“VOR Falso” na Mira: Damião Cumbane acusa Procuradoria-Geral da República de alegado esquema no caso Elvino Dias

O advogado Damião Cumbane lançou acusações graves contra a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), sugerindo a existência de um alegado esquema sofisticado que, segundo afirma, remete a métodos históricos associados ao período do apartheid na África Austral.
De acordo com o jurista, no contexto da morte de Elvino Dias, terá sido montado um sistema de navegação falso — conhecido como VOR (Very High Frequency Omnidirectional Range) — com o objetivo de induzir em erro operações aéreas e autoridades envolvidas. Cumbane estabelece um paralelo direto com o incidente de 1986 que resultou na morte do então Presidente moçambicano Samora Machel, ocorrido nas colinas de Mbuzini.
“Montaram-lhe um VOR falso, à moda do VOR montado pelos sul-africanos em 1986, que levou ao desvio e queda do avião presidencial”, afirmou.
Referências Históricas e Alegada Continuidade de Redes
Ao aprofundar a sua argumentação, Damião Cumbane sustenta que indivíduos ligados ao alegado “assassinato” de Samora Machel permanecem ativos e com influência nos círculos de decisão.
“Uma grande parte da componente moçambicana que tomou parte no ‘assassinato’ de Samora Machel continua viva e a difundir as suas longas experiências à nova geração de líderes”, declarou.
O advogado levanta ainda dúvidas sobre as circunstâncias que rodearam a tragédia de 1986, sublinhando a ausência de figuras centrais do círculo presidencial no voo fatal.
“Não nos esqueçamos que Samora Machel morreu rodeado de serventes e chefes de menor destaque. Nenhum dos principais membros do círculo do poder seguiu viagem com o Presidente. Estranho!”
Paralelos com o Presente
Estabelecendo ligação com a atualidade, Cumbane afirma que métodos semelhantes teriam sido replicados num episódio recente envolvendo o Procurador-Geral da República, Américo Letela.
“Desta feita, com recurso a essas longas experiências, montou-se um falso VOR para levar o PGR Américo Letela a aterrar num lodaçal”, afirmou.
Segundo o advogado, indivíduos que anteriormente terão proferido ameaças contra Elvino Dias — e que, alegadamente, manifestaram satisfação com a sua morte — não surgem diretamente associados aos factos sob investigação.
“Todos os que estiveram a proferir ameaças ao Elvino Dias e os que, de seguida, rejubilaram com o seu macabro assassinato, não aparecem. É assim como age o crime organizado.”
Silêncio Institucional e Apelos à Investigação
Até ao momento, a Procuradoria-Geral da República não reagiu publicamente às declarações. Especialistas em assuntos jurídicos e políticos alertam que acusações desta natureza, pela sua gravidade, exigem apuramento rigoroso e independente.
Analistas sublinham que o caso poderá ter implicações profundas na confiança pública nas instituições, caso não seja devidamente esclarecido, reforçando a necessidade de transparência e responsabilização.




Moza Banco impulsiona reflexão crítica sobre o papel da mulher na sociedade moçambicana

