INSÓLITO“Wawa” da Justiça: suspeito acumula detenções, liberdade condicional, cauções e até furto em hospital na Beira

Na cidade da Beira, província de Sofala, um indivíduo conhecido popularmente como “wawa” tornou-se figura recorrente nos corredores do sistema judicial, num caso que está a gerar indignação e debate público sobre reincidência criminal e fragilidades na administração da justiça.
Segundo informações apuradas, o suspeito foi inicialmente detido por alegados crimes de violação sexual e tentativa de homicídio. Contudo, após algum tempo sob custódia, acabou beneficiando de liberdade condicional.
Entretanto, a tranquilidade durou pouco. O mesmo indivíduo voltou a ser detido posteriormente, tendo novamente conseguido sair em liberdade, desta vez mediante pagamento de caução.
Fontes locais relatam que, enquanto aparentava “bom comportamento”, o suspeito terá reincidido mais uma vez, sendo novamente apanhado por envolvimento em casos de furto e tentativa de violação.
Perante a sucessão de ocorrências e a crescente revolta popular, membros da comunidade decidiram fazer justiça pelas próprias mãos, agredindo violentamente o suspeito até este necessitar de assistência hospitalar urgente.
Mas o episódio mais insólito ainda estava por acontecer.
Já internado numa unidade sanitária da cidade da Beira para recuperação dos ferimentos, o homem terá aproveitado a permanência no hospital para, alegadamente, roubar o telefone celular de uma enfermeira que o assistia.
“Parece que nem no hospital o histórico criminal entrou em repouso”, comentou um residente local, indignado com a sequência dos acontecimentos.
O caso continua a suscitar fortes reacções sociais, sobretudo entre cidadãos que questionam os mecanismos de controlo judicial e a eficácia das medidas aplicadas a indivíduos reincidentes.
Até ao momento, as autoridades policiais e judiciais locais ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os mais recentes desdobramentos do caso.




OAM Avança com Participação Criminal Contra Agentes da PRM e SERNIC por Alegada Tortura a Advogado na Machava

“Atacar um advogado no exercício da profissão é atacar o próprio Estado de Direito”, denuncia a Ordem dos Advogados de Moçambique
A Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) submete hoje, quarta-feira, uma participação criminal junto da Procuradoria Distrital da República da Machava contra agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), acusados de espancarem brutalmente e arrastarem o advogado Amisse Abel Nota Passe enquanto este exercia funções profissionais na cidade da Matola, província de Maputo.
O caso, que já está a provocar forte indignação no seio da classe jurídica e da sociedade civil, ocorreu no passado dia 17 de abril, nas instalações da 5.ª Esquadra da Machava, quando o advogado se deslocou ao local para prestar assistência jurídica ao seu constituinte durante um processo de inquirição.
Segundo informações tornadas públicas pela OAM, o jurista identificou-se formalmente perante os agentes e invocou o direito legalmente consagrado de acompanhar o seu cliente. Ainda assim, terá sido alvo de agressões físicas violentas perpetradas por membros das forças de defesa e investigação criminal.
Violência Contra Advogado Gera Onda de Revolta
Fontes ligadas ao processo descrevem o episódio como “macabro”, “desumano” e “um atentado grave às prerrogativas da advocacia”. Testemunhas relatam que o advogado foi espancado sem qualquer justificação plausível e posteriormente arrastado perante cidadãos presentes na esquadra, numa acção considerada humilhante e abusiva.
Para a Ordem dos Advogados, o incidente representa não apenas uma violação dos direitos fundamentais do causídico, mas também uma ameaça directa ao funcionamento do sistema de justiça moçambicano.
“Quando um advogado é impedido, intimidado ou violentado no exercício da profissão, fica em causa o direito de defesa dos cidadãos e os pilares do Estado de Direito Democrático.”
A organização defende que os agentes envolvidos devem ser responsabilizados criminal, disciplinar e civilmente, exigindo uma investigação célere, imparcial e transparente por parte das autoridades competentes.
Clima de Tensão Entre Autoridades e Classe Jurídica
O episódio reacende o debate sobre alegados excessos cometidos por agentes policiais em Moçambique, particularmente em esquadras e centros de detenção, onde organizações da sociedade civil têm denunciado práticas de intimidação, abuso de autoridade e violência física.
Analistas jurídicos alertam que o ataque contra um advogado em pleno exercício profissional constitui uma afronta grave às garantias constitucionais e aos princípios internacionais de protecção da advocacia.
A expectativa agora recai sobre a actuação do Ministério Público e das instituições de fiscalização interna da PRM e do SERNIC, numa altura em que cresce a pressão pública por responsabilização exemplar dos envolvidos.
OAM Promete Não Recuar
A Ordem dos Advogados de Moçambique garante que acompanhará o processo até às últimas consequências legais e promete intensificar a defesa das prerrogativas profissionais dos advogados em todo o país.
“A advocacia não se curva perante actos de intimidação, violência ou abuso de poder. A defesa da legalidade e dos direitos fundamentais continuará a ser uma missão inegociável”, refere uma fonte ligada à instituição.
O caso do advogado Amisse Abel Nota Passe poderá transformar-se num dos episódios mais sensíveis dos últimos tempos envolvendo relações entre operadores da justiça e forças policiais em Moçambique.




