APME Defende Independência, Inclusão e Reforma do Ambiente de Negócios em Moçambique

A Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME) deve afirmar-se como uma instituição independente, orientada para o futuro e comprometida com os interesses coletivos do empresariado moçambicano. Esta foi a mensagem central do presidente Pedro Silva, durante a cerimónia de tomada de posse e lançamento de novas iniciativas de desenvolvimento institucional, realizada hoje na cidade de Maputo.
Na ocasião, Silva sublinhou que a organização não pode estar subordinada a interesses individuais, destacando que todos os membros partilham direitos e responsabilidades enquanto empresários e agentes ativos no desenvolvimento da comunidade nacional.
“Temos a obrigação de ser a voz mais forte e influente do empresariado. Nós somos a alavanca do nosso país”, afirmou.
O dirigente reforçou ainda a necessidade de alcançar uma independência económica sólida e sustentável, apontando a união interna como fator determinante:
“Acredito que, com uma APME unida, poderemos construir um ambiente de negócios mais justo, previsível e próspero.”
Prioridades estratégicas
Entre as principais linhas de ação anunciadas, destacam-se:
Acesso real ao financiamento: A APME pretende intensificar o diálogo com o Governo e o setor bancário para transformar o financiamento empresarial numa ferramenta efetiva de crescimento, deixando de ser um obstáculo estrutural para as PME.
Transformação digital e inovação: O fortalecimento institucional passa pela modernização das empresas. A associação compromete-se a promover a adoção de tecnologias digitais, visando maior eficiência e competitividade nos mercados nacional, regional e internacional.
Representatividade ativa: Silva garantiu que a APME deixará de ter um papel meramente protocolar, assumindo-se como um interveniente direto na formulação de políticas públicas e na redução da burocracia.
Inclusão da juventude empreendedora: O mandato será marcado por maior abertura aos jovens empresários, com foco em mentoria e integração em projetos estruturantes da economia nacional.
Igualdade de género e autonomia económica: O presidente alertou para os desafios enfrentados pelas mulheres, sobretudo em zonas rurais, defendendo o fim de barreiras no acesso ao crédito, terra e outros ativos económicos. Segundo Silva, o empoderamento feminino é essencial para a redução da pobreza e para o crescimento sustentável do país.
Parcerias para impacto coletivo
A APME pretende também reforçar a cooperação com parceiros estratégicos, como a Confederação das Associações Económicas (CTA), o Fundo de Desenvolvimento Empresarial (FDEM) e a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), com o objetivo de alinhar esforços e promover melhorias concretas no ambiente de negócios.
A mensagem final foi de mobilização e compromisso coletivo:
“Juntos, faremos de cada micro, pequena e média empresa um grande exemplo de sucesso para Moçambique.”
A nova liderança da APME assume assim um posicionamento claro: transformar a associação numa força ativa, independente e influente no desenvolvimento económico do país.




PRODEA defende processamento de recursos nacionais dentro do país para beneficiar o povo moçambicano

