativas reais ou estão a ser colocadas no mesmo grupo das árvores derrubadas?”, questionou Adriano Nuvunga, numa crítica directa à comunicação governamental.
Segundo Nuvunga, a ausência de dados detalhados sobre o grau de destruição das escolas, a sua localização exacta e o impacto directo sobre alunos e professores compromete a transparência do processo e dificulta a fiscalização pública. O activista defende que o Governo deve apresentar informação desagregada, distinguindo escolas totalmente destruídas, parcialmente afectadas e aquelas apenas com danos ligeiros.
O director executivo do CDD alerta ainda que a forma como os dados são apresentados pode minimizar a real dimensão da crise no sector da educação, num contexto em que milhares de crianças podem ver o seu direito à educação seriamente comprometido. “Quando o Governo comunica números sem explicações claras, abre espaço para desinformação e para a diluição de responsabilidades”, acrescenta.
Até ao momento, o Ministério da Educação e Cultura não apresentou um relatório técnico público que detalhe o impacto das inundações sobre as infra-estruturas escolares, nem um plano claro de reconstrução e reassentamento das comunidades escolares afectadas.
Analistas ouvidos pelo CDD defendem que a divulgação de dados precisos e verificáveis é essencial para garantir a correcta mobilização de recursos, tanto do Orçamento do Estado como de parceiros de cooperação internacional, além de permitir o acompanhamento independente das acções governamentais.
O caso reacende o debate sobre a transparência governamental, a gestão de crises e a responsabilização pública, especialmente em sectores sensíveis como a educação, que afecta directamente o futuro de milhares de crianças e jovens moçambicanos.




Autoridades Interditam Navegação no Rio Limpopo por Razões de Segurança

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As autoridades marítimas da Província de Gaza anunciaram a interdição da navegação para o transporte de passageiros e carga no troço do Rio Limpopo compreendido entre a zona alta da cidade de Xai-Xai e a ponte sobre o referido rio, como medida preventiva face à degradação das condições de navegabilidade registadas nas últimas semanas.
De acordo com o comunicado oficial emitido pela Autoridade Reguladora de Transporte Marítimo (ITRANSMAR, I.P.), a decisão resulta de avaliações técnicas que identificaram condições hidrológicas críticas, caracterizadas por uma redução acentuada do caudal do rio, associada à elevada concentração de detritos no leito, fatores que comprometem seriamente a segurança da navegação fluvial naquele troço.
As autoridades explicam que, nas atuais circunstâncias, a continuidade das operações de transporte fluvial representa um risco elevado para embarcações, tripulações, passageiros e carga, podendo provocar acidentes, danos materiais e situações de perigo para a vida humana. Por esta razão, a interdição foi classificada como uma medida de salvaguarda, adotada em estrito cumprimento das normas nacionais de segurança marítima e de proteção da vida humana na navegação em águas interiores.
No mesmo comunicado, o ITRANSMAR, I.P. esclarece que a medida entra em vigor a partir do dia 02 de Fevereiro de 2026 e mantém-se válida até que sejam restabelecidas condições adequadas de navegabilidade no Rio Limpopo. A instituição reafirma que continuará a monitorar a evolução da situação hidrológica, procedendo a novas avaliações técnicas sempre que necessário.
Para assegurar a mobilidade de passageiros e o escoamento de mercadorias durante o período de interdição, as autoridades recomendam a utilização de meios alternativos de transporte rodoviário, nomeadamente através da rota Chongoene – Chibuto – Chissano, considerada viável para garantir a ligação entre os pontos afetados pela suspensão do transporte fluvial.
O comunicado destaca ainda que o cumprimento da interdição é obrigatório. O não acatamento da medida constitui infração punível nos termos da legislação marítima em vigor na República de Moçambique, estando os infratores sujeitos à aplicação de multas e outras sanções previstas na lei.
As autoridades apelam à colaboração e compreensão dos armadores, proprietários de embarcações, operadores, passageiros e do público em geral, sublinhando que a proteção da vida humana e a segurança das operações continuam a ser prioridades institucionais.
O ITRANSMAR, I.P. reitera, por fim, que todas as decisões tomadas visam garantir a ordem, a segurança e a legalidade no setor do transporte marítimo e fluvial, assegurando que qualquer alteração ao atual quadro será oportunamente comunicada às partes interessadas e à população em geral.




