Presidente da República apela à vigilância contra boatos e anuncia obras estruturantes em Mecanhelas

Presidente da República orienta comício popular no distrito de Mecanhelas, no primeiro dia da visita de trabalho à província de Niassa2

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, deu continuidade esta terça-feira à Presidência Aberta e Inclusiva na província do Niassa, com uma visita ao distrito de Mecanhelas, onde apelou à vigilância da população contra boatos, discursos de ódio e actos de violência que, segundo afirmou, ameaçam a paz e o desenvolvimento do país.

A deslocação insere-se no ciclo da Presidência Aberta e Inclusiva de 2026, no quadro da governação de proximidade, após a recente visita à província de Tete, com o objectivo de acompanhar directamente as dinâmicas de desenvolvimento económico e social.

Apelo à paz e combate à desinformação

No comício popular, o Chefe do Estado sublinhou a necessidade de reforçar a unidade nacional e rejeitar a violência, condenando igualmente a destruição de bens públicos registada em contextos pós-eleitorais.

Daniel Chapo alertou ainda para a propagação de boatos em algumas comunidades, sobretudo relacionados com alegados casos de desaparecimento ou atrofia dos órgãos genitais masculinos, apelando à responsabilidade colectiva.

“Não podemos matar o nosso irmão por causa de uma coisa que nunca aconteceu e nunca vai acontecer. É mentira, são boatos”, afirmou o Presidente, reforçando o apelo à vigilância e ao diálogo.

População destaca desafios e pede melhorias

Durante o encontro, a população de Mecanhelas saudou o modelo de governação aberta e inclusiva, reconhecendo os esforços do Executivo na promoção da paz e do diálogo nacional.

Contudo, foram apontadas preocupações persistentes nas áreas da saúde, educação e infra-estruturas, com destaque para a necessidade de reabilitação de estradas e melhoria do hospital distrital, de forma a reduzir a dependência de Cuamba e até do vizinho Malawi.

Os residentes apelaram ainda à melhoria da qualidade do ensino e ao reforço da humanização dos serviços de saúde.

Novas infra-estruturas e reforço de serviços

Em resposta, o Presidente da República anunciou o lançamento de concursos para a construção da estrada Mecanhelas–Cuamba e do Hospital Distrital de Mecanhelas, considerados projectos estruturantes para o desenvolvimento local.

Segundo o Chefe do Estado, o Ministro da Saúde deverá deslocar-se ao distrito ainda este ano para o lançamento da primeira pedra do hospital, enquanto o Ministro da Justiça deverá proceder ao lançamento da futura Conservatória de Registo e Notariado de Mecanhelas, no próximo sábado.

Foram igualmente entregues duas ambulâncias ao distrito, com o objectivo de reforçar o sistema de assistência médica e o transporte de pacientes.

Na vertente económica, Daniel Chapo defendeu o reforço do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) e apelou ao aumento da produção agrícola como resposta ao custo de vida, incentivando a produção de arroz, feijão, soja, gergelim e carne bovina.

O Presidente sublinhou que o desenvolvimento do país depende da capacidade de produção interna e da redução da dependência de importações, num contexto de instabilidade internacional.

Reafirmando o modelo de governação próxima das populações, o Chefe do Estado destacou que a presença do Executivo no terreno é essencial para ouvir directamente as preocupações dos cidadãos e acelerar soluções.

“Uma governação próxima do povo é sair de Maputo e vir ouvir as preocupações das populações”, afirmou.




Zambézia: Linchamentos sobem para 14 mortos devido a boatos sobre desaparecimento de órgãos genitais

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Subiu para 14 o número de pessoas mortas por linchamento popular na província da Zambézia, na sequência de rumores relacionados com alegados casos de atrofia ou desaparecimento de órgãos genitais. As mais recentes ocorrências registaram-se nos distritos de Derre e Mopeia, segundo as autoridades.

A informação foi confirmada esta terça-feira, em Quelimane, pelo comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Marinho Muchanga, à margem da cerimónia de abertura da Semana da Polícia.