A Associação do Programa de Desenvolvimento Ambiental (PRODEA) defende que o processamento dos recursos naturais de Moçambique deve ser realizado internamente, como forma de garantir maior benefício direto para a população. A posição foi apresentada pelo diretor-geral da organização, Estevão Neves, durante a entrega formal de propostas à Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo.
No ato, a PRODEA afirmou-se como um ator relevante da sociedade civil, destacando o seu papel na representação de diversos segmentos sociais, incluindo comunidades locais, organizações de base, jovens, mulheres, líderes comunitários, líderes religiosos, estudantes, académicos, agentes económicos e desportistas. Segundo a organização, as propostas submetidas resultam de “um exercício democrático, inclusivo e imparcial”.
Durante a sua intervenção, Estevão Neves sublinhou a urgência de colocar os desafios ambientais no centro das prioridades nacionais de desenvolvimento.
“Moçambique enfrenta de forma recorrente cheias e secas em regiões já bem identificadas. Sugerimos o reforço da necessidade de aprimorar e fazer cumprir os instrumentos legais existentes, com vista à mitigação destes fenómenos”, afirmou.
No que diz respeito à legislação eleitoral, o responsável, em representação de 12 associações da sociedade civil — incluindo organizações da cidade de Maputo — reconheceu avanços significativos que permitem maior participação da sociedade civil, dos partidos políticos e do poder judicial.
Entre as propostas apresentadas, destaca-se a introdução da votação eletrónica. Contudo, a PRODEA alerta que o país deve, antes, assegurar condições fundamentais para a sua implementação.
“Iniciar é importante, mas preparar adequadamente é fundamental. Não basta imitar países que já adotaram esta prática; é preciso garantir preparação desde o topo até à base”, defendeu Estevão Neves, enfatizando a necessidade de expansão das tecnologias de informação e comunicação e da capacitação dos cidadãos.
Por sua vez, o presidente da Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo, Edson Macacuca, elogiou a iniciativa da PRODEA, destacando a importância das contribuições vindas de todas as províncias do país. Segundo Macacuca, as propostas da sociedade civil irão diversificar e enriquecer o processo de diálogo nacional.
Importa recordar que a PRODEA liderou a dinamização de um conjunto de 12 associações em todo o país, entre as quais se destacam a Associação para a Educação Cívica, Desenvolvimento Comunitário e Cidadania da Província de Maputo (ASSEDEC), a Associação pela Paz e Desenvolvimento da Cidade de Maputo, a Associação Desperta de Gaza, a Associação Comunitária Agro Esperança de Inhambane, a Associação da Cidadania, Reconciliação e Desenvolvimento de Sofala, a Associação de Educação para a Cidadania de Manica, a Associação para o Desenvolvimento e Empoderamento das Comunidades de Tete, a Associação Laços da Comunidade de Nampula, a Associação Moçambicana de Apoio às Vítimas de Conflitos e Desastres Naturais de Cabo Delgado, a Associação Amiga da Paz de Niassa, a Associação para Promoção da Paz, Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Zambézia, bem como grupos de mulheres e de pessoas com deficiência.
As contribuições destas organizações refletem uma ampla mobilização nacional da sociedade civil, reforçando o caráter participativo e inclusivo do processo em curso.




Governo congela salários mínimos enquanto custo de vida sufoca famílias

O Conselho de Ministros decidiu não alterar os salários mínimos na Função Pública no âmbito da nova tabela remuneratória, afastando, para já, qualquer possibilidade de aumento. A medida foi anunciada no final da habitual sessão semanal do Executivo.
O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, confirmou a decisão, sublinhando que “não está prevista qualquer revisão dos salários mínimos neste momento”, durante a comunicação feita à imprensa após o encontro governamental.
A decisão surge num cenário económico marcado pelo aumento do custo de vida, com sucessivas variações nos preços de bens essenciais e serviços. Esta conjuntura tem vindo a reduzir o poder de compra de muitas famílias moçambicanas, intensificando o debate público em torno da necessidade de actualização salarial na administração pública.
Apesar desse contexto, o Executivo defende que a manutenção dos níveis salariais atuais é uma medida necessária para assegurar o equilíbrio das finanças públicas. Segundo o porta-voz, “o Governo está comprometido com a estabilidade económica e a sustentabilidade financeira do Estado”, argumento utilizado para justificar a ausência de revisão dos mínimos.
Analistas ouvidos por este jornal consideram que a decisão poderá gerar descontentamento entre os funcionários públicos, sobretudo num período em que os custos de vida continuam a pressionar os rendimentos. Ainda assim, destacam que o Governo enfrenta um desafio delicado entre responder às demandas sociais e manter o controlo orçamental.
Com esta posição, o Executivo sinaliza uma abordagem cautelosa na gestão da despesa pública, num momento em que o país procura consolidar a recuperação económica e evitar desequilíbrios fiscais