Viagem Oficial do Daniel Chapo ao Quénia e Uganda Custou 4,68 Milhões Apenas em Transporte

João Cabrito revela itinerários e custos da deslocação do Presidente da República ao Quénia e Uganda
Uma deslocação oficial do Presidente da República realizada nos dias 11 e 12 de Maio de 2026 está a gerar debate público depois de terem sido divulgados detalhes sobre o itinerário presidencial, o tipo de aeronave utilizada e os custos associados ao transporte aéreo.
Segundo informações tornadas públicas pelo analista e investigador João Cabrito, o Chefe de Estado viajou a bordo de um jacto executivo do tipo Embraer 190, operado pela empresa maltesa AirX Charter Ltd., com matrícula 9H-DEE. O custo diário estimado da operação aérea foi fixado em cerca de 60 mil euros, o equivalente aproximado a 4,68 milhões de meticais, apenas em despesas de transporte.
“Os dados de voo mostram uma operação internacional de elevado custo suportada em apenas dois dias de deslocação oficial”, refere João Cabrito.
Itinerário Presidencial
11 de Maio de 2026
Partida de Maputo: 11h05 (CAT)
Chegada a Nairobi, Quénia: 15h37 (EAT)
12 de Maio de 2026
Partida de Nairobi: 07h59 (EAT)
Chegada a Entebbe, Uganda: 08h46 (EAT)
Aeronave Utilizada
Tipo: Embraer 190
Matrícula: 9H-DEE
Operadora: AirX Charter Ltd. (Malta)
Fontes ligadas ao sector aeronáutico indicam que aeronaves fretadas desta categoria são frequentemente utilizadas em deslocações de chefes de Estado devido às exigências de segurança, autonomia e flexibilidade diplomática. No entanto, especialistas em finanças públicas alertam que os custos operacionais associados continuam a suscitar questões sobre prioridades orçamentais num contexto económico sensível.
“Quando um único dia de transporte aéreo ultrapassa dezenas de milhares de euros, torna-se inevitável o escrutínio público sobre a relação custo-benefício destas missões”, observou um analista consultado para esta reportagem.
A divulgação dos dados reacende o debate sobre transparência nos gastos do Estado, sobretudo em missões internacionais de curta duração, numa altura em que vários sectores sociais continuam a enfrentar limitações financeiras.
Embora viagens presidenciais integrem normalmente agendas diplomáticas estratégicas, sectores da sociedade civil defendem maior clareza na publicação dos custos totais das deslocações oficiais, incluindo despesas com aeronaves, alojamento, segurança e logística.
Até ao momento, a Presidência da República ainda não apresentou um relatório detalhado sobre os encargos globais da missão realizada entre Maputo, Nairobi e Entebbe.




