Receita do Estado com megaprojetos em Moçambique caiu 41% em 2025 para 157 milhões de euros

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Os Projetos de Grande Dimensão e as Concessões Empresariais registaram um prejuízo global de 164 milhões de euros em 2025, segundo a Conta Geral do Estado enviada ao parlamento.

A receita do Estado moçambicano com Projetos de Grande Dimensão das áreas mineiras, hidrocarbonetos e metalúrgicas, recuou quase 41% em 2025, para 11.680 milhões de meticais (157 milhões de euros), segundo dados oficiais.

De acordo com a Conta Geral do Estado (CGE) aprovada pelo Governo, consultada esta quarta-feira pela Lusa e que segue para o parlamento, este desempenho — que exclui dividendos de concessões — compara com os 19.652 milhões de meticais (264,5 milhões de euros) entregues por estas empresas no exercício de 2024.

No ano passado, estas empresas entregaram ao Estado 4.902,76 milhões de meticais (66 milhões de euros) de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRPC), 2.639,65 milhões de meticais (35,5 milhões de euros) de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS), sendo os restantes 4.137,84 milhões de meticais (55,7 milhões de euros) de IVA, royalties e outros impostos, explica o Governo, no documento.

Enquanto dorme… O mundo não pára

Os Projetos de Grande Dimensão (PGD) e as Concessões Empresariais (CE) operam nas áreas mineiras, hidrocarbonetos e metalúrgicas, sendo que a respetiva contribuição “depende das ligações que os mesmos estabelecem com a economia”, incluindo “ligações produtivas” de desenvolvimento da rede de fornecedores e consumidores ou tecnológicas, pela transferência de tecnologia. Também pela criação de emprego ou em termos fiscais, de poupança e reservas externas, explica o Governo, na CGE de 2025.

Na Conta Geral do Estado, o Governo refere que “constatou-se que em 2025, os PGD e CE registaram um prejuízo global de 12.199 milhões de meticais [164,2 milhões de euros]”, uma melhoria de 65,61% face aos resultados de 2024, que atingiram então um prejuízo total de 35.468 milhões de meticais (477,4 milhões de euros).

Acrescenta que os resultados são influenciados pelos prejuízos dos projetos da Mozal (alumínio), Vulcan (carvão) e das Minas do Rovuboè, que somaram prejuízos no valor total de 49.587,48 milhões de meticais (667,4 milhões de euros).

“Anulando desta forma o lucro apresentado pelas empresas Sasol, Areias Pesadas de Moma, Midwest África e Ncondezi, no valor total de 37.388,85 milhões de meticais [503,2 milhões de euros]”, conclui a CGE.




FMI regressa a Maputo no próximo mês

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Depois de um ano de confronto silencioso com o Fundo Monetário Internacional, o Governo moçambicano prepara-se agora para um dos momentos económicos mais delicados desde a crise das “dívidas ocultas”: negociar um novo empréstimo com o FMI, aceitar a desvalorização do Metical e iniciar um processo de ajustamento económico que poderá redefinir o equilíbrio político e financeiro do país.

A mudança representa uma reviravolta dramática na posição que Maputo manteve até recentemente. Em Abril de 2025, Moçambique e o FMI suspenderam — embora sem cancelar formalmente — o programa de cooperação financeira, depois de o Governo resistir às principais exigências impostas pela instituição de Bretton Woods, sobretudo a desvalorização da moeda nacional e os cortes na massa salarial do Estado.

Durante meses, o impasse permaneceu total. Nas reuniões de Primavera do FMI, realizadas em Washington entre 13 e 18 de Abril deste ano, representantes da instituição deixaram claro que não haveria novas negociações enquanto Moçambique não demonstrasse disposição para cumprir as condições consideradas essenciais para restaurar o equilíbrio macroeconómico.

Mas em poucas semanas tudo mudou.

Primeiro, o Governo moçambicano surpreendeu os mercados ao liquidar integralmente uma dívida de cerca de 630 milhões de dólares junto do FMI, eliminando atrasos e regularizando a sua posição perante a instituição financeira internacional.

