A Colisão das Cinco Gerações: as Marcas de Luxo Estão Prestes a Perder Metade de Seu Mercado

A Colisão das Cinco Gerações: as Marcas de Luxo Estão Prestes a Perder Metade de Seu Mercado

O luxo acaba de ultrapassar um limiar que a indústria nunca havia enfrentado antes: cinco gerações estão, simultaneamente, moldando o que significa prestígio, e suas definições não apenas diferem. Elas colidem.

A Colisão das Cinco Gerações: as Marcas de Luxo Estão Prestes a Perder Metade de Seu Mercado

Para os baby boomers, o luxo ainda está enraizado na realização, no artesanato e nos símbolos do sucesso conquistado: um Rolex, a Kelly da Hermès, o hotel histórico que se assemelha a um clube privado. A geração X valoriza a excelência funcional com o mínimo de teatralidade. Os millennials expandiram o luxo para ecossistemas experienciais de bem-estar, valores e significado, não apenas produtos. A geração Z está reescrevendo completamente o contrato, exigindo alinhamento ético e fluência cultural acima do prestígio herdado. E a geração Alpha surge como a primeira geração que não distingue, de forma alguma, entre status físico e digital.

Eis a realidade estratégica: até 2030, projeta-se que os millennials e a geração Z representem aproximadamente 80% do gasto global em luxo. Não se trata de uma mudança gradual. É uma transferência de influência e poder de mercado que ocorre em tempo real. Ainda assim, muitas marcas de luxo continuam otimizando para o perfil de comprador do passado, clientes que em breve representarão apenas uma fração de sua receita.

As marcas que vencerão essa transição não serão necessariamente aquelas com o legado mais longo ou os preços mais altos. Serão as marcas capazes de preservar uma identidade coerente ao longo de cinco sistemas de valores, sem diluir aquilo que as tornou valiosas em primeiro lugar. Em outras palavras, serão as marcas que compreendem a confiança.

O luxo sempre foi sobre confiança. Não a versão de marketing da confiança. A versão vivida. Se há uma única ideia que deveria ancorar a próxima década do luxo, é esta: legado sem relevância é apenas nostalgia cara.

O Prestígio Acaba de se Tornar Mais Complexo

O antigo modelo de prestígio era elegantemente simples: exclusividade mais preço igual a desejabilidade. Exibir o logotipo, demonstrar o custo, coletar status. Essa fórmula está morta.

Hoje, o prestígio é multidimensional e implacável. Os consumidores mais jovens recompensam a substância em detrimento da sinalização. Avaliam as marcas não por comunicados à imprensa, mas por desempenho mensurável, como as marcas se comportam, o que apoiam, quem incluem. Querem narrativas que conectem o legado à cultura contemporânea, sem o tour pelo museu corporativo. Cada vez mais, esperam uma sofisticação digital que fortaleça, e não substitua, a conexão humana.

Isso criou uma verdade desconfortável para muitas marcas tradicionais: a reputação agora expira mais rápido do que antes. O prestígio já não é herdado. Ele é continuamente renegociado.

O luxo deixou de ser uma garantia de lealdade. Tornou-se um teste de relevância. Já é possível ver as linhas de fratura. As categorias de “luxo duro”, como relógios e joias, frequentemente mantêm lealdade intergeracional porque o artesanato atravessa idades. Mas moda, beleza e luxo acessível vivem uma troca sem precedentes. A aceleração de tendências, a cultura da revenda e o escrutínio de preços estão tornando os consumidores mais jovens implacavelmente pragmáticos. Eles usarão Chanel vintage, mas comprarão novo na The Row. Herdarão um Patek Philippe, mas gastarão seu próprio dinheiro em um Rolex seminovo.

A implicação é clara. O produto, por si só, já não protege a posição de mercado. A dinâmica das categorias importa, mas a experiência do cliente é mais significativa. O luxo ainda deveria parecer uma relação. E marcas demais se esqueceram disso.