NOVA FROTA A GÁS MARCA NOVA ETAPA NA MOBILIDADE URBANA DO GRANDE MAPUTO

Entrega de 190 autocarros movidos a gás natural reforça aposta estratégica no GNV em Moçambique
A entrega de 190 autocarros movidos a gás natural para os municípios da região do Grande Maputo foi considerada um marco histórico para o sector dos transportes e energia em Moçambique. O acto foi dirigido pelo Presidente da República, Daniel Chapo, numa cerimónia realizada esta segunda-feira, na cidade da Matola.
Durante o evento, o director executivo da Auto Gás, João das Neves, manifestou satisfação pelo avanço da utilização do Gás Natural Veicular (GNV) no país, considerando a iniciativa como resultado de vários anos de trabalho persistente em defesa da operacionalização desta alternativa energética em Moçambique.
“É importante para mim, que ando há alguns anos a trabalhar persistentemente para a operacionalização do GNV em Moçambique”, declarou João das Neves.
Segundo o responsável, a introdução da nova frota representa não apenas um avanço na modernização do transporte público, mas também um sinal claro de que o país começa a valorizar o potencial estratégico do gás natural como motor de desenvolvimento económico e social.
João das Neves afirmou ainda que o momento simboliza “um misto de missão cumprida” perante os esforços desenvolvidos ao longo dos últimos anos, embora reconheça que continuam a existir inúmeros desafios para transformar o gás natural numa riqueza efectivamente acessível para todos os moçambicanos.
“É um misto de missão cumprida nesta fase e dos mil e um desafios que persistem para fazer do gás natural a real riqueza dos moçambicanos”, afirmou.
O director executivo elogiou igualmente o posicionamento do Governo relativamente à promoção do gás natural no sector dos transportes, destacando o envolvimento directo do Presidente da República e do Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe.
“Estou satisfeito em ver o Presidente Chapo e o Ministro Matlombe promovendo o gás natural, porque essa é a agenda certa e para a qual vínhamos chamando a atenção do Estado há alguns anos”, sublinhou.
Para João das Neves, a aposta no GNV poderá abrir uma nova fase para o país, reduzindo custos operacionais no transporte público, promovendo energia mais limpa e estimulando maior aproveitamento dos recursos naturais nacionais.
“Estou convicto de que, com esta atitude, o GNV vai ganhar um novo rumo em Moçambique e todos os moçambicanos saem a ganhar”, concluiu.
A nova frota deverá reforçar significativamente o sistema de transporte colectivo na região metropolitana do Grande Maputo, numa altura em que o país procura soluções sustentáveis para responder à crescente procura por mobilidade urbana eficiente e menos dependente de combustíveis importados.




Antigo presidente do Conselho Constitucional denuncia pressão política no mandato de Nyusi

O antigo presidente do Conselho Constitucional, Hermenegildo Gamito, revelou ter sofrido pressão política durante a governação do Presidente Filipe Nyusi, no período em que liderava o órgão máximo de fiscalização constitucional do país.
Falando numa entrevista concedida à estação televisiva privada MBC TV Gamito afirmou que existiram vários constrangimentos institucionais e divergências com o então Chefe de Estado, situação que, segundo explicou, dificultou o exercício independente das suas funções.
“Houve momentos de forte pressão política e institucional durante o exercício das minhas funções no Conselho Constitucional”, declarou Hermenegildo Gamito.
O antigo dirigente considerou ainda que o seu contributo na busca de soluções para vários desafios nacionais não foi devidamente reconhecido pelas autoridades governamentais da época.
“Sinto que muitos dos esforços realizados para ajudar o país a ultrapassar crises e desafios importantes não tiveram a valorização merecida”, afirmou.
Durante a entrevista, Hermenegildo Gamito abordou também a actual necessidade de fortalecimento do diálogo político e social em Moçambique. O jurista defendeu um modelo de diálogo nacional mais inclusivo, envolvendo diferentes sensibilidades políticas, sociais e económicas, como forma de promover estabilidade e desenvolvimento sustentável.
“Moçambique precisa de um diálogo verdadeiramente inclusivo, onde todos os sectores da sociedade se sintam representados”, sublinhou.
Gamito entende que apenas através da inclusão efectiva e da participação ampla será possível consolidar a paz, reforçar as instituições democráticas e impulsionar o desenvolvimento do país.
As declarações do antigo presidente do Conselho Constitucional surgem num contexto em que vários sectores da sociedade moçambicana continuam a defender reformas institucionais, maior transparência governativa e reforço da independência dos órgãos de justiça.