Depois, a 2 de Abril, Maputo contratou a consultora internacional de dívida soberana Alvarez & Marsal, numa decisão vista como um forte sinal político e financeiro. A escolha não passou despercebida: o director-geral da empresa, Reza Baqir, trabalhou durante duas décadas no FMI e chegou a liderar a divisão de política de dívida da organização.

Finalmente, Moçambique sinalizou ao FMI aquilo que durante anos evitou admitir publicamente: a aceitação de uma futura desvalorização do Metical.

As três decisões abriram caminho para um encontro considerado decisivo entre a delegação moçambicana e dirigentes do FMI em Washington. O resultado foi imediato: uma missão técnica da instituição financeira visitará Moçambique em Junho para iniciar negociações sobre um novo programa de financiamento.

Nos bastidores do poder, porém, a decisão está longe de ser consensual. A eventual desvalorização do Metical tornou-se um dos temas mais explosivos dentro da Frelimo.

Há cinco anos que a taxa de câmbio se mantém praticamente estável em cerca de 63,9 meticais por dólar, sustentada artificialmente pelo Banco Central através de intervenções no mercado cambial e uso de reservas internacionais.

Grande parte dos economistas considera, contudo, que a moeda nacional está profundamente sobrevalorizada. Em círculos financeiros, muitos defendem que a taxa real deveria situar-se entre 90 e 100 meticais por dólar.

Uma desvalorização desta magnitude teria efeitos imediatos e contraditórios. Por um lado, tornaria as importações drasticamente mais caras. Combustíveis, alimentos importados, medicamentos, equipamentos industriais e produtos de consumo sofreriam aumentos significativos de preços, agravando o custo de vida e pressionando ainda mais famílias urbanas já afectadas pela inflação e desemprego.

Por outro lado, sectores produtivos nacionais poderiam ganhar competitividade. Actualmente, devido ao Metical artificialmente forte, importar arroz asiático chega a ser mais barato do que produzir arroz em Gaza, Sofala ou Zambézia. Uma moeda mais fraca tornaria os produtos nacionais relativamente mais baratos, incentivando a agricultura, exportações e substituição de importações.

É precisamente aqui que o debate económico se transforma numa disputa política interna.

Importantes sectores ligados à elite económica da Frelimo controlam redes de importação altamente lucrativas, beneficiando directamente da manutenção de um Metical valorizado. Uma desvalorização reduziria margens de lucro desses grupos e alteraria profundamente o actual modelo económico baseado em importações.

Nos corredores do poder em Maputo, o receio é que o ajustamento económico abra fissuras políticas dentro do próprio partido governamental.

A discussão deixou de ser apenas “se” haverá desvalorização. A questão agora é “como” ela será feita: de uma só vez, num choque cambial abrupto, ou gradualmente, ao longo de vários anos.

Enquanto o debate prossegue, a economia real já sente os sinais da crise.

Empresas enfrentam a escassez crescente de dólares para importações. Bancos comerciais restringem acesso a divisas. Transferências internacionais atrasam-se. Sectores industriais reportam dificuldades na aquisição de matérias-primas e equipamentos.

No final de 2025, Moçambique acumulava cerca de 800 milhões de dólares em atrasos de pagamentos externos, situação que gerou forte pressão sobre o sistema financeiro nacional.

É precisamente neste ponto que surge outra polémica: o controverso pagamento antecipado da dívida ao FMI.

Segundo fontes financeiras, o próprio FMI não exigia o pagamento imediato dos 630 milhões de dólares. O dinheiro saiu directamente das reservas internacionais do Banco de Moçambique, numa decisão que, segundo relatos de bastidores, enfrentou resistência dentro do Banco Central.

Diversos banqueiros defendem que teria sido mais prudente utilizar essas reservas para reduzir os atrasos externos, aliviando a escassez de divisas na economia e permitindo maior circulação de dólares no mercado local.

Mas o Governo optou por outra estratégia: reconstruir credibilidade junto do FMI e garantir elegibilidade para futuras iniciativas internacionais de reestruturação da dívida.

Nos últimos meses, cresce internacionalmente a discussão sobre um novo mecanismo de perdão parcial da dívida para países pobres altamente endividados, semelhante ao programa HIPC implementado no início dos anos 2000.

Moçambique surge frequentemente citado entre os países potencialmente candidatos a um futuro processo global de alívio da dívida. Contudo, existe uma condição fundamental: os países beneficiários precisam manter regularizada a sua relação com o FMI.