De acordo com o comandante, a situação está a preocupar as autoridades, sobretudo devido à rápida disseminação de boatos que têm levado comunidades a agir de forma violenta contra cidadãos suspeitos.

Em ligação com estes casos, a PRM deteve mais 11 indivíduos suspeitos de envolvimento na propagação de desinformação e incitamento à violência, elevando para 34 o número total de detidos.

Marinho Muchanga afirmou que a corporação continua a desenvolver acções de sensibilização nas comunidades, com o objectivo de desencorajar a circulação de rumores e prevenir novos episódios de violência popular. O responsável advertiu ainda que a polícia será “implacável” contra os autores e disseminadores destes boatos.

Na mesma ocasião, o comandante provincial destacou que a Semana da PRM representa uma oportunidade para reforçar a proximidade entre a polícia e as comunidades, bem como consolidar a confiança pública e intensificar acções de prevenção criminal.

A Semana da Polícia decorre sob o lema: “PRM, 50 anos reafirmando o compromisso com as comunidades, combatendo a criminalidade, terrorismo e sinistralidade rodoviária”, com cerimónias centrais na província de Gaza, dirigidas pelo comandante-geral da PRM, Joaquim Sive.

Durante a programação estão previstas diversas actividades, incluindo encontros polícia-comunidade, torneios desportivos, campanhas de doação de sangue e outras iniciativas de aproximação social.




Chapo chega ao Niassa entre estradas recuperadas, expansão agrícola, pressão por infra-estruturas resilientes e fundos do FDEL em circulação

Presidente da República saúda a população do distrito de Cuamba à chegada para o início da visita de trabalho à província de Niassa no âmbito da Presidência Aberta Inclusiva1

A deslocação presidencial decorre numa altura em que vários distritos do Niassa começam a retomar a normalidade depois de meses marcados por dificuldades de circulação, degradação de vias secundárias e constrangimentos provocados pelo transbordo de rios durante a época chuvosa.

Daniel Chapo desceu do avião, recebeu flores de uma criança e levantou as duas mãos diante da multidão reunida num dos corredores poeirentos do Niassa. À volta do Presidente havia militares, agentes de segurança, dirigentes locais e bandeiras agitadas pelo vento seco do norte. Mais atrás, porém, estava a província real que a visita presidencial tenta alcançar: mercados abastecidos com feijão e milho trazidos de distritos longínquos, pequenos comerciantes dependentes da transitabilidade das estradas, produtores agrícolas preocupados com o próximo ciclo de chuvas e famílias que continuam a medir o peso do Estado pela possibilidade de circular, vender e sobreviver sem isolamento.

Nas imagens que acompanham a chegada de Daniel Chapo à província surgem crianças descalças em estradas de terra vermelha, pequenos mercados improvisados, bancas de feijão expostas ao sol e vendedores que observam a movimentação presidencial entre expectativa e prudência. Em muitas localidades do Niassa, o crescimento agrícola já não é apenas um indicador estatístico apresentado em relatórios governamentais. É o elemento que sustenta o comércio local, movimenta transporte informal, alimenta pequenos mercados distritais e define parte significativa da sobrevivência económica das famílias.

Segundo o comunicado divulgado pela Presidência da República, Daniel Chapo deverá escalar os distritos de Cuamba, Mecanhelas, Mandimba, Mavago e Muembe, além da cidade de Lichinga, no quadro da Presidência Aberta e Inclusiva. A agenda inclui comícios populares, sessões extraordinárias com órgãos provinciais e distritais, encontros com diferentes segmentos sociais e inauguração de sistemas de abastecimento de água e do edifício do Tribunal Judicial de Muembe.

O conteúdo da própria agenda presidencial revela parte das prioridades que hoje dominam o discurso governativo para o Niassa. Em vez de grandes anúncios industriais ou megaprojectos de impacto imediato, a visita concentra-se sobretudo em circulação, abastecimento de água, presença institucional do Estado e acompanhamento directo das dinâmicas locais.