MIREME Revoga Licença do “Cartel” TegaFil, Apontada como Rede de Contrabando de Combustíveis na Matola

MIREME Revoga Licença da TegaFil Combustíveis por Violação Grave das Normas do Mercado Petrolífero.Abastecimento ilegal de camião cisterna em posto de retalho levou à suspensão imediata das actividades da empresa na Matola

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), através da Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC), anunciou oficialmente a revogação da licença de comercialização de combustível a retalho da empresa TegaFil Combustíveis, Lda, responsável pela exploração de um posto de abastecimento localizado no bairro Tchumene II, no Município da Matola.
A decisão surge na sequência de uma alegada violação grave da legislação que regula o sector petrolífero nacional, após ter sido detectada uma operação considerada ilegal de abastecimento de combustíveis líquidos directamente para um camião cisterna — prática proibida para operadores licenciados exclusivamente para actividades de retalho.
Denúncia pública desencadeou investigação
Segundo informações avançadas pelo MIREME, a infracção foi constatada no dia 06 de Maio de 2026, na sequência de uma denúncia pública que levou as autoridades competentes a realizarem diligências de verificação.
De acordo com a entidade governamental, o posto de abastecimento terá efectuado o carregamento de combustíveis directamente para um veículo cisterna destinado ao transporte e redistribuição de produtos petrolíferos, actividade que, nos termos da legislação moçambicana, está reservada a operadores devidamente licenciados para distribuição.
Em comunicado oficial, o Ministério esclarece que:
“O abastecimento directo de veículos cisterna destinados ao transporte e redistribuição de combustíveis configura actividade típica de distribuição, sujeita a licenciamento autónomo e requisitos específicos previstos na lei.”
Violação considerada ameaça à segurança e controlo do mercado
O MIREME considera que a actuação da empresa representa uma violação séria das condições materiais da licença emitida ao posto de abastecimento, comprometendo não apenas a disciplina do mercado petrolífero, mas também os mecanismos de segurança, rastreabilidade e controlo dos combustíveis comercializados no país.
As autoridades alertam que práticas desta natureza podem facilitar esquemas paralelos de comercialização, evasão aos mecanismos fiscais e dificuldades no controlo da cadeia de distribuição de combustíveis.
No comunicado, o Ministério sublinha que:
“Esta conduta compromete os princípios de organização, segurança, disciplina do mercado petrolífero nacional, bem como os mecanismos de controlo e rastreabilidade dos produtos petrolíferos.”
DNHC determina encerramento imediato das actividades
Com base no artigo 24 do Decreto n.º 89/2019, de 18 de Novembro, instrumento legal que regula o exercício da actividade de comercialização de produtos petrolíferos em Moçambique, a Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis deliberou revogar a licença atribuída à TegaFil Combustíveis, Lda.
A medida implica a cessação imediata de todas as actividades de comercialização de combustíveis realizadas ao abrigo da licença agora anulada.
Fontes ligadas ao sector entendem que a decisão representa um sinal claro de endurecimento da fiscalização por parte das autoridades governamentais, numa altura em que crescem preocupações relacionadas com práticas irregulares na cadeia de abastecimento de combustíveis.
Especialistas defendem maior fiscalização
Analistas do sector energético consideram que casos desta natureza evidenciam fragilidades persistentes na fiscalização do mercado nacional de combustíveis, sobretudo em zonas urbanas de grande circulação logística, como a Matola.
Para especialistas, o abastecimento irregular de camiões cisterna através de postos licenciados apenas para retalho pode criar distorções comerciais e abrir espaço para circuitos informais de redistribuição de combustíveis.
Defendem, por isso, o reforço da monitoria operacional, da digitalização dos sistemas de controlo e da responsabilização rigorosa dos operadores infractores.
MIREME promete tolerância zero
O Ministério dos Recursos Minerais e Energia reafirmou o seu compromisso com a integridade e transparência do mercado nacional de combustíveis, garantindo que continuará a intensificar as acções de fiscalização em todo o país.
Na nota oficial, a instituição assegura que irá manter uma postura de “tolerância zero” face a práticas que violem a legislação em vigor.
“O Ministério reafirma o seu compromisso com o reforço da fiscalização, o cumprimento rigoroso da legislação e a salvaguarda da integridade, segurança e transparência do mercado nacional de combustíveis.”
A revogação da licença da TegaFil Combustíveis surge como um dos casos mais mediáticos recentes envolvendo infracções no sector petrolífero moçambicano, podendo abrir espaço para novas investigações sobre possíveis redes paralelas de distribuição de combustíveis no país.




