Matola em Alerta: Parruque trava especulação no mercado do gás perante chegada de 190 autocarros movidos a gás

Edil da Matola adverte contra “nhonguistas” e promete vigilância apertada para evitar subida artificial de preços
O presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, lançou um forte aviso contra possíveis esquemas de especulação no mercado do gás natural, numa altura em que o Governo moçambicano se prepara para introduzir 190 autocarros movidos a gás na região metropolitana de Maputo, como parte das medidas destinadas a reduzir a crescente crise de transporte público.
Durante uma intervenção pública marcada por um tom firme e crítico, Parruque manifestou preocupação com indivíduos e grupos que possam aproveitar-se da nova procura por gás natural para inflacionar preços e criar dificuldades artificiais no mercado. O edil recorreu ao termo popular “nhonguistas” para descrever aqueles que, segundo afirmou, tentam enriquecer à custa das dificuldades da população.
“Há pessoas que, quando percebem que o Estado está a investir numa determinada área, imediatamente pensam em formas de explorar o povo. Não vamos permitir que os nhonguistas transformem o gás num produto de luxo”, advertiu Parruque.
A introdução dos 190 autocarros movidos a gás surge como uma das principais apostas governamentais para aliviar a pressão sobre o sistema de transporte público na Grande Maputo, onde milhares de passageiros enfrentam diariamente longas filas, superlotação e escassez de meios de transporte.
Segundo fontes governamentais, a iniciativa visa não apenas melhorar a mobilidade urbana, mas também reduzir os custos operacionais do sector dos transportes e promover o uso de energias consideradas mais limpas e sustentáveis.
No entanto, a expectativa de aumento da procura por gás natural já começa a gerar receios entre consumidores e operadores económicos, sobretudo devido ao histórico de especulação de preços em períodos de maior procura de combustíveis e produtos essenciais.
Parruque garantiu que as autoridades municipais, em coordenação com instituições reguladoras e forças de fiscalização, irão monitorar atentamente o comportamento do mercado para impedir aumentos injustificados.
“O gás não pode tornar-se inacessível por causa da ganância de alguns. O benefício desta medida deve chegar ao cidadão comum, e não apenas aos bolsos dos especuladores”, declarou.
Analistas ouvidos por diferentes sectores da sociedade consideram que a entrada dos autocarros movidos a gás poderá representar uma transformação importante na mobilidade urbana da região metropolitana, mas alertam que o sucesso da medida dependerá da estabilidade dos preços e da capacidade do Estado em regular o mercado.
A crise de transporte em Maputo e Matola tem sido uma das principais preocupações da população nos últimos anos, agravada pelo crescimento acelerado urbano, insuficiência da frota pública e aumento constante do custo dos combustíveis.
Com a chegada dos novos autocarros, o Governo espera reduzir o tempo de espera nas paragens, melhorar a circulação de passageiros e criar uma alternativa energeticamente mais económica. Entretanto, a advertência deixada por Júlio Parruque revela que as autoridades já antecipam possíveis tentativas de manipulação do mercado.
“Desenvolvimento não pode ser sinónimo de sofrimento para o povo. Quem tentar especular será responsabilizado”, concluiu o edil.




Transportadores da rota Costa do Sol–Baixa paralisam actividades em Maputo em protesto contra subida dos combustíveis

A contestação surge numa altura em que o Governo moçambicano, em coordenação com a Federação Moçambicana das Associações dos Transportes Rodoviários (FEMATRO), anunciou um mecanismo de apoio financeiro destinado aos operadores de transporte semi-colectivo de passageiros.
Segundo fontes ligadas ao sector, o acordo entre o Governo e a FEMATRO prevê a atribuição de um subsídio no valor de 35 mil meticais por transportador, medida que visa minimizar o impacto da subida dos combustíveis e evitar o agravamento da crise no transporte público urbano.
Entretanto, alguns transportadores consideram que o valor do subsídio é insuficiente para responder às despesas reais enfrentadas pelo sector, defendendo a necessidade de uma revisão urgente das políticas de compensação.
“O subsídio ajuda, mas não resolve o problema. Precisamos de medidas mais concretas para manter os carros a circular e garantir transporte à população”, afirmou outro operador ouvido no local.