No terreno, porém, a visita presidencial encontra uma província onde o debate dominante ultrapassa os actos protocolares e concentra-se sobretudo nas dificuldades estruturais que continuam a travar parte do potencial económico do Niassa.

Em vários pontos da província, a deslocação de Daniel Chapo é acompanhada menos como um acontecimento político abstracto e mais como um teste à capacidade do Estado responder a problemas que regressam todos os anos com as chuvas. Em distritos onde o transporte de produtos agrícolas pode duplicar de custo após cortes de estrada e onde pequenas interrupções de circulação isolam comunidades inteiras durante dias, parte significativa da população continua a medir a presença do Governo pela condição da via, pela chegada do combustível, pela regularidade do mercado e pela possibilidade de escoar produção sem perdas.

Em Cuamba, considerado um dos principais centros comerciais e logísticos do norte do país, comerciantes e transportadores afirmam que a circulação de mercadorias melhorou nas últimas semanas, depois de vários meses de condicionamentos rodoviários que afectaram o abastecimento e elevaram custos de transporte.

O distrito ocupa uma posição estratégica na economia regional. Além da ligação ferroviária ao Corredor de Nacala, Cuamba funciona como principal eixo de ligação terrestre entre o Niassa, Nampula e Malawi, assumindo papel central no escoamento agrícola da província.

Com uma população estimada em mais de 320 mil habitantes, o distrito consolidou-se como um dos maiores centros de circulação comercial do norte de Moçambique, impulsionado sobretudo pela expansão da produção agrícola.

Dados recentes indicam que Cuamba prevê produzir, durante a campanha agrária 2025/2026, mais de 600 mil toneladas de diferentes culturas, numa subida superior a 50% em relação à campanha anterior, com destaque para milho, feijão e soja.

“Quando Cuamba pára, muitos distritos sentem imediatamente”, afirmou Ernesto Jaime, comerciante grossista no mercado central da cidade. “Há produtos que vêm de Mandimba, Mecanhelas, Marrupa e até de zonas mais distantes. Quando a estrada piora, o preço sobe quase automaticamente.”

Durante a última época chuvosa, vários troços em distritos como Mandimba, Muembe, Marrupa, Mecanhelas e Mauá registaram interrupções temporárias devido à degradação acelerada das vias e ao transbordo de rios, obrigando alguns transportadores a suspender viagens para zonas do interior.

Embora a transitabilidade esteja actualmente restabelecida nos principais corredores, continuam visíveis bermas destruídas, pequenos cortes e desgaste do pavimento em diferentes troços da província, situação que alimenta receios em relação ao próximo ciclo chuvoso.

“Agora já se circula melhor, mas há zonas onde basta voltar a chover forte para os problemas reaparecerem”, disse Fátima Adamo, proprietária de uma pequena loja alimentar em Cuamba.

O Niassa permanece uma das províncias mais paradoxais do país: possui algumas das maiores reservas de terra arável de Moçambique, baixa pressão demográfica e forte potencial agrícola, mas continua condicionado por enormes distâncias internas, custos logísticos elevados e fragilidade de infra-estruturas expostas a fenómenos climáticos extremos. Em muitos distritos, produzir deixou há muito de ser o principal obstáculo. O problema passou a ser circular.

É precisamente neste contexto que cresce a expectativa em torno da visita presidencial. Operadores económicos, agricultores e transportadores defendem que o principal desafio da província já não está apenas no aumento da produção agrícola, mas sobretudo na capacidade de garantir escoamento regular, armazenamento e circulação eficiente ao longo do ano.

A discussão ganhou ainda maior peso com a expansão recente do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), actualmente um dos principais instrumentos de financiamento de pequenas iniciativas produtivas na província.

Dados oficiais actualizados até 08 de Maio de 2026 indicam que o Niassa recebeu 86,3 milhões de meticais no âmbito do FDEL, distribuídos pelos 16 distritos e seis municípios da província. Segundo o relatório do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, foram financiados 1.573 projectos, correspondentes a uma execução financeira de 100%.

A agricultura concentra a maior fatia dos financiamentos, com 713 projectos apoiados, equivalentes a 45,33% do total provincial, seguida do comércio, com 592 projectos, correspondentes a 37,64%.