Yacub Sibindy acusa Venâncio Mondlane de auto-vitimização após alegação de atentado

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O presidente do Partido Independente de Moçambique (PIMO), Yacub Sibindy, reagiu de forma crítica à recente declaração pública de Venâncio Mondlane, líder (ANAMOLA), na qual este último afirma ter sido alvo de um alegado atentado contra a sua vida. Para Sibindy, a mensagem divulgada por Mondlane configura um exercício de auto-vitimização com contornos de propaganda política, com o objectivo de reforçar a sua visibilidade no espaço público e capitalizar politicamente o momento de tensão vivido no país.
A reação de Sibindy surge na sequência de uma publicação feita por Venâncio Mondlane na sua página oficial do Facebook, nas últimas horas, onde relata ter sido alvo de uma tentativa de atentado. Na mensagem, Mondlane apresenta o episódio como uma ameaça directa à sua integridade física, insinuando motivações políticas por detrás do ocorrido, embora sem apresentar, até ao momento, provas públicas ou detalhes verificados que sustentem a alegação.
Segundo Yacub Sibindy, a comunicação adotada por Mondlane não contribui para o esclarecimento dos factos, nem para o fortalecimento do debate democrático. Pelo contrário, considera que o discurso recorre deliberadamente à dramatização e à exposição emocional para gerar empatia pública e mobilização política, desviando o foco de questões estruturais que afetam o país. Sibindy foi ainda mais longe ao afirmar que este tipo de narrativa tende a explorar terceiros inocentes — referindo-se, de forma indireta, à “Joana” — como instrumento simbólico para amplificar a mensagem e reforçar o impacto mediático.
O episódio ocorre num contexto de elevada tensão política, marcado por crescente polarização do discurso público, fragilidade institucional e desconfiança generalizada entre atores políticos. Embora preocupações com a segurança de figuras públicas não devam ser descartadas, analistas alertam para o risco de banalização de alegações graves quando estas são divulgadas sem confirmação oficial das autoridades competentes.
Até ao momento, não há informação pública confirmada por parte da Polícia da República de Moçambique ou de outras entidades oficiais que corrobore a existência do alegado atentado referido por Mondlane. A ausência de um pronunciamento institucional reforça as dúvidas levantadas por sectores da sociedade civil e por outros actores políticos, que defendem prudência e responsabilidade na comunicação de episódios dessa natureza.
Especialistas em comunicação política sublinham que, em ambientes politicamente sensíveis, declarações públicas sobre ameaças à vida devem ser acompanhadas de elementos factuais verificáveis, de modo a evitar alarmismo social, especulação e instrumentalização política da insegurança.
A troca de acusações entre líderes políticos evidencia, mais uma vez, a fragilidade do diálogo político em Moçambique e a crescente tendência para o confronto discursivo nas redes sociais, em detrimento de canais institucionais e mecanismos formais de apuramento da verdade. Enquanto isso, a opinião pública permanece dividida entre a solidariedade com possíveis vítimas de violência política e o ceticismo face a narrativas que podem servir interesses estratégicos individuais.




AUGUSTO PELEMBE ACUSA POLÍCIA JUDICIÁRIA PORTUGUESA DE INVESTIGAÇÃO “FANTASMA” EM MAPUTO

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Maputo — O antigo candidato à Presidência da República de Moçambique e atual membro da Assembleia Municipal da Matola, Augusto Pelembe, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), lançou duras acusações contra a Polícia Judiciária Portuguesa (PJ), alegando falta de rigor, transparência e seriedade na investigação da morte do banqueiro Pedro Reis, funcionário do Banco Comercial de Investimentos (BCI).
A morte de Pedro Reis ocorreu num quarto do Hotel Polana, em Maputo, tendo sido oficialmente confirmada pelas autoridades moçambicanas, através do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em coordenação com a Polícia Judiciária Portuguesa. Ambas as instituições concluíram que o caso se tratou de suicídio, ocorrido na casa de banho do hotel.
No entanto, esta versão oficial é fortemente contestada por Augusto Pelembe, que considera o processo investigativo superficial, opaco e desprovido de credibilidade, levantando sérias dúvidas quanto ao real empenho das autoridades portuguesas no esclarecimento do caso.
“NÃO HOUVE INVESTIGAÇÃO, HOUVE TURISMO”
Durante um debate público em que participou como comentador político, Pelembe foi particularmente incisivo ao afirmar que a Polícia Judiciária Portuguesa não realizou qualquer investigação digna desse nome. Segundo ele, a presença da PJ em Maputo teve apenas um caráter simbólico e mediático.
“A Polícia Judiciária Portuguesa não veio investigar coisa nenhuma. Vieram apenas a Maputo para aparecer diante das câmaras, comer camarão e fazer turismo nas praias moçambicanas, como a Ponta do Ouro”, afirmou Pelembe, em tom crítico.
O político do MDM sustenta que não foram tornados públicos elementos técnicos essenciais, como relatórios forenses detalhados, perícias independentes, reconstituição dos factos ou esclarecimentos convincentes sobre as circunstâncias da morte do banqueiro.
SILÊNCIO, FALTA DE TRANSPARÊNCIA E DÚVIDAS PERSISTENTES
Para Augusto Pelembe, a rapidez com que o caso foi encerrado como suicídio levanta suspeitas legítimas, sobretudo tendo em conta o perfil da vítima e o contexto em que ocorreu a morte. O dirigente municipal questiona ainda a ausência de comunicação clara às autoridades moçambicanas, à família da vítima e à opinião pública.
Segundo ele, a atuação da Polícia Judiciária Portuguesa não respeitou princípios básicos de cooperação internacional, transparência institucional e responsabilidade pública, o que fragiliza a confiança dos cidadãos nas conclusões apresentadas.
APEL0 À VERDADE E À RESPONSABILIZAÇÃO
Augusto Pelembe defende a necessidade de uma reabertura do processo, com a constituição de uma equipa de investigação verdadeiramente independente, capaz de esclarecer, de forma imparcial e técnica, todas as circunstâncias que envolvem a morte de Pedro Reis.
“O povo moçambicano merece a verdade. Não se pode encerrar um caso desta gravidade com conclusões apressadas e investigações de fachada”, concluiu.
Até ao momento, a Polícia Judiciária Portuguesa e o SERNIC não reagiram publicamente às acusações feitas por Augusto Pelembe.