Banco Mundial avalia avanço das obras rodoviárias financiadas na Zambézia

Uma missão técnica do Banco Mundial encontra-se em missão de trabalho na província da Zambézia para acompanhar e avaliar o ritmo de execução das obras financiadas no sector de estradas em Moçambique, anunciou a Administração Nacional de Estradas (ANE).
A delegação, acompanhada pelo Director-Geral Adjunto da ANE, Miguel Coanai, bem como por uma equipa técnica especializada, realizou uma visita de monitoria às obras do Pacote 7 do Projecto Integrado de Desenvolvimento de Estradas Terciárias (IFRDP), localizado em Morrire, no Posto Administrativo de Chire, distrito de Morrumbala.
Durante a deslocação, a missão inspecionou igualmente a ponte sobre o Rio Lualua, situada na vila sede de Derre, uma infra-estrutura considerada estratégica para melhorar a mobilidade de pessoas e bens naquela região da província.
Segundo informações avançadas pela ANE, a visita enquadra-se nas acções de acompanhamento técnico e fiscalização dos projectos financiados pelo Banco Mundial, visando garantir a qualidade das obras e o cumprimento dos prazos estabelecidos.
“O acompanhamento directo das infra-estruturas permite avaliar o impacto dos investimentos na melhoria da circulação rodoviária e no desenvolvimento económico das comunidades rurais”, refere uma nota divulgada pela ANE.
A missão terminou com uma visita de cortesia à administradora distrital, num gesto considerado de reforço da cooperação institucional entre as autoridades locais, o Governo e os parceiros de desenvolvimento.
Lançado em Dezembro de 2018, o Projecto Integrado de Desenvolvimento de Estradas Terciárias (IFRDP) tem como principal objectivo melhorar a acessibilidade rodoviária em zonas rurais com elevado potencial agrícola e pesqueiro.
Na província da Zambézia, o programa abrange os distritos de Lugela, Maganja da Costa, Mocubela, Pebane, Morrumbala e Luabo, onde se espera que as obras contribuam para facilitar o escoamento da produção agrícola, impulsionar o comércio local e melhorar as condições de vida das populações.




Edil de Marracuene responde a Adriano Nuvunga sobre críticas ao serviço da LAM

O presidente do município de Marracuene, Shafee Sidat, reagiu às críticas feitas pelo director executivo do Centro para Democracia e Desenvolvimento, Adriano Nuvunga, após este ter publicado um vídeo nas redes sociais reclamando do serviço prestado pelas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).
No vídeo, gravado durante um voo da companhia de bandeira nacional que fazia a rota Johannesburg–Maputo, Adriano Nuvunga mostrou-se insatisfeito com o facto de terem sido servidas apenas bolachas aos passageiros, considerando insuficiente o atendimento alimentar durante a viagem.
Em resposta, Shafee Sidat utilizou as suas páginas nas redes sociais para relativizar as críticas, afirmando que a prática não acontece apenas na LAM, mas também em várias companhias aéreas internacionais, sobretudo em voos de curta duração.
“Viajei de Roma para Lisboa, num voo de cerca de três horas, e não deram nada para comer. Durante o voo vendiam chips, bolachas e bebidas; grátis, apenas água. O mesmo aconteceu no trajecto Lisboa–Barcelona, com aproximadamente duas horas, e também entre Brasília e São Paulo, igualmente com cerca de duas horas. São apenas alguns exemplos”, escreveu Sidat.
O edil acrescentou ainda que, em muitos voos europeus, os serviços de refeição deixaram de ser gratuitos, mesmo em companhias consideradas de referência internacional.
“Na Europa não há praticamente nada incluído. O voo Johannesburg–Maputo dura cerca de 40 minutos, e atenção: os preços lá também não são baratos”, concluiu.
O debate surge numa altura em que a LAM continua sob forte escrutínio público devido à qualidade dos serviços prestados, atrasos frequentes e reclamações dos passageiros, num contexto de desafios financeiros e operacionais enfrentados pela transportadora aérea nacional.




