Milhões para Chiquinho Conde, migalhas para hospitais e escolas: o retrato de um país em desequilíbrio

A possibilidade de Chiquinho Conde, selecionador nacional dos Mambas, vir a auferir um salário mensal na ordem de 1,4 milhões de meticais está a gerar forte contestação pública e a reacender um debate sensível sobre as prioridades do país.
De acordo com informações apuradas, a remuneração será assegurada por um consórcio que integra a Federação Moçambicana de Futebol, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Fundação de Promoção Desportiva. No entanto, permanecem dúvidas quanto aos critérios que sustentam a fixação deste valor e à origem detalhada dos fundos envolvidos.
O caso surge num contexto social marcado por dificuldades estruturais persistentes. Em várias regiões do país, unidades hospitalares enfrentam escassez recorrente de medicamentos essenciais, enquanto milhares de crianças continuam a frequentar aulas em condições precárias, muitas vezes ao ar livre e sem mobiliário adequado.
“Não se trata apenas de futebol, mas de escolhas estratégicas. Quando se alocam milhões ao desporto, enquanto faltam medicamentos básicos e infraestruturas escolares dignas, levanta-se uma questão legítima sobre prioridades”, afirmou um analista ouvido pela nossa redação.
A ausência de esclarecimentos oficiais mais detalhados tem vindo a intensificar preocupações em torno da transparência e da gestão de recursos públicos e institucionais. Para muitos cidadãos, este episódio simboliza um desequilíbrio evidente entre o investimento no desporto e as necessidades urgentes nos sectores da saúde e da educação.
Num país onde grande parte da população continua a enfrentar desafios quotidianos significativos, o debate ultrapassa o futebol e expõe uma discussão mais ampla sobre governação, equidade e responsabilidade na definição de prioridades nacionais.




Governo da Manhiça garante funcionamento pleno em Calanga e esclarece controvérsias na distribuição de apoio às vítimas das cheias

O Governo do Distrito da Manhiça assegura que os serviços públicos no Posto Administrativo de Calanga continuam a funcionar normalmente, contrariando informações que circulavam sobre eventuais constrangimentos. A garantia consta de uma nota oficial a que o Jornal Visão Moçambique teve acesso, na qual a administração distrital procura esclarecer o ponto de situação no terreno.
Segundo o documento, “os serviços no Posto Administrativo de Calanga mantêm-se plenamente funcionais”, reforçando a ideia de estabilidade administrativa numa altura em que várias comunidades enfrentam os efeitos das cheias.
No mesmo comunicado, as autoridades detalham o processo de distribuição de kits de apoio destinados às famílias afectadas, indicando que a acção decorreu nas localidades de Lagoa-Phate e Chécua. A iniciativa foi realizada no âmbito de uma colaboração entre parceiros do Governo Distrital e as autoridades locais, numa tentativa de mitigar os impactos humanitários provocados pelas intempéries.
Apesar disso, o processo não esteve isento de desafios. A administração revela que, mesmo após um trabalho prévio de levantamento e validação de beneficiários — conduzido com o envolvimento de facilitadores comunitários e líderes locais —, houve interferências externas que geraram tensões.
“Registou-se a intervenção de um grupo de jovens com proposta de alteração das listas e critérios”, refere a nota, acrescentando que a situação exigiu “gestão e clarificação adicional junto das estruturas competentes”.
Fontes locais indicam que estas tentativas de alteração levantaram dúvidas sobre a transparência e os critérios de selecção, obrigando as autoridades a reforçar os mecanismos de comunicação e validação.
De acordo com o Governo Distrital, nesta fase, o apoio está a ser canalizado para grupos considerados prioritários e mais vulneráveis, nomeadamente idosos em situação de fragilidade, pessoas com deficiência com limitações físicas, mulheres grávidas, mães com crianças até um ano de idade em condições precárias, bem como famílias chefiadas por menores.
“As acções seguem critérios previamente definidos e alinhados com os parceiros”, sublinha o documento, numa tentativa de afastar suspeitas de favorecimento indevido.
Face às tensões registadas, o Governo apela à calma nas comunidades e reafirma o seu compromisso com a transparência. “O processo está a ser devidamente acompanhado pelo parceiro e pelas autoridades competentes”, lê-se na nota, que também destaca a importância da colaboração entre as partes envolvidas para garantir que a ajuda chegue a quem realmente precisa.
Entretanto, residentes ouvidos pelo Jornal Visão Moçambique defendem maior clareza na divulgação das listas e critérios, apontando que a comunicação contínua será essencial para evitar novos episódios de contestação.




