Cabo Verde cresce acima da média, Moçambique avança, mas continua aquém — estrutura económica explica divergência

Turismo, estabilidade macroeconómica e disciplina fiscal impulsionam arquipélago; dependência extractiva e fragilidades institucionais travam aceleração moçambicana



Por Agostinho Muchave (Dados)

Cabo Verde voltou a posicionar-se entre as economias com melhor desempenho recente na África Subsaariana, com taxas de crescimento projectadas entre 4,8% e 5,1%, segundo o mais recente relatório do Banco Mundial. No mesmo período, Moçambique mantém uma trajectória de crescimento positivo, mas mais moderado e estruturalmente desigual, com estimativas situadas entre 4% e 5% em 2025–2026, evidenciando uma divergência que não é conjuntural, mas estrutural.

A leitura comparada dos dados dos últimos 12 meses revela dois modelos económicos distintos: um, baseado em serviços, estabilidade e previsibilidade (Cabo Verde); outro, assente em recursos naturais, com elevada volatilidade e dependência externa (Moçambique).

Cabo Verde: crescimento sustentado, mas vulnerável

O desempenho cabo-verdiano continua ancorado na recuperação robusta do turismo, sector que representa mais de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e que voltou a níveis pré-pandemia. A estabilidade cambial, a disciplina fiscal relativa e a previsibilidade institucional têm sido factores determinantes para restaurar a confiança externa.

Nos últimos 12 meses, o país registou:

  • Crescimento do PIB acima da média regional não extractiva
  • Aumento do rendimento per capita superior a 45% desde 2014
  • Redução da dívida externa em cerca de 9,9 pontos percentuais do PIB
  • Consolidação do sector dos serviços como motor económico

Contudo, a base produtiva permanece estreita. Cabo Verde continua dependente de importações de energia e bens alimentares, além da procura turística internacional. A dívida pública, apesar de algum alívio, mantém-se próxima de 100% do PIB — um nível elevado que limita o espaço fiscal.

Moçambique: crescimento com potencial, mas travado por estrutura frágil

Em contraste, Moçambique apresenta uma economia com maior dimensão e potencial de recursos, mas com menor eficiência estrutural. O crescimento recente tem sido impulsionado sobretudo pelos megaprojectos extractivos, com destaque para o gás natural na bacia do Rovuma.

Dados recentes indicam:

  • Crescimento do PIB entre 4% e 5% (2025–2026)
  • Forte peso do sector extractivo nas exportações
  • Inflação relativamente controlada, mas sensível a choques externos
  • Dívida pública elevada, ainda que em trajectória de reestruturação

Apesar destes indicadores, o crescimento moçambicano não tem sido inclusivo nem suficientemente diversificado. A economia permanece vulnerável a choques externos, desde flutuações nos preços das commodities até instabilidade interna, como o conflito em Cabo Delgado.

A diferença estrutural: instituições vs recursos

A principal diferença entre os dois países não reside na disponibilidade de recursos, mas na qualidade da gestão económica.

Cabo Verde, mesmo sem recursos naturais relevantes, construiu uma economia baseada em:

  • Instituições relativamente estáveis
  • Ambiente de negócios previsível
  • Forte aposta em capital humano
  • Integração nos serviços globais (turismo, transporte, logística)

Moçambique, por sua vez, apresenta:

  • Elevada dependência de recursos naturais
  • Baixa diversificação económica
  • Burocracia e entraves administrativos persistentes
  • Fragilidades institucionais e jurídicas

Em termos práticos, Cabo Verde cresce menos em volume absoluto, mas melhor em qualidade. Moçambique cresce mais em potencial, mas perde eficiência na conversão desse crescimento em desenvolvimento.

Onde Moçambique falha — e o que precisa corrigir

A análise dos dados é clara: Moçambique não precisa reinventar a economia, precisa corrigir distorções básicas. Há pontos críticos que continuam a travar o país:

1. Ambiente de negócios disfuncional

A burocracia excessiva, a morosidade nos licenciamentos e a insegurança jurídica afastam investimento produtivo. Sem reformas administrativas profundas, o sector privado continuará limitado.

2. Dependência excessiva de megaprojectos

O crescimento baseado em gás e mineração não gera emprego suficiente nem dinamiza a economia interna. Falta ligação entre grandes investimentos e o tecido empresarial nacional.