ARENE mantém preços dos combustíveis e surpreende consumidores em Moçambique

Em uma decisão que apanhou muitos cidadãos de surpresa, o Conselho de Administração da Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) decidiu não proceder a qualquer alteração nos preços dos combustíveis no país, contrariando expectativas de um possível aumento que já vinha gerando preocupação entre consumidores.
A notícia, inicialmente inesperada para muitos que antecipavam um agravamento do custo de vida, foi recebida com alívio por parte de automobilistas e famílias que temiam um impacto direto no orçamento mensal.
Segundo um comunicado da ARENE, ao qual o jornal Visão Moçambique teve acesso, a entidade reguladora confirmou a manutenção dos preços atuais pelo menos até às 00h00 do dia 28 de abril, instruindo igualmente as empresas distribuidoras a respeitarem os valores em vigor até essa data.
“A ARENE informa que os preços dos combustíveis permanecem inalterados até às 00h00 do dia 28 de abril, devendo as gasolineiras manterem as tabelas atualmente em vigor”, refere o comunicado citado pelo Visão Moçambique.
A decisão surge num contexto em que o mercado internacional de combustíveis tem registado oscilações, o que vinha alimentando especulações sobre possíveis ajustamentos no mercado interno.
Por enquanto, a estabilidade anunciada traz algum alívio temporário aos consumidores, ainda que permaneça a expectativa sobre os próximos ajustes regulatórios no setor energético.




LMF leva 30 VIPs à abertura do Moçambola e levanta dúvidas sobre custos e logística

A Liga Moçambicana de Futebol (LMF) está a organizar a cerimónia de abertura do Moçambola com a presença de 30 convidados VIP provenientes de pontos do país, mas a logística e os encargos associados ao evento estão a gerar questionamentos.
De acordo com um comunicado oficial ao qual o Jornal Visão Moçambique teve acesso, a Associação Desportiva de Vilankulo (AD Vilankulo) será responsável por custear despesas de alojamento, alimentação e bebidas dos convidados. A LMF, por sua vez, compromete-se a suportar os custos relacionados com o transporte dessas individualidades até ao local do evento.
No entanto, um aspecto chama particularmente a atenção: embora a partida inaugural esteja marcada para a cidade da Maxixe, os VIPs deverão ficar hospedados em Vilankulo, localizada a várias dezenas de quilómetros do palco do jogo.
“O alojamento dos convidados será assegurado em Vilankulo, ficando a cargo da AD Vilankulo as despesas de estadia, refeições e bebidas”, refere o documento.
A decisão levanta questões logísticas e financeiras, sobretudo tendo em conta a necessidade de deslocação adicional entre as duas cidades no dia do evento. Para alguns observadores, trata-se de uma escolha que pode estar associada à promoção turística da região de Vilankulo, conhecida pelas suas estâncias balneares.
Ainda assim, surgem dúvidas quanto à razoabilidade de certos encargos. A inclusão explícita de despesas com bebidas no pacote suportado pela AD Vilankulo é vista por alguns como excessiva, num contexto em que clubes locais frequentemente enfrentam limitações financeiras.
“Há custos que são compreensíveis num evento desta dimensão, mas outros levantam debate sobre prioridades e gestão de recursos”, comentou uma fonte ligada ao desporto, sob anonimato.
Até ao momento, a LMF não se pronunciou publicamente sobre as críticas, mantendo-se o silêncio quanto aos critérios que orientaram estas decisões.




O silêncio das motas e o grito das cidades

Artigo de opinião:
Por Luís Vasconcelos – Um olhar atento

A partir de 1 de Maio de 2026, o som que durante anos marcou o ritmo das cidades moçambicanas — o zumbido ágil das motas — poderá transformar-se em silêncio forçado. Não por evolução natural do sistema de transportes, mas por imposição legal.