Vice-presidente da Assembleia Provincial de Gaza acusa executivo de incumprimento e favorecimento em concursos públicos

O vice-presidente da Assembleia Provincial de Gaza, Agnaldo Navalha, denunciou publicamente o alegado incumprimento do executivo provincial no pagamento de dívidas a empresários locais, levantando também suspeitas de favorecimento em concursos públicos.
Numa publicação feita na sua página oficial do Facebook, Navalha afirma que existe um clima de tensão entre a Confederação das Associações Económicas (CTA) e os empresários da província, por um lado, e o executivo provincial, por outro.
“A CTA e os empresários de Gaza encontram-se num braço de ferro com o executivo provincial, sobretudo devido a dívidas avultadas e ao facto de, há vários anos, estes não conseguirem ganhar concursos públicos na província”, escreveu.
O responsável foi mais longe ao alegar que os empresários locais denunciam a existência de um alegado favorecimento sistemático de um único operador económico.
“Os empresários afirmam que apenas um empresário tem vencido concursos públicos e executa obras sem qualidade, sendo apontado como alguém com relações próximas com a liderança provincial”, referiu.
As críticas estendem-se à governadora da província, Margarida Mapandzene, a quem Navalha atribui práticas irregulares na gestão de contratos públicos.
“É do conhecimento público que a governadora regressou recentemente de viagem e deslocou-se imediatamente a locais que poderão constituir futuras fontes de rendimento, avaliando infraestruturas que poderão ser alvo de reabilitação”, afirmou.
Segundo Navalha, há ainda suspeitas de conflitos de interesse envolvendo empresas ligadas a familiares da governadora.
“Há indicações de que concursos públicos envolvendo empresas associadas a familiares próximos são recorrentes, o que levanta sérias preocupações sobre transparência e legalidade nos processos”, declarou.
O vice-presidente da Assembleia Provincial alerta também para possíveis irregularidades na adjudicação de projetos de reconstrução, particularmente de infraestruturas afetadas por calamidades naturais.
“Existe a perceção de que, caso determinadas empresas não vençam concursos, estes podem ser anulados, o que compromete a confiança no sistema”, acrescentou.
Face às acusações, Navalha defende a necessidade de maior fiscalização e responsabilização, sublinhando que a situação atual não deve ser normalizada.
“Não podemos continuar a admitir este tipo de práticas em Gaza. A liderança deve pautar-se pela transparência e pelo interesse público”, concluiu.
Até ao momento, o executivo provincial de Gaza não se pronunciou publicamente sobre estas acusações.




ELIAS PAULO ASSUME COORDENAÇÃO DOS PROJECTOS DE DESENVOLVIMENTO DO CORREDOR DA BEIRA

Elias Paulo tomou posse esta quinta-feira, 20 de Março, como Coordenador do Gabinete de Implementação dos Projectos de Desenvolvimento do Corredor da Beira, uma unidade estratégica responsável por coordenar, facilitar, dinamizar, monitorar e garantir a implementação eficaz dos projectos estruturantes ao longo daquele importante corredor económico.
A cerimónia de empossamento foi dirigida pelo Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, que destacou a relevância do acto no actual contexto de desenvolvimento do sector. Segundo o governante, a nomeação representa mais do que um simples procedimento administrativo.
“Este acto não se resume a uma formalidade administrativa do funcionalismo público, nem ao mero cumprimento de um preceito legal. Trata-se de um momento de renovação do compromisso institucional, orientado para a obtenção de resultados concretos e para um desempenho cada vez mais eficiente e impactante no sector dos transportes e logística”, afirmou Matlombe.
O Ministro sublinhou ainda que o Corredor da Beira constitui um dos principais eixos logísticos do país, desempenhando um papel determinante na dinamização da economia nacional e regional, pelo que a liderança do gabinete exige visão estratégica, capacidade técnica e forte sentido de missão.
Com a sua nomeação, Elias Paulo assume o desafio de impulsionar a implementação de projectos que visam melhorar a eficiência do corredor, reforçar a integração regional e promover o desenvolvimento sustentável, contribuindo assim para o crescimento económico de Moçambique.