Mandimba surge como o distrito com maior número de projectos financiados, com 139 iniciativas, seguido do Município de Lichinga, com 136, Cuamba, com 121, e Mecanhelas, com 110.

No próprio distrito de Cuamba, os dados apontam para 121 projectos financiados, enquanto o Município de Cuamba registou outros 84 projectos adicionais ligados sobretudo à agricultura, comércio local, pequenos serviços e transformação alimentar.

Segundo o relatório provincial, os projectos apoiados beneficiam directamente 1.606 pessoas, das quais 990 jovens, correspondentes a 61,64% do total. O documento aponta igualmente para a criação de 3.869 postos de trabalho fixos e sazonais.

Em Muembe, produtores agrícolas afirmam que a principal preocupação passou gradualmente da produção para os custos de escoamento.

“Este ano tivemos chuva suficiente para produzir bem. Agora a preocupação é conseguir vender sem perder quase tudo no transporte”, explicou Mateus Cassimo, produtor local.

Apesar dos indicadores positivos apresentados pelas autoridades, empresários e comerciantes ligados ao sector agrícola insistem que a expansão económica do Niassa continuará limitada enquanto persistirem fragilidades na rede rodoviária e dificuldades logísticas.

“O Niassa produz muito, mas continua longe dos mercados”, afirmou um empresário ligado ao comércio de cereais entre Cuamba e Nampula. “Quando a estrada degrada, os custos sobem imediatamente e alguns circuitos deixam de compensar.”

Com mais de 129 mil quilómetros quadrados, o Niassa continua a enfrentar desafios associados às grandes distâncias entre distritos, baixa densidade populacional e elevados custos de expansão de infra-estruturas públicas.

Ainda assim, em cidades como Cuamba e Lichinga, comerciantes e operadores económicos afirmam existir uma percepção crescente de dinamização gradual da actividade económica, impulsionada pela agricultura, circulação regional e surgimento de pequenos negócios financiados nos últimos ciclos do FDEL.

Enquanto os comícios avançam e as caravanas presidenciais percorrem os corredores do norte, o Niassa continua a mover-se entre duas realidades simultâneas: a província do potencial agrícola repetido nos discursos oficiais e a província concreta onde uma ponte cortada, uma berma destruída ou um troço intransitável continuam capazes de travar mercados inteiros. É nesse intervalo entre promessa produtiva e fragilidade logística que a visita de Daniel Chapo será observada nos próximos dias.




Chapo recebe investidores internacionais e reforça cooperação diplomática com o Quirguistão

Presidente da República recebe em audiência o Director Executivo da Sasol4

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu esta terça-feira, em audiências separadas, representantes de grandes grupos empresariais internacionais e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República do Quirguistão, encontros marcados pelo reforço da cooperação económica, diplomática e pelo interesse crescente no mercado moçambicano.

Entre os encontros realizados no Gabinete de Trabalho do Chefe do Estado, destaque para a audiência concedida ao Director Executivo da Sasol, Simon Baloi, que abordou os investimentos da empresa no sector do gás natural e em programas de desenvolvimento comunitário.

No final da audiência, Simon Baloi reafirmou o compromisso da Sasol com o desenvolvimento económico e social do País, anunciando que a empresa prepara-se para avançar para a segunda fase do programa de desenvolvimento local, denominado LDA2, avaliado em cerca de 43 milhões de dólares norte-americanos.

O responsável destacou igualmente o projecto PSA, estimado em cerca de mil milhões de dólares, destinado ao fornecimento de gás à central térmica da CTT, acrescentando que a empresa aguarda apenas pela conclusão das infra-estruturas energéticas para iniciar o fornecimento.

A construção de um terminal de gás natural liquefeito em Moçambique também esteve em análise, sendo considerada estratégica para fortalecer a integração energética regional e responder à crescente procura de energia na África Austral.

Noutra audiência, o Presidente da República recebeu o Director Executivo da Varun Beverages Zimbabwe & East Africa, Vijay Behel, que manifestou interesse em expandir os investimentos da companhia para Moçambique.