O Decreto n.º 78/2025 vem proibir a actividade de mototáxi nas zonas metropolitanas, abrangendo cidades como Maputo, Matola, Beira, Nampula e outras. À primeira vista, a medida pode parecer um passo rumo à organização urbana e à segurança rodoviária. Mas, olhando com atenção, revela-se um corte profundo numa das engrenagens mais resilientes da economia informal.

Durante anos, o mototáxi não foi apenas um meio de transporte. Foi refúgio económico. Foi alternativa para milhares de jovens sem emprego formal. Foi solução onde o Estado ainda não conseguiu chegar com eficácia. Cada mota na estrada representa mais do que mobilidade — representa sustento, dignidade e sobrevivência.

Retirar essa actividade de forma abrupta é, na prática, lançar milhares de famílias para uma incerteza imediata. É transferir para o cidadão comum o peso de uma decisão que não veio acompanhada de soluções visíveis.

Mas o impacto não se limita ao desemprego.

As cidades moçambicanas cresceram para além da sua capacidade de planeamento. Bairros distantes, ruas estreitas, acessos precários — realidades onde o transporte convencional raramente entra com eficiência. É nesses espaços que o mototáxi se tornou essencial. Não como luxo, mas como necessidade.

Sem ele, o que acontece?

A resposta é simples e preocupante: isolamento. Populações inteiras poderão ver-se privadas de mobilidade rápida. Trabalhadores chegarão mais tarde. Estudantes enfrentarão maiores dificuldades. Pequenos negócios perderão dinamismo. O tempo — esse recurso invisível — tornar-se-á ainda mais caro.

E há uma contradição que não pode ser ignorada: enquanto se critica o impacto das motas no trânsito, esquece-se que elas são, muitas vezes, a solução para o próprio congestionamento. Ágeis, adaptáveis, capazes de contornar o caos urbano, as motas preenchem falhas que o sistema formal ainda não conseguiu resolver.

Se o problema é a desordem, a resposta não deveria ser a proibição total, mas sim a organização. Regulamentar, formar, fiscalizar — caminhos mais difíceis, sim, mas também mais justos e sustentáveis.

Ao optar pela proibição, o Estado escolhe o caminho mais rápido, mas não necessariamente o mais eficaz.

E quando decisões desta magnitude são tomadas sem transição clara, sem diálogo amplo e sem alternativas concretas, o risco não é apenas económico — é social.

O silêncio das motas poderá, em breve, dar lugar a outro som: o da insatisfação.

Porque quando se retira o sustento de muitos sem oferecer caminhos, não se elimina um problema — transforma-se em outro, maior e mais profundo.

Moçambique precisa de ordem. Precisa de segurança. Mas precisa, acima de tudo, de equilíbrio.

E o verdadeiro desafio não está em proibir o movimento das motas, mas em garantir que, com elas fora das estradas, o país não fique parado.
Luís Vasconcelos- Um olhar atento




Governo pressiona Parlamento para aprovar banco de desenvolvimento e reformas no sector extractivo