3. Baixa diversificação económica

Agricultura, indústria transformadora e serviços continuam subdesenvolvidos. O país exporta matéria-prima e importa produtos acabados — um modelo clássico de dependência.

4. Défice de capital humano

Sem investimento sério em educação técnica e profissional, Moçambique continuará incapaz de absorver tecnologia e gerar valor interno.

5. Fragilidade institucional

Corrupção, instabilidade regulatória e falta de previsibilidade afastam investidores e encarecem o custo do capital.

Caminho para uma transição económica real

Se pretende alcançar um crescimento robusto e sustentável — e reduzir a dependência externa — Moçambique terá de fazer escolhas claras e, sobretudo, executar reformas estruturais sem hesitação:

  • Reindustrializar a economia, com foco na transformação local de recursos
  • Apostar seriamente na agricultura comercial, com cadeias de valor completas
  • Simplificar radicalmente o ambiente de negócios
  • Reduzir a dependência da ajuda externa, aumentando receitas internas
  • Fortalecer instituições económicas e judiciais
  • Canalizar receitas dos recursos naturais para diversificação económica

Potencial não basta

Cabo Verde prova que é possível crescer com poucos recursos, desde que haja disciplina, estratégia e instituições funcionais. Moçambique, com vastos recursos naturais, continua preso a um modelo económico dependente e pouco eficiente.

A diferença não está no que os países têm — está no que fazem com isso.

Sem reformas estruturais profundas, Moçambique continuará a crescer abaixo do seu potencial. Com elas, pode não apenas acompanhar Cabo Verde, mas ultrapassá-lo em escala e impacto económico na região.

O tempo de decisões adiadas já passou.




Pedro Guiliche afirma que a destruição do Centro Nacional de Medicamentos, após as manifestações eleitorais de 2024 agrava a crise no sector da saúde

A destruição do Centro Nacional de Medicamentos, registada na sequência das manifestações pós-eleitorais de 2024, na cidade de Maputo, agravou significativamente a capacidade do Estado moçambicano de assegurar a prestação de serviços de saúde à população.
As declarações foram feitas esta sexta-feira, durante uma conferência de imprensa realizada na Escola do Partido FRELIMO, pelo porta-voz Pedro Guiliche, no segundo dia da 5.ª sessão ordinária do Comité Central, que decorre na cidade da Matola, província de Maputo.
Segundo o porta-voz, o Governo já desencadeou um processo de importação de diversos medicamentos, cuja chegada está prevista para o próximo mês de maio, como forma de mitigar os efeitos da destruição das infraestruturas.
“Isso significa que o primeiro desafio e pretendemos abrir uma nova página na história é o reconhecimento de que, ao identificarmos os erros, não podemos, de forma alguma, colocar em causa as conquistas do povo moçambicano”, afirmou Pedro Guiliche.
O responsável sublinhou ainda que, embora o direito à manifestação seja legítimo, este não deve resultar na destruição de bens públicos e privados, alertando para as consequências negativas desse tipo de ações para o funcionamento do Estado.
Pedro Guiliche reconheceu também os esforços em curso no sector da saúde, destacando o empenho dos profissionais da área na melhoria do atendimento, com enfoque numa abordagem mais humanizada aos utentes.
Importa referir que a 5.ª sessão ordinária do Comité Central da FRELIMO decorre entre os dias 9 e 12 de abril, na Escola do Partido, localizada na cidade da Matola, província de Maputo.




Chapo quebra o silêncio: “Pagámos 700 milhões ao FMI porque a dignidade do povo não tem preço”

