MIREME Revoga Licença do “Cartel” TegaFil, Apontada como Rede de Contrabando de Combustíveis na Matola

MIREME Revoga Licença da TegaFil Combustíveis por Violação Grave das Normas do Mercado Petrolífero.Abastecimento ilegal de camião cisterna em posto de retalho levou à suspensão imediata das actividades da empresa na Matola

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), através da Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC), anunciou oficialmente a revogação da licença de comercialização de combustível a retalho da empresa TegaFil Combustíveis, Lda, responsável pela exploração de um posto de abastecimento localizado no bairro Tchumene II, no Município da Matola.
A decisão surge na sequência de uma alegada violação grave da legislação que regula o sector petrolífero nacional, após ter sido detectada uma operação considerada ilegal de abastecimento de combustíveis líquidos directamente para um camião cisterna — prática proibida para operadores licenciados exclusivamente para actividades de retalho.
Denúncia pública desencadeou investigação
Segundo informações avançadas pelo MIREME, a infracção foi constatada no dia 06 de Maio de 2026, na sequência de uma denúncia pública que levou as autoridades competentes a realizarem diligências de verificação.
De acordo com a entidade governamental, o posto de abastecimento terá efectuado o carregamento de combustíveis directamente para um veículo cisterna destinado ao transporte e redistribuição de produtos petrolíferos, actividade que, nos termos da legislação moçambicana, está reservada a operadores devidamente licenciados para distribuição.
Em comunicado oficial, o Ministério esclarece que:
“O abastecimento directo de veículos cisterna destinados ao transporte e redistribuição de combustíveis configura actividade típica de distribuição, sujeita a licenciamento autónomo e requisitos específicos previstos na lei.”
Violação considerada ameaça à segurança e controlo do mercado
O MIREME considera que a actuação da empresa representa uma violação séria das condições materiais da licença emitida ao posto de abastecimento, comprometendo não apenas a disciplina do mercado petrolífero, mas também os mecanismos de segurança, rastreabilidade e controlo dos combustíveis comercializados no país.
As autoridades alertam que práticas desta natureza podem facilitar esquemas paralelos de comercialização, evasão aos mecanismos fiscais e dificuldades no controlo da cadeia de distribuição de combustíveis.
No comunicado, o Ministério sublinha que:
“Esta conduta compromete os princípios de organização, segurança, disciplina do mercado petrolífero nacional, bem como os mecanismos de controlo e rastreabilidade dos produtos petrolíferos.”
DNHC determina encerramento imediato das actividades
Com base no artigo 24 do Decreto n.º 89/2019, de 18 de Novembro, instrumento legal que regula o exercício da actividade de comercialização de produtos petrolíferos em Moçambique, a Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis deliberou revogar a licença atribuída à TegaFil Combustíveis, Lda.
A medida implica a cessação imediata de todas as actividades de comercialização de combustíveis realizadas ao abrigo da licença agora anulada.
Fontes ligadas ao sector entendem que a decisão representa um sinal claro de endurecimento da fiscalização por parte das autoridades governamentais, numa altura em que crescem preocupações relacionadas com práticas irregulares na cadeia de abastecimento de combustíveis.
Especialistas defendem maior fiscalização
Analistas do sector energético consideram que casos desta natureza evidenciam fragilidades persistentes na fiscalização do mercado nacional de combustíveis, sobretudo em zonas urbanas de grande circulação logística, como a Matola.
Para especialistas, o abastecimento irregular de camiões cisterna através de postos licenciados apenas para retalho pode criar distorções comerciais e abrir espaço para circuitos informais de redistribuição de combustíveis.
Defendem, por isso, o reforço da monitoria operacional, da digitalização dos sistemas de controlo e da responsabilização rigorosa dos operadores infractores.
MIREME promete tolerância zero
O Ministério dos Recursos Minerais e Energia reafirmou o seu compromisso com a integridade e transparência do mercado nacional de combustíveis, garantindo que continuará a intensificar as acções de fiscalização em todo o país.
Na nota oficial, a instituição assegura que irá manter uma postura de “tolerância zero” face a práticas que violem a legislação em vigor.
“O Ministério reafirma o seu compromisso com o reforço da fiscalização, o cumprimento rigoroso da legislação e a salvaguarda da integridade, segurança e transparência do mercado nacional de combustíveis.”
A revogação da licença da TegaFil Combustíveis surge como um dos casos mais mediáticos recentes envolvendo infracções no sector petrolífero moçambicano, podendo abrir espaço para novas investigações sobre possíveis redes paralelas de distribuição de combustíveis no país.