Maganja da Costa ganha nova Delegação do INSS para reforçar serviços sociais

A vila de Maganja da Costa, na província da Zambézia, conta desde a manhã de quinta-feira, 19 de Março de 2026, com um novo edifício da Delegação Distrital do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), inaugurado pela Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane.
A nova infraestrutura insere-se no modelo padronizado de edifícios que o INSS tem vindo a implementar em todo o país, com o objectivo de melhorar a qualidade de atendimento aos utentes. O edifício dispõe de diversas valências, incluindo salas de atendimento, sala de reuniões, gabinetes de trabalho, arquivo e outros espaços de apoio administrativo.
A cerimónia contou com a presença de membros do Governo distrital, representantes do Conselho Autárquico, parceiros sociais — nomeadamente empregadores e sindicatos —, funcionários públicos, trabalhadores, pensionistas e população local.
Durante a ocasião, o Presidente do Conselho Autárquico da Vila de Maganja da Costa, Virgílio Dinheiro, destacou a importância da nova infraestrutura, considerando-a “um marco significativo para o desenvolvimento social e institucional da vila e do distrito”, acrescentando que a mesma contribui para a melhoria das condições de atendimento e para a dignificação dos munícipes.
Em representação da Administradora do Distrito, Judite Paulino Filipe, a Secretária Permanente, Carlota Nhaca, manifestou satisfação pela concretização do projecto. Segundo afirmou, a nova delegação “vem reduzir as dificuldades enfrentadas pelos utentes e pensionistas”, que anteriormente eram obrigados a deslocar-se às cidades de Quelimane ou Mocuba para aceder aos serviços do INSS.
Na ocasião, a dirigente agradeceu, em nome da população, pela implementação da infraestrutura e reiterou o compromisso do Governo Distrital em continuar a apoiar iniciativas que promovam o bem-estar social e a melhoria dos serviços públicos na região




PGR declara ilegal decisão da Mozal e emite ultimato à empresa de alumínio

A Procuradoria-Geral da República (PGR) notificou formalmente a administração da Mozal, considerando ilegal a decisão de suspensão das actividades da empresa em Moçambique. Segundo o Ministério Público, a medida não respeita os procedimentos legais previstos no ordenamento jurídico nacional, carecendo, por isso, de validade.
De acordo com a nota de notificação dirigida à presidente do conselho de administração da Mozal, a posição da PGR fundamenta-se no n.º 1 do artigo 84 do Código Comercial, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 1/2022, de 25 de Maio. A referida disposição estabelece que nenhum acionista pode, de forma unilateral, suspender as actividades de uma sociedade sem que haja deliberação conjunta de todos os acionistas reunidos em Assembleia-Geral.
“A decisão de suspensão de actividades tomada pelo acionista maioritário não observou os mecanismos legais exigidos, nomeadamente a convocação e deliberação em Assembleia-Geral”, refere o documento.
Neste contexto, o Ministério Público conclui que a decisão do acionista maioritário da Mozal não produz efeitos jurídicos, sendo, portanto, considerada nula. A PGR reforça ainda que a actuação unilateral viola os princípios que regem a governação societária e compromete a legalidade das operações da empresa no país.
A notificação surge como um ultimato à empresa, instando a Mozal a conformar-se com a lei e a reverter a decisão, sob pena de se desencadearem as medidas legais cabíveis.




“Mesmice” no topo nomeações de Daniel Chapo para o Conselho de Estado geram polémica