Edil da Matola lança processo simplificado de licenciamento para transportadores em situação irregular

O presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, anunciou o lançamento de uma campanha de licenciamento massivo simplificado destinada aos transportadores semi-colectivos que operam na cidade da Matola, medida que visa facilitar o acesso às compensações financeiras atribuídas pelo Estado ao sector dos transportes públicos.
O anúncio foi feito no Estádio da Independência Nacional, durante a cerimónia oficial de entrega de 190 novos autocarros de passageiros destinados à população da região do Grande Maputo. O acto foi testemunhado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, membros do Governo, dirigentes municipais e representantes do sector dos transportes.
Na ocasião, Parruque afirmou que o município continuará empenhado na procura de soluções para estabilizar e controlar as tarifas praticadas pelos operadores privados, considerados parceiros estratégicos no sistema de mobilidade urbana da Matola e da região metropolitana.
“A nível local, iniciamos a campanha de licenciamento massivo simplificado para acesso às compensações”, declarou o edil.
Reforço da frota pública aumenta capacidade operacional
Durante a intervenção, o presidente do município destacou que a Empresa Municipal de Transporte Público de Passageiros da Matola registará um crescimento significativo da sua capacidade operacional com a integração dos novos meios circulantes.
Segundo explicou, a frota municipal passará de 57 para 107 autocarros, representando um aumento de aproximadamente 88%, factor que deverá contribuir para a melhoria da oferta de transporte público e redução da pressão actualmente registada nas principais rotas urbanas e suburbanas.
As autoridades municipais estimam igualmente a duplicação do número de passageiros transportados diariamente, alcançando cerca de quatro mil utentes por dia.
Outra medida anunciada refere-se ao alargamento do horário operacional dos transportes públicos municipais, que passarão a circular das 5h00 até à meia-noite, substituindo o actual limite de funcionamento fixado às 22h00.
Novas rotas e reabertura de linhas históricas
O reforço da frota permitirá igualmente a abertura de novas rotas e a reactivação de linhas anteriormente suspensas, consideradas essenciais para responder ao crescimento populacional e à expansão urbana da região metropolitana.
Entre as novas rotas anunciadas destacam-se:
Mukatine via Ngolhoza – Cidade da Matola, com extensão de 49,8 quilómetros;
Sidwava – Cidade da Matola, via nova estrada, numa extensão de 27 quilómetros.
Já entre as linhas reabertas constam:
Ima – Baixa, via 700;
Mulotana – Baixa;
Zimpeto – Boane;
Khongolote – Hospital Provincial, via T3;
Matutuíne – Cidade da Matola;
Estádio da Independência (Acordos de Lusaka) – Baixa.
Município defende descentralização dos investimentos
No seu discurso, Júlio Parruque agradeceu ao Governo de Moçambique pela decisão de alocar autocarros directamente aos municípios, sublinhando que a medida representa um importante avanço no processo de descentralização administrativa e financeira.
Segundo o edil, investir nos municípios corresponde a investir directamente na melhoria das condições de vida da população.
“Investir no município é investir no povo moçambicano”, afirmou.
Parruque recordou ainda que a região metropolitana do Maputo possui actualmente mais de 3,2 milhões de habitantes, número correspondente a cerca de 10% da população nacional concentrada nas autarquias da região.
BRT poderá transformar mobilidade urbana
O presidente do município aproveitou igualmente a ocasião para agradecer ao Governo de Moçambique, ao Ministério dos Transportes e Logística e aos parceiros de cooperação pelo apoio na implementação de soluções estruturantes para o sector da mobilidade urbana.
Entre os projectos mencionados destaca-se o futuro sistema de Bus Rapid Transit (BRT), considerado pelas autoridades como uma das principais apostas para melhorar o transporte colectivo na região metropolitana de Maputo.
Segundo Parruque, o sistema terá impacto significativo na circulação urbana, redução do tempo de viagem e melhoria das condições de transporte para milhares de cidadãos que diariamente enfrentam dificuldades de mobilidade.
Desafios persistem apesar das medidas
Apesar do reforço anunciado, persistem preocupações relacionadas com a insuficiência do transporte público, o aumento da procura e as reclamações constantes dos passageiros relativamente às tarifas praticadas por alguns operadores privados.
Analistas do sector consideram, no entanto, que o aumento da frota e a simplificação do processo de licenciamento poderão contribuir para uma maior formalização dos operadores, melhor fiscalização e expansão gradual do acesso ao transporte público na região metropolitana.
A iniciativa surge num contexto em que as autoridades procuram responder à crescente pressão populacional e aos desafios de mobilidade que afectam diariamente milhares de residentes da Matola, Maputo e zonas periféricas.