Coordenador Político do ANAMOLA Baleado em Chimoio

Venâncio Mondlane denuncia ataque e exige investigação urgente
O clima político voltou a ficar tenso na província de Manica após o anúncio do alegado baleamento de Anselmo, identificado como Coordenador Político do ANAMOLA na cidade de Chimoio. A informação foi divulgada publicamente por Venâncio Mondlane, presidente do movimento ANAMOLA, através da sua página oficial no Facebook.
Segundo a publicação feita por Mondlane, o responsável político teria sido alvo de um ataque armado nas últimas horas, num episódio que volta a levantar preocupações sobre a segurança de membros e apoiantes ligados à oposição política em Moçambique. Até ao momento, não foram revelados detalhes oficiais sobre o estado clínico da vítima, as circunstâncias exactas do atentado ou a identidade dos autores do disparo.
A denúncia rapidamente gerou reacções entre simpatizantes do movimento e membros da sociedade civil, que pedem esclarecimentos imediatos às autoridades policiais da província de Manica. Nas redes sociais, apoiantes do ANAMOLA classificam o caso como “grave”, exigindo uma investigação transparente e imparcial.
“Acabam de balear o Anselmo, Coordenador Político de Chimoio, na província de Manica”, escreveu Venâncio Mondlane na publicação divulgada online.
Fontes políticas locais afirmam que o incidente ocorre num contexto de crescente tensão política e de sucessivas denúncias de perseguição, intimidação e violência contra figuras associadas a movimentos de oposição. Embora ainda não exista confirmação oficial por parte da Polícia da República de Moçambique (PRM), o caso já está a provocar forte repercussão política e social.
Analistas entendem que episódios desta natureza podem aumentar o ambiente de instabilidade e medo entre activistas políticos, sobretudo em períodos marcados por forte mobilização popular e disputa partidária. Organizações da sociedade civil defendem que qualquer acto de violência política deve ser investigado com rapidez para evitar o agravamento das tensões no país.
Até ao fecho desta reportagem, as autoridades locais ainda não haviam emitido um comunicado oficial sobre o ocorrido. Também não foram divulgadas informações médicas sobre o estado de saúde de Anselmo.
O caso continua em desenvolvimento.




Noble Mobility lança GAC GS3 Emzoom e aposta em mobilidade acessível para jovens moçambicanos

