Mambinhas fazem história: Moçambique qualifica-se pela primeira vez para o Mundial Sub-17

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A selecção moçambicana de futebol Sub-17 escreveu uma das páginas mais marcantes da história do desporto nacional ao garantir, pela primeira vez, a qualificação para o Campeonato do Mundo da categoria, que terá lugar no Qatar, em 2026.

O feito histórico foi alcançado depois de uma campanha memorável no Campeonato Africano das Nações (CAN) Sub-17, competição disputada em Marrocos, onde os “Mambinhas” demonstraram maturidade competitiva, disciplina táctica e enorme capacidade de superação diante de algumas das principais potências africanas da categoria.

A caminhada rumo ao apuramento ganhou contornos épicos após a vitória de Moçambique sobre Angola por 2-1, resultado que manteve vivo o sonho mundialista e colocou a selecção nacional no “play-off” decisivo de acesso ao Mundial.

A qualificação representa um marco sem precedentes para o futebol juvenil moçambicano, numa geração que já vinha dando sinais de crescimento desde as competições regionais da COSAFA, onde os jovens nacionais conseguiram garantir presença no CAN da categoria.

Além do simbolismo desportivo, o apuramento abre novas perspectivas para o desenvolvimento do futebol jovem em Moçambique, colocando o país no mapa das grandes competições internacionais de formação. A presença no Mundial Sub-17 permitirá aos jovens atletas ganharem maior exposição internacional e poderá atrair atenção de clubes e academias estrangeiras.

Com a expansão do número de vagas africanas para o Mundial Sub-17, o continente passou a contar com dez representantes na fase final da prova, facto que ampliou as possibilidades de participação para selecções emergentes como Moçambique




Yango Group lança a Yango Tech em África com soluções de IA e Infra-Estrutura Digital para Empresas e Instituições do sector público

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Maputo — O Yango Group anunciou o lançamento da Yango Tech em África, expandindo a presença da empresa na região com um portfólio de soluções de inteligência artificial e infra-estrutura digital destinadas a empresas e organizações do sector público.

A expansão marca a entrada do Yango Group para além dos serviços voltados ao consumidor em África, avançando agora para implementações tecnológicas B2B e soluções de IA. A Yango Tech irá concentrarse em apoiar organizações na automatização de operações, modernização de infra-estruturas e adopção de ferramentas de inteligência artificial em sectores como mobilidade, saúde, serviços financeiros e retalho.

Segundo a McKinsey, a inteligência artificial generativa poderá desbloquear entre 61 mil milhões e 103 mil milhões de dólares em valor económico anual em África, enquanto mais de 40% das organizações no continente já estão a experimentar ou implementar soluções de IA.

Ao mesmo tempo, a procura por infra-estrutura digital e tecnologias empresariais continua a crescer nos mercados africanos. A GSMA estima que o sector móvel tenha contribuído com 220 mil milhões de dólares para a economia africana em 2024, podendo atingir 270 mil milhões de dólares até 2030, à medida que os serviços digitais e as tecnologias empresariais se expandem.

O portfólio africano da Yango Tech inclui programas de adopção de IA generativa, tecnologias para cidades inteligentes, soluções de digitalização na área da saúde e plataformas para serviços financeiros e comércio electrónico.

A empresa apoia organizações públicas e privadas na identificação de áreas onde a IA pode gerar valor mensurável, no desenvolvimento de roteiros de implementação, avaliação do retorno sobre investimento (ROI) e integração de ferramentas de IA nas operações diárias.

A oferta inclui ainda suporte à implementação, estruturas de governação de IA e programas de formação para executivos e equipas operacionais. “Os mercados africanos estão a demonstrar uma procura crescente por automação, modernização de infra-estruturas e aplicações práticas de inteligência artificial”, afirmou Adeniyi Adebayo, Chief Business Officer do Yango Group.

“O objectivo da Yango Tech é ajudar organizações a implementar tecnologia de forma a melhorar a eficiência operacional e apoiar a transformação digital a longo prazo.”

Na Ásia Central, a Yango Tech já lançou com sucesso projetos MaaS (Mobility as a Service), incluindo sistemas de rastreamento de ambulâncias em tempo real, concebidos para melhorar a coordenação das respostas de emergência e a visibilidade para pacientes e centros de despacho. A empresa já iniciou operações em Moçambique e na África do Sul, com projectos nas áreas de mobilidade, saúde e comércio electrónico, marcando o primeiro passo para uma expansão mais ampla em todo o continente.




Parceria entre PRM, Munícipio da Matola e Fidelidade Ímpar leva segurança rodoviária às escolas porque cada criança merece chegar à casa

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Maputo — No dia 20 de Maio, mais de 1.000 crianças de duas escolas da Cidade da Matola aprenderam a atravessar a rua com segurança. A Fidelidade Ímpar esteve lá.

A iniciativa integra a Semana Nacional de Segurança Rodoviária 2026, sob o lema “O cuidado é o melhor caminho”. Em parceria com a Polícia de Trânsito (PRM), o Conselho Municipal da Cidade da Matola, INATRO e a Direcção Distrital de Educação, a Fidelidade Ímpar levou palestras educativas, simulações práticas de travessia segura e sessões de literacia financeira tornando a aprendizagem concreta e visível.