Edil da Matola lança processo simplificado de licenciamento para transportadores em situação irregular

O presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, anunciou o lançamento de uma campanha de licenciamento massivo simplificado destinada aos transportadores semi-colectivos que operam na cidade da Matola, medida que visa facilitar o acesso às compensações financeiras atribuídas pelo Estado ao sector dos transportes públicos.
O anúncio foi feito no Estádio da Independência Nacional, durante a cerimónia oficial de entrega de 190 novos autocarros de passageiros destinados à população da região do Grande Maputo. O acto foi testemunhado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, membros do Governo, dirigentes municipais e representantes do sector dos transportes.
Na ocasião, Parruque afirmou que o município continuará empenhado na procura de soluções para estabilizar e controlar as tarifas praticadas pelos operadores privados, considerados parceiros estratégicos no sistema de mobilidade urbana da Matola e da região metropolitana.
“A nível local, iniciamos a campanha de licenciamento massivo simplificado para acesso às compensações”, declarou o edil.
Reforço da frota pública aumenta capacidade operacional
Durante a intervenção, o presidente do município destacou que a Empresa Municipal de Transporte Público de Passageiros da Matola registará um crescimento significativo da sua capacidade operacional com a integração dos novos meios circulantes.
Segundo explicou, a frota municipal passará de 57 para 107 autocarros, representando um aumento de aproximadamente 88%, factor que deverá contribuir para a melhoria da oferta de transporte público e redução da pressão actualmente registada nas principais rotas urbanas e suburbanas.
As autoridades municipais estimam igualmente a duplicação do número de passageiros transportados diariamente, alcançando cerca de quatro mil utentes por dia.
Outra medida anunciada refere-se ao alargamento do horário operacional dos transportes públicos municipais, que passarão a circular das 5h00 até à meia-noite, substituindo o actual limite de funcionamento fixado às 22h00.
Novas rotas e reabertura de linhas históricas
O reforço da frota permitirá igualmente a abertura de novas rotas e a reactivação de linhas anteriormente suspensas, consideradas essenciais para responder ao crescimento populacional e à expansão urbana da região metropolitana.
Entre as novas rotas anunciadas destacam-se:
Mukatine via Ngolhoza – Cidade da Matola, com extensão de 49,8 quilómetros;
Sidwava – Cidade da Matola, via nova estrada, numa extensão de 27 quilómetros.
Já entre as linhas reabertas constam:
Ima – Baixa, via 700;
Mulotana – Baixa;
Zimpeto – Boane;
Khongolote – Hospital Provincial, via T3;
Matutuíne – Cidade da Matola;
Estádio da Independência (Acordos de Lusaka) – Baixa.
Município defende descentralização dos investimentos
No seu discurso, Júlio Parruque agradeceu ao Governo de Moçambique pela decisão de alocar autocarros directamente aos municípios, sublinhando que a medida representa um importante avanço no processo de descentralização administrativa e financeira.
Segundo o edil, investir nos municípios corresponde a investir directamente na melhoria das condições de vida da população.
“Investir no município é investir no povo moçambicano”, afirmou.
Parruque recordou ainda que a região metropolitana do Maputo possui actualmente mais de 3,2 milhões de habitantes, número correspondente a cerca de 10% da população nacional concentrada nas autarquias da região.
BRT poderá transformar mobilidade urbana
O presidente do município aproveitou igualmente a ocasião para agradecer ao Governo de Moçambique, ao Ministério dos Transportes e Logística e aos parceiros de cooperação pelo apoio na implementação de soluções estruturantes para o sector da mobilidade urbana.
Entre os projectos mencionados destaca-se o futuro sistema de Bus Rapid Transit (BRT), considerado pelas autoridades como uma das principais apostas para melhorar o transporte colectivo na região metropolitana de Maputo.
Segundo Parruque, o sistema terá impacto significativo na circulação urbana, redução do tempo de viagem e melhoria das condições de transporte para milhares de cidadãos que diariamente enfrentam dificuldades de mobilidade.
Desafios persistem apesar das medidas
Apesar do reforço anunciado, persistem preocupações relacionadas com a insuficiência do transporte público, o aumento da procura e as reclamações constantes dos passageiros relativamente às tarifas praticadas por alguns operadores privados.
Analistas do sector consideram, no entanto, que o aumento da frota e a simplificação do processo de licenciamento poderão contribuir para uma maior formalização dos operadores, melhor fiscalização e expansão gradual do acesso ao transporte público na região metropolitana.
A iniciativa surge num contexto em que as autoridades procuram responder à crescente pressão populacional e aos desafios de mobilidade que afectam diariamente milhares de residentes da Matola, Maputo e zonas periféricas.