Moza Banco Regressa aos Lucros e Sinaliza Nova Fase de Recuperação Financeira

Banco regista lucro de MZN 217,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, reduz drasticamente o crédito malparado e reforça indicadores de solvabilidade
O Moza Banco iniciou o exercício de 2026 com sinais claros de recuperação operacional e fortalecimento financeiro, ao anunciar um resultado líquido positivo de MZN 217,5 milhões no primeiro trimestre do ano. O desempenho representa um marco relevante para a instituição bancária, após um período de reestruturação interna e implementação de medidas de saneamento financeiro ao longo de 2025.
Segundo os dados financeiros divulgados pelo Banco, os resultados reflectem a consolidação de uma estratégia centrada no reforço prudencial, optimização do balanço e melhoria da capacidade operacional, factores que permitiram ao Moza entrar numa nova etapa de crescimento considerada mais sustentável, prudente e resiliente.
O crescimento do Produto Bancário foi um dos principais motores da recuperação. No primeiro trimestre de 2026, o indicador atingiu MZN 1.239,3 milhões, correspondendo a um aumento de 16,6% em comparação com o mesmo período de 2025. Este desempenho foi impulsionado pela evolução positiva das operações cambiais, aumento das comissões líquidas, recuperação de créditos anteriormente registados como perdas (“write-off”) e melhoria dos demais proveitos financeiros.
Ao mesmo tempo, o Banco conseguiu melhorar significativamente os seus níveis de eficiência operacional. O rácio cost-to-income reduziu-se de 78,42% para 65,67%, demonstrando uma combinação entre crescimento das receitas e maior controlo sobre os custos operacionais.
Outro indicador considerado estratégico foi o crescimento da base de Clientes. Durante o trimestre, o Moza Banco registou a entrada de 9.565 novos Clientes, elevando o crescimento acumulado para cerca de 41 mil novos Clientes em termos homólogos. Paralelamente, os depósitos e recursos de Clientes aumentaram para MZN 56.861,3 milhões, representando um crescimento de MZN 7.852,9 milhões, numa evolução interpretada pelo sector como sinal de reforço da confiança do mercado na instituição.
Apesar da melhoria dos resultados, o Banco manteve uma postura conservadora na concessão de crédito, seguindo uma estratégia de maior selectividade e saneamento da carteira. O crédito líquido a Clientes situou-se em MZN 15.808,6 milhões, reflectindo ainda os efeitos das medidas de reestruturação adoptadas em 2025. Ainda assim, a instituição concedeu MZN 529,2 milhões em novos financiamentos durante o trimestre, mantendo o compromisso de apoio à economia nacional.
Os indicadores de qualidade dos activos apresentaram uma das evoluções mais expressivas do período. O rácio de crédito em incumprimento (NPL EBA) caiu de 14,03% no primeiro trimestre de 2025 para apenas 3,88% em igual período de 2026, sinalizando uma melhoria substancial do perfil de risco da carteira de crédito do Banco.
No campo prudencial, os principais rácios mantiveram-se acima das exigências regulamentares impostas pelo Banco Central. O rácio de solvabilidade fixou-se em 14,82%, enquanto o rácio de liquidez alcançou 52,33%, indicadores que reforçam a robustez financeira e a capacidade de absorção de choques da instituição.
A transformação digital também continuou a ganhar peso na estratégia operacional do Banco. Os canais electrónicos registaram crescimentos relevantes, com destaque para o Internet Banking (+35,4%), POS (+34,7%) e serviços USSD (+9,1%), evidenciando o impacto dos investimentos realizados na modernização tecnológica e melhoria da experiência do Cliente.
Para o Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco, Manuel Soares, os resultados demonstram que o processo de reestruturação começou finalmente a produzir efeitos concretos:
“Os resultados deste trimestre demonstram que o processo de reforço estrutural realizado em 2025 começou a traduzir-se em ganhos concretos para o Banco. Hoje, o Moza apresenta indicadores mais sólidos, maior capacidade de geração operacional e uma base mais robusta para sustentar crescimento e confiança no longo prazo.”
Analistas do sector financeiro consideram que os resultados agora apresentados poderão representar um ponto de viragem para o Moza Banco, sobretudo depois dos desafios enfrentados nos últimos anos no sistema financeiro moçambicano. A manutenção desta trajectória dependerá, no entanto, da capacidade do Banco em consolidar os ganhos operacionais, expandir o crédito de forma sustentável e preservar os actuais níveis de solvabilidade e liquidez num contexto económico ainda marcado por incertezas internas e externas.




Governo desmente rumores sobre “desaparecimento de órgãos genitais” e apela ao combate à desinformação