A Questão dos US$ 80 Trilhões: a Influência Vem Antes da Herança

Todos no universo do luxo conhecem a grande transferência de riqueza, mais de US$ 80 trilhões projetados para se moverem entre gerações até 2045. Mas muitas marcas falam disso como se fosse um evento futuro. Estão perdendo a verdadeira história: a influência precede a herança por décadas.

Dentro de famílias de altíssimo patrimônio, jovens adultos moldam cada vez mais decisões sobre viagens, arte, moda, gastronomia, filantropia e mercado imobiliário muito antes de controlarem os ativos. O herdeiro de 28 anos pode não assinar a transferência bancária da vila, mas é ele quem escolhe o destino, o arquiteto e os padrões de sustentabilidade.

Marcas de luxo focadas exclusivamente nos atuais detentores de riqueza estão, silenciosamente, perdendo linhagens inteiras de lealdade familiar. O erro não é ignorar os consumidores jovens. É tratá-los como um segmento separado, e não como os influenciadores de decisão que já são. Os operadores mais inteligentes não esperam que os ativos mudem de mãos. Constroem relacionamentos antes que o dinheiro se mova.

As Marcas Só Percebem Quando Já É Tarde Demais

A relevância do luxo raramente colapsa da noite para o dia. Ela se esvai por meio de uma presença cultural enfraquecida, estagnação criativa e desalinhamento com valores emergentes. Quando a liderança percebe a queda nas vendas, a marca já perdeu anos de impulso. E a reconstrução leva tempo. Três a sete anos, no mínimo. É por isso que táticas de curto prazo frequentemente falham. Marcas tentam atalhos por meio de ciclos de hype ou viradas criativas rápidas, e o mercado pune a inconsistência mais duramente do que recompensa a ousadia.

As recuperações mais sólidas compartilham um padrão: direção coerente de longo prazo, artesanato elevado, narrativa emocional renovada, integração crível de ESG, distribuição controlada e integridade de preços. Observe o que está ausente: perseguição de tendências, saturação de influenciadores e descontos defensivos. Hermès, Chanel, Rolex, Patek Philippe, Louis Vuitton e Porsche têm sucesso porque entendem a contenção estratégica. Sabem o que é intocável em seu DNA. Evoluem a estética sem abandonar os fundamentos. Participam da cultura de forma inteligente, não reativa. O luxo não é construído por reinvenção constante. É construído por relevância disciplinada.

O Que as Lojas de Departamento Revelam Sobre a Indústria

A imprensa especializada em luxo gosta de enquadrar as recentes disrupções nas lojas de departamento como “falhas do modelo de distribuição”. É uma narrativa conveniente. Também é incompleta. O problema mais profundo não é logístico. Não são apenas os balanços. É a ruptura do principal diferencial do luxo: o relacionamento.

No passado, a loja de departamento existia para dar aos clientes acesso a maisons que não eram facilmente alcançáveis e para entregar um nível de serviço digno dessas maisons. Mas hoje, muitos clientes podem ir diretamente à marca online e ser tratados com cuidado extraordinário.

Então, por que pagar o mesmo preço, ou mais, para ser tratado como anônimo?

Colocando de forma direta: se você remove o serviço, o que torna o luxo melhor do que um varejista de massa? E os clientes percebem. Eles não deixam de comprar luxo por completo. Deixam de comprar luxo em lugares que não os respeitam. Como já afirmei em privado e em público: o mercado de luxo não “arrefeceu”. Os consumidores continuam gastando. Apenas não desperdiçam dinheiro.

Essa é a mudança que muitas equipes de liderança ainda não reconhecem plenamente: o comprador de luxo de hoje é altamente exigente, altamente informado e plenamente disposto a redirecionar sua lealdade.

A Tecnologia Não é Inimiga do Luxo; o Mau Uso é

Algumas marcas de luxo afirmam que “não conseguem escalar a intimidade”. Dizem que relacionamentos são caros demais, complexos demais, pessoais demais para serem entregues em escala. Isso já não é verdade.