Segundo Vijay Behel, a empresa pretende investir no sector de lacticínios e reforçar operações ligadas à marca PepsiCo, incluindo bebidas gaseificadas, água engarrafada e sumos.

“Estamos muito satisfeitos porque o Presidente da República transmitiu-nos que Moçambique está aberto ao investimento. Ficamos encorajados e esperamos iniciar este negócio em breve”, afirmou o empresário.

O responsável acrescentou que a proposta será submetida aos órgãos de direcção da empresa para mobilização dos recursos necessários à implementação do projecto.

Por sua vez, o Director Global de Operações da Philip Morris International abordou oportunidades de cooperação e investimento no País, reiterando o interesse da multinacional em aprofundar relações económicas com Moçambique.

As audiências reflectem, segundo a Presidência da República, a crescente confiança de investidores estrangeiros no potencial económico de Moçambique e nos esforços do Governo para melhorar o ambiente de negócios, promover a industrialização e criar emprego.

Ainda nesta terça-feira, Daniel Chapo recebeu em audiência o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República do Quirguistão, Zheenbek Kulubaev, no quadro do reforço das relações diplomáticas entre os dois países.

Durante o encontro, o governante quirguiz destacou o papel estratégico da cidade de Maputo como um dos principais centros logísticos e económicos da África Austral, elogiando o processo de modernização urbana e o desenvolvimento das infra-estruturas portuárias.

Kulubaev considerou histórica a realização da primeira visita oficial de alto nível do Quirguistão a Moçambique, referindo que o País foi o primeiro destino africano da sua deslocação oficial ao continente.

O dirigente afirmou ainda que, apesar da distância geográfica entre os dois Estados, existem condições favoráveis para o fortalecimento da cooperação económica, comercial, logística, energética e de transportes.

Por sua vez, o Presidente da República reiterou a abertura de Moçambique ao aprofundamento das relações bilaterais e encorajou o estabelecimento de novas parcerias estratégicas entre os dois países.




Moçambique recebe 17 milhões de dólares para emergências sanitárias

MINISTRO DA SAUDE

O Governo moçambicano anunciou que o país vai beneficiar de 17 milhões de dólares norte-americanos, equivalentes a cerca de 14,5 milhões de euros, disponibilizados pelo Fundo Pandémico para reforçar a resposta às emergências de saúde pública agravadas pelos eventos climáticos extremos.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, à margem da Assembleia Mundial da Saúde, que decorre em Genebra.

Segundo o governante, Moçambique enfrenta sucessivas emergências sanitárias associadas a ciclones, cheias e secas, fenómenos que continuam a pressionar um sistema nacional de saúde marcado por limitações estruturais, escassez de recursos e forte dependência do financiamento externo.

“Todos estes eventos climáticos que acontecem em Moçambique impactam nas emergências de saúde pública”, declarou Ussene Isse, reconhecendo os efeitos cada vez mais severos das mudanças climáticas sobre a capacidade de resposta do sector.

O financiamento será aplicado na elaboração e implementação de um plano operacional destinado ao fortalecimento da segurança sanitária e da capacidade de resposta a surtos e epidemias.

Apesar do novo apoio financeiro internacional, persistem dúvidas sobre a capacidade do Estado em transformar os fundos recebidos em melhorias concretas para as populações afectadas, sobretudo nas zonas mais vulneráveis e frequentemente atingidas por desastres naturais.

Nos últimos anos, Moçambique tem recebido sucessivos apoios internacionais para responder a crises humanitárias e sanitárias. No entanto, comunidades afectadas por ciclones e cheias continuam a enfrentar dificuldades no acesso a cuidados médicos, medicamentos, água potável e infra-estruturas resilientes.

O ministro da Saúde considera que a selecção de Moçambique pelo Fundo Pandémico representa um reconhecimento dos progressos alcançados pelo país na gestão de emergências de saúde pública e no controlo de surtos epidémicos.