A empresa moçambicana Noble Mobility apresentou oficialmente o novo modelo automóvel GAC GS3 Emzoom, numa cerimónia marcada pela aposta em inovação, tecnologia e soluções de financiamento direccionadas para os jovens. O evento reuniu parceiros estratégicos, representantes do sector financeiro e convidados ligados à indústria automóvel nacional.
Durante a apresentação, a Gestora da Noble Mobility, Shelzea Alide, destacou que o novo modelo foi concebido para responder às actuais necessidades do mercado moçambicano, combinando eficiência, conectividade e funcionalidades práticas adaptadas aos diferentes perfis de utilizadores.
“Apresentamos hoje ao mercado um automóvel criado com tecnologia avançada e com menos impacto para o meio ambiente”, afirmou Shelzea Alide.
Segundo a responsável, o lançamento do GAC GS3 Emzoom integra a estratégia de crescimento e consolidação da marca no mercado nacional, reforçando o posicionamento da Noble Mobility como uma empresa focada em soluções modernas e acessíveis para a mobilidade urbana.
Shelzea Alide explicou ainda que a empresa pretende democratizar o acesso a viaturas novas, sobretudo para a camada jovem da população, através da criação de pacotes de aquisição mais competitivos.
“A ideia é fazer com que a marca cresça e se estabeleça no mercado e, para isso, criámos pacotes mais competitivos e acessíveis para que os jovens possam adquirir um carro 0 km. Uma viatura nova é muito melhor para o meio ambiente”, acrescentou.
A dirigente revelou igualmente que a visão de longo prazo da empresa passa pelo fortalecimento da indústria automóvel nacional, incluindo a possibilidade de instalação futura de uma unidade de montagem em território moçambicano.
“A marca Noble Mobility é moçambicana, criada para Moçambique e, no futuro, a ideia é termos uma fábrica de montagem cá”, sublinhou.
O evento contou também com intervenções de parceiros envolvidos no processo de introdução do modelo no mercado nacional. O Director-Geral da Noble Unicom, Ivan Nhavotso, destacou a importância das parcerias estratégicas para o fortalecimento do sector automóvel e para a implementação de soluções adaptadas ao contexto moçambicano.
Representando a Metropolitano Microbanco, o Director Comercial, Frederico Chaise, considerou que a iniciativa poderá facilitar o acesso de muitos cidadãos a viaturas modernas e tecnologicamente avançadas.
“Esta iniciativa é bem-vinda para o país, porque permitirá a realização de sonhos por parte dos moçambicanos que desejam obter uma viatura moderna”, afirmou Frederico Chaise.
Mais do que a simples apresentação de um novo veículo, o lançamento serviu igualmente como espaço de networking e partilha entre parceiros, empresários e convidados, num ambiente que evidenciou a crescente aposta do sector automóvel em inovação, sustentabilidade e tecnologia.
O GAC GS3 Emzoom chega ao mercado moçambicano equipado com recursos tecnológicos concebidos para proporcionar maior comodidade, eficiência e conectividade, alinhando-se às tendências globais da indústria automóvel e às exigências práticas dos consumidores nacionais.




Moza Banco reforça solidez financeira em 2025 apesar de prejuízo provocado por medidas extraordinárias