Foi precisamente esse cálculo estratégico que levou sectores do Governo a defender o pagamento integral da dívida.

Há ainda outro argumento técnico considerado crucial: como a dívida ao FMI é denominada em dólares, qualquer desvalorização forte do Metical aumentaria automaticamente o peso da dívida em moeda nacional, agravando ainda mais as contas públicas.

O problema é que o espaço de manobra do país tornou-se extremamente reduzido.

A ajuda externa continua em queda. Parceiros internacionais reduziram apoio financeiro. O acesso a novos empréstimos em moeda forte praticamente desapareceu. Agências internacionais de notação financeira mantêm elevada desconfiança em relação à sustentabilidade da dívida moçambicana.

Ao mesmo tempo, o país enfrenta múltiplas crises simultâneas.

No Norte, a insurgência armada em Cabo Delgado continua a provocar deslocamentos massivos, destruição de infra-estruturas e pressão humanitária. Mais de 1,3 milhões de pessoas já foram afectadas desde o início do conflito em 2017.

Em paralelo, ciclones sucessivos destruíram estradas, escolas, hospitais e sistemas agrícolas em várias províncias do Centro e Norte do país.

O Governo vai rever o Orçamento do Estado para incorporar cerca de 3,5 mil milhões de meticais provenientes das receitas do gás natural, destinados à reconstrução pós-cheias e recuperação de infra-estruturas danificadas pelas manifestações pós-eleitorais de 2024 e 2025.

Mas o peso das necessidades continua muito acima da capacidade financeira do Estado.

Paradoxalmente, tudo isto acontece enquanto Moçambique permanece sentado sobre algumas das maiores reservas de gás natural do planeta.

O país aposta fortemente nos megaprojectos liderados pela TotalEnergies, ExxonMobil e Eni como principal esperança para transformar a economia nas próximas décadas. No entanto, a prometida prosperidade do gás ainda não chegou à maioria da população.

Enquanto investidores internacionais aguardam estabilidade política e segurança em Cabo Delgado, o cidadão comum enfrenta aumento do custo de vida, desemprego crescente, salários pressionados e deterioração do poder de compra.

Para muitos economistas, Moçambique entrou agora numa fase decisiva: ou consegue atravessar os próximos anos com reformas económicas controladas até à entrada massiva das receitas do gás, ou poderá enfrentar uma nova crise financeira de grandes proporções.

A chegada da missão do FMI em Junho poderá marcar o início desse novo ciclo.

Mas também poderá abrir um período socialmente difícil, marcado por austeridade, pressão inflacionária, tensão cambial e disputas políticas internas sobre quem suportará os custos reais do ajustamento económico que se aproxima.




Governo contesta estimativa de prejuízos da TotalEnergies no projecto Mozambique LNG

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O Governo de Moçambique discorda da estimativa apresentada pela gigante francesa TotalEnergies segundo a qual os sucessivos atrasos no projecto Mozambique LNG terão provocado custos adicionais avaliados em cerca de dois mil milhões de dólares norte-americanos.

A divergência surge numa altura em que decorrem negociações entre o Executivo moçambicano e os parceiros do empreendimento para a aprovação de um plano de desenvolvimento actualizado do projecto de gás natural liquefeito, considerado um dos maiores investimentos energéticos do continente africano.

De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, uma auditoria recente conduzida pela consultora britânica Bayphase não conseguiu confirmar os custos alegadamente suportados pela TotalEnergies em consequência da paralisação prolongada das obras. Perante este cenário, Maputo mostra-se relutante em aceitar a estimativa de sobrecustos avançada pela petrolífera francesa.

O projecto Mozambique LNG, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, foi interrompido após a deterioração da situação de segurança na província de Cabo Delgado, particularmente nas proximidades da vila de Palma, onde grupos armados associados ao autoproclamado Estado Islâmico intensificaram ataques contra civis e infra-estruturas.

Em 2021, na sequência de violentos ataques registados nas imediações do local de implantação do projecto, a TotalEnergies declarou força maior e suspendeu todas as actividades de construção. Na altura, o empreendimento era apontado como o maior investimento estrangeiro realizado em África.