Ainda assim, especialistas têm alertado que os avanços anunciados pelo Governo contrastam com a realidade de várias unidades sanitárias, onde persistem problemas relacionados com falta de pessoal, carência de equipamentos e insuficiência de medicamentos essenciais.

Em Abril deste ano, Ussene Isse já havia defendido, em Maputo, a necessidade de maximizar os recursos disponíveis através de uma planificação conjunta entre o Governo, parceiros internacionais e organizações da sociedade civil.

Na ocasião, o governante reconheceu que a redução global do financiamento para o sector da saúde obriga o país a adoptar uma abordagem mais integrada e eficiente, evitando a duplicação de intervenções e o desperdício de recursos.

O Executivo pretende implementar um modelo de “plano único” para o sector da saúde, integrando intervenções distritais, provinciais e centrais numa matriz nacional de coordenação.




BNI distinguido como Superbrand Moçambique 2025-2026

BNI

O Banco Nacional de Investimento (BNI) foi oficialmente distinguido como Superbrand Moçambique 2025-2026, após uma avaliação independente conduzida pelo Conselho da Superbrands Moçambique. A distinção foi anunciada no âmbito da 6.ª edição da Superbrands Moçambique, realizada no passado dia 13 de Maio de 2026, em Maputo.

Segundo o banco, este reconhecimento reflecte o posicionamento do BNI enquanto instituição financeira de referência no país, destacando o seu papel na mobilização de financiamento, estruturação de projectos estratégicos e apoio ao desenvolvimento económico sustentável de Moçambique.

A Superbrands é uma organização internacional independente presente em cerca de 90 países, dedicada à identificação e valorização de marcas que se destacam pela sua credibilidade, liderança, solidez e capacidade de gerar confiança junto dos seus stakeholders. Em Moçambique, a iniciativa afirma-se como uma plataforma de reconhecimento institucional para entidades com impacto económico, consistência estratégica e visão de longo prazo.

A instituição destacou igualmente o contributo dos seus colaboradores para esta conquista, sublinhando que o reconhecimento resulta do empenho, profissionalismo e dedicação das equipas que diariamente trabalham para o fortalecimento da missão institucional do banco.




GAZA QUER TRANSFORMAR A MANDIOCA EM MOTOR DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO

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Governadora Margarida Mapazine aposta na modernização da produção e industrialização do tubérculo para responder à crescente procura e impulsionar empregos na província
A Governadora da Província de Gaza, Margarida Mapazine, defendeu a necessidade urgente de aprimorar as tecnologias de produção da mandioca, numa altura em que cresce significativamente a procura pelo tubérculo, considerado um dos alimentos mais energéticos e resistentes do mundo.
Segundo a dirigente, a mandioca representa actualmente um dos principais pilares da economia agrícola provincial, movimentando anualmente cerca de 3.760 milhões de meticais em Gaza, facto que demonstra o seu elevado potencial económico e social.
Durante um encontro de reflexão sobre cadeias produtivas agrícolas e processamento industrial, Margarida Mapadzene destacou que a província reúne condições favoráveis para elevar os níveis de produção e transformação da mandioca, sobretudo devido à sua versatilidade e múltiplas aplicações industriais.
“A mandioca é um dos alimentos mais ricos em energia do mundo e, na nossa província, desempenha um papel muito importante na estratégia económica. É um pilar da agricultura familiar e capaz de gerar milhares de empregos, contribuindo para que as comunidades alcancem a tão desejada autonomia financeira”, afirmou a governante.
A responsável sublinhou ainda que o tubérculo não deve ser visto apenas como produto alimentar tradicional, mas também como uma matéria-prima estratégica para sectores como a indústria farmacêutica, produção de farinhas enriquecidas, rações, biocombustíveis e outros derivados industriais.
Fontes ligadas ao sector agrícola provincial defendem que a modernização da cadeia de valor da mandioca poderá representar um passo decisivo na redução da pobreza rural, aumento da renda familiar e fortalecimento da segurança alimentar nas comunidades mais vulneráveis da província.
Além da análise em torno da mandioca e seus derivados, o encontro serviu igualmente para avaliar o estágio actual da produção e processamento de frutas na província, com destaque para os citrinos, o ananás e o falso fruto da castanha de caju, culturas consideradas estratégicas para diversificação económica e expansão agroindustrial.
Especialistas presentes no evento alertaram, entretanto, para a necessidade de maiores investimentos em tecnologias de conservação, irrigação, assistência técnica e acesso ao mercado, factores apontados como cruciais para garantir competitividade e sustentabilidade ao sector agrícola de Gaza.
A aposta na industrialização agrícola surge numa fase em que o Governo Provincial procura consolidar cadeias de valor capazes de transformar a produção familiar em negócios sustentáveis, promovendo emprego juvenil, inclusão económica e desenvolvimento rural integrado