O presidente do partido FRELIMO, Daniel Chapo, afirmou que Moçambique liquidou antecipadamente a totalidade da sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), estimada em cerca de 700 milhões de dólares, justificando a decisão como uma questão de soberania nacional.
“A dignidade do povo moçambicano não tem preço”, declarou Daniel Chapo.
A declaração surge num contexto de questionamentos por parte de empresários e cidadãos, que apontam contradições entre o pagamento da dívida externa e os persistentes problemas financeiros internos, incluindo atrasos salariais e dívidas do Estado com fornecedores.
Esclarecimento público em meio a críticas
Falando esta quinta-feira na Escola Central do partido, no município da Matola, durante a 5ª sessão ordinária do Comité Central da FRELIMO, Chapo procurou dissipar dúvidas sobre a decisão governamental.
O encontro, que decorre de 9 a 12 do corrente mês, reúne 239 membros do Comité Central, além de secretários provinciais, distritais e outros convidados.
Segundo o dirigente, houve interpretações equivocadas sobre os valores pagos e as prioridades do Estado:
“Há um equívoco sobre os motivos do pagamento ao FMI. Trata-se de uma decisão estratégica, que visa proteger a soberania económica do país.”
Apesar disso, fontes ouvidas no meio empresarial consideram que a medida levanta preocupações quanto à gestão das finanças públicas, sobretudo num período em que empresas fornecedoras do Estado enfrentam dificuldades devido a pagamentos em atraso.
Disciplina interna continua a ser desafio
No seu discurso de abertura, Chapo reconheceu também fragilidades internas no partido, destacando a necessidade de reforçar a disciplina partidária.
“A disciplina partidária continua a ser um desafio dentro dos órgãos da FRELIMO.”
O líder político reagiu ainda às críticas externas, reafirmando a resiliência do partido:
“Enquanto outros lutam pelo fim da FRELIMO, o partido mantém-se firme porque é o partido do povo.”
Cabo Delgado e a questão da segurança
Outro ponto central do discurso foi a situação de segurança na província de Cabo Delgado, afetada por insurgência armada.
Chapo reconheceu o sofrimento da população local, mas assegurou que o governo está a reforçar a capacidade militar para combater o terrorismo.
“Estamos a trabalhar na preparação de meios técnicos e militares para combater o terrorismo. Sem paz, nenhum país consegue desenvolver.”
O dirigente reiterou ainda que, além da resposta militar, o partido continuará a apostar no diálogo como estratégia complementar para a estabilização da região.




INSS promove auscultação pública e Vicente Joaquim defende debate aberto e inclusivo

O Secretário de Estado da Cidade de Maputo, Vicente Joaquim, defendeu a necessidade de um processo de auscultação pública mais aberto, inclusivo e participativo no âmbito da revisão do sistema de segurança social obrigatório.
Segundo o dirigente, o processo deve envolver diferentes segmentos da sociedade, incluindo trabalhadores, académicos, organizações da sociedade civil e cidadãos em geral, com vista à construção de um sistema mais justo e eficiente.
“Queremos um processo de auscultação pública aberto e participativo, que una trabalhadores, académicos, organizações da sociedade civil e cidadãos, de modo a recolher ideias e experiências que contribuam para uma segurança social mais justa”, afirmou.
Seminário marca arranque do processo
Vicente Joaquim falava durante a abertura do seminário de auscultação pública sobre a revisão do regulamento da segurança social obrigatória, realizado na Cidade de Maputo.
O evento marca o início de uma série de encontros que decorrerão nos próximos dias, envolvendo entidades públicas e privadas. Para ampliar o alcance da consulta, as autoridades anunciaram o uso de instrumentos digitais, com o objetivo de garantir maior inclusão e participação.
Impacto das inundações e crescimento de contribuintes
Apesar dos impactos negativos provocados pelas recentes inundações na cidade, o governante destacou a resiliência do sistema.
De acordo com dados apresentados, a Cidade de Maputo conta atualmente com cerca de 61.151 empresas inscritas no sistema de segurança social. Mesmo com algumas empresas afetadas pela época chuvosa, foram registados aproximadamente 1702 novos contribuintes durante o período.
“Apesar das adversidades causadas pelas inundações, conseguimos registar um número considerável de novos contribuintes, o que demonstra a importância e a adesão ao sistema”, referiu.
Revisão do quadro legal
O seminário insere-se no processo de revisão do Decreto n.º 51/2017, de outubro, posteriormente alterado e republicado pelo Decreto n.º 56/2024, de julho, que regula a segurança social obrigatória em Moçambique.
Entre os participantes destacam-se organizações representativas dos trabalhadores e do setor privado, nomeadamente a Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM-CS), o Conselho Nacional dos Sindicatos Livres de Moçambique (CONSILMO) e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
Estas entidades são chamadas a contribuir com propostas e recomendações que possam reforçar o sistema de proteção social no país.