Após cerca de cinco anos de interrupção, a TotalEnergies anunciou, em Janeiro de 2026, o relançamento formal do projecto, depois de ter levantado, no final de 2025, a declaração de força maior que permanecia em vigor desde o agravamento da insegurança em Cabo Delgado.

Contudo, a retoma plena do projecto continua dependente do entendimento entre o Governo moçambicano e os investidores quanto aos custos acumulados durante o período de paralisação. As duas partes mantêm negociações para alcançar consenso sobre o novo plano de desenvolvimento e os mecanismos de financiamento dos encargos adicionais.

Os sucessivos atrasos já obrigaram à revisão do calendário de produção do projecto. Inicialmente prevista para 2024, a primeira exportação de gás natural liquefeito foi posteriormente adiada para 2027 e, mais tarde, para 2029.

O Mozambique LNG é considerado estratégico para a economia nacional, podendo transformar Moçambique num dos principais exportadores africanos de gás natural liquefeito e reforçar o abastecimento do mercado energético internacional nas próximas décadas.




Eid Al-Adha 2026 em Moçambique: Comunidade turca reforça solidariedade com distribuição de Qurbani

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A celebração do Eid Al-Adha 2026 ficou marcada, em Moçambique, por uma forte ação de solidariedade promovida pela Associação Ilha da Paz, em parceria com a Willow International School, através da distribuição de carne de Qurbani a milhares de famílias em diferentes pontos do país.

Durante a cerimónia alusiva à festividade islâmica, o representante da Associação Ilha da Paz e promotor do evento, Mehmet Baslik, destacou que o Eid Al-Adha representa “um tempo em que a fé se transforma em ação e em que cada gesto de solidariedade se torna uma ponte de esperança”.

Segundo Mehmet Baslik, a comunidade turca ligada à Willow International School uniu esforços com parceiros locais para apoiar famílias moçambicanas afetadas pelas recentes cheias e tempestades, levando assistência alimentar e mensagens de fraternidade.
“No que nos move não existe interesse político nem busca por visibilidade. O que nos inspira são os valores universais do serviço à humanidade, da partilha com quem mais precisa, da promoção da educação e da construção da paz entre culturas e religiões”, afirmou.
No âmbito da iniciativa de Qurbani deste ano, foram distribuídas cabeças de gado em várias províncias e distritos do país, nomeadamente: Maputo – 141 cabeças; Katembe – 25 cabeças; Manhiça – 100 cabeças; Lichinga – 100 cabeças; Nampula – 100 cabeças; Inhambane – 80 cabeças; Beira – 15 cabeças; Ilha de Moçambique – 10 cabeças; Moma – 20 cabeças; Macia – 2 cabeças; Palma – 5 cabeças.
De acordo com Mehmet Baslik, “cada número representa não apenas uma família, mas uma vida tocada pela fraternidade”.

O Eid Al-Adha, também conhecido como Festa do Sacrifício, é uma das principais celebrações do calendário islâmico. A data assinala a disposição do profeta Ibrahim (Abraão) em sacrificar o seu filho Ismael em obediência a Deus, simbolizando fé, entrega e solidariedade para com os mais necessitados.

Além do significado religioso, a celebração é tradicionalmente marcada pela partilha de alimentos, sobretudo carne proveniente do Qurbani, com famílias vulneráveis, reforçando os valores de união, compaixão e assistência social.

Em Moçambique, a iniciativa promovida pela Associação Ilha da Paz e pela Willow International School voltou a demonstrar o papel crescente das ações comunitárias e humanitárias na promoção da inclusão social e do apoio às populações afetadas por dificuldades económicas e eventos climáticos extremos. 




Banco de Moçambique aumenta coeficientes de reservas obrigatórias

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O Banco de Moçambique anunciou a aprovação de novas taxas de incidência de reservas obrigatórias aplicáveis às instituições financeiras, no âmbito da implementação da política monetária e gestão da liquidez no sistema bancário nacional.

De acordo com a circular emitida pela instituição, o coeficiente de reservas obrigatórias aplicável à base de incidência em moeda nacional passa a ser fixado em 39,00%, enquanto o coeficiente referente à base de incidência em moeda estrangeira foi estabelecido em 29,50%.