Presidente Daniel Chapo afirma que não existe qualquer caso comprovado em Moçambique e acusa propagadores de boatos de manipulação social
O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, classificou como falsos e manipuladores os rumores que circulam em diferentes pontos do país sobre alegados casos de desaparecimento ou atrofia de órgãos genitais após simples toques nas costas ou cumprimentos entre pessoas.
As declarações foram feitas esta segunda-feira na cidade da Matola, durante a cerimónia de entrega de 190 autocarros inseridos no programa de melhoria do sistema de transporte público de passageiros.
Perante centenas de participantes, o Chefe do Estado afirmou que o Governo investigou os relatos que se espalharam recentemente nas redes sociais e em algumas comunidades, mas não encontrou qualquer vítima real que confirme os supostos acontecimentos.
“Nestes dias inventaram um boato de que, através de um toque nas costas ou de um cumprimento, o sexo desaparece ou atrofia-se. Nós, como Governo, estamos à procura de uma única pessoa, do Rovuma ao Maputo, a quem isso tenha acontecido, e não conseguimos encontrar”, declarou Daniel Chapo.
O Presidente acrescentou que a inexistência de casos comprovados demonstra que as informações partilhadas não passam de mentiras criadas para gerar medo e confusão entre os cidadãos.
“Isso significa que é mentira, boato e não passa de manipulação. Todos nós devemos combater a desinformação que manipula o nosso povo”, enfatizou.
Boatos espalham medo em várias regiões
Nas últimas semanas, relatos sobre alegados “desaparecimentos de órgãos genitais” provocaram inquietação em algumas comunidades moçambicanas, sobretudo através de mensagens difundidas em redes sociais e plataformas de comunicação instantânea.
Os rumores descrevem situações em que indivíduos afirmariam ter perdido temporariamente os órgãos genitais após contacto físico com desconhecidos. Contudo, até ao momento, nenhuma autoridade de saúde, instituição hospitalar ou entidade policial apresentou provas médicas ou registos oficiais que sustentem tais alegações.
Especialistas em saúde e comportamento social consideram este tipo de fenómeno como resultado de histeria colectiva, medo social e propagação de desinformação, frequentemente alimentados por crenças populares e informações sem verificação científica.
Governo reforça apelo à responsabilidade social
Durante a sua intervenção, Daniel Chapo apelou aos cidadãos para evitarem a disseminação de conteúdos falsos, alertando que rumores podem criar pânico, violência e desconfiança nas comunidades.
O estadista defendeu maior responsabilidade no uso das redes sociais e pediu colaboração da sociedade na denúncia de informações falsas que possam ameaçar a estabilidade social.
Analistas entendem que o pronunciamento do Chefe do Estado procura travar a crescente onda de desinformação no país, numa altura em que rumores sem confirmação têm ganho rápida circulação digital.
Entrega de autocarros marcou agenda presidencial