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As recentes nomeações feitas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, para o Conselho de Estado estão a gerar debate público, sobretudo pela inclusão de figuras históricas que já ocuparam cargos de topo durante os governos de antigos estadistas moçambicanos como Joaquim Chissano e Armando Guebuza.
Analistas e comentadores questionam de que forma estes nomes poderão influenciar a actual governação, levantando dúvidas sobre a capacidade de introduzir novas ideias e estratégias num contexto político em transformação.
Entre os nomeados destacam-se Verónica Macamo, antiga Presidente da Assembleia da República e ex-Ministra dos Negócios Estrangeiros, reconhecida como uma das figuras mais influentes da diplomacia moçambicana nas últimas décadas.
Integra igualmente a lista Alcinda da Abreu, que desempenhou várias funções ministeriais nos governos de Chissano e Guebuza, incluindo a pasta da Energia, sendo actualmente directora da escola central do partido FRELIMO, na Matola, província de Maputo.
Outro nome de relevo é Eduardo Mulimbwe, antigo Presidente da Assembleia da República, associado à aprovação do pacote multipartidário durante a governação de Chissano — um marco na história política do país.
Segundo informações avançadas pelo jornal Visão Moçambique, as nomeações foram formalizadas através de um comunicado da Presidência da República.
Questionamentos sobre impacto na governação
A decisão de reconduzir figuras com longos percursos no aparelho do Estado levanta uma questão central: poderá haver inovação na governação com os mesmos protagonistas de décadas anteriores?
O jornalista e comentador Reginaldo Chambule considera que não. Na sua análise, o Presidente continua a rodear-se de conselheiros que influenciam o poder político desde os primeiros anos da independência.
Numa publicação na sua página do Facebook, Chambule afirmou:
“São as mesmas pessoas que vêm aconselhando o Presidente da República desde os tempos de Samora Machel. Portanto, não há nada de novo.”
O comentador reforça a crítica com uma avaliação direta:
“É mesmice.”
Continuidade estratégica ou falta de abertura?
Para Chambule, as nomeações refletem uma continuidade estratégica dentro do partido no poder, mas também evidenciam uma possível resistência à renovação.
Recorrendo a uma metáfora popular do futebol, o jornalista observa:
“No futebol costuma-se dizer que em equipa que ganha não se mexe. Isto mostra que o Presidente da República está satisfeito com o estado das coisas até hoje.”
Ainda assim, o próprio reconhece que este modelo pode ser visto como funcional por quem está no poder, apesar das críticas sociais, económicas e políticas que persistem.
Limitações na diversidade de pensamento
Na leitura do comentador, o actual cenário político revela limitações na inclusão de novas vozes nos centros de decisão:
“Não está aberta a novos conselhos, nem a mudanças de estratégia.”
A crítica levanta preocupações sobre a capacidade de adaptação da governação aos desafios contemporâneos, num país com uma população maioritariamente jovem e em constante transformação.
Um debate que continua
O debate em torno destas nomeações permanece aberto. Por um lado, há quem defenda que a experiência acumulada destas figuras garante estabilidade e continuidade institucional. Por outro, cresce a preocupação com o risco de estagnação e afastamento das expectativas de renovação política.
Entre continuidade e mudança, o posicionamento do Presidente Daniel Chapo continua a alimentar uma discussão central sobre o futuro da governação em Moçambique.




FME esclarece amanhã denúncias de irregularidades na contratação de empresas no Projecto Move Maputo

A Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME), através do seu presidente, Bento Machaila, vai tornar pública, amanhã, 19 de março, a sua posição face às alegadas irregularidades no processo de contratação de empreitadas no âmbito do Projecto Move Maputo, uma iniciativa financiada pelo Banco Mundial.
Segundo um comunicado oficial a que o Jornal Visão Moçambique teve acesso, a FME manifesta preocupação com possíveis falhas de transparência e legalidade nos procedimentos de adjudicação, levantando dúvidas sobre a integridade do processo e o impacto na confiança pública.
“A vossa presença é fundamental para levar ao público informação sobre este caso que envolve fundos públicos e que afecta directamente a população da Área Metropolitana de Maputo”, refere a nota da federação, apelando à participação activa dos órgãos de comunicação social.
A organização critica ainda a alegada falta de resposta por parte das entidades responsáveis pela investigação, sublinhando que o silêncio institucional pode comprometer a credibilidade dos mecanismos de fiscalização e controlo.
Bento Machaila reforça que a FME continuará a acompanhar o caso e a exigir maior transparência na gestão de projectos financiados com fundos internacionais, sobretudo aqueles com impacto directo na mobilidade urbana e na qualidade de vida dos cidadãos.
O Projecto Move Maputo é considerado estratégico para a melhoria do sistema de transporte na região metropolitana, tornando ainda mais sensível qualquer suspeita de irregularidade na sua implementação.
A FME anunciou também a realização de uma conferência de imprensa, na qual pretende detalhar os contornos da denúncia e esclarecer a sua posição perante a opinião pública.