Medidas são apresentadas como cruciais para dinamizar a economia, mas levantam questões sobre execução, transparência e impacto real
O Presidente da República, Daniel Chapo, solicitou à Assembleia da República o agendamento com carácter de urgência de um conjunto de propostas legislativas consideradas estratégicas para a economia nacional. No centro da iniciativa estão a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique e um pacote abrangente de reformas no sector extractivo.
Segundo fontes governamentais, o futuro banco público deverá concentrar-se no financiamento de projectos estruturantes, com o objectivo de mobilizar investimento e impulsionar o crescimento sustentável. “Pretende-se criar um instrumento financeiro capaz de responder às lacunas históricas de financiamento de longo prazo no país”, indicou uma fonte ligada ao processo.
Paralelamente, o Executivo propõe alterações profundas no quadro legal que rege os recursos naturais, incluindo a revisão das leis de minas e petróleos, bem como a introdução de uma nova Lei de Conteúdo Local. As reformas abrangem ainda ajustes no sector empresarial do Estado.
De acordo com o Governo, estas mudanças visam modernizar a legislação, reforçar a soberania nacional sobre os recursos naturais e promover a industrialização. “O pacote legislativo procura assegurar uma maior participação nacional na exploração e valorização dos recursos”, refere um documento oficial consultado pela nossa reportagem.
No entanto, analistas ouvidos levantam reservas quanto à capacidade de implementação efectiva das medidas. “A criação de instituições financeiras públicas exige elevados níveis de transparência e governação. Sem isso, há risco de repetição de falhas do passado”, alertou um economista que preferiu manter o anonimato.
Outros especialistas sublinham que a revisão das leis do sector extractivo poderá ter impacto significativo na atracção de investimento estrangeiro. “O equilíbrio entre soberania e competitividade será determinante para o sucesso destas reformas”, acrescentou.
O Governo defende que, em conjunto, as iniciativas têm como objectivo transformar os recursos naturais e os instrumentos financeiros em motores efectivos de desenvolvimento inclusivo e geração de emprego — uma meta ambiciosa num contexto económico ainda marcado por desafios estruturais.
A Assembleia da República deverá analisar as propostas nas próximas sessões, num debate que se antevê intenso e com implicações de longo alcance para o futuro económico do país.




Thera Dai faz história e assume liderança da advocacia moçambicana

A advogada Thera Dai foi eleita Bastonária da Ordem dos Advogados de Moçambique, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo máximo da instituição desde a sua criação. A eleição decorreu este sábado e assinala uma mudança relevante num sector tradicionalmente dominado por homens.



Mais do que um resultado eleitoral, a eleição de Thera Dai representa um sinal de transformação interna na classe, com potencial para impulsionar maior inclusão e diversidade nos órgãos de decisão da advocacia.

Transição num momento crítico

Thera Dai deverá substituir Carlos Martins, cujo mandato termina em Junho, numa fase considerada sensível para o sector jurídico. Entre os principais desafios identificados estão o reforço da ética profissional, a modernização dos serviços jurídicos, a ampliação do acesso à justiça e o combate à morosidade processual.

Fontes próximas do processo eleitoral apontam para uma liderança mais interventiva, com maior proximidade à classe e foco na valorização dos advogados, sem comprometer a defesa da independência do sistema judicial.

Expectativa de mudança efectiva

A eleição ocorre num contexto de crescente participação feminina em áreas estratégicas do país, ainda que a presença de mulheres em cargos de topo continue reduzida. Neste quadro, a ascensão de Thera Dai assume carácter simbólico, mas também coloca pressão por resultados concretos.

Internamente, há expectativa de uma gestão menos burocrática e mais orientada para soluções práticas — uma exigência recorrente entre os profissionais do sector.

Impacto no Estado de Direito

A Ordem dos Advogados é uma peça-chave no funcionamento do Estado de Direito. A actuação da nova Bastonária poderá influenciar directamente a condução de processos judiciais, a defesa dos direitos fundamentais e a credibilidade das instituições.

O cenário está definido: a classe espera menos promessas e mais execução.




Menor Electronics lança “Celeste Pro” e desafia gigantes globais

O cenário tecnológico moçambicano testemunhou um marco histórico com o lançamento no Sábado(25.04.2026) do Menor All In One Pro, também designado “Celeste Pro”. O novo computador de alto desempenho promete colocar a indústria local em rota de colisão com as maiores marcas internacionais, apresentando especificações de topo que incluem um monitor curvo de 34 polegadas e uma configuração de hardware robusta, desenhada para criadores e profissionais exigentes.