Esta acção foi possível pela união de quem partilha o mesmo propósito. A PRM, o Conselho Municipal da Cidade da Matola e a Direcção Distrital de Educação juntaram-se para chegar mais longe juntos porque a segurança nas zonas escolares não é responsabilidade de ninguém em particular: é responsabilidade de todos.

Foram distribuídos 70 coletes reflectores à Polícia de Trânsito e instalada sinalização rodoviária junto das escolas: passadeiras, placas de prevenção e os sinais que dizem ao trânsito que ali passam crianças. Pequenos gestos que ficam.

A acção envolveu mais de 1.000 participantes nas duas escolas. Cada um deles crianças, professores, agentes de trânsito foi parte de algo maior do que uma simples sessão de sensibilização.

Não é a primeira vez. Desde Novembro de 2025, a Fidelidade Ímpar tem estado presente na Escola Primária da Matola Gare, onde cerca de 1.000 alunos participaram em actividades de educação rodoviária, literacia financeira e até criaram peças ilustrativas com materiais reutilizados. A intenção nunca foi fazer um evento. Foi criar um hábito.

A Fidelidade Ímpar mantém o programa activo na Escola Primária da Matola Gare desde Novembro de 2025 e prevê alargá-lo a outras zonas escolares do país. Para a Fidelidade Ímpar, investir na prevenção é contribuir para comunidades mais seguras  porque o cuidado traduz-se sempre em acções concretas para que a vida não pare.




Linha de transmissão Tete–Maputo de 1.300 km poderá viabilizar evacuação da energia de Mphanda Nkuwa

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Foi apresentado esta quarta-feira, em Maputo, o relatório do estudo de viabilidade da futura linha de transporte de energia de alta tensão Tete–Maputo, um projecto estruturante que visa responder ao desafio central de evacuação da energia produzida na região Centro do país para os principais centros de consumo no Sul, garantindo maior estabilidade, eficiência e expansão do sistema eléctrico nacional.

O estudo, conduzido por um consórcio liderado pela Norconsult, analisa soluções técnicas, económicas e ambientais para a implementação de uma infra-estrutura que deverá sustentar a crescente produção energética nacional, com destaque para projectos de grande escala como a hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa.

Com cerca de 1.300 quilómetros de extensão e operando em 400 kV, a linha Tete–Maputo é concebida como a espinha dorsal do sistema de transmissão Centro–Sul, permitindo pela primeira vez uma ligação robusta e directa entre a região de grande produção energética e os principais centros de consumo e industrialização.

Segundo o estudo, a infra-estrutura não se limita ao transporte de energia, mas estabelece um corredor energético estruturante, suportado por subestações ao longo do trajecto, que deverão desempenhar um papel essencial na distribuição eléctrica e no desenvolvimento económico regional.

O ponto central do projecto é a necessidade de garantir a evacuação eficiente da energia gerada em Tete, sobretudo a partir de Mphanda Nkuwa, considerado um dos maiores projectos hidroeléctricos em desenvolvimento no país.

O relatório conclui que, sem uma infra-estrutura desta dimensão, o potencial energético da região não poderá ser plenamente integrado no sistema nacional nem aproveitado para reforçar a capacidade de exportação de energia para a África Austral.

A proposta técnica recomenda a construção de uma rede principal em corrente alternada, composta por pelo menos duas linhas de circuito único de 400 kV, organizada em três fases de implementação.

Estas fases, estruturadas em corredores energéticos (verde um, dois e três), têm como objectivo garantir maior segurança operacional, flexibilidade no transporte de energia e expansão progressiva da capacidade de transmissão.

O custo do projecto está estimado em cerca de 1,4 mil milhões de dólares norte-americanos.

O Governo de Moçambique já assegurou financiamento inicial através do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento para a primeira fase, estando em curso negociações com o Banco Europeu de Investimento, União Europeia e outras instituições financeiras para a mobilização dos recursos necessários às fases subsequentes.

O projecto está alinhado com a estratégia nacional de industrialização e transição energética, sendo considerado um instrumento-chave para transformar o sector eléctrico num motor de crescimento económico.

A criação de subestações ao longo do corredor deverá igualmente estimular novos polos de desenvolvimento industrial, contribuindo para a redução de assimetrias regionais e para o reforço da integração económica nacional.

A implementação da linha será acompanhada por uma Avaliação de Impacto Ambiental e Social (AIAS), que inclui mecanismos de participação pública, definição de planos de reassentamento, gestão ambiental e programas de desenvolvimento comunitário.

Estas medidas visam garantir que o projecto seja executado em conformidade com a legislação nacional e com padrões internacionais de sustentabilidade.