Província de Maputo prevê comercializar 3 milhões de toneladas de produtos agrícolas em 2026

Governador Manuel Tule lança campanha agrícola e destaca aposta na indústria transformadora
A Província de Maputo prevê comercializar cerca de 3 milhões de toneladas de produtos agrícolas durante a Campanha de Comercialização Agrícola de 2026, sendo que aproximadamente 57% da produção será destinada à indústria transformadora, numa estratégia orientada para o fortalecimento da cadeia de valor agrária e dinamização da economia provincial.
A informação foi avançada neste sábado, 16 de Maio, pelo Governador da Província de Maputo, Manuel Tule, durante a cerimónia oficial de lançamento da Campanha de Comercialização Agrícola-2026, realizada no distrito da Moamba.
Segundo o governante, a campanha surge num contexto em que o Executivo provincial pretende consolidar a produção agrícola, garantir maior escoamento dos produtos e incentivar o processamento industrial local, reduzindo perdas pós-colheita e aumentando o rendimento dos produtores.
“Dos cerca de 3 milhões de toneladas projectadas para comercialização, 57% serão absorvidos pela indústria transformadora, o que demonstra o crescente papel do sector industrial na valorização da produção agrícola da província”, afirmou Manuel Tule.
O governador sublinhou ainda que o sector agrário continua a assumir um papel estratégico no combate à pobreza, geração de emprego e promoção da segurança alimentar nas comunidades rurais.
Durante a cerimónia, Manuel Tule apelou aos produtores, comerciantes e parceiros de desenvolvimento para reforçarem a cooperação ao longo da campanha agrícola, defendendo a necessidade de investimentos em infra-estruturas de armazenamento, transporte e processamento.
“A comercialização agrícola deve beneficiar directamente o produtor, criando rendimento sustentável e fortalecendo a economia local”, acrescentou.
A Campanha de Comercialização Agrícola-2026 decorre numa altura em que as autoridades provinciais procuram impulsionar a produção orientada para o mercado, com enfoque na ligação entre agricultura familiar, agro-indústria e exportação.
O distrito da Moamba, anfitrião do lançamento oficial, é considerado uma das principais zonas de produção agrícola da Província de Maputo, destacando-se no cultivo de cereais, hortícolas e outras culturas de rendimento.




Chefe da Brigada Central da FRELIMO na província de Maputo Apela à Produção para Minimizar Impacto da Crise dos Combustíveis