A medida foi adoptada ao abrigo do artigo 6 do Regulamento sobre Apuramento e Constituição de Reservas Obrigatórias, aprovado pelo Aviso n.º 1/GBM/2023, de 26 de Abril.

Segundo o banco central, a nova circular entra em vigor a partir do período de constituição de reservas obrigatórias com início marcado para o dia 27 de Maio de 2026, revogando oficialmente a Circular n.º 01/EMO/2025, de 28 de Janeiro, bem como todas as disposições que contrariem o novo instrumento normativo.

As reservas obrigatórias correspondem à parcela dos depósitos que os bancos comerciais devem manter junto do banco central, sendo consideradas um dos principais instrumentos de controlo da liquidez e estabilidade financeira.

O Banco de Moçambique informou ainda que eventuais dúvidas relativas à interpretação e aplicação da circular deverão ser encaminhadas ao Departamento de Mercados e Gestão de Reservas da instituição.




Chapo felicita comunidade muçulmana e destaca papel do Islão na promoção da paz e unidade nacional

Presidente da República saúda a população do distrito de Cuamba à chegada para o início da visita de trabalho à província de Niassa no âmbito da Presidência Aberta Inclusiva1

O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, endereçou uma mensagem de felicitações à comunidade muçulmana, em particular aos moçambicanos, por ocasião da celebração do Eid Al-Ad’há, assinalada esta quarta-feira, 27 de Maio.

Na mensagem, o Chefe do Estado destacou o profundo significado espiritual da data, considerando-a uma ocasião propícia para o reforço da fraternidade, da convivência pacífica e da união entre os povos, bem como para a promoção de valores universais como a fé, a obediência, o sacrifício, a solidariedade e a entrega ao próximo.

Segundo o estadista, a comunidade muçulmana moçambicana tem desempenhado um papel relevante na consolidação do tecido social do país, através da promoção de princípios éticos e morais inspirados nos verdadeiros ensinamentos do Islão, assentes na paz, tolerância, compaixão, respeito mútuo e solidariedade humana.

Daniel Chapo sublinhou igualmente o contributo das comunidades islâmicas na promoção da harmonia social, no apoio às camadas mais vulneráveis e no fortalecimento da unidade nacional, num contexto em que o país continua a apostar na coesão social e no diálogo inter-religioso.

Na mesma mensagem, o Presidente reiterou o compromisso do Estado moçambicano com a liberdade religiosa e a cooperação entre as diferentes confissões religiosas, reconhecendo o papel destas instituições na educação moral, promoção da paz e formação da cidadania.

O Chefe do Estado concluiu desejando que “as bênçãos do Eid Al-Ad’há inspirem esperança, saúde, prosperidade e paz duradoura para todas as famílias moçambicanas”.




Moçambique apresenta ProÁguaS na conferência internacional em Tajiquistão para reforçar segurança hídrica

Agua

Moçambique participa, em Dushanbe, capital do Tajiquistão, na Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Década Internacional de Acção para a Água e Desenvolvimento Sustentável, fórum onde o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, apresentou o Programa Nacional de Segurança Hídrica (ProÁguaS), uma iniciativa estratégica do Governo orientada para o reforço do acesso à água potável, a melhoria do saneamento e o aumento da resiliência do país face aos impactos das secas e cheias.

Na sua intervenção perante líderes governamentais, especialistas e parceiros internacionais, Fernando Rafael destacou que Moçambique está a implementar uma nova agenda de reformas no sector das águas, sustentada pela aprovação da Lei n.º 9/2024, de 7 de Junho, instrumento legal que introduz mudanças estruturais destinadas a tornar o sector mais eficiente, coerente e atractivo ao investimento.

Segundo Fernando Rafael, o ProÁguaS, lançado a 18 de Maio de 2026 por Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da República, constitui um marco estratégico para o sector, ao estabelecer uma visão integrada para a melhoria da eficiência dos serviços, redução das assimetrias territoriais e criação de condições sustentáveis para o investimento privado nas áreas de abastecimento de água e saneamento.

O programa prevê a mobilização de cerca de 4,593 mil milhões de dólares norte-americanos ao longo da próxima década, com o objectivo de elevar a cobertura nacional de abastecimento de água de 62% para 75% e aumentar a cobertura de saneamento de 38% para 60%. O plano contempla igualmente a expansão de infra-estruturas de segurança hídrica e o reforço dos serviços WASH em todo o território nacional.