A verdadeira inovação no luxo não é a tecnologia visível. É a tecnologia invisível que permite uma experiência mais humana. Quando bem executada, os clientes não veem a IA. Eles se sentem lembrados.

Já existem marcas que executam isso com brilhantismo: você entra na loja e é recebido pelo nome. O vendedor conhece suas últimas compras, datas importantes, preferências e provável intenção, sem jamais levantar um tablet como se estivesse seguindo um roteiro.

Isso não acontece por magia. Acontece porque a tecnologia agora permite ao luxo entregar serviço personalizado em escala, se a marca decidir investir nisso. As marcas que dizem não conseguir fazer isso não estão bloqueadas pela tecnologia. Estão bloqueadas por prioridades.

O Recalibramento Estratégico

A maioria das marcas aborda a transição geracional com a pergunta errada. Perguntam: “Como atraímos consumidores mais jovens?” A pergunta melhor é: como permanecemos coerentes diante de cinco definições diferentes de prestígio? A resposta está na clareza de identidade.

As marcas que lideram a próxima década já sabem o que não pode mudar nelas. Modernizam com cuidado. Evoluem design e narrativa sem apagar o legado. Investem em ESG com ações mensuráveis, porque a transparência substituiu a reputação como moeda da confiança. Criam personalização omnicanal que adapta a experiência do cliente ao estágio de vida sem fragmentar a voz da marca. E, acima de tudo, reconstruem o luxo onde ele pertence: no relacionamento.

O Que Vem a Seguir

Entre agora e 2035, o luxo completará sua transição de uma indústria liderada pelo legado para uma moldada por consumidores orientados por valores, nativos digitais, que veem o prestígio como emocional e ético. O futuro ecossistema do luxo será mais experiencial, mais ético, mais digital, mais orientado à comunidade e globalmente interconectado. Será moldado mais pela identidade e pelo bem-estar do que pelos marcadores tradicionais de status. E será liderado por marcas com identidades consistentes, e não por aquelas que confundem adaptabilidade com estratégia.

A geração Alpha já está chegando, plenamente moldada pela IA, por tecnologias imersivas e por identidades híbridas físico-digitais. Sua definição de luxo fará com que os debates atuais sobre quiet luxury versus logomania pareçam ingênuos.

O imperativo estratégico para a liderança do luxo é direto: clarificar o que é intocável, evoluir o que é necessário e proteger a visão de longo prazo contra pressões de curto prazo.

Ao final, as marcas que sobreviverem a essa colisão não serão as mais barulhentas.
Serão aquelas que se lembram da verdade mais antiga do luxo: a confiança é construída, detalhe por detalhe.

Christopher Olshan é CEO do The Luxury Council, que fornece inteligência estratégica e serviços de consultoria a marcas de luxo, propriedades hoteleiras e executivos de nível C que navegam a transformação geracional, as dinâmicas do mercado UHNW e o posicionamento competitivo nos mercados globais de luxo. Ele é autor de White-Glove Trust (lançamento global previsto para fevereiro de 2026).