Presidente da República apela à vigilância contra boatos e anuncia obras estruturantes em Mecanhelas

Presidente da República orienta comício popular no distrito de Mecanhelas, no primeiro dia da visita de trabalho à província de Niassa2

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, deu continuidade esta terça-feira à Presidência Aberta e Inclusiva na província do Niassa, com uma visita ao distrito de Mecanhelas, onde apelou à vigilância da população contra boatos, discursos de ódio e actos de violência que, segundo afirmou, ameaçam a paz e o desenvolvimento do país.

A deslocação insere-se no ciclo da Presidência Aberta e Inclusiva de 2026, no quadro da governação de proximidade, após a recente visita à província de Tete, com o objectivo de acompanhar directamente as dinâmicas de desenvolvimento económico e social.

Apelo à paz e combate à desinformação

No comício popular, o Chefe do Estado sublinhou a necessidade de reforçar a unidade nacional e rejeitar a violência, condenando igualmente a destruição de bens públicos registada em contextos pós-eleitorais.

Daniel Chapo alertou ainda para a propagação de boatos em algumas comunidades, sobretudo relacionados com alegados casos de desaparecimento ou atrofia dos órgãos genitais masculinos, apelando à responsabilidade colectiva.

“Não podemos matar o nosso irmão por causa de uma coisa que nunca aconteceu e nunca vai acontecer. É mentira, são boatos”, afirmou o Presidente, reforçando o apelo à vigilância e ao diálogo.

População destaca desafios e pede melhorias

Durante o encontro, a população de Mecanhelas saudou o modelo de governação aberta e inclusiva, reconhecendo os esforços do Executivo na promoção da paz e do diálogo nacional.

Contudo, foram apontadas preocupações persistentes nas áreas da saúde, educação e infra-estruturas, com destaque para a necessidade de reabilitação de estradas e melhoria do hospital distrital, de forma a reduzir a dependência de Cuamba e até do vizinho Malawi.

Os residentes apelaram ainda à melhoria da qualidade do ensino e ao reforço da humanização dos serviços de saúde.

Novas infra-estruturas e reforço de serviços

Em resposta, o Presidente da República anunciou o lançamento de concursos para a construção da estrada Mecanhelas–Cuamba e do Hospital Distrital de Mecanhelas, considerados projectos estruturantes para o desenvolvimento local.

Segundo o Chefe do Estado, o Ministro da Saúde deverá deslocar-se ao distrito ainda este ano para o lançamento da primeira pedra do hospital, enquanto o Ministro da Justiça deverá proceder ao lançamento da futura Conservatória de Registo e Notariado de Mecanhelas, no próximo sábado.

Foram igualmente entregues duas ambulâncias ao distrito, com o objectivo de reforçar o sistema de assistência médica e o transporte de pacientes.

Na vertente económica, Daniel Chapo defendeu o reforço do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) e apelou ao aumento da produção agrícola como resposta ao custo de vida, incentivando a produção de arroz, feijão, soja, gergelim e carne bovina.

O Presidente sublinhou que o desenvolvimento do país depende da capacidade de produção interna e da redução da dependência de importações, num contexto de instabilidade internacional.

Reafirmando o modelo de governação próxima das populações, o Chefe do Estado destacou que a presença do Executivo no terreno é essencial para ouvir directamente as preocupações dos cidadãos e acelerar soluções.

“Uma governação próxima do povo é sair de Maputo e vir ouvir as preocupações das populações”, afirmou.




Zambézia: Linchamentos sobem para 14 mortos devido a boatos sobre desaparecimento de órgãos genitais

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Subiu para 14 o número de pessoas mortas por linchamento popular na província da Zambézia, na sequência de rumores relacionados com alegados casos de atrofia ou desaparecimento de órgãos genitais. As mais recentes ocorrências registaram-se nos distritos de Derre e Mopeia, segundo as autoridades.

A informação foi confirmada esta terça-feira, em Quelimane, pelo comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Marinho Muchanga, à margem da cerimónia de abertura da Semana da Polícia.

De acordo com o comandante, a situação está a preocupar as autoridades, sobretudo devido à rápida disseminação de boatos que têm levado comunidades a agir de forma violenta contra cidadãos suspeitos.

Em ligação com estes casos, a PRM deteve mais 11 indivíduos suspeitos de envolvimento na propagação de desinformação e incitamento à violência, elevando para 34 o número total de detidos.

Marinho Muchanga afirmou que a corporação continua a desenvolver acções de sensibilização nas comunidades, com o objectivo de desencorajar a circulação de rumores e prevenir novos episódios de violência popular. O responsável advertiu ainda que a polícia será “implacável” contra os autores e disseminadores destes boatos.

Na mesma ocasião, o comandante provincial destacou que a Semana da PRM representa uma oportunidade para reforçar a proximidade entre a polícia e as comunidades, bem como consolidar a confiança pública e intensificar acções de prevenção criminal.

A Semana da Polícia decorre sob o lema: “PRM, 50 anos reafirmando o compromisso com as comunidades, combatendo a criminalidade, terrorismo e sinistralidade rodoviária”, com cerimónias centrais na província de Gaza, dirigidas pelo comandante-geral da PRM, Joaquim Sive.

Durante a programação estão previstas diversas actividades, incluindo encontros polícia-comunidade, torneios desportivos, campanhas de doação de sangue e outras iniciativas de aproximação social.