Num contexto marcado por persistentes desigualdades de género e desafios estruturais ao desenvolvimento inclusivo, o Moza Banco promoveu, esta quinta-feira, na capital moçambicana, a primeira edição do Moza Talks 2026. O evento reuniu académicas, pensadoras e diversas figuras da sociedade civil para debater o tema “O lugar da Mulher em Moçambique”, numa iniciativa que procurou ir além do discurso simbólico e fomentar uma análise crítica enraizada na realidade sociocultural do país.A sessão destacou-se pela diversidade de perspectivas apresentadas, com intervenientes a revisitar o percurso histórico da mulher moçambicana, marcado por exclusões sistémicas, mas também por avanços significativos nas últimas décadas. Entre reflexões sobre os papéis tradicionais e os novos espaços de afirmação feminina, o encontro lançou questões sobre até que ponto as conquistas actuais se traduzem em mudanças estruturais efectivas.Apesar do tom institucional do evento, várias intervenções apontaram para a necessidade de transformar o debate em acções concretas. Persistem desafios como o acesso desigual a oportunidades económicas, a sub-representação em cargos de decisão e barreiras socioculturais que limitam a plena participação da mulher na vida pública e privada.Na ocasião, a Directora de Corporate do Moza Banco, Samira Franco, enfatizou a importância de criar plataformas de diálogo inclusivo, reconhecendo que o crescimento sustentável do país está intrinsecamente ligado à integração efectiva de todos os grupos sociais.“O desenvolvimento económico e social só é possível quando todos ocupam, com dignidade, o espaço que lhes é devido. A mulher não pode continuar a ser vista como um elemento periférico, mas sim como uma força central na dinâmica económica e social do país”, afirmou.A responsável sublinhou ainda que iniciativas como o Moza Talks representam um esforço para reposicionar o debate sobre género, não apenas ao nível conceptual, mas também na implementação de medidas práticas que contribuam para o empoderamento feminino.Contudo, especialistas presentes alertaram que o envolvimento do sector privado, embora relevante, deve ser acompanhado por políticas públicas robustas e mecanismos de responsabilização que garantam resultados mensuráveis. Sem esses elementos, advertiram, há o risco de tais iniciativas permanecerem no domínio da retórica institucional.O Moza Banco destacou igualmente o projecto Moza Women, lançado em 2024, como exemplo da sua estratégia para apoiar o fortalecimento do papel da mulher na economia, oferecendo soluções financeiras e programas de capacitação. Ainda assim, analistas apontam que a eficácia de tais programas dependerá da sua abrangência e do impacto real junto das mulheres em contextos mais vulneráveis.Ao acolher o Moza Talks 2026, a instituição posiciona-se como promotora de pensamento crítico sobre questões estruturais do país. Resta, porém, acompanhar de que forma este compromisso se traduzirá em mudanças concretas num cenário onde a igualdade de género continua a ser um desafio central para o desenvolvimento de Moçambique.




Daniel Chapo participa em celebrações do Jubileu de Rubi no Reino de Eswatini

O Presidente da República, Daniel Chapo, realiza uma visita oficial de trabalho ao Reino de Eswatini nos dias 24 e 25 de Abril do corrente ano, no âmbito de um convite formulado por Sua Majestade, o Rei Mswati III. A deslocação insere-se nas celebrações do Jubileu de Rubi, que assinala os 40 anos de reinado do monarca, coincidindo igualmente com o seu 58.º aniversário natalício.
Fontes ligadas à Presidência indicam que a participação de Moçambique neste evento reveste-se de importância diplomática, numa altura em que se procura reforçar os laços bilaterais entre os dois países da região da África Austral. A presença do Chefe de Estado moçambicano ocorre num contexto de cooperação política e económica crescente no seio da SADC.
Durante a visita, Daniel Chapo far-se-á acompanhar pela Primeira-Dama da República, bem como por uma delegação composta por quadros seniores da Presidência. Segundo apurou a nossa reportagem, estão igualmente previstos encontros bilaterais à margem das celebrações, embora detalhes sobre a agenda oficial ainda não tenham sido integralmente divulgados.
“O convite reflecte o nível de diplomáticas e de respeito mútuo entre os dois Estados”, referiu uma fonte governamental, acrescentando que a visita poderá abrir espaço para novas iniciativas conjuntas em áreas estratégicas.
As celebrações do Jubileu de Rubi do Rei Mswati III são consideradas um dos eventos mais marcantes do calendário político e cultural de Eswatini, devendo reunir líderes regionais e outras figuras de destaque internacional.




INSPECÇÃO TÉCNICA REVELA DEGRADAÇÃO PREOCUPANTE EM EDIFÍCIOS PÚBLICOS E PRIVADOS NA CIDADE DE MAPUTO

Um recente relatório técnico do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH) evidencia um quadro preocupante relativo ao estado de conservação do parque edificado na cidade de Maputo. A inspecção, realizada a 11 edifícios seleccionados por amostragem, identificou sinais consistentes de degradação, alguns dos quais configuram riscos efectivos para a segurança de pessoas e bens.



A presente iniciativa decorre na sequência de um incidente ocorrido na Avenida Filipe Samuel Magaia, no qual ocorreu o desprendimento de parte do revestimento de uma estrutura, com queda sobre o passeio público. Este evento motivou a constituição de uma Equipa Conjunta de Inspecção, integrada pelo Laboratório de Engenharia de Moçambique (LEM, IP), pela Inspecção-Geral das Obras Públicas (IGOP, IP), pela Direcção Nacional de Edifícios (DNE) e pela Administração do Parque Imobiliário do Estado (APIE).