No domínio dos recursos hídricos, o ProÁguaS estabelece metas ambiciosas, entre as quais o aumento da capacidade de armazenamento de água de 59 mil milhões para 60 mil milhões de metros cúbicos, com vista à mitigação dos efeitos da seca e ao reforço da capacidade de controlo de cheias.

Entre as principais intervenções previstas destacam-se ainda a construção de 330 quilómetros de diques de protecção contra inundações, a modernização e expansão de mais de 300 estações de monitoria hidrológica, bem como a implementação de cinco modelos hidrológicos avançados, destinados a melhorar a previsão, gestão e resposta a eventos climáticos extremos.

O Ministro revelou igualmente que o ProÁguaS já conseguiu mobilizar cerca de 700 milhões de dólares norte-americanos, um indicador que, segundo sublinhou, demonstra o compromisso do Governo de Moçambique e dos parceiros internacionais com a implementação de soluções estruturantes para garantir a segurança hídrica, o acesso universal à água e a melhoria das condições de saneamento no país.




Moçambique recebeu 252,8 milhões de USD do gás natural liquefeito, desde 2022, mas só alocou 33,6 milhões para projectos em 2025

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Um relatório de monitoria, apresentado recentemente, pelo Banco de Moçambique, em coordenação com o Ministério das Finanças, revela o descompasso entre o dinheiro que entrou dos projectos de gás natural liquefeito e o que realmente chegou aos moçambicanos. Entre 2022 e Dezembro de 2025, o país arrecadou 252,8 milhões de dólares, mas a execução dos projectos financiados por essas receitas foi praticamente nula em 2025.

O representante do Banco de Moçambique, Cláudio Mangue, afirmou que do total recebido, apenas 33,6 milhões de dólares foram usados no Orçamento do Estado (OE), até Dezembro de 2025. O restante, 219,7 milhões de dólares, ficou parado numa conta transitória.

“De ponto de vista de visão geral, o que estamos dizendo aqui é, entre 2022 e Dezembro de 2025, Moçambique registou 252,8 milhões de dólares, é a receita total até agora em termos de exploração de gás natural liquefeito. Aquilo que foi absorvido ao nível do orçamento do Estado nesse período é de 33,6 milhões de dólares, aquilo que foram receitas depositadas na conta transitória, retirando os 33, são 219,7 milhões de dólares”, disse Mangue.

Só no fim de 2025, o governo começou a repartir o valor conforme a lei: 60% para o Orçamento do Estado e 40% para o Fundo Soberano. Mesmo assim, a transferência para projectos nacionais foi de apenas 31,49 milhões de dólares.

“Em Dezembro de 2025 foram realizadas transferências da conta transitória para o orçamento do Estado, totalizando 31,49 milhões de dólares, financiando projectos de investimentos nacionais.”

Execução desequilibrada nos ministérios

Os 60% que foram ao Orçamento do Estado, não foram executados em todos os ministérios no ano de 2025, sendo que, somente o Ministério dos Transportes e Logísticas usufruiu a 100% desta alocação.

“A execução orçamental dos projectos financiados pelas receitas (60%), não foi satisfatória em 2025, o Ministério dos Transportes e Logística teve um grau de execução de 100% e os demais não tiveram uma execução satisfatória”, afirmou Cláudio Mangue.

Outrossim, a entidade admitiu que as receitas não tem um volume considerável, mas a necessidade de financiamento de projectos é alta, por isso, promete finalizar os projectos que ficaram pendentes em 2025, até o fim do primeiro semestre do corrente ano.

“As receitas não são volumosas, mas a necessidade de financiamento é alta, portanto, não se pode justificar que tenhamos grau de execução de níveis baixos, estamos a trabalhar para que os projectos que não foram terminados em 2025, sejam finalizados até ao final do primeiro semestre deste ano”, concluiu Mangue.

“O Banco de Moçambique não fez nada tão extraordinário para a sociedade, afirma sociedade civil”

O economista Sidónio Tembe, representante ao Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), criticou as estratégias adoptadas pelo Banco de Moçambique para prevenir riscos.