As declarações do Presidente ocorreram à margem da entrega de 190 autocarros destinados ao reforço do transporte público de passageiros, uma iniciativa enquadrada no programa governamental de melhoria da mobilidade urbana.
O projecto visa reduzir dificuldades de transporte enfrentadas diariamente pela população, sobretudo nas áreas metropolitanas, através do aumento da capacidade operacional do sistema público.
A cerimónia realizada na Matola reuniu membros do Governo, operadores de transporte e representantes da sociedade civil.




Daniel Chapo reforça diplomacia económica de Moçambique na Cimeira França-África em Nairobi

O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, participa entre os dias 11 e 12 de Maio, em Nairobi, na Cimeira França-África “Africa Forward”, um fórum internacional que reúne líderes africanos, investidores e parceiros estratégicos com o objectivo de consolidar novas alianças económicas entre África e França.
A deslocação do Chefe do Estado moçambicano ocorre num contexto em que Moçambique procura reforçar a sua posição diplomática e económica no cenário internacional, atraindo investimento estrangeiro para sectores considerados estratégicos, incluindo energia, agricultura, infra-estruturas, tecnologia e desenvolvimento sustentável.
Segundo informações oficiais, o encontro “Africa Forward” dedica-se particularmente à promoção da inovação, do empreendedorismo juvenil e da cooperação económica sustentável entre os países africanos e a França, numa altura em que o continente enfrenta desafios relacionados com o crescimento económico, emprego juvenil e transformação industrial.
A participação de Daniel Chapo decorre a convite do Presidente francês, Emmanuel Macron, e do Presidente queniano, William Ruto, anfitrião do encontro internacional.
Fontes diplomáticas indicam que a presença do estadista moçambicano poderá igualmente servir para intensificar contactos bilaterais com parceiros internacionais interessados em expandir investimentos no mercado moçambicano, sobretudo num período marcado pela recuperação económica regional e pela crescente competição geopolítica no continente africano.
Analistas políticos consideram que a participação de Moçambique nesta cimeira representa também uma oportunidade estratégica para o país consolidar relações com parceiros europeus e africanos, num momento em que várias economias procuram redefinir os seus mecanismos de cooperação face aos desafios globais relacionados com segurança alimentar, alterações climáticas e transição energética.
Além dos Chefes de Estado e de Governo africanos, a cimeira reúne organizações regionais, instituições financeiras internacionais, empresários e representantes do sector privado, sendo apontada como uma das principais plataformas de diálogo económico entre África e parceiros europeus.
Espera-se que, durante a sua estadia em Nairobi, o Presidente Daniel Chapo mantenha encontros paralelos com líderes políticos e investidores, visando fortalecer a cooperação económica e ampliar oportunidades de financiamento para projectos de desenvolvimento em Moçambique.