De acordo com o relatório, uma proporção significativa do parque edificado da cidade de Maputo possui mais de 50 anos de existência, evidenciando défices estruturais de manutenção sistemática e preventiva. Tal circunstância constitui um factor determinante para o processo de degradação actualmente observado.

A avaliação foi conduzida com base em inspecções visuais sistemáticas, complementadas por registo fotográfico e por análise técnico-qualitativa das anomalias identificadas. Os objectivos centrais incidiram na avaliação do estado de conservação dos edifícios, na identificação de riscos estruturais e funcionais, bem como na formulação de recomendações técnicas de intervenção.

Anomalias identificadas

Os resultados da inspecção permitem classificar as patologias identificadas em cinco categorias principais: anomalias não estruturais, estruturais, hidráulicas, eléctricas e de salubridade.

No domínio das anomalias não estruturais, registam-se fenómenos de destacamento de rebocos, degradação de revestimentos e pinturas, fissuração em elementos de alvenaria, bem como o desenvolvimento de fungos e vegetação em superfícies edificadas.

No que respeita às anomalias estruturais, foram identificadas situações de maior gravidade, incluindo fissuração em elementos resistentes, destacamento de betão, corrosão de armaduras e infiltrações com impacto directo no betão armado. Foram ainda observadas deformações e sobrecargas associadas à instalação de equipamentos sem prévia validação técnica.

No sistema hidráulico, constatam-se ocorrências de fugas de água, infiltrações generalizadas, obstrução de sistemas de drenagem e ausência ou inoperacionalidade de sistemas de combate a incêndios.

Relativamente às anomalias eléctricas, o relatório assinala quadros eléctricos desorganizados, cablagem exposta e equipamentos sujeitos a exposição à humidade, factores que incrementam significativamente o risco de curto-circuito e incêndio.

No domínio da salubridade, verificam-se condições inadequadas, designadamente acumulação de resíduos, presença de água estagnada, humidade persistente e proliferação de fungos, com impacto directo nas condições de saúde e habitabilidade dos ocupantes.

O relatório apresentado hoje pelo Inspector Geral das Obras Públicas, Saturino Chemneze e pelo Director do Laboratório de Engenharia de Moçambique Carlos Cumbana, conclui que o processo de degradação dos edifícios apresenta carácter activo e progressivo, sendo predominantemente associado à presença de infiltrações persistentes e à ausência de manutenção regular e preventiva. Em diversos casos, foram identificadas anomalias de natureza crítica, com potencial risco para a segurança estrutural e funcional das edificações.

As autoridades competentes alertam que, na ausência de intervenções imediatas e estruturadas, se prevê o agravamento da situação, com consequente aumento da probabilidade de ocorrência de incidentes e elevação significativa dos custos futuros de reabilitação.

Neste contexto, o MOPHRH recomenda a implementação urgente de medidas de manutenção correctiva e preventiva, reabilitação estrutural e reforço dos mecanismos de fiscalização técnica, de forma a assegurar a segurança estrutural, a funcionalidade e as condições de habitabilidade do parque edificado da cidade de Maputo.