Chiquinho Conde aponta Senegal como favorito no grupo de Moçambique para o CAN 2027

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O Seleccionador Nacional de Futebol de Moçambique, Chiquinho Conde, reagiu ao sorteio da fase de qualificação ao Campeonato Africano das Nações (CAN) PAMOJA 2027, colocando o Senegal como principal favorito à liderança do grupo J, onde os Mambas também terão como adversários o Sudão e a Etiópia.

Moçambique ficou inserido no grupo J da fase de qualificação, numa chave considerada exigente, que conta com o actual campeão africano Senegal, além de selecções em crescimento no panorama continental.

Para Conde, o Senegal parte claramente na dianteira da corrida ao primeiro lugar, sem deixar de reconhecer a evolução dos restantes adversários.

“Senegal é uma selecção toda poderosa, campeã africana. Já estivemos inseridos no mesmo grupo noutras competições e os resultados não foram satisfatórios. É a principal candidata ao primeiro lugar do grupo. Depois temos o Sudão e a Etiópia, que têm vindo a crescer. Não podemos menosprezar nenhum adversário. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”, afirmou o seleccionador.

O técnico sublinhou que a qualificação exigirá máxima concentração e ambição, reforçando o objectivo de garantir a presença de Moçambique na fase final da competição, de forma a dignificar o futebol nacional.

Reconstrução da selecção após saídas de figuras-chave

Chiquinho Conde reconheceu ainda o impacto da retirada de três jogadores considerados pilares da selecção nacional — Dominguez, Mexer e Reinildo — destacando a necessidade de reestruturação do grupo.

“Ficámos tristes com a saída desses três enormes jogadores, mas a vida continua. Temos de trabalhar internamente e no exterior para colmatar o vazio deixado por estes pilares do futebol moçambicano”, disse.

Novos testes e preparação para a qualificação

O seleccionador explicou que os jogos da Data-FIFA de Junho, frente à Indonésia e Omã, serão fundamentais para testar novas soluções e jogadores.

Segundo Conde, o objectivo é encontrar uma nova espinha dorsal da equipa, aproveitando também o arranque do Moçambola para observação de talentos e reforço do processo de recrutamento.

“Os jogos da Data-FIFA servem para testar jogadores e dinâmicas, de modo a encontrarmos a base da equipa. O Moçambola ajuda-nos a observar melhor e a fazer um scouting mais rigoroso”, referiu.

Calendário da qualificação

A fase de apuramento ao CAN 2027 será disputada em três janelas:

  • Jornadas 1 e 2: 21 de Setembro a 6 de Outubro de 2026
  • Jornadas 3 e 4: 9 a 17 de Novembro de 2026
  • Jornadas 5 e 6: 22 a 30 de Março de 2027

Moçambique inicia assim uma campanha exigente, mas com ambição renovada de regressar à maior competição de selecções do continente africano.




SOBRE O AMBIENTE RODOVIÁRIO

Estamos perante uma crise de combustível ou crise geral do custo de vida?

Na minha modesta opinião, o aumento do preço de combustível está sendo encarado, desde o princípio, numa perspectiva destorcida. Deu-se a entender que o assunto ficaria resolvido subsidiando o transporte colectivo urbano de passageiros, como se o problema desta crise provocada pelo aumento do preço da gasolina e do gasóleo se circunscrevesse apenas no transporte das pessoas a nível das cidades. A sobrevivência da maioria das pessoas não depende apenas do seu transporte, depende de muitos outros factores que também ficam inflacionados com o aumento do preço dos combustíveis. Esta crise afecta também, por exemplo, o valor do frete do transporte de mercadorias que por sua vez vai fazer aumentar o preço do cabaz alimentar.

O preço dos produtos provenientes da agricultura, da pesca e da indústria é também afectado pela crise gerada pelos combustíveis, uma vez que são usados nestas actividades tractores, máquinas e geradores e tudo isto vai infernizar a vida dos cidadãos. Antes de um cidadão se preocupar em se deslocar de um lado para outro usando os transportes, tem de ter capacidade de comprar os produtos básicos para se alimentar. Com fome, ninguém consegue trabalhar, muito menos preocupar-se com o preço do transporte. Não restam dúvidas de que este aumento do preço dos combustíveis afecta directamente o transporte das pessoas e, se estas não conseguem ir trabalhar, tratar dos negócios ou da saúde, a vida dos cidadãos bem como a economia do país entram em rota de colisão.