Por Christopher Olshan




Governo resgata mais de 19 mil pessoas afectadas pelas cheias

IMG_20260124_195555

Maputo — O Governo de Moçambique informou que, até ao dia 24 de Janeiro corrente, foram resgatadas 19.254 pessoas afectadas pelas cheias que assolam várias regiões do país, com maior incidência nas províncias de Maputo, onde foram assistidas 11.693 pessoas, e Gaza, com 7.561 resgatados.
Segundo dados tornados públicos pelo Conselho de Ministros, as operações de busca, resgate e salvamento estão a ser realizadas por equipas da Unidade Nacional de Protecção Civil (UNAPROC), em coordenação com outras instituições nacionais e internacionais, envolvendo um total de 63 efectivos.
Para assegurar a eficácia das operações, o Governo mobilizou 44 embarcações, quatro aeronaves, nove helicópteros e uma viatura anfíbia, esta última em operação desde o dia anterior ao anúncio oficial.
As acções de salvamento contam igualmente com o apoio permanente dos bombeiros de resgate e salvamento, que operam 24 horas por dia, bem como de mais de 160 voluntários da Cruz Vermelha de Moçambique e de outras organizações humanitárias, afectos aos diversos centros de acolhimento e acomodação.
Resposta humanitária activada
No âmbito da Resposta Humanitária do Governo, e em coordenação com parceiros de cooperação, organizações humanitárias, entidades públicas, privadas e cidadãos singulares, foram activados mecanismos de emergência com vista a mitigar os impactos das cheias sobre as populações mais vulneráveis.
Neste contexto, foram desencadeadas, de forma imediata, diversas acções de assistência nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane e Manica, bem como na Cidade de Maputo, com enfoque na provisão de assistência alimentar e não alimentar, visando garantir a sobrevivência e a dignidade das populações afectadas.
De acordo com o Governo, a resposta humanitária em curso tem assegurado, até ao momento, uma assistência considerada suficiente, especialmente nos 94 Centros de Acolhimento e Acomodação actualmente em funcionamento no país.
As províncias afectadas receberam, através do mecanismo de coordenação do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), alimentos e outros produtos essenciais em quantidades adequadas, permitindo responder às necessidades desta fase crítica.
O Executivo destaca ainda que a capacidade de resposta tem vindo a reforçar-se progressivamente, com a mobilização contínua de recursos por parte do Governo e dos seus parceiros de cooperação, bem como de organizações humanitárias e outros actores da sociedade.
Paralelamente, decorrem acções de monitoria no terreno, realizadas por membros do Governo e outras entidades públicas, com o objectivo de avaliar os esforços desenvolvidos, apoiar as equipas de trabalho e acompanhar a situação das populações afectadas.




Produção de grãos da China atinge novo recorde em 2025

IMG-20260122-WA0114

A China registrou mais uma colheita abundante de grãos no ano passado, elevando a produção a um novo nível apesar de períodos de seca, inundações e chuvas prolongadas em algumas partes do país, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira. A produção de grãos atingiu cerca de 714,9 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 8,4 milhões de toneladas em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais. A produção permaneceu acima de 700 milhões de toneladas por dois anos consecutivos. Essa conquista foi atingida com esforço, disse o vice-ministro da Agricultura e Assuntos Rurais, Zhang Xingwang, em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira. Zhang atribuiu a maior parte do aumento da produção às colheitas de outono, que representaram mais de 90% do crescimento anual da produção de grãos. O crescimento da produção foi registrado principalmente nas três províncias do nordeste da China, além da Mongólia Interior e Xinjiang. Ao todo, essas regiões responderam por quase 70% do aumento nacional. Por cultura, o milho teve um papel dominante, com a produção representando cerca de 75% do crescimento total. De acordo com a coletiva de imprensa, a produção de soja atingiu 20,91 milhões de toneladas no ano passado, permanecendo acima de 20 milhões de toneladas pelo quarto ano consecutivo. A produção combinada de carne suína, bovina, carneiro e aves subiu para 100,72 milhões de toneladas, um aumento de 4,2% ano a ano. A adoção mais rápida da tecnologia agrícola continuou aumentando a produtividade, disse Zhang, citando avanços em máquinas agrícolas e aplicações de agricultura inteligente, além do uso crescente de tecnologias de baixa altitude. Em 2025, a taxa de contribuição do progresso científico e tecnológico agrícola ultrapassou 64%, enquanto a taxa abrangente de mecanização do cultivo e colheita das culturas atingiu 76,7%. A frota chinesa de drones agrícolas ultrapassou 300.000 unidades, com cobertura operacional anual superior a 460 milhões de mu, ou 30,67 milhões de hectares. O desenvolvimento agrícola constante também tem apoiado o crescimento da renda rural e a revitalização rural. Dados oficiais mostram que, em 2025, a produção de valor agregado das principais processadoras agrícolas e de alimentos paralelos aumentou 5,6% em relação ao ano anterior, enquanto novas indústrias como turismo rural e comércio eletrônico continuaram a se expandir, impulsionando o emprego local. A renda disponível per capita dos moradores rurais registrou um aumento real de 6%. Além disso, as condições de vida nas áreas rurais também melhoraram, com a cobertura sanitária de banheiros subindo para cerca de 77%, além de aprimoramentos contínuos na infraestrutura e nos serviços públicos, incluindo educação, saúde e cuidados aos idosos. Notavelmente, a China continuou a consolidar os ganhos da redução da pobreza, com 832 distritos que saíram da pobreza cultivando duas a três indústrias líderes com fortes efeitos colaterais. O emprego entre pessoas que saíram da pobreza permaneceu estável, com mais de 30 milhões de trabalhadores empregados por cinco anos consecutivos. Olhando para o futuro, Zhang disse que o ministério acelerará a modernização agrícola e rural e avançará na revitalização rural, com esforços focados na estabilização do fornecimento de grãos e produtos agrícolas essenciais, no fortalecimento da inovação em ciência e tecnologia agrícola e aplicação tecnológica, no aumento da renda dos agricultores, na melhoria dos ambientes de vida rural e na prevenção de recaídas em larga escala na pobreza. Reformas rurais também serão promovidas para liberar mais impulso ao desenvolvimento, como a expansão de programas-piloto para estender os prazos dos contratos de terras rurais por mais 30 anos. Fim