MOÇAMBIQUE DESPERTA INTERESSE DE INVESTIDORES E VISITANTES NO TERCEIRO DIA DA ZITF 2026 EM BULAWAYO

Moçambique está a registar sinais encorajadores de dinamização económica e projeção internacional durante o terceiro dia da 66.ª edição da Feira Comercial Internacional do Zimbabwe (ZITF 2026), um dos maiores eventos de promoção de negócios da região da África Austral.
Dados recolhidos no recinto da feira indicam que o stand moçambicano tem sido um dos pontos de maior afluência, atraindo um fluxo constante de visitantes, entre os quais potenciais investidores, representantes de empresas e delegações empresariais interessadas em explorar oportunidades de cooperação económica com o país.
A diversidade de produtos e serviços apresentados surge como um dos principais fatores de atração. Entre os setores em destaque estão o agroprocessamento, o processamento e tratamento de águas — com forte representação de iniciativas oriundas da província de Manica — e a produção de plantas medicinais, áreas consideradas estratégicas para o crescimento sustentável e a agregação de valor aos recursos nacionais.
Segundo fontes ligadas à organização e à delegação moçambicana, “há um interesse concreto por parte de investidores estrangeiros em estabelecer parcerias com empresas nacionais, sobretudo em cadeias de valor ainda pouco exploradas”. As mesmas fontes indicam que vários encontros bilaterais já foram realizados, com perspetivas reais de formalização de acordos nos próximos meses.
Empresários presentes no evento destacam a importância da ZITF como plataforma para ampliar redes de contactos e promover produtos nacionais num ambiente competitivo e internacional. “Estamos a receber propostas que podem evoluir para investimentos diretos e transferência de tecnologia, o que é extremamente positivo para o país”, afirmou um representante do setor de agroprocessamento.
Para analistas económicos, o desempenho de Moçambique nesta edição da feira reflete uma estratégia mais assertiva de promoção externa, focada na diversificação da economia e na captação de investimento estrangeiro. No entanto, alertam que o desafio reside na capacidade de transformar o interesse manifestado em projetos concretos e sustentáveis no terreno.
A participação moçambicana na ZITF 2026 deverá continuar a gerar contactos e oportunidades até ao encerramento do evento, consolidando a imagem do país como destino emergente para investimento e negócios na região.




Defesa de Rasaque Manhique acusa Tribunal de distorcer factos e nega crime no caso Florentino

A defesa de Rasaque Manhique lançou duras críticas contra o Tribunal, acusando-o de sustentar uma narrativa “sem base factual” no processo que envolve o cidadão Florentino Maneja. Em causa está a alegada prática de crime de desobediência — uma acusação que o advogado rejeita de forma categórica.
“Não existiu, não existe e nunca existirá qualquer crime de desobediência neste processo”, afirmou o advogado, em declarações firmes, sugerindo que a posição do Tribunal carece de fundamentação sólida e levanta sérias dúvidas sobre a condução do caso.
De acordo com a defesa, trata-se de um processo antigo, com vários anos de tramitação, que tem seguido os canais legais previstos, sem qualquer registo de incumprimento deliberado que possa configurar ilícito criminal. “Estamos perante um processo que foi sendo conduzido dentro da normalidade jurídica, e não numa lógica de afronta à autoridade judicial, como se quer agora fazer crer”, sublinhou.
O advogado vai mais longe e aponta para aquilo que considera ser uma tentativa de reinterpretação forçada dos factos. “Há aqui um esforço claro de transformar um procedimento administrativo ou processual num caso criminal, o que é, no mínimo, questionável”, declarou, insinuando possíveis excessos por parte das autoridades judiciais.
Fontes próximas do processo indicam que o caso, apesar da sua antiguidade, ganhou nova atenção nos últimos tempos, levantando suspeitas sobre eventuais motivações por detrás da insistência na acusação. Ainda assim, o Tribunal mantém-se em silêncio sobre críticas específicas, limitando-se a reiterar que os autos seguem os trâmites legais.
Especialistas do meio jurídico, contactados sob anonimato, admitem que processos longos podem, por vezes, ser alvo de interpretações divergentes, mas alertam que a tipificação de crimes como desobediência exige critérios rigorosos. “Não basta a existência de um processo antigo; é necessário provar uma conduta clara de recusa ou violação de ordem legítima”, referiu uma das fontes.
Enquanto isso, a defesa de Rasaque Manhique promete levar o caso até às últimas instâncias, denunciando o que considera ser uma “leitura distorcida da lei” e exigindo o restabelecimento da verdade jurídica.
O desenrolar deste processo poderá vir a expor fragilidades na interpretação judicial e reacender o debate sobre a gestão de casos antigos no sistema de justiça.