Já não havia capacidade suficiente de pagar um transporte, cujo custo vinha sendo insuportável para a maioria das pessoas, uma vez que, para se chegar ao destino, paga-se 2 ou 3 bilhetes, fazendo ligações de transporte. Na situação actual de rotura do combustível e aumento do respectivo custo, fica ainda mais penoso para o cidadão sobreviver. Parecia que o Estado se tinha mostrado sensível ao problema, porém, pecou por apenas procurar subsidiar os transportadores urbanos de passageiros licenciados. Desta forma, pretendeu ignorar a realidade dos factos, uma vez que todos sabemos que grande parte dos transportes urbanos de passageiros é exercida pelos não licenciados, e por moto-táxis, situação que vem sendo tacitamente admitida dado ao facto de este mesmo Estado reconhecer a sua incapacidade de oferecer transporte suficiente ou de criar uma política nacional que permita que entidades particulares possam ocupar uma boa parte das responsabilidades do Governo de oferecer transporte. Este problema do agravamento dos preços das viagens nos transportes irá ciclicamente aparecendo na vida dos cidadãos enquanto o Estado continuar a interferir no custo do preço dos bilhetes dos passageiros praticado pelos privados. O Estado pode e deve continuar a oferecer preços sociais nos transportes públicos que disponibiliza aos seus cidadãos, mas deve deixar de interferir no custo das viagens cobradas pelos operadores de transporte particular, uma vez que o particular quer ver o seu negócio a ser rentável. A economia do mercado ou a livre concorrência entre os privados irá, certamente, estabelecer preços competitivos entre estes transpo rtadores e proporcionar assim custos das viagens cada vez mais baixos.

Cada Governo do nosso país que vai sendo nomeado não obedece a uma política nacional para os transportes, provavelmente por ainda não ter sido institucionalizada, razão pela qual cada um vai inventando tipos de transporte, por exemplo, por teleférico, por transporte eléctrico em carris, por barco ou por tractores agrícolas, provavelmente com base no que os nossos dirigentes observaram quando viajaram noutros países. O tipo de transporte para Moçambique tem de se coadunar com as nossas realidades e especificidades, tendo em conta a capacidade de gerir e de tornar sustentável qualquer que seja o projecto que se queira escolher. Na verdade, este é um dos problemas do nosso país que não é de fácil resolução para os nossos governantes que, ao longo dos anos, não encontram o rumo certo. Por esta razão, a solução pela qual optam, é sempre a mesma, a de adquirir novos autocarros para repor a frota danificada. Esta solução já se mostrou ineficaz porque 70 a 80% dos autocarros ficam rapidamente imobilizados nos parques ou nas oficinas. De nada serve ir fazendo aquisição de novos autocarros se não houver garantia de organizar o seguinte: Haver um fornecimento de stok de peças. Proporcionar um sistema eficaz de manutenção das viaturas. Oferecer uma formação avançada aos motoristas.

 A falta de formação adequada é também a causa principal do desgaste prematuro das peças e da mecânica dos autocarros e é ainda a causa principal dos acidentes rodoviários no nosso País. Quando somos solicitados para ministrar este tipo de formação nas empresas de transportes, quer de passageiros, quer de cargas, constatamos que o nível de conhecimentos e das técnicas de condução dos motoristas está num patamar muito baixo. O pior é que os nossos dirigentes e até os gestores destas empresas particulares de transportes não têm a percepção de quão má é a qualidade de condutores que estão contratando. É necessário apostar numa formação especial/adicional aos motoristas, para que aprendam a saber fiscalizar os seus carros, a detectar antecipadamente eventuais avarias, conhecerem e familiarizarem-se com as características do carro que vão conduzir, saberem adoptar uma condução adequada às estradas degradadas do nosso país, saberem praticar condução económica, não só de combustível mas também dos componentes dos veículos que conduzem e, principalmente, praticar condução defensiva, para não se envolverem em sinistros rodoviários, face aos comportamentos desviantes dos utentes das nossas estradas. Basta só proporcionar uma formação de condução defensiva para se obter todos estes ganhos, mas continuo a não entender porque razão os nossos dirigentes não optam por proporcionar formações de segurança rodoviária. Por outro lado, custa-me também entender, por exemplo, porque motivo não optamos por complementar o transporte rodoviário pelo transporte ferroviário na região metropolitana de Maputo? Pode-se ligar, por exemplo, Maputo a Matola, Machava, Marraquene, etc por carreiras regulares de comboios. Nas situações de crise, referentes ao preço dos transportes, o problema poderia ser amenizado com esta alternativa de mobilidade proporcionada aos cidadãos. O país tem grande experiência no transporte por comboio, e os Caminhos de Ferro de Moçambique vêm gerindo esta actividade ao longo dos anos de forma sustentável e eficiente.

Perante a crise actual que o país está enfrentando nos transportes por causa do agravamento dos preços dos combustíveis, já ficou explícito que a solução de subsidiar somente os transportes colectivos urbanos de passageiros não foi acolhida satisfatoriamente, sendo urgente voltar a equacionar o problema com todos os parceiros. Torna-se imperioso voltar a dialogar novamente com todos os intervenientes no processo, com vista a encontrar uma saída que tenha consenso e seja compartilhado pela grande maioria. Está evidente que este problema não se resolve apenas subsidiando o transporte urbano de passageiros, uma vez  que o mesmo abrange todos os outros sectores do país. O nosso Estado parece estar a perder o controlo desta situação e a prejudicar-se também, porque a economia de um país não se compadece com o estado actual da nação representado por crises como estas que estão sendo mal resolvidas em prejuízo de todos os moçambicanos.