Marracuene distribui milhares de capulanas oferecidas por Gueta Chapo no mês da Mulher Moçambicana

O Município de Marracuene está a levar a cabo a distribuição de milhares de capulanas disponibilizadas pela Primeira-Dama da República de Moçambique, Gueta Chapo, no âmbito de uma promessa anteriormente assumida.
Segundo informações avançadas ao Jornal Visão Moçambique pelo edil de Marracuene, Shafee Sidat, a iniciativa já alcançou todos os postos administrativos do município até esta segunda-feira, 7 de abril. O dirigente sublinhou que a acção faz parte do cumprimento do compromisso da Primeira-Dama e tem como objectivo beneficiar milhares de mulheres locais.
De acordo com uma nota oficial do Município de Marracuene, a distribuição enquadra-se nas celebrações do mês da Mulher Moçambicana, assinalado hoje 7 de abril. A edilidade acrescenta que a iniciativa continuará a abranger diversos bairros ao longo dos próximos dias, incluindo acções programadas para o fim de semana.
Durante a cobertura realizada pela nossa equipa de reportagem em Marracuene, várias beneficiárias manifestaram satisfação com o gesto. Em declarações, algumas mulheres destacaram o impacto social da iniciativa:
“Este gesto de apoio da mama Gueta visa unir as famílias moçambicanas, elevar a autoestima das mulheres e valorizar a importante data de 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana.”
As entrevistadas não esconderam o sentimento de gratidão, deixando uma mensagem colectiva
“Obrigado, mãe Gueta, pelo apoio. Marracuene agradece.”
A distribuição das capulanas surge, assim, como uma ação simbólica e socialmente relevante, reforçando o reconhecimento do papel da mulher na sociedade moçambicana e promovendo a inclusão e o bem-estar das comunidades locais.




Governador Manuel Tule destaca papel activo da mulher durante cheias na Província de Maputo

No âmbito das celebrações do Dia da Mulher Moçambicana, o Governador da Província de Maputo, Manuel Tule, participou esta terça-feira na deposição de flores no Monumento da Praça dos Heróis, na cidade da Matola, numa cerimónia marcada por discursos de reconhecimento e desafios persistentes enfrentados pelas mulheres.
Durante a sua intervenção, Manuel Tule destacou o papel determinante desempenhado pelas mulheres, particularmente em contextos de crise, como as recentes inundações e cheias que afectaram várias comunidades da província.
“A mulher moçambicana demonstrou, mais uma vez, a sua resiliência e capacidade de liderança, sobretudo nos momentos mais difíceis vividos durante as cheias”, afirmou o governante.
Apesar do reconhecimento, fontes locais e análises sociais indicam que muitas mulheres continuam a enfrentar vulnerabilidades estruturais, incluindo acesso limitado a recursos financeiros, terra e oportunidades de geração de rendimento factores que se agravam em períodos de desastres naturais.
O governador sublinhou ainda a necessidade de reforçar a autonomia económica feminina como estratégia central para o desenvolvimento sustentável da província.
“É fundamental que as mulheres continuem a lutar pela sua independência económica, pois só assim poderemos alcançar um desenvolvimento inclusivo e sustentável”, acrescentou.
A cerimónia provincial decorreu no simbólico Monumento da Praça dos Heróis da Matola, local frequentemente associado à memória da luta de libertação nacional, reforçando o paralelo entre a resistência histórica e os desafios contemporâneos enfrentados pelas mulheres.
Entretanto, organizações da sociedade civil presentes no evento defenderam a implementação de políticas públicas mais robustas e mecanismos concretos de apoio às mulheres, especialmente nas zonas rurais, onde os impactos das mudanças climáticas são mais severos.
Especialistas ouvidos à margem da cerimónia consideram que, embora os discursos oficiais reconheçam o papel da mulher, persistem lacunas na tradução dessas declarações em acções práticas e mensuráveis.
O Dia da Mulher Moçambicana, celebrado anualmente a 7 de Abril, continua a ser um momento de reflexão não apenas sobre conquistas, mas também sobre os desafios que ainda limitam a plena participação da mulher no desenvolvimento económico e social do país.