Edil de Marracuene Shafee Sidat processa camarada Carlos Jeque por calúnia e difamação

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Marracuene — O presidente do Conselho Municipal de Marracuene, Shafee Sidat, confirmou ao Jornal Visão Moçambique que vai avançar com um processo judicial por calúnia e difamação contra Carlos Jeque, membro do partido FRELIMO e antigo presidente do Conselho de Administração dos Aeroportos de Moçambique.
A decisão surge na sequência de declarações públicas feitas por Carlos Jeque, neste domingo, numa das estações privadas de televisão, onde afirmou que o edil de Marracuene teria prometido acabar com a sua vida — acusações consideradas graves, infundadas e atentatórias à honra do presidente municipal.
Acusação pública gera reação imediata
De acordo com informações apuradas pelo Visão Moçambique, as declarações de Carlos Jeque foram feitas em direto na TV Sucesso, causando repercussão significativa no espaço público e político, sobretudo no município de Marracuene.
Fontes próximas ao processo indicam que a acusação foi recebida com profunda preocupação pelas autoridades locais, tendo levado o edil a consultar os seus assessores jurídicos ainda no mesmo dia.
Pedido de desculpas rejeitado
Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal Visão Moçambique, Shafee Sidat confirmou que Carlos Jeque o contactou horas depois da emissão televisiva, com o objetivo de apresentar um pedido de desculpas e demonstrar arrependimento pelas declarações proferidas.
No entanto, o presidente do Conselho Municipal foi categórico ao afirmar que não aceita o pedido de desculpas e que o caso seguirá os trâmites legais.
“Carlos Jeque contactou-me hoje para pedir arrependimento sobre aquilo que disse na TV Sucesso, ao afirmar publicamente que eu queria matá-lo. Não aceito esse pedido. Trata-se de uma acusação muito grave, que atinge a minha honra, a minha imagem e a instituição que represento. Por isso, o processo judicial vai avançar”, declarou Shafee Sidat ao Visão Moçambique.
Processo judicial e pedido de indemnização
O edil revelou ainda que já recebeu a respetiva notificação e que o processo será submetido ao Tribunal competente, onde Carlos Jeque deverá responder formalmente pelas acusações de calúnia e difamação.
Segundo Sidat, a ação judicial incluirá um pedido de indemnização, cujo valor — caso venha a ser atribuído — será canalizado para fins sociais no município.
“A indemnização que vou exigir será destinada ao apoio das vítimas acolhidas nos centros de acolhimento existentes no município de Marracuene, sobretudo vítimas de abusos praticados por chefias, que carecem de assistência e proteção”, acrescentou.
Esclarecimentos públicos previstos
O Jornal Visão Moçambique apurou ainda que Shafee Sidat deverá conceder uma entrevista pública na TV Sucesso esta quarta-feira, onde pretende esclarecer os munícipes de Marracuene e o público em geral, reafirmando a sua posição e apresentando a sua versão dos factos.
Até ao fecho desta edição, Carlos Jeque não respondeu aos pedidos de esclarecimento enviados pelo Visão Moçambique.
O jornal continuará a acompanhar o desenrolar do caso, no respeito pelos princípios do contraditório, do rigor jornalístico e da presunção de inocência.