Shenzhen, no sul da China, lidera cidades chinesas em comércio exterior em 2025

IMG-20260122-WA0107

Shenzhen, uma importante cidade na Província de Guangdong, no sul da China, registrou um aumento anual de 1,4% no comércio exterior, para 4,55 trilhões de yuans (US$ 649,8 bilhões) em 2025, garantindo a primeira posição entre todas as cidades chinesas do continente chinês, informaram nesta quinta-feira a Alfândega de Shenzhen e o departamento de comércio da cidade. As exportações de Shenzhen atingiram 2,74 trilhões de yuans em 2025, enquanto as importações subiram 8% ano a ano, totalizando 1,81 trilhão de yuans no mesmo período. Shenzhen abrigava 62.300 empresas com operações reais de importação e exportação em 2025, representando um aumento de 16% em relação ao ano anterior. Esse número inclui mais de 8.600 novas participantes no mercado, refletindo uma expansão constante na escala de suas entidades comerciais. As empresas privadas impulsionaram o crescimento do comércio de Shenzhen, contribuindo com quase 70% do valor total do comércio exterior da cidade. Em 2025, o valor combinado das importações e exportações de produtos de alta tecnologia em Shenzhen alcançou 2,6 trilhões de yuans, um aumento de 10,6% em relação a 2024, representando 57,1% do total da cidade. O comércio de Shenzhen com os países participantes da Iniciativa Cinturão e Rota totalizou 1,57 trilhão de yuans no ano passado, representando 34,5% do comércio exterior total de Shenzhen durante esse período.




Boane/Bela Vista: trânsito retomado de forma condicionada no drift de Umpala

IMG_20260122_141417

A circulação rodoviária no troço Boane–Bela Vista, na província de Maputo, voltou a ser possível, embora de forma condicionada, no drift de Umpala, localizado na Vila de Boane. A interrupção do tráfego havia sido registada nos últimos dias devido ao galgamento das águas das cheias, consequência das intensas chuvas que continuam a afectar várias regiões do país.
Em nota a que o Jornal Visão Moçambique teve acesso, a Administração Nacional de Estradas (ANE) explicou que a situação exigiu a interdição temporária da via, enquanto as equipas técnicas avaliavam os danos e implementavam medidas de segurança para permitir a circulação com segurança. Segundo a ANE, a reposição da transitabilidade será mantida sob monitoria constante, dado que os níveis das águas podem variar rapidamente em função das condições meteorológicas.
As autoridades apelam aos automobilistas para que reduzam a velocidade, respeitem a sinalização provisória e sigam rigorosamente as orientações das equipas no local. Recomenda-se especial atenção aos veículos de maior porte e às famílias que utilizam a via diariamente, tendo em conta que o tráfego continua restrito e condicionado.
Este episódio reforça a necessidade de vigilância constante nas estradas do país durante a época das chuvas, sobretudo em áreas propensas a cheias e galgamentos, como é o caso de vários drifts e pontes na província de Maputo. A ANE assegura que continuará a trabalhar em coordenação com as autoridades locais para garantir a segurança dos utentes da estrada e minimizar os impactos das intempéries.