Presidente do Conselho Municipal da Matola homenageia mulheres da saúde no Hospital Provincial

Matola, 7 de abril de 2026 — No âmbito das celebrações do Dia da Mulher Moçambicana, o Presidente do Conselho Municipal da Cidade da Matola, Júlio Parruque, realizou nesta terça-feira uma visita ao Hospital Provincial da Matola, onde prestou homenagem às mulheres que atuam no setor da saúde.
Durante o encontro, o dirigente destacou o papel fundamental desempenhado pelas profissionais de saúde no desenvolvimento social e na promoção do bem-estar da população, sublinhando o compromisso, a resiliência e a dedicação demonstrados diariamente, sobretudo em contextos desafiadores.
“Hoje celebramos não apenas a mulher moçambicana, mas em particular aquelas que, com bravura e sentido de missão, garantem o funcionamento do nosso sistema de saúde. O vosso trabalho é essencial e digno de reconhecimento permanente”, afirmou Júlio Parruque.
A visita incluiu momentos de interação com médicas, enfermeiras e demais funcionárias da unidade hospitalar, onde o edil procedeu à entrega simbólica de brindes como forma de reconhecimento pelo esforço contínuo e pela contribuição significativa na prestação de cuidados de saúde à comunidade.
Por sua vez, representantes das profissionais de saúde agradeceram o gesto, destacando que a valorização institucional reforça a motivação e o compromisso com a melhoria dos serviços prestados.
A iniciativa insere-se nas atividades comemorativas do Dia da Mulher Moçambicana, celebrado anualmente a 7 de abril, data que homenageia o papel histórico e contemporâneo da mulher na construção do país.
O Conselho Municipal da Matola reiterou, na ocasião, o seu compromisso em continuar a apoiar ações que promovam a igualdade de género e o empoderamento feminino, reconhecendo a mulher como pilar fundamental do desenvolvimento sustentável.




Presidente do Conselho Municipal de Maputo exige correções em casas de reassentamento em Pussulane

O presidente do Conselho Municipal da cidade de Maputo, Razaque Manhique, manifestou forte descontentamento com a baixa qualidade das habitações construídas para as vítimas do desabamento da lixeira de Hulene. Em resposta, ordenou que o empreiteiro responsável proceda com urgência à correção de graves irregularidades identificadas nas obras de reassentamento em Pussulane.
Segundo informações apuradas, as falhas estruturais nas residências têm gerado preocupação quanto à segurança e à dignidade das famílias beneficiárias. A intervenção do edil surge num contexto de crescente contestação pública sobre a qualidade das infraestruturas entregues.
“Não podemos aceitar que obras destinadas a populações vulneráveis sejam executadas com tamanha negligência”, terá afirmado uma fonte ligada ao município, sublinhando a necessidade de responsabilização dos envolvidos.
Analistas ouvidos pelo jornal Visão Moçambique consideram que a intervenção de Manhique como um passo positivo no reforço da fiscalização das obras públicas. Para estes especialistas, a situação levanta suspeitas que vão além da má execução técnica.
“É preciso mão dura contra estes empreiteiros. Mais do que isso, impõe-se uma investigação rigorosa para apurar se não houve desvio de fundos por parte de servidores públicos, comprometendo a qualidade das construções”, referiu um analista independente.
O caso reacende o debate sobre transparência e gestão de recursos públicos em projectos de reassentamento, especialmente aqueles destinados a populações afetadas por tragédias como a da lixeira de Hulene.
Até ao momento, o empreiteiro responsável pelas obras ainda não se pronunciou publicamente sobre as exigências do Conselho Municipal.




Crise de combustíveis pode elevar custo de vida em Moçambique, alerta Daniel Chapo

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou preocupação com o agravamento do custo de vida em Moçambique, associando o fenómeno à crise de combustíveis desencadeada pela instabilidade no Médio Oriente.
Falando nesta segunda-feira no distrito de Guijá, província de Gaza, durante a cerimónia de entrega de kits agrícolas e pesqueiros destinados a mais de 181 mil produtores em todo o país, o Chefe de Estado sublinhou os impactos diretos da conjuntura internacional na economia nacional.
“O aumento do custo de vida que estamos a sentir resulta, em grande medida, da crise de combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente”, afirmou Daniel Chapo, destacando a vulnerabilidade do país às flutuações dos mercados externos.
A iniciativa de distribuição dos kits insere-se nos esforços do Governo para reforçar a produção interna e mitigar os efeitos da inflação, sobretudo nas zonas rurais, onde a agricultura e a pesca constituem as principais fontes de subsistência.
Segundo o Presidente, o apoio aos produtores visa não apenas impulsionar a segurança alimentar, mas também criar resiliência face aos choques económicos internacionais. “Estamos a trabalhar para garantir que as famílias moçambicanas tenham meios para produzir mais e melhor, reduzindo a dependência externa”, acrescentou.
Analistas apontam que a subida dos preços dos combustíveis tem efeitos em cadeia, refletindo-se nos custos de transporte, bens essenciais e serviços, o que pressiona ainda mais o orçamento das famílias.
A situação levanta desafios adicionais para a política económica nacional, obrigando o Executivo a equilibrar medidas de mitigação social com a sustentabilidade fiscal num contexto global incerto.