Por: Cassamo Lalá – DIRETOR DA ESCOLA DE CONDUÇÃO INTERNACIONAL




A L M A D I N A

O  Q U R B ÁN

Por: Sheikh Aminuddin Mohamad

         Designa-se “Qurbán” o sacrifício de um animal quadrúpede por ocasião da festa do Eid-Ul-Ad’há. Tal ritual tem lugar nos dias 10, 11 e 12 de Dhul-Hidja, décimo segundo mês do calendário lunar. O início deste ritual tem lugar logo a seguir ao Swalaat (oração) do Eid, estendendo-se até ao pôr-do-sol do dia 12 (este ano será nos dias 27, 28 e 29 de Maio).

         Embora a sua prática seja permitida à noite, tal não é aconselhável. O melhor dia para a prática do Qurbán é o dia de Eid (dia 27), devendo obrigatoriamente ser feito apenas depois da oração, pois se for feito antes perde a sua validade.

         De acordo com a interpretação de um dos quatro mais proeminentes Imam’s, (Abu-Hanifa), o Qurbán só é obrigatório para o muçulmano (homem ou mulher) que possua nos três dias a ele consagrados, riqueza correspondente ao valor de Zakát.

         Os animais que podem ser sacrificados são o camelo, o búfalo e o boi, (que podem ser partilhados por sete pessoas), o cabrito e o carneiro (para uma única pessoa, pois não são partilháveis). O boi deve ter mais de 2 anos de idade, o cabrito e o carneiro devem ter pelo menos 1 ano de idade.

         É recomendável que se procure o animal destinado ao Qurbán alguns dias antes de sacrificá-lo, devendo ser bem tratado, pois destinando-se ao sacrifício para agradar a Deus, o animal deve ser do melhor que encontrarmos, pois não  deve ser defeituoso (cego, zarolho, perneta, doente, com orelhas ou rabo cortados, chifre partido, etc.)

         Ao viajante, o Qurbán  não é obrigatório, mas caso regresse à casa antes do pôr-de-sol do dia 12 de Dhul-Hijja, então deverá  fazê-lo se para tal dispuser de meios materiais.

         É sempre melhor (sunnat) que seja a própria pessoa, i. é., o adquirente do animal, a proceder à sua degola caso tenha robustez física suficiente para o fazer, pois caso contrário, pode delegar a alguém, sendo porém recomendável que assista ao acto.

         Aos menores não é obrigatório, mesmo que possuam riqueza.

         No caso de o animal sacrificado ser de grande porte (camelo, búfalo ou boi) a divisão pelo grupo de sete pessoas deve ser feita  por igual, em função do peso e não por estimativa. A porção de carne que couber a cada integrante do grupo pode ficar na totalidade na sua posse,  pode doá-la na totalidade ou pode dividi-la em três partes iguais, sendo uma para os pobres, outra para os familiares e amigos, retendo a restante para si mesmo. O mesmo critério é aplicável caso o animal sacrificado seja de pequeno porte (cabrito ou carneiro).

Considerando a emergência em que algumas províncias do País se encontram, pois milhares de pessoas perderam quase a totalidade dos já parcos bens que possuíam,  sem dúvidas o melhor acto de momento é mitigar a fome destes sem-nada. Portanto, doar a totalidade da carne aos pobres e necessitados afigura-se sendo a melhor opção.

         Ainda de acordo com a interpretação do Imam Abu Hanifa, é permitido doar a carne de Qurbán aos não-muçulmanos.

A intenção de Qurbán não deve ser apenas o consumo da carne, pois se assim for o acto é inválido. Perde igualmente a sua validade se a carne for vendida ou distribuida aos empregados como forma de compensar o seu labor.

         Se alguém tenciona fazer Qurbán adquirindo um animal, mas por qualquer razão não conseguir fazê-lo nos três dias prescritos, então deve num acto de caridade doar o animal aos pobres.

         Segundo o Imam Shafei, se alguém adquirir um animal para o Qurbán e o mesmo se perder, for roubado ou devorado por algum animal feroz, a aquisição de um outro animal para o substituir não é obrigatória. É sunnat para quem tenciona fazer Qurbán abster-se de cortar as unhas, cabelo ou pelos do seu corpo desde o primeiro dia do mês de Dhul-Hidja até ao dia da degola do animal. Diz ainda o Imam Shafei que não é permitido fazer o Qurbán da parte de uma pessoa viva, sem a sua autorização. E quanto ao defunto, só é permitido se este tiver deixado dinheiro e um testamento para o efeito. Neste caso é obrigatório doar a totalidade da carne aos pobres.

         Este ritual de Qurbán é de tão grande importância, que o Profeta (S.A.W.) diz: ” Esse, que dispondo de meios não fizer o Qurbán, que não se aproxime do local de Swalaat de Eid”.Veja-se a gravidade da negligência na observância do Qurbán, a ponto de o Profeta (S.A.W) querer distanciar-se desse tipo de gente.

         Apelo a todos os muçulmanos com posses, que cumpram com este ritual, e que distribuam aos pobres e necessitados a carne dos animais abatidos. Lembrem-se daqueles que neste momente de crise estão angustiados, sem nada para vestir e sem nada para comer.