Xiconomics: A visão da China para uma economia mundial aberta em tempos de turbulência

CHINA FEM

Teve início, esta segunda-feira, em Davos, na Suíça, o Fórum Económico Mundial (FEM) de 2026, num contexto internacional marcado por fortes tensões económicas e políticas. Enquanto líderes globais debatem soluções na cidade alpina coberta de neve, a economia mundial enfrenta desafios cada vez mais profundos, com destaque para o recrudescimento do proteccionismo, do unilateralismo e do hegemonismo.



É neste cenário que ganha relevo a visão defendida pelo Presidente chinês, Xi Jinping, ao longo dos últimos anos, assente na abertura económica, na justiça e na cooperação internacional como pilares fundamentais para a estabilidade e o crescimento globais. Para Pequim, a governança económica mundial só pode ser sustentável se for inclusiva, previsível e baseada no multilateralismo.

O crescimento económico mundial está sob pressão. Segundo alertou Indermit Gill, economista-chefe do Grupo Banco Mundial, a economia global deverá crescer mais lentamente nos próximos anos do que na já conturbada década de 1990. Um dos principais factores apontados é o aumento de medidas proteccionistas, em particular a nova vaga de tarifas e restrições comerciais adoptadas pelos Estados Unidos.

Dados recentes indicam que a tarifa média de importação dos EUA subiu de 2,4% no início de 2025 para cerca de 18%, o nível mais elevado desde a década de 1930. Estas medidas têm impactos directos na economia global. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) prevê que o crescimento dos EUA desacelere para 1,8% em 2025 e 1,5% em 2026, abaixo da média de 2,5% registada entre 2015 e 2019.

Na Europa, tarifas impostas sobre aço, alumínio e automóveis afectaram cadeias de abastecimento e enfraqueceram a competitividade, levando empresas a adiar investimentos. A União Europeia deverá crescer apenas 1,3% em 2025, segundo a UNCTAD.

Além do impacto económico, Washington tem recorrido às tarifas como instrumento de pressão geopolítica, incluindo ameaças de sanções comerciais contra países que não alinhem com determinados interesses estratégicos dos EUA. Para analistas, esta instrumentalização do comércio e das finanças desestabiliza os mercados e reduz a margem de manobra dos países em desenvolvimento.

Líderes mundiais têm manifestado reservas. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, considerou que impor novas sanções seria um erro, enquanto o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, alertou para o uso do comércio global contra países mais fracos.

Perante um mundo fragmentado, Xi Jinping tem reiterado que nenhum país prospera isoladamente. “Os países não podem prosperar sem um ambiente internacional de cooperação aberta”, afirmou em várias ocasiões, sublinhando que a globalização económica é uma tendência histórica irreversível.

Desde o seu discurso no Fórum Económico Mundial de 2017, em que comparou a economia global a um “grande oceano do qual ninguém pode escapar”, até às intervenções mais recentes, Xi tem defendido a livre circulação de bens, capitais, tecnologia e pessoas como elementos essenciais do crescimento.

Em Julho de 2025, o líder chinês reafirmou que a China continuará a expandir uma abertura de alto padrão, partilhando os benefícios do seu vasto mercado e injectando maior previsibilidade na economia mundial. Para analistas africanos e asiáticos, esta abordagem responde directamente às aspirações do Sul Global, que procura não uma liberalização sem regras, mas sim acesso real a mercados, tecnologia e financiamento em condições justas.