Banco melhora qualidade dos activos, reduz crédito malparado e aposta na transformação digital num contexto económico desafiante
O Moza Banco encerrou o exercício económico de 2025 com sinais claros de reforço da sua estabilidade financeira e melhoria dos indicadores operacionais, mesmo num cenário marcado pela desaceleração da economia nacional. A instituição bancária adoptou uma estratégia considerada prudente e disciplinada, centrada no fortalecimento estrutural do balanço, na gestão do risco e na optimização da carteira de crédito.
Apesar de apresentar um resultado líquido negativo de 3,9 mil milhões de meticais, o banco sustenta que o desempenho operacional permaneceu positivo ao longo do ano, sendo o prejuízo explicado essencialmente por medidas extraordinárias de reforço das imparidades e cobertura de risco.
“2025 foi um ano de decisões responsáveis e estruturantes. Reforçámos de forma significativa a qualidade dos nossos activos e a solidez do balanço, permitindo-nos entrar num novo ciclo com um Banco mais robusto, resiliente e melhor preparado para crescer de forma sustentável”, afirmou Manuel Soares, Presidente do Conselho de Administração do Moza Banco.
Resultado operacional cresce quase 48%
Os dados financeiros revelam um crescimento expressivo do Resultado Bruto de Exploração, que subiu 47,6%, passando de 1.178 milhões de meticais em 2024 para 1.739 milhões de meticais em 2025. O desempenho demonstra, segundo o banco, a capacidade da instituição em continuar a gerar valor operacional de forma consistente, mesmo sob pressão económica.
Ao mesmo tempo, a base de clientes continuou em expansão. O banco registou a entrada de mais de 43 mil novos clientes durante o ano, elevando o total para 305.571 clientes, o equivalente a um crescimento de 16,5% em relação ao período homólogo.
Os depósitos e recursos de clientes também registaram evolução positiva. O volume cresceu em 3,5 mil milhões de meticais, atingindo 53,7 mil milhões de meticais, numa subida de 7,1%, indicador interpretado pelo banco como um sinal de confiança contínua dos clientes na instituição financeira.
Digitalização impulsiona crescimento das transacções
A aposta na transformação digital voltou a assumir um papel central na estratégia do Moza Banco em 2025. O banco reportou um crescimento de 15,6% no número de utilizadores activos dos canais digitais e um aumento de 26,3% no volume de transacções electrónicas.
Este desempenho surge na sequência de investimentos na modernização tecnológica, incluindo o lançamento de uma nova plataforma de Internet e Mobile Banking, destinada a melhorar a experiência do cliente e aumentar a eficiência operacional.
Segundo a instituição, a digitalização continua a ser um dos pilares estratégicos do banco, sustentando a modernização do modelo de negócio e o reforço da proximidade com os clientes.
Crédito malparado cai para menos de 4%
Um dos indicadores mais relevantes apresentados pelo banco refere-se à melhoria significativa da qualidade dos activos. O rácio de crédito em incumprimento (NPL EBA) caiu de 12,50% em 2024 para 3,94% no final de 2025.
A redução resulta de uma estratégia focada no reforço das imparidades, aumento dos níveis de cobertura e redução de exposições consideradas de maior risco.
No âmbito do cumprimento do Aviso n.º 16/BdM/2013 do Banco de Moçambique, o Moza Banco procedeu igualmente à revisão da política de regularização de activos de crédito, adoptando critérios mais conservadores e alinhados com a recuperabilidade efectiva das operações.
A instituição esclarece que esta actualização incidiu sobretudo sobre operações históricas já integralmente provisionadas, sem impacto material na actividade operacional, nos rácios prudenciais, na liquidez ou nos fundos próprios.
Carteira de crédito encolhe, mas banco mantém apoio à economia
A carteira global de crédito sofreu uma redução de 29,4%, resultado de uma política mais selectiva na concessão de financiamento e de uma estratégia deliberada de optimização do balanço.
Ainda assim, o banco assegura que manteve o compromisso com o financiamento da economia nacional, tendo concedido novos créditos no valor de 1.920,6 milhões de meticais destinados a empresas e particulares.
Os indicadores prudenciais permaneceram acima dos mínimos regulamentares definidos pelo Banco de Moçambique. O rácio de solvabilidade fixou-se em 14,46%, enquanto o rácio de liquidez atingiu 47,29%, reforçando a capacidade do banco para absorver eventuais choques financeiros.
Banco aposta em crescimento sustentável
Com os ajustamentos realizados em 2025, o Moza Banco considera estar agora melhor posicionado para iniciar um novo ciclo de crescimento sustentado, baseado em critérios de prudência financeira, disciplina operacional e criação de valor sustentável.
A instituição reafirma ainda o compromisso de continuar a apoiar o desenvolvimento da economia nacional, mantendo uma postura orientada para a estabilidade, confiança dos clientes e fortalecimento da sua posição no sistema financeiro moçambicano.




Executivo anuncia mil milhões de meticais para retoma gradual de promoções na Função Pública