“Violência Contra Mulheres Continua a Ameaçar Desenvolvimento Nacional, Diz Abdul Razak”

A violência contra mulheres e raparigas continua a figurar entre os mais graves desafios sociais em Moçambique, com impactos profundos no desenvolvimento sustentável do país. O alerta foi lançado esta segunda-feira, na cidade de Maputo, pelo Secretário de Estado de Género e Acção Social, Abdul Razak, durante a cerimónia de lançamento da Campanha Nacional de Combate à Violência Baseada no Género e ao Feminicídio.
Sob o lema “Tolerância Zero à Violência Baseada no Género e ao Feminicídio”, a iniciativa surge como um apelo urgente à mobilização colectiva para travar um fenómeno que, segundo o governante, “compromete os alicerces da sociedade e fragiliza o progresso material e humano”.
“A violência baseada no género constitui uma das mais graves violações dos direitos humanos da actualidade, com profundas implicações sociais, económicas, culturais e de saúde pública”, afirmou Abdul Razak.
Compromissos internacionais e desafios internos
Moçambique é signatário de diversos instrumentos internacionais e regionais que promovem a igualdade de género, entre os quais a Declaração de Beijing, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), o Protocolo de Maputo, a Agenda 2063 da União Africana e o Protocolo da SADC sobre Género e Desenvolvimento.
Segundo Abdul Razak, estes compromissos têm vindo a ser traduzidos em acções concretas, nomeadamente através da criação de legislação e políticas públicas. Entre os avanços, destacou-se a aprovação da Lei n.º 29/2009, sobre a Violência Doméstica Praticada Contra a Mulher, considerada um marco no reforço da protecção jurídica das vítimas.
“Moçambique tem demonstrado, ao mais alto nível, o seu compromisso com a promoção da igualdade de género”, sublinhou.
Ainda assim, o governante reconheceu que persiste um desfasamento entre os progressos legais e a realidade vivida por muitas mulheres no país.
Números que representam vidas
Apesar dos avanços, os desafios continuam — e, em alguns contextos, têm-se intensificado. Abdul Razak chamou a atenção para o lado humano por detrás das estatísticas.
“Cada número que apresentamos nas estatísticas tem um rosto. Tem um nome. Tem uma história interrompida”, afirmou.
Casos de violência extrema, incluindo feminicídios, continuam a tirar a vida a mulheres e raparigas, deixando famílias destruídas e comunidades profundamente afectadas.
“São sonhos que se apagam, famílias que se quebram, futuros que deixam de existir”, acrescentou.
Uma questão de valores e responsabilidade colectiva
Para o Secretário de Estado, a violência baseada no género vai além de actos criminosos isolados, sendo reflexo de uma crise mais profunda na sociedade.
“São feridas abertas na consciência colectiva da nossa sociedade e sinais alarmantes de uma erosão profunda dos valores que nos devem unir enquanto nação”, declarou.
O governante defendeu a necessidade de reforçar valores como o respeito pela vida, a dignidade humana e a convivência pacífica.
Apelo à acção
A cerimónia ficou marcada por um momento de homenagem às vítimas, com a observação de um minuto de silêncio.
“Hoje, não podemos e não devemos permanecer indiferentes”, afirmou.
“Um minuto de silêncio… pelas mães que partiram cedo demais. Pelas filhas que não chegaram a florescer.”
No final, Abdul Razak dirigiu um apelo a toda a sociedade — incluindo governo, instituições e cidadãos — para que assumam um compromisso activo e contínuo no combate à violência baseada no género.