Moza Banco Regressa aos Lucros e Sinaliza Nova Fase de Recuperação Financeira

Banco regista lucro de MZN 217,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, reduz drasticamente o crédito malparado e reforça indicadores de solvabilidade
O Moza Banco iniciou o exercício de 2026 com sinais claros de recuperação operacional e fortalecimento financeiro, ao anunciar um resultado líquido positivo de MZN 217,5 milhões no primeiro trimestre do ano. O desempenho representa um marco relevante para a instituição bancária, após um período de reestruturação interna e implementação de medidas de saneamento financeiro ao longo de 2025.
Segundo os dados financeiros divulgados pelo Banco, os resultados reflectem a consolidação de uma estratégia centrada no reforço prudencial, optimização do balanço e melhoria da capacidade operacional, factores que permitiram ao Moza entrar numa nova etapa de crescimento considerada mais sustentável, prudente e resiliente.
O crescimento do Produto Bancário foi um dos principais motores da recuperação. No primeiro trimestre de 2026, o indicador atingiu MZN 1.239,3 milhões, correspondendo a um aumento de 16,6% em comparação com o mesmo período de 2025. Este desempenho foi impulsionado pela evolução positiva das operações cambiais, aumento das comissões líquidas, recuperação de créditos anteriormente registados como perdas (“write-off”) e melhoria dos demais proveitos financeiros.
Ao mesmo tempo, o Banco conseguiu melhorar significativamente os seus níveis de eficiência operacional. O rácio cost-to-income reduziu-se de 78,42% para 65,67%, demonstrando uma combinação entre crescimento das receitas e maior controlo sobre os custos operacionais.
Outro indicador considerado estratégico foi o crescimento da base de Clientes. Durante o trimestre, o Moza Banco registou a entrada de 9.565 novos Clientes, elevando o crescimento acumulado para cerca de 41 mil novos Clientes em termos homólogos. Paralelamente, os depósitos e recursos de Clientes aumentaram para MZN 56.861,3 milhões, representando um crescimento de MZN 7.852,9 milhões, numa evolução interpretada pelo sector como sinal de reforço da confiança do mercado na instituição.
Apesar da melhoria dos resultados, o Banco manteve uma postura conservadora na concessão de crédito, seguindo uma estratégia de maior selectividade e saneamento da carteira. O crédito líquido a Clientes situou-se em MZN 15.808,6 milhões, reflectindo ainda os efeitos das medidas de reestruturação adoptadas em 2025. Ainda assim, a instituição concedeu MZN 529,2 milhões em novos financiamentos durante o trimestre, mantendo o compromisso de apoio à economia nacional.
Os indicadores de qualidade dos activos apresentaram uma das evoluções mais expressivas do período. O rácio de crédito em incumprimento (NPL EBA) caiu de 14,03% no primeiro trimestre de 2025 para apenas 3,88% em igual período de 2026, sinalizando uma melhoria substancial do perfil de risco da carteira de crédito do Banco.
No campo prudencial, os principais rácios mantiveram-se acima das exigências regulamentares impostas pelo Banco Central. O rácio de solvabilidade fixou-se em 14,82%, enquanto o rácio de liquidez alcançou 52,33%, indicadores que reforçam a robustez financeira e a capacidade de absorção de choques da instituição.
A transformação digital também continuou a ganhar peso na estratégia operacional do Banco. Os canais electrónicos registaram crescimentos relevantes, com destaque para o Internet Banking (+35,4%), POS (+34,7%) e serviços USSD (+9,1%), evidenciando o impacto dos investimentos realizados na modernização tecnológica e melhoria da experiência do Cliente.
Para o Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco, Manuel Soares, os resultados demonstram que o processo de reestruturação começou finalmente a produzir efeitos concretos:
“Os resultados deste trimestre demonstram que o processo de reforço estrutural realizado em 2025 começou a traduzir-se em ganhos concretos para o Banco. Hoje, o Moza apresenta indicadores mais sólidos, maior capacidade de geração operacional e uma base mais robusta para sustentar crescimento e confiança no longo prazo.”
Analistas do sector financeiro consideram que os resultados agora apresentados poderão representar um ponto de viragem para o Moza Banco, sobretudo depois dos desafios enfrentados nos últimos anos no sistema financeiro moçambicano. A manutenção desta trajectória dependerá, no entanto, da capacidade do Banco em consolidar os ganhos operacionais, expandir o crédito de forma sustentável e preservar os actuais níveis de solvabilidade e liquidez num contexto económico ainda marcado por incertezas internas e externas.