O Governo moçambicano anunciou a disponibilidade de cerca de mil milhões de meticais para financiar a retoma gradual dos actos administrativos de promoção, progressão e mudança de carreira na Função Pública, numa altura em que o país continua a enfrentar desafios macrofiscais significativos.
A informação foi avançada na terça-feira, 5 de Maio, pela Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, durante a Sessão de Perguntas ao Governo, na Assembleia da República de Moçambique.
Segundo a chefe do Executivo, o levantamento realizado pelas autoridades identificou cerca de 180.500 funcionários públicos com requisitos reunidos para beneficiar dos actos administrativos anteriormente suspensos.
“O Governo dispõe de um montante de mil milhões de meticais para assegurar a retoma gradual dos actos administrativos de promoção, progressão e mudança de carreira na Função Pública”, declarou Maria Benvinda Levi.
A governante explicou ainda que a aprovação do Decreto n.º 36/2025, de 28 de Outubro, relativo ao Regulamento do Subsistema de Carreiras e Remunerações, bem como dos respectivos Qualificadores Profissionais, criou as bases legais e administrativas para o reinício do processo.
De acordo com a Primeira-Ministra, a medida enquadra-se na estratégia do Executivo para fortalecer a administração pública e melhorar as condições profissionais dos funcionários do Estado.
“O desenvolvimento do capital humano é um eixo estruturante da transformação social e económica do nosso país”, afirmou.
Levi acrescentou que o Governo considera prioritário garantir acesso à educação de qualidade, com equidade, para todos os moçambicanos, defendendo que a valorização dos profissionais do sector público é essencial para alcançar esse objectivo.
Analistas consideram que a retoma das promoções e progressões poderá aliviar parte do descontentamento registado entre funcionários públicos nos últimos anos, embora persistam dúvidas sobre a sustentabilidade financeira da medida face às limitações orçamentais do Estado.




Henrique Cossa assume liderança do Conselho de Administração do Moza Banco

A recente nomeação do engenheiro Henrique Constantino Pedro Cossa para Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Moza Banco marca uma nova etapa na governação de uma das instituições financeiras mais relevantes do país. A decisão foi tomada durante uma Assembleia Geral Extraordinária dos accionistas, num momento considerado estratégico para a consolidação institucional e crescimento sustentável do banco.
A substituição ocorre num quadro de reorganização interna da liderança, onde o Dr. Manuel Soares, que desde 2025 acumulava as funções de PCA e Presidente da Comissão Executiva (PCE), regressa agora ao exercício exclusivo da liderança executiva. Segundo fontes institucionais, esta separação de funções “reforça os mecanismos de controlo interno e alinhamento estratégico”, prática recomendada em modelos modernos de governação corporativa.
“A nomeação de Henrique Cossa reflecte o compromisso dos accionistas com o reforço da governação e da solidez institucional do Moza Banco”, refere uma deliberação oficial da Assembleia Geral.
Um percurso entre o Estado e o sector empresarial
Henrique Cossa chega à presidência do Conselho de Administração com um percurso profissional de mais de três décadas, marcado por passagens influentes tanto no sector público quanto no empresarial. Engenheiro de formação, construiu carreira em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional, como políticas públicas, recursos naturais e governação institucional.
No aparelho do Estado, destacou-se como Vice-Ministro das Obras Públicas e Habitação, tendo igualmente exercido as funções de Secretário Permanente do mesmo ministério. Posteriormente, integrou o sector de recursos naturais como assessor ministerial, participando na formulação de políticas e iniciativas estruturantes no sector extractivo, considerado um dos pilares da economia moçambicana.
Analistas ouvidos no sector financeiro consideram que esta experiência poderá influenciar positivamente a abordagem estratégica do banco, sobretudo no financiamento de grandes projectos e na articulação com políticas públicas.
“A combinação entre experiência governamental e empresarial pode posicionar o banco de forma mais competitiva em sectores-chave da economia”, observa um especialista em governação financeira que preferiu não ser identificado.
Experiência empresarial e redes de influência
Além da trajectória no sector público, Cossa acumulou funções relevantes em instituições empresariais de referência. Destaca-se a sua passagem pelo Ecobank Moçambique, onde presidiu à Assembleia Geral, e pela ENH/KOGAS, uma joint venture estratégica no sector energético.
Estas experiências reforçam o seu perfil em matérias de supervisão estratégica e governação institucional, competências consideradas essenciais para o cargo que agora assume.
Formação internacional e especialização em desenvolvimento
Do ponto de vista académico, Henrique Cossa possui formação internacional, sendo licenciado em Engenharia de Minas pela Bergakademie Freiberg, na Alemanha, e mestre em Redução da Pobreza e Gestão do Desenvolvimento pela Universidade de Birmingham, no Reino Unido.
Este percurso académico sugere uma visão integrada entre desenvolvimento económico e impacto social, um aspecto cada vez mais valorizado no sector financeiro global.
Mudança estratégica ou continuidade?
Embora a nomeação seja apresentada oficialmente como parte de um processo de continuidade, analistas levantam questões sobre possíveis mudanças estratégicas na orientação do banco. A separação entre funções de supervisão (PCA) e gestão executiva (PCE) pode indicar uma tentativa de alinhamento com melhores práticas internacionais, mas também uma resposta a desafios internos ou externos ainda não totalmente divulgados.
“Estas reconfigurações, embora comuns, geralmente reflectem necessidades específicas de ajustamento institucional”, aponta um consultor do sector bancário.
Reconhecimento à liderança anterior
O Conselho de Administração reconheceu publicamente o papel desempenhado por Manuel Soares durante o período em que acumulou ambas as funções, destacando a sua contribuição para a estabilidade da instituição.
“O banco assegurou estabilidade e continuidade da liderança num momento estratégico”, refere o comunicado oficial.
Perspectivas para o futuro
Com esta nova configuração, o Moza Banco reafirma a sua aposta na excelência operacional, inovação e fortalecimento da sua posição no sistema financeiro moçambicano. A instituição pretende continuar a desempenhar um papel relevante no financiamento da economia e na criação de valor para clientes, parceiros e a sociedade.
No entanto, o verdadeiro impacto da liderança de Henrique Cossa só poderá ser avaliado nos próximos ciclos estratégicos do banco, particularmente num contexto económico ainda marcado por volatilidade e desafios estruturais.