Francisco Mucanheia defende aumento da produção local como resposta à subida do custo de vida provocada pela tensão no Médio Oriente
O chefe da Brigada Central de Assistência da FRELIMO na província de Maputo, Francisco Mucanheia, apelou à população da província de Maputo para reforçar as actividades de produção, como forma de reduzir os efeitos da crise dos combustíveis que afecta vários países devido ao conflito armado no Médio Oriente.
O pronunciamento foi feito esta semana, após um encontro político realizado no Posto Administrativo da Machava-Sede, no município da Matola, província de Maputo, que reuniu membros e simpatizantes do partido FRELIMO.
Durante a sua intervenção, Francisco Mucanheia destacou que a actual instabilidade internacional está a provocar impactos significativos na economia mundial, sobretudo no aumento dos preços dos combustíveis, situação que pode influenciar directamente o custo de vida das famílias moçambicanas.
“Apelamos ao nosso povo para continuar a produzir, como forma de conter os efeitos da crise dos combustíveis. Também pedimos à população para abandonar os boatos e manter a calma, porque na província de Maputo a situação continua estável”, afirmou.
O dirigente explicou ainda que o Governo está a acompanhar de perto o comportamento do mercado e os impactos económicos resultantes da guerra no Médio Oriente, sublinhando que as autoridades provinciais permanecem vigilantes para evitar especulações e desinformação junto da população.
Segundo Francisco Mucanheia, as orientações deixadas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, sobre o reforço da produção nacional já começam a produzir resultados positivos na província de Maputo.
“As medidas deixadas pelo Chefe do Estado para incentivar a produção estão a ser implementadas e o povo está a acatar. Isso demonstra compromisso da população em enfrentar este momento difícil”, declarou.
O responsável político aproveitou igualmente a ocasião para condenar actos de desordem pública protagonizados por alguns sectores políticos, considerando que tais práticas podem comprometer os esforços de estabilidade social e económica no país.
“Apesar da existência de alguns partidos que continuam a promover desordem pública, a maioria da população está a seguir as orientações do Presidente da República”, acrescentou.
Analistas consideram que a crise internacional dos combustíveis poderá continuar a pressionar os preços de bens e serviços nos próximos meses, razão pela qual o Governo e diferentes actores sociais insistem na necessidade de aumento da produção agrícola e industrial como alternativa para fortalecer a economia nacional.
O encontro na Machava-Sede enquadra-se nas actividades de assistência política e mobilização social que a FRELIMO vem realizando em vários pontos da província de Maputo, com foco na estabilidade económica, produção local e preservação da paz social.




FIRMINO MUCAVEL ABANDONA ANAMOLA E REGRESSA À FRELIMO APÓS LIDERAR MANIFESTAÇÕES PÓS-ELEITORAIS EM RESSANO GARCIA

Firmino Mucavel, apontado como um dos principais rostos da mobilização política ligada a Venâncio Mondlane na vila fronteiriça de Ressano Garcia, decidiu abandonar o partido ANAMOLA e regressar à FRELIMO, partido no qual anteriormente militava.
Mucavel ocupava o cargo de coordenador de mobilização do ANAMOLA em Ressano Garcia e destacou-se durante as manifestações pós-eleitorais, onde esteve frequentemente na linha da frente dos protestos registados na fronteira entre Moçambique e África do Sul.
Em declarações tornadas públicas durante o acto da sua apresentação oficial à FRELIMO, Firmino Mucavel justificou a sua saída alegando falta de organização interna e ausência de uma agenda política séria no seio do ANAMOLA.
“Eu percebi que estava a ser instrumentalizado e usado para destruir bens públicos e privados. O partido ANAMOLA não demonstra seriedade no que toca à agenda nacional. Há muita desorganização no partido”, declarou Firmino Mucavel.
Considerado por alguns sectores políticos locais como uma das figuras influentes nas mobilizações pós-eleitorais em Ressano Garcia, Mucavel afirmou ter tomado a decisão de regressar à FRELIMO por considerar tratar-se de “um partido estruturado e com visão de governação”.
O acto da sua recepção decorreu na presença do Primeiro-Secretário do Comité Provincial da FRELIMO na Província de Maputo, Carlos Zavala, acompanhado por vários quadros seniores do partido.
Entre as figuras presentes esteve também Calisto Cossa, antigo presidente do Conselho Municipal da Matola e actual deputado da Assembleia da República, além de outros membros e simpatizantes da formação política.
Fontes locais indicam que a saída de Firmino Mucavel poderá representar um duro golpe para a capacidade de mobilização do ANAMOLA naquela região estratégica da fronteira de Ressano Garcia, considerada um dos principais pontos de tensão durante o período pós-eleitoral.
Analistas políticos entendem que a movimentação poderá igualmente reforçar a presença da FRELIMO na província de Maputo, numa altura em que os partidos da oposição enfrentam desafios internos relacionados com coesão e liderança política.