         É esta a única forma de perpetuar o espirito de sacrificio demonstrado  por Abraão quando lhe foi ordenado por Deus que sacrificasse o seu unico filho, Ismael.

         Não devemos tomar isto como um ritual pesado, pois muitos muçulmanos, e não só, degolam animais obedecendo à recomendação de curandeiros para pretensamente agradar a santos e a espíritos. Outros ainda degolam generosamente animais de médio ou grande porte para comemorar aniversários, não raras vezes regados com bebidas alcoólicas, com alguma devassidão à mistura.

         O muçulmano deve, muito particularmente neste momento em que o desconforto e a angústia atingiram milhares de lares de irmãos moçambicanos um pouco por todo o País, mostrar-se mais generoso, fazendo Qurbán, pois se de um lado vai agradar a Deus, de outro vai estender o seu braço em solidariedade para com os infortunados.




Chapo chega ao Niassa entre estradas recuperadas, expansão agrícola, pressão por infra-estruturas resilientes e fundos do FDEL em circulação

Presidente da República saúda a população do distrito de Cuamba à chegada para o início da visita de trabalho à província de Niassa no âmbito da Presidência Aberta Inclusiva1

A deslocação presidencial decorre numa altura em que vários distritos do Niassa começam a retomar a normalidade depois de meses marcados por dificuldades de circulação, degradação de vias secundárias e constrangimentos provocados pelo transbordo de rios durante a época chuvosa.

Daniel Chapo desceu do avião, recebeu flores de uma criança e levantou as duas mãos diante da multidão reunida num dos corredores poeirentos do Niassa. À volta do Presidente havia militares, agentes de segurança, dirigentes locais e bandeiras agitadas pelo vento seco do norte. Mais atrás, porém, estava a província real que a visita presidencial tenta alcançar: mercados abastecidos com feijão e milho trazidos de distritos longínquos, pequenos comerciantes dependentes da transitabilidade das estradas, produtores agrícolas preocupados com o próximo ciclo de chuvas e famílias que continuam a medir o peso do Estado pela possibilidade de circular, vender e sobreviver sem isolamento.

Nas imagens que acompanham a chegada de Daniel Chapo à província surgem crianças descalças em estradas de terra vermelha, pequenos mercados improvisados, bancas de feijão expostas ao sol e vendedores que observam a movimentação presidencial entre expectativa e prudência. Em muitas localidades do Niassa, o crescimento agrícola já não é apenas um indicador estatístico apresentado em relatórios governamentais. É o elemento que sustenta o comércio local, movimenta transporte informal, alimenta pequenos mercados distritais e define parte significativa da sobrevivência económica das famílias.

Segundo o comunicado divulgado pela Presidência da República, Daniel Chapo deverá escalar os distritos de Cuamba, Mecanhelas, Mandimba, Mavago e Muembe, além da cidade de Lichinga, no quadro da Presidência Aberta e Inclusiva. A agenda inclui comícios populares, sessões extraordinárias com órgãos provinciais e distritais, encontros com diferentes segmentos sociais e inauguração de sistemas de abastecimento de água e do edifício do Tribunal Judicial de Muembe.

O conteúdo da própria agenda presidencial revela parte das prioridades que hoje dominam o discurso governativo para o Niassa. Em vez de grandes anúncios industriais ou megaprojectos de impacto imediato, a visita concentra-se sobretudo em circulação, abastecimento de água, presença institucional do Estado e acompanhamento directo das dinâmicas locais.

No terreno, porém, a visita presidencial encontra uma província onde o debate dominante ultrapassa os actos protocolares e concentra-se sobretudo nas dificuldades estruturais que continuam a travar parte do potencial económico do Niassa.

Em vários pontos da província, a deslocação de Daniel Chapo é acompanhada menos como um acontecimento político abstracto e mais como um teste à capacidade do Estado responder a problemas que regressam todos os anos com as chuvas. Em distritos onde o transporte de produtos agrícolas pode duplicar de custo após cortes de estrada e onde pequenas interrupções de circulação isolam comunidades inteiras durante dias, parte significativa da população continua a medir a presença do Governo pela condição da via, pela chegada do combustível, pela regularidade do mercado e pela possibilidade de escoar produção sem perdas.

Em Cuamba, considerado um dos principais centros comerciais e logísticos do norte do país, comerciantes e transportadores afirmam que a circulação de mercadorias melhorou nas últimas semanas, depois de vários meses de condicionamentos rodoviários que afectaram o abastecimento e elevaram custos de transporte.

O distrito ocupa uma posição estratégica na economia regional. Além da ligação ferroviária ao Corredor de Nacala, Cuamba funciona como principal eixo de ligação terrestre entre o Niassa, Nampula e Malawi, assumindo papel central no escoamento agrícola da província.

Com uma população estimada em mais de 320 mil habitantes, o distrito consolidou-se como um dos maiores centros de circulação comercial do norte de Moçambique, impulsionado sobretudo pela expansão da produção agrícola.