A VISÃO DO FUNDADOR: UMA MARCA PARA O UNIVERSO

António Mondlane, CEO da Menor Electronics

António Mondlane, CEO da Menor Electronics, abriu o evento reforçando o compromisso da sua empresa com a inovação contínua. Dois anos após o seu primeiro grande lançamento, a empresa regressa com produtos renovados. “Viemos mostrar que temos trabalhado de forma incansável, temos de dar continuidade àquilo que é o nosso propósito”, afirmou Mondlane, sublinhando que a nova linha apresenta uma “nova estrutura, uma nova engenharia e uma nova arquitectura”.

Com mais de 2.200 unidades já vendidas, o CEO traça metas ambiciosas, visando atingir 5 milhões de unidades até 2030 e expandir a marca para além-fronteiras. Mondlane revelou ainda que a empresa está a construir um edifício na Matola, previsto para inaugurar em Novembro, que albergará um laboratório onde engenheiros locais desenvolverão tecnologia do zero. “Daqui a 9 anos, em 2035, queremos fazer tudo aqui”, projectou, mencionando o uso de materiais recicláveis como alumínio e plásticos.

“O MELHOR DESKTOP DO UNIVERSO”: POTÊNCIA E DESIGN

Durante a apresentação detalhada do equipamento, o entusiasmo de Mondlane foi evidente ao descrever o Celeste Pro como “o melhor desktop do universo”. O dispositivo destaca-se pelo monitor curvo ultra-wide de 34 polegadas, com resolução de 3440 por 1440 e suporte a 4K, oferecendo uma imersão total com 1,07 mil milhões de cores.

No interior, a máquina é equipada com 32GB de RAM e um sistema de duas placas gráficas: uma RTX 3060 de 12GB e uma RTX 4060 de 8GB, proporcionando uma “potência gráfica feita para criar, para explorar, para construir e para jogar sem limites”. O ecossistema é completado pelo Skyboard Pro e Sky Mouse Pro, periféricos que oferecem até 100 dias de uso com uma única carga. Mondlane recordou que a empresa nasceu com apenas 50 meticais, movida pela máxima de Mahatma Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

O APOIO DO SETOR FINANCEIRO E A VOZ DOS REVENDEDORES

A relevância do projecto atraiu a atenção de instituições financeiras. J.M, gestora do BCI, marcou presença para reiterar o apoio à marca. “É um evento que para nós é de grande valia, principalmente por ser um moçambicano a inovar”, declarou Mauel, acrescentando que o banco acompanha a marca há anos para “elevar ao mais alto nível esta marca”. Para a gestora, a montagem apresentada é a prova de que o sonho moçambicano pode tornar-se realidade, mostrando que o país está “competitivo ao nível internacional”.

Na vertente comercial, José Martinho, revendedor de tecnologia, classificou o lançamento como algo “extraordinário e incrível”. Martinho apelou ao consumo interno para fortalecer a economia nacional: “Consumir aquilo que é nosso produto… ajuda o nosso país a desenvolver e poder vender para os outros países”, comparando a ambição da Menor à de gigantes como a Samsung.

INOVAÇÃO E DESAFIOS ESTRUTURAIS

Onofre, colaborador próximo do projecto, destacou a versatilidade de Mondlane, que actua tanto na tecnologia como na indústria pesada com a “Menor Lift”, a primeira empilhadora moçambicana. Para ele, o Celeste Pro não é um projecto estagnado, mas sim um sucesso em marcha. “É o bebé do país. É o primeiro a lançar um produto made in Moçambique… requer muita parte de hardware e software”, explicou, instando o governo a abraçar a causa de um jovem que está a preparar um laboratório nacional para aconselhar outros inventores.

Menor Lift”, a primeira empilhadora moçambicana

Osvaldo Muzambwa, que assistiu à apresentação pela primeira vez, confessou-se “estupefacto e admirado”, afirmando que a qualidade do produto “não parece algo moçambicano”. Mozamba defendeu que o Estado tem o dever de promover estas iniciativas, sugerindo a criação de estágios pré-profissionais na Menor Electronics para multiplicar este espírito inovador entre os jovens.