“Em termos de estratégia de gestão de risco, de alguma coisa nova que o Banco de Moçambique possa ter feito para a sociedade, não fez nada tão extraordinário”, disse o economista, destacando que, instrumentos como “overnight”, são de risco muito previsível, e que o Banco de Moçambique ainda não demonstrou complexidade técnica necessária para gestão plena de um fundo Soberano. (INTEGRITY)




Município de Maputo com dificuldades na remoção de lixo devido e invoca escassez de combustíveis como a razão principal

lixo

Em entrevista à STV, a Direcção de Salubridade, do município de Maputo, disse que o município enfrenta desafio na remoção de lixo devido à crise de combustível.

Segundo a vereação de infraestrutura e salubridade, no município de Maputo, a recolha de lixo continua sendo um dos principais desafios, no entanto, o processo continua a decorrer na sua normalidade.

“A recolha de resíduos sólidos é um dos grandes desafios que o município de Maputo tem, actualmente, o processo está decorrendo normalmente, pese embora a alguns desafios decorrente do momento que estamos atravessar”, frisou a Direcção de salubridade. A fonte acrescentou que o município enfrentou um momento crítico devido à insuficiência de combustível para abastecer as viaturas de recolha, o que somando a outros factores, reduziu a capacidade operacional e provocou acumulação de lixo em algumas zonas.

“Tivemos um momento crítico em que tínhamos insuficiência de combustível para abastecer as viaturas, e outros factores, temos alguns factores que reduzem a nossa capacidade surgem situações de acumulação de resíduos”, revelou a fonte. Segundo a entidade, para garantir a continuidade do serviço, foi assegurado um estoque de combustível para os próximos dias. Como medida preventiva, o município passará a fazer a recolha de resíduos no período nocturno, visando evitar o gasto excessivo de combustível causado pelo congestionamento durante o dia.




CPMO do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25 %.

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O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25 %. Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e o consequente impacto sobre a cadeia logística e oferta de bens, bem como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos.

Adicionalmente, o CPMO decidiu aumentar o coeficiente de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 29,0% para 39,0%, visando absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, susceptível de gerar maior pressão inflacionária. Entretanto, o CPMO decidiu manter o coeficiente de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda estrangeira em 29,5%.

A previsão da inflação foi revista em alta. Em Abril de 2026, a inflação anual fixou-se em 4,4%, após 3,4 % em Março. A inflação subjacente, que exclui frutas e vegetais e bens com preços administrados, manteve-se estável. Entretanto, no curto e médio prazo, antevê-se uma aceleração da inflação, podendo atingir dois dígitos, dependendo da duração do conflito no Médio Oriente. A previsão da inflação reflecte os efeitos directos e indirectos do ajustamento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos, da intermitência no seu fornecimento e da inflação importada, não obstante a estabilidade do Metical e a fraca actividade económica.

Os riscos e incertezas associados às projecções da inflação continuam a agravar-se. A nível doméstico, evidenciam-se riscos e incertezas quanto à magnitude dos efeitos indirectos do aumento dos preços dos combustíveis sobre a cadeia logística e a oferta de bens; ao ritmo de reposição da capacidade produtiva na sequência das inundações que assolaram o País no primeiro trimestre do ano; e aos efeitos do agravamento do risco fiscal, com destaque para os atrasos nos pagamentos devidos pelo Estado. A nível externo, destacam-se as incertezas quanto à duração e magnitude do impacto do conflito geopolítico no Médio Oriente sobre a cadeia logística e a oferta de bens, bem como sobre os preços dos produtos energéticos e alimentares.

O endividamento público e os atrasados da dívida interna e externa mantêm-se elevados, afectando o normal funcionamento do mercado financeiro e a liquidez bancária. A dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 493,1 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 18,5 mil milhões em relação a Dezembro de 2025, e uma fonte de aumento da liquidez bancária. Persistem os atrasos no pagamento da dívida pública interna e externa, incluindo comas instituições financeiras nacionais e os credores multilaterais, com impactos, entre outros, na fraca apetência por títulos públicos, na rigidez das taxas de juro do mercado monetário interbancário e na avaliação do risco do País.

A direcção da política monetária continuará condicionada à avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções da inflação.

A próxima reunião ordinária do CPMO está marcada para o dia 29 de Julho de 2026.