Dados recentes indicam que Cuamba prevê produzir, durante a campanha agrária 2025/2026, mais de 600 mil toneladas de diferentes culturas, numa subida superior a 50% em relação à campanha anterior, com destaque para milho, feijão e soja.

“Quando Cuamba pára, muitos distritos sentem imediatamente”, afirmou Ernesto Jaime, comerciante grossista no mercado central da cidade. “Há produtos que vêm de Mandimba, Mecanhelas, Marrupa e até de zonas mais distantes. Quando a estrada piora, o preço sobe quase automaticamente.”

Durante a última época chuvosa, vários troços em distritos como Mandimba, Muembe, Marrupa, Mecanhelas e Mauá registaram interrupções temporárias devido à degradação acelerada das vias e ao transbordo de rios, obrigando alguns transportadores a suspender viagens para zonas do interior.

Embora a transitabilidade esteja actualmente restabelecida nos principais corredores, continuam visíveis bermas destruídas, pequenos cortes e desgaste do pavimento em diferentes troços da província, situação que alimenta receios em relação ao próximo ciclo chuvoso.

“Agora já se circula melhor, mas há zonas onde basta voltar a chover forte para os problemas reaparecerem”, disse Fátima Adamo, proprietária de uma pequena loja alimentar em Cuamba.

O Niassa permanece uma das províncias mais paradoxais do país: possui algumas das maiores reservas de terra arável de Moçambique, baixa pressão demográfica e forte potencial agrícola, mas continua condicionado por enormes distâncias internas, custos logísticos elevados e fragilidade de infra-estruturas expostas a fenómenos climáticos extremos. Em muitos distritos, produzir deixou há muito de ser o principal obstáculo. O problema passou a ser circular.

É precisamente neste contexto que cresce a expectativa em torno da visita presidencial. Operadores económicos, agricultores e transportadores defendem que o principal desafio da província já não está apenas no aumento da produção agrícola, mas sobretudo na capacidade de garantir escoamento regular, armazenamento e circulação eficiente ao longo do ano.

A discussão ganhou ainda maior peso com a expansão recente do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), actualmente um dos principais instrumentos de financiamento de pequenas iniciativas produtivas na província.

Dados oficiais actualizados até 08 de Maio de 2026 indicam que o Niassa recebeu 86,3 milhões de meticais no âmbito do FDEL, distribuídos pelos 16 distritos e seis municípios da província. Segundo o relatório do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, foram financiados 1.573 projectos, correspondentes a uma execução financeira de 100%.

A agricultura concentra a maior fatia dos financiamentos, com 713 projectos apoiados, equivalentes a 45,33% do total provincial, seguida do comércio, com 592 projectos, correspondentes a 37,64%.

Mandimba surge como o distrito com maior número de projectos financiados, com 139 iniciativas, seguido do Município de Lichinga, com 136, Cuamba, com 121, e Mecanhelas, com 110.

No próprio distrito de Cuamba, os dados apontam para 121 projectos financiados, enquanto o Município de Cuamba registou outros 84 projectos adicionais ligados sobretudo à agricultura, comércio local, pequenos serviços e transformação alimentar.

Segundo o relatório provincial, os projectos apoiados beneficiam directamente 1.606 pessoas, das quais 990 jovens, correspondentes a 61,64% do total. O documento aponta igualmente para a criação de 3.869 postos de trabalho fixos e sazonais.

Em Muembe, produtores agrícolas afirmam que a principal preocupação passou gradualmente da produção para os custos de escoamento.

“Este ano tivemos chuva suficiente para produzir bem. Agora a preocupação é conseguir vender sem perder quase tudo no transporte”, explicou Mateus Cassimo, produtor local.

Apesar dos indicadores positivos apresentados pelas autoridades, empresários e comerciantes ligados ao sector agrícola insistem que a expansão económica do Niassa continuará limitada enquanto persistirem fragilidades na rede rodoviária e dificuldades logísticas.

“O Niassa produz muito, mas continua longe dos mercados”, afirmou um empresário ligado ao comércio de cereais entre Cuamba e Nampula. “Quando a estrada degrada, os custos sobem imediatamente e alguns circuitos deixam de compensar.”

Com mais de 129 mil quilómetros quadrados, o Niassa continua a enfrentar desafios associados às grandes distâncias entre distritos, baixa densidade populacional e elevados custos de expansão de infra-estruturas públicas.

Ainda assim, em cidades como Cuamba e Lichinga, comerciantes e operadores económicos afirmam existir uma percepção crescente de dinamização gradual da actividade económica, impulsionada pela agricultura, circulação regional e surgimento de pequenos negócios financiados nos últimos ciclos do FDEL.

Enquanto os comícios avançam e as caravanas presidenciais percorrem os corredores do norte, o Niassa continua a mover-se entre duas realidades simultâneas: a província do potencial agrícola repetido nos discursos oficiais e a província concreta onde uma ponte cortada, uma berma destruída ou um troço intransitável continuam capazes de travar mercados inteiros. É nesse intervalo entre promessa produtiva e fragilidade logística que a visita de Daniel Chapo será observada nos próximos dias.