PGR revela processos contra agentes do SERNIC e anuncia reforço com 600 novos recrutas

O Procurador-Geral da República, Américo Latela, revelou esta semana, na Assembleia da República, que 28 membros do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) estão actualmente a responder a processos disciplinares e criminais, no âmbito de acções de controlo interno levadas a cabo pela instituição.
Segundo explicou o magistrado, os processos resultam de iniciativas destinadas a reforçar a responsabilização no sector da investigação criminal, numa altura em que crescem as exigências de transparência e integridade nas instituições públicas.
“Estamos a intensificar os mecanismos de controlo interno para garantir que os agentes actuem dentro da legalidade e dos princípios éticos que regem a função pública”, afirmou Américo Latela perante os deputados.
No mesmo informe, o Procurador-Geral anunciou que está em curso o recrutamento de 600 novos agentes para o SERNIC, uma medida que visa fortalecer a capacidade operacional da instituição.
De acordo com Latela, o reforço de efectivos pretende melhorar a resposta no combate ao crime organizado e a outras formas complexas de criminalidade que têm vindo a desafiar as autoridades.
“O aumento do número de agentes permitirá maior cobertura operacional e maior eficácia nas investigações, sobretudo em casos de maior complexidade”, sublinhou.
As medidas apresentadas inserem-se, segundo a Procuradoria-Geral da República, num esforço mais amplo de reforma dos órgãos de investigação criminal. O objectivo, destacou, é elevar os níveis de eficiência, integridade e credibilidade institucional, reforçando a confiança pública no sistema de justiça.




Burlas a partir da prisão expõem falhas graves: SERNIC intervém na Cadeia de Máxima Segurança da “BO”

Numa operação que levanta mais perguntas do que respostas, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) invadiu recentemente a Cadeia de Máxima Segurança, conhecida como “BO”, na província de Maputo, com o objetivo de apreender telemóveis usados por reclusos em esquemas de burla.
A intervenção surge após uma onda de indignação pública, marcada por denúncias recorrentes de cidadãos vítimas de extorsão e fraude protagonizadas a partir do interior do sistema prisional — um espaço que, em teoria, deveria ser de controlo absoluto do Estado.
Apesar do caráter “excecional” da operação, fontes indicam que o uso de telemóveis por reclusos não é um fenómeno novo, mas sim uma prática antiga e, alegadamente, facilitada por falhas sistemáticas de controlo e possíveis esquemas de corrupção dentro das cadeias.
“Não se trata apenas de apreender telefones. A questão central é: como é que estes dispositivos entram e circulam livremente numa cadeia de máxima segurança?”, questiona um analista de segurança ouvido no âmbito desta investigação.
Relatos apontam que alguns reclusos operam verdadeiras redes criminosas a partir das celas, contactando vítimas aleatórias, simulando emergências familiares ou falsas oportunidades de negócio para obter transferências financeiras. Em muitos casos, as vítimas só percebem o esquema depois de efetuarem pagamentos, sem possibilidade de reaver os valores.
A operação do SERNIC, embora apresentada como uma resposta firme, é vista por críticos como uma medida reativa, que não ataca as causas profundas do problema. Organizações da sociedade civil defendem que a recorrência destas situações revela fragilidades estruturais no sistema penitenciário, incluindo falta de fiscalização rigorosa, insuficiência de meios tecnológicos e, possivelmente, conivência interna.
“O Estado está a correr atrás do prejuízo. Estas redes já operam há muito tempo”, afirmou uma fonte ligada ao setor da justiça, acrescentando que sem reformas profundas, as operações pontuais terão impacto limitado.
Entretanto, o silêncio das autoridades sobre eventuais responsabilidades internas alimenta suspeitas e reforça a perceção pública de impunidade. Para muitos cidadãos, a questão já não é apenas a existência de burlas, mas sim a aparente incapacidade — ou falta de vontade — das instituições em erradicá-las.
A intervenção na “BO” poderá resultar na apreensão de dispositivos e na interrupção temporária de algumas atividades ilícitas. No entanto, permanece a dúvida: será esta mais uma operação simbólica ou o início de uma mudança real no controlo do crime dentro das prisões moçambicanas?




CTA lidera missão empresarial à China com foco em investimento e parcerias estratégicas