Governo desmente rumores sobre “desaparecimento de órgãos genitais” e apela ao combate à desinformação

Presidente Daniel Chapo afirma que não existe qualquer caso comprovado em Moçambique e acusa propagadores de boatos de manipulação social
O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, classificou como falsos e manipuladores os rumores que circulam em diferentes pontos do país sobre alegados casos de desaparecimento ou atrofia de órgãos genitais após simples toques nas costas ou cumprimentos entre pessoas.
As declarações foram feitas esta segunda-feira na cidade da Matola, durante a cerimónia de entrega de 190 autocarros inseridos no programa de melhoria do sistema de transporte público de passageiros.
Perante centenas de participantes, o Chefe do Estado afirmou que o Governo investigou os relatos que se espalharam recentemente nas redes sociais e em algumas comunidades, mas não encontrou qualquer vítima real que confirme os supostos acontecimentos.
“Nestes dias inventaram um boato de que, através de um toque nas costas ou de um cumprimento, o sexo desaparece ou atrofia-se. Nós, como Governo, estamos à procura de uma única pessoa, do Rovuma ao Maputo, a quem isso tenha acontecido, e não conseguimos encontrar”, declarou Daniel Chapo.
O Presidente acrescentou que a inexistência de casos comprovados demonstra que as informações partilhadas não passam de mentiras criadas para gerar medo e confusão entre os cidadãos.
“Isso significa que é mentira, boato e não passa de manipulação. Todos nós devemos combater a desinformação que manipula o nosso povo”, enfatizou.
Boatos espalham medo em várias regiões
Nas últimas semanas, relatos sobre alegados “desaparecimentos de órgãos genitais” provocaram inquietação em algumas comunidades moçambicanas, sobretudo através de mensagens difundidas em redes sociais e plataformas de comunicação instantânea.
Os rumores descrevem situações em que indivíduos afirmariam ter perdido temporariamente os órgãos genitais após contacto físico com desconhecidos. Contudo, até ao momento, nenhuma autoridade de saúde, instituição hospitalar ou entidade policial apresentou provas médicas ou registos oficiais que sustentem tais alegações.
Especialistas em saúde e comportamento social consideram este tipo de fenómeno como resultado de histeria colectiva, medo social e propagação de desinformação, frequentemente alimentados por crenças populares e informações sem verificação científica.
Governo reforça apelo à responsabilidade social
Durante a sua intervenção, Daniel Chapo apelou aos cidadãos para evitarem a disseminação de conteúdos falsos, alertando que rumores podem criar pânico, violência e desconfiança nas comunidades.
O estadista defendeu maior responsabilidade no uso das redes sociais e pediu colaboração da sociedade na denúncia de informações falsas que possam ameaçar a estabilidade social.
Analistas entendem que o pronunciamento do Chefe do Estado procura travar a crescente onda de desinformação no país, numa altura em que rumores sem confirmação têm ganho rápida circulação digital.
Entrega de autocarros marcou agenda presidencial
As declarações do Presidente ocorreram à margem da entrega de 190 autocarros destinados ao reforço do transporte público de passageiros, uma iniciativa enquadrada no programa governamental de melhoria da mobilidade urbana.
O projecto visa reduzir dificuldades de transporte enfrentadas diariamente pela população, sobretudo nas áreas metropolitanas, através do aumento da capacidade operacional do sistema público.
A cerimónia realizada na Matola reuniu membros do Governo, operadores de transporte e representantes da sociedade civil.