A política de reforma e abertura da China tem-se materializado em iniciativas concretas. Um exemplo é o lançamento do Porto de Livre Comércio de Hainan, em Dezembro de 2025, com ampliação da cobertura tarifária zero e regras mais favoráveis ao mercado e aos negócios. Durante uma visita à província, Xi Jinping classificou o projecto como histórico, sublinhando o seu papel na promoção de uma economia mundial aberta.

Hainan deverá ainda reforçar a articulação com a Grande Área da Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e aprofundar a integração na Iniciativa Cinturão e Rota, servindo como plataforma de cooperação internacional em sectores como turismo, serviços modernos, alta tecnologia e agricultura, com benefícios particulares para países da ASEAN.

Os impactos das crises globais recaem com maior peso sobre o Sul Global. Segundo o Banco Mundial, até ao final de 2025 quase todas as economias avançadas terão rendimentos per capita acima dos níveis de 2019, enquanto cerca de um quarto das economias em desenvolvimento continuará abaixo dos patamares pré-pandemia.

Face a este cenário, cresce a exigência por uma globalização mais equilibrada. Em Dezembro de 2024, Xi Jinping reafirmou o compromisso da China em trabalhar com organizações económicas internacionais para apoiar o desenvolvimento do Sul Global e promover uma globalização económica universalmente benéfica e inclusiva.

Essa convergência tem-se reflectido em projectos concretos. Em África, a China apoiou a construção e modernização de mais de 10 mil quilómetros de caminhos-de-ferro, quase 100 mil quilómetros de estradas e mais de 200 mil quilómetros de cabos de fibra óptica, reforçando a conectividade e a industrialização. A Ponte Magufuli, sobre o Lago Vitória, na Tanzânia, inaugurada em Junho de 2025, é apontada como símbolo dessa cooperação, ao melhorar a mobilidade regional e impulsionar o desenvolvimento económico.

Além das infra-estruturas, analistas destacam o papel crescente da China na transferência de tecnologia, na digitalização e no desenvolvimento de capacidades locais, contribuindo para uma maior autonomia económica dos países parceiros.

Para vários especialistas, a China assume hoje um papel de âncora de estabilidade e de motor da modernização industrial no Sul Global. Ao defender abertura, inclusão e cooperação, Pequim propõe uma alternativa ao unilateralismo dominante, numa altura em que o mundo procura, com urgência, um rumo mais equilibrado para a economia global.




ANE alerta para erosão na EN1 em Xai-Xai

IMG_20260121_095538

A Administração Nacional de Estradas (ANE) anunciou a existência de uma erosão na Estrada Nacional Número Um (EN1), concretamente na zona do bairro 8, na cidade de Xai-Xai, província de Gaza.
Segundo uma nota a que o Jornal Visão Moçambique teve acesso, a ANE apela à máxima atenção de todos os utentes da via, com destaque especial para as equipas de resgate e assistência que se encontram a operar nas zonas afectadas.
A instituição alerta que a situação pode comprometer a circulação rodoviária e representa riscos para a segurança dos automobilistas, pelo que recomenda prudência redobrada ao atravessar o local, bem como o cumprimento rigoroso das orientações das autoridades no terreno.
A ANE garante que equipas técnicas estão mobilizadas para avaliar a gravidade da erosão e implementar medidas urgentes de contenção, visando restabelecer a segurança e a normal circulação naquela importante via do país.




Augusto Pelembe critica versão oficial sobre morte de administrador do BCI

IMG_20260121_075452

O antigo candidato à presidência do Município da Matola e actual membro da Assembleia Municipal pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Augusto Pelembe, manifestou-se sobre o caso da morte do administrador do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), ocorrido numa unidade hoteleira na cidade de Maputo.
Em declarações públicas, Pelembe considerou que a versão apresentada pelas autoridades levanta várias dúvidas, descrevendo o caso como “uma história montada” e criticando a actuação do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). Segundo o dirigente do MDM, a narrativa oficial demonstra falta de criatividade e fragilidades na condução das investigações.
Para Augusto Pelembe, este episódio expõe problemas recorrentes na forma como os órgãos de investigação criminal têm gerido casos de grande repercussão no país. O político defende que é urgente melhorar a transparência e a credibilidade dos processos investigativos em Moçambique, de modo a reforçar a confiança da população nas instituições de justiça.