Cerca de 100 empresários moçambicanos de diversos sectores participam, entre os dias 17 e 22 de Abril, numa missão empresarial à China liderada pela Confederação das Associações Económicas (CTA), numa iniciativa que visa reforçar a cooperação económica bilateral e atrair investimento estrangeiro para Moçambique.
O ponto alto da agenda será o Fórum de Negócios China–Moçambique, a decorrer na província de Hunan, uma das regiões com maior crescimento industrial naquele país asiático. Hunan destaca-se por albergar grandes conglomerados nas áreas de construção, maquinaria pesada, mineração e agroprocessamento, sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento económico moçambicano.
A missão é organizada em parceria com a Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX) e a Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), tendo como principais objectivos a identificação de oportunidades de negócio, o estabelecimento de parcerias estratégicas e a captação de investimento chinês.
A delegação integra representantes de empresas dos sectores de mineração, agroindústria, transportes e logística, infraestruturas, energia, construção civil e indústria transformadora. De acordo com a agenda oficial, estão previstas mesas-redondas sectoriais, encontros empresariais B2B, visitas a empreendimentos industriais de referência e sessões de networking com empresários chineses.
Segundo fontes da CTA, a iniciativa pretende também abrir espaço para a representação de marcas chinesas no mercado moçambicano, promover produtos nacionais junto de potenciais importadores chineses e facilitar o acesso a novas tecnologias aplicadas aos diferentes sectores económicos.
Para a organização, esta missão constitui um passo estratégico no âmbito da diplomacia económica do sector privado, com a expectativa de resultar na assinatura de acordos concretos e no fortalecimento das relações comerciais entre os dois países.
Analistas económicos consideram que o contacto directo com o tecido empresarial chinês poderá representar uma oportunidade relevante para as pequenas e médias empresas moçambicanas, sobretudo no acesso a financiamento, transferência de tecnologia e expansão para novos mercados. Ao mesmo tempo, a iniciativa poderá contribuir para posicionar Moçambique como um destino competitivo para o investimento asiático em sectores considerados prioritários para o crescimento sustentável.




Portos moçambicanos mantêm fluxo de combustíveis apesar de tensão no Estreito de Ormuz

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Autoridades garantem estabilidade no abastecimento interno, mas especialistas alertam para riscos geopolíticos no médio prazo
Mesmo com o agravamento das tensões no Médio Oriente e o bloqueio do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas globais de transporte de petróleo — Moçambique continua a assegurar o abastecimento interno de combustíveis sem interrupções. A garantia foi dada pelo presidente do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Agostinho Langa Júnior, que afirma não haver restrições nas operações portuárias nacionais.
Segundo o responsável, os principais terminais de combustíveis do país — localizados nos portos da Matola, Beira, Nacala e Pemba — continuam a receber navios regularmente, assegurando a descarga de produtos essenciais como gasóleo, gasolina e Jet Fuel.
“Os terminais de combustíveis mantêm-se plenamente operacionais e continuam a receber navios sem qualquer limitação, garantindo a estabilidade do fornecimento interno”, afirmou Agostinho Langa Júnior.
Matola concentra maior volume de combustíveis
Dados partilhados pelo PCA dos CFM revelam que o Porto da Matola lidera o manuseamento de combustíveis no país. Entre janeiro e abril deste ano, foram processados cerca de 200 milhões de litros de combustíveis fósseis, posteriormente distribuídos a partir dos terminais oceânicos para suprir a procura interna.
Este volume expressivo reforça o papel estratégico da infraestrutura portuária moçambicana, especialmente num contexto de instabilidade internacional que ameaça cadeias de abastecimento energético.
Sem impacto imediato, mas com riscos no horizonte
Apesar do cenário global de incerteza, as autoridades moçambicanas asseguram que, até ao momento, não há impactos diretos nas operações portuárias nem no fornecimento interno de combustíveis. No entanto, especialistas ouvidos no setor energético defendem cautela.
O Estreito de Ormuz continua a ser um ponto crítico no comércio internacional de petróleo, sendo responsável por uma parcela significativa do transporte marítimo global de energia. Qualquer interrupção prolongada pode ter efeitos em cadeia nos preços e na disponibilidade de combustíveis.
Vigilância reforçada e preparação logística
Face a este contexto, o Governo e os operadores do setor energético afirmam estar a reforçar mecanismos de monitoria e resposta. A estratégia passa por garantir alternativas logísticas e aumentar a resiliência do sistema de abastecimento nacional.
Embora o país não esteja, por agora, a sentir os efeitos diretos da crise, a dependência das rotas marítimas internacionais mantém Moçambique exposto a eventuais choques externos.
A evolução do conflito envolvendo o Irão e a segurança no Estreito de Ormuz continuará a ser um fator determinante para o equilíbrio do mercado energético global — e, potencialmente, para a estabilidade do abastecimento em economias dependentes de importação, como a moçambicana.