Ivete Alane inaugura edifício do INSS em Alto Molócuè

A Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, inaugurou, na manhã desta quarta-feira (18), o novo edifício da delegação distrital do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), no distrito de Alto Molócuè, província da Zambézia.
Implantada no bairro Mucaca, na zona administrativa da vila sede, a infraestrutura é de construção recente e possui uma área de 224,79 metros quadrados. O edifício dispõe de salas de atendimento e reuniões, gabinetes de trabalho, arquivo e outros compartimentos de apoio, oferecendo condições modernas para o funcionamento dos serviços.
A cerimónia contou com a presença de autoridades administrativas e municipais, representantes de parceiros sociais — incluindo empregadores e sindicatos —, além de trabalhadores, pensionistas e membros da comunidade local.
O novo edifício integra o modelo de infraestruturas que o INSS tem vindo a implementar em todo o país, com vista à melhoria dos serviços prestados ao público. O sistema de segurança social em Alto Molócuè foi introduzido em 2003, ano em que também foi criada a respectiva delegação distrital, que actualmente atende não só o distrito, como também parte da região do Alto Ligonha, no vizinho distrito de Gilé.
Com a entrada em funcionamento das novas instalações, os utentes — nomeadamente contribuintes, beneficiários e pensionistas — passam a dispor de melhores condições de atendimento, ao mesmo tempo que os funcionários beneficiam de um ambiente de trabalho mais adequado.
Antes da inauguração, os serviços funcionavam, desde Março de 2025, num edifício cedido pelo governo distrital, após a vandalização das antigas instalações, situadas na zona comercial, durante as manifestações pós-eleitorais.
De acordo com dados actualizados até Janeiro de 2026, o sistema de segurança social em Alto Molócuè conta com 1.754 contribuintes, 7.767 beneficiários, 423 trabalhadores por conta própria e 118 pensionistas, entre os quais de velhice, invalidez e sobrevivência.
Na ocasião, Ivete Alane manifestou a expectativa de que o novo edifício represente um impulso na adesão ao sistema de segurança social.
“Esperamos que esta infraestrutura marque uma nova fase na mobilização de mais cidadãos para a adesão ao sistema de segurança social”, afirmou.
A governante destacou ainda a importância da inscrição de trabalhadores por conta própria — como comerciantes, agricultores e mecânicos — como forma de garantir protecção social.
Na província da Zambézia, até Janeiro deste ano, o sistema contabilizava 17.632 contribuintes, 190.495 beneficiários, 5.344 trabalhadores por conta própria e 7.208 pensionistas.
Ivete Alane apelou igualmente aos funcionários do INSS em Alto Molócuè para assegurarem um atendimento de qualidade e humanizado aos utentes.
Ainda esta quarta-feira, está prevista a inauguração do edifício da delegação distrital de Gurué. Para quinta-feira (19), está agendada a entrega das infraestruturas de Mocuba e Maganja da Costa.
Importa referir que, no actual ciclo governativo, já foram igualmente inaugurados edifícios do INSS nos distritos de Marracuene, na província de Maputo, e Sussundenga, na província de Manica.




Eneas Comiche Solicita Suspensão do Mandato na Assembleia da República

O deputado da bancada da Frelimo, Eneas Comiche, formalizou recentemente um pedido para suspender o seu mandato na Assembleia da República por um período ainda não especificado. A notícia foi anunciada pela presidente do parlamento, Margarida Talapa, durante a abertura da sessão plenária que discutia o projecto de lei sobre Comunicação Social e a Lei da Radiodifusão.
“Recebemos oficialmente a solicitação do deputado Comiche, que se justifica por motivos pessoais e de saúde”, declarou Talapa. A presidente destacou que o pedido segue todos os trâmites legais previstos no regimento da Assembleia e que a medida visa garantir a continuidade do trabalho legislativo sem interrupções.
Comiche, com 86 anos, é o deputado mais velho da X Legislatura e possui uma longa trajetória política. Ao longo do seu mandato, destacou-se por presidir, durante um ano, à Comissão do Plano e Orçamento, órgão central no acompanhamento e fiscalização das finanças públicas. Segundo especialistas, a sua liderança nesse órgão foi marcada pela tentativa de reforçar a transparência no uso de recursos públicos e no debate sobre o orçamento nacional.
Em comunicado à imprensa, Comiche afirmou: “A decisão de suspender o meu mandato não foi fácil, mas é necessária para que eu possa dedicar atenção à minha saúde e às questões pessoais. Continuo comprometido com os ideais da bancada e com o desenvolvimento do nosso país.”
Para garantir a representação do círculo eleitoral da Cidade de Maputo durante a ausência de Comiche, foi empossado o deputado suplente Jerson Candeeiro. Candeeiro assumiu o lugar oficialmente e terá a responsabilidade de acompanhar de perto os trabalhos legislativos e manter a continuidade dos projetos em curso.
Analistas políticos destacam que a suspensão de Comiche ocorre em um momento sensível, com debates importantes sobre comunicação social e radiodifusão em curso. “A saída temporária de um deputado com a experiência de Comiche cria um desafio para a bancada da Frelimo, mas também abre espaço para a renovação da representação e para a introdução de novas perspectivas”, comentou um especialista em política moçambicana.
A Assembleia da República afirmou que manterá o acompanhamento das funções de Comiche, garantindo que todas as suas responsabilidades sejam adequadamente supridas pelo suplente, sem prejuízo ao andamento legislativo.