Moçambique reforça abertura ao investimento e aposta em reformas para impulsionar desenvolvimento económico

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que Moçambique está firmemente comprometido com a criação de um ambiente de negócios estável, seguro e atractivo para investidores, sublinhando que o país valoriza parcerias sérias orientadas para o desenvolvimento sustentável e inclusivo.
A declaração foi feita durante a abertura da 12ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique, que decorre na cidade de Maputo. Na ocasião, o Chefe de Estado destacou que o encontro tem como principal objectivo desbloquear recursos estratégicos para impulsionar a industrialização e responder aos desafios do desenvolvimento nacional.
Segundo o Presidente, o momento actual exige ação concreta e foco em resultados:
“Este é tempo de acção. Falar menos e trabalhar mais. Moçambique está preparado para investir, preparado para cooperar e preparado para liderar, em parceria com os seus aliados, uma nova fase de desenvolvimento que conduza à transformação estrutural da nossa economia.”
Daniel Chapo sublinhou ainda que uma das prioridades do país é posicionar o gás natural como um catalisador fundamental para a integração e crescimento económico da região da África Austral. Nesse contexto, destacou o potencial de cooperação com países vizinhos como Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e República Democrática do Congo.
“Estes países poderão beneficiar, reforçando laços de cooperação e promovendo uma prosperidade partilhada para os povos da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Moçambique reafirma, com clareza, o seu compromisso de se afirmar como um dos motores de desenvolvimento da África Austral.”
O Presidente acrescentou que sectores estratégicos como portos, caminhos-de-ferro, energia e logística devem ser estruturados de forma integrada, com vista a posicionar o país como um verdadeiro hub regional ao serviço da SADC e do continente africano.
Por fim, destacou a importância de garantir que os benefícios do crescimento económico sejam sentidos pela população:
“A nossa prioridade é ter acções concretas que assegurem que o povo moçambicano participe activamente nesta transformação, através da criação de empregos, do fortalecimento das pequenas e médias empresas locais e da transferência de conhecimento e competências.”
A intervenção reforça a visão do Governo de transformar os recursos naturais em alavancas de desenvolvimento sustentável, garantindo que os ganhos económicos contribuam directamente para a melhoria das condições de vida da população.