APELO À VALORIZAÇÃO DO CONTEÚDO LOCAL

Edson Almeida, amigo de longa data do inventor e CEO da ME António Mondlane

Apesar do sucesso técnico, o evento foi também palco de desabafos sobre a falta de apoio institucional. Edson Almeida, amigo de longa data do inventor, lamentou a ausência de grandes empresas nacionais e do Estado. “É uma pena que ainda uma parte do nosso estado não apoie e não esteja aqui para verificar o que é que está a ser feito”, criticou, notando que empresas de telefonia e bancos continuam a importar marcas como HP e Dell em detrimento da produção local. Almeida sublinhou que a Menor Electronics oferece qualidade superior a preços mais acessíveis, desafiando as “leis” de um país onde muitas vezes se privilegia o imediato sobre a inovação.

Edson, profissional da área gráfica e utilizador de monitores de 34 polegadas, reforçou este sentimento de abandono institucional. “Ao ver que a sala não esteve cheia para um evento tão grande como este… entristece”, desabafou. Ele argumentou que comprar localmente é uma questão de soberania económica: “Quando a gente tira o nosso recurso financeiro e vai comprar um produto fora, a gente está a levar a nossa economia para entregar fora”. Edson concluiu com um apelo para que o Estado e as empresas não deixem os jovens desistirem por falta de incentivo, lembrando que a Menor Electronics não pede esmola, mas sim que o seu produto seja valorizado no mercado.




Operação Surpresa na Cadeia Central Expõe Uso Ilícito de Telemóveis entre Reclusos

Uma operação conjunta conduzida pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e pela Polícia da República de Moçambique (PRM) resultou, na madrugada deste sábado, na apreensão de diversos telemóveis no interior da Cadeia Central, levantando sérias preocupações sobre a segurança e o controlo dentro do sistema penitenciário.
De acordo com fontes oficiais, a ação foi realizada de forma inesperada, surpreendendo os reclusos durante as primeiras horas do dia. Equipas especializadas procederam a uma revista intensiva às celas, numa operação descrita como “minuciosa e estratégica”, com o objetivo de desmantelar redes de comunicação ilegal a partir do interior do estabelecimento.
“Foi uma intervenção cirúrgica. Entrámos de madrugada para garantir o efeito surpresa e evitar qualquer tentativa de ocultação de provas”, revelou uma fonte ligada à operação, sob anonimato.
Durante a revista, foram encontrados vários dispositivos móveis escondidos em locais improváveis, incluindo estruturas improvisadas nas celas. As autoridades suspeitam que os aparelhos vinham sendo utilizados para coordenar atividades ilícitas fora e dentro da prisão.
Segundo relatos recolhidos no local, algumas comunicações interceptadas indicam a utilização frequente de instruções diretas como “manda para esse número”, sugerindo a existência de esquemas organizados que operam a partir do interior da cadeia.
“O uso de telemóveis em estabelecimentos penitenciários representa uma ameaça grave à ordem pública, pois permite a continuidade de práticas criminosas mesmo em regime de reclusão”, afirmou um porta-voz das forças de segurança.
A operação insere-se num conjunto mais amplo de medidas que visam reforçar o controlo e a disciplina nos estabelecimentos penitenciários do país, num contexto em que têm surgido denúncias recorrentes sobre a circulação ilegal de objetos proibidos.
As autoridades garantem que as investigações continuam em curso para identificar não apenas os reclusos envolvidos, mas também possíveis redes externas que facilitam a entrada destes dispositivos.
Entretanto, fontes internas admitem que o incidente expõe fragilidades no sistema de vigilância prisional, levantando questões sobre a eficácia dos mecanismos de controlo atualmente em vigor.
Mais desenvolvimentos são aguardados nas próximas horas, à medida que o SERNIC e a PRM aprofundam as diligências para responsabilizar os envolvidos.