Daniel Chapo reforça diplomacia económica de Moçambique na Cimeira França-África em Nairobi

O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, participa entre os dias 11 e 12 de Maio, em Nairobi, na Cimeira França-África “Africa Forward”, um fórum internacional que reúne líderes africanos, investidores e parceiros estratégicos com o objectivo de consolidar novas alianças económicas entre África e França.
A deslocação do Chefe do Estado moçambicano ocorre num contexto em que Moçambique procura reforçar a sua posição diplomática e económica no cenário internacional, atraindo investimento estrangeiro para sectores considerados estratégicos, incluindo energia, agricultura, infra-estruturas, tecnologia e desenvolvimento sustentável.
Segundo informações oficiais, o encontro “Africa Forward” dedica-se particularmente à promoção da inovação, do empreendedorismo juvenil e da cooperação económica sustentável entre os países africanos e a França, numa altura em que o continente enfrenta desafios relacionados com o crescimento económico, emprego juvenil e transformação industrial.
A participação de Daniel Chapo decorre a convite do Presidente francês, Emmanuel Macron, e do Presidente queniano, William Ruto, anfitrião do encontro internacional.
Fontes diplomáticas indicam que a presença do estadista moçambicano poderá igualmente servir para intensificar contactos bilaterais com parceiros internacionais interessados em expandir investimentos no mercado moçambicano, sobretudo num período marcado pela recuperação económica regional e pela crescente competição geopolítica no continente africano.
Analistas políticos consideram que a participação de Moçambique nesta cimeira representa também uma oportunidade estratégica para o país consolidar relações com parceiros europeus e africanos, num momento em que várias economias procuram redefinir os seus mecanismos de cooperação face aos desafios globais relacionados com segurança alimentar, alterações climáticas e transição energética.
Além dos Chefes de Estado e de Governo africanos, a cimeira reúne organizações regionais, instituições financeiras internacionais, empresários e representantes do sector privado, sendo apontada como uma das principais plataformas de diálogo económico entre África e parceiros europeus.
Espera-se que, durante a sua estadia em Nairobi, o Presidente Daniel Chapo mantenha encontros paralelos com líderes políticos e investidores, visando fortalecer a cooperação económica e ampliar oportunidades de financiamento para projectos de desenvolvimento em Moçambique.




Matola em Alerta: Parruque trava especulação no mercado do gás perante chegada de 190 autocarros movidos a gás

Edil da Matola adverte contra “nhonguistas” e promete vigilância apertada para evitar subida artificial de preços
O presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, lançou um forte aviso contra possíveis esquemas de especulação no mercado do gás natural, numa altura em que o Governo moçambicano se prepara para introduzir 190 autocarros movidos a gás na região metropolitana de Maputo, como parte das medidas destinadas a reduzir a crescente crise de transporte público.
Durante uma intervenção pública marcada por um tom firme e crítico, Parruque manifestou preocupação com indivíduos e grupos que possam aproveitar-se da nova procura por gás natural para inflacionar preços e criar dificuldades artificiais no mercado. O edil recorreu ao termo popular “nhonguistas” para descrever aqueles que, segundo afirmou, tentam enriquecer à custa das dificuldades da população.
“Há pessoas que, quando percebem que o Estado está a investir numa determinada área, imediatamente pensam em formas de explorar o povo. Não vamos permitir que os nhonguistas transformem o gás num produto de luxo”, advertiu Parruque.
A introdução dos 190 autocarros movidos a gás surge como uma das principais apostas governamentais para aliviar a pressão sobre o sistema de transporte público na Grande Maputo, onde milhares de passageiros enfrentam diariamente longas filas, superlotação e escassez de meios de transporte.
Segundo fontes governamentais, a iniciativa visa não apenas melhorar a mobilidade urbana, mas também reduzir os custos operacionais do sector dos transportes e promover o uso de energias consideradas mais limpas e sustentáveis.
No entanto, a expectativa de aumento da procura por gás natural já começa a gerar receios entre consumidores e operadores económicos, sobretudo devido ao histórico de especulação de preços em períodos de maior procura de combustíveis e produtos essenciais.
Parruque garantiu que as autoridades municipais, em coordenação com instituições reguladoras e forças de fiscalização, irão monitorar atentamente o comportamento do mercado para impedir aumentos injustificados.
“O gás não pode tornar-se inacessível por causa da ganância de alguns. O benefício desta medida deve chegar ao cidadão comum, e não apenas aos bolsos dos especuladores”, declarou.
Analistas ouvidos por diferentes sectores da sociedade consideram que a entrada dos autocarros movidos a gás poderá representar uma transformação importante na mobilidade urbana da região metropolitana, mas alertam que o sucesso da medida dependerá da estabilidade dos preços e da capacidade do Estado em regular o mercado.
A crise de transporte em Maputo e Matola tem sido uma das principais preocupações da população nos últimos anos, agravada pelo crescimento acelerado urbano, insuficiência da frota pública e aumento constante do custo dos combustíveis.
Com a chegada dos novos autocarros, o Governo espera reduzir o tempo de espera nas paragens, melhorar a circulação de passageiros e criar uma alternativa energeticamente mais económica. Entretanto, a advertência deixada por Júlio Parruque revela que as autoridades já antecipam possíveis tentativas de manipulação do mercado.
“Desenvolvimento não pode ser sinónimo de sofrimento para o povo. Quem tentar especular será responsabilizado”, concluiu o edil.