Impacto das Inundações: Município da Matola busca solução para mais de 1.500 famílias sem energia no Tchumene II

1768934159448

O Presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, deslocou-se na terça-feira, 20 de Janeiro de 2026, ao bairro de Tchumene II, na zona da Matola-Gare, para inteirar-se da situação vivida por mais de 1.500 famílias que se encontram sem fornecimento de energia eléctrica há mais de dois dias, na sequência das inundações registadas na região.
De acordo com informações colhidas no local, a interrupção do fornecimento de energia deve-se à submersão do Posto de Transformação (PT) da Electricidade de Moçambique (EDM), provocada pela subida do nível das águas resultante das chuvas intensas.
Para mitigar a situação, o Município da Matola mobilizou meios técnicos, destacando-se a alocação de uma retroescavadora para redireccionar o curso das águas, bem como a disponibilização de uma motobomba, visando acelerar o escoamento da água acumulada no bairro.
Durante a visita, Júlio Parruque enalteceu a postura proactiva dos moradores de Tchumene II, destacando o espírito de solidariedade e organização comunitária na busca de soluções locais para os desafios enfrentados.
“O exemplo demonstrado pela população é encorajador. Mostra que, quando a comunidade se une, é possível encontrar caminhos para ultrapassar as dificuldades”, afirmou o edil, reafirmando o compromisso do Município em continuar a apoiar as famílias afectadas até à normalização da situação.




Sua Majestade Rei do Marrocos diz sim ao convite de Trump para integrar o Conselho da Paz

IMG_20260120_163726

Sua Majestade o Rei responde positivamente ao convite do Presidente Donald Trump para integrar o Conselho da Paz como membro fundador – Ministério dos Negócios Estrangeiros Sua Majestade o Rei Mohammed VI, Presidente do Comité de Al-Quds, recebeu um convite de Sua Excelência Donald J. Trump, Presidente dos Estados Unidos da América, para integrar, como membro fundador, o Conselho da Paz que pretende lançar. A iniciativa visa “contribuir para os esforços de paz no Médio Oriente e adotar uma nova abordagem para a resolução de conflitos em todo o mundo”, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Africana e dos Marroquinos no Estrangeiro.O Conselho está reservado a um grupo restrito de líderes internacionalmente reconhecidos, empenhados num futuro seguro e próspero para as próximas gerações, observa o comunicado.Este convite, acrescenta, reflecte o reconhecimento da liderança esclarecida de Sua Majestade o Rei, que Deus o ajude, e da sua estatura como actor fundamental para a paz, e demonstra a confiança de que o Soberano goza tanto do Presidente dos Estados Unidos como da comunidade internacional.Saudando o empenho e a visão do Presidente Donald Trump para a promoção da paz, Sua Majestade o Rei aceitou este convite. Neste contexto, Marrocos ratificará a carta de fundação deste Conselho.O Conselho da Paz assumirá a forma jurídica de uma organização internacional com o objectivo de promover a estabilidade, restaurar a governação e assegurar uma paz duradoura em áreas afectadas ou ameaçadas por conflitos.O seu mandato será baseado na cooperação prática, em ações eficazes e em parcerias orientadas para resultados. A participação neste Conselho é estritamente por convite do Presidente dos Estados Unidos da América.Além disso, Marrocos congratula-se com o anúncio do lançamento da segunda fase do plano de paz abrangente do Presidente Trump, bem como com a formação oficial do Comité Nacional para a Administração de Gaza como órgão transitório temporário.
Sob a liderança esclarecida de Sua Majestade o Rei, Marrocos reitera o seu firme compromisso com uma paz justa, abrangente e duradoura no Médio Oriente, que possibilite o estabelecimento de um Estado palestiniano dentro das fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como a sua capital, vivendo lado a lado em paz com Israel, conclui o comunicado.