Transportadores da rota Costa do Sol–Baixa paralisam actividades em Maputo em protesto contra subida dos combustíveis

A contestação surge numa altura em que o Governo moçambicano, em coordenação com a Federação Moçambicana das Associações dos Transportes Rodoviários (FEMATRO), anunciou um mecanismo de apoio financeiro destinado aos operadores de transporte semi-colectivo de passageiros.
Segundo fontes ligadas ao sector, o acordo entre o Governo e a FEMATRO prevê a atribuição de um subsídio no valor de 35 mil meticais por transportador, medida que visa minimizar o impacto da subida dos combustíveis e evitar o agravamento da crise no transporte público urbano.
Entretanto, alguns transportadores consideram que o valor do subsídio é insuficiente para responder às despesas reais enfrentadas pelo sector, defendendo a necessidade de uma revisão urgente das políticas de compensação.
“O subsídio ajuda, mas não resolve o problema. Precisamos de medidas mais concretas para manter os carros a circular e garantir transporte à população”, afirmou outro operador ouvido no local.




Banco Mundial avalia avanço das obras rodoviárias financiadas na Zambézia

Uma missão técnica do Banco Mundial encontra-se em missão de trabalho na província da Zambézia para acompanhar e avaliar o ritmo de execução das obras financiadas no sector de estradas em Moçambique, anunciou a Administração Nacional de Estradas (ANE).
A delegação, acompanhada pelo Director-Geral Adjunto da ANE, Miguel Coanai, bem como por uma equipa técnica especializada, realizou uma visita de monitoria às obras do Pacote 7 do Projecto Integrado de Desenvolvimento de Estradas Terciárias (IFRDP), localizado em Morrire, no Posto Administrativo de Chire, distrito de Morrumbala.
Durante a deslocação, a missão inspecionou igualmente a ponte sobre o Rio Lualua, situada na vila sede de Derre, uma infra-estrutura considerada estratégica para melhorar a mobilidade de pessoas e bens naquela região da província.
Segundo informações avançadas pela ANE, a visita enquadra-se nas acções de acompanhamento técnico e fiscalização dos projectos financiados pelo Banco Mundial, visando garantir a qualidade das obras e o cumprimento dos prazos estabelecidos.
“O acompanhamento directo das infra-estruturas permite avaliar o impacto dos investimentos na melhoria da circulação rodoviária e no desenvolvimento económico das comunidades rurais”, refere uma nota divulgada pela ANE.
A missão terminou com uma visita de cortesia à administradora distrital, num gesto considerado de reforço da cooperação institucional entre as autoridades locais, o Governo e os parceiros de desenvolvimento.
Lançado em Dezembro de 2018, o Projecto Integrado de Desenvolvimento de Estradas Terciárias (IFRDP) tem como principal objectivo melhorar a acessibilidade rodoviária em zonas rurais com elevado potencial agrícola e pesqueiro.
Na província da Zambézia, o programa abrange os distritos de Lugela, Maganja da Costa, Mocubela, Pebane, Morrumbala e Luabo, onde se espera que as obras contribuam para facilitar o escoamento da produção agrícola, impulsionar o comércio local e melhorar as condições de vida das populações.




Edil de Marracuene responde a Adriano Nuvunga sobre críticas ao serviço da LAM

O presidente do município de Marracuene, Shafee Sidat, reagiu às críticas feitas pelo director executivo do Centro para Democracia e Desenvolvimento, Adriano Nuvunga, após este ter publicado um vídeo nas redes sociais reclamando do serviço prestado pelas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).
No vídeo, gravado durante um voo da companhia de bandeira nacional que fazia a rota Johannesburg–Maputo, Adriano Nuvunga mostrou-se insatisfeito com o facto de terem sido servidas apenas bolachas aos passageiros, considerando insuficiente o atendimento alimentar durante a viagem.
Em resposta, Shafee Sidat utilizou as suas páginas nas redes sociais para relativizar as críticas, afirmando que a prática não acontece apenas na LAM, mas também em várias companhias aéreas internacionais, sobretudo em voos de curta duração.
“Viajei de Roma para Lisboa, num voo de cerca de três horas, e não deram nada para comer. Durante o voo vendiam chips, bolachas e bebidas; grátis, apenas água. O mesmo aconteceu no trajecto Lisboa–Barcelona, com aproximadamente duas horas, e também entre Brasília e São Paulo, igualmente com cerca de duas horas. São apenas alguns exemplos”, escreveu Sidat.
O edil acrescentou ainda que, em muitos voos europeus, os serviços de refeição deixaram de ser gratuitos, mesmo em companhias consideradas de referência internacional.
“Na Europa não há praticamente nada incluído. O voo Johannesburg–Maputo dura cerca de 40 minutos, e atenção: os preços lá também não são baratos”, concluiu.
O debate surge numa altura em que a LAM continua sob forte escrutínio público devido à qualidade dos serviços prestados, atrasos frequentes e reclamações dos passageiros, num contexto de desafios financeiros e operacionais enfrentados pela transportadora aérea nacional.




Coordenador Político do ANAMOLA Baleado em Chimoio

Venâncio Mondlane denuncia ataque e exige investigação urgente
O clima político voltou a ficar tenso na província de Manica após o anúncio do alegado baleamento de Anselmo, identificado como Coordenador Político do ANAMOLA na cidade de Chimoio. A informação foi divulgada publicamente por Venâncio Mondlane, presidente do movimento ANAMOLA, através da sua página oficial no Facebook.
Segundo a publicação feita por Mondlane, o responsável político teria sido alvo de um ataque armado nas últimas horas, num episódio que volta a levantar preocupações sobre a segurança de membros e apoiantes ligados à oposição política em Moçambique. Até ao momento, não foram revelados detalhes oficiais sobre o estado clínico da vítima, as circunstâncias exactas do atentado ou a identidade dos autores do disparo.
A denúncia rapidamente gerou reacções entre simpatizantes do movimento e membros da sociedade civil, que pedem esclarecimentos imediatos às autoridades policiais da província de Manica. Nas redes sociais, apoiantes do ANAMOLA classificam o caso como “grave”, exigindo uma investigação transparente e imparcial.
“Acabam de balear o Anselmo, Coordenador Político de Chimoio, na província de Manica”, escreveu Venâncio Mondlane na publicação divulgada online.
Fontes políticas locais afirmam que o incidente ocorre num contexto de crescente tensão política e de sucessivas denúncias de perseguição, intimidação e violência contra figuras associadas a movimentos de oposição. Embora ainda não exista confirmação oficial por parte da Polícia da República de Moçambique (PRM), o caso já está a provocar forte repercussão política e social.
Analistas entendem que episódios desta natureza podem aumentar o ambiente de instabilidade e medo entre activistas políticos, sobretudo em períodos marcados por forte mobilização popular e disputa partidária. Organizações da sociedade civil defendem que qualquer acto de violência política deve ser investigado com rapidez para evitar o agravamento das tensões no país.
Até ao fecho desta reportagem, as autoridades locais ainda não haviam emitido um comunicado oficial sobre o ocorrido. Também não foram divulgadas informações médicas sobre o estado de saúde de Anselmo.
O caso